quarta-feira, 2 de março de 2022

O Calçadão "Arthur Machado"

Calçadão "Arthur Machado" - Foto Antônio Carlos Prata.

O Calçadão "Arthur Machado" foi inaugurado no dia 18 de novembro de 1994, na gestão do prefeito Luíz Guaritá Neto. Engenheiros responsáveis José Bandeira de Melo (Secretário de Obras) e Hugo S. Bichuete Nicolau (Secretário de Planejamento).

Inauguração do Prédio da Farmácia Drogasil

O prédio da Drogasil foi inaugurado no dia 10 de outubro de 1966, às 10h. Com 31 funcionários. Localizado na rua Artur Machado, n.º 44 (Centro). Flávio Bierenbach (engenheiro responsável).

Cidade de Uberaba -
Foto Antônio Carlos Prata.

Estiveram presentes o prefeito Arthur de Melo Teixeira, o presidente da Câmara Municipal de Uberaba, Dr. Homero Vieira de Freitas, o comandante José Vicente Bracarence, o Arcebispo Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, a Banda de Música do 4º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais e convidados.

terça-feira, 1 de março de 2022

CONHECER PARA AMAR! UBERABA 202 ANOS

Por volta de 1700, descobriu-se o ouro em Minas Gerais. A povoação do Brasil deixou de ser quase exclusiva das faixas litorâneas, estendendo-se rapidamente para a região das minas. A febre do ouro iniciava-se.
Nos seus primórdios, antes da chegada dos Bandeirantes paulistas, a região do “Sertão da Farinha Podre”, atual Triângulo Mineiro, era povoada por índios e quilombolas, negros fugidos do cativeiro.

Cidade de Uberaba - Foto Antônio Carlos Prata.

Com a descoberta de ouro na província de Goiás, e depois em Cuiabá, começaram os esforços para construir um caminho ligando São Paulo às minas goianas e matogrossenses. Foi entre 1722 e 1725 que os sertanistas paulistas, sob a liderança de Bartolomeu Bueno da Silva Filho, o lendário Anhangüera, descobriram as minas de Goiás e, conseqüentemente, formaram-se arraiais e vilas naquela região. Esta estrada passava nas proximidades onde Uberaba surgiria.

Com a chegada do branco, os índios da região, não pacificamente, foram sendo expatriados ou “civilizados”, como convinha aos desbravadores. Aldeias de índios amistosos aos exploradores foram sendo instaladas, nas margens da estrada Anhanguera para segurança dos viajantes.
Transformações na economia mineradora de Minas Gerais, como a descoberta de ouro e diamantes no Sertão da Farinha Podre ( lugar conhecido como Desemboque), motivaram as imigrações para a região, principalmente daqueles que moravam nas imediações das vilas produtoras de ouro em plena decadência.

Desemboque exerceu importante função como centro de expansão populacional. Foi dali que saíram expedições que possibilitaram o surgimento das vilas de Araxá, Uberaba, Prata e Patrocínio entre outras.

A formação da Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba surgiu com a expansão das fronteiras de exploração a Oeste do Desemboque. Em 1812 o sertanista José Francisco de Azevedo instalou um pequeno núcleo colonial, nas cabeceiras do Ribeirão do Lajeado (dos Ribeiros). Este núcleo era formado por algumas cabanas, habitadas por colonizadores emigrados de Desemboque. Denominou-se, o local, Arraial da Capelinha.

Em 1809 o Sargento-mor Antônio Eustáquio da Silva Oliveira, obteve o título de Regente Geral, e Curador dos índios, do Sertão da Farinha Podre. Realizou duas entradas para explorar a região: uma em 1810 e outra em 1812. Estas expedições eram realizadas juntamente com alguns geralistas que procuravam lugares para estabelecer fazendas, atraídos pelas notícias de alta fertilidade das terras.

Algum tempo depois, por volta de 1816, Major Eustáquio construiu uma casa de morada, na margem do Córrego das Lages, imediações da Estrada de Anhanguera e, cerca de três quilômetros dali, córrego acima, ainda à margem esquerda, construiu um retiro para suas criações, que deu origem ao lugar conhecido por Paragem de Santo Antônio.

A partir da construção deste retiro, moradores do Arraial da Capelinha, e de outros lugares próximos, migraram para aquele novo sítio. Esse foi o núcleo que originou a cidade de Uberaba. O arraial cresceu rapidamente. O comércio foi se firmando, as fazendas tomando importância, a vida social e econômica se configurou.

Nos anos 1990, historiadores do Arquivo Público de Uberaba, buscando atender reivindicações para mudança da data de aniversário da cidade em 2 de mao, que coincidia com o Dia do Trabalhador no dia 1º e Inauguração da Expozebu no dia 3, gerando transtornos ao comércio devido ao feriado prolongado. Pesquisas foram realizadas para identificar outra data de relevância histórica.

Chegou-se ao dia 2 de março, data do decreto régio que estabeleceu a criação da Freguesia de Santo Antônio e São Sebastião de Uberaba, em 1820.
Este foi um breve relato das origens de nossa cidade.

Parabéns para os uberabenses que ao longo dos anos vem cumprido sua cidadania, preservando os valores culturais de nossa terra, lutando por uma cidade que ofereça a cada dia, melhores condições de vida aos seus habitantes.

Comemorar os 202 anos é uma forma de reafirmamos nossa memória, nossa identidade histórica. Oportunidade para congratular a todos sem distinção, em qualquer tempo, que em seu cotidiano, muitas vezes sem perceber, tecem a trama da história. Vale a pena comemorar, não vale?

Parabéns Uberaba! Parabéns uberabenses! Parabéns por sua história, cultura e beleza.


Luciana Maluf Vilela
Historiadora

terça-feira, 22 de fevereiro de 2022

Você é desobediente? Espero que sim!



Desobediência

Renato Muniz B. Carvalho

Lá em casa, nunca fomos obedientes. O que não significa que fôssemos desobedientes, revoltados ou insurgentes. Nenhum de nós saía por aí quebrando coisas, ofendendo pessoas, pondo fogo no mundo. Às vezes, confesso, dava vontade. Tínhamos nossos instantes de rebeldia, mas nunca nos faltou civilidade nem bons modos.

Tomávamos banho todo dia; as refeições eram feitas à mesa da sala, com os mais velhos; tínhamos nossas responsabilidades em relação aos cômodos onde dormíamos e brincávamos. Os horários definidos para comer, estudar, dormir e brincar eram respeitados. Existiam normas, mas não eram impostas, eram negociadas. Não era perfeito, nem tinha a exatidão de um relógio, mas funcionava. Isso afetava os relacionamentos com as outras pessoas, pois muita gente nos tachava de, no mínimo, excêntricos, mesmo parentes próximos. Alguns nos enxergavam como um bando de bagunçados. Nunca quebrávamos as normas? Quase sempre! Ora, o que é a aprendizagem senão avançar além dos limites? Éramos uma família comum, com seus problemas, fragilidades e dificuldades, mas a maioria das questões polêmicas era resolvida na base da conversa: Posso sair hoje à noite? Que horas devo voltar? Posso dormir na casa do meu colega? Posso viajar com meu tio? Não quero ir à escola hoje. Não estou com fome. Posso ficar pelado no meio da casa? Tentativas, experimentos e verificação dos limites eram relevantes. Em outras palavras: aprendizagem para a vida, com seus inevitáveis erros e acertos. Não foi fácil! As imposições da época exigiam: “regras existem e não devem ser quebradas”. O comportamento padrão e patriarcal reforçou, em muitas pessoas, atitudes amarguradas, desconfiadas, acanhadas, conservadoras. É triste constatar isso.

Passar as férias na fazenda do meu avô ampliava a sensação de liberdade. Tínhamos espaço à disposição, contato com árvores, animais, rios, cachoeiras e pessoas diferentes, que ali trabalhavam ou que por ali passavam. A orientação era respeitar e entender as diferenças. Não maltratar o cavalo que nos carregava nos passeios, não estragar troncos nem quebrar os galhos das árvores, não causar danos às plantações, seja na hortinha de couve ou nas extensas lavouras de milho e arroz, e jamais discriminar, humilhar ou debochar das pessoas.

