segunda-feira, 8 de novembro de 2021

SAUDADES DE UBERABA

Composição: Oscar Louzada – Letra : Tharsis Bastos

Às vezes fecho meus olhos, deixo a memória fluir
E entre sonhos contemplo, a terra que me viu nascer, crescer e depois partir!
As águas tão cristalinas, foram avenidas formar
Por entre as Sete Colinas, Uberaba surgiu, cresceu e é pra sempre meu lar!

Nas ruas de pé de moleque se abre meu leque de recordações
Papos de esquina, flertar com as meninas nas exposições – como esquecer?
Nossa Princesinha, que esta valsa ganha, se tornou tamanha que dá gosto ver
Pois todo o Brasil vem aqui sentar quando quer comer!  (Bis)

Minha Uberaba eu diria, como Palmério ensinou
Saudade é melancolia.... Distante do teu chão restou viver sempre a recordar!
Neste distante castigo, sem ombros para chorar
Lembro do teu povo amigo, que sabe receber e, a sorrir, todos abraçar!

Gente de todas as crenças, respeita o padre ou o pastor
Sem discutir diferenças; aprendeu com Chico Xavier o que nos diz a Cruz, que maior é o Amor! (Bis) 

]Minha Uberaba eu diria.... etc

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

"O Marques do Cassu"

Não é tarefa fácil classificar o cidadão Luiz Gonzaga de Oliveira, o "Marques do Cassu".Era assim que eu cumprimentava, ou melhor, que reverenciava. O caminho menos penoso seria rotulá-lo de jornalista, pela paixão que devota à profissão. Soube dar conta do recado, colaborando, informando, registrando acontecimento e opinando construtivamente sobre a vida social uberabense. Mas o cronista, o desportista, o escritor, o advogado, o professor, o botafoguense, o zelo que sempre demonstrou para com toda a família e amigos, o amante apaixonado da música, da literatura e da natureza.

Luiz Gonzaga de Oliveira, o "Marques do Cassu" Foto/Divulgação.

O cumprimento, sempre respeitoso e afetivo, era fruto da minha admiração por aquela figura serena, bem-humorada, que parecia se divertir com o mundo onde conseguia enxergar a natureza em toda a sua plenitude.

Desde que o conheci, admirei nele essa postura sábia diante da vida. Refletida sempre no rosto iluminado por um suave sorriso de acolhimento, a sintetizar o propósito maior da transcendência de ser, no minimalismo de cada gesto. Via o que os outros não veem e era capaz de fazer uma crônica.

Dizem que o tempo passa rápido – e passa mesmo. Principalmente nos dias atuais, de vida corrida, quase frenética. Apenas os muito jovens talvez não sintam essa rapidez do tempo, tão cheios de futuro estão os que ainda não sentiram o peso da existência. Ter saudade é bom. Só o ser humano tem saudade.

 Saudade é fome de presença. Imenso Gonzaga. Mestre na mistura de palavras com sentimento. Cá do fim da fila, o meu aplauso permanente. Estaremos em sintonia nas melhores frequência.

A toda a família e amigos, nossas mais elevadas vibrações de paz, amor e luz. Uberaba, 23 de outubro de 2021.

Antônio Carlos Prata

Agência Central dos Correios de Uberaba - Minas Gerais - Brasil.

Correios de Uberaba


Agência Central dos Correios de Uberaba - Foto Antonio Carlos Prata.

A Agência Central dos Correios de Uberaba, foi inaugurado em 17 de dezembro de 1955, ainda em funcionamento. Em frente do prédio encontra-se a Praça Henrique Kruger, ou "Praça dos Correios" com espaço para descanso e lazer. Há um busto do Dr. Henrique Kruger. Era médico, maçom, espírita e ex presidente da Câmara Municipal de Uberaba. No pilar há uma placa de bronze em relevo que revela sua dedicação aos enfermos pobres. 

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Agência de Correio Uberaba Praça Henrique Von Krugger, 33 - Bairro: Centro - Uberaba - MG - CEP: 38001-970 (34) 3321-8152. Correios


domingo, 17 de outubro de 2021

“Morro da Onça” 🐅

Da Série: Minha Paixão por História 


- Uberaba -


*Morro feito de macadame conta com 21,4% de inclinação.

História que deu nome ao morro ainda é contada em detalhes por seus moradores mais antigos

Em meio à colina do Fabrício, na cidade de Uberaba, nomeada pela fertilidade (Uber) e também pelos acidentes geográficos, como no antigo monte da Abissínia (Aba), existe um morro.
O trecho da rua Senador Pena, situado entre as ruas Silva Jardim e Governador Valadares, já foi chamado de "Morro do Fontoura" e "Morro do Chico Velho", mas tornou-se realmente conhecido após um episódio que marcou em definitivo seu mais conhecido nome: "Morro da Onça". Marcou de tal  maneira  que poucos são aqueles que desconhecem ou nunca ouviram dele falar. A onça já não está mais lá, é certo. Mas a história que deu nome ao morro, ainda é contada em detalhes por seus moradores mais antigos.

🐅 Rua Senador Pena - Morro da Onça - Foto Antonio Carlos Prata. 🐅


Na casa de número 209, do lado esquerdo da rua, pouco abaixo da metade do morro, mora dona Odette Camargos, 94 anos, pianista, fundadora do Instituto Musical Uberabense, residente no morro da onça há 46 anos. As informações de Dona Odette dão conta de que o morro passou a ser chamado de "Morro da Onça" após um episódio curioso acontecido há muitos anos. “Havia um médico, acredito que se chamava Dr. Boulanger Pucci, que morava em uma rua próxima a este local e que gostava muito de bichos. No quintal da casa dele havia uma jaula com uma onça e por descuido, deixaram a porta da jaula aberta e a onça fugiu. Como este morro na época era só mato, a onça veio e se escondeu aqui. Começaram a procurar a onça e acharam-na aqui neste morro. E é por isto que o morro passou a ser chamado de Morro da Onça", relembrou dona Odette..

Dona Zilda Borges, bordadeira talentosa, 95 anos, também com mais de quarenta anos vividos na ingrimidade do morro, já um pouco esquecida, tentou com dificuldade se lembrar de datas, mas estas não eram tão importantes.Quando perguntada pela origem do nome do morro da onça não soube me explicar detalhadamente. "Eu calculo que aqui era tudo mato, então devia ter a tal da onça! O meu netinho falava assim: vovó cadê a onça? Eu quero ver a onça vovó! E eu falava: não tem mais onça, não! Ele queria ver a onça de qualquer jeito", afirma dona Zilda.

Seu Luís Oliveira Fernandes, talvez tenha sido o mais esclarecedor, por se apresentar bastante lúcido e ter nascido e crescido em Uberaba. Morador do morro da onça desde fevereiro de 1960, sua versão foi apresentada de forma bastante coerente. "Doutor Boulanger Pucci morava logo aqui na rua João Pinheiro, pouco acima de onde hoje é o restaurante Balão. Dr.Boulanger gostava de criar animais, passarinhos e pegou uma onça para criar. Eu sei que ele criava uma onça, tinha a jaulazinha, e o tratador da onça um dia foi tratar o bicho e esqueceu  a porta da jaula aberta. 

Essa onça saiu e quando ele notou a porta aberta, foi lá e contou para o dr. Boulanger. Foi aquele alvoroço. Eles foram procurar a onça e viram a onça por aqui, enfurnada no mato. O dr. Boulanger foi até a polícia. Os soldados vieram e pelejaram, armaram rede, fizeram o maior esforço para pegar a onça viva e entregar para o doutor. Mas a onça foi enfezando e ficando mais difícil. Então voltaram lá e falaram: doutor, a onça não tem jeito de pegar não! Como é que faz? Vai deixar ela solta na cidade? E ele falou que era um perigo e pediu para tentar mais um pouco, mas se eles não dessem conta, poderia matar a onça. Experimentaram, experimentaram e não deram conta de pegar e aí mataram a onça.

Foi então que ficou esse nome de”Morro da Onça”, porque o morro não tinha outro nome 🐅

sábado, 9 de outubro de 2021

CASA CARVALHO – UMA VIAGEM NO TEMPO.

Início da semana. Mais um encontro com os amigos da segunda-feira. Sob o comando do Presidente Flamarion Batista Leite, o grupo, formado por ex-presidentes e diretores da ACIU, sempre procura prestigiar, em cada semana, a diversidade de cardápios oferecida pelos bons restaurantes da cidade. Uma forma de usufruir da agradável companhia de velhos companheiros de ideais e degustar da rica gastronomia da cidade. Um ritual que já ultrapassou a marca dos 40 anos.

Desta vez o local escolhido foi a imponente casa do Silvinho Rodrigues da Cunha, transformada em restaurante do Hotel Tamareiras. Além de Flamarion, estavam presentes Sérgio Marcos Guarato, Ivan Moratelli, Gilberto Rezende, Anderson Cadima, José Peixoto, Marcos Rodrigues, Carlos Humberto Rocha, Paulo Fabiano Resende, Sérgio Bóscolo e Paulo Batista de Carvalho. Por motivos justificados deixaram de comparecer neste dia, Eleiçon Mariano, Ricardo Resende, José Arlênio, Stefesson Pena, José Maria Pereira e Artur Barillari.

Ao me despedir dos companheiros, percebi que ia ter que esperar um pouco pela chave do carro pelo grande o movimento que ocorria no pátio do Hotel.

Aproveitei o tempo para admirar novamente arquitetura, estilo mouro florentino, daquela mansão que foi construída no final da década de 1930, pelo agropecuarista Guiomar Rodrigues da Cunha, mais conhecido por Marico. Um conjunto de ciprestes ornamentavam a entrada. As tamareiras que enfeitam o pátio, foram importadas do Oriente em 1941.

Ao ver do outro lado da rua o salão onde estava o carro, lembrei-me de que naquele local funcionou, por mais de sessenta anos, a Casa Carvalho, um dos maiores estabelecimentos comerciais da região do Triângulo Mineiro e que deu uma grande contribuição para o desenvolvimento econômico de Uberaba.

