domingo, 10 de janeiro de 2021

AFRÂNIO FRANCISCO DE AZEVEDO NO ORIENTE DE UBERABA

Feito Maçônicos do Irmão 

Criação do Culto de Saudade 

Criação do Colégio Triangulo Mineiro
 
Construção do hospital da Criança de Uberaba


Alunos do Colégio Triângulo Mineiro, em desfile de 07 Setembro no ano de 1957.

Esse Colégio,foi idealizado pelo irmão Antônio Francisco de Azevedo. Era destinado a filhos de operários em forma de Bolsas de Estudos. Funcionava nas Instituições da estão Escola de Engenharia do Triângulo Mineiro, hoje UNIUBE.

CRIAÇÃO DO CULTO DE SAUDADE

Era uma forma de se homenagear a passagem dos irmãos Maçons em seus retorno ao Oriente Eterno.Era colocado na sala ,onde eram velados os corpos dos irmãos ,que em muita das vezes eram velados em seus lares.O resultado das medalhas cunhadas ,eram em concordância com os desejos do então irmão,deixado em Testamento,e e ou a critérios de seus familiares.

CRIAÇÃO DO COLÉGIO TRIÂNGULO MINEIRO

Criado a partir da ideia e de doação de área ao então Professor Mário Palmério no Oriente de Uberaba,área essa onde esta o Centro Cultural Cecília Palmério, se destinou a criação de uma escola que contemplaria aos filhos de operários ,negros e desvalidos de Uberaba ,principalmente aos filhos de espíritas e de religiões de matrizes africanas ,filhos de membros do Partido Comunista local,porque eram impedidos de serem matriculados em escolas regulares.

Esta pesquisa está vinculada a Linha de História e Historiografia da Educação tem o objetivo de investigar o processo de criação e instalação do Colégio Triângulo Mineiro, localizado em Uberaba-MG, e identificar algumas práticas pedagógicas vivenciadas na instituição. Trata-se de estabelecimento privado, fundado nos anos de 1940 pelo professor Mário de Ascenção Palmério.

 A instituição que era conhecida como Liceu Triângulo Mineiro iniciou suas atividades oferecendo cursos de admissão, madureza, preparatório, pré-primário e primário e, em 1941, requereu verificação prévia para a oferta do 1º Ciclo do Ensino Secundário o Curso Ginasial. Em 9 de abril de 1943, foi concedida a inspeção preliminar e recebeu a denominação de Ginásio Triângulo Mineiro, mas, somente em 7 de outubro de 1946, obteve o reconhecimento do Curso Ginasial.

 Em 27 de janeiro de 1947, conseguiu autorização para funcionar como colégio. A princípio, o fundador dizia que o estabelecimento tinha sido criado para atender aos menos favorecidos, no entanto, a problemática levantada nesta pesquisa aponta uma contradição: nos anos em que foi fundado, o Colégio Triângulo Mineiro implantou o 1º e 2º Ciclo do Ensino Secundário, níveis de ensino destinados a uma minoria. Como a instituição conseguiu oferecer esses dois ciclos a uma população menos favorecida , uma vez que o ensino secundário, naquele contexto, era destinado a poucos? Para investigar essa problemática, o recorte temporal delimitado para o estudo foi de 1940 a 1960.

 Os procedimentos metodológicos utilizados incluem a consulta e análise de jornais locais, documentos do Centro de Documentação Mário Palmério e Superintendência Regional de Ensino, além de outros materiais correspondentes ao período delimitado. A partir dessas fontes e utilizando referenciais teóricos como Nosella e Buffa (2009); Magalhães (1998; 1999; 2004); Nunes (2000); Silva (1969) e outros voltados para a análise das instituições escolares e o ensino secundário, buscou-se compreender dialeticamente as relações políticas, econômicas, sociais e culturais que interferem nas questões educacionais.

 Foi dada atenção especial para compreender como o Colégio Triângulo Mineiro, ofertando ensino secundário, em um período em que esse era destinado a minoria, conseguiu atender aos menos favorecidos . Constatou-se que a legislação educacional vigente, principalmente os Decretos-Lei nº 7.637 de 12 de junho de 1945 e o de nº 7.795 de 30 de julho do mesmo ano, assim como a Portaria nº 583 de 27 de outubro de 1948 corroboraram para o ingresso das camadas populares no ensino secundário. Concluiu-se que, entre 1942 a 1956, o Colégio Triângulo Mineiro obteve um número significativo de alunos matriculados no 1º Ciclo do Ensino Secundário Curso Ginasial.

 Verificou-se a importância que se dava à conduta moral e disciplinar dos discentes e docentes; evidenciou-se que havia pouca rotatividade de professores e que eles lecionavam mais de uma disciplina, desempenhavam papel essencial para a construção da identidade educativa e destacavam-se em eventos cívicos e esportivos para a sociedade.


CONSTRUÇÃO DO HOSPITAL DA CRIANÇA DE UBERABA

Indignado por ver a dificuldade de se concluir a Obra desse Hospital,o então irmão Afrânio Francisco de Azevedo,contratou um Mestre de Obras e Maçonicamente concluiu essa edificação que funciona ainda nos nossos dias _ Hospital da Criança de Uberaba
Perfil biográfico de
Afrânio Francisco de Azevedo - ARENA

Estudos: Técnico em Contabilidade.
Profissão: Comerciante e Fazendeiro.

Nascimento: 07 de julho de 1910, Uberaba, MG.
Residência: Uberlândia, MG.

Filiação: José Marciliano de Azevedo e Maria Rodrigues de Azevedo.
Cônjuge: Joaninha de Freitas Azevedo.
Filhos: José Olympio, Mário Augusto, Martha, Afrânio Marciliano, Francisco Humberto e Marcos.


Vida Política e Parlamentar


Deputado Estadual, PCB, Constituinte e 1.ª Legislatura. Compôs a Mesa Diretora: 2.ª Vice-Presidência, 22.03.1947 a 20.07.1947 – Período da Constituinte.
A 21 de janeiro de 1948, tendo por base a Lei n.º 211 e o cancelamento pelo TSE do registro do Partido Comunista do Brasil – PCB, a Mesa Diretora da Assembléia Legislativa declara extinto o seu mandato.

Outras Informações:

Comunista de tendência stalinista.

Proprietário da fazenda Sibéria, em Uberlândia, onde foi pioneiro da plantação de soja e café. Conforme sua filha Martha de Freitas Azevedo Pannunzio, fez reforma agrária por conta própria, repartindo sua fazenda para interessados.

Pecuarista forte em Uberaba, criador de gado indiano, que exportava para o Peru.
Proprietário de casa bancária Lopes de Azevedo, em Uberlândia.
Após 1964, perseguido, asilou-se na Embaixada Peruana.
Espírita, religião de seu pai, de tendência kardecista.
Falecimento: 22 de junho de 1976.

Foi exilado no Chile e acolhido pelos irmãos Maçons chilenos .Em seu depoimento na cidade de Juiz de Fora ,estiveram em sua defesa ,Bispos ,Rabinos ,e dentre as sua falas como depoentes ,destacaram as Doações de áreas para o Estado do Vaticano(Igreja Católica de Uberaba e Região)

PROMOVEU EM SUAS TERRAS A PRIMEIRA REFORMA AGRÁRIA DE QUE SE TEM NOTÍCIA DESSE GÊNERO




quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

UM SÉCULO DO JORNAL LAVOURA & COMÉRCIO (1899 -1999) - UBERABA - MINAS GERAIS - BRASIL

Fundado no ano de 1.899 em Uberaba, o jornal Lavoura e Comércio teve sua primeira edição impressa em 06 de julho de 1899; criado por um grupo de produtores rurais insatisfeitos com a política fiscal do estado perdurou até 27 de outubro de 2.003 quando foi impressa sua ultima edição.



Antônio Garcia Adjuto foi o primeiro diretor do jornal, em 1906 a administração passou para a família Jardim. administrou e ampliou a abrangência do jornal, que se tornou o diário oficial de vários municípios da região. Em 1966 com a morte de Quintiliano a administração passou para seus filhos George de Chirée, Raul e Murilo Jardim.O jornal sucumbiu diante de uma grave crise econômica e financeira após 104 anos de atividade ininterrupta.

Durante todos estes anos os uberabenses se reuniam na frente da sede do jornal, na rua Vigário Silva nº 45 no centro da cidade, para lerem as últimas noticias que eram escritas a mão e expostas em um quadro. O lema do jornal era “se o Lavoura não deu, em Uberaba não aconteceu”. Quem viveu durante o período de existência do jornal deve se lembrar de andar pelas ruas de Uberaba e ouvir os garotos vendedores do jornal gritando, “Lavooooora”.

A Codiub e a Prefeitura Municipal de Uberaba disponibilizam aqui os primeiros exemplares digitalizados, extraídos de microfilmagem realizada pela Codiub; são 7.917 edições que foram microfilmadas no ano de 1.988 e permaneceram sob a guarda da Codiub durante esses 26 anos.

