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terça-feira, 24 de setembro de 2019

Saúde Pública - Os Cientistas – Dr. Edison Reis Lopes

Não temos pretensão de analisar aspectos científicos de Saúde Pública até porque isto é de competência de especialistas. Ateremos tão somente ao processo evolutivo, a ampliação de conceito, sua posição na Política Social e os reflexos socioeconômicos.

Nosso reconhecimento especial deve ser de início, para os pesquisadores, heróis anônimos. Em nosso país, a exemplo do que sucede no exterior, todos os ramos da saúde têm produzido grandes pesquisadores. Epidemiologistas, sanitaristas, parasitologistas, imunologistas, biólogos, geneticistas, bioquímicos, patologistas, clínicos, dentistas, enfermeiros e profissionais de outras especialidades dignificam a pesquisa biológica.

 Dr. Edison Reis Lopes. Foto: Acervo da família.

Uberaba, centro médico reconhecido como de alto nível, tem hoje renome nacional e internacional no campo das Doenças Tropicais. Neste campo, nossa cidade, tanto no passado como no presente, tem do que se orgulhar,

Em todo o mundo científico, quem não conheceu o nome de Aluízio Prata. Professor na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro da disciplina de Doenças Tropicais e Infecciosas? E, no setor de Medicina Tropical, principalmente em relação à Doença de Chagas, Malária e Esquistossomose., seu trabalho é uma das referências primeiras em todo o país.

Suas centenas de trabalhos sobre profilaxia, clínica e tratamento da Malária, Doença de Chagas, Esquistossomose Mansoni, Leishmanioses e outras endemias constituem referências básicas para todos que se preocupam com estes temas.

Sempre manteve amplo intercâmbio com pesquisadores internacionais na experimentação de vacinas. Trouxe para Uberaba o XXVII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, o qual teve repercussão internacional.

O reconhecimento de seu valor é atestado pelos cargos que ocupou nos organismos como Organização Mundial de Saúde e Organização Panamericana de Saúde.

Outro ramo em que nossa cidade se destaca é no da Patologia Tropical. A fundação da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro em 1954 propiciou a vinda para Uberaba de Edmundo Chapadeiro, então professor da Universidade Federal de Minas Gerais, onde havia sido discípulo de um dos maiores patologistas que nosso país teve, Luigi Bogliolo, renomado pesquisador italiano, que se radicara em Belo Horizonte na década de 40.

Chapadeiro formou em Uberaba excelente centro de patologia, formando uma grande escola cuja linha de pesquisa fundamental é na Doença de Chagas. Seu trabalho foi tão proveitoso que o único centro de Pós-graduação "senso stricto", que até o ano de 1991 havia no interior de Minas Gerais, era o Curso de Pós-graduação em Patologia Humana da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, hoje classificado no MEC como classe A.

Chapadeiro e seus discípulos Edison Reis Lopes, Fausto Pereira, Hipólito Almeida, Sheila Adad, Sebastião Tostes Jr, Vicente de Paula Antunes, Ademir Rocha, e outros, produziram especialmente no campo da morte súbita e da forma indeterminada da doença de Chagas, trabalhos fundamentais e básicos para o melhor conhecimento da enfermidade.

No setor hematológico, Hélio Moraes de Souza e sua equipe, também realizam pesquisas básicas em relação a transfusões de sangue e doença de Chagas. Desnecessário frisar o pioneirismo e a importância dos estudos de Humberto de Oliveira Ferreira no conhecimento da fase aguda da tripanossomíase cruzi e na terapêutica da endemia e Ruben Jacomo nos aspectos laboratoriais da doença.

Vários nomes ainda devem ser lembrados por suas contribuições na pesquisa das Doenças Tropicais, especialmente na Doença de Chagas: Fausto da Cunha Oliveira, Adib Jatene, Valdemar Hial, Luiz Ramirez, Eliane Lages Silva, Virmondes Rodrigues Jr, Jaime Olavo Marques, Maria Aparecida Enes Barros, Lineu Miziara, Sylvio Pontes Prata, Antônio Carlos Meneses e outros mais.

