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quinta-feira, 16 de junho de 2022

TV UBERABA, CANAL 5

TV Uberaba, Canal 5

LUZ, CÂMERA, AÇÃO!

“Boa tarde, senhoras e senhores: somos, a partir de agora, a mais nova realidade da televisão brasileira. A TV Uberaba, Canal 5, se integra no presente momento a um Brasil grande e poderoso pelo milagre da multiplicação sonora e visual”, foi o que disse, com voz emocionada, o jovem locutor de cabine Paulo Sarkis. E na noite do mesmo dia o apresentador do telejornal Constantino



Imagens de cima para baixo e da esquerda para direita: 1 – Élcio Botta (Miudinho) e Jorge Gabriel, mais conhecido por Jim (já falecido);
 2 – visor com imagem de Constantino Calapodopulos e 3 – Vanderley Alves.
Fotógrafo: Itamar Rogério Vicente (Acervo particular de Constantino J Calapodopulos


Calapodopulos reafirmou a mensagem. Isso há exatos 50 anos atrás.
E com muito pouco tempo de treinamento lá estavam eles, prontos para entrarem em ação os jovens cameraman que colheram as primeiras imagens da mais nova estação de TV do Brasil.

Manuseando modernos equipamentos eletrônicos, recém adquiridos pela emissora, sob a orientação técnica de uma equipe especialmente vinda da capital mineira, entrava no ar a TV Uberaba, na tarde de um dia como o de hoje, mas em 9 de junho de 1972.

À postos na cabine de controle o supervisor artístico e diretor de tv Kefel Filho deu a esperada voz de comando: luz, câmera, ação! Dando vida à mais nova afiliada da Rede Tupi de Televisão, transmitindo para os lares da cidade e região.

Cheios de engenho, entusiasmo e arte esses valorosos jovens puderam confirmar, como nas palavras do genial Charles Chaplin, que:
“A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios. Por isso, cante, chore, dance, ria e viva intensamente, antes que a cortina se feche e a peça termine sem aplausos.” Moacir Silveira.

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FACTORAMA

Imagens: 1 – Celinha, Eduardo Gomes e Glenda Garbe; 2 – 
ao centro: Jota Carvalho (já falecido) e 3 – Glenda Garbe e Celinha


Outra atração de grande sucesso do Canal 5, TV Uberaba, era o telejornal Factorama, apresentado diariamente ao meio-dia.

Em seu início ele contou com a presença das narradoras Adriana Cecílio, Maria Helena Barra e Ângela Terra. Mais tarde, alternando com elas Juarez José e Brígido Bianco. Tempos depois, passou a contar com apresentação de Jota Carvalho, Vieira Machado, Glenda Garbe, Maria Célia (Celinha) e Eduardo Gomes.

Esse importante telejornal era redigido pelos jornalistas Januário Molinero, Élcio Moronte, Paulo Silva, Paulo Nogueira, João Cid e Maurício de Oliveira, competente equipe de profissionais sob a batuta do editor-chefe Symphronio Veiga.
Moacir Silveira

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TIO MÁRIO



Ele tem mais sobrinhos que o mundialmente famoso Tio Patinhas, herói dos quadrinhos de Walt Disney, que só possuía os conhecidos Donald, Huguinho, Zezinho e Luisinho.

Mário Salvador nasceu em Araguari, MG, em 14/1/1935, tem nacionalidade portuguesa, adquirida em 20/10/2003, títulos de cidadania das cidades de Veríssimo e Uberaba, além de ser uma das figuras mais prestigiadas e conhecidas em nossa cidade.

Técnico em contabilidade, advogado, jornalista, eleito industrial do ano em 1968, ex-diretor da ACIU, professor do SENAC (1966/68), da Faculdade de Ciências Econômicas (1972/78), do Colégio São Judas Tadeu (1985/86), diretor executivo e editor do Jornal da Manhã (1972/82), consagrou-se de forma definitiva como apresentador de TV, e desde então sendo mais conhecido pelo carinhoso apelido de Tio Mário.

No Canal 5, TV Uberaba, ele criou e apresentou o programa infantil Roda Gigante (1972/84), líder de audiência nas manhãs de domingo e um grande sucesso entre a garotada da cidade e região. Por isso é merecidamente homenageado no mês em que se comemora os 50 anos da emissora.

Levando alegria ao coração da garotada, Tio Mário por certo sempre concordou com os versos de Fernando Pessoa:
“Quando as crianças brincam / E eu as ouço brincar. / Qualquer coisa em minha alma / Começa a se alegrar / E toda aquela infância / Que não tive me vem, / Numa onda de alegria / Que não foi de ninguém. / Se quem fui é enigma, / E quem serei visão, / Quem sou ao menos sinta / Isto no meu coração.”

E que nessa singela homenagem ele possa ouvir o coro entusiasmado da garotada dizendo: muito obrigado Tio Mário! Moacir Silveira.


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TOINZINHO

Imagem: Constantino e Toinzinho, em foto de Itamar Rogério Vicente
 (acervo particular de Constantino Calapodopulos)


Sou dos que entendem ser o operário, trabalhador anônimo, elemento essencial na formação da imagem de uma empresa ou organização. Sem ele o que resta são prédios, máquinas ou equipamentos.

No Canal 5, TV Uberaba, inúmeros foram os que deram forma e vida na construção da história da emissora. Cada um destes teve papel relevante na construção dessa fábrica de sonhos e entretenimento.
Com o intuito de prestar-lhes merecida homenagem e reconhecimento, começo por Toinzinho, o mais humilde e simples de todos.

Tímido, reservado, de personalidade retraída, ele era encarregado de serviços gerais e prestava serviços em nome da Conservadora Carijós.

De maneira discreta e trabalhando nos bastidores ele em muito contribuiu para que os apresentadores pudessem, diante das câmeras, brilhar sob as luzes dos holofotes.

Para esse estimado e humilde colega de trabalho eu diria, fazendo minhas as palavras de George Sand, que:

“Um dia virá em que o trabalhador poderá ser um artista, senão pela expressão (o que cada vez importará menos) mas pelo menos para sentir o belo”.

Me caro Toinzinho, muito embora você não tenha sido um astro da tv, receba o nosso reconhecimento por seu trabalho, que deixou marca indelével em nossa memória e nos corações dos seus inúmeros colegas e amigos, merecendo entrar também para história das Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Moacir Silveira.


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NICO TROVADOR

Imagens: 1 – Nico Trovador; 2 – Neném e Manuelzito e 3
 – Manuelzito, Nico e Romeu Gomes.


Seu verdadeiro nome era Pedro Luiz Henrique, mas ficou conhecido mesmo como Nico Trovador. Natural de Jubaí, MG, onde nasceu no dia 21/1/1931 ele veio para Uberaba no em 1976. Com sua inseparável viola já fazia muito sucesso bem antes de ingressar nos quadros do Canal 5, TV Uberaba, ao ser contratado por Ney Junqueira, então diretor da emissora.

Em seu programa ele ampliou em muito o espaço para apresentação do segmento sertanejo local e regional, isso sem falar nos inúmeros e grandes artistas do cenário nacional que convidava, quando passavam pela cidade.

Foi dele a iniciativa de abrir espaço para os famosos Festivais de Viola, Catira e Folias de Reis.
Alegre e comunicativo, além de competente músico e cantor, ele também compunha, nos deixando belas composições nos gêneros bolero, rancheira e sertanejo.

Vítima de um acidente doméstico, onde caiu e fraturou a coluna, ele muito padeceu antes de vir a falecer em 6/8/2008, aos 77 anos de idade.