Com a aquisição do acervo do Jornal Lavoura e Comércio pelo Município de Uberaba em 26 de novembro de 2013, a Codiub transferiu a guarda dos microfilmes para o Arquivo Público Municipal. Em breve, com a digitalização das edições do jornal em papel, serão disponibilizadas todas as outras edições do edições do Lavoura e Comércio para o público. (Arquivo Público de Uberaba)

Crédito: locução Antenor Cruvinel/áudio do acervo pessoal de Reinaldo Santos)

Crédito do vídeo: Antônio Carlos Prata


terça-feira, 5 de janeiro de 2021

O homem bomba

As pescarias da turma do meu pai eram famosas entre a comunidade pesqueira de Uberaba.
Pelo menos duas vezes por ano a turma se reunia e iam pescar no rio Paranaíba, que era famoso por ser extremamente piscoso.

Naquela época, não havia conscientização alguma e todo peixe pescado era embarcado, independentemente de tamanho. Não existia cota pra trazer peixes, muito menos período de piracema, onde se proíbe a pesca.

Jaús de mais de 50kg era uma constante nessas pescarias, bem como dourados, pacus, piaparas e piracanjubas.

A única regra para os pescadores era de que os peixes só poderiam ser pegos usando varas de carretilhas ou molinetes.

Armadilhas não eram toleradas e redes eram usadas somente para pegar iscas, que seriam os lambaris.
Nessas pescarias que reuniam de 10 a 15 pescadores, era imperioso que houvesse alguma pegadinha com algum dos pescadores. Geralmente essa pegadinha recaia sobre o novato da turma como em todo lugar.

Nessa pescaria que eu passo a relatar agora, foram reunidos doze pescadores sendo oito assíduos da turma.

Também fez parte da comitiva, um cozinheiro, que também pescava, mas não pagava e um convidado que às vezes ia com a turma, pois a turma frequente dele era outra.

Esse um era o Tonico Correia, famoso por suas pegadinhas, acompanhado por um sobrinho que nunca havia participado da turma do Caparelli.

O transporte era feito em dois veículos, sendo que um caminhãozinho levava a tralha toda da pescaria na carroceria e na “boléia” iam um pescador dirigindo, tendo ao seu lado o cozinheiro.
O outro veículo era um caminhão de transporte de soldados utilizados na segunda guerra que era coberto por lona removível para ser retirada quando em dias quentes o ambiente ficasse abafado demais.
Os assentos eram dois bancos de madeira acolchoados e contínuos, afixados de um lado e de outro da carroceria.
Esse caminhão, que foi adquirido pela turma, só era utilizado para esse fim e quando a turma não o estivesse usando, ele era alugado para outras turmas, rendendo algum para o caixa da próxima pescaria.
Depois de todos aboletados na carroceria, uns 30 km de viagem, o papo entre eles ia animado até que o sobrinho do Tonico resolve participar da conversa e para indignação geral diz que não gostava de pescar de vara e molinete.

O Sr. Adib, muito do meticuloso e assumindo a posição de advogado da turma dá uma lição de moral no sobrinho:

- Aqui, não! Aqui ninguém pesca de rede. Só anzol. Se você não trouxe vara, o Tonico que te trouxe, te empresta uma das dele.

Meio que constrangido, o sobrinho retruca:

-Não, “seu Adib” eu não pesco com rede não, e para piorar a explicação, saiu-se com essa:

- Eu pesco é com bomba, é só soltar ela no rio e vocês vão ver o que é pegar peixes, enche uma caixa daquelas grandonas em dez minutos.

-Olha ela aqui, continuou ele.

Disse isso e abriu sua sacola, tirando de lá um artefato parecido com uma granada, só que maior, e com um pavio bem curto.

Dentro do caminhão o alarido foi grande. Todos execrando a atitude do moço e o Tonico que ia na boléia junto com o Adalgiso, que era o motorista, ficou indiferente ao movimento lá atrás.

Muito vermelho e sem graça, o sobrinho guardou a bomba, pediu desculpas e disse que nas outras turmas eles sempre levavam uma bomba, para garantir que trouxessem peixes se a pescaria não fosse proveitosa.

Parecia que ele estava prevendo: chegando já de tardinha no Paranaíba, acomodaram-se no rancho do Zé Faustino e o tempo que já estava nublado, fechou de vez. A chuva começou fraquinha e foi aumentando aos poucos até se tornar uma tempestade que durou até às duas da manhã, quando por fim cessou.

A conversa rolou sobre se o rio ficaria barrento, coisa que atrapalharia demais a captura de peixes e todos torcendo para a tempestade não ter caído nos afluentes que desaguam no Paranaíba, pois isso faz com que os pequenos ribeirões derramem muita água barrenta no rio principal.

Parece que as preces não foram atendidas, pois pela manhã, encontraram um rio muito sujo, tanto na margem mineira, quanto na margem goiana.

A pescaria estava programada para 5 dias e nos quatro primeiros dias, a contabilidade dos peixes ia bem abaixo do esperado e pelo pique da remada, a divisão dos peixes não contemplaria nem 1 kg para cada pescador.

Na reunião da tarde, quando todos estavam reunidos na mesa grande esperando o jantar, o sobrinho volta ao assunto e comenta com meu pai:

- Caparelli, naquele remanso ali em baixo onde estou pescando com meu tio, é só soltar a bomba que dá pra encher as duas caixas térmicas.

Quem estava mais perto era o Otacílio Martins que escutando a conversa repreendeu novamente o soltador de bomba.

- Aqui não! E em alto e bom som completou: se não pegarmos mais nada manhã, dividiremos o que foi pescado.

Meu pai então fez o advogado do diabo e passou a defender o sobrinho.

- Deixa ele, Otacílio, se ele pesca assim, é problema dele, não nosso.

- Deixa nada, interrompeu o “Prego” (Jair Padeiro), ele é um moleque, isso que ele é, nem devia ter vindo.

-Também não precisa ofender, né, Prego? O rapaz é novo, deixa ele.

E o Tonico, só de cabeça baixa, carregando a culpa de ter levado o sobrinho inconveniente.

O clima ficou pesado e poucos ficaram para a roda de conversa noturna, sendo que os poucos que ficaram, prosearam por poucos minutos e também foram dormir.

O ultimo dia foi ainda pior. Apesar do sol ter dado o ar da graça há dois dias, o rio continuava bem barrento e só uma dupla voltou com um dourado de uns 9 kg que foi consumido assado sem tempero, enrolado na folha de bananeira e servido com molho à parte no jantar.

De manhã, depois de acomodadas as tralhas, repetiram as disposições nos caminhões e levantaram acampamento.
Como fazia muito calor, a lona da carroceria foi retirada e a viagem de volta se iniciou e o sobrinho que estava sentado na ponta do banco, falou pro meu pai que estava sentado no mesmo banco, mas lá no fundo (nessas alturas, só meu pai dava bola pra ele):

- Caparelli, eu não posso voltar com essa bomba prá casa, é perigoso guardar isso; já que não soltei no rio tenho que explodir ela em um pasto qualquer aí; pede pro Adalgiso parar em um descampado pra eu soltar ela.

Meu pai avisou o Adalgiso que querendo ficar livre daquilo rápido, parou o caminhão.

- Solta aí, disse ele.

- Não dá Adalgiso, disse meu pai, tá muito perto do rancho e o Zé Faustino pode achar ruim.
Seguiram em frente, e alguns quilômetros depois, o Adalgiso para novamente o caminhão.

- Também não dá, disse o sobrinho, muito perto de arbustos, pode pegar fogo.

Aquilo se repetiu mais umas quatro vezes e os companheiros todos de cara amarrada, quando ele finalmente mandou parar caminhão.

- É aqui. Disse ele e tirando a bomba da sacola.
– Caparelli, me passa o fósforo.

Meu pai lá do fundo, tira a caixa de fósforos do bolso da camisa e joga pra ele.

Pessoal apreensivo com o desenrolar do ato, não tira os olhos da mão do homem bomba.

Ele, nervoso e tremendo muito, risca uns quatro palitos antes de conseguir acender o pavio, que como eu disse lá no começo, era bem curto.

Finalmente o pavio acendeu e ele querendo se ver livre da bomba rapidamente e todo atrapalhado, ao invés de atirar a bomba no mato e devolver a caixa de fósforo para meu pai, fez exatamente o contrário:

Com toda a força do braço atirou a caixa de fósforos no mato e displicentemente, rolou a bomba no chão da carroceria para no rumo do meu pai e gritou:

- Toma o fósforo Caparelli!

Nem é preciso dizer que não sobrou um pescador na carroceria.

Todos se atropelaram pulando o gradil que servia de encosto e em um átimo de segundo eles já estavam a uns 100m de distância, deitados no mato e esperando a explosão.