Graças a estes pesquisadores, muitos deles hoje apenas saudades, a FMTM pode se projetar como centro de pesquisa nacional e internacional.


Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ex-Presidente da ACIU e do CIGRA e ex-diretor do Grupo TRIFLORA.


FONTE DE PESQUISAS: Dr. Edison Reis Lopes. a) - Revista Goiana de Medicina - Artigo Doença de Chagas rio Triângulo Mineiro.


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Cidade de Uberaba

sábado, 3 de agosto de 2019

JORGE DIB NETO – Um idealista por natureza

Devolver dinheiro para Prefeitura Municipal? Isso nunca vai acontecer! Assim se manifestaram algumas pessoas ao tomarem conhecimento do pedido feito pelo recém-eleito prefeito Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1977) para a Construl, empresa que construía a capela ao lado do cemitério.

A solicitação era para que ela paralisasse as obras e devolvesse as verbas que já tinham sido liberadas pela administração anterior. Havia premência para que esses recursos fossem alocados para outras obras prioritárias.

Certamente, os manifestantes não conheciam o presidente da empresa, o engenheiro Jorge Dib Neto, que não só atendeu prontamente a solicitação como isentou o município do pagamento da multa contratual.

Um caso raro no mundo empresarial. Assim era Jorginho, então presidente da ACIU. Em sua gestão (1972/1973), junto com sua diretoria, abriu uma nova página na história do desenvolvimento de Uberaba.

Atuou em todos os segmentos de interesse da comunidade e dos associados. Para eliminar as dificuldades decorrentes da falta de integração deste território com os grandes centros consumidores do país, promoveu o 1º Simpósio Rodoviário a fim de melhorar nossa malha rodoviária.

Nesse período, Jorge se engajou na luta para instalação de um terminal de gasoduto em Uberaba, através de inúmeros contatos com o Ministério de Minas e Energia.

Na área de Educação, se desdobrou para a criação do Curso de Administração de Empresas na Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro (FCETM).

Seu grande destaque foi o de perceber que havia uma lacuna no desenvolvimento do setor industrial. Naquela época, os pilares da economia do município se assentavam quase que exclusivamente no setor rural, no comércio - com destaque para as concessionárias de veículos - na educação, na prestação de serviço – meca da Medicina - e nas indústrias vinculadas ao agronegócio, como Cooperativa de Leite, Matadouro Industrial e dezenas de máquinas de arroz.

Sob o controle estatal, o Distrito Industrial, criado no governo de João Guido, já abrigava a Cia. Têxtil do Triângulo, o Abatedouro Avícola Paranaíba e o Curtume Triângulo.

Preocupado com a situação, Jorge Dib Neto, em agosto de 1972, criou com sua diretoria, sob a direção do vice Gilberto Rezende, a “Operação Indústria”, da qual participavam Wagner do Nascimento, vice-prefeito e representante do CDI (Cia. dos Distritos Industriais), Joaquim Prata dos Santos, pelo Sindicato Rural, Zito Sabino de Freitas, pela ABCZ, Bernardo Pucci, pelo Sindicato do Comércio, representantes do Rotary, Lions, OAB, Academia de Letras, Lojas Maçônicas, Sindicatos Patronais e de Empregados.

O objetivo não era somente trazer empresas que viessem reforçar nosso parque industrial através da oferta de incentivos fiscais. Consistia também na ajuda mútua para ampliação das indústrias já implantadas por meio de empréstimos dos organismos financeiros, que também participavam dessas reuniões como o INDI e o BDMG.

Nos encontros com todos os representantes comunitários liderados pela ACIU, foram aprovados os programas que foram repassados ao prefeito Hugo Rodrigues. Foi uma grande contribuição para a abertura de uma nova era que redundou na criação de dois Distritos Industriais e na instalação de inúmeras indústrias, com destaque para o complexo Fosfértil no DI III e a Minasplac, no DI I.

Esse grande movimento envolveu toda a comunidade e foi responsável também pela criação da CODIUB e das Secretarias de Indústria e Comércio (hoje Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo) em Uberaba.

Jorge Dib Neto.