Éramos livres e abertos para indagações e questionamentos diversos. Sabíamos que não viriam safanões ou cara feia por desejar saber como funcionava o mundo, embora soubéssemos que certas perguntas eram inconvenientes para uns, enquanto outras eram restritas ao mundo adulto. Meus pais rebolavam para se desviar das armadilhas pedagógicas quando o assunto era controverso. Política, sexo e religião eram os assuntos mais delicados, mas nunca escamoteados.

De modo geral, salvou-se uma melhor compreensão do mundo e de suas contradições. O melhor de tudo: uma educação não repressora apresenta melhores resultados, mas muita gente não compreende e não está disposta a abrir mão de seu micropoder. É pena!

Crônica publicada no Jornal da Manhã - (Uberaba, 22/02/2022).

domingo, 20 de fevereiro de 2022

XUXU, CASQUINHA e PIMPÃO

Édison Iglesias Campos, o popular Xuxu, virou nome de rua no bairro Tutunas de Uberaba. Pena não constar da placa a alcunha pela qual era mais conhecido.

Xuxu nasceu na cidade de Itaocara, em 8/11/1928, filho de Basílio Iglesias Campos e Emília Virgulina Campos, ambos artistas circenses espanhóis que imigraram para o Brasil, na década de 1920.
Além de viajar fazendo shows por todo o Brasil, ele também atuou ao lado dos Trapalhões, comandou o programa “Disquinho do Xuxu” da Tv Triângulo de Uberlândia, atuou nas rádios Difusora e PRE-5 e também fez apresentações no Canal 5, Tv Uberaba.

Imagens: 1 – Xuxu e 2 – da esquerda p/ direita: 
Hélio Rodrigues Maia (Cartolinha),
 Geraldo Barbosa, Xuxu e Marquinho

Em seu programa radiofônico Xuxu contava com a participação de Casquinha e Pimpão no papel de ‘escadas’, auxiliares na interpretação das situações ilarias. Um exemplo: - tinha um matuto que nunca vira espelho na vida, ganhou um e quando nele olhou achou que era foto do pai e começou beijar emocionado. Levou a novidade pra casa, guardou no fundo de uma mala, sempre aberta com emoção dizendo, antes de beijar: - "meu pai! meu querido paizinho”! Isso várias vezes. Sua mulher, desconfiada, também não conhecia espelho, esperou ele sair e foi ver o que ele escondia com tanto zelo. Ao ver a sua imagem refletida exclamou: - “então é isso! Eu sabia que ele estava enrabichado com essa sirigaita!” Imediatamente repassa a novidade para a mãe que acrescenta: - “mas minha filha, seu marido tem coragem de andar atrás desse canhão”?!

Me ponho a imaginar Casquinha e Pimpão fazendo as vozes femininas. Casquinha era interpretado por Júlio César Jardim, dono de voz cavernosa, mais ilaria nessa hora. Já o Pimpão, que antes era o Zumbi, é hoje um importante dirigente de empresa pública em nossa cidade, mas cujo nome só revelo se ele me autorizar.

Ao Xuxu e Casquinha, ambos já falecidos, e ao Pimpão eu só posso agradecer e dizer que deixaram grata lembrança no coração de muita gente, além de aproveitar para relembrar que:
Como num picadeiro circense / muitas vezes somos palhaços / em outras somos crianças / O céu que nos cobre é a lona / Para o espetáculo da vida

Moacir Silveira

TONINHO DA VIOLA

Toninho da Viola, nome artístico de Antonio Lubianchi, também foi destaque na programação do Canal 5, Tv Uberaba, quando já integrada à rede Manchete.
Natural da cidade de Jaborandi, SP, onde nasceu em 16/3/1942, ainda criança ele se muda com a família para a cidade de Barretos, SP, onde passa a maior parte de sua juventude e mocidade até sua mudança em definitivo para a cidade de Uberaba, MG, em 1969.
Foi em Barretos que ele iniciou nas primeiras letras escolares no tradicional Colégio Ateneu, sob a orientação do professor Valdeci.


Antonio Lubianchi, Toninho da Viola - Foto/ Reprodução.

Aos 11 anos interessa-se pela música ao ouvir pela primeira vez a dupla Zé Carreiro e Carreirinho. Isso aconteceu no bar do Sr. Honório, mantenedor de famosa casa de encontro local e que o menino frequentava às escondidas, mas com anuência do proprietário. Na oportunidade foram todos levados para a delegacia. Foi a partir de então, graças ao seu talento, tem início sua trajetória artística.
Graças influência do grande compositor e músico Dilermando Reis, tem no violão o instrumento de sua predileção. O interesse pela viola caipira surge tardiamente, em 1987, e a partir de então ganha seu coração, inclusive incorporado ao seu atual nome artístico.
Toninho da Viola é o mais um digno representante do que há de melhor no mundo da viola, pois é o exemplo do brasileiro que acredita na sua arte e a ela se dedica de corpo e alma.
Prestes a completar 80 anos, ele continua dedilhando as cordas de sua viola com o mesmo talento e maestria.


Clique no vídeo e confira: 
o seu excepcional domínio das cordas na execução de nosso “Hino Nacional”.

Moacir Silveira

EM NOME DO PAI

Essa foto histórica e centenária foi tirada no início dos anos 1920. Os personagens parecem estar a nos contemplar através do tempo, mal sabendo eles que hoje seríamos nós que os olharíamos de volta. Eles com olhos no futuro e nós com olhos voltados ao passado. Os pais do noivo fazem pose orgulhosos por estarem casando Luiz, mais um dos seis filhos que tiveram, a saber: Álvaro, Adelina, Almerinda, Adelaide e Adélia.

Na foto (álbum de família): o patriarca Ataliba Guaritá (18/2/1862 – 9/10/1932), sua esposa Francisca Cândida Guaritá (9/11/1868 – 10/10/1940), o noivo Luiz Guaritá (7/9/1900 – 17/11/1965), a noiva Niza Marquez Guaritá (16/12/1901 – 31/7/1988).

Os jovens noivos, por sua vez, teriam um único filho e que estaria predestinado a ser figura importante na comunidade uberabense. Em uma demonstração de amor filial eles dariam à criança o nome e sobrenome do pai do noivo, homem de renome na sociedade e política, que parece estar abençoando o casal. Entretanto, sobre o belo futuro do menino o patriarca nada saberia, pois faleceria 8 anos depois, em 1932. E nem ficaria sabendo que o próprio filho Luiz, o noivo, viria a ser um empresário de sucesso, presidente da Associação Comercial de Uberaba, em 1937, e dono de importante loja de material de construção na Rua Artur Machado, em frente à antiga Futurista, bem ao lado da famosa Casa da Sogra.
A jovem noiva exerceria importante papel na sociedade local, como educadora, professora de francês, presidente da Ação Católica e de outras entidades filantrópicas.
O filho do noivo viria a ser, tempos depois, vereador, jornalista, colunista social, radialista, apresentador de tv e um grande líder comunitário.

Melhor observando essa foto é possível vislumbrar a admiração e orgulho, pois tanto Luiz quanto seu futuro rebento pensariam no pai ao dar nome ao próprio filho. Luiz batizaria o seu: Ataliba Guaritá Neto, o popular Netinho (27/6/1924 – 14/9/2000) e esse, por sua vez, escolheria para o seu menino: Luiz Guaritá Neto (ex-prefeito nos anos 1993 a 1996).

E para reverenciar tão ilustres figuras ousaria entoar a famosa canção de Fábio Junior que diz: ... “Pai / Eu cresci e não houve outro jeito / Quero só recostar no teu peito / Pra pedir pra você ir lá em casa / E brincar de vovô com meu filho / No tapete da sala de estar / Pai / Você foi meu herói, meu bandido / Hoje é mais muito mais que um amigo / Nem você, nem ninguém tá sozinho / Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz”.