É uma bonita história como se deu a constituição dessa empresa. Nasceu da amizade e da mútua confiança entre Mousinho Teixeira Leite e Arlindo de Carvalho. Um relacionamento fraternal e empresarial que durou tanto quanto suas vidas. Cristalizada nesta sociedade, tornou-se a primeira de muitas outras que seriam celebradas no futuro. 

Mousinho nasceu em 1905 e passou sua infância no Caçu, uma vila construída pela Fábrica de Tecidos, implantada pelo meu bisavô materno e seus irmãos da família Borges Araújo, localizada nas proximidades da Casa do Folclore. 

Arlindo, nascido em Igarapava, SP, em 1903 e veio para Uberaba em 1910, então com 7 anos.

Ambos se conheceram em 1932, Arlindo como sócio da empresa Magiotti, vizinha da Drogaria Alexandre, onde Mousinho era contador. 

Em 1934, Arlindo de Carvalho e Mousinho Teixeira Leite, adquiriram o fundo comercial da Casa Céres, empresa de propriedade de Arthur Sabino de Freitas, por indicação do gerente José Marinho. Este estabelecimento comercial foi implantado no final do século XIX,

Os novos proprietários mudaram a razão social, para “Carvalho & Teixeira” em 1º de setembro de 1934 e que veio a se transformar, em 31 de julho de 1937 com a entrada de outros sócios, na “Casa Carvalho”.

Seu endereço era rua 24 de fevereiro, (hoje rua Carlos Rodrigues da Cunha), esquina com a rua Juliana (hoje, Olegário Maciel).

Em relato de Renato Muniz de Carvalho, neto de Arlindo de Carvalho, as firmas fornecedoras da época fazem parte da história comercial e industrial do país. Entre outras indústrias e grandes atacadistas, podem ser destacadas a Cia. Antártica Paulista, Martins Fadiga & Cia., Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo, Loureiro Costa & Cia (Casa da China), Ribeiro de Abreu (sal), Refinações de Milho Brazil e Moinho Paulista. 

Nesta época a Cia. Mogiana de Estradas de Ferro foi o sustentáculo para o transporte de mercadorias de toda esta região. 

Renato disse ainda que a entrada de novos sócios abriu novos horizontes para a Casa Carvalho. Sob o comando de Hilirandes Garcez de Morais, (Nenga), foi criado um departamento de atacado que foi administrado por Paulo Cândido de Souza. Várias cidades próximas, como Verissimo, Garimpo (Conceição das Alagoas), Dores de Campo Formoso (Campo Florido), Dourados (Pirajuba), Nova Ponte e outras localidades passaram a se abastecer com os produtos distribuídos pela Casa Carvalho.

Centenas de variados produtos faziam parte das ofertas da empresa, entre elas, cereais, sal, óleos vegetais, bebidas e materiais para construção.

Pelas informações de José Mousinho Teixeira, filho de Mousinho Teixeira, uma grande expansão foi registrada na Casa Carvalho após a implantação da Fábrica de Cimento no Distrito de Ponte Alta. 

Arlindo de Carvalho, então Presidente da ACIU, passou a integrar a diretoria desta indústria.  A Casa Carvalho contribuiu muito para o sucesso desta fábrica. Foi ela quem deu apoio para todas as relações e operações com o comércio local e ajudou na solução dos diversos problemas que surgiram no decorrer de sua montagem. 

Inaugurada a fábrica no início da década de 1950, a Casa Carvalho passou a ser a distribuidora do cimento.

Por algumas décadas, as ruas adjacentes eram atravancadas por caminhões que descarregavam mercadorias em seus armazéns e outros que estavam sendo carregados para distribuição em todo o Triângulo Mineiro. Os balcões da firma fervilhavam de gente.

Ao ter de volta a chave do carro, cessaram as lembranças de um tempo não muito distante. Recordações de pessoas que deram tudo de si para que Uberaba pudesse desenvolver. Pessoas honestas e exemplares. Pessoas de caráter integro, dotadas de espírito associativista.

Apesar da alegria que me foi proporcionada pelos meus companheiros de jantar, me despedi do lugar com muita tristeza. Tanto Arlindo quanto Mousinho, foram meus amigos. Apesar da diferença de idade, eles foram meus companheiros na ACIU e também meus sócios na Metalúrgica Santa Rita. Dei um adeus a eles e voltei para minha casa.

Gilberto de Andrade Rezende – membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Ex-presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.

Fontes 

José Mousinho Teixeira Leite.

Renato Muniz de Carvalho.


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sábado, 2 de outubro de 2021

FOLCLORE – 02 -

Em 31 de agosto deste ano, em comemoração ao nosso Folclore, publiques, através do Jornal da Manhã e em nome da Associação Cultural Casa do Folclore, alguns artigos em homenagem à todos aqueles que participaram de Manifestações Culturais, por amor às nossas Tradições Culturais. 

Para os que não tiveram oportunidade de tomar conhecimento deste suplemento, comecei a divulgar pela rede social, tudo que foi publicado. Ontem, o n. 01. Hoje o n. 02;

Sei que tem omissões neste trabalho, mas irei corrigindo para que não se possa fazer injustiças.

A página n. 02 foi dedicada à todos que nos encantam com sua destreza, com sua magia em tanger as cordas de uma viola e dela extrair acordes que nos provocam emoções. Toninho da Viola, Alexandre Guti Saad, Roberto Corrêa, Nenêm Violeiro, Rei Gaspar, Baltazar da Viola, Ruizinho Barbosa e Renato Cartafina, são apenas alguns exemplos dos grandes violeiros de Uberaba. Renato de Andrade, Claudionor da Silveira, Zeca dos Anjos, Nico Trovador, Nicodemos e Manoel Teles, entre outros, deixaram saudades.

A Cultura Afro vem em seguida. Uma tradição centenária. Uma recordação dos trabalhos de Antônio Carlos Marques e de José Reynaldo. 

 Gilberto Rezende –  Ex- Conselheiro da Fundação Cultural de Uberaba. - Presidente da Associação Cultural Casa do Folclore.

Postado em 02-10-2021.

quarta-feira, 29 de setembro de 2021

ELEIÇÕES EM UBERABA. – N. 01.

Diversos projetos que visam reforçar o prestígio de Uberaba nas esferas políticas, estadual e federal, aconteceram em momentos pontuais, realizados por líderes comunitários com os quais já tivemos a oportunidade de participar.  

O primeiro projeto foi criado na década de 1990 e seu objetivo foi o de ampliar o Colégio Eleitoral da cidade. Era necessário combater a apatia de milhares de cidadãos que não se interessavam em tirar seu Título de Eleitor. Sendo o peso eleitoral um fator de força política, diversas entidades de classe participaram desse movimento.  

Havia o consenso entre as lideranças políticas que Uberaba precisava atingir o mínimo de 200.000 eleitores. Esse número abria oportunidades para que, os mais votados, pudessem disputar o segundo turno. Era também a demonstração do potencial da cidade no cenário político nacional.  

Um dos líderes deste movimento foi Sebastião Silva, mais conhecido por Tião Silva. Ele agregou ao seu redor nomes expressivos que participaram exclusivamente com o intuito de contribuir com a comunidade.  

Nas eleições municipais de 2004, ano em que Anderson Adauto foi eleito Prefeito, Uberaba ficou perto de atingir a meta com 194.045 eleitores inscritos.  Desses,  

a apatia eleitoral fez com que apenas 153.349 votos fossem aproveitados. Os 40.243 votos restante foram votos perdidos: nulos e brancos e abstenção. Ou seja, de cada cinco eleitores, um deixou de fazer sua escolha.  

Somente nas eleições de 2008 é que Uberaba atingiu o número de 203.451 eleitores, com direito à realização de segundo turno. Todavia, Anderson, que pleiteava a reeleição conseguiu se reeleger com 54,80% dos votos, o suficiente para evitar o segundo turno.   

Nesse ano Uberaba conquistou 9406 novos eleitores, mas o número de abstenções somados aos votos nulos e brancos, atingiu 48.225 de eleitores. Ou seja, desses 9.406 novos eleitores conquistados podemos dizer que apenas 1877 deles deram um voto útil.  

Outro projeto, também liderado por Tião Silva, foi o de Eleições Inteligentes, em 2001. Visava indicar nomes de pessoas, independentemente de partidos políticos, para concorrer a cargos na Câmara Federal e no Legislativo de Minas Gerais.   

O grupo questionava a dispersão de votos pelo excessivo número de candidatos indicados pelos partidos políticos. Isso fazia com que a potencialidade de nossa representatividade junto ao Governo Estadual e Federal ficasse reduzida.  

As reuniões do grupo, sem cor partidária, eram realizadas no escritório do Tião Silva e delas participavam sete diretores, pessoas cujo interesse maior era o fortalecimento político de Uberaba. Gradativamente o grupo foi se adensando e terminou contando com diversos elementos representativos da comunidade.  

Eram participantes do movimento “Eleições Inteligente”, entre outros, Dorival Cicci, Guido Bilharinho, Gilberto Rezende, Lélio de Oliveira, Cel. Hely Araújo Silveira, Ari de Oliveira, Sérgio Marcos de Souza, Carlos Alberto Pereira, Sérgio Bilharinho e Afrânio Fernandes de Paula.  

Apesar da rigidez da legislação eleitoral, que praticamente cerceava a possibilidade de indicações de candidatos mais viáveis pelo grupo, houve uma grande melhora nos índices de aproveitamento de votos dos candidatos de Uberaba, conquistados pela conscientização da comunidade.  

Nas eleições de 2002, graças ao trabalho do grupo “Eleições Inteligentes”, Uberaba conseguiu eleger dois Deputados Federais, Anderson Adauto e Nárcio Rodrigues e três Deputados Estaduais, Paulo Piau, Fahim Sawan e Adelmo Carneiro e, ainda, um suplente de Senador, Luiz Guaritá Neto.  