Por todos os bons momentos de entretenimento que ele nos proporcionou eu só posso dizer, fazendo minhas as palavras de um autor desconhecido, que:

“Não sei... Se a vida é curta / Ou longa demais pra nós, / Mas sei que nada do que vivemos / Tem sentido, se não tocarmos o coração das pessoas.” /...
Por ter levado a alegria ao coração de muita gente ele merece o nosso mais caloroso reconhecimento. Muito obrigado, Nico Trovador!
Moacir Silveira.

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TOTINHO

Imagens: 1 – Vanderlei, Totinho, Edson Quirino e sua esposa Lázara, Arlei e filhos dos funcionários;
 2 – Totinho em destaque; e 3 – Nico Trovador, Dezinho, Edinho, Paulo Cabral e Totinho (de costas)


Outro grande companheiro dos tempos do Canal 5, TV Uberaba, a merecer destaque é José Antônio Costa, o popular Totinho.

Segundo Januário Molinero, da equipe de jornalismo à época, ele “era gente muito fina. Acho que merece ser citado. Era muito amigo do Deizinho e acabou sendo meu amigo também. Considerado o ‘apoio’ da redação – papel exercido hoje por produtores. Como conhecia todo mundo, ligava para as pessoas dizendo: ‘Tem alguma notícia aí pra mim?’ E sempre tinha! Bebemos muita cerveja e doses juntos, naquele bar que funcionava na Av. Fidelis Reis, debaixo da Rádio 7 Colinas. Um excelente companheiro. Humilde e muito prestativo.”

Totinho infelizmente morreu cedo. Vítima de alcoolismo, em crise de abstinência, foi internado no ano passado em uma clínica especializada, na cidade de Ribeirão Preto. “Saiu do abrigo à noite para tomar uma e, quando voltou, errou o caminho, caindo em um apiário. Morreu picado por abelhas”, complementou Januário.

Também o tinha em grande estima. Figura simples, bem humorada e comunicativa.

É realmente com profundo pesar e grande tristeza, pois ele não está mais aqui entre nós, que relembro o seu nome dizendo em alto e bom som: José Antônio Costa, Totinho, agora vc também faz parte da história de Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Obrigado meu amigo! Descanse em paz!
Moacir Silveira.


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DIRETO DA REDAÇÃO

Imagens: 1 – Paulo Nogueira; 2- Symphronio Veiga; 3
 – Paulo Silva e 4 – Januário Molinero Neto.


Em 1972 as notícias chegavam à emissora via rádio, fax ou pelo telefone fixo, mas ligações interurbanas só por intermédio das telefonistas da CTBC.

Sem o hoje onipresente celular e muito menos internet os repórteres e jornalistas de então saíam à cata de notícias. Contavam apenas com caneta e bloco de anotações ou, alguns poucos privilegiados, precários gravadores em fitas cassete. Quando retornavam para a redação era preciso datilografar tudo usando pesadas máquinas de escrever.

Em cima da hora, saiam os textos que seriam lidos pelos apresentadores dos telejornais. A rotina podia ser estressante, mas era reconfortante ver a alegria dos jornalistas quando obtinham um furo de reportagem.

Ao pessoal da redação, da valorosa equipe da TV Uberaba de então, eu diria, aproveitando os versos de Joaquim, que:

“Estou aqui para falar / de uma classe importante / que em nosso dia a dia / nos informa a todo instante / sobre os acontecimentos por / este mundo errante, seja dia / ou seja noite, na cidade ou / no sertão, em tempos de paz / ou na guerra em toda ocasião, / lá estão os detentores da verdade / e da razão; Aos amigos (as) / jornalistas do rádio ou televisão, / aqui deixo o meu abraço em nome / de toda a nação, por esses / guerreiros que fazem / da coragem, a razão.”
Moacir Silveira.


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HORA DOS COMERCIAIS



A propaganda é a alma do negócio! Um dito por demais conhecido no meio publicitário. Na vida de uma emissora de televisão nem se fala, pois de fundamental importância para sua sobrevivência.
Desde os primeiros instantes de seu funcionamento a propaganda e a publicidade tiveram relevante papel na história do Canal 5, TV Uberaba.

Dentre os pioneiros nessa área podemos destacar as figuras de Marco Antônio e Vicente Campos Ribeiro. Depois vieram Miguel Ângelo Amoni, Arlei Reinaldo Seta, Moacir Silveira, Roberto Teles Zuardi e Humberto Jardim.

Alguns anos depois é que surgiram as primeiras agências de publicidade e propaganda trazendo o necessário conhecimento técnico profissional para o desenvolvimento dessa área. E alguns desses pioneiros aparecem em destaque nas imagens abaixo.
Moacir Silveira


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PAULO CABRAL JÚNIOR


Imagem: Paulo Cabral Júnior em foto de Itamar Rogério Vicente
 (acervo particular de Constantino Calapodopulos)


Para melhor falar sobre ele ninguém melhor do que o colega Januário Molinero Neto, a quem passo a palavra:

“Parecia que tudo estava indo bem. Mas em dado momento veio a notícia que os primeiros diretores, Antônio Carlos, Marco Antônio e, inclusive, o próprio superintendente Dr. Renê Barsan seriam substituídos por Paulo Cabral de Araújo Júnior. Embora muito jovem, ele era diretor comercial da TV Itacolomi, de BH, e que vinha para incrementar o faturamento da emissora. Foi assim que tive a notícia da chegada do Paulinho. Uma figura excepcional. Bravo na condução das coisas, mas tratava todos como seus filhos. Um paradoxo, sistemático e exigente com relação à qualidade a ser apresentado pela empresa que dirigia, mas um pai generoso para com os funcionários que dele precisavam.

Numa das piores crises financeiras da TV, eu me lembro quando ele me chamou em sua residência para que pudéssemos conversar. ‘Meu bom criôlo, vamos ter que reduzir o horário da TV. Penso em começar a transmissão por volta de 17h.’ Quis saber o motivo, o faturamento não cobria as despesas. Sugeri então um programa estilo pinga-fogo, ocupando todo o horário da tarde, no estilo ‘Marreta na Bigorna” do padre Galvão. ‘Que tal reduzirmos o nome para Bigorna’, foi sua pronta resposta. Decidimos que o apresentador seria o Netinho, comandando uma bancada com 4 convidados diferentes e com perguntas gravadas feitas pelo povo nas ruas. Foi um sucesso durante muito tempo, possibilitando equacionar o problema do faturamento.

Falar de Paulo Cabral? Ele era assim: um dia o Neto não pode comparecer e Paulinho não se fez de rogado: vestiu um terno foi pra bancada e tivemos, naquela noite, o exemplo do que é companheirismo sadio, pronto para resolver os nossos problemas.
Na época eu produzia, editava e dirigia o programa, mas tamanha era sua confiança em meu trabalho que ele me pediu para assumir a assessoria artística junto com a de jornalismo, porque o companheiro Moacir Silveira iria para o comercial.”

E como bem disse Augusto Cury: “A confiança é um edifício difícil de ser construído, fácil de ser demolido e muito difícil de ser reconstruído.”

Foi com base nesse espírito de confiança e companheirismo que restou no coração dos uberabenses uma bela memória histórica da nossa querida TV Uberaba e de seu jovem diretor, que ora também fazem parte das Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Moacir Silveira.


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DR. RENÊ BARSAN
 
Dr. Renê Barsan

Ele foi o primeiro diretor superintendente da TV Uberaba e eu o conheci em 1972, quando aqui cheguei para a inauguração da emissora. Tempos depois vim a saber de sua origem Armênia, pois nascera na cidade de Elasik, em 14/6/1930, de onde sua família fugira por ocasião do genocídio provocado pelos turcos.

Formou-se em medicina em 1950 e especializou-se em ortopedia, dedicando grande parte de seu tempo ao Hospital da Criança de Uberaba. Dotado de espírito associativista, reuniu colegas para criar a SMTM (Sociedade de Medicina do Triângulo Mineiro. Mais tarde empenhou-se na captação de recursos junto à comunidade e implantou a emissora local.