Moacir Silveira


OBS: Netinho casou-se com Cornélia, com quem teve os filhos Luiz Neto e Dulce Helena, casados com ... (mas essa é história que fica para outra postagem)

Leopoldino de Oliveira

NO MEIO DO REDEMOINHO

Ele nasceu em 18/6/1893 e mal sabia que viveria no meio de um redemoinho político. Num conturbado período de nossa história. Abolição da escravatura, queda da monarquia, proclamação da república e muitas reviravoltas políticas.
Quando criança ouvia adultos comentando a decisão do governador do estado em mudar a capital mineira de Ouro Preto para um desconhecido lugarejo denominado Curral Del Rey e ali instalar a futura Belo Horizonte. Em seguida, a ascensão desse político ao cargo de presidente da república, fato de tamanha repercussão e capaz de influenciar na troca da denominação Largo da Matriz de Uberaba para Praça Afonso Pena, em 1894, e depois para Rui Barbosa, em 1916. As notícias da revolta dos tenentes e da Semana de Arte Moderna (1922), da rebelião de São Paulo (1924), da Coluna Prestes (1924/1927), do Artur Bernardes governando com mãos de ferro e estádio de sítio em MG (1918 / 1922) e depois, ja na presidência, o Brasil (1922 / 1926).

Fotos: 1, 2 e 3 – Arquivo Público de Uberaba; 
4 – Nau Mendes; 5 – revista O Cruzeiro; 6 - Ricardo Prieto


Em 1910, após cursar o internato do Ginásio Diocesano, ele muda-se para BH e matricula-se na Faculdade de Direito. De família humilde, teve que trabalhar para custear seus estudos. Começou como revisor, passou a editor e, em pouco tempo, já era um dos mais conceituados jornalistas da capital. Ali viu a prodigiosa transformação e urbanização da cidade. Já em 1915, gradua-se com louvor e recebe o seu sonhado diploma de advogado. Retorna a Uberaba. Abre escritório. Colabora com os jornais locais. Vai a Índia em busca de gado zebuíno. Envolve-se na política. Elege-se vereador. Preside a Câmara. Assume o cargo de agente executivo (prefeito). É eleito deputado federal, em 1923, reelegendo-se em 1928. Apresenta proposta de saneamento de Uberaba, sugerindo a cobertura dos seus córregos, que na época passavam pelos quintais das casas na região central da cidade. Medida efetivada com a desapropriação dos terrenos. Enfrenta forte resistência de opositores políticos. Chega a ser hostilizado pelo governador do estado e até pela presidência da república. Não se intimida e com destemor enfrenta os ‘coronéis’ da política e até mesmo o da PM, e seus 90 praças em baionetas caladas, com ordens de invasão do prédio da Câmara Municipal. Tudo isso em uma época em que era comum morrer de susto, bala ou vício.

Com a vida agitada que enfrentou, esse verdadeiro furacão uberabense, não chegou a ver o resultado de sua iniciativa, pois faleceu antes, em BH, no dia 29/8/1929, aos 37 anos de idade.
Graças à aprovação de sua proposta hoje temos as amplas avenidas centrais, devidamente cobertas e saneadas. E a principal delas, merecidamente, leva o seu honroso nome, Av. Leopoldino de Oliveira.

Moacir Silveira

PERDI MINHA NAMORADA

Foi um namoro longo, terno e apaixonado, constante, perseverante, fiel, sincero e construído com muito carinho. Quando começou? Quando nasci. Portanto ela foi a minha primeira namorada e eterna namorada.
Certa vez fiz uma crônica sobre minhas quatro namoradas. Ela ficou toda orgulhosa de ter sido citada em primeiro lugar. E as namoradas – com a chegada das netas – têm aumentado. Mas a Marqueza, - como carinhosamente a chamávamos desde os tempos de meu pai, devido ao seu sobrenome Marquez – sempre aceitou o namoro do filho único que passou a ocupar, na sua viuvez, o coração inteiro da mulher amada.

 Niza Marquez Guaritá com seu
 bisneto Marcelo (Foto álbum de família)

Apesar de tê-la amado muito, fiquei em dívida. Fiquei devendo muito na conta-corrente de nossas vidas. Ela me amou muito mais. O amor de mãe, infinitamente maior. O carinho de mãe, a proteção de mãe, a orientação de mãe – os degraus da escada que subi para chegar onde cheguei. Sem ela teria tropeçado no meio do caminho...
E agora? Vivo das imagens que nunca vão desaparecer. Viverei da saudade que não morre. Saudade de vê-la na janela de sua casa, aguardando meu carro, vigiando meus passos, escondendo o rosto para não ser vista e mostrar-se surpresa quando entrava em sua casa para o beijo diário e pontual. Saudade do seu telefonema todas as manhãs aqui na redação, para saber como passei a noite... Saudade do café na hora certa, do “encontro combinado pelo rádio... minha primeira namorada, minha eterna namorada... vamos acertar nossos relógios, velhinha bonita e elegante com seus 86 anos amando e sendo amada”.
Perdi a namorada. Mas não perdi o amor. O amor que ela me deu sempre, o amor que ela pediu e recebeu até o último dia, um domingo de mãos dadas para ver televisão e torcer no futebol... Já escolhi a frase para a estampa com sua foto:

MARQUEZA,
só a nossa saudade
será maior do que você.
Ataliba Guaritá Neto

(Observatório – Lavoura e Comércio, 7/8/1988)


sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

OSSOS DO OFÍCIO

Paulo Nogueira

Vou contar um pouco das histórias que aconteceram comigo durante os meus mais de 50 anos no jornalismo. Ano 1972, iniciei minha carreira como repórter de TV, na TV Uberaba, depois passei pela TV Tupi, SBT, TV Manchete, e Universitária. Eu já trabalhava na imprensa escrita e falada na cidade e fazia matérias especiais para a revista “O Cruzeiro”, e demais órgãos de comunicação dos Diários Associados. Na TV Uberaba, fui escalado para acompanhar uma missão do Projeto Rondon, com alunos da Universidade de Uberaba, no Pará e Amazonas. Eu, e o cinegrafista Geraldo Botelho, embarcamos em um avião DC3, e após algumas horas de viagem, com várias escalas, chegamos a Altamira, no Pará. 

A previsão de ficar por lá era de 15 dias. Ao desembarcamos, fomos imediatamente trabalhar. Após oito dias de reportagens nas agrovilas, na transamazônica, Rio Negro e outros, fomos até uma aldeia de índios distante a 300 quilômetros de Altamira, fazer uma matéria especial. Assim que chegamos a Aldeia, com três máquinas fotográficas, várias lentes, e um aparelho de radiofoto, o Geraldo com a câmara de filmagem, bater ias, iluminação e outros quites para uma cobertura externa, fomos imediatamente dominados por quatro índios, que me amarram de imediato, e me colocaram em uma rede, no interior de uma tenda. Geraldo, conseguiu correr e pegar o helicóptero que estava a nossa espera. Eu fiquei naquela situação, sem comer e sem tomar água, por quase dois dias. Não estava entendendo o que estava acontecendo, até que veio o socorro trazido pelo Geraldo. Dois catequizadores que estavam na região, foram levados me socorrer.

 Depois de muito diálogo com os índios, eles me deixaram livre, e me entregaram o equipamento novamente. Porque procederam daquela maneira? Depois de algumas horas, fiquei sabendo que queriam dinheiro, em troca da reportagem que pretendia fazer naquela aldeia. Passados alguns dias, descobri que a chefia da tribo estava sendo manipulada por pessoas ligadas a eles, só que não eram índios. Após libertado, fui imediatamente medicado em Altamira pois estava bem desidratado. Eu, não me aborreci, realizei outras matérias jornalísticas, que foram publicadas em jornais, na revista O Cruzeiro, como também levadas ao ar na TV Uberaba na época, com grande repercussão.

