segunda-feira, 10 de novembro de 2025

CATETINHO DE UBERABA, O RESTAURANTE QUE VIROU MEMÓRIA NA BR-050

Matando uma saudade, divido com vocês.

Restaurante Catetinho. Foto autoria desconhecida. Acervo de Uberaba em Fatos.

Muita gente que passa hoje pela BR-050 nem imagina a história que aquele pedaço de estrada já guardou. O Restaurante Catetinho, no Km 186, foi por muito tempo um dos pontos mais tradicionais e movimentados da rodovia. Quando foi inaugurado, a BR-050 ainda não era duplicada, e viajar por ela já era um passeio. Nos anos 1970, era comum: quem ia ao Country Clube, à AABB de Delta ou aos ranchos na beira do Rio Grande, na volta parava no Catetinho para comer bem.

O lugar chamava atenção de longe: grande, bonito, e com o pátio sempre cheio de turistas. Além da comida, tinha 23 apartamentos, alguns considerados de primeira classe para a época. Muitos viajantes pernoitavam ali, e quem era da cidade gostava de ver aquele movimento de carros, ônibus, famílias e gente do Brasil inteiro passando por Uberaba.

E tinha um charme que ninguém esquece. Para amenizar o calor, instalaram um sistema no telhado de barro que deixava a água escorrer, formando um véu de noiva na fachada. Quando o sol batia, aquilo refrescava o ambiente e virava assunto nas mesas. Sábados e domingos eram lotados: risadas, conversa alta, cheiro de comida, crianças correndo, pátio cheio. Até uma piscina pequena existia para a meninada brincar enquanto os adultos conversavam. Muitas samambaias penduradas decoravam o salão, e o pátio, todo em brita, fazia o lugar parecer uma fazenda animada no meio da estrada.

O nome do restaurante também tinha história. Seus proprietários, Astolpho Sabino de Freitas e seu filho, Astolpho Sabino de Freitas Júnior, se inspiraram no antigo Palácio do Catete, no Rio de Janeiro, que por décadas foi sede da presidência da República. Quando Brasília começou a ser construída, ergueram uma residência provisória para Juscelino Kubitschek acompanhar as obras: um prédio simples, feito às pressas, que ficou conhecido como Catetinho, o “pequeno Catete”. Admirando esse símbolo de progresso e movimento pelo país, pai e filho decidiram batizar o restaurante com o mesmo nome, trazendo para a rodovia BR-050 um pedaço dessa história.

Lembro bem de tudo isso, quase entrando na adolescência: o véu d’água no telhado de barro, o barulho das risadas, o entra e sai de turistas, famílias contentes, caminhões e ônibus parando. O Catetinho faz parte da memória de Uberaba e de quem viveu aquele tempo.

O restaurante fechou em meados dos anos 80. Depois disso, vários comércios passaram por ali, mas nenhum com o mesmo brilho e tradição. Hoje, onde já funcionou o hotel, existe um alojamento para funcionários que trabalham nas obras da rodovia. Mas, para quem conheceu o verdadeiro Catetinho, aquele pedaço de estrada nunca foi apenas estrada, foi encontro, comida boa, movimento e história. 
(Antônio Carlos Prata).