Minto; ficaram no caminhão os que sabiam da pegadinha, ou seja, meu pai, o sobrinho e o Tonico Correia na boléia que rindo muito escutaram a bomba fazer um silvo comprido tipo shshshshshshshsshshshshshiuuuuuuu e apagar.

Meu pai nunca me contou como eles saíram vivos depois dessa, o certo é que o sobrinho nunca mais pescou com a turma. Porem ele nem era pescador. Foi arrumado pelo Tonico, que armou essa com o meu pai, só para esse fim.

Marcelo Caparelli


Independente Atlético Clube de Uberaba

O Independente Atlético Clube é uma agremiação da Cidade de Uberaba (MG). A sua Sede na Rua Oswaldo Cruz, s/n, Conjunto Estados Unidos, em Uberaba. O Azulão foi Fundado no dia 23 de Março de 1938, por alguns dissidentes do Uberaba Sport Club.


Fachada do Estádio Antonio Dal Secchi - Foto Jairo Chagas.


Independente Atlético Clube - Sede: Rua Osvaldo Cruz, 786 - Conjunto Estados Unidos - Uberaba - Minas Gerais - Fundado no dia 23 de Março de 1938. Post foi publicado em 01. Sérgio Mello, Curiosidades, Escudos, Estádios, Fotos Históricas, História do Futebol, Minas Gerais em 14 de novembro de 2017 


A inauguração dos refletores do Estádio "Antonio Dal Secchi" constitui o maior acontecimento esportivo do ano.  Sábado, 30 de Março de 1946


Outro aspecto interessante é a reportagem do Jornal Lavoura e Comercio abordando a inauguração da iluminação do Estádio Antonio Dal Secchi (nome do presidente do clube naquela época), de propriedade do Independente Atlético Clube, localizado no Bairro Estados Unidos, em Uberaba (MG), no sábado do dia 30 de Março de 1946. O adversário escolhido foi o Palmeiras de Franca (SP) e o horário definido: 20 horas. Até aquele momento, mais de mil ingressos já tinham sido vendidos, pelo valor de 16 cruzeiros cada bilhete!

O Independente teve seus momentos de glória e tem uma página bonita na história do futebol uberabense. Força no futebol amador, sendo um grande ganhador de títulos da Liga Uberabense de Futebol em todas as categorias, teve destaque para a série do pentacampeonato amador em que ganhou todos os títulos de 1946 a 1951. 

Ao todo faturou 10 títulos: 1946/47/48/49/50/51/57/58/69 e 75; Campeão do Torneio de Emancipação do Triângulo de Futebol, em 1990; Campeão da Taça Uberaba de Futebol Amador (1994). 




PROFISSIONALISMO 

A década de 70 foi o grande período do Azulão no futebol profissional. Dirigido por empresários, o clube não quis ficar atrás dos seus dois grandes rivais e investiu na contratação de bons jogadores que, somados às revelações de suas divisões de base, o levaram a boas campanhas. 

A principal delas aconteceu no título do Campeonato Mineiro da 2ª Divisão (atual “Módulo II”) de 1967 que lhe garantiu o direito de disputar a Elite do Futebol Mineiro com os melhores times do estado. Participou das edições do Campeonato Mineiro da 1ª Divisão em 1968 e 1969 (9º colocado, dentre 16 equipes); 

Em 1968, o ano não foi dos melhores e teve um momento decepcionante: a derrota de 10 a 0 para o Cruzeiro, no Mineirão. Em 1969, a campanha foi razoável e o time terminou o campeonato na 9ª colocação, uma à frente do rival Uberaba.



DESPEDIDA 

Após o campeonato de 1969, o Independente viveu dois momentos marcantes: vendeu o zagueiro Normandes para o Atlético Mineiro por um bom dinheiro e teve que abandonar o futebol profissional devido a uma grande crise financeira.


Foto: Fanpage/Independente Atlético Clube.


Não conseguiu se reerguer novamente no profissionalismo. Em 1972, por ocasião da inauguração do Uberabão, montou um time com ex-jogadores para enfrentar o Fluminense de Araguari, no novo estádio, e nunca mais voltou a jogar uma partida oficial. 

PATRIMÔNIO 

Mesmo tendo um rico patrimônio em local valorizado no bairro Estados Unidos, o Estádio Antônio Dal-Secchi, o Independente, é hoje pobre futebolisticamente. Atravessa fase ruim até mesmo no Campeonato Amador da LUF. Depois de cair para última divisão, o “Azulão” luta para voltar a estar pelo menos entre os grandes clubes da cidade. 


Fonte: Jornal da Manhã, Lavoura e Comercio, Blog https://historiadofutebol.com.


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Independente Atlético Clube.


O Independente Atlético Clube nasceu em Uberaba em 23/03/1938, fruto de um desentendimento entre diretores do Uberaba Sport Club. Liderados por Sebastião Bráz (avô de Fernando Vanucci) fundaram um clube que foi a grande força do futebol amador de Uberaba nas décadas de 40 e 50. O primeiro presidente foi o tabelião Mário de Moraes e Castro (avô do jornalista Mário Prata).

Independente 2x1 Uberaba – Estádio Antonio Dal Secchi – 04/06/1953 – Aparecem Tino (goleiro do USC), Sodré (USC), Rodrigo (Ind) e Vadinho (USC). Foto cedida pelo Arquivo Público de Uberaba.


A intensa rivalidade fez com que o Independente e o Nacional seguissem o rival famoso, o Uberaba Sport, pelo profissionalismo. O clube teve como diretor Sherloc Braz, filho de Sebastião Bráz e pai de Fernando Vanucci, e revelou para o Brasil o zagueiro Normandes (ex-Atlético e Cruzeiro).

O primeiro jogo:

A estréia do clube aconteceu justamente em um jogo contra o Uberaba. Para essa partida o Independente trouxe dois dos maiores jogadores brasileiros de todos os tempos, Feitiço e Waldemar de Brito (aquele que descobriu Pelé para o futebol), além dos irmãos francanos Luiz e Zeca Lopes (titular da seleção brasileira de 38).

A chegada desses reforços na estação da Companhia Mojiana de Estradas de Ferro foi bastante badalada, marcada por um desfile de carros, banda de música, fogos e rojões. Em campo, no dia do jogo, o Independente, comandado por um jovem que viria a dirigir o time por várias décadas, João Rosa, o “Cabeção”, venceu o duelo por 2x1.

O time dos estudantes:

A fama de “time de estudantes” é justificada pelo sem número de atletas que, vindo estudar em Uberaba, encontraram no Independente a “sua casa”.

Normandes, por exemplo, que marcou época no Galo Mineiro, hoje um respeitado odontólogo, creditou ao ambiente do Independente a escolha de sua profissão. “Uberaba sempre foi uma cidade universitária e fui jogar no Independente, time em que 90% dos jogadores estudavam em alguma faculdade. Fui incentivado pelos companheiros a estudar e escolhi fazer odontologia”, confessou o clássico zagueiro, que fez parte da equipe que conquistou o principal título do clube, o Campeonato Mineiro da Segunda Divisão, em 1967.

A participação nos campeonatos mineiros de 1968 e 1969:

Em 1968, na sua primeira participação na principal divisão mineira, o Independente sofreu uma goleada histórica para o Cruzeiro, no Mineirão. Em uma partida fantástica de Tostão, que fez 4 gols, o time de Belo Horizonte venceu por nada menos que 10x0. Por muito tempo essa foi a maior goleada da história do Mineirão, só superada 12 anos depois quando o mesmo Cruzeiro venceu o Flamengo de Varginha por 11x0. Naquele campeonato o Independente venceu apenas três jogos e terminou em último lugar. No ano seguinte um honroso 9° lugar, entre 16 participantes foi o canto do cisne do "Tremendão" na principal divisão mineira. Em 1970. mesmo convidado a participar do campeonato não conseguiu superar a grave crise financeira e iniciou seu declínio.


Antônio Dal Secchi:


Dal Secchi foi, sem dúvida, o mais famoso presidente do clube. Contam os torcedores que ele, certa vez, perguntado do que mais gostava na vida, saiu-se com essa:


- Do Independente e da minha
família.

- E Deus? - Perguntou o
interlocutor.

- Se Ele torcer pro Independente, gosto
Dele também…

No final de 2005, o estádio que leva o nome do saudoso presidente recebeu sistema de iluminação, em programa do governo do estado (Campos de Luz). (Postado por Ruy Trida/http://futeboluberaba.blogspot.com/2008/04/independente-atltico-clube.html)





segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

Fidélis Reis pregava contra o que chamava de "perigo amarelo"

Em 1920, Fidélis Reis pregava contra o que chamava de "perigo amarelo". Para ele, a vinda de trabalhadores japoneses ao Brasil era uma "calamidade", uma "excrescência", um "grande mal". Fidelis Reis argumentava ainda que, se os japoneses se "cruzassem" com os brasileiros, teríamos um "mal irremediável": o "mestiço". "O mal que o japonês nos pode causar é maior do que o benefício.", declarou nesta entrevista.