 Conto este episódio, não como forma de denegrir quem quer que seja, mas marcou muito minha trajetória no início de minha carreira no jornalismo, e naquela época, já deparar com pessoas que pretendiam tirar suas vantagens, em cima do nosso trabalho, e daquela maneira. Após alguns anos, pude voltar a Amazônia e realizar matérias exclusivas na mesma aldeia indígena, onde fui recebido com um tratamento digno. 

Esta é uma das centenas de façanhas por que passei nestes mais de 50 anos de jornalismo, cujo objetivo será sempre, de levar ao leitor, o ouvinte, e ao telespectador, matérias jornalística reais, sem mistificações e mentiras, pois o público que nos acompanha sabe da nossa seriedade dentro do jornalismo. Até hoje, ainda existe o glorioso Projeto Rondon, que leva alunos das universidades brasileiras a Amazônia e nordeste do Brasil, ajudando as pessoas carentes, e ao mesmo tempo, que os alunos universitários das diversas áreas, coloquem em prática, o que aprenderam, É um excelente projeto, e tenho certeza, que os universitários brasileiros, sempre terão o prazer em participar do mesmo, dada a sua integração com as comunidades em geral, trazendo mais experiências aos alunos.

Jornalista-Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2022

MAIS UMA ESTRELA NO CÉU

Therezinha Pousa Corrêa de Paiva -  Foto/Família.


É com profundo pesar que recebi e comunico a todos a triste notícia do falecimento de Therezinha Pousa Corrêa de Paiva, ocorrido no início da noite de hoje, nessa cidade de Uberaba. Figura por demais conhecida na comunidade espírita, ela também atuou durante muitos anos à frente da Malharia Colegial. Depois de 71 anos de casados, ela deixa viúvo Antônio Corrêa de Paiva, os filhos Domingos, Jeziel, Júnia, Cíntia, Ismael, Lívia, além de 11 netos e 4 bisnetos.

Faltando-me palavras para consolar seus familiares, demais parentes e seus inúmeros amigos, estou certo de que, onde quer que agora esteja, é ela quem nos envia as doces palavras de Santo Agostinho:

PARA SEMPRE

A morte não é nada.

Eu somente passei

para o outro lado do Caminho.


Eu sou eu, vocês são vocês.

O que eu era para vocês,

eu continuarei sendo.


Me dêem o nome

que vocês sempre me deram,

falem comigo

como vocês sempre fizeram.


Vocês continuam vivendo

no mundo das criaturas,

eu estou vivendo

no mundo do Criador.


Não utilizem um tom solene

ou triste, continuem a rir

daquilo que nos fazia rir juntos.


Rezem, sorriam, pensem em mim.

Rezem por mim.


Que meu nome seja pronunciado

como sempre foi,

sem ênfase de nenhum tipo.

Sem nenhum traço de sombra

ou tristeza.


A vida significa tudo

o que ela sempre significou,

o fio não foi cortado.

Porque eu estaria fora

de seus pensamentos,

agora que estou apenas fora

de suas vistas?


Eu não estou longe,

apenas estou

do outro lado do Caminho...


Você que aí ficou, siga em frente,

a vida continua, linda e bela

como sempre foi.

Moacir Silveira

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

LUCI ARAUJO ARAGÃO

A APAE – Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais de Uberaba, foi fundada em 12 de março de 1972, por Maria de Lourdes Vasquez Martins Marino.

De sua sede inicial instalada na praça Dom Eduardo, mudou-se para a rua Major Eustáquio de onde saiu em 1989 para sua sede própria localizada no bairro Amoroso Costa.

Foram 17 anos de muita garra das diversas diretorias da Entidade para se chegar a esta grande conquista.

Luci Araujo Aragão - Foto - Casa do Folclore

A saga desta construção está para ser contada. Todavia o nome de Luci Aragão se destaca. Presidente da entidade por vários anos, nas décadas de 1970, 1980 e 1990, conseguiu, em parceria com Nivea Ferreira, a doação do terreno pela Prefeitura Municipal de Uberaba. Iniciada a luta em fins da década de 1970, além das doações, conseguiram recursos junto à

Fundação Banco do Brasil.

Hoje a APAE de Uberaba atende a mais de 400 alunos com deficiência, em cursos matutinos e vespertinos.

Luci Aragão e Nivea Ferreira, tão logo cumprida a missão da APAE, se juntaram como voluntárias do Instituto de Cegos do Brasil Central – ICBC, conseguindo a melhoria da sede e do corpo profissional do Instituto.

Luci se casou em 14 de janeiro de 1968 com o empresário de espirito associativista, José Vitor Aragão, comerciante, industrial e ruralista, proprietário da Brasilar e, desta união, nasceram Victor Aragão Netto, Luciana Araújo Aragão Andrade, Pedro Henrique Aragão e Luiz Gustavo Aragão.

Luci Aragão veio a falecer em um trágico acidente em 03 de Julho de 2007, aos 61 anos de idade. Deixou o exemplo de seu trabalho para toda a comunidade e as saudades para a família e amigos.

Luci Araújo Aragão ´nome de rua do conjunto Presidente Tancredo Neves. Empestou também seu nome para Unidade de Acolhimento Casa de Proteção Infanto Juvenil.

Gilberto Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

domingo, 13 de fevereiro de 2022

Dom Alexandre Gonçalves do Amaral

“Vou cancelar esta cerimônia”. Mal ele terminou estas palavras, já avisamos a Dom Alexandre Gonçalves do Amaral que a noiva já estava se posicionando para o tradicional desfile, dando início ao casamento.

Havia sempre uma preocupação maior com a questão de horário quando se tratava de um casamento realizado pelo arcebispo na década de 70, na Casa do Folclore.

Foto: Curia Metropolitana

Jamais recusou qualquer solicitação nossa. A sua presença era por nós considerada como uma demonstração de estima e de consideração, já que a maioria dos padres e outros bispos, com exceção de Dom Alberto Guimarães, recusava-se a realizar casamentos sob o argumento de que não havia ali uma capela.

Dom Alexandre, de uma educação esmerada e de afável trato, era, todavia, rígido em disciplinas eclesiásticas e em horários, motivo de sua impaciência.

Em termos de disciplina, de defensor intransigente da fé, do rito e das determinações religiosas, basta o fato de usar fivelas em sapatos que lhe machucavam os pés, mas que compunha as indumentárias determinadas pelo Vaticano e que, para tirá-las teve que receber autorização, após graves ferimentos provocados, conforme relata César Vannucci em seu livro “Um Certo Dom”.

A primeira vez que recebemos a visita de Dom Alexandre na Casa do Folclore foi em razão de um convite feito por meio do professor Erwin Pühler e sua esposa, Eunice, amigos de longa data do arcebispo. Acompanharam-no nesta visita também o padre Hyron Fleury, João Francisco Naves Junqueira, seu médico particular e algumas religiosas.

Neste dia, acontecia mais uma apresentação da Catira dos Borges. O Arcebispo gostava de manifestações culturais. Conheceu essa dança folclórica em Iturama.

Na época desta visita, década de 1970, não havia grandes construções no local, e sim jardins, o que levou Dom Alexandre a dizer que o local se parecia com os jardins do Éden. Muito gentil, disse ainda que batizaria a Casa do Folclore como Academia Brasileira do Folclore.

Filho de Benjamim Gonçalves e Maria Cândida Gonçalves do Amaral, Alexandre nasceu em Carmo da Mata, Minas, aos 12 de junho de 1906.

Aos 23 anos, em 22 de setembro de 1929, foi ordenado padre. Dez anos após, ao ser eleito bispo, foi ungido em 29 de outubro de 1939 o mais jovem bispo em todo o mundo. Neste mesmo ano, tomou posse em Uberaba em 8 de dezembro de 1939, exercendo a função episcopal até 1962, por indicação do Papa Pio XII. Foi o 4º bispo da cidade, após D. Luiz Maria de Sant’Anna.

Na década de 1940, dono de uma inconfundível voz, Dom Alexandre foi considerado o maior orador sacro do Brasil. Segundo César Vannucci, apesar de conhecer bem a ortografia, apegava-se em escrever seus artigos de próprio punho e utilizando a grafia antiga, como “pharmácia”, e não aceitava a revisão do jornal.