Em 2006 a cidade “jogou fora” 60.000 votos entre brancos e nulos e para os “paraquedistas”. Eram votos suficientes para eleger mais um deputado Federal e dois Estaduais.  

Por isso, em 2010, lideramos a campanha do Voto Útil conclamando a população a votar em candidatos de Uberaba e a não votar nos “paraquedistas”, ou seja, candidatos que vêm buscar votos na cidade para assumir cargo na Assembleia de Minas ou na Câmara Federal, sem nenhuma vinculação com os interesses da cidade. O slogan era “Vote em quem você quiser, mas vote para sua cidade”. 

Decorridos mais de vinte anos do início destes movimentos foram eleitos, no pleito de 2018, apenas um Deputado Estadual, Heli Andrade Grilo e um Deputado Federal, Franco Cartafina. O suplente Aelton Freitas, assumiu seu lugar na Câmara Federal  em 2021 em razão da renúncia da Deputada Margarida Salomão.  

Em 2022 teremos novas eleições. Precisamos ampliar o número de nossos representantes junto ao Governo Estadual e Federal. Se não houver união entre as lideranças vamos perdendo musculatura política. Há que se criar novos movimentos para despertar novas lideranças políticas. Temos uma razão muito grande para arregaçar as mangas em prol de nosso desenvolvimento. Somos todos, com muito orgulho, uberabenses.   

Gilberto Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Ex Presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.

terça-feira, 21 de setembro de 2021

FABRICA DE CIMENTO PONTE ALTA – UMA HISTÓRIA DE 60 ANOS.

A notícia chegou e causou um alvoroço em toda a região do Triângulo Mineiro no ano de 1949. Uma empresa de São Paulo recebeu autorização para implantação de uma grande fábrica de cimento, aproveitando a rocha de calcário da região que se estende por vários municípios. A abertura de novos empregos e a ampliação do comércio da região eram as expectativas mais comentadas.  

Quando se tomou conhecimento de que a área comprada pela empresa estava localizada parte no município de Uberaba e parte no município de Conquista, a euforia tomou conta dos uberabenses, conforme relata José Mousinho Teixeira, citando ainda que a disposição para esta empreitada era de responsabilidade da família Matos Barreto, os irmãos José e Francisco e outros familiares.  

Cientes de que a região era rica em pedras calcária, conhecida pela extração e produção de cal virgem, os irmãos Barreto, e da potencialidade que estas terras poderiam oferecer e ainda visando a exploração da área para produção de cimento, contrataram estudos técnicos como sondagens e viabilidade econômica, por meio de uma empresa da Dinamarca, país mais preparado na produção de cimento portland.   

A área adquirida no município de Uberaba ficava localizava no Distrito de Ponte Alta e o local, a antiga Caieira Fantini, fundada em 1883, era propriedade de Flamínio Fantini, um emigrante italiano.  

Como a parte da fazenda comprada pela família Matos Barreto, no município de Conquista, era maior do que a parte de Uberaba houve uma acirrada disputa pela conquista da preferência para a instalação da fábrica.  

De um lado, representando Conquista, o Cel. Tancredo França, incansável na batalha para que a fábrica de cimentos fosse implantada em seu município. Uberaba acabou ganhando na preferência por mostrar para à diretoria da fábrica que a estrutura da cidade oferecia melhores condições.   

Há que se registrar o empenho da ACIU-Associação Comercial e Industrial de Uberaba, sendo presidente o empresário Arlindo de Carvalho e tendo a seu lado, na diretoria, João Guido, Lívio da Costa Pereira, Reynaldo de Melo Rezende, Durval Furtado Nunes, Geraldo de Oliveira, Rubens Dornfeld e ainda no Conselho Fiscal, Paulo José Derenusson, Mário Amaral e Bruno Martinelli.  

O esforço dispendido pela Entidade não ficou restrito à apresentação das vantagens de Uberaba. Muitos obstáculos ainda teriam que ser superados para que o sonho se tornasse realidade. Um destes obstáculos era a questão da energia elétrica.  

Não havia energia suficiente para atender a demanda de uma fábrica de grande porte.  Novos estudos foram realizados através da empresa AEG, buscando um local onde se pudesse instalar uma usina hidrelétrica, recaindo a preferência em uma queda d’agua no rio Araguari, no local denominado Cachoeira dos Macacos. A própria AEG se encarregou da construção que acabou sendo conhecida como a “Usina dos Macacos” que, após concluída, se instalou uma linha de transmissão até Ponte Alta.  

Resolvida esta questão veio a do transporte que somente foi equacionada, conforme relata José Mousinho: “merece registrar que, em complemento à infraestrutura necessária ao empreendimento, foi construído um ramal ferroviário ligando a localidade de Ponte Alta aos trilhos da Companhia Mogiana de Estrada de Ferro que, à época, trafegava com o ramal Uberaba/MG à cidade de Franca/SP.”  

Relata ainda José Mousinho que “na mesma oportunidade, os irmãos Barretos, por deferência à região onde deveria situar o empreendimento, liberaram dez por cento de subscrição do capital a ser integralizado pela Companhia de Cimento Ponte Alta a investidores das cidades de Conquista e de Uberaba. 

A quota gentilmente oferecida foi prontamente subscrita em apenas uma semana. Destaca-se que entre os uberabenses a subscrição de maior vulto foi realizada pelo pecuarista Sr. Lamartine Mendes dos Santos e de Conquista pelo também pecuarista Sr. Theodulfo de Rezende”.  

Neste sentido a firma Carvalho & Teixeira & Cia. Ltda. - Casa Carvalho tornou-se o ponto de apoio em todas as relações e operações com o comércio local. As encomendas destinadas à construção que chegavam via ferroviária em Uberaba eram encaminhadas à Casa Carvalho e, em seguida, por sua ordem, enviadas ao canteiro de obras da fábrica na localidade de Ponte Alta. 

As turbinas, fornos e outros equipamentos de grande porte que igualmente vinham por via ferroviária eram encaminhados para a Estação de Erial da Companhia Mogiana e de lá transportados por caminhões até o canteiro de obras”.  

Junto à construção da fábrica se iniciou a construção de uma vila para abrigar os funcionários. Vieram pessoas dos municípios da região e do todo o país, principalmente do Nordeste, para se habilitar ao trabalho. Afinal, precisavam ser contratados algumas centenas de trabalhadores, se registrando na época cerca de 400 famílias para atender a demanda da fábrica. 

A vila chegou a ter uma população de 2.500 pessoas. A fábrica de cimento era a maior empregadora de toda a região.   

A diretoria era composta por Antônio Aymoré Pereira Lima, Augusto Freire de Matos Barretos Filho, Armando Freire de Matos Barreto, Walter Prado Dantas e Arlindo de Carvalho.  

Por volta de 1975 o controle acionário foi transferido para os empresários das famílias Moraes Barro e Mesquita Vidigal, conforme nos informou José Mousinho, sendo posteriormente incorporada pela Lafarge Holcim. De origem francesa é a maior indústria cimenteira do mundo, presente em 80 países.  

Em Ponte Alta a Lafarge ainda produziu por cerca 18 anos até encerrar as atividades e se transferir, em 2004, para a cidade de Arcos, em Minas Gerais. Os fornos foram adquiridos pela Magnesita S/A que produz refratários para sua sede em Contagem, Minas Gerais. 

Ponte Alta, localizada a cerca de 40 KM de Uberaba, às margens da BR 262, viu sua economia encolher, obrigando uma parte de sua população a se transferir para outras cidades, principalmente Uberaba.   

Atualmente o Distrito de Ponte Alta, criado em 1879, vem se adaptando aos novos tempos, vendendo ou arrendando suas terras para as empresas canavieiras, tendo a Magnesita como importante apoio econômico e diversificando suas atividades rurais em criação de animais.

Por 60 anos a fábrica de Cimento Portland Ponte Alta, considerado o melhor cimento do país, foi oi principal suporte da economia de Ponte Alta que teve, nesse período, um extraordinário desenvolvimento, contribuindo para a economia de Uberaba através da comercialização de seus produtos, elevação do nível de emprego e arrecadação de seus tributos.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA. Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.  

Fontes –  

José Mousinho Teixeira -    

Jornal da Manhã  

Arquivo Público de Uberaba. 


Postado em 21 de setembro de 2021.

domingo, 5 de setembro de 2021

HISTÓRIAS DE UBERABA

As cinco festas de aniversário. 

São muitas as datas que podem ser comemoradas em relação à Uberaba. A primeira seria, naturalmente, a data de seu nascimento, quando aqui fincou raízes, próximo ao córrego das Lages, o sargento-mor Antônio Eustáquio da Silva Oliveira. Todavia, não existem documentos apontando a data exata em que ocorreu este fato histórico. 

Relatam alguns historiadores, que a 1ª Bandeira organizada em Desemboque pelo sargento-mor Antônio Eustáquio para desbravar a região de Uberaba ocorreu em 1810. Dizem ainda que, por solicitação desta autoridade, em 1811, o povoado foi elevado à condição de Distrito dos Índios. 

Para o historiador Guido Bilharinho, não há documentos comprobatórios desta elevação. 

Mesmo assim, a Prefeitura Municipal, em 03 de maio de 1911, em parceria com as lideranças econômicas da região, promoveu a 1ª Exposição Agropecuária nas dependências do hipódromo do Jockey Clube, localizado no bairro de São Benedito e organizou, ainda, uma grande festa na cidade para comemorar a elevação de Uberaba da condição de povoado para a de Distrito. 

Coincidência ou não, desde a década de 1950, as aberturas das exposições da ABCZ são realizadas na data de 3 de maio. 

Curiosamente, em 1810 ou 1811 não pertencíamos ao estado de Minas Gerais e sim ao estado de Goiás. As disputas sangrentas entre os dois estados, que já duravam mais de cinquenta anos conforme relato do historiador Hidelbrando Pontes, tiveram fim em 1816.