Jorge Dib Neto sempre foi um idealista. Sua participação no Lions Clube Uberaba, do qual foi um dos fundadores e presidente, deixou exemplos que se frutificaram. Ajudou Mário Palmério a criar o curso de Engenharia Civil na FIUBE (Uniube), do qual foi diretor e um professor exigente por décadas.

Como era querido pelos seus alunos, dezenas de vezes foi convidado a participar das formaturas como patrono ou paraninfo.

Na área política, Jorginho também deu sua colaboração como secretário de Obras no governo de Silvério Cartafina Filho.

Jorge Dib Neto, filho de Miguel Jorge Dib, (Miguelzinho da Loja São Geraldo), nasceu em 1933 e tinha como irmãos Demilton Dib, um dos maiores e mais requisitados arquitetos brasileiros, Carlos Antonio Dib, médico, José Facury Dib e Gilberto Dib, engenheiros, e Vilma.

Faleceu em 2006 e deixou viúva Deusedite Martins Dib e três filhos – Raquel, Ângela e André.
Deixou também uma permanente saudade entre seus amigos e admiradores que esperam pelo reconhecimento de toda a comunidade por seu exemplo e dedicação.

Gilberto Rezende - Ex-presidente e membro do Conselho Consultivo da ACIU e do CIGRA. Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Fontes: ACIU e Jornal da Manhã







Cidade de Uberaba

terça-feira, 2 de julho de 2019

VIDA E MORTE DE JOÃO PEDRO

João Pedro, era um homem alegre, risonho e franco. Alfaiate de mão cheia, um dos preferidos pelos ricaços da terrinha, no tempo em que “ terno” era feito pelas mãos, tesoura e agulhas milagrosas de grandes profissionais. Hoje, a profissão está escasseando. As máquinas modernas se encarregam de confeccionar as roupas da moda. De repente, João Pedro, contente na sua tenda de trabalho, ouve o chamado de um amigo: -“Você seria um excelente Prefeito de Uberaba !”. João “bobo”, perdão, João Pedro, acreditou no “ canto da sereia”...

Inicio da década de 70 do século passado, Uberaba vivia um clima de esplendor! Nossa auto – estima, lá em cima “. Rosa Prata, o prefeito, canalizava os córregos do centro d cidade, a plástica urbana, linda. Inaugurava-se,”meia boca”, o “Uberabão”, com jogo da seleção tri- campeã do mundo; a TV-Uberaba, inaugurada, ruas e avenidas, eram asfaltadas, um novo Terminal Rodoviário, construído. A turma da ARENA 1, se deliciava na mais plena euforia!

-“Quem o Arnaldo indicar, pode mandar fazer o terno de posse”, afirmavam os amigos aos quão cantos da cidade. A ARENA, segundo o governador de Minas, Francelino Pereira, “ era o maior partido do Ocidente”. Só que tinha defecções na terrinha. Um grupo de empresários , tendo à frente Gilberto Rezende, Joaquim da “Distrive”, Marcelo Palmério, entre outros, não pensava assim. 

Meio “ na moita”, lançaram Hugo Rodrigues da Cunha, à enfrentar Fúlvio Fontoura, cujo pai, Lauro, houvera sido Prefeito em épocas passadas. Fúlvio, era o preferido da “situação” e do “Lavoura e Comércio”, o jornal mais tradicional da cidade. Os “manda-chuvas” não se incomodaram. “-Vamos dar uma surra neles”, apregoavam. Em 15 de novembro/72, abertas as urnas, Hugo, deu “ um banho de votos”, em Fúlvio. Eleitores da ARENA 2, gritavam nas ruas da cidade “ nunca menosprezem o adversário”...

O PMDB, coitado, esfacelado com a morte do seu principal líder, Chico Veludo, lançou João Pedro de Souza. Poucos amigos leais a ele e ao partido, o acompanharam. Meu respeito, caro Paulo Afonso Silveira... Na TV- Uberaba, pela primeira vez, o palanque eletrônico. Fulvio e Hugo, esmeraram-se nas produções televisivas. João Pedro, com a “ cara e a coragem”, varinha de bambu às mãos, mostrava com resolver o problema da falta d’água na cidade. Transportaria do rio Grande, o precioso líquido que iria abastecer a cidade.