Em 14 de abril de 1962, o papa João XXIII elevou a Diocese de Uberaba a Arquidiocese e criou a Província Eclesiástica de Uberaba, abrangendo as dioceses de Patos de Minas, Uberlândia e Paracatu. A Catedral obteve o título de Catedral Metropolitana e o bispo Dom Alexandre foi elevado à categoria de arcebispo, o 1º de Uberaba.

Manteve este título até maio de 1978, quando renunciou juntamente com seu administrador apostólico, Dom José Pedro Costa. Dom Alexandre Gonçalves do Amaral e Dom Pedro passaram à categoria eclesiástica de “bispo emérito”.

A atuação de Dom Alexandre como supremo dirigente da Igreja em Uberaba, iniciada em 1939, não ficou restrita a pastor espiritual.

Diversos desafios ocorreram em sua longa trajetória episcopal. Assumindo suas funções eclesiásticas em plena 2ª Guerra Mundial (1939/1945), sua primeira intervenção se deu quando os padres dominicanos foram acusados de manter uma emissora clandestina para passar informações para os alemães. Buscas foram realizadas na igreja São Domingos e nada foi encontrado. Quando os fiéis quiseram fazer o desagravo deste lamentável fato foram impedidos e o próprio Jornal Católico, censurado.

No governo de Juscelino Kubitschek (1951/1955) ocorreram em Uberaba graves manifestações contra os abusos cometidos por fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais, comandada por José Maria Alkimim, resultando em uma revolta dos contribuintes. Baderneiros aproveitaram para provocar atos de vandalismo, destruindo arquivos da Receita Federal, que funcionava no prédio da Associação Comercial e Industrial de Uberaba, e os da Receita Estadual, instalada na rua Major Eustáquio com a rua Manoel Borges.

Na época, foram presos inúmeros uberabenses. Coube a Dom Alexandre partir para a defesa dos injustiçados, em artigos virulentos contra o arbítrio, publicados no Correio Católico, conseguindo a vinda do então Secretário Estadual a Uberaba para apaziguar a situação.

Como o governador Juscelino tinha interesse na eleição para Presidente da República, além de serenar os ânimos dos uberabenses, atendeu às solicitações de Dom Alexandre e, pouco tempo depois, deu de presente, segundo relato de Frederico Frange, o prédio da antiga cadeia, situada na Praça do Mercado, acrescido de um bom numerário para que a Associação de Medicina de Uberaba implantasse uma Faculdade de Medicina particular, que se transformou na UFTM, uma das grandes Universidades Federais do Brasil.

Dom Alexandre foi uma poderosa voz na Revolução de 1964. Nas palavras de César Vannucci, não lhe faltavam carisma, cultura, inteligência, sabedoria, vivência humanística e espiritual. Sobrava coragem para enfrentar desafios. Para corrigir abusos que estavam sendo cometidos em nome do governo, foi pessoalmente a Belo Horizonte para um encontro marcado com o governador Magalhães Pinto. Nessa oportunidade, conseguiu a transferência do comandante do 4º Batalhão, que era o objeto de reclamações dos injustiçados.

O Governador designou para seu lugar o ajudante de Ordens do Gabinete Militar tenente-coronel PM José Vicente Bracarense, que depois de pacificar os relacionamentos entre o governo estadual e a Igreja, fincou raízes em Uberaba, ocupando por duas vezes secretarias nos governos municipais de Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976) e Silvério Cartafina (1977/1982).

A Fista – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino, criada pela Congregação das Irmãs Dominicanas em Uberaba no ano de 1948, por iniciativa de Dom Alexandre, teve sua diretoria invadida, em abril de 1964, por elementos estranhos ao quadro da Instituição, que assumiram o poder em nome do Governo. Repudiados pelo bispo, foi necessário manter contato com o general Castelo Branco para terminar com esta situação. O Presidente determinou que onde houvesse Diocese a Igreja deveria ser ouvida antes de quaisquer atividades em entidades vinculadas.

Além dessas interferências, durante seu bispado, teve que enfrentar tempos desagradáveis e polêmicos, entre os quais os desentendimentos com a classe médica em relação a cartas anônimas – pichações anônimas –, tomada de posição em favor da implantação da Cemig e muitas outras registradas pela imprensa.

Dom Alexandre fazia sua defesa por meio do Correio Católico, jornal por ele criado e que inicialmente era mensal, passando para semanal e se tornando diário em 1954, na gestão de Dom José Pedro Costa. Segundo César Vannucci, em seu livro “Um Certo Dom”, foram escritos cerca de 6.000 artigos para o Jornal.

Em 1972, o Correio Católico foi vendido para um grupo de empresários, do qual participavam na diretoria Joaquim dos Santos Martins, Gilberto Rezende e Edson Prata. O nome foi mudado para Jornal da Manhã.

Como empreendedor, Dom Alexandre construiu o Seminário São José (Praça Dom Eduardo) na década de 1980, hoje chamado Centro Pastoral João Paulo II, sede da Cúria Metropolitana. Durante seu bispado, trouxe a Uberaba três mosteiros contemplativos – das beneditinas, carmelitas e concepcionistas. Trouxe ainda as carmelitas, da Afonso Rato; os capuchinhos, os padres sacramentinos, as irmãs do Asilo São Vicente e do Orfanato Santo Eduardo.

Pastor e evangelizador, pregador, conferencista, jornalista e escritor, foi também professor de Filosofia e Teologia. Um de seus alunos ilustres foi Mário Palmério, a quem incentivou a criação das Faculdades.

Foi um dos fundadores da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM), ocupando a cadeira número 21, sendo sucedido por Maria Antonieta Borges Lopes. Escreveu três livros, entre eles “Os Católicos e a Polícia”, em 1946.

Dom Alexandre faleceu aos 5 de fevereiro de 2002, tendo vivido 96 anos, 73 como padre, 39 anos de governo episcopal e 23 anos como bispo emérito. Está sepultado na cripta dos bispos na Catedral, onde, em 2006, foi celebrado o centenário de seu nascimento.

Sua vida bateu três recordes quase impossíveis de serem repetidos, pois foi ordenado padre aos 23 anos, nomeado bispo com apenas 33 anos e viveu 63 anos como bispo.

“Dom Alexandre Gonçalves do Amaral” é hoje nome de uma rua no residencial Mário de Almeida Franco.

Fontes: Jornal da Manhã; César Vannucci – livros “Um Certo Dom” e “Voz da Arquidiocese”.


Gilberto de Andrade Rezende

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ex-presidente e conselheiro da Aciu e do Cigra

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

LÉLIA INÊS DE RESENDE TEIXEIRA.

Na nossa história política, foram poucas as mulheres que conseguiram se eleger para a Câmara de Vereadores de Uberaba. Todavia, quando se elegem, fazem a diferença, como aconteceu com Lélia Teixeira, uma das fundadoras do PSDB, na 10ª Legislatura (1983/1989).

Entre os inúmeros projetos aprovados pela sua iniciativa, se destacam as normas de prevenção e de combate a incêndios bem como na aprovação de construções de uso coletivo.

Na área empresarial criou a Livraria Chapadão do Bugre e o Caramanchão e

Rotisserie (1988/1991).

Formada e pós-graduada em Psicologia, deu atendimento em sua clínica particular por 24 anos, a partir de 1979. Porém, foi na área de saúde pública, na qual era especialista formada na UNAERP, que mais se destacou.

Lélia Inês de Rezende Teixeira

Coordenadora de Projetos de Cursos de Profissionalização em diversas cidades do Triângulo Mineiro, foi Professora/Consultora na área de saúde de Uberaba, e Estado de Minas Gerais, além de consultora do Ministério da Saúde.

Idealizou e criou o Centro de Atenção Integral à saúde da Mulher – CAISM/Uberaba e de Araxá. Com o irmão Beethoven Teixeira, criou e participou da diretoria da Associação dos Amigos do Sítio Paleontológico de Peirópolis.