A opinião de Fidélis Reis fundamentava um projeto xenofóbico de "branqueamento" da população brasileira, pois, para ele, as colônias italianas e alemãs, além de não oferecerem qualquer perigo, eram benéficas. Por tudo isso, Fidelis Reis foi o autor de um projeto que buscava proibir a imigração africana e limitar a imigração dos orientais. Graças ao caráter explicitamente preconceituoso e xenofóbico de seu projeto, a proposição foi rejeitada na Câmara.

Recorte Lavoura e Comércio

Para quem quiser conferir, a entrevista está disponível na edição de 21 de outubro de 1920, disponível no arquivo digital do Lavoura e Comércio. http://app.codiub.com.br/drive_root/lavouraecomercio/edicoes/edicao02335.pdf?fbclid=IwAR0Omo2Msnz3JPZEHx8bjFPpRGwPfdhE_KeoxC3BS-Srz7jxZ6-RTmyRlE8

E aqui o pronunciamento de Fidelis Reis na Câmara Federal em 1923. Como podem perceber, esta foi uma questão recorrente de sua atuação política. http://imagem.camara.gov.br/Imagem/d/pdf/DCD25OUT1923.pdf?fbclid=IwAR3nrc5QCM1J1uiuy6MFRC7mLZE4IeoRt_F4E4xDu9xkwcPa5zD6-jpTLRQ#page=

André Azevedo da Fonseca

Alma lavada!!!!

Encerramento da lotérica, às 17:00, só mulheres no atendimento, a funcionária fecha a porta e dez minutos depois, estando a porta só encostada, um mal-educado acompanhado de sua mulher, abre a porta e entra.

A funcionária comunica que ele não vai ser atendido pois entrou depois do encerramento e as máquinas já estavam desligadas.

Pronto! o deselegante armou um barraco daqueles. Vendo só mulheres no recinto, se encheu de coragem e passou a dirigir às meninas todo tipo de xingamentos, ameaças, impropérios e o escambau. Por mais que as meninas argumentassem que horário era pra ser cumprido, que se ficassem atendendo todos que chegassem depois do horário, não sairiam antes das 18:00 etc.., mais ele mais destilava ódio, batendo nos vidros dos caixas, que por precaução são blindados.

Mas Deus é justo: no exato momento que a gerente pegou o telefone para chamar o 190, passa, como que por encanto, uma viatura da PM!!! que, alertado pela vendedora de Triângulo da Sorte, parou para contornar a situação.

Desceram os quatro policiais que estavam na viatura e entraram para acalmar o gajo.
A expectativa era de que o homem se acalmasse e a normalidade fosse reestabelecida.
Ledo engano...

O distinto não se deu por achado e continuou vomitando impropérios, agora até contra os policiais que, perplexos, informaram que a atitude dele poderia ter sérias consequências.
Porém, de nada adiantou as argumentações do bloco dos “unidos do cassetete” que agiram segundo o manual.

Fim da história: o distinto foi devidamente algemado e preso e levado para a delegacia para se acalmar.
No outro dia a mulher do sujeito apareceu na lotérica de manhã para avisar que nós tomássemos cuidado, pois o marido dela fico no “corró” até às 6 da manhã por nossa culpa.
Por graça divina, nunca mais vimos o casal.


Marcelo Caparelli

A Uberaba do Meu Tempo

Havia no meu tempo uma Uberaba

Era calma, suave, cheia de tardes bucólicas.

A cidade da minha infância tinha um absoluto céu azul,

Chuvas fininhas, intermináveis, irritantes.

Aventura era encontrar Maria Boneca portando o brinquedo

E fugir, para descansar sob a sombra da Gameleira.

Na exposição de gado meus pais compravam mexericas

Levando-me a preferir, sempre, mexericas ao Zebu.



No meu tempo Uberaba tinha córregos a céu aberto

Guardados por muretas que nos serviam de encosto

Antes das sessões do Metrópole, do Palace

Esperando caronas do Padre Nicolau após aulas no Cristo Rei.

Brincava no Mangueirão, passeava pelos trilhos da Mogiana,

No parque infantil da Praça Rigoleto de Martino (hoje só resta a Codau!)

O autor do Hino do Uberaba Sport, o time que, na Uberaba do meu tempo

Rivalizava com o Independente, o Nacional…

No Boa Vista éramos todos sobrinhos da Tia Carola.

Fazíamos teatro com a Belinha

Sabíamos que era maio pelas congadas

E que era dezembro no presépio de d. Castorina.

Foram tempos de festas constantes

Quando bastavam as quermesses de santos e santas, soando sinos e cânticos nas sete colinas de Uberaba.

Parque Fernando Costa

A minha Uberaba tinha crônica ao meio-dia

O festival do Chapadão de Teatro e de Música

O Observatório, no Lavoura e Comércio,

Tudo criação do Ataliba Guaritá, o Netinho.

Raul Jardim fazia o “Escutando e Divulgando”

Lídia Varanda reinava na PRE-5

E Nhô Bernardino terminava o dia na hora do Ângelus.

Noite de Uberaba tinha o Parque Boa Vista (Eu era o filho do rei!)

O circo do Cheiroso, batuques no terreiro de Mãe Marlene

Cartas pelas mãos abençoadas de Chico Xavier

Mamãe rezando terço, aguardando-me dormir na noite sempre calma da cidade.

Recordo o café oferecido pelas freiras do Carmelo

As aulas na Escola Estadual Fidélis Reis

As tardes de jogos no pátio da Igreja Nossa Senhora das Graças…

Tantas coisas como essas que continuam na Uberaba de hoje.

Que vejo longe, sei de ler, de ouvir contar

A cidade de agora é de quem por lá está.

Há uma Uberaba que é minha, feita de sonhos acalentados

De planos vitoriosos, de projetos engavetados.

Guardada por todo o sempre e sempre teimando em sair à tona

Aquela cidade ganha meus dias, ocupa minhas noites de insônia.

A cidade de agora é porque um dia foi outra

Essa outra que chamo “minha”

Impregnada em ruas e morros, acalentando ternamente o coração transforma-se sempre

Vive o hoje, comemora o agora

Segue rumo ao tempo em que alguém, lá longe, lembrará:

A Uberaba do meu tempo… 


Valdo Resende


Francisco José dos Santos Neto, "Chico Xadrez"

Meu amado irmão Jornalista Pós-Graduado em Marketing e Relações Públicas Dr. Francisco José dos Santos Neto, o notável Enxadrista Xico Xadrez, reconhecido internacionalmente, detentor de grande pontuação no 'ranking' da F.I.D.E. (Federação Internacional de Desportos Especializados/Xadrez), Campeão Absoluto do primeiro Torneio Simultâneo de Xadrez Brasil-Portugal (realizado na Capital de Portugal Insular, nos Açores, vencendo 23 partidas simultâneas e empatando duas) e, dentre outras meritórias iniciativas, pioneiro Campeão da primeira Copa Internacional Centenário de Xadrez de Belo Horizonte. 

Francisco José dos Santos Neto - Foto acervo de família.

Inclusive, idealizou em Uberaba o Projeto "Xadrez na Praça", pioneiramente implementado na Praça "Carlos Gomes" (capacitando mais de dez mil participantes, menores de 18 anos) e que depois foi copiado pelo Governo estadual. 

Inaugurou, no Restaurante "Sorvetão" (na Avenida "Fidélis Reis", praticamente defronte à Rua "Vigário Silva"), Projeto de aulas de Xadrez, às quais ele lá as ministrava, gratuitamente, também disputando partidas com interessados e realizando torneios enxadrísticos. 

Além disso, reestruturou o Clube de Xadrez de Uberaba, obtendo sala para sediá-lo no Uberabão e sendo Presidente da primeira Diretoria após a reestruturação. 

O espaço aqui não é suficiente para tantas realizações desse notável Uberabense, que merece um Panteão para ser lembrado. 

Mas, fica minha gratidão e de minha Família, à tão oportuna lembrança, conforme há pouco dito por minha amada mãe, a Professora Norma Abadia de Oliveira Santos, quando mostrei à ela e à minha irmã Dra. Teresa Beatriz O. Santos a significativa postagem efetivada neste Grupo que tantas recordações nos traz. 

Em nome também de meus outros irmãos - o Pos-Doctor Ricardo Oliveira Santos e o Doctor Antônio de Pádua Oliveira Santos - envio nosso abraço a todos, na expectativa de que estejam bem, com Saúde em plenitude. 

DEUS abençoe, fortaleça e proteja! 