Foi uma gozação generalizada.-“Só se for com cano de bambu”, diziam às gargalhadas o pessoal das ARENAS 1 e 2. –“Esse homem é louco. Tem que internar no hospício do dr.Inácio”, referiam-se ao Hospital Espirita... João Pedro, era de se esperar, não teve mil votos e virou motivo de chacota na cidade. Triste, aborrecido, com vergonha, viu seus falsos amigos sumirem. Endividado na campanha política, entrou na mais terrível das doenças, a depressão ! Não suportava tamanha difamação, desprezo, abandono. Por onde andava, só ouvia risos...

Um belo dia, a mirar-se nas águas do rio Grande, em cima da ponte de ferro que liga Minas- São Paulo, a tentação do demônio foi maior e invencível. João Pedro, num gesto tresloucado, se atirou nas águas caudalosas do grande rio, que queria abastecer as torneiras da terrinha . Sua morte, pouco comentada. Nem sei se é nome de rua em Uberaba. Nem missa de 7º. dia, foi celebrada. Anos depois, aqueles mesmo políticos que tanto menosprezaram a campanha de João Pedro, foram aos órgãos internacionais, pedindo empréstimos para trazer água do rio Grande para abastecer a nossa Uberaba. Triste ironia do destino, não ?...


Luiz Gonzaga de Oliveira

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Cidade de Uberaba

domingo, 16 de junho de 2019

COISA NOSSA DE UBERABA - NICO TROVADOR

O trigésimo programa Coisa Nossa destacou um curso de tear gratuito oferecido pela Casa do Artesão, a reunião realizada entre pais de alunos da Banda Sinfônica Jovem Músico e a 2ª edição da Violoncelada, realizada em Peirópolis.

A Casa do Artesão realizou um curso gratuito de tear manual. Dez alunas aprenderam uma das técnicas mais antigas da humanidade.



Durante muitos anos, Nico Trovador foi radialista e apresentador de TV. Seus programas tinham espaço reservado para as manifestações culturais.

Os coordenadores da Banda Sinfônica Jovem Músico realizaram uma reunião com pais e alunos para buscar melhorias para o projeto.

O bairro rural de Uberaba Peirópolis recebeu a Segunda Violoncelada. O evento aconteceu entre 17 e 21 de outubro. O último dia foi marcado pela apresentação da orquestra de violoncelos.


COISA NOSSA: 

Coisa Nossa é dividido em quatro blocos, que destacam cultura, associativismo, educação e história. O apresentador é o estudante de Jornalismo e estagiário da TV Câmara Luiz Gustavo Rezende. A jornalista responsável é Isabel Minaré e Ighor Thomas é o cinegrafista. Coisa Nossa é idealizado por Gilberto Rezende e viabilizado por ele, por meio da Associação Cultural Casa do Folclore e da Câmara Municipal. Ele vai ar de forma inédita todas as sextas-feiras, às 18h30, com reprises aos domingos, às 10h, e às quartas-feiras, às 21h. A matéria é de responsabilidade da jornalista Isabel Minaré. O arquivo faz parte do acervo da Associação Cultural Casa do Folclore.



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quinta-feira, 13 de junho de 2019

Estádio Engenheiro João Guido “Uberabão”

Três grandes azes da comunicação de Uberaba, Luiz Gonzaga de Oliveira, Raul Jardim e Jorge Zaidan, acompanhando o Dr. Edgar Rodrigues da Cunha em vistoria ao terreno onde estava sendo implantando o “Uberabão”, (Estádio Engenheiro João Guido).

O Luiz Gonzaga está contando esta história em sua página do Face, fazendo uma retrospectiva da euforia que contaminava a todos não somente por esta construção mas também pela TV que um dia foi nossa.

“Uberabão”, (Estádio Engenheiro João Guido).  Foto: Autoria desconhecida. Acervo: Casa do Folclore.

Um esclarecimento para a juventude - Edgar Rodrigues da Cunha, criador da empresa “Produtos Ceres” e ex-presidente do USC, foi o idealizador deste estádio e o doador do terreno. 