De espírito empreendedor ele também ocupou papel de destaque no cenário empresarial, esportivo e educacional na cidade. Chegou mesmo a ter expressiva participação nas empresas de ônibus Líder e São Geraldo, na criação da Itemel (fábrica de para-raios), presidindo a ACIU e conseguindo aprovação do curso de Ciências Contábeis para a FCETM. Participou ainda na elaboração do projeto municipal de consolidação do Código Tributário e na informatização do SPC, marcante atuação na instalação de um centro coletor para tancagem de álcool e na presidência da ACIU no período de 1980/1981.

Segundo informa o empresário Gilberto Rezende, “Renê nutria também um grande amor pelo Uberaba Sport Clube, no qual começou como assistente de jogadores com fraturas e acabou como presidente em 1978. Para dar sustentabilidade ao USC, criou o Cascata Club. Em sua gestão ficou registrada a façanha de ter sido o primeiro e único presidente do USC a vender um jogador para o exterior, Henrique Pires de Barros, que foi transferido para o Canadá.”

Dr. Renê Barsan, com quem tive a honra de trabalhar na TV Uberaba, faleceu em 22/9/1988, deixando esposa e três filhos e merecidamente foi homenageado emprestando seu nome à FETI (Fundação de Ensino Técnico Intensivo) e à Unidade Básica de Saúde instalada no bairro Santa Marta.
E como diz J. Nascimento: “A Doutrina forma homens honrados. A Educação forma homens dignos da mais alta honraria.”

Exemplo de honradez e retidão, homem de caráter firme e elevado espírito deixou indelével marca nos corações de todos aqueles que o conheceram.
Moacir Silveira

Fonte de pesquisa: Uberaba em Fotos - 28/4/2019


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EDINHO

Imagens: 1 – Edinho recebendo Netinho em seu programa; 2 – 
Edinho (em destaque) e 3 – Toninho e Marieta com grupo de Folia de Reis.


Sempre foi grande a resistência dos dirigentes da Rede Tupi de Televisão em incluir programas sertanejos na grade de sua programação. Em Uberaba isso não foi diferente. Só depois de muito insistir é que Edson Quirino conseguiu convencer o então diretor local da emissora, Paulo Cabral Júnior, a abrir espaço para apresentação de seu programa, na recém inaugurada TV Uberaba.Então, pela primeira vez na história da televisão brasileira, a música rural conquistava o seu espaço no mais novo e moderno meio de comunicação social do Brasil Central.

Foi assim que Edson Quirino, o popular Edinho, passava a receber de braços abertos todos músicos, cantores e compositores dedicados ao segmento sertanejo.

Só alguns anos depois é que o consagrado Rolando Boldrin lançaria o seu Som Brasil, consolidando em definitivo a presença da música rural ou caipira na tv brasileira.

O que veio depois já faz parte da história. A música sertaneja consagrou-se de forma definitiva, conquistando seu merecido lugar no meio artístico e hoje reina em lugar de destaque em nossa MPB. Pode-se dizer que ela iniciou no meio rural, passou pelo colegial e hoje conquistou seu diploma superior com o Sertanejo Universitário, líder inconteste nas paradas de sucesso.

Quem diria que tudo isso teria início nos estúdios do Canal 5, TV Uberaba, há 50 anos atrás.

E para homenagear o nosso estimado Edson Quirino e aos valorosos homens do campo eu diria, fazendo minhas as palavras de Flávio Mattes:

“Por isso estamos cantando pra ti grande guerreiro / Que alimenta o mundo inteiro com frutos puros do chão / Não estou falando em vão é com certeza que eu falo / Tu provas isso com calos que maltratam tuas mãos. / Também sou homem do campo, conheço o cabo da enxada / E hoje de vida mudada me tornei um cantador / Receba esta homenagem que pra ti eu escrevi / Enquanto eu existir serei o teu defensor.”
Moacir Silveira


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GR1000


Luiz Antônio Guimarães

A importância do Canal 5 na história da cidade e região pode ser melhor avaliada através do anúncio publicado no jornal Lavoura e Comércio, em 1980, pela agência de publicidade e propaganda GR1000, que dizia:

PALAVRAS DE UM PUBLICITÁRIO
SOBRE A TV UBERABA NO SEU
8º ANIVERSÁRIO

Falar sobre a TV Uberaba é acima de tudo muito gostoso. É falar de uma emissora que tem muita iniciativa e muita vontade.

A TV Uberaba é, hoje, acredito, a única emissora do interior do país com 120 horas de programação sua, mensal, quer dizer, está criando e produzindo programas.

O esforço de uma emissora para uma produção própria é dignificante. E de longe, aqui do outro lado, podemos sentir os frutos sendo colhidos.

Vamos ressaltar, aqui, alguns programas que necessitam de muito “gás” para serem produzidos.

O Bigorna (excelente nível), O Jornalismo (virou a mesa), Nico Trovador (um repentino fenômeno de comunicação), o jornalismo esportivo (sempre presente), a grande linha de programas rurais e de folclore.

Enfim é gostoso falar de quem trabalha, de quem dá duro e de quem tenta.

A TV Uberaba vem dando, numa hora difícil, uma lição de trabalho, talento e suor. Uma mistura mineira e que mostra excelentes resultados.

(Luiz Antônio Guimarães, Diretor de Operações da GR.1000 Assessoria de Comunicação).


domingo, 6 de março de 2022

PAPO DE BOLA

Em matéria esportiva Uberaba foi a 1ª. cidade do interior do Estado a contar com um moderno estádio de futebol e uma equipe de craques responsável pela apresentação do programa "Papo de Bola" do recém inaugurado Canal 5, TV Uberaba, em 1972.

Imagens: 1 – Ramon Rodrigues, Luiz Gonzaga e Netinho (acervo Uberaba em Fotos);
 2 – Jorge Zaidan (TV Uberaba) e Fernando Sasso (TV Itacolomi).

O programa contava com apresentação de Luiz Gonzaga, Ramon Rodrigues, Ataliba Guaritá, o popular Netinho, e dos irmãos Jorge e Farah Zaidan. Por ele passaram os mais ilustres convidados, dentre os mais importantes jogadores, dirigentes, técnicos, torcedores e figuras representativas do mundo esportivo.
Vale lembrar que naquela época em todo o Brasil existiam apenas quatro narradores em atuação na TV brasileira, a saber: Fernando Sasso (BH), Walter Abraão (SP), Carlos Lima (RJ) e Luiz Gonzaga (Uberaba).

E o pioneirismo não parou por aí. Como parte importante na integração da Rede Tupi o apresentador Luiz Gonzaga foi escalado para fazer a 1ª. transmissão via satélite do país, narrando o jogo entre Corinthians Paulista x Nacional de Manaus, e que ocorreu em 24/9/72 naquela cidade.

Quatro anos após a inauguração do Uberabão, em 1976, o Uberaba Esporte conquistava vaga no Campeonato Brasileiro, coroando assim a liderança da cidade em matéria esportiva.

Moacir Silveira

quinta-feira, 3 de março de 2022

DESTINOS CRUZADOS NAS ESQUINAS DA VIDA

Estranhos são os caminhos da vida e esses dois não poderiam imaginar que teriam destinos cruzados.O da esquerda nasceu em Visconde do Rio Branco, MG, em 1949. O da direita em Uberaba, em 1955. Aquele, aos 2 anos, acompanhou os pais em mudança para a capital mineira. O outro chegou a morar em Araguari, mas passou maior parte da infância e juventude aqui em Uberaba. Ambos, embora em cidades distintas, tiveram vidas parecidas. Jogaram bola, soltaram pipas, rodaram pião e quicaram biroscas. Coisas de criança.