Engenheiro Civil Odair Santos Junior 

Mineiro Brasileiro Engenheiro que ama o Brasil, luta por nossa Pátria Livre e almeja um Mundo melhor para todos



domingo, 3 de janeiro de 2021

HISTÓRIA DE UBERABA

Uberaba está inserida em uma região que já pertenceu à Capitania do Espírito Santo, São Paulo, Goiás e finalmente Minas Gerais.

De 1660 a 1670 a Região do Triângulo Mineiro, onde está localizada a cidade de Uberaba, era conhecida como Sertão do Novo Sul, Sertão Grande, Sertão Sul e Geral Grande. Posteriormente, passou a ser conhecida como “Sertão da Farinha Podre”, termo nascido em 1807, quando uma bandeira saiu do Desemboque e invadiu os sertões do Pontal do Triângulo Mineiro até as margens do Rio Grande. Para justificar a denominação “Sertão da Farinha Podre” os viajantes deixavam sacos de farinha no caminho para se alimentarem na volta. Ao retornarem ao local encontravam a farinha apodrecida. Outra explicação mais plausível para a denominação é que seria originária de uma região portuguesa de onde vieram alguns portugueses exploradores.

Finalmente, em 1884 a região ficou conhecida como Triângulo Mineiro, denominação idealizada pelo Dr. Raymond Henrique Des Genettes, médico francês, jornalista e político, radicado em Uberaba, por saber que a região situava-se entre os rios Grande e Paranaíba, terminava na junção desses dois rios, formando o Rio Paraná, e apresentava a forma aproximada de um triângulo.

Os primeiros habitantes da região foram os índios tupis, depois os tremembés, os caiapós e os araxás, de tradições seminômades, cujas tribos se movimentavam de um local para outro. Eles viviam em grupos de poucas famílias, com simplicidade e sobreviviam do que a natureza oferecesse.

Portugal passou a ter interesse pela Região a partir dos fins do século XVI, tendo como objetivo encontrar os minerais preciosos, amansar os índios e, se fosse preciso, até exterminá-los para que as metas da Coroa Portuguesa fossem cumpridas.

A primeira investida do colonizador português, ou seja, do homem branco, sobre a Região do Triângulo Mineiro, começou em fins do Século XVI, precisamente a partir do ano de 1590, data da primeira “bandeira” (expedição), chefiada pelo capitão Sebastião Marinho, que partiu de São Paulo e atingiu o Rio Tocantins, em Goiás.

Por volta de 1600 surgiu a Aldeia de Santana do Rio das Velhas (hoje Araguari), considerado o primeiro núcleo de povoamento branco na área que seria o futuro Estado de Minas Gerais, fundado pelos padres jesuítas com o objetivo de aculturar os índios, ou seja, catequizá-los.

Posteriormente, inúmeras “bandeiras” paulistas foram organizadas ao longo dos séculos XVII e XVIII, com a mesma finalidade. As mais significativas para a Região do Triângulo Mineiro são descritas abaixo:
-Em 1615 partiu de São Paulo uma “bandeira” liderada por Antônio Pedroso de Alvarenga que atravessou a Região do Triângulo Mineiro com destino a Goiás.

-Outra “bandeira” partiu de São Paulo em 1682 e também atravessou o Triângulo Mineiro até alcançar Goiás, sendo liderada por Bartolomeu Bueno da Silva (o velho Anhanguera) que levou seu filho Bartolomeu Bueno da Silva Filho de apenas 12 anos.

-Em 1722 partiu outra “bandeira” de São Paulo rumo a Goiás, visando para a abertura de uma estrada para a exploração de minas de ouro, prata e pedras preciosas. Essa missão ficou a cargo de Bartolomeu Bueno da Silva Filho (filho de Anhanguera). Ao passarem pela região se depararam com os índios caiapós. Essa expedição era composta por 152 homens, entre os quais 20 índios carregadores, 3 religiosos, 20 índios, 1 mascate francês e 39 cavalos. Ela partiu de São Paulo seguindo os rios Atibaia, Camanducaia, Moji-Guaçu, Grande (Porto da Espinha), passando em Uberaba, a sessenta metros dos fundos do atual cemitério São João Batista. Depois a expedição continuou a viagem em direção ao Rio das Velhas e penetrou em Goiás pelo Rio Corumbá. Segundo alguns relatos da época, a expedição passou por terras de Uberaba. Esta rota ficou conhecida como Estrada Real ou Anhanguera, que consistia em um importante caminho para que as autoridades portuguesas implantassem a colonização, a produção e escoamento dos minerais preciosos. Na verdade, a maioria das riquezas minerais do Brasil-Colônia foi levada para Portugal e utilizada para o pagamento de suas dívidas em relação à Inglaterra.

-Posteriormente, a expedição do filho de Anhanguera fundou em 1725 o povoado de Vila Boa em Goiás. Dessa forma foi aberta a estrada que passava pelas terras de Uberaba. Por esse feito, Bartolomeu Bueno da Silva Filho recebeu como recompensa a nomeação de Capitão-Mor Regente das minas de Goiás e o direito de conceder “sesmarias” (concessão de terras para povoamento).

-Em 1727, Antônio de Araújo Lanhoso foi o primeiro homem branco que se fixou na região de Uberaba e um dos primeiros a receber sesmarias ao longo da estrada de Anhanguera, a 15 km de Uberaba, no córrego do Lanhoso, que corre paralelo à rodovia para Uberlândia. 

-Outra estrada denominada Picada de Goiás foi aberta em 1736, saindo de Minas Gerais e passando do lado oriental da Serra da Canastra, atingindo terras de Araxá em direção à Vila Boa. A estrada foi terminada em 1738, ligando as minas goianas a São João Del Rei e Vila Rica. Ao longo dessas estradas foram concedidas também sesmarias, ou seja, terras que aos poucos foram sendo ocupadas pelo colonizador branco.

 Uberaba tem, então, a sua origem na ocupação do Triângulo Mineiro, que ficou sob a jurisdição de Goiás até 1816, quando a região passou a pertencer à província de Minas Gerais, de acordo com o Alvará de D. João VI, de 04/04/1816.

  A exploração e o povoamento de todo o Triângulo Mineiro, de modo geral, ocorreu, como em todo o “Brasil-Colônia”, pelo amansamento e extermínio das populações indígenas e dos negros nos quilombos. As estradas para a Região do Triângulo Mineiro e Goiás tornaram-se palco de batalhas entre os exploradores dos sertões e os índios. A invasão de terras indígenas provocou muitas vezes sangrentas guerras contra os caiapós, no antigo Sertão da Farinha Podre (Triângulo Mineiro). Vários quilombos também foram ameaçados pelos exploradores brancos.

Diante dessa insegurança, o governo de Goiás viabilizou o policiamento das estradas e nomeou, em 1742, o coronel Antônio Pires de Campos Filho para policiar, amansar e até mesmo exterminar os índios caiapós da região do Triângulo Mineiro. Fato constatado com a matança dos caiapós, sendo em sua maioria derrotados, submetidos e alojados também com tribos bororo, do Mato Grosso, em 18 aldeias ao longo da estrada. Uma dessas aldeias de índios mansos (Aldeia de Uberaba Falso) ficava onde se fundou Uberaba, próxima à Barra do Córrego da Lage. O coronel instalou apenas quatro dessas 18 aldeias ao longo da Estrada de Anhanguera para proteger as caravanas que nela trafegavam. Mais tarde, em 1751, o coronel Pires de Campos faleceu em Paracatu, vítima de uma flechada, ocasionando septicemia.

Em 1766 foi criado o Julgado de Nossa Senhora do Desterro das Cabeceiras do Rio das Velhas (Desemboque), sob a administração de Goiás, abrangendo a região do Triângulo e quase todo o sul de Goiás. Era um local rico em minas auríferas e de intensa exploração. A posse desse arraial pelo governo de Goiás era vantajosa aos moradores de Minas Gerais, pois estavam livres do pagamento de imposto sobre minerais, denominado "derrama", cobrado em Minas Gerais. Desemboque teve o seu esplendor até 1781, quando as minas auríferas se esgotaram. Algum tempo depois grande número de pessoas migrou para outras terras, ou seja, para o Arraial de Uberaba, fundado por Major Eustáquio. Portanto, a história do Desemboque é de fundamental importância para compreender o povoamento de Uberaba.
-Em 1807 um grupo de homens (Januário Luís da Silva, Pedro Gonçalves da Silva, José Gonçalves Heleno, Manuel Francisco, Manuel Bernardes Ferreira e outros) oriundos de Desemboque adentrou e ficou no Córrego da Lage. Segundo o historiador Borges Sampaio, o cirurgião prático Pedro Gonçalves da Silva, cujo apelido era Pedro Panga, aproveitando-se da vizinhança de índios mansos, se fixou e construiu, em 1809, uma casa, próxima de onde se encontra atualmente o Hospital Dr. Hélio Angotti.
Prosseguindo a exploração das terras, o governo de Goiás para dinamizar a administração dos Sertões, nomeou em 1809, Antônio Eustáquio da Silva Oliveira (major Eustáquio), para a função de comandante “Regente do Sertão da Farinha Podre” (Triângulo Mineiro) e, em 1811 foi nomeado por Ato Governamental, “curador de índios”. Ele era natural de Ouro Preto e residente em Desemboque.