Idealizou o CODEMA – Conselho Municipal de Conservação e Defesa do Meio Ambiente de Uberaba. De sua iniciativa a criação do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher. E, quem não se lembra da grande repercussão que teve primeira Conferência Municipal de Políticas Públicas paras as Mulheres de Uberaba? Foi de onde nasceu o CIM – Centro de Integração da Mulher de Uberaba.

Poucas mulheres tiveram atuação tão marcantes como a Lélia que atuou por seguidas décadas nas áreas municipais, estaduais e federais, defendendo o direito das mulheres, seus ideais políticos e o meio ambiente, através de palestras, conferências, programas de rádios e colunas de jornais.

Lélia Teixeira faleceu em 27 de junho de 2016, aos 63 anos de idade. Era filha do Folclorista e Historiador Edelweiss Teixeira e Inês Resende Teixeira e irmã de Beethoven, Leonardo, Mozart e Edelweiss Jr,

Deixou os filhos Arturo, Edelweiss, Isadora e a neta Mirela. Seu nome está escrito na história da Saúde Pública de vários municípios e estados brasileiros. Suas atividades, sua alegria, seu entusiasmo e sua garra estão ainda vivas na memória de todos aqueles que tiveram o privilégio de conhece-la.

Gilberto Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Fontes – Beethoven Teixeira.

Jornal da Manhã.

Câmara Municipal de Uberaba.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2022

Sultan Mattar, ex-diretor do Nacional, morre aos 95 anos

Gratidão, carinho, admiração e uma tristeza profunda são os sentimentos do Nacional Futebol Clube, dos colaboradores, torcedores e amigos, com a notícia de falecimento do ex-presidente Dr. Sultan Mattar nesta manhã de terça-feira (01).

Sultan Mattar- Foto/Reprodução.

Quem teve o privilégio de conviver com ele, conheceu, além de um profissional dedicado e competente, um ser humano sem igual, uma pessoa do bem, sempre gentil e afetuoso.

Dedicamos essa homenagem a esse grande homem, que nos deixará muitas saudades. Neste momento doloroso, viemos também externar nossos sentimentos e solidariedade à sua família, amigos e admiradores. Que Deus o receba de braços abertos e conforte o coração de todos por essa lamentável perda. (Nacional Futebol Clube)

sábado, 29 de janeiro de 2022

IRMÃ MARIA ANTONIA ALENCAR.

Irmã Maria Antônia Alencar foi uma das fundadoras do Mosteiro da Imaculada Conceição da Divina Providência e de São José, da qual faz parte o Santuário de Nossa Senhora da Medalha Milagrosa.

Irmã Maria Antônia Alencar. 
Foto/Mosteiro da Medalha Milagrosa.

Irmã Maria Antônia pertenceu à Ordem da Imaculada Conceição das Monjas Concepcionistas. Ela chegou em Uberaba em 1949 com mais seis irmãs, sob a condução da Madre Maria Virginia do Nascimento. Juntas, formaram o Mosteiro na rua Gonçalves Dias e, em 1951, se mudaram para a rua Afonso Rato. Em 1961, o Mosteiro foi transferido para o endereço definitivo, na rua Medalha Milagrosa.

Irmã Maria Antônia é dedicada às causas sociais e à literatura. Em 1979, fundou a Pequena Obra de Santa Beatriz, destinada a oferecer apoio moral, religioso e material para mais de cem famílias. Para contribuir com a cultura, publicou dez livros, sendo o último divulgado quando ela tinha 96 anos e intitulado “Encontra-se Deus”.

A ALTM (Academia de Letras do Triângulo Mineiro), na gestão de Ilcea Sonia Andrade Borba Marquez como presidente (2015/2016), reconheceu a dedicação da irmã. A homenagem foi tamanha que ela recebeu permissão para sair do claustro e ganhar o diploma de Honra ao Mérito.

Em 2018, nas últimas eleições, Irmã Maria Antônia deu exemplo de civismo ao superar todas as dificuldades de locomoção para votar, na esperança de ajudar a construir um país mais justo.

Irmã Maria Antônia de Alencar faleceu no dia 21 de dezembro de 2018, aos 97 anos no Mário Palmério Hospital Universitário. Deixou um legado de realizações sociais, culturais e religiosas. Deixou, ainda, além da saudade de todos que com ela conviveram, o exemplo de abnegação em favor do próximo e de uma inquebrantável fé nos desígnios de sua Ordem.

Gilberto Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

LUSA ANDRADE

Nas décadas de 1980 e 1990 tornou-se tradicional o encontro de ceramistas brasileiros na Casa do Folclore para comemorar o encerramento dos cursos ministrados pela Lusa Andrade.

Eram três dias de aulas, normalmente realizadas nas dependências da UNIUBE, cedidas graciosamente pelo reitor Marcelo Palmério. Nesses encontros, que às vezes juntavam mais de 300 artistas de todos os rincões brasileiros, antes da festa de confraternização oferecida por Gilberto Rezende, seu parceiro na Fundação Cultural, fazia-se a queima do barro.

Lusa Andrade - Foto/Reprodução.

O forno, montado em área livre chegava a 900°. Quando aberto, dele saiam maravilhosas peças que valorizavam o artesão do barro. A grande estrela da festa era a Lusa Andrade, organizadora e anfitriã do evento e também a criadora e presidente da Associação Brasileira de Cerâmica Artística, fundada em 1976 e da Associação dos Artesãos e Artistas de Uberaba.

Lusa, que desde criança brincava com modelos de barro na fazenda de seus pais em Peirópolis, somente em 1974, após cursos de preparação realizados em São Paulo, é que se revelou como grande artista da cerâmica. Um ano após, em 1975, montou uma escola de cerâmica em sua própria residência, denominada “Barracão de Barro”. Entre seus alunos, figuras de prestígio nacional como Hélio Siqueira e Ivani Bessa.

Lusa Andrade, reconhecida nacionalmente como uma grande artista do artesanato do barro, se consagrou com o lançamento de seu livro “Barracão de Barro – Cerâmica”, lançado em 1984, adotado por escolas no Brasil e em Portugal. Em dezembro de 2017, a Fundação Cultural de Uberaba, na presidência de Antônio Carlos Marques, fez uma homenagem à Lusa Andrade, através de uma exposição de seus trabalhos no MAS (Museu de Arte Sacra).

Lusa nasceu na fazenda Morro Alto, perto de Peirópolis, no dia 1º de setembro de 1928. Ex-aluna dos colégios: Nossa Senhora das Dores em Uberaba e Stafford em São Paulo, casou-se com o médico Olavo Soares de Andrade, com quem teve uma união de 54 anos, da qual nasceram quatro filhos: Ana Cristina, Eduardo, Fernando e Guilherme Almeida Andrade. Sempre com um sorriso no rosto, Lusa dizia às suas amigas que conseguiu realizar todos os seus sonhos.

Faleceu em 03 de março de 2019, aos 90 anos de idade, deixando um grande acervo artesanal, uma lacuna no setor cultural e saudades eternas entre amigos e parentes.

Gilberto Rezende – membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

MORRE O EMPRESÁRIO UBERABENSE LUÍZ BOTINA DA ANTIGA BOTINAS ZEBU

Luíz Antônio Costa - Foto: Revista Caras.

Morreu na manhã desta sexta-feira (28) o empresário uberabense Luíz Antônio Costa mais conhecido como Luíz Botina. Segundo informações, a causa da morte foi infarto. 

O velório será na funerária Liv, a partir das 12h30 desta sexta.
Luiz Botina foi criador das botinas Zebu e idealizador do Santuário Ecológico Zebu.

domingo, 23 de janeiro de 2022

BEATRIZ DE MOURA TELLES GUIDO

A Mogiana que tanto progresso trouxe para a cidade, trouxe também problemas sociais. Ao longo de muitos anos, principalmente na década de 1960, inúmeras prefeituras de cidades do interior do Estado de São Paulo despachavam seus indigentes para Uberaba.

Beatriz Guido - Foto/Reprodução. 