Conta ainda este historiador que foi por um acontecimento fortuito é que pôs termo à velha questão de divisas entre os dois estados. Joaquim Inácio Silveira Mota, Ouvidor Geral da Comarca de Paracatu, indo a Araxá, ao conhecer Ana Jacinto de São José, mais conhecida como Dona Beija que passava a cavalo pela praça da Matriz com seu pajem, foi tomado de violeta paixão e mandou raptar a donzela.

Como foi processado pela família da vítima e seu caso seria julgado pelo governo de Goiás, seu desafeto. Para evitar esta situação, ele passou a interceder também junto a D. João VI, pela passagem dos julgados de Araxá e Desemboque para Minas, onde o seu julgamento seria, como efetivamente foi, coisa sem importância.

E assim, em 4 de abril de 1816, a região foi incorporada ao Estado de Minas Gerias. Deixamos de ser goianos e passamos a ser mineiros.  

Minas das Alterosas incorporou os cerrados e os chapadões dessa imensa mesopotâmia que se chamava Desemboque e que passou a se chamar Triângulo Mineiro. Interessante que, o primeiro jornal a ser criado em Uberaba já nasceu separatista, conforme relata Guido Bilharinho. 

Em 02 de março de 1820, por decreto assinado pelo imperador Dom João VI, Uberaba foi elevada à condição de “Freguesia”, ou seja, de “Distrito” passou à “Paróquia”. O objetivo deste decreto foi o de diminuir a distância de 60 léguas que separavam o novo povoado da “Freguesia de Desemboque”, facilitando, assim, o “socorro e pasto espiritual”.  

O poder estava dividido entre a Igreja e o Estado, que só vieram a se separar na Constituição de 1891, transformando o Brasil em um país laico. 

Em 22 de fevereiro de 1836, o Presidente da Província, Manuel Dias de Toledo, na cidade imperial de Ouro Preto, assinou o decreto aprovado pela Assembleia Legislativa Provincial, elevando Uberaba à condição de “Vila”. Foi o nascimento do município de Uberaba, que se desmembrou da Vila de Araxá, a qual estava vinculada desde 1831. Foi a criação da Câmara Municipal de Uberaba.

Em dezembro de 1836, tomou posse perante a Câmara Municipal de Araxá o vereador mais votado nas eleições de Uberaba, Capitão Domingos da Silva Oliveira. Em janeiro de 1837, o Capitão é empossado em Uberaba como o primeiro Presidente da Câmara Municipal e Agente Executivo (Prefeito). 

O prédio que ele construiu para servir de Câmara e Cadeia, foi, por longas décadas, sede da Prefeitura Municipal e depois, sede da Câmara Municipal e é hoje patrimônio histórico de destaque na Praça Rui Barbosa. 

Para comemorar o centenário da emancipação política de Uberaba em 22 de fevereiro de 1936, grandes festas foram realizadas na cidade. Bandas, passeatas, foguetórios, salvas de 21 tiros, discursos e direito a um grande baile oferecido pelo prefeito Paulo Andrade Costa. Foi inaugurado um marco comemorativo no Córrego do Lajeado, próximo ao bairro rural de Santa Rosa, onde teve início o povoamento da cidade. 

Em 1840, Uberaba passou a sediar uma Comarca para distribuir justiça, denominada Comarca do Rio Paraná, desmembrada da Comarca de Paracatu do Príncipe. Não há, porém, registro de comemorações no centenário desta conquista, no ano de 1940. 

Em 02 de maio de 1856, Uberaba foi elevada à condição de “Cidade” em reconhecimento do Rei e da Igreja, trazendo a emancipação em assuntos atinentes à ordem civil, militar e religiosa. 

Para comemorar o Centenário desta elevação de “Vila” para “Cidade”, Uberaba se vestiu de gala em 1956, no governo de Arthur de Mello Teixeira. Novas comemorações aconteceram em 2006, no governo de Anderson Adauto, quando Uberaba completou 150 anos. 

Nesta ocasião, a Fundação Cultural, então comandada por Luiz Gonzaga de Oliveira, homenageou em solenidade ocorrida no Cine Metrópole, 150 personalidades da cidade, escolhidas em comissão presidida por Gilberto Rezende.  

Foram festejados três centenários, 1911. 1936, 1956, um sesquicentenário, 2006 e um bicentenário, comemorado em 2020, no governo de Paulo Piau. 

Não encontramos referências sobre as comemorações do centenário da elevação de Uberaba à condição de “Freguesia”, ocorrido em 1920.   

Ao longo destes 200 ou 210 anos, a verdade é que passamos de um pequeno povoado à uma grande cidade, hoje com cerca de 350.000 habitantes. Todas estas datas são, realmente, motivo de júbilo para todos nós. Todas elas podem e devem ser comemoradas. 

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. 

Fontes – Arquivo Público – Historiador Guido Bilharinho

Hidelbrando Pontes – livro – “História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central”.

 PS – Matéria publicada hoje, 05-09-2021, no Jornal da Manhã.

domingo, 22 de agosto de 2021

DIA DO FOLCLORE

Hoje, dia 22 de agosto de 2021, é dia de se comemorar o Folclore, conforme Lei promulgada em 1965 pelo Congresso Nacional. O Folclore, todavia, faz parte, diariamente, da vida de todo mundo. Lendas, superstições, hábitos, costumes, estórias, gestos, alimentações ou indumentárias, são tradições folclóricas como as manifestações populares de cantos e danças.

Diz Luiz da Câmara Cascudo, autor do “Dicionário do Folclore Brasileiro” editado em 1954, que “Onde estiver um homem, aí viverá uma fonte de criação e divulgação folclórica”.

As tradições de Catira, Folias com suas variações mais comuns como as de Reis, do Divino, de São Lázaro e de São Gonçalo, a Viola Caipira, as Congadas, Moçambique e Vilões, bem como outras manifestações da cultura afro, são centenárias em Uberaba. Outras manifestações foram gradativamente se inserindo no contexto folclórico, importadas de outras regiões como a Capoeira, na qual, o Berimbau tem um papel relevante.

Uberaba sempre foi centro de atenção na área do Folclore. Por mais de cem anos, grupos de catira como os do José Emídio, João Modesto, José Casimiro, Joaquim Prexedes, Zeca dos Anjos, Chico Carreiro e Valtercides, marcaram presença e fizeram história. 

O mais conhecido dos grupos de catira foi o dos Borges comandado, nos últimos 60 anos, por Vilmondes Cruvinel Borges e seu eterno parceiro das violas, Gabriel Borges de Morais, tendo como com grande palmeiro a figura de Orozimbo Fabiano, mas a estrela máxima deste grupo foi Romeu Borges, o maior sapateador de catira que o mundo conheceu e que teve o privilégio de dançar com a maior bailarina brasileira, Ana Botafogo do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.

Não há como deixar de destacar o Catira dos Teles, sob o comando de Manoel Teles e seus filhos Negrinho e Vinicius, todos violeiros, cantadores e palmeiros. Manoel Teles, um patrimônio cultural pela sua dedicação ao Folclore, era também Capitão de Folia de Reis tendo em seu grupo, a dupla sertaneja Manoelzito e Doraí.

Recentemente Uberaba perdeu o Paulo José Cury, mais conhecido como Paulinho Leiteiro, compositor, cantador, violeiro, sapateador de Lundu que formou o grupo de Catira “Geração por Geração”, composto por seus filhos e netos. Foi um Capitão de Folia de Reis, “Folia Fonte do Amor” e que, por cinquenta anos, atendeu a todos os pedidos dos devotos de Reis. Toda uma família voltada para as tradições folclóricas.

Atualmente, o Catira “Raízes” sob o comando de André Medeiros e o do “Manoel Teles” ainda mantém a tradição. Destaca-se ainda o Catira “Tradição de Minas” criado pelo Wosley Torquato, (Cultura Manifestações) junto com sua família. Wosley vêm a anos mantendo uma escola para ensinar crianças, jovens e adultos os passos do catira. Ele é, hoje, um esteio na manutenção desta tradição.

A poesia é a alma da dança do catira e o sapateado, seu complemento e adorno. Centenas de poetas deixaram um legado de seu trabalho utilizado por diversos grupos de catireiros da região do Vale do Rio Grande. Alguns, como Manoel Rodrigues da Cunha de Jubai, autor de 300 poesias e que foi o mais destacado catireiro desta região. Outros como os poetas e catireiros, Vicente Caburé, Antônio Ananias, Antolino, João Emerenciano, Herculano, João Modesto, José Crioulo, Tertuliano Inácio, José Barbosa, Zé Ninguém, Agenor Teles, são ainda referências. Jair Gomes Seabra, compositor e palmeiro é testemunha viva destas manifestações. 


Uberaba é considerada a capital das Folias de Reis, manifestação folclórica que remonta aos tempos de sua origem. É uma manifestação tombada pelo Patrimônio Cultural Municipal, como bem imaterial. São mais de cem grupos que anualmente envolvem milhares de pessoas em seus rituais. Grandes capitães de Folias de Reis, ao passar para eternidade, deixaram a bandeira que, por dezenas de anos, carregaram em devoção aos Três Reis Magos, nas mãos de seus discípulos. Sebastião Mapuaba, Labibe, Geraldo Pires, Evaristo Torquato, Jorge Bernardes, Paulo Cury, Manoel Teles, são alguns dos destaques.

Na viola caipira, difundida através da Escola de Viola “Gaspar Correa”, da Fundação Cultural de Uberaba, centenas de violeiros marcaram com seu talento, os sucessos das músicas sertanejas. Dos que hoje são apenas saudades, não há como esquecer o primeiro professor da Escola de Viola, Claudionor da Silveira, mestre e compositor. Destacam-se também, entre outros, a dupla Nicanor e Palmeri, Silveira e Silveirinha, Serenata, Panamá, Suzanito, Junior, Gaspar Corrêa e Claudio Viola. 

Ainda está na memória de todos o falecimento precoce de José Nicodemos que por muitos anos dirigiu a Escola de Violas e criou a Orquestra Violas de Ouro. Comunicador, violeiro e professor, por muitos anos foi integrante da dupla “Odair e Nicodemos” com muitas gravações de sua bonita voz e seu talento na viola.