O pai do primeiro tocava saxofone na banda da PM e na Orquestra Sinfônica de BH. Na época, tinha por colega um jovem violinista de raro talento e sensibilidade. Tanto que, anos depois, granjearia fama internacional. Entusiasmado o pai resolve contratar violinista para o menino. Perdeu-se tempo e dinheiro. A criança não teve empatia com o instrumento. Queria mesmo é voltar a brincar. A mãe, insatisfeita, vendo o moleque naquela vida sem proveito e futuro, não teve dúvidas: não quer aprender música, então vai trabalhar.

Imagens: - no topo e ao centro, maestro Benito Juarez;
 - colunas da esquerda: Moacir Silveira e da direita: Jeziel Paiva.

Assim, aos 14 anos, ele começou como office-boy, passou por três empregos até conseguir, aos 17 anos, uma vaga de escriturário na TV Itacolomi de Belo Horizonte. Aos 19 anos já era diretor de tv e em 1972 recebe convite para o cargo de supervisor artístico da TV Uberaba. Paralelamente, gradua-se em direito, é contratado como professor e assessor de comunicação social pela então FIUBE. Em 1989, muda-se para Brasília, participa da fundação e ministra aulas no IBEJ (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos). Em 1992 é aprovado em concurso do TJMG e, como juiz de direito, passa pelas cidades de Corinto, Três Marias, Morada Nova de Minas, Guaxupé e Governador Valadares. Aposentado volta a morar em Uberaba.

Já o jovem uberabense, tomado de amores pelo violino, quis aprender a tocar quando ainda criança. Sua mãe até tentou professor particular. Era preciso ter o instrumento. Sonho adiado. Anos depois consegue vaga no Conservatório. Ainda adolescente começa a trabalhar na rádio 7 Colinas e, aos 16 anos, na TV Uberaba. Resolve dedicar-se exclusivamente à música e não perde tempo. Em 1976 e anos seguintes tem marcante participação nas Orquestras Sinfônicas de Ribeirão Preto, Brasília e Salvador. Em Campinas recebe aulas de regência com o consagrado maestro Benito Juarez. Com quem? Benito Juarez! Sim! Aquele que, na década de 1950, na capital mineira, serviu de modelo e inspiração ao colega saxofonista.

Nessa história de destinos cruzados falo por mim e admito, não senti qualquer atração pelo violino, mas, à despeito disso, apurei ouvidos e sensibilidade e adoro música. Tanto assim que virei Youtuber musical com quase 350 mil seguidores e mais de 121 milhões de visualizações.

Agora, em relação ao meu particular amigo e maestro Jeziel Paiva, dispenso-me de maiores comentários, pois seu inegável talento como músico, maestro e professor falam por si.
E hoje, com os destinos cruzados pelos “Bailes da Vida”, nós dois podemos invocar nossos ídolos de juventude e do “Clube da Esquina” e com eles cantar:

“Com a roupa encharcada e a alma / Repleta de Chão / Todo artista tem de ir aonde o povo está / Se foi assim, assim será / Cantando me desfaço, não me canso / De viver nem de cantar”

Moacir Silveira

domingo, 20 de fevereiro de 2022

Leopoldino de Oliveira

NO MEIO DO REDEMOINHO

Ele nasceu em 18/6/1893 e mal sabia que viveria no meio de um redemoinho político. Num conturbado período de nossa história. Abolição da escravatura, queda da monarquia, proclamação da república e muitas reviravoltas políticas.
Quando criança ouvia adultos comentando a decisão do governador do estado em mudar a capital mineira de Ouro Preto para um desconhecido lugarejo denominado Curral Del Rey e ali instalar a futura Belo Horizonte. Em seguida, a ascensão desse político ao cargo de presidente da república, fato de tamanha repercussão e capaz de influenciar na troca da denominação Largo da Matriz de Uberaba para Praça Afonso Pena, em 1894, e depois para Rui Barbosa, em 1916. As notícias da revolta dos tenentes e da Semana de Arte Moderna (1922), da rebelião de São Paulo (1924), da Coluna Prestes (1924/1927), do Artur Bernardes governando com mãos de ferro e estádio de sítio em MG (1918 / 1922) e depois, ja na presidência, o Brasil (1922 / 1926).

Fotos: 1, 2 e 3 – Arquivo Público de Uberaba; 
4 – Nau Mendes; 5 – revista O Cruzeiro; 6 - Ricardo Prieto


Em 1910, após cursar o internato do Ginásio Diocesano, ele muda-se para BH e matricula-se na Faculdade de Direito. De família humilde, teve que trabalhar para custear seus estudos. Começou como revisor, passou a editor e, em pouco tempo, já era um dos mais conceituados jornalistas da capital. Ali viu a prodigiosa transformação e urbanização da cidade. Já em 1915, gradua-se com louvor e recebe o seu sonhado diploma de advogado. Retorna a Uberaba. Abre escritório. Colabora com os jornais locais. Vai a Índia em busca de gado zebuíno. Envolve-se na política. Elege-se vereador. Preside a Câmara. Assume o cargo de agente executivo (prefeito). É eleito deputado federal, em 1923, reelegendo-se em 1928. Apresenta proposta de saneamento de Uberaba, sugerindo a cobertura dos seus córregos, que na época passavam pelos quintais das casas na região central da cidade. Medida efetivada com a desapropriação dos terrenos. Enfrenta forte resistência de opositores políticos. Chega a ser hostilizado pelo governador do estado e até pela presidência da república. Não se intimida e com destemor enfrenta os ‘coronéis’ da política e até mesmo o da PM, e seus 90 praças em baionetas caladas, com ordens de invasão do prédio da Câmara Municipal. Tudo isso em uma época em que era comum morrer de susto, bala ou vício.

Com a vida agitada que enfrentou, esse verdadeiro furacão uberabense, não chegou a ver o resultado de sua iniciativa, pois faleceu antes, em BH, no dia 29/8/1929, aos 37 anos de idade.
Graças à aprovação de sua proposta hoje temos as amplas avenidas centrais, devidamente cobertas e saneadas. E a principal delas, merecidamente, leva o seu honroso nome, Av. Leopoldino de Oliveira.

Moacir Silveira

sábado, 15 de janeiro de 2022

Bar do Luiz e Marcos - Uberaba

Em 17 de dezembro de 1978 (há 43 anos) os irmãos Luiz e Marcos Mutão abriram um Bar, L&M na rua Governador Valadares, 350. Vindos de distrito de Jubaí, Conquista, MG os dois conseguiram o prodígio de não fechar nenhum dia durante todo esse período. É ponto de encontro de amigos de longa data com cadeira cativa no local.

                                     
Irmãos Luiz e Marcos Mutão - Antônio Carlos Prata

Passar pela porta, cumprimentar os amigos, soltar uma piada, puxar uma cadeira e esperar que aquela cerveja bem gelada seja colocado na mesa. Essa é a rotina comum de qualquer frequentador.

- O freguês chega e a gente já serve a bebida que ele sempre toma. Sabemos como ele gosta de comer o torresmo, mais ‘carne’, ou se ele gosta de menos. São gostos que você vai conhecendo e que fazem o freguês se sentir em casa – completa um dos proprietários.

É uma tradição que chega aos mais variados públicos.
Mais do que um estabelecimento, eles já fazem parte da história de Uberaba e são roteiros obrigatórios dos uberabenses.
No local, os comensais encontram
variedades, entre salsicha, almôndega, moela, torresmo, linguiça, esfirra, pé de porco e até salgadinhos, todos feitos no local.