Jorge Zaidan foi radialista e cofundador da rádio 7 Colinas. Raul Jardim, jornalista e um dos proprietários do jornal Lavoura e Comércio. Luiz Gonzaga, o único remanescente do grupo, é escritor, historiador, ex-presidente da Fundação Cultural de Uberaba e um dos responsáveis pelo sucesso da TV Uberaba que tanto orgulho trouxe para a cidade.


Gilberto Andrade Rezende.
(*) Membro da Academia de Letras – Ex-presidente e conselheiro da Aciu e do Cigra.



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Cidade de Uberaba


domingo, 28 de abril de 2019

Gilberto Rezende resgata fotografia antiga de ex-prefeitos juntos

Foto:Jornal da Manhã - 11 de agosto de 1988.
Uma foto histórica do JM. Paulo Piau, Hugo Rodrigues da Cunha, Luiz Neto e Marcos Montes. Todos se elegeram prefeitos de Uberaba. Vinte anos após, pode-se constatar que esses homens de bem, unidos pelos mesmos ideais, foram reconhecidos pela comunidade que os credenciaram para novos desafios em sua carreira política. Hugo Rodrigues da Cunha, deputado federal; Marcos Montes, secretário no governo de Luiz Neto; deputado estadual e federal Paulo Piau, também secretário de Luiz Neto, passou pela Assembleia Legislativa, Câmara Federal e é hoje o prefeito de Uberaba.

Foi através do governo de Hugo Rodrigues da Cunha que se criou em Uberaba o espírito de industrialização, sem prejuízo dos outros pilares que sustentam nossa economia. Não se admite mais a ausência de uma Secretaria de Indústria e Comércio em qualquer plataforma de Partidos Políticos que aspiram o governo municipal.

Há que se fazer justiça e ressaltar que o programa de Industrialização nasceu na diretoria da Aciu na gestão de Jorge Dib Neto, em 1972, e teve a participação de todas as Entidades de Uberaba, Classistas, Sociais, Políticas, Culturais e do Jornal da Manhã.

E de justiça também reconhecer que a força do Jornal da Manhã é que tornou possível a eleição de Hugo Rodrigues da Cunha em sua primeira eleição em 1972. Aliás, há de ser destacado que esse Jornal, em sua fase inicial, teve o exclusivo propósito de participar dos processos de política municipal, nas palavras do seu fundador e diretor Edson Prata, em seu Edital de 18 de janeiro de 1983.

Um fato que completa 46 anos e mostra que Uberaba ganhou. Valeu!


Gilberto Rezende
Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e ex-presidente e conselheiro da ACIU e do CIGRA



Cidade de Uberaba

sábado, 16 de março de 2019

HISTÓRIA DE UBERABA

OS CIENTISTAS – I

ALUÍZIO PRATA.

Os pesquisadores são os heróis anônimos do ramo de saúde. São os epidemiologistas, sanitaristas, parasitologistas, imunologistas, biólogos, geneticistas, bioquímicos, clínicos, dentistas, enfermeiros e profissionais de outras especialidades, os responsáveis pela ampliação da expectativa de vida, permanente redução da mortalidade infantil e o bálsamo para a maioria dos tormentos provocados por doenças. 

Uberaba, centro médico reconhecido de alto nível, sempre teve médicos pesquisadores de renome internacional no campo das Doenças Tropicais. Neste aspecto, tanto no passado como no presente, tem do que se orgulhar.
Professor Aluízio Prata
Um dos maiores nomes brasileiros da pesquisa, reconhecido internacionalmente, é o do uberabense Professor Aluízio Prata, falecido em 2011 aos 91 anos de idade. 

Deixou sua marca na maioria dos Estados do Brasil desde que se formou em Medicina no Rio de Janeiro. De lá para Mato Grosso e depois para Bahia onde residiu por muitos anos e que a convite do governo da Bahia, dirigiu a “Fundação Gonçalo Muniz”. Mudou posteriormente para Brasília onde também permaneceu por um longo período até retornar à Uberaba.