Os comunicadores sempre tiveram um importante papel na manutenção das tradições folclóricas. O maior destaque foi a dupla Toninho e Marieta. Toninho, violeiro, compositor e cantador com sua mulher, Marieta, foi quem criou, a cerca de 60 anos, o Festival de Folia de Reis, hoje chamado de “Encontro de Folias”. Criou também na década de 1950, seis grupos de catira nos bairros da cidade. 

Toninho, além de compositor, violeiro e cantador, era Capitão de Folias e gravou dezenas de LP de músicas de sua própria autoria, no gênero sertanejo e de Folia de Reis. Seu filho, Edson Quirino de Souza, mais conhecido como Edinho deu continuidade ao pioneirismo de seus pais. 

Nico Trovador foi uma revelação no comando de seu programa na Televisão, criando oportunidades para apresentações de Festivais de Viola, de Folias de Reis e de duplas sertanejas, de Uberaba e de todo o Brasil, em busca do sucesso.

Destaca-se também nesta área de apoio, o Jornal da Manhã que sempre teve suas portas abertas em apoio ao Folclore e um dos maiores divulgadores de nossa cultura popular, representado pela sua diretora Lídia Prata Ciabotti. 

São  integrantes do grupo de apoio ao nosso folclore os nomes de Marco Túlio Oliveira Reis que mantém o programa “Prosa Encantada”, Carlos Perez (Cacá Sankari), lutador pela manutenção do TEU, teatro onde sempre se apresentou grupos folclóricos, Beethoven Luis Teixeira, hoje residente em Peirópolis, Jorge Alberto Nabut, escritor;  Marcelo Taynara, compositor; Carlos Pedroso, escritor; Toninho da Viola, cantor, violeiro e professor de viola, Jose Maria Dos Reis e a Câmara Municipal de Uberaba em parceria com a Associação Casa do Folclore no lançamento do Programa “Coisa Nossa Uberaba” na TV Câmara. Destaca-se ainda o nome do "Patrão de Minas" poeta e responsável por grande parte das poesias de nossos intérpretes da música sertaneja.

Na área Política há que se registrar a criação da Fundação Cultural de Uberaba no governo de Silvério Cartafina Filho. Todavia, a implantação desta Entidade só aconteceu no governo de Wagner do Nascimento que criou condições para inúmeros Festivais de Viola, de Catira, de Folia de Reis bem como criou e estruturou o Circo do Povo para sediar manifestações folclóricas. 

Na gestão de Luiz Neto foram criados os Incentivos Fiscais para estimular projetos voltados para a cultura, disponibilizando maiores recursos para a Fundação Cultural manter todo o seu programa de apoio a todas manifestações culturais.

Foi a época de ouro dos projetos culturais. Foi a época em que as mulheres assumiram a direção da Fundação Cultural. Depois da passagem de Rosana Prata como presidente na gestão de Hugo Rodrigues da Cunha, chegou a vez de Lídia Prata, sucedida por Maria Antonieta Borges (1993/1996) que contou com a colaboração de Virginia Abdala. 

Marcos Montes deu continuidade aos trabalhos da Fundação Cultural através de seu presidente, José Tomas da Silva Sobrinho e sua vice, Olga Frange, destacando-se o apoio aos Festivais de Viola e apresentações de Folias de Reis.

No Governo de Anderson Adauto, o presidente da Fundação Cultural foi o saudoso Luiz Gonzaga, sempre participante dos movimentos culturais da cidade. 

Foi nesta gestão que ocorreram as comemorações dos Cinquenta Anos de Festivais de Folias de Reis, com o patrocínio da Petrobras, culminando com uma grande festa, lotando o Cine Teatro Municipal Vera Cruz com a distribuição de 100 violas e a presença de duplas sertanejas como a de Liu e Leo e a participação de Paulo Andrade. 

Também neste governo, atuou como Presidente da Fundação Cultural, Rodrigo Mateus, um dos mais ardorosos defensores da cultura. Foi em sua gestão que se realizou o primeiro Festival Nacional de Catira, patrocinado pela Petrobrás, na Casa do Folclore, no ano de 2010.

Foram destaques a presença de Alexandre Guti Saad, Marcelo Taynara e Dércio Marques. Foi nesta festividade que a Orquestra Acqua, dirigida pelo maestro Jeziel, com a participação do coral Cidade de Uberaba, sob a batuta de Marly Gonçalves, e da Companhia de Reis do capitão Jorge Bernardes, entoou cantos de Folias de Reis, em compasso de música clássica,  trazendo emoções ao público presente

Paulo Piau, em sua primeira gestão, deu todo apoio à então presidente da Fundação Cultural, Sumayra Oliveira, responsável pela realização de dois festivais de Violas e a criação do Centro de Cultura. Foi um período de grandes e marcantes realizações na área do Folclore, graças ao interesse e a vocação cultural da presidente. 

Foi sob sua administração que se realizou o II Festival Nacional do Catira, apresentado na Casa do Folclore, em 2013, sob o patrocínio da Petrobrás.

Foi nesta gestão também que se apresentou no Cine Vera Cruz, em 2014, doze grupos de catira de seis estados brasileiros, em projeto patrocinado pela Cia. Vale do Rio Doce onde foi apresentado a edição do livro – Catira 450 Anos de História – pesquisa e autoria de Lisete Resende.


Na segunda gestão Paulo Piau prestigiou o folclorista Antônio Carlos Marques, pesquisador, folclorista e professor que deu uma grande contribuição para manutenção e expansão dos grupos folclóricos de Uberaba. Ex-diretor da Fundação Cultural por longos anos, Antônio Carlos deixou saudades pela sua dedicação à cultura popular.

Louvem- se os Folcloristas, pessoas que se dedicam à cultura popular, principalmente nas áreas de cantos e danças, pelo seu empenho em colaborar para não se perder as raízes culturais de uma cidade ou de uma região.

Uberaba têm, em sua história, magníficos exemplos desta carinhosa dedicação de verdadeiros missionários da Cultura Popular. 

Edelweis Teixeira, criador do Instituto do Folclore Regional e Erwin Puhler, Professor por profissão e folclorista por vocação, dois intelectuais que dedicaram suas vidas em promover, colaborar, incentivar e manter todas as nossas manifestações folclóricas, tradições herdadas de nossos antepassados e que são nossas raízes culturais. 

Destaca-se também o papel de Lisete Resende, que além do livro “Catira 450 anos”, foi responsável pela elaboração e aprovação dos grandes projetos canalizados para dois Festivais de Catira, dos encontros dos grupos de catira no Cine Teatro Vera Cruz, do jubileu dos Encontros de Folias de Reis, patrocinado pela Petrobras e da ópera Bodas de Fígaro, patrocinado pela Cemig.

Sem falsa modéstia ressalto o papel nesse processo da Associação Cultural Casa do Folclore criada em 1972 sob o nome de Casa do Folclore, palco de centenas de apresentações artísticas nestes últimos 49 anos e que vem registrando, divulgando e contribuindo para a manutenção de uma das coisas mais bonitas de nossas vidas que são representadas pelos grupos de folclore de Uberaba e região. No Facebook mantém o programa a página “Grupo da Difusão da Cultura” onde todas as manifestações culturais são divulgadas. No YouTube mantém a página “Coisa Nossa Uberaba”, divulgando o que é nosso na área cultural.

Hoje é o dia dos folcloristas, dos pesquisadores, dos comunicadores, das entidades voltadas para o folclore, dos participantes dos grupos das manifestações de Catira, Folia de Reis, das Violas Caipiras, das Congadas, dos Moçambiques, entre outros, e de todos aqueles que tem amor pelas nossas tradições.

Viva o Folclore. Viva às nossas tradições. Viva a todos que contribuíram para realçar as manifestações de cultura popular de nossa gente.

Como símbolo do Folclore, pela sua reconhecida posição de apoio continuo ao Folclore, coloco a foto da sede da Associação Cultural Casa do Folclore.

Gilberto Rezende – Presidente da Associação Cultural Casa do Folclore.

Uberaba 22 de agosto de 2021.

domingo, 15 de agosto de 2021

VALLIM, REZENDE E GUIMARÃES - LAÇOS FAMILIARES

Interessante como uma foto de 3 amigos, com idades aproximadas, José Vallin de Mello (1887/1982), Manoel Gonçalves Rezende (1872/1966) e Osório Guimarães, (1878/1969) podem revelar histórias de famílias, tecidas pelo tempo.



Osório Guimarães era casado com Rufina Gonçalves e, José Vallin de Mello, com Delfina Gonçalves, ambas irmãs de Manoel Gonçalves Rezende, que, por sua vez, era casado com Idalina Augusta de Mello, irmã de José Vallin de Mello.

Manoel Gonçalves Rezende e seus dois cunhados, Osório Guimarães e José Vallin de Mello, todos oriundos do meio rural, geraram 46 filhos e jamais poderiam imaginar a quantidade de descendentes que iriam proporcionar em poucas décadas.

Seguidores fervorosos da religião católica, em cada fazenda dessas famílias existia um pequeno oratório no qual, aos domingos à noite, sob a luz de uma lamparina à querosene, os familiares faziam suas orações sempre conduzidas pela mãe. Esta prática religiosa exerceu grande influência nas famílias.

O tronco formado pela família de Manoel Gonçalves Rezende, gerou 13 filhos, sendo 12 homens e apenas 1 mulher. O de Osório Guimarães, gerou 21 filhos sendo 15 homens e 6 mulheres. Já o tronco de José Vallin de Mello, gerou 12 filhos, dos quais, 3 mulheres e 9 homens. Estes três troncos totalizaram 46 filhos.

Diversos foram os caminhos percorridos pelos filhos, segunda geração dos três troncos. Na área religiosa, formou-se um padre, João Maria Assis Vallim, responsável por construção de duas igrejas, Uberaba e Iturama. Na terceira geração, uma freira, Rosangela Valim, irmã dominicana, filha de Antônio Vallim e ainda, Dom Alberto Guimarães Rezende, futuro bispo de Catité, filho de Romeu Rezende e sua prima Guiomar Guimarães.