-Em 1810, major Eustáquio organizou no Desemboque uma “bandeira”, passando por terras de Uberaba e seguindo até o Rio da Prata, formado pelos rios Piracanjuba e do Peixe.

-Outra expedição chefiada por José Francisco Azevedo, atingiu a cabeceira do Ribeirão Lajeado, fundando o arraial da Capelinha em 1812, aproximadamente a 15 km do Rio Uberaba, próximo ao povoado de Santa Rosa. O povoado chegou a ter vinte casas e foi erguida uma capelinha com as imagens de Santo Antônio e São Sebastião. O Arraial era conhecido como Lageado ou Capelinha. Entretanto, não se desenvolveu por falta de água e terras férteis, conforme constatou major Eustáquio em visita ao local.

-Para prosseguir a colonização, o “Regente dos Sertões” major Antonio Eustáquio da Silva Oliveira (conhecido como major Eustáquio e fundador de Uberaba), comandou outra expedição em fins de 1812, composta por 30 homens, com o objetivo de procurar novas terras para se estabelecerem. A expedição chegou ao Rio Uberaba e fixou-se na margem esquerda do Córrego das Lages com o Rio Uberaba, onde foi edificada a Chácara da Boa Vista (hoje Fazenda Experimental da Epamig na Univerdecidade). Major Eustáquio constatou que Uberaba tinha três condições para o povoamento: recursos hídricos, terras férteis e posição estratégica favorável. Junto com o major Eustáquio (considerado o fundador de Uberaba) vieram fazendeiros e aventureiros que passaram a produzir e comercializar com as caravanas que ligavam Goiás a São Paulo. Em 1816 o major Eustáquio construiu um retiro para o gado, uma tenda de ferreiro e a sua residência na Praça Rui Barbosa. A sua função consistia em dar proteção para os colonos e índios mansos, além de expulsar para longe do arraial os índios bravos e quilombolas. Consequentemente, grande número de pessoas e famílias do arraial da Capelinha e do Desemboque, sabendo das condições propícias do arraial de Uberaba, e do prestígio e segurança que o comandante major Eustáquio oferecia, migraram para o novo arraial. Era uma população muito heterogênea: mineiros que se estabeleceram como fazendeiros, boiadeiros, mascates, comerciantes, criadores de gado, ferreiros e até criminosos foragidos. Os moradores construíram suas casas térreas de pau-a-pique ao redor do retiro de major Eustáquio, formando a “Rua Grande” (atualmente Rua Manoel Borges e Vigário Silva). Edificaram suas casas e estabelecimentos comerciais acompanhando as ondulações dos terrenos e serpenteando os pequenos regatos. Os moradores do Arraial da Capelinha trouxeram para Uberaba os seus santos protetores e com autorização do major Eustáquio construíram uma Capela (atual Praça Frei Eugênio, hoje Escola Estadual Minas Gerais), tendo como oragos Santo Antônio e São Sebastião. Posteriormente a capela foi transformada em Matriz, com a criação da Paróquia, benzida em 1818 pelo vigário do Desemboque Hermógenes Cassimiro de Araújo Brunswick. Assim foi estabelecido o reconhecimento do povoado pela Igreja, instituição que tinha prestígios decisórios junto aos governos. A Igreja Católica estava unida ao Estado e a bênção de uma capela oficializava, na administração, o nome do Arraial, que passou a chamar-se “Arraial de Santo Antônio e São Sebastião da Farinha Podre”, designação ostentada até 1820.

Segundo o historiador Borges Sampaio, “o Arraial se desenvolveu e tinha 30 casas e já contava com 1.621 habitantes, dos quais 417 eram escravos”, o que demonstra a riqueza dos proprietários de terras e a grande exploração da mão-de-obra escrava. A atividade econômica predominante era a agricultura de subsistência, necessária para alimentar a sua população, além das tropas que passavam pelo arraial. Em 1819 havia criadores com 500 e até 1.000 cabeças de gado, fato que demonstra grande atividade pecuarista. As casas eram construídas com material simples e sem jardim, erguendo-se no alinhamento das ruas e serpenteando a naturalidade dos córregos.

O colonizador branco foi ocupando as terras à medida que os índios eram aculturados ou expulsos de suas terras formando-se extensas propriedades, devido o baixo valor da terra e a isenção de impostos sobre elas. 

O arraial foi crescendo e isso permitiu que em 2 de março de 1820, o rei D. João VI decretasse a elevação do Arraial de Santo Antônio e São Sebastião à condição de Freguesia (Paróquia). (documento oficial mais antigo de Uberaba)

Freguesia era o termo eclesiástico que designava o território de atuação de um vigário. Com isso ocorreu um desligamento dos laços religiosos que subordinavam o Arraial de Santo Antônio e São Sebastião (Uberaba) à Vila do Desemboque. O decreto constituiu um grande avanço para a comunidade. Significou a emancipação e gerência própria em assuntos de ordem civil, militar e religiosa. Foi o reconhecimento oficial tanto pela Igreja, quanto pelo Governo Real. Dada a importância histórica de 02/03/1820, quando a cidade foi elevada à Freguesia, (Decreto: documento oficial mais antigo do Município), instituiu-se oficialmente tal data para que se comemorasse o aniversário de Uberaba a partir de 1995.

A Catedral (Igreja do Sagrado Coração de Jesus) também comemora 199 anos em 2019, pois em 1820 foi criada por decreto, a Freguesia (termo eclesiástico), que deu autonomia em relação a Desemboque em assuntos eclesiásticos na Freguesia. 

O fundador e comandante de Uberaba major Eustáquio e os fazendeiros mais importantes passaram a exigir a criação da Câmara Municipal. Entretanto, o fundador de Uberaba faleceu em 1832 e assumiu a liderança da Freguesia o seu irmão capitão Domingos da Silva Oliveira. Nessa época o Governo Regencial (1831 a 1840) implantou no Brasil uma política descentralizadora, viabilizando a elevação de Vila em muitos locais do País. A Freguesia de Uberaba em pouco tempo mostrava grande desenvolvimento e já contava com um número considerável de habitantes: agricultores, pecuaristas, comerciantes e de outras profissões, reunindo as condições para ser elevada à condição de Vila. Devido a esses fatos o Governo Provincial de Minas Gerais elevou Uberaba (Freguesia) à condição de Município (Vila) de Santo Antônio de Uberaba em 02 de fevereiro de 1836, tornando-se autônomo, com território demarcado e com a Câmara Municipal. Esta foi instalada em 1837, em um prédio na Praça Rui Barbosa, que também abrigou a cadeia, uma tradição dos tempos coloniais. Os primeiros vereadores eleitos eram comerciantes prósperos, fazendeiros e representantes do clero. A Vila cresceu e assumiu importância pela posição geográfica e pela grande atividade econômica.

Uberaba, em 1840 passou a sediar uma Comarca pela Lei provincial mineira nº 171, com a finalidade de implantar a justiça na região, tendo como primeiro juiz de Direito Joaquim Caetano da Silva Guimarães.

O crescimento econômico e populacional da Vila de Santo Antônio de Uberaba viabilizou em 1846 a conquista de um Colégio Eleitoral, vindo a ser sede de grande colégio, que era responsável pela nomeação de um Deputado Geral e de um suplente para a Assembléia Legislativa. Tornou-se um importante centro comercial, com uma população de aproximadamente duas mil pessoas e 337 habitações.

Em 1850 teve início a industrialização, com a implantação da fábrica de chapéus por Luís Soares Pinheiro.

A primeira escola pública feminina de Uberaba foi criada em 1953 e o engenheiro Fernando Vaz de Melo funda em 1854 o 1º estabelecimento de ensino Secundário de Uberaba.
A Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus, situada na Praça Rui Barbosa, iniciou a celebração dos atos paroquiais em 1856, muito antes do término de sua construção iniciada em 1827.
Devido ao seu grande crescimento de Uberaba que era uma vila, mereceu o título de Cidade em 02 de maio de 1856, pela Lei Provincial Mineira nº 759.

A Igreja Santa Rita, construída em 1856, é a primeira edificação de Uberaba tombada em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan pelo seu grande valor histórico, arquitetônico e cultural.

Na década de 1860 a cidade tentou produzir algodão para a exportação, atendendo os interesses das indústrias de tecelagem. 

Teatro São Luiz, localizado na Praça Rui Barbosa entrou em funcionamento em 1864 promovendo eventos e espetáculos.

Em 1865 passou a funcionar o primeiro Centro Espírita de Uberaba, por iniciativa do professor João Augusto Chaves.