Na FMTM era professor da área de Doenças Tropicais e Infecciosas. No setor de medicina Tropical, principalmente em relação à Doença de Chagas, Malária e Esquistossomose, sempre foi referência primeira no país.

Suas centenas de trabalho sobre profilaxia, clínica e tratamento da Malária, Doença de Chagas, Esquistossomose, Leishmanioses e outras endemias constituem ainda referências básicas para todos aqueles que se preocupam com estes temas.

Sempre manteve intercâmbio com pesquisadores internacionais na experimentação de vacinas. Seu prestigio trouxe para Uberaba o XXVII Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical o qual teve repercussão internacional.

O Seu reconhecimento foi atestado pelos cargos que ocupou no Organização Mundial de Saúde e na Organização Panamericana de Saúde.

Segundo o depoimento do também pesquisador José Rodrigues Coura na Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical em 2010, que entre os numerosos feitos do Professor Aluizio Prata podem ser destacados-

A - As Três Escolas de “Medicina Tropical” criadas na Bahia, Brasilia e Uberaba, povoando o Brasil inteiro de pesquisadores desta área.

B - Seu pioneirismo na criação das áreas de estudo de campo em Caatinga do Moura, São Felipe, Três Braços, Catolândia e Brejo do Espírito Santo, na Bahia, Mambaí, em Goiás, Água Cumprida em Minas, Lábrea e Costa Marques no Amazonas, entre outros estados brasileiros.

Há que se considerar ainda que o Professor Aluisio Prata escreveu 7 livros, publicou 289 artigos e 175 trabalhos científicos, tendo ainda participado de 75 eventos de caráter cientifico no exterior e 420 no Brasil.

E o que representou isto? Segundo o Ex- Ministro da Saúde, Adib Jatene, que já foi médico em Uberaba e professor da FMTM, o Brasil deu um exemplo ao mundo ao reduzir a incidência da Doença de Chagas de 100 mil casos existentes em 1981 para cerca de 5 a l0.000 casos em 1991. Uberaba teve participação expressiva na redução desta doença.

Pelo seu expressivo trabalho, Aluizio Prata recebeu em 1974 a “Comenda da Ordem do Rio Branco” ( Ministério das Relações Exteriores ), em 1980, o “Prêmio Alfred Jurzykovski” ( Academia Nacional da Medicina), em 2001, a “Medalha Capes 50 anos” e no mesmo ano, a “Grã-Cruz da Ordem Nacional do Mérito Cientifico” ( Presidência da República do Brasil ).

Em abril de 2002, em comemoração ao recebimento desta ultima Comenda, tivemos a oportunidade de prestar ao Professor Aluizio uma singela homenagem na presença de seus familiares, na Casa do Folclore.

Acredito que, por uma questão de justiça, o Poder Público, a Câmara Municipal e todas as Entidades de Uberaba, vinculadas ou não a Medicina, deveriam se unir para prestar uma homenagem imorredoura ao grande cientista de nossa cidade que é reconhecido pela comunidade cientifica de seu país e do exterior.

Chico Xavier, alvo de expressivas e merecidas homenagens, foi um grande consolador de almas sofridas. Aluisio Prata que foi um dos grandes responsáveis pela salvação de centenas de milhares de vidas tem direito ao mesmo reconhecimento.

Fontes; Revista Goiana de Medicina ( Edison Reis Lopes e Edmundo Chapadeiro ).
Revista Sociedade Brasileira de Medicina Tropical. ( 2010 )
Proficiência – Academia Brasileira de Ciência.

J.M. – Artigo de Gilberto Rezende de 27-11-1992.


Postado pela Associação Cultural Casa do Folclore em 27 de abril de 2018



Cidade de Uberaba

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A PRAÇA ( E A RUA ) É DO POVO!

Estou a acompanhar essa celeuma do “ estacionamento pago” em ruas, praças e avenidas na terrinha do “Doca”. Então, veio à lembrança um episódio que tomou conta de Uberaba, em 1972/73 . Antes de deixar a Prefeitura, o prefeito Arnaldo Rosa Prata, embora com alguns senões, fizera uma louvável administração. A começar pela surpreendente vitória nas urnas, sobre imortal” Mário Palmério, com quem disputou a Prefeitura naquele “mandato tampão” . Arnaldo, inaugurou o , até hoje, inacabado “Uberabão”, construiu o novo terminal rodoviário, “cobriu” parte dos córregos centrais da terrinha, além de asfaltar ruas no centro e bairros da cidade.