Na política, Mário de Assis Guimarães foi vereador e vice-prefeito. Randolfo de Melo Rezende, também eleito vereador, se destacou no associativismo ao assumir a presidência do Sindicato Rural de Uberaba.

Seis integrantes da 2ª. geração, preferiram o setor bancário, Raul, Mário, Gentil e Orlando da família Rezende e Bento e Ivan da família Vallin. Reynaldo Rezende optou pelo setor empresarial, fundando a Indústria Alimentícia Reyna.

Na área internacional de modas se destacou Marcos Vinícius, mais conhecido como “Markito”, costureiro de personalidades e artistas de vários países do mundo. Da terceira geração, ele era filho de Maria Rezende, única mulher da 2ª. geração do tronco dos Rezende.

Os demais filhos seguiram a vocação de seus pais, continuando na lida rural nos segmentos, de agricultura e pecuária.

Atualmente, dos 46 primos, Álvaro Rezende é o único sobrevivente e está se preparando para a festa dos 100 anos. Os demais são apenas saudades.

Na atualidade, já entrando na 7ª. geração, as famílias de Manoel Gonçalves Rezende e seus dois cunhados, Osório Guimarães e José Vallin de Mello, deixam seus nomes gravados eternamente nas recordações dos seus mais de 1.000 descendentes.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras – 3ª. geração, filho de Raul de Melo Rezende.

terça-feira, 10 de agosto de 2021

SANTINO GOMES DE MATOS

Maquinaria ou Maquinário?. Duas palavras iguais, com o mesmo sentido. O dicionário Michaelis registra que uma é sinônimo de outra.  

Na década de 1960 dois grandes estudiosos da Língua Portuguesa, brilhantes e invejáveis intelectuais portadores de riquíssimos currículos com diplomas em PHD mantiveram, por um longo período, um embate por meio da imprensa por divergirem na interpretação deste vocábulo. 

Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, então bispo metropolitano da Diocese de Uberaba, reconhecido como um dos expoentes da cultura brasileira, com formação eclesiástica e considerado como o maior orador do clero brasileiro, ao escrever a palavra maquinário em um de seus artigos publicados pelo Correio Católico, teve a contestação de Santino Gomes de Matos, um dos raros intelectuais que ainda poderia ser encontrado no interior do país. 

Com uma vasta formação acadêmica Professor Santino possuía profundos conhecimentos de Linguística, Filologia, Literatura e Português o que o transformavam em Mestre da Língua Portuguesa. 

Enquanto Don Alexandre se expressava pelo jornal que ele mesmo fundou, Santino Gomes de Matos fazia suas réplicas e tréplicas por meio das páginas do Jornal Lavoura e Comércio. 

Foram meses de embates, mas foram também aulas valiosíssimas proporcionada pelos dois gigantes da Língua Portuguesa para os leitores que, embora divididos em suas opiniões, acompanhavam extasiados o desenrolar da contenda literária.   

Não havia animosidade pessoal nesta diferença de interpretação. Afinal o Professor Santino Gomes de Matos, na época, lecionava na FISTA, faculdade que teve sua criação estimulada por Don Alexandre.  

E quem era este ‘ousado’ professor?  Santino Gomes de Matos, nascido em 1º de março de 1908 na cidade de Icó, Ceará, já demonstrava sua genialidade desde criança pois aos 4 anos de idade já conseguia ler corretamente. Aos 7 anos já era responsável por 3 alunos da escola de seu pai. 

Sua vocação para o magistério o fez professor em Crato, (CE) e Ribeirão Preto (SP).  

Chegou a Uberaba em 1935 a convite de amigos para ser redator-chefe do jornal “Gazeta de Uberaba”, cargo que ocupou até 1939, época em que foi contratado pelo Lavoura e Comércio ali permanecendo até 1948. 

Desta data em diante se dedicou exclusivamente ao magistério sem perder o vínculo com o Jornal Lavoura onde, semanalmente, publicava uma coluna sobre filologia e gramática e, posteriormente, uma coluna intitulada “Cupim, Barbela e Gavião” incentivando a vocação uberabense para o aprimoramento da raça zebuína. 

Era também correspondente do Jornal o “Estado de São Paulo” onde registrava os fatos importantes que ocorriam na região. 

Mas foi na área educacional que o Santino Gomes de Matos mais se destacou.  Professor de português, francês, inglês e latim, lecionava na Escola Normal, (hoje, Colégio Estadual Castelo Branco) e foi o primeiro diretor do Colégio Dr. José Ferreira. Foi um dos fundadores da Faculdade de Filosofia Santo Tomás de Aquino (FISTA) e professor da Língua Portuguesa e de Filologia Romântica. 

Para um erudito que traduzia até as línguas mortas, Grego e Latim e as neolatinas, Francês, Italiano e Espanhol, Santino Gomes de Matos foi um dos primeiros convidados a participar da fundação da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ocupando a Cadeira n. 2. 

Poeta e prosador surpreendeu a todos pela qualidade literária de sua obra – o conto “Flagrantes ao Sol do Norte” e os poemas “Procissão de Encontros”, “Céu Deposto” e “Oração dos Humildes”. Este último mereceu um artigo especial no jornal “Lavoura e Comércio” em março de 1940, data em que completava 32 anos de idade, ao relatar que é uma obra prima em duas áreas, Prosa e Poesia. 

No setor Filológico, a obra “O Inferno Divertido da Análise Sintática” foi editado pela imprensa oficial do Estado de Minas Gerais. O conjunto de sua primorosa obra o levou para a Academia Municipalista de Letras de Belo Horizonte. 

Para colocar um ponto final na polêmica mantida com Dom Alexandre, escreveu o livro “Porque Maquinaria e Nunca Maquinário.” 

Maria Isabel, a filha que deu continuidade aos estudos da Língua Portuguesa iniciados com seu pai, nos conta que vários dos poemas do Professor Santino fizeram, e continuam fazendo, “curso na admiração de leitores de Uberaba e de todo o Brasil, pois as edições de seus livros esgotaram-se rapidamente, solicitadas por livrarias de vários pontos do território nacional. Os seus livros de poemas ou de prosa são verdadeiras mensagens de um talento de escol, dirigidas a todos, especialmente aos que precisam de uma palavra de alento e de estimulo”.  

Diversos contos de sua autoria foram premiados em concursos promovidos em São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba, destacando-se “Fome”, “As Calças do Defunto” e “Mr. Severaine”. 

Santino Gomes de Matos era funcionário público lotado no IBGE, chefe da Agência Modelo, cargo pelo qual aposentou. Chegou a ser promovido, mas com a condição de se mudar de Uberaba. A única forma de evitar sua transferência, mesmo com acenos de rendimentos muito maiores, foi a de se candidatar para uma cadeira na Câmara Municipal de Uberaba. Nas eleições de 1962 mostrou seu prestígio ao ser eleito como o vereador mais votado. Seu amor por Uberaba falou mais alto do que a majoração de seu salário. 

Santino Gomes de Matos faleceu em 14 de outubro de 1975 aos 67 anos de idade. Era casado com Ione Passaglia Gomes de Matos, professora e escritora e tiveram três filhos: Cleômenes, (falecido), Evandro (médico) e Maria Isabel, funcionária da ALMG e professora de Língua Portuguesa em Belo Horizonte. 

Fica na memória de todos a imagem de um homem íntegro, um intelectual que contribuiu sobremaneira com a imprensa e a educação em Uberaba, que está intrinsicamente ligado à cultura da cidade, e que deixou seu rastro de saudades em todas as entidades, imprensa, escolas e faculdades, por onde o grande Jornalista, Poeta, Prosador, Escritor e Mestre da Língua Portuguesa, passou.   

Gilberto Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. 

Fontes – Maria Isabel Gomes de Matos 

Uberaba em Fotos.

quarta-feira, 4 de agosto de 2021

NICODEMOS

Adeus grande violeiro. Adeus companheiro. Vá com Deus, mas você deixa muitas saudades. Quantas encontros em que até as luzes dos terreiros brilhavam mais quando você entoava sua viola na Casa do Folclore. Foram incontáveis encontros em mais de trinta anos de admiração pelo seu talento.  

Às vezes você vinha acompanhado de seu parceiro Odair. Às vezes, sozinho, você solava, cantava e encantava com seus preciosos acordes e sua bonita e potente voz, interpretando Tião Carreiro e outros ídolos sertanejos. 

Você era violeiro, professor, amigo e conselheiro frente aos seus alunos da Escola de Viola que por mim foi criada na Fundação Cultural de Uberaba e que, por muitos e muitos anos você emprestou seu prestigiou para maior glória da Escola de Violas Gaspar Corrêa.

E o que dizer da Orquestra de Violas de Ouro, que você criou?  Você era o violeiro, era o maestro, era o cantador, era a alma do conjunto onde, sob sua batuta, alunos reproduziam com muito entusiasmo tudo aquilo que seu mestre ensinou. Foram mais de 300 apresentações em que o público vibrava com o requinte das vozes e o tanger das violas. Uberaba e toda região vão guardar na lembrança, com muito carinho e com muitas saudades, os repetidos e entusiasmados aplausos destas apresentações. 

 Não dá para esquecer que você, por longo tempo, foi também um grande comunicador que prestigiou, em seus programas de TV, duplas de violeiros de todos os rincões. Vinham para mostrar sua arte. Muitos vinham para aprender.

Que momentos memoráveis ao se lembrar do toque de sua viola para que sua filha Nathaly pudesse dançar balé em companhia do maior catireiro que o Brasil já conheceu, Romeu Borges.

Nicodemos, todos nós seus amigos e companheiros, admiradores, parceiros e familiares, custa a acreditar que você já não está mais entre nós. Certamente está entre os amigos que já partiram primeiro, preparando sua chegada para que a viola nunca possa parar de tinir, nem na terra e nem no Céu. 