Sabe-se que a história e o desenvolvimento de Uberaba na década de 1870 estão diretamente ligados à guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1865 a 1870, com o consequente bloqueio do Rio da Prata que desviou todo o trânsito destinado à Província de Mato Grosso para Uberaba, esta passou a ter sua atividade comercial intensamente ampliada e serviu como ponto de passagem das tropas rumo ao Mato Grosso. Aconteceu em Uberaba o encontro de tropas que compuseram o Corpo Expedicionário, tendo como um dos membros o visconde de Taunay. Houve a construção do Cruzeiro do Cachimbo, próximo do 4º Batalhão, considerado um marco histórico pela celebração da missa em intenção ao Corpo Expedicionário que seguiu para a guerra do Paraguai. Hoje, o Cruzeiro do Cachimbo é um bem tombado pelo Conphau e instalado na Praça Magalhães Pinto.

O jornal Gazeta de Uberaba foi fundado em 27/04/1879 por João Caetano de Oliveira e Sousa e Tobias Antônio Rosa.

Entre 1881 e 1882 foi construída a igreja em homenagem a Nossa Senhora da Abadia, padroeira de Uberaba. A primeira festa ocorreu em 15 de agosto de 1882 e as obras foram concluídas em 1899.
Em 1882 foi inaugurada a iluminação pública por meio de vinte e cinco lampiões a querosene.
A Fábrica de Tecidos do Cassu foi fundada em 1882 pelos irmãos Zacarias. Mais tarde, a fábrica, foi denominada Cia. Têxtil do Triângulo Mineiro e funcionou até 1993.

O Colégio Nossa Senhora das Dores foi fundado em 1885, pelas irmãs dominicanas, e está em pleno funcionamento até hoje.

O progresso de Uberaba se acentuou com a inauguração da Estrada de Ferro em 1889, um acontecimento que viabilizou:

- A partir de 1890, desenvolvimento da pecuária zebuína a pecuária que buscou melhoria da qualidade bovina, nascendo a zebuinocultura, que projetou o criatório uberabense e transformou Uberaba em centro difusor de tecnologia e pesquisa genética das raças de origem indiana;

- O desenvolvimento comercial e intercâmbio com os grandes centros de Minas Gerais e São Paulo;
- A aceleração da urbanização. Crescimento de edificações urbanas e comerciais;

- A vinda do imigrante europeu para a Uberaba. Os primeiros imigrantes foram os italianos que criaram inclusive um consulado na cidade. Depois vieram os portugueses, espanhóis, árabes, alemães, chineses, japoneses. Consequentemente, acentuou-se o desenvolvimento cultural e econômico de Uberaba que passou a refletir na estrutura urbana, onde surgiram requintadas construções no estilo eclético. Muitas dessas edificações foram projetadas e construídas pelos imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram de seus países de origem a técnica e a experiência. Muitos fazendeiros uberabenses transferiram suas residências do campo para a cidade e passaram a morar nos palacetes em estilo eclético. Estas requintadas residências constituíam locais de encontros políticos, sociais e festivos, eventos que permitiram muitas decisões que definiram a história do município.

A população do município crescia, assim como os atos ilegais e devido a isso era preciso um aparato policial para resguardar os cidadãos uberabenses. Em 06 de maio de 1890 o governador de Minas Gerais, João Pinheiro da Silva, institui um decreto s/nº, que em seu artigo 8º organizou “quatro corpos militares” e estabeleceu os locais de estacionamento, com o objetivo de dar maior segurança para as regiões de Minas Gerais.

- Primeiro Corpo - Capital (Ouro Preto);
- Segundo Corpo - Uberaba (Triângulo Mineiro);
- Terceiro Corpo - Juiz de Fora;
- Quarto Corpo –Diamantina.


Uberaba foi contemplada com o Segundo Corpo Militar, respondendo por todo o Triângulo Mineiro. Entretanto, teve uma efêmera permanência na cidade, pois o Decreto nº 1.631 de 26/08/1903, assinado pelo Dr. Francisco Sales, o transferiu para a capital do Estado de Minas Gerais, a população de Uberaba desassistida de proteção militar. Apenas permaneceu em Uberaba um pequeno efetivo da corporação. Foi somente em 25 de novembro de 1909 que a Força Militar se estabeleceu definitivamente na cidade, quando foi criado o 4º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, sediado em Uberaba. Inicialmente, a força policial se estabeleceu em um prédio na Rua Arthur Machado até o ano de 1932. Depois o 4º Batalhão foi instalado na Praça Frei Eugênio (Prédio do Senai) até 1947, quando foi instalado definitivamente em prédio próprio na Praça Magalhães Pinto e permanece, até a presente data.

O Instituto Zootécnico de Uberaba, proposto por Alexandre Barbosa, foi inaugurado no dia 5 de agosto de 1895, com a finalidade de formar profissionais cientificamente preparados para orientar a produção pecuária. O Instituto foi instalado em uma fazenda desapropriada pelo governo do estado de Minas Gerais para abrigar essa nova instituição de ensino.

Em 1899 foi fundado o Clube Lavoura e Comércio com o objetivo de defender a lavoura e a pecuária, combatendo os altos impostos e as interferências do novo governo republicano na atividade rural. Foi lançado o jornal Lavoura e Comércio que, em seu primeiro número, ocupou toda sua primeira página, expondo os ideais dos ruralistas.

O Colégio Marista iniciou o ensino para 86 alunos internos e externos, em 1903, por iniciativa dos irmãos maristas que vieram da França.

Em 1904 inaugurou-se a Igreja São Domingos, um marco para os dominicanos, pelo fato de ser a primeira igreja da ordem dominicana construída no Brasil.

Em 1905 foi implantada a energia elétrica pela empresa Ferreira, Caldeira & Cia, fato que impulsionou o desenvolvimento da cidade.

Em 1906, tiveram início as exposições de gado bovino, que foram muito prestigiadas, notadamente pelo Presidente da República Getúlio Dorneles Vargas, nas décadas de 1930 a 1950.

A Diocese de Uberaba foi criada em 1907, tendo como primeiro bispo D. Eduardo Duarte Silva e foi elevada à categoria de Arquidiocese em 1962.

O Agente Executivo Felipe Aché criou em 1909 a primeira Biblioteca Pública Municipal de Uberaba, denominada “Bernardo Guimarães”, estabelecendo-a em um porão da Câmara Municipal de Uberaba, um fato que denotou na época a pequena importância dada à educação e à cultura do município.
Em 1909 foi inaugurado pelo estado de Minas Gerais o primeiro grupo escolar de Uberaba, denominado Grupo Escolar Brasil, localizado até hoje na Praça Comendador Quintino.

Pela iniciativa de José Maria dos Reis, o governo do Estado de Minas Gerais criou, em 1917, a primeira instituição de ensino agrícola de Uberaba, denominada Aprendizado Agrícola Borges Sampaio.

Em 1926 criou-se a primeira instituição de ensino superior na área da saúde bucal e da farmacologia, conhecida como Escola de Farmácia e Odontologia, que recebia alunos das mais diversas regiões do Brasil e até do exterior.

Os primeiros protestantes de Uberaba foram os metodistas, cujos missionários iniciaram seus trabalhos em 23/08/1896 nas casas de fiéis e amigos. O templo foi inaugurado em 1924, na Rua Moreira César, no bairro Fabrício.

Mário Palmério fundou em 1947 a Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, oportunizando mais tarde o ensino em outras áreas do conhecimento, na década de 1950, com as Faculdades Integradas de Uberaba (Fiube) e, desde 1988 Universidade de Uberaba (Uniube).

Em 1949 as irmãs dominicanas fundaram a Faculdade de Filosofia e Letras São Tomás de Aquino.
As irmãs concepcionistas chegaram a Uberaba em 1949 e em 1961 inauguraram a Igreja da Medalha Milagrosa.

A Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro se estabeleceu em 1954 e foi transformada em Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005, oferecendo cursos em diversas áreas do conhecimento.

Nas décadas de 1970 e 1980 foram instalados os primeiros distritos industriais da cidade, apoiados com investimentos do Governo Federal.

Na década de 1990 nasceu a Univerdecidade-Parque Tecnológico de Uberaba para viabilizar a pesquisa e o ensino técnico-profissionalizante, relacionados à ciência da informação e à agroindústria, notadamente para a genética vegetal e animal.

O Centro de Pesquisas Paleontólogicas Llewellyn Ivor Price e Museu dos Dinossauros foram criados em 1992. O museu é um dos mais importantes do Brasil, possuindo fósseis de 65 a 72 milhões de anos de idade. Localizado em Peirópolis, o museu é conhecido pela população regional e por visitantes de outros estados e países.

Uberaba conta com marcos reconhecidos no Brasil e no mundo: a expressão espiritual de Chico Xavier, o desenvolvimento da pecuária zebuína e a paleontologia.