Antônio Carlos Prata

segunda-feira, 21 de junho de 2021

HOMENAGEM A LUIZ GONZAGA DE OLIVEIRA

Um velho e querido amigo que, usando sua prodigiosa memória, vivia contando a história de nossa terra, acaba de entrar para as páginas da história de Uberaba. Um valoroso companheiro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro que enriqueceu com sua vasta cultura, lacunas históricas de nosso cotidiano, usando apenas o seu grande talento, foi o último dos jornalistas da velha guarda.

Gonzaga - Divulgação.

Deixa como legado, não apenas o amor que tinha pela cidade, não apenas o exemplo de dedicação à sua terra, mas um acervo imenso construído através de seus livros, de suas manifestações na rádio 7 Colinas, nas colunas do jornal “A Cidade”, nas suas manifestações na TV Uberaba, e agora, principalmente, através de suas páginas na rede social.

Luiz Gonzaga de Oliveira foi, reconhecidamente, um dos grandes comunicadores que já passou por Uberaba, reverenciado por diversas gerações.

Foi um dos mais atuantes presidentes que já passou pela Fundação Cultural de Uberaba.
A sua partida consternou a todos seus amigos, familiares e admiradores. Dá a impressão, contudo, de que apenas partiu primeiro deixando imensos sentimentos e muitas saudades, mas com a certeza de que todos nós ainda vamos nos reunir na eternidade.

(Gilberto Rezende)

terça-feira, 15 de junho de 2021

Calou-se o marquês do Cassu

QUE TRISTE TARDE

 Tomei conhecimento de sua partida meu amigo irmão.

A nossa cidade que vc tanto amou perde hoje o seu defensor.

Quis o cruel destino (maktub) que fosse vc acometido desse mau terrível junto com Marilia, a filha que sempre esteve ao seu lado.

Walter Bruce da Fonseca e Luiz Gonzaga de Oliveira.
 (Foto do acervo pessoal de Walter B.da Fonseca)

Internados os dois ela foi embora antes para enfeitar a sua chegada, ornamentando com abraços enternecidos o seu novo lar.

Felizmente quis a sorte benfazeja que ela foi sem você saber para a surpresa de abraça-lo na chegada.

Você foi a voz de Uberaba com seus arroubos de amor e a sua lembrança viva em seus escritos, onde se lia como se fosse ao vivo e a cores, personagens que por essas ruas perambulavam, hoje e antigamente, ressuscitados por sua memoria prodigiosa.

Lembro-me do seu inicio na antiga igrejinha de São Benedito no serviço de alto falantes na praça da velha rodoviária.

Era você e o Vicente Paula oliveira (o maior declamador de Catulo da Paixão Cearense) sendo que o Vicente já se foi de há muito e estará também presente na sua chegada.

As quermesses com seus correios elegantes faziam a alegria de nosso povo.

Lembro-me de quando você leu o correio elegante de um poeta desconhecido que respondendo a uma gentil e linda senhorita lascou: “eu quisera ser uma lagrima para em seus olhos nascer, por sua face correr, e em sua boca morrer”.

Você falou que o poeta casou e não mais fez versos!

Dai você foi galgando os degraus da trajetória iluminada que o traria ate hoje, passando por radio, televisão e jornais. 

Quando quiseram por motivos outros, mudar a data de nascimento de sua terra amada o mundo veio abaixo.

Veio á tona uma sua faceta por nós desconhecida, de um denodado e valente defensor do berço.

 O brilhante lutador fez de sua pena espada, e partiu para o confronto.

Essa peleja açodada pela peça teatral de Luigi Pirandello ”ASSIM E SE LHE PARECE” iria chegar a lugar nenhum, mas ficou no limbo para ser interpretada de acordo com a ideologia ou conveniência de cada um.

Você Gonzaga foi um grande amigo e ser amigo é muito difícil, e a gente quando encontra um, tem que dar valor, e quando estamos juntos jamais dar motivos para sair da roda e ir embora e você se foi.

Mas esse adeus provocado por essa maldita síndrome não irá impedir um reencontro no andar de cima.

 A nossa cumplicidade em somar tristezas e dividir alegrias com o nosso Botafogo expulsava os resquícios de quaisquer malsinados pensamentos de que um dia haveria essa dolorosa despedida

A dor do amigo que perde um companheiro não é pouca.

 As tardes no Filó para espancar a solidão e nunca acreditar que um dia haveria essa triste separação.

Disse-lhe eu uma vez que os personagens da terra que não eram ficção, e sim protagonistas viventes como Dora Doida, Maria Boneca, Maria Carrapata, Coronel Delcides e Alicate que se dizia filho de Heleno de Freitas do nosso Botafogo, que poderiam ser figuras de um romance regional que nos levaria a viver de novo emoções passadas e a vc a gloria nacional na literatura, já que aqui vc e exponencial.

Você lutou para vencer a Covid, mas vencido fez uma cidade inteira chorar, e foi sem se despedir, mas deixou pra todos: o testemunho de seu grande amor por UBERABA!

A Vânia com certeza devia  sentir-se enciumada por tanto amor a nossa Uberaba, mas ela tinha o coração nas alturas e jamais deixaria de incentivar tão extremada paixão pela nossa terra.

Terra que hoje se sentirá agradecida por servir de agasalho pro seu corpo frio.

O seu corpo Gonzaga hoje volta ao ventre amado, feliz pelo fruto tão produtivo em versos e prosas que você nos legou.

Nosso rincão amado jamais será o mesmo sem a presença pujante de sua pena-espada valente a nos defender.

 Somos todos órfãos de sua presença física, mas temos a certeza inexorável de que você onde estiver com a força da experiência de vida que teve jamais nos esquecera na morte.

Siga com Deus nobre MARQUE DO CASSU!

* Walter Bruce da Fonseca, 14/06/2021




sábado, 22 de maio de 2021

5ª RPM COMEMORA 35 ANOS DE INSTALAÇÃO EM UBERABA

Em Uberaba, 22 de maio de 2021

Ocorreu nesta manhã do dia 22 de maio, na sede do 67° Batalhão da  Polícia Militar, o lançamento da Operação Fecha Região, em comemoração aos 35 anos de criação e instalação da 5ª Região da Polícia Miliar (5a RPM) em Uberaba.

Ao longo deste dia serão realizadas ações e operações nas 30 cidades afetas ao Comando da 5a RPM, com a finalidade de prevenir e fazer frente ao cometimento do crime em suas várias modalidades. Todo o efetivo está sendo empregado, incrementado ainda com os Policiais Militares da Administração, a Banda de Música realizará tocatas em diferentes pontos da cidade, a aeronave realizará operações nas cidades da região bem como o Policiamento Rodoviário está desencadeando operações e os profissionais da aérea de saúde estão prestando seus serviços neste dia.

A 5a RPM foi instalada em 22 de maio de 1986, tendo como área de responsabilidade a Região Sul do Triângulo Mineiro. Nossos nobres Policiais Militares levam proteção a população dos 30 municípios e 04 distritos afetos ao Comando Regional.

Subordinados à 5ª RPM temos o 4º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Uberaba; 37º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Araxá; 67º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Uberaba; 3ª Companhia de Polícia Militar Independente, com Sede em Iturama; 4ª Companhia de Polícia Militar Independente, com Sede em Frutal; e o Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, Unidade Uberaba. 

A 5ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais foi criada pelo Decreto nº 25.381, de 27 de janeiro de 1986, e sua Sede está instalada em Uberaba, com prédio próprio situado na rua Inspetor Izidro Ferreira Filho, 55, bairro Fabrício. 

A criação da 5ª RPM marcou uma nova era na história da Polícia Militar de Minas Gerais, com a criação de um escalão intermediário entre o Alto Comando da PMMG e as Unidades Operacionais, o que possibilitou a celeridade na tomada de decisões, gestão qualificada do trabalho Policial Militar e uma eficaz prestação de serviços de segurança pública à população Sul Triangulina.