Um dia, certamente, todos nós vamos nos reunir e aí voltaremos a bater palmas para o grande artista a quem todos chamavam de NICODEMOS.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-Presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

domingo, 25 de julho de 2021

ARLINDO DE CARVALHO

Uma tarde trágica. Um segundo fatal. A distração de um motorista, ou a imprudência de outro, provocou, no trevo da BR 262 com a BR 50, no fatídico dia 5 de novembro de 1970, uma colisão em que perderam a vida dois uberabenses gerando forte emoção na comunidade.

        Arlindo de Carvalho.  Foto/Divulgação 

Arlindo de Carvalho aos 67 anos e sua esposa, Leonor Borges de Carvalho aos 64 anos ao se dirigirem à sua fazenda, ele conduzindo um Volkswagen, este foi abalroado com impacto tão violento por um caminhão de Ribeirão Preto que o casal teve morte instantânea.

Arlindo era natural de Igarapava- SP, nascido aos 28 de novembro de 1903. Nas palavras de seu neto, Renato, a família veio para Uberaba no começo do século XX, motivada por um desentendimento numa questão de disputa por terras. “Abandonaram tudo para evitar retaliações à família. Chegaram muito pobres e Arlindo, então com 7 anos, único filho homem, aprendeu com o pai as 4 operações e, aos 10 anos, foi logo trabalhar. Não teve tempo e nem recursos para estudar, mas gostava muito de ler e de fazer contas. Aprendeu o básico da contabilidade e, de entregador numa farmácia passou a balconista, a encarregado, a gerente”.

Segundo Renato “ele não gostava de esbanjar, não era dado a festas e bajulações. A vida o conduziu ao pragmatismo. Nunca prejudicou ninguém e, segundo ele, a ética devia estar ligada ao crescimento econômico”

Anita, irmã, conta que Arlindo trabalhou, entre outros empregos, na Casa Lealdade e, posteriormente, na Casa Violeta, de Secundino Lóes e João Hermógenes, onde permaneceu até se casar com Leonor em 24 de junho de 1927. Juntos tiveram três filhos, Lincoln Ronaldo e Maria Aparecida.

Leonor recebeu por herança a fazenda Aroeiras situada na divisa do município de Conquista. Esse fato fez com que Arlindo se transformasse num administrador rural. Nesse período trabalhou com cafeicultura e rizicultura, mas devido a uma crise econômica do país naquela época terminou por arrendar a fazenda e passou a se dedicar ao comércio.

Não chegou a se afastar totalmente do campo mantendo sociedade na criação de gado com um grande fazendeiro e um dos políticos mais influentes da cidade, Ranulpho Borges do Nascimento. Essa parceria trouxe bons resultados comerciais inclusive no ramo imobiliário.

Como representante comercial, além de outros produtos agropecuários, se destacou na distribuição do açúcar produzido pela Usina Mendonça de Conquista.

Em 1932, ao ingressar como sócio da empresa Magiotti, conheceu aquele que seria seu maior amigo e parceiro, Mousinho Teixeira Leite, então contador da Drogaria Alexandre.

Dessa amizade nasceu a união comercial para a aquisição da “Casa Ceres” de Fernando Sabino de Freitas, localizada na rua 24 de fevereiro, esquina com a rua Dona Juliana, hoje rua Carlos Rodrigues da Cunha com Olegário Maciel.

A transação sugerida pelo contador da Casa Ceres, José Marinho Junior, provocou a constituição, em 1934, da empresa “Carvalho & Teixeira”.

Três anos depois novos sócios vieram participar da organização, novos mercados foram abertos trazendo novos horizontes para os negócios, nascendo aí a Casa Carvalho que se transformou, ao longo dos anos, numa das maiores organizações comerciais de toda a região do Triângulo Mineiro.

No setor imobiliário, em sociedade com seu cunhado Hermógenes Ferreira Borges na década de 1940 adquiriram, para fins de loteamento, uma grande área no final da Avenida Almirante Barroso, bairro do Fabrício, confiantes na expansão urbana.

De espírito associativista, Arlindo de Carvalho foi Vice-Presidente da ACIU na gestão de Paulo José Derenusson (1948/1949), tendo como companheiros de diretoria, entre outros, Fernando Sabino de Freitas e Bruno Martinelli.

Foi eleito presidente da Entidade para o período de 1949 a 1951, tendo como diretores, entre outros, João Guido, Reynaldo de Melo Rezende, Lívio da Costa Pereira e Rubens Dornfeld.

Durante sua gestão entre as várias conquistas obtidas destacam-se a luta pela liberação de recursos do Estado destinados à ampliação da Usina Pai Joaquim e a criação de uma agência da Mogiana no centro da cidade

O maior destaque desta diretoria, na verdade, foi a vitória na disputa com a cidade de Conquista pela instalação da sede da fábrica de cimento, proprietária de terra no município de Uberaba e no município de Conquista.

Conta José Mousinho Teixeira que “Confirmado todos as démarches para construção da fábrica o presidente da ACIU, à época Sr. Arlindo de Carvalho, não mediu esforços para dar todo o suporte de logística para viabilização das obras de construção”.

Inaugurada em 1954 trouxe uma nova vida para o bairro rural de Ponte Alta, oferecendo empregos para centenas de operários. Transferida para Arcos em 2004 a fábrica, por 60 anos, foi uma importante alavanca para o desenvolvimento econômico de Uberaba.

Em reconhecimento ao seu trabalho Arlindo de Carvalho, passou a integrar o quadro de diretores da Companhia de Cimento.

Leonor Borges de Carvalho, esposa de Arlindo, empresta seu nome a uma rua situada no bairro São Benedito.

Lincoln Borges de Carvalho, seu filho, dá nome à Avenida inaugurada em 2019, conhecida como Avenida Interbairros.

Uma pena que Arlindo Carvalho, o grande guerreiro que a cidade adotou e que tantos benefícios relevantes propiciou para o desenvolvimento de Uberaba, não teve ainda o seu reconhecimento para ser homenageado pelo Poder Público Municipal.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-Presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Fontes –

Renato Muniz de Carvalho –

Anita Carvalho

José Mousinho Teixeira

ACIU – Associação Comercial e Industrial de Uberaba.

Jornal da Manhã.

quarta-feira, 21 de julho de 2021

DR. SÍLVIO PONTES PRATA.

Como é difícil me despedir de um amigo, cujas lágrimas pedem a palavra e falam por mim. 
Dr. Sílvio Pontes Prata que Uberaba, entristecida e de luto, vê partir hoje para a eternidade. 
Sua vida pontilhada de boas ações lhe fazia e faz merecedor do mais puro afeto e gratidão de todos os seus pacientes e familiares. E por extensão, os inúmeros amigos. 
 
Sílvio Prata Foto/Divulgação.

Minha família e eu lhe externamos a nossa gratidão pela sua amabilidade conosco nos momentos ultra difíceis, sobretudo quando a esperança estava em seu limite e ele, Dr. Sílvio, enviado por Deus, revertia situações aqui inenarráveis. 

Coração sensível, tratando corações enfermos, uma palavra sua dirigida com amor erguia os pacientes. Quantos eu sei, que tiveram sobrevidas e diziam em alto e bom som: “Foi graças ao Dr. Sílvio Pontes Prata”. Esse é o filho que Uberaba, tão bem descrita por seu avô Hildebrando Pontes, se despede pesarosa. 

Aliás, certa vez a trabalho entrei numa das salas de aula da então Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro e, na lousa, li a mensagem de despedida mais linda que conheci. Seu autor: Dr. Sílvio Pontes Prata que a escreveu ao se aposentar como professor. 

Citei-lhe no livro “Zote que eu vi” e, naquelas páginas, está o seu depoimento sobre um dos seus pacientes mais aguerridos - Zote. 

Referência para seus familiares, pacientes, amigos e colegas de profissão, Dr. Sílvio deixa sua indelével marca. Tenho certeza que D. Selma, os filhos; Dorinha, Silvana, Sérgio e Stael com os demais descendentes tudo farão para eterniza-lo. 

Aos familiares do querido amigo o nosso abraço de solidariedade. 
E um “até breve” Dr. Sílvio Pontes Prata.

João Eurípedes Sabino.
Uberaba/MG/Brasil.

sexta-feira, 25 de junho de 2021

Baile do Cowboy no Jockey

 E o Baile do cowboy já teve Reggae. Lembra? Sabia?

Como diretor social do Jockey na gestão do Delcides, trouxe um “tal” de Leandro & Leonardo para o Baile do Cowboy. Isso em 1992. O sertanejo, que nem tocava em rádio FM, prometia. Apostamos neles e foi um sucesso. Camarote nem existia. Inventei essa coisa e foi um tremendo sucesso. Qual festa grande no Brasil não tem camarote? “Viralizou”. Bom, o ano de 1993 chegou e eu virei presidente do Jockey. Por incrível que pareça, o sertanejo naquele ano deu uma caída. O Reggae estava tocando muito. Não tive dúvidas. Contratei o Jamaicano JIMMY CLIFF. O sucesso foi muito grande. 

Uma passagem que não me esqueço foi quando o Mário Sérgio Borges ( Marreco), uberabense que estava morando em Goiânia, me chamou num canto e me disse: Zé, vim de Goiânia para te prestigiar e conhecer essa dupla. Eu fui logo perguntando. Que dupla Marreco? Ele, com um humor invejável, foi logo respondendo: uê, o Jimmy e o Cliff. 

Choramos de rir. O Baile do Cowboy de lá pra cá nunca deixou de ser o palco dos sertanejos e uma das principais festas do Brasil.

José Renato Gomes

 Ex-diretor Social do Jockey Clube de Uberaba 










Bandido da Cartocheira.

LEMBRANÇAS DE COBERTURAS JORNALÍSTICAS: SERIAL KILLER


Ramiro Matildes Siqueira, Conhecido pela alcunha de Bandido da Cartucheira e também por Ramiro da Cartucheira, foi acusado de 54 crimes, incluindo pelo menos 15 assassinatos e 3 estupro, cometidos no final dos anos 70 e início dos anos 80.. As frequentes aparições na crônica policial, mandados de prisão em três estados. Minas, São Paulo e Goias,  e a crueldade de seus atos o tornaram personagem de lendas urbanas, principalmente no meio rural. 