No governo municipal de João Guido (1967/1970), a primeira dama Beatriz Guido, preocupada com este amontoado de necessitados, com o apoio de diversas paróquias, criou a LAC – Legião de Assistência Cristã.

Com a chegada em Uberaba do Bispo Dom José Pedro Costa, a LAC mudou seus procedimentos de distribuição de alimentos para cuidar de crianças.

Em 1972, com o terreno doado para a LAC pelo Prefeito João Guido, Beatriz Guido e Abigail Miranda criaram a Casa do Menino e decidiram construir uma sede própria para abrigar crianças com problemas na Justiça.

Os recursos iniciais vieram de uma Instituição de Caridade Alemã, a Misereor. Teve participação também da Ordem Religiosa dos Capuchinhos da Colômbia.

Outra grande contribuição foi de Abigail Miranda, através de doações de todos aqueles que eram agraciados com as serenatas de seu grupo de jovens.

Em 24 de novembro de 1975 a Casa do Menino, tendo como mantenedora a LAC, recebia os primeiros adolescentes enviados pelo Juizado de Menores.

Beatriz Guido, formada pelo Colégio Sion que sempre pregava ação, participou de várias organizações sociais e por muitos anos foi diretora e presidente do Hospital da Criança.

Mãe de cinco filhos, João Eduardo, Antônio Augusto, Paulo Roberto, José Luiz e Gilberto, Betriz Moura Telles Guido faleceu em 2003, aos 83 anos de idade, após uma vida intensa de trabalho em prol de sua cidade.

Seu nome é guardado com carinho na Casa do Menino, através do seu “Bazar Beatriz”.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

domingo, 16 de janeiro de 2022

MARIA PONTICCELLI VASQUES - BAR DA VIÚVA

Em fins de semanas na rua Arthur Machado, por muitos e muitos anos era comum a formação de grandes filas, esperando abertura de vagas na porta do Bar da Viúva.

Saborear uma pizza ou picadinho de filé ao molho e outros petiscos, era o programa semanal de centenas de famílias uberabenses. O local era também ponto de encontro de todos os que visitavam a cidade.

As bebidas, sempre da Antártica, vinham pela Mogiana, diretamente de Ribeirão Preto.

Junto com o chope e as cervejas, uma especial, a Niger. Só não entravam no cardápio, os velhos e valiosos uísques escoceses enfileirados nas prateleiras.

No início da década de 1930, Maria com o seu marido Felipe Vasques, fundaram a “Confeitaria Vasques”. Na década de 1950, com o falecimento precoce de Felipe, aos 40 anos de idade, Maria meteu a mão na massa, literalmente.

Maria Ponticcelli Vasques - Foto: Prieto.

Começou a produzir pizzas e salgados a partir das 6 horas da manhã, se banhava no próprio local e à noite assumia a administração do bar com a ajuda dos filhos Felipe e Gilberto.

Uma rotina que durou quatro décadas, mesmo estando com problemas de saúde. Os amigos e frequentadores mudaram o nome da Confeitaria para Bar da Viúva.

Maria Ponticcelli Vasques, mais conhecida como dona Maria, faleceu em 1989. O Bar encerrou suas atividades em 1994.

Fechou as portas uma tradição de quase setenta anos.

Todavia, as lembranças do exemplo de uma mulher guerreira que deixou profundas marcas da sua tenacidade, vão viver para sempre.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

sábado, 15 de janeiro de 2022

Bar do Luiz e Marcos - Uberaba

Em 17 de dezembro de 1978 (há 43 anos) os irmãos Luiz e Marcos Mutão abriram um Bar, L&M na rua Governador Valadares, 350. Vindos de distrito de Jubaí, Conquista, MG os dois conseguiram o prodígio de não fechar nenhum dia durante todo esse período. É ponto de encontro de amigos de longa data com cadeira cativa no local.

                                     
Irmãos Luiz e Marcos Mutão - Antônio Carlos Prata

Passar pela porta, cumprimentar os amigos, soltar uma piada, puxar uma cadeira e esperar que aquela cerveja bem gelada seja colocado na mesa. Essa é a rotina comum de qualquer frequentador.

- O freguês chega e a gente já serve a bebida que ele sempre toma. Sabemos como ele gosta de comer o torresmo, mais ‘carne’, ou se ele gosta de menos. São gostos que você vai conhecendo e que fazem o freguês se sentir em casa – completa um dos proprietários.

É uma tradição que chega aos mais variados públicos.
Mais do que um estabelecimento, eles já fazem parte da história de Uberaba e são roteiros obrigatórios dos uberabenses.
No local, os comensais encontram
variedades, entre salsicha, almôndega, moela, torresmo, linguiça, esfirra, pé de porco e até salgadinhos, todos feitos no local.

Antônio Carlos Prata

“Cruzeiro do Cachimbo”

Está fixado na praça Governador Magalhães Pinto, ou "praça do Quartel". O Cruzeiro do Cachimbo tem significado importante para história de Uberaba. Foi embaixo do cruzeiro que as famílias faziam suas preces e orações para as tropas militares que foram para a guerra do Paraguai.

Cruzeiro do Cachimbo - Foto Antônio Carlos Prata

Dados históricos – O Cruzeiro do Cachimbo surgiu em 1865, entre os meses de julho e agosto, quando as tropas do Rio de Janeiro, sob o comando de Manuel Pedro Drago, comandadas pelo Coronel José Antônio da Fonseca Galvão, reuniram-se em Uberaba com o intuito de constituir um corpo expedicionário para a invasão do Paraguai. Segundo relato do Visconde de Taunay, participante desta expedição, os comandantes e oficiais ocuparam as salas e cômodos da Câmara Municipal, enquanto as tropas acamparam o lugar conhecido à época como Cachimbo, onde hoje fica o bairro Fabrício.

O cruzeiro foi construído neste local para a missa dos expedicionários. Ele foi confeccionado em madeira aroeira, medindo cerca de cinco metros de altura, encimado por galo em chapa de ferro e fixado sobre base de pedras tapiocanga. (CMU)

CAMPO SANTO

O que leva um homem a atravessar um oceano, embrenhar-se pelos sertões, vir dar em distante vila nos confins de um novo mundo, para acudir pobres e desvalidos? Difícil saber.

Mas foi exatamente o que fez João Batista Maberino, um italiano natural de Oneglia, Gênova, nascido em 4/11/1812. Mas antes de partir ele ingressa na ordem dos capuchinhos, isso em 1836 e, cinco anos depois, em 1943, aos 31 anos de idade, a mando do próprio Papa, assume importante encargo missionário.

Iniciou sua jornada pelo Rio de Janeiro, depois Cuiabá e mais tarde Pitangui (MG). E foi ali que ele recebeu a visita do Major Joaquim Alves Teixeira que, em nome da Câmara Municipal de Uberaba, o convidou para vir empreender obra caridosa nesse município.

De índole calma, paciente, educado e caridoso, vivia como pobre e das doações dos fiéis. De espírito empreendedor é considerado o maior benfeitor desse município, pois além dos cemitérios construiu o Hospital da Misericórdia (Hoje Santa Casa), os serviços de água, cisternas, fossas, promovendo assistência aos órfãos, índios e escravos.

Tão logo aqui chegou, em 12/8/1856, deu início as obras de construção do Cemitério São Miguel, considerado um dos mais amplos e modernos do interior do país e então situado onde estão hoje o conjunto de prédios do SENAI e da E.E. Minas Gerais.

Em relação ao Hospital da Misericórdia, segundo informação no site Uberaba em Fotos, "entre 1862 e 1863, por conta da epidemia de varíola no país, às pressas foi preparada uma ala do prédio em que a construção estava mais adiantada, para receber os doentes. Em 1865 as obras seguiam graças à colaboração de pessoas com maior poder aquisitivo. Neste ano uma ala do hospital abrigou as tropas do Corpo Expedicionário que aqui se aquartelaram a caminho de Mato Grosso para a Guerra do Paraguai durante 45 dias, cujos doentes de bexiga (varíola) ali se internaram. A estada das tropas no prédio inacabado foi desastrosa, estragos se viam por toda parte. Camas, cozinha, utensílios, nada restou."