A 5ª RPM teve um total de 18 comandantes, sendo atualmente comandada pelo Coronel PM Juliano Fábio Lemos Dias.

A  Polícia Militar de Minas Gerais permanece trabalhando para melhorar a qualidade de vida das pessoas na área da segurança pública.

*Agência Regional de Comunicação Organizacional da 5a RPM*


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História da Instalação em Uberaba

A 5ª Região da Polícia Militar de Minas Gerais foi criada pelo Decreto nº 25.381, de 27 de janeiro de 1986, e sua Sede está instalada em Uberaba, com prédio próprio situado na rua Inspetor Izidro Ferreira Filho, 55, bairro Fabrício.

A Unidade foi instalada em 22 de maio de 1986, tendo como área de responsabilidade a Região Sul do Triângulo Mineiro, sendo que hoje os homens e mulheres da 5ª RPM, com suas ações diárias, levam proteção e socorro a uma população estimada em 872 mil habitantes nos 30 municípios e 04 distritos sob sua responsabilidade. Articulados à 5ª RPM estão o 4º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Uberaba; 37º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Araxá; 67º Batalhão de Polícia Militar, com Sede em Uberaba; 3ª Companhia de Polícia Militar Independente, com Sede em Iturama; 4ª Companhia de Polícia Militar Independente, com Sede em Frutal; e o Colégio Tiradentes da Polícia Militar de Minas Gerais, Unidade Uberaba.

O ato solene de inauguração da 5ª RPM marcou uma nova era na história da Polícia Militar de Minas Gerais, com a criação de um escalão intermediário entre o Alto Comando da PMMG e as Unidades Operacionais, o que possibilitou a celeridade na tomada de decisões, interligando as mesmas com o nível estratégico para uma melhor e mais eficaz prestação de serviços de segurança pública à população Sul Triangulina.

A atuação da 5ª Região da Polícia Militar, embasada nas diretrizes da Corporação, é focada em duas direções distintas: proativa, que consiste na intervenção, junto à sociedade, nas causas imediatas e primárias dos crimes e da violência; e reativa, caracterizada pelo atendimento pós-crime. (PMMG)

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segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

A Uberaba do Meu Tempo

Havia no meu tempo uma Uberaba

Era calma, suave, cheia de tardes bucólicas.

A cidade da minha infância tinha um absoluto céu azul,

Chuvas fininhas, intermináveis, irritantes.

Aventura era encontrar Maria Boneca portando o brinquedo

E fugir, para descansar sob a sombra da Gameleira.

Na exposição de gado meus pais compravam mexericas

Levando-me a preferir, sempre, mexericas ao Zebu.



No meu tempo Uberaba tinha córregos a céu aberto

Guardados por muretas que nos serviam de encosto

Antes das sessões do Metrópole, do Palace

Esperando caronas do Padre Nicolau após aulas no Cristo Rei.

Brincava no Mangueirão, passeava pelos trilhos da Mogiana,

No parque infantil da Praça Rigoleto de Martino (hoje só resta a Codau!)

O autor do Hino do Uberaba Sport, o time que, na Uberaba do meu tempo

Rivalizava com o Independente, o Nacional…

No Boa Vista éramos todos sobrinhos da Tia Carola.

Fazíamos teatro com a Belinha

Sabíamos que era maio pelas congadas

E que era dezembro no presépio de d. Castorina.

Foram tempos de festas constantes

Quando bastavam as quermesses de santos e santas, soando sinos e cânticos nas sete colinas de Uberaba.

Parque Fernando Costa

A minha Uberaba tinha crônica ao meio-dia

O festival do Chapadão de Teatro e de Música

O Observatório, no Lavoura e Comércio,

Tudo criação do Ataliba Guaritá, o Netinho.

Raul Jardim fazia o “Escutando e Divulgando”

Lídia Varanda reinava na PRE-5

E Nhô Bernardino terminava o dia na hora do Ângelus.

Noite de Uberaba tinha o Parque Boa Vista (Eu era o filho do rei!)

O circo do Cheiroso, batuques no terreiro de Mãe Marlene

Cartas pelas mãos abençoadas de Chico Xavier

Mamãe rezando terço, aguardando-me dormir na noite sempre calma da cidade.

Recordo o café oferecido pelas freiras do Carmelo

As aulas na Escola Estadual Fidélis Reis

As tardes de jogos no pátio da Igreja Nossa Senhora das Graças…

Tantas coisas como essas que continuam na Uberaba de hoje.

Que vejo longe, sei de ler, de ouvir contar

A cidade de agora é de quem por lá está.

Há uma Uberaba que é minha, feita de sonhos acalentados

De planos vitoriosos, de projetos engavetados.

Guardada por todo o sempre e sempre teimando em sair à tona

Aquela cidade ganha meus dias, ocupa minhas noites de insônia.

A cidade de agora é porque um dia foi outra

Essa outra que chamo “minha”

Impregnada em ruas e morros, acalentando ternamente o coração transforma-se sempre

Vive o hoje, comemora o agora

Segue rumo ao tempo em que alguém, lá longe, lembrará:

A Uberaba do meu tempo… 


Valdo Resende


domingo, 3 de janeiro de 2021

Fundadores de escolas

No século XIX, ainda na monarquia, uma das maiores dificuldades para a população do do Brasil era conseguir estudar. Fora das grandes cidades, contavam-se nos dedos os estabelecimentos de ensino disponíveis, na grande maioria iniciativas particulares ou religiosas. Tanto o governo imperial como os das províncias dedicavam pouquíssima atenção à oferta de educação pública. O resultado desse descaso apareceu de forma dramática no primeiro recenseamento nacional, realizado pelo Império em 1870: 77% dos homens livres e 87% das mulheres livres não sabiam ler e escrever. Entre a população escrava esse número superava os 99%. No conjunto da população do país, 4 em cada 5 brasileiros eram completamente analfabetos.

O problema era ainda mais grave quando se pensa na oferta de escolas de nível médio ou superior. Num país que era essencialmente rural, qualquer jovem que desejasse estudar além do nível básico tinha como única opção mudar-se para uma capital ou matricular-se em um colégio interno. Cursos superiores eram ainda mais raros. Os filhos da aristocracia frequentemente buscavam instrução em Portugal ou algum outro país da Europa.

Por isso, era sempre saudada com entusiasmo a fundação de escolas nas cidades do interior. Não foi diferente quando, em 1º de outubro de 1854, o engenheiro Fernando Vaz de Mello anunciou a abertura do primeiro “Collegio Uberabense” (outro, com o mesmo nome, seria aberto em 1903). A escola foi montada em um pequeno prédio nas imediações da atual Praça Dom Eduardo, onde, décadas depois, instalou-se o Colégio Marista. Oferecia “Instrução Primária de 2º Grau” e “Ensino Colegial” – o que seria algo equivalente aos atuais Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Entre as disciplinas, Gramática, Latinidade, Francês, Geografia, Aritmética, Álgebra e Geometria. Havia ainda aulas de Catecismo Romano.

Em agosto do ano seguinte, o Colégio contava com mais de 100 alunos, dos quais 25 colegiais e 77 do ensino primário apresentaram-se para os exames de avaliação – realizados entre os dias 13 e 18. Um grupo de examinadores convidados reuniu-se no salão da Câmara Municipal para avaliar os estudantes. Compunham a banca, entre outros, o Cônego Hermógenes, o jornalista e historiador Borges Sampaio, o juiz de direito Manoel Pinto de Vasconcelos e o presidente da câmara Francisco Barcellos. Embora tenha havido algumas reprovações – na sua maioria de alunos matriculados há pouco tempo – relatos da época dizem que o resultado geral superou as expectativas.