Na imagem abaixo, o momento em que Ramiro foi preso, no interior de Goias, após meses de caçada. Eu, e o cinegrafista José Maria dos Reis o famoso Alemão, estivemos juntos na caçada já a 45 dias, cobrindo jornalisticamente pela Rede Tupi de Minas Gerais e TV Uberaba, Após Ramiro ser algemado, o primeiro jornalista a falar com ele após sua prisão, fomos nós, como mostra a imagem, isto no início dos anos 80.

(Jornalista Paulo Nogueira)


segunda-feira, 21 de junho de 2021

AURÉLIO LUIZ DA COSTA

“Olhe a sorte”. Esta era a abordagem dos empolgados diretores da ACIU, travestidos de vendedores de rifa junto aos transeuntes de Uberaba naqueles dias de dezembro, próximos do Natal de 1963. Mil bilhetes numerados estavam à venda sob a responsabilidade da diretoria de Aurélio Luiz da Costa.
As vendas corresponderam ao preço do prêmio, um carro zero km Aero-Willis. Apurado o resultado, a sorte finalmente sorriu para a Entidade, concedendo-lhe a premiação.

Este dinheiro era necessário para cobrir os custos finais de implantação da torre de transmissão da TV TUPI que, de Buritizal, SP, jogaria o sinal para Uberaba.

Era o remate de uma epopeia que se iniciou quando a TUPI, a pioneira da TV no Brasil, criada em 1950, passou a se expandir na década de 1960, para o interior de São Paulo.

As tratativas iniciais para trazer o sinal para Uberaba começaram na gestão de Mário Grande Pousa na ACIU (1961/1962), tendo como auxiliares diretos nesta empreitada, entre outros, os seus diretores José Sexto Batista de Andrade, Aurélio Luiz da Costa, Lincoln Borges de Carvalho, Gilberto Rezende e Mário Salvador.

Grande parte dos entusiastas deste processo firmaram compromissos de apoio mediante a promessa de pagamentos em parcelas para cobertura das despesas. Todavia, muitos não puderam resgatar seus compromissos.

A responsabilidade dos custos remanescentes recaiu sobre a gestão de Aurélio Luiz da Costa (1963). Desavenças que a poeira do tempo apagou, reduziu para oito o número de diretores da Entidade. Mesmo assim, novos personagens se juntaram nesta empreitada, entre outros, Benedito Jorge, Zito Sabino de Freitas, Jorge Dib Neto, Ronaldo Benedito Cunha Campos e José Leal do Alemão.

Não foi nada fácil para a diretoria da ACIU concretizar o compromisso assumido com a comunidade. Recursos e pessoal escasso, todavia, não foi capaz de aquebrantar o espírito de luta do presidente Aurélio. Dezenas de viagens a São Paulo, busca de apoio com o deputado estadual José Marcus Cherém em Belo Horizonte e por fim, o resultado de uma rifa, deu a ele e a sua diretoria, o troféu de “Vencedor”.

O pequeno e improvisado estúdio foi implantado no final da Rua Artur Machado. Os remates ficaram por conta da diretoria de Leo Derenusson (1964/1965) para que, finalmente, na gestão de Edson Simonetti, (1966/1967), a cidade contasse com a programação da TV Tupi.
 
Uma nova era foi inaugurada com a implantação da TV em Uberaba. Novos pilares econômicos foram se assentando. Lojas se abriram para o comércio de aparelhos de televisão e de antenas; novos profissionais para oficinas de reparos e novas profissões vinculadas às áreas artísticas e de comunicação. Um mundo novo e deslumbrante de fantasias se apresentou na cidade que só conhecia o rádio. A paixão pela novidade foi retumbante.

Apesar do tempo dedicado à missão TV, outras questões mereceram a atenção da ACIU na gestão do Aurélio. Foi neste período que a Entidade participou da elaboração do Código Tributário Municipal.
A UNASBA-União das Associações e Sindicatos de Uberaba, criada a cerca de uma década, tinha Aurélio na presidência neste período, contribuindo assim com a ACIU, na luta para o asfaltamento de Uberaba/Belo Horizonte (BR 262) e Uberaba/Uberlândia (BR 50) bem como para a campanha de canalização dos córregos.
Aurélio foi o maior acionista individual do Banco do Triângulo, criado por Fidélis Reis e que posteriormente foi encampado pelo Banco Nacional de Magalhães Pinto e que, por sua vez, foi encampado pelo Banco da Lavoura, virou Banco Real e hoje é Santander.

Uma de suas atividades era o comercio de madeiras, inicialmente na Praça Frei Eugênio com a empresa “Madeireira Triângulo”, posteriormente transferida para a Rua Capitão Manoel Prata.
Foi também diretor da empresa estatal FRIMISA - Frigorífico de Minas Gerais, localizada onde se encontra hoje as instalações do Frigorífico Boi Bravo.

Dotado de espírito comunitário, Aurélio fez diversas doações de terrenos para instituições de caridade e escolas municipais e estaduais, entre estas, a da Abadia e do Jardim Induberaba.
 
Sua morte prematura em 25 de dezembro de 1965, aos 34 anos de idade, deixou inconsolável sua esposa Ivani Amaral Costa e seus quatro filhos Marco Aurélio, Aurélio Jr., Márcia e Márcio (Budú)
Aurélio Luiz da Costa é hoje nome de uma Praça de Uberaba localizada no bairro de São Benedito. É também nome da Escola Estadual localizada no Jardim Induberaba. É saudade de seus amigos e familiares. É exemplo de luta extremada na defesa dos interesses de Uberaba. É história que jamais poderá ser esquecida.


Gilberto de Andrade Rezende.
Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ex-presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.
Fontes;
ACIU –
Mário Salvador –
Marco Aurélio Luiz da Costa.

TURFA – UM ESTUDO DE SUA POTENCIALIDADE ENERGETICA

PUBLICADO EM 1982 PELA METAMIG, NÃO TEVE CONTINUIDADE.

O Acadêmico César Vanucci, uberabense radicado em Belo Horizonte, traz à tona em seu artigo que compartilhamos, a história da turfa, uma interessante fonte de energia localizada pela Metamig em Uberaba e outras regiões do Triângulo Mineiro.
E as jazidas de turfa do Triângulo?
Cesar Vanucci *

“Turfa, uma nova riqueza energética!”
(Anúncio do Governo, em 1982)
Volto a assunto focalizado há bom tempo neste espaço. Ressalvando a condição de leigo no trato da temática abordada, trago informações, que considero relevantes sobre a turfa. Falemos de suas propriedades como fonte alternativa de energia.

O geólogo João Alberto Pratini de Morais, por volta de 1982, diretor de operações da Metamig, conduziu um estudo ressaltando a importância e viabilidade do emprego da turfa como adicional tecnológico precioso. Assegurou tratar-se de matéria prima capaz de oferecer bons resultados, em termos regionais – ele se referia à região do Triângulo Mineiro –, no tocante à produção energética. Explicou que a turfa é massa formada da degeneração de plantas acumuladas ao longo de milhares de anos, em depressões de terrenos. Com o soterramento e compactação, a água e outros compostos voláteis foram lentamente expulsos dessa massa.

Daí resultou o surgimento de camadas de carvão. O material é de aplicação ampla. O aproveitamento da turfa decorre tanto de sua estrutura específica, quanto de suas características físico-químicas. A experiência mundial aponta que as principais aplicações ocorrem na agricultura, no condicionamento do solo, e na indústria, como combustível para gaseificação. Como insumo energético, a turfa contribui para a geração de eletricidade, vapor e aquecimento. A substituição de derivados do petróleo, a proteção ambiental, a alta eficiência de combustão, o controle de temperatura de combustão e a possibilidade de adaptação às caldeiras instaladas são indicados como outras vantagens do processo.

A utilização da turfa em grande escala, na Finlândia, Holanda, Suécia, Polônia, Inglaterra, Alemanha, Noruega, Rússia, Irlanda e Escócia, como fonte opcional de energia, são fatores que sugerem sua crescente importância na atualidade, traduzida na necessidade de identificação de outras matrizes de energia para acudir às exigências do conforto humano.


Há mais de três décadas, a produção de turfa na Rússia era da ordem 200 milhões de toneladas/ano, canalizadas principalmente para o setor elétrico. Na Irlanda, o volume atingia 6 milhões de toneladas/ano. O histórico brasileiro nessa modalidade não indicava índices dignos de nota. A Central do Brasil chegou a explorar turfeiras para alimentar locomotivas.


Em 1982, há quase 40 anos, na Federação das Indústrias de Minas Gerais, o secretário da Indústria José Romualdo Cançado Bahia, de saudosa memória, anunciou que a descoberta recente de volumosas jazidas turfeiras em Uberaba, Araxá, Sacramento e Perdizes, representava um marco histórico para o uso de uma riqueza adormecida no subsolo. A Metamig acabara de concluir, no território citado, o mais avançado estudo já feito sobre a apropriação da turfa. As reservas identificadas substituiriam o carvão mineral e a lenha, em largas faixas territoriais. As lavras eram de fácil extração e de beneficiamento simples e transformação em elemento energético, comparável ao carvão mineral.

O comunicado rendeu copioso noticiário. A “Vida Industrial”, publicação da Fiemg, conferiu ao assunto reportagem de capa, com realce para as declarações de Pratini de Morais. Foi Acentuado que o Ministério de Minas e Energia mostrava-se propenso a incentivar investimentos na exploração das jazidas e que essa exploração não exigia grande tecnologia, oferecendo retorno imediato. O então diretor técnico da Companhia de Recursos Minerais, Edson Suchinski, esclareceu que a turfa é mais viável economicamente do que o carvão.

Vou parando por aqui as anotações. Fica no ar, pertinente indagação. E, então: a possibilidade de exploração da turfa na região de Uberaba continua sendo economicamente viável, como enfatizado, em 1982?