Nas eleições municipais de 72, prestigio em alta, rádio,jornal e TV, recém inaugurada, às mãos, lançou, com a sua turma da Arena 1, o tabelião Fúlvio Fontoura, como candidato à sua sucessão. Pelas obras realizadas, o apoio recebido, a eleição do “pupilo”, era ‘fava contada” . Do outro lado, Arena 2, meio desorganizada, precisando de votos na convenção da escolha de candidato, lançou Hugo Rodrigues da Cunha, perdedor de uma disputa à deputado federal e ex-Presidente da ACIU, também um dos lideres do movimento separatista do Triângulo, de Minas Gerais, chamado UDET (União de Desenvolvimento do Estado do Triângulo).

Hugo, contava com um frágil apoio de empresários do setor automobilístico e reflorestamento. Não mais. “Boa pinta”, a “bola da vez” era Fúlvio. A “mulherada” morria de amores por ele. Hugo, feioso, bigodudo, era o “azarão”. (Sem contar com o João Pedro de Souza, coitado, do esfacelado MDB...).Máquina administrativa na mão, vereadores ao seu lado, deputado federal, imprensa quase unânime,Fúlvio, podia mandar fazer o “ terno de posse”...

Mas, como em “boca de urna” e “cabeça de Juiz”, ninguém sabe o que sai, Hugo, “deu um banho de votos no seu opositor”. A vitória dos“ reflorestadores”, deixou uma parte dos “donos da cidade”, na rua da amargura. Nesse ínterim, veio o “troco”. O grande “Jumbo Eletroradiobraz”, pesquisa Uberaba para instalar uma das suas espetaculares lojas ! Euforia do “grupo” derrotado. A empresa paulista, precisava de uma grande área para a sua instalação. O que fez Arnaldo ? Com a anuência, quase total, só Mário Guimarães, eleito vice prefeito na chapa de Hugo, votou contra, a Prefeitura, doou a praça Jorge Frange, a “antiga praça da rodoviária”, à empresa paulista... Seria a “consagração” de Arnaldo e da Arena 1 e a “oposição” teria de aceitar...

Hugo, “empinou o arreio”! Gilberto Rezende, “cabeça pensante” do grupo vitorioso, gritou:-“Doar praça pública à particular ? Jamais! A praça é do povo !”.Ação popular impetrada, a medida foi sustada. Quando tomou posse, uma das primeiras medidas de Hugo, foi anular o “decreto de doação” da praça. O “Lavoura” “caiu de páu” no novo Prefeito. As rádios também .A TV, ficou neutra. “Sapo de fora não ronca”, disse dr.Renê Barsam, presidente da emissora.

Hugo, ofereceu ao grupo, outras áreas. Por “pirraça” e orientada pela “oposição”, a empresa paulista não aceitava nenhuma outra localização. Queria a praça e pronto ! Só que a “praça é do povo”, diziam os uberabenses. O “castigo veio à cavalo”. Em pouco tempo, a gigante “Jumbo-Eletrorádio Braz”, faliu ! A “oposição” ficou caladinha e Uberaba ficou livre daquele abacaxi.

Conto-lhes essa história da vida política de Uberaba e essas pretensões absurdas, quando falam em “ progresso de Uberaba’, “democratização de espaços”...Não sei se o meu fraterno amigo, Gilberto Rezende, toparia encampar um trabalho comunitário e dizer aos atuais “donos” da terrinha, para ir devagar “com o andor”, nesse famigerado “estacionamento pago”.

Desculpem-me pela extensão do texto. Abraço uberabense do “Marquez do Cassú”.