Infelizmente, como era comum em Uberaba nessa época, a alegria durou pouco. Em 1856, Fernando Vaz de Mello envolveu-se na luta política local. Publicou um artigo no qual criticava a inoperância da Justiça e o número de assassinos e criminosos que circulavam impunemente pela província, muitos sob a proteção dos proprietários de terras e coronéis da região. O texto melindrou parte das famílias abastadas, que se sentiram ofendidas e passaram a dirigir ataques anônimos ao colégio e a seu diretor. Matrículas foram canceladas e, no ano seguinte, a escola fechou as portas, frustrando a população.

Fernando era um homem de posses e, por algum tempo, tentou permanecer na cidade. Entre 1857 e 1858, desenvolveu por conta própria um extenso levantamento dos rios Pardo e Mogi Guaçu, com o objetivo de implantar uma linha de navegação que oferecesse ao Triângulo Mineiro uma alternativa de transporte com os portos do Rio de Janeiro e Santos – na época feito em lombo de burro e carros de boi. O memorial foi publicado pela província de São Paulo em 1859, mas as sugestões de obras e melhorias nunca foram implantadas por falta de interesse e de verbas.

Não descobri a data exata em que Fernando Mello deixou o Triângulo. Aparentemente, mudou-se para a então capital mineira Ouro Preto, onde um de seus filhos, Cornélio Vaz de Mello (nascido em Uberaba em 10/01/1855) completou os estudos. Cornélio foi para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Medicina em 1884. De volta a Minas Gerais, tornou-se professor de Anatomia e História Natural na Escola de Farmácia de Ouro Preto. Entrou para a política, filiando-se ao Partido Liberal e mudou-se para a nova capital, Belo Horizonte. Seguindo os passos do pai, fez parte do grupo de médicos que, em março de 1911, fundou a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, ocupando a primeira vice-diretoria. Durante o governo de Delfim Moreira (1914-1918), o uberabense Cornélio exerceu o cargo de prefeito da capital mineira.

André Borges Lopes

quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

AINDA A FARSA DO ANIVERSÁRIO DE “200 ANOS” DE UBERABA

Oi, turma !

(As mentiras podem ser nuas, mas, as verdades precisam estar vestidas...)


Mil perdões aos amáveis leitores em continuar contando a forma grosseira, estúpida, covarde e mentirosa, como a funcionária do Arquivo Municipal, Aparecida Manzan, atendendo a um destemperado e inexplicável pedido do então prefeito, Luiz Guaritá Neto, alterando data de elevação de Uberaba a condição de CIDADE, em sublime humilhação, retroagindo a FREGUESIA. O prefeito, na ânsia de obedecer a um pedido superior ( de quem ? ninguém sabe...), enviou à Câmara de vereadores, uma PEC (Projeto de Emenda Constitucional), alterando o art.194, da LOM (Lei Orgânica dos Municípios), acatando a Lei Provincial no.759, de 2 de maio de 1856, em franca desobediência a uma Lei maior. Ninguém se deu conta em apresentar uma ADIN (Ação de Inconstitucionalidade), visto que, “Emenda Constitucional só se dá em projetos estaduais e federais que alterem ou modiquem suas Constituições. “Comeram mosca” nossas autoridades jurídicas, ou “fizeram de conta” no que seria” Lei Orgânica”...

O Presidente da Câmara, Ademir Vicente Silveira, de acordo com Luiz Neto, acolheu o pedido, desprezando o “Parecer do Departamento Jurídico do Legislativo (Marcelo Alegria, William Martins da Silva e Sylvio Roberto dos Santos Prata, falecido)”, contrário à solicitação, pois, 2 de maio, era data consagrada e feriado municipal e portanto, inconstitucional. Ademir Vicente, ignorou o douto Parecer de sua Assessoria Jurídica e continuou a tramitação. O arrazoado de Aparecida Manzan, não se sustentava. Chulo, se baseava apenas num Decreto real, de D.João VI, de 2/3/1820, criando a FREGUESIA de Uberaba, numa vaga e fantasiosa justificativa.

Em momento algum, a funcionária citou ou fez menção aos historiadores uberabenses, Gabriel Toti, Hildebrando Pontes, José Mendonça, Edelweis Teixeira e ou Guido Bilharinho, que nos seus livros, registravam referidas datas como FREGUESIA (2 de março) e CIDADE ( 2 de maio). Um decreto real de 1820, não pode sobrepor a uma Lei Provincial no.759, de 2 de maio/1856. Outra “justificativa” marota, Aparecida Manzan, afirma, textualmente, “ a lei Provincial de 2/5/1856, elevou a FREGUESIA de Uberaba , definitivamente, a CIDADE.” Em outro trecho, ela escreve” apesar de 2 de maio ser o dia do município, em razão da importância que tomou a Exposição Agropecuária, SUGIRO a data 2 de março , que se comemora a FREGUESIA, como data de fundação de Uberaba”...

Se precisar de uma sugestão infantil e tola, esta não serve...A subserviência funcional chegou ao extremo ! Dizer que a Expozebu, é mais importante que Uberaba, é de lascar ! É bom lembrar que, 3 de maio, quando da inauguração da Expô, nunca foi nem “ponto facultativo. Hoje, essa data não é mais preservada. Para “ tirar o seu do rumo”, o presidente Ademir Vicente, convidou diversas entidades e personalidades à discutir o assunto.

Entre outros, a Secretária de Educação, o professor Carlos Pedroso, Fundação Cultural, OAB, Arquivo Público, ACIU, ASSIDUA, CDL, Presidente da Associação de Bairros. Convites foram endereçados à reunião de 18 de agosto de 1994, as seguintes pessoas e entidades: Erwin Pulher, Eduardo Colombo (ACIU), Carlos Pedroso, Luiz Neto, Jorge Nabut, Guido Bilharinho, Sônia Fontoura, Flavo Canassa, Lauro Guimarães e Ademir Vicente, presidente da Casa. Dos 18 convidados, apenas 12, compareceram.
Posteriormente, em 20/12/94, esses mesmos nomes foram novamente convidados. Compareceram: Guido Bilharinho, Erwin Pulher, Eduardo Colombo, Aparecida Manzan, Antonieta Borges, Sônia Fontoura, Flavio Canassa e Lauro Guimarães. Apenas 8 (oito ). Nos autos do processo em meu poder, não há menor manifestação, a favor ou contra, dos acima citados. Oportuno esclarecer; nenhuma AUDIÊNCIA PÚBLICA, conforme o regimento da Câmara, foi convocada pelo Presidente da edilidade. O povo não teve a menor participação.

O projeto foi aprovado em 1ª. Discussão, em 23 de dezembro, véspera do Natal, em reunião convocada extraordinariamente. Amanhã, completo as demais informações. Abraços do “Marquez do Cassú”.


quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Chico Xavier ganha estátua na Praça Rui Barbosa, em Uberaba

Homenagem

Estátua de bronze de Chico Xavier. Foto Antonio Carlos Prata.

Praça Rui Barbosa ganha estátua de bronze de Chico Xavier. A estrutura foi instalada nesta quarta-feira 28 de outubro de 2020 e, inaugurada nesta quinta-feira (29) às 09h. Retrata Chico sentado em um banco de ferro e madeira fixada em piso de concreto. De acordo com a artista plástica, o material pesa 250 kg de bronze fundido na Fundição Artística São Vicente, em Belo Horizonte, sob a coordenação do artista Diego Rodrigues. A peça, que custou R$ 80 mil, graças ao pagamento de contrapartida de uma empresa beneficiada pela lei de incentivos fiscais e estímulos econômicos de Uberaba. Segundo a Prefeitura de Uberaba, as empresas Agronelli e P&D tinham que pagar uma contrapartida para ao município, permutada em entrega de bens e serviço, no caso de obras. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, José Renato Gomes, a obra chega nesse momento como um presente de Natal para a população, é semelhante a uma existente em Pedro Leopoldo. A estátua está posicionada ao lado do Ponto de Táxi. e defronte aos extintos bares: Café 1001 (Mil e Um), e Café da Praça. Segundo a história, na década de 60, eram os locais onde Chico tomava café frequentemente. (Antônio Carlos Prata)


Monumento está sendo disputado. Não se passam nem dois minutos sem que um turista ou morador esteja ao lado para tirar uma foto e levar de lembrança.