Nos primórdios da sua história fora um Arraial, e hoje, no terceiro milênio (Século XXI) representa um centro comercial dinâmico; uma agricultura produtiva; uma pecuária seletiva, com importação de reprodutores e matrizes da Índia; um parque industrial diversificado, uma estrutura de ensino desenvolvida; uma planejada estrutura urbana, com características culturais sui generis, que têm atendido as demandas nos aspectos econômicos, culturais e de serviços essenciais à população.


Marta Zednik de Casanova
Superintendente do Arquivo Público de Uberaba

Fundadores de escolas

No século XIX, ainda na monarquia, uma das maiores dificuldades para a população do do Brasil era conseguir estudar. Fora das grandes cidades, contavam-se nos dedos os estabelecimentos de ensino disponíveis, na grande maioria iniciativas particulares ou religiosas. Tanto o governo imperial como os das províncias dedicavam pouquíssima atenção à oferta de educação pública. O resultado desse descaso apareceu de forma dramática no primeiro recenseamento nacional, realizado pelo Império em 1870: 77% dos homens livres e 87% das mulheres livres não sabiam ler e escrever. Entre a população escrava esse número superava os 99%. No conjunto da população do país, 4 em cada 5 brasileiros eram completamente analfabetos.

O problema era ainda mais grave quando se pensa na oferta de escolas de nível médio ou superior. Num país que era essencialmente rural, qualquer jovem que desejasse estudar além do nível básico tinha como única opção mudar-se para uma capital ou matricular-se em um colégio interno. Cursos superiores eram ainda mais raros. Os filhos da aristocracia frequentemente buscavam instrução em Portugal ou algum outro país da Europa.

Por isso, era sempre saudada com entusiasmo a fundação de escolas nas cidades do interior. Não foi diferente quando, em 1º de outubro de 1854, o engenheiro Fernando Vaz de Mello anunciou a abertura do primeiro “Collegio Uberabense” (outro, com o mesmo nome, seria aberto em 1903). A escola foi montada em um pequeno prédio nas imediações da atual Praça Dom Eduardo, onde, décadas depois, instalou-se o Colégio Marista. Oferecia “Instrução Primária de 2º Grau” e “Ensino Colegial” – o que seria algo equivalente aos atuais Ensino Fundamental II e Ensino Médio. Entre as disciplinas, Gramática, Latinidade, Francês, Geografia, Aritmética, Álgebra e Geometria. Havia ainda aulas de Catecismo Romano.

Em agosto do ano seguinte, o Colégio contava com mais de 100 alunos, dos quais 25 colegiais e 77 do ensino primário apresentaram-se para os exames de avaliação – realizados entre os dias 13 e 18. Um grupo de examinadores convidados reuniu-se no salão da Câmara Municipal para avaliar os estudantes. Compunham a banca, entre outros, o Cônego Hermógenes, o jornalista e historiador Borges Sampaio, o juiz de direito Manoel Pinto de Vasconcelos e o presidente da câmara Francisco Barcellos. Embora tenha havido algumas reprovações – na sua maioria de alunos matriculados há pouco tempo – relatos da época dizem que o resultado geral superou as expectativas.

Infelizmente, como era comum em Uberaba nessa época, a alegria durou pouco. Em 1856, Fernando Vaz de Mello envolveu-se na luta política local. Publicou um artigo no qual criticava a inoperância da Justiça e o número de assassinos e criminosos que circulavam impunemente pela província, muitos sob a proteção dos proprietários de terras e coronéis da região. O texto melindrou parte das famílias abastadas, que se sentiram ofendidas e passaram a dirigir ataques anônimos ao colégio e a seu diretor. Matrículas foram canceladas e, no ano seguinte, a escola fechou as portas, frustrando a população.

Fernando era um homem de posses e, por algum tempo, tentou permanecer na cidade. Entre 1857 e 1858, desenvolveu por conta própria um extenso levantamento dos rios Pardo e Mogi Guaçu, com o objetivo de implantar uma linha de navegação que oferecesse ao Triângulo Mineiro uma alternativa de transporte com os portos do Rio de Janeiro e Santos – na época feito em lombo de burro e carros de boi. O memorial foi publicado pela província de São Paulo em 1859, mas as sugestões de obras e melhorias nunca foram implantadas por falta de interesse e de verbas.

Não descobri a data exata em que Fernando Mello deixou o Triângulo. Aparentemente, mudou-se para a então capital mineira Ouro Preto, onde um de seus filhos, Cornélio Vaz de Mello (nascido em Uberaba em 10/01/1855) completou os estudos. Cornélio foi para o Rio de Janeiro, onde formou-se em Medicina em 1884. De volta a Minas Gerais, tornou-se professor de Anatomia e História Natural na Escola de Farmácia de Ouro Preto. Entrou para a política, filiando-se ao Partido Liberal e mudou-se para a nova capital, Belo Horizonte. Seguindo os passos do pai, fez parte do grupo de médicos que, em março de 1911, fundou a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte, ocupando a primeira vice-diretoria. Durante o governo de Delfim Moreira (1914-1918), o uberabense Cornélio exerceu o cargo de prefeito da capital mineira.

André Borges Lopes

A HISTÓRIA DE UBERABA DE HILDEBRANDO PONTES

INTRODUÇÃO

Desde pelo menos o início do século XX, Hildebrando Pontes (1879-1940) efetuou pesquisas sobre a História de Uberaba, acumulando, com o passar dos anos, informações, conhecimentos e documentos.

No Governo Municipal do engenheiro Guilherme Ferreira (outubro de 1930 a fevereiro de 1935) Hildebrando foi contratado para elaborar livro sobre o município com todos os dados históricos e estatísticos conhecidos e disponíveis. No apagar das luzes da referida administração municipal ou logo em seguida, Hildebrando entregou seu trabalho, então intitulado “O Município de Uberaba”.

Dado o desinteresse da sociedade e, em decorrência o dos políticos e administradores que a representam, e, ainda, a descontinuidade administrativa dos executivos municipais, a obra, em seus alentados cinco volumes manuscritos e encadernados, permaneceu inédita por décadas e só sabida e frequentada por um ou outro historiador (José Mendonça e Gabriel Toti, por exemplo), somente sobrevivendo pelos cuidados pessoais e especiais que lhe dedicou o escritor e secretário da Prefeitura, Lúcio Mendonça.

Por incrível possa parecer, atestando o alto grau de desinteresse e descaso pela História do município e pela obra de Hildebrando, nem mesmo por ocasião das ruidosas comemorações do centenário da elevação da vila (município) de Uberaba ao título honorífico de cidade, em 1956, foi lembrada e resgatada do olvido a que as administrações municipais a relegaram. Mesmo tendo a Prefeitura recebido do Governo Estadual de Juscelino Kubitschek, segundo consta, 5 milhões de cruzeiros (4 milhões para educação e/ou saúde e 1 milhão para a comemoração).


DESCOBERTA E PUBLICIDADE


Estava escrito que um dia, no futuro, essa omissão e descaso chegariam ao fim. E chegaram!

Em julho de 1968 começou a ser editado o “Suplemento Cultural do Correio Católico”, em formato tabloide e periodicidade variando entre quinzenal e mensal. Com certa carência de matérias publicáveis e nenhuma atinente à História local, a editoria do Suplemento, tomando conhecimento da existência da obra de Hildebrando, considerou que ela deveria conter informações sobre a literatura e o passado cultural da cidade. Não deu outra! Lá estava incrustado, em determinado de seus cinco grandes e volumosos volumes, capítulo intitulado “O Intelectualismo em Uberaba”, que, copiado à mão e posteriormente datilografado, foi reproduzido com destaque de primeira página no nº 20, de 12 de abril de 1969, do Suplemento, antecedido de nota introdutória e ilustrado com foto do autor.

FINALMENTE, EM LIVRO


A partir daí, a editoria do Suplemento e o advogado e escritor Edson Prata, à época secretário da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, decidiram tentar publicar a obra. Edson Prata entrou em contato com a direção do então operoso Instituto Nacional do Livro, solicitando-lhe fosse incluída em sua ativa programação editorial, que exigiu fosse obra de interesse geral e não apenas local, pelo que, dada sua abrangência, com larga introdução histórica sobre a formação brasileira, Edson Prata a reintitulou, muito apropriadamente, de “História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central”.

Mesmo assim, não se logrou editá-la pelo mencionado Instituto, assoberbado por extensa lista e fila de inéditos aguardando publicação.

Em decorrência dessa impossibilidade, Edson Prata e a editoria do Suplemento voltaram suas vistas para a própria detentora dos direitos autorais da obra, a Prefeitura, cujo prefeito, engenheiro João Guido, prontificou-se a cobrir 50% (cinquenta por cento) dos custos, orçados em C$ 14.000,00.

Obtida essa participação, os originais foram em 1969 encaminhados à gráfica, estando concluída a impressão um ano depois, 1970, para lançamento no salão principal do Jóquei Clube de Uberaba, totalmente lotado.


Guido Bilharinho