Luiz Gonzaga de Oliveira



Cidade de Uberaba

segunda-feira, 6 de agosto de 2018

JOÃO PEDRO

Ano de 1972, estava em alta a estima do uberabense. O segundo maior estádio de Minas, recém inaugurado ( até hoje, inacabado...) ,cobertura dos córregos do centro da cidade (causadora das enchentes atuais...), a construção de um novo Terminal Rodoviário (quando deram a praça velha para um hipermercado “quebrado”...), asfaltaram ruas de bairros, (proprietários não conseguiram pagar os altos preços cobrados e perderam, quase todos, seus imóveis...) ,inaugurada a primeira geradora de televisão da cidade (TV-Uberaba), nosso orgulho na época ( hoje, morta e sepultada pela incúria dos nossos empresários que não quiseram mantê-la. Preferiram trazer a Globo, “ de lá...”

Na política, as ARENAS 1 e 2, “mandavam” na terrinha .PMDB, esfacelado, com a morte do seu líder, Chico Veludo. Deflagrada a sucessão municipal, Rosa Prata, prefeito; João Guido, deputado federal; Randolfo Borges Jr., ex-prefeito. Turma “ da pesada”. Na Arena 2, um grupo de empresários, iniciantes nas ” armações” políticas: Gilberto Rezende, Hugo Rodrigues da Cunha, o tio, deputado federal, José Humberto, Joaquim Martins, da “Distrive”, além do vereador Mário Guimarães, que fazia “oposição” a Rosa Prata... 

Previsão inicial: -“Quem nós escolhermos, pode mandar faz o terno de posse”, jactavam-se os donos da Arena 1. A Arena 2, não tinha votos suficientes para lançar candidato na convenção. Fizeram então, um “ acordo” ; dois dos convencionais da Arena 1, “votariam” no candidato da Arena 2 para que não ficasse muito à mostra, a hegemonia dos mandatários da época, todos ao lado de Rosa Prata. Escolhidos, Ramid Maud e Randolfo Borges, votaram em Hugo Rodrigues da Cunha. Do outro lado, certo da vitória, Fúlvio Fontoura, filho de Lauro Fontoura, ex-prefeito da cidade, aos tempos da ditadura Vargas. 

O PMDB, coitado, acéfalo. Paulo Afonso Silveira, segurando o “ barco”. Ainda assim para “cumprir tabela”, escolheu o alfaiate João Pedro de Souza, candidato à prefeito e um bom grupo de candidatos à vereador. Pela primeira vez, Uberaba iria conhecer um “ palanque eletrônico” na TV-Uberaba. Peças das duas Arenas, rebuscadas . Bem feitas. PMDB, quase “porca miséria”. João Pedro, varinha na mão, indicava, se vencesse as eleições, traria água do rio Grande, à abastecer o cruciante problema d’água existente na terrinha. O anúncio virou piada na cidade. –“João Pedro ficou doido. É preciso interná-lo no Sanatório Espírita! Onde já se viu pensar uma coisa dessa”!... 

Louve-se a lealdade de Paulo Afonso Silveira, ao candidato e ao partido. O mesmo não se pode dizer dos vereadores.. .Abertas as urnas, a vitória cantada pela Arena1, virou cinzas... Tido como “zebra”, a Arena 2 com Hugo Rodrigues da Cunha, deu “ banho” de votos e elegeu-se prefeito de Uberaba, com larga vantagem. O mito que a “ máquina administrativa” sempre vence, foi por água abaixo.. .Disse água ?...Acompanhe. 

João Pedro, abandonado, triste, aborrecido, achincalhado, endividado pela campanha, sem votos, humilhado, entrou na mais terrível das doenças, a depressão. Não suportando tanta difamação, um belo dia, ao mirar-se nas águas do rio Grande, na ponte que divide Minas e São Paulo, a tentação do demônio foi inexorável. João Pedro, não resistiu. Atirou-se nas mansas águas que queria trazer para abastecer Uberaba.. .Perdeu-se nas profundezas do rio Grande... 

Tempos depois, ( ironia do destino !..) os mesmo políticos que o chamaram de louco varrido, tentaram obter financiamento para trazer a água do rio Grande,à abastecer as torneiras da santa terrinha...Ao mais calhorda dos políticos, guarde sempre o velho ditado: “ nunca diga que dessa água eu não bebo “.... “Marquez do Cassú”.