Chico Xavier saboreava um cafezinho no bar Café 1001, em Uberaba, em companhia
 do Dr. Jarbas Varanda e de seu filho Luciano Varanda .No início da década de 70, (Foto pessoal do acervo família Varanda)


"Bar e Lanchonete 1001”, que nunca fechava - Foto -  Uberaba Em Fotos


Chico preparando para o fotógrafo. Ao fundo Casa Caldeira e bar Café da Praça.

"Esta é uma das primeiras imagens feita por mim, no início de minha carreira de jornalista. O momento exato em que o nosso saudoso e querido médium Chico Xavier, entrava em um táxi, na praça Rui Barbosa, no final de década de 70. Ele me agradeceu na oportunidade dizendo "eu não mereço ser fotografado, sou uma pessoa comum, obrigado ". Lembro como se fosse hoje.." (Foto/Jornalista/Paulo Nogueira)


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Quem passeia pela praça Rui Barbosa em Uberaba, no Centro, se depara com a estátua do médium Francisco Cândido Xavier. Carinhosamente chamado de Chico Xavier. Logo após a retirada do pano sobre a estátua, todos os presentes passaram a tirar fotos ao lado dela, gesto que vem sendo repetido diariamente por moradores e turistas desde então. Sua inauguração se deu hoje, 29 de outubro de 2020 às 09h00 em meio às homenagens. Embora mineiro de Pedro Leopoldo, passou parte significativa de sua vida na cidade de Uberaba. (Antônio Carlos Prata)


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Cidade de Uberaba



quinta-feira, 15 de outubro de 2020

CINTURA FINA, personagem do Livro de Roberto Drummond HILDA FURAÇÃO.

José Arimatéia Carvalho era mulato, baixo e auto intitulou-se de Cintura Fina. Auto intitulou porque ninguém se atreveria a caçoar de Cintura Fina. Ele famoso pelas brigas e temido pela destreza com que manejava a navalha, sempre amarrada a um cordão. Fez muitas vítimas, foi preso inúmeras vezes era inimigo declarado da Polícia e também temido por eles.

José Arimatéia Carvalho

Além da habilidade com a navalha era também muito hábil com a costura. Excelente alfaiate e melhor ainda como costureiro. Sempre que uma mulher da vida saia da Guaycurus para contrair matrimônio era ele o eleito para costurar o Vestido de Noiva. Cintura Fina também fazia a vida trabalhando em um Hotel chamado de Monte Carlo localizado na antiga Praça Vaz de Melo. O temido Cintura Fina também era um boêmio que todos as noites tomava cerveja no Bar Maracanã ou qualquer outro Bar do Mercado Mauá. O último endereço de Cintura Fina em Belo Horizonte foi na favela São Jose local hoje ocupado pela Avenida Tancredo Neves. Apesar de quase todos os lugares em que Cintura Fina fez história terem sido destruídos, desapropriados ou não existirem mais sua fama permanece e acabou por ser imortalizado no romance de Roberto Drummond " HILDA FURACÃO". Cintura Fina morreu no presídio da cidade de Uberaba em 1972.

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segunda-feira, 5 de agosto de 2019

Uberabense João Menezes conquista a medalha de Ouro para o tênis brasileiro no Pan de Lima

“O pessoal vê a pontinha do iceberg. Só a minha família sabe o que eu passei”.


A frase é de João Menezes, que surpreendeu a toda América e ficou com o ouro no tênis dos Jogos Pan-Americanos. A consagração vem sendo se olharmos a idade dele, apenas 22 anos. Mas quase também vem tarde demais. Alguns meses atrás, João estava depressivo e a um passo de deixar o sonho de ser um tenista profissional.
A história dele, ele mesmo conta.

“Eu sou João Menezes, natural de Uberaba, Minas Gerais. Do interior. Comecei a jogar por influência familiar, meu pai jogava, meu avô jogava. Eles iam para o clube e eu ficava brincando com a raquete. Minha família sempre foi apegada ao esporte. Para o futebol eu não levava muito jeito e fui para o tênis. Gostei, gostei, gostei e sempre fui uma pessoa que tem um compromisso muito sério com as coisas que eu faço, coloco bastante intensidade. E aí foi indo. Passa até um filme na cabeça, mas posso dizer que tudo está valendo a pena e é só o começo de uma grande caminhada que está por vir.

Dá para escrever um livro com as vezes que pensei em desistir. Foram quatro, cinco momentos de pensar que não vai dar. Eu tive muitas dificuldades. Primeiro quando eu saí de casa. Morei um ano em Uberlândia e até aí tudo bem. Mas mudei para Itajaí e fiquei quatro anos. A saudade pegou lá, a adaptação também. E como eu não tinha muito resultado era difícil. Tinha meninos da minha geração que ganhavam muito mais, eram muito mais badalados. E eu ficava em segundo, terceiro plano. Então era difícil me mantar bem, com convicção.

Fui tentar algo diferente e morei na Espanha por dois anos. Lá tive coisas muito boas, mas também coisas muito difíceis. Fiquei 10 meses sem ir para casa, fiquei um pouco depressivo. Dependia muito do resultado para estar feliz. Quando a vitória não vinha, ficava cabisbaixo. E no final o ano passado foi a principal vez que quase parei de jogar tênis. Mas assim: foi por muito pouco! Eu falei com minha antiga equipe de Itajaí e fizemos um acordo diferente, mais individual, mais especializado. A proposta foi muito boa e eu aceitei”.

João Menezes - Foto: Reprodução.

Se precisava de vitória para ser feliz, João conta que elas não vinham. Lembra que chegou a vencer apenas dois jogos em 12 torneios disputados. A família, claro, foi fundamental para que ele não parasse.

“Eu nunca fui o juvenil mais badalado, nunca joguei um Sul-Americano por equipe na base pelo Brasil, nunca tive o melhor ranking. Mas talvez eu fui o que mais persistiu, o que mais trabalhou. Talvez também seja um pouco de sorte, acaso, mas posso dizer que o trabalho tem uma parcela grande”, diz, consciente de que não pode se vislumbrar com o bom momento.

Mas, afinal, o que mudou em Itajaí que o transformou em um tenista de elite nas Américas?

“Eu credito esse momento ao trabalho. Eu montei um time só para mim desde novembro do ano passado, para começar a pré-temporada. E estamos trabalhando muito firme em Itajaí (SC). Quando você se sente bem fisicamente, capaz de jogar em alto nível, você precisa jogar torneio. Não comecei muito bem, mas é a questão de confiança. Quando você bota na cabeça que pode jogar nesse nível, você começa a ir melhor. E acho que é essa deslanchada que está acontecendo comigo agora. E eu posso ir bem mais longe, tenho convicção disso”, explica.

“No Brasil ninguém me conhecia. Antes dos Jogos Pan-Americanos, tenho certeza de que não tinham ideia de quem era. Agora pode mudar um pouquinho o cenário. Esse é o divisor de águas da minha carreira”, completa.

Claro que você pode ir mais longe, João. E sim, agora o Brasil te conhece: dono de uma medalha de ouro nos Jogos Pan-Americanos!


Igor Resende e José Renato Ambrosio, de Lima (PERU)

Transcrito de www.espn.com.br


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