Despojado, desapegado de riquezas e honrarias, preferia remendar seus trajes sacerdotais a onerar os donativos recebidos e destinados aos menos favorecidos.


Fotos: 1 e 2 – Cemitério São Miguel;3 –
Frei Eugênio; 4 e 5 – Praça F. E. (ontem e hoje).

Assim quando hoje passares pela Praça Frei Eugênio lembre-se desse grande benfeitor, preste-lhe uma reverência, pise com respeito no sagrado solo desse outrora campo santo e onde mais de 4.400 mortos foram sepultados.

(Moacir Silveira)

*Banca da praça do Grupo Brasil faz 45 anos*

As filas para a compra de jornais e de revistas não existem mais, lamenta Vilmar da Silva Bovi.

Ele é o proprietário da antiga Banca Comendador, localizada na praça do Grupo Brasil, denominação anterior da centenária Escola Estadual Brasil.

Banca da praça Comendador Quintino - Foto Antônio Carlos Prata

São 45 anos dedicados à clientela, com "fregueses de carteirinha, há decadas", diz orgulhoso.

Situada no Bairro Estados Unidos, defronte com a Loja Maçônica Estrela Uberabense e hospital Beneficência Portuguesa uma das mais antigas da cidade.

Segundo Vilmar da Silva Bovi, proprietário do local. “Há 45 anos, quando abri a banca, não imaginava que um dia ficaria tão tenso e que isso me prejudicaria.

Com tanta informação disponível nos celulares e nos computadores, as vendas nas tradicionais bancas de jornais diminuíram. Antigamente existia filas para comprar jornais e revistas. Hoje elas tiveram que se reinventar e diversificar as atividades para continuar existindo como nas capitais. Exigindo que as bancas passassem por uma reformulação, uma diversificação de produtos e serviços. E esses locais ainda têm um fluxo grande de pessoas que busca outros serviços que antes não eram oferecidos. Penso no futuro montar uma loja de conveniência para se adaptar e aumentar o faturamento. Hoje é possível comprar águas, doces, lápis, caneta e chip de telefone celular, e em tempos de pandemia, e reforçando os livrinhos de palavras cruzadas e caça palavras, contou Vilmar.

Antônio Carlos Prata

quinta-feira, 16 de dezembro de 2021

CECILIA ARANTES PALMÉRIO.

Foi igual à um conto de fadas o casamento de Cecília Arantes com Mário Palmério. Em 1939, sabendo da determinação dos pais em não permitir o namoro da filha, o príncipe encantado, na calada noite, rapta a donzela, ainda em trajes de dormir, para se casarem em Santos.  

Após dois anos morando em São Paulo, o casal se mudou para Uberaba, onde tiveram os dois filhos, Marcelo e Marília. Unidos pela paixão, se uniram também no propósito de revolucionar o ensino da cidade. 

Cecília Arantes -
 Foto/Reprodução

No início da década de 1940, Mário e Cecília construíram os primeiros alicerces de uma gigantesca obra educacional, na Avenida Guilherme Ferreira. Ali nasceu o Colégio Triângulo e ali mesmo, construíram sua residência. 

Em 1950 foi criada a Sociedade de Educação do Triângulo, entidade sem fins lucrativos, com sede na própria Escola. Cecília Arantes Palmério foi sua primeira presidente por 20 anos.  

Em toda sua vida Cecilia Arantes foi o braço direito na Administração da 

Entidade que era uma Escola que se transformou na FIUBE em 1972 e na UNIUBE-Universidade de Uberaba., em 1988.  

Cecilia Arantes, nascida em 22 de novembro de 1915, trabalhou ao lado de Mário Palmério na área educacional, por 46 anos e colaborou com seu filho Marcelo Palmério, por cerca de 30 anos, até o seu falecimento ocorrido em 29 de maio de 2011. 

Em 1997, a UNIUBE – Universidade de Uberaba, criou no Campus I, o “Centro Cultural Cecilia Palmério”, implantado em um magnífico conjunto arquitetônico, com o objetivo de apoiar as manifestações artísticas e culturais e perenizar o nome de quem por toda sua existência dedicou sua vida, em prol da família e da educação. 

“Cecília Palmério” é nome também de uma rua localizada no bairro Santos Dumont. 


Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

domingo, 12 de dezembro de 2021

*DÉCIO BRAGANÇA, PRESENTE*

Feito as mães, educadores não deveriam morrer nunca

Em especial aqueles ao qual se junca

O Coração, a alma e a cuca,

E mais o Natal perpétuo.

Ao sereno ou sob teto

A fé, o educar e o afeto

Parabólico esse meu Mestre 

E também barbudo

No Castelo Branco da infância

De muitos, o Português e seus encantos

Formando gente na UNIUBE

Ou militando no  SINPRO Sua verve, Orbi et urbi 

E era uma ode

Seu amor ao estudo

Da língua, 

tão castiça e engalanada. 

Que bem podia ser flor, 

E que podia ser granada

Professor que abraçava o mundo

Andava pelas ruas anunciando 

A antiga e mais nova novidade: 

*O nascimento de Cristo.*

E o grito solidário ao Grito dos excluídos.

Décio era isso era aquilo

Se houveram más línguas 

Ele as concertou. 

E consertará ainda

É infinda a trilha do educador

que queria a lida: 

Lúdica, fraternal e linda

Uma ação do bem por mais

ordinária, sendo diária 

E com afinco, juntada feito

Muro de arrimo

Faz a cidade, o galo e a alvorada. 

Trás felicidades inusitadas 

É... Décio,  meu mestre amigo

continuas ensinando-me. 

Aqui comigo, ao lado, Falando...  Ouvindo...

Enternecendo - me de

Sublimes verdades

Nessa nossa aula da

Saudades

Nas salas do peito

É... Feito as mães

Educadores não deveriam

morrer nunca.


Prof. *_Orlando Coelho_*

quinta-feira, 9 de dezembro de 2021

Morre, aos 71 anos, o professor Décio Bragança

Comunicamos aos amigos e familiares mais distantes o falecimento de nosso querido Professor, Décio Bragança, que partiu hoje (09), com 71 anos, após uma vida de realizações. O sentimento que predomina no momento entre nós é o da imensurável gratidão por todas as bênçãos que recebemos, neste ciclo de nossa evolução em que desfrutamos do prazeroso convívio, dos seus ensinamentos, e do empenho pela educação. Que Deus esteja conosco. Saúde e Paz para todos.

O velório acontece na manhã e tarde desta quinta, na funerária Live, e o sepultamento está marcado para o cemitério São João Batista, às 17h30.

Com pesar, o Blog Uberaba em Fotos se solidariza com os familiares e amigos de Décio Bragança.

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

SAUDADES DE UBERABA

Composição: Oscar Louzada – Letra : Tharsis Bastos

Às vezes fecho meus olhos, deixo a memória fluir
E entre sonhos contemplo, a terra que me viu nascer, crescer e depois partir!
As águas tão cristalinas, foram avenidas formar
Por entre as Sete Colinas, Uberaba surgiu, cresceu e é pra sempre meu lar!

Nas ruas de pé de moleque se abre meu leque de recordações
Papos de esquina, flertar com as meninas nas exposições – como esquecer?
Nossa Princesinha, que esta valsa ganha, se tornou tamanha que dá gosto ver
Pois todo o Brasil vem aqui sentar quando quer comer!  (Bis)

Minha Uberaba eu diria, como Palmério ensinou
Saudade é melancolia.... Distante do teu chão restou viver sempre a recordar!
Neste distante castigo, sem ombros para chorar
Lembro do teu povo amigo, que sabe receber e, a sorrir, todos abraçar!

Gente de todas as crenças, respeita o padre ou o pastor
Sem discutir diferenças; aprendeu com Chico Xavier o que nos diz a Cruz, que maior é o Amor! (Bis) 

]Minha Uberaba eu diria.... etc