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terça-feira, 3 de maio de 2022

HERÓI DE GUERRA

3º. Sargento João Gonçalves dos Santos

Ele foi o único uberabense que não voltou pra casa, após ter participado da FEB, Força Expedicionária Brasileira, durante a II Grande Guerra.

Imagens: 1 - João Gonçalves Gonçalves dos Santos (superior); 
2 – Cemitério de Pistóia, Itália (inferior)

O 3º. Sargento João Gonçalves dos Santos, convocado aos 22 anos de idade, atuou na zona de operações na região de Montese, Itália, onde desapareceu em 22/4/1945 e foi considerado morto em combate, recebendo as Medalhas de Campanha e Cruz de Combate de 2ª. Classe.

Seu corpo permaneceu em terra estranha, como o de demais colegas da FEB, enterrados em solo italiano.

Em homenagem à esses valorosos jovens brasileiros a célebre poetisa Cecília Meireles dedicou singelo e comovente poema, publicado em 1953, em que diz:

“PISTÓIA

Eles vieram felizes, como / para grandes jogos atléticos, / com um largo sorriso, no rosto, / com forte esperança no peito, / porque eram jovens e eram belos.

Marte, porém, soprava fogo / por estes campos e estes ares. / E agora estão na calma terra, / sob estas cruzes e estas flores, / cercados por montanhas suaves.

São como um grupo de meninos / num dormitório sossegado, / com lençóis de nuvens imensas, / e um longo sono sem suspiro, / de profundíssimo cansaço.

Suas armas foram partidas / ao mesmo tempo que seu corpo. / E se acaso sua alma existe, / com melancolia recorda / o entusiasmo de cada morto.

Este cemitério tão puro / é um dormitório de meninos: / e as mães de muito longe chamam, / entre as mil cortinas do tempo,

cheias de lágrimas, seus filhos.

Chamam por seus nomes, escritos / nas placas destas cruzes brancas. / Mas, com seus ouvidos quebrados, / Com seus lábios gastos de morte, / que hão de responder estas crianças?

E as mães esperam que ainda acordem, / como foram, fortes e belos, / Depois deste rude exercício, Desta metralha e deste sangue, / destes falsos jogos atléticos.

No entanto, o céu, a terra, as flores / é tudo horizontal silêncio. / O que foi chaga é seiva e aroma, / - do que foi sonho não se sabe... – / e a dor anda longe, no vento.”

Anos depois os corpos desses jovens heróis foram transferidos para o Aterro do Flamengo, RJ, em Pistóia permaneceram as cruzes e placas com os seus nomes, mas em Uberaba só restou a dor no coração dos familiares e amigos de João Gonçalves dos Santos.

Moacir Silveira

Fonte: “Uberaba na 2ª. Guerra” – site do APU – Arquivo Público de Uberaba.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A GUERRA CHEGA EM UBERABA

Colocando pai e filho em lados opostos, o grande conflito finalmente chegava em Uberaba. Isso já era há muito tempo esperado. Ante a indefinição do governo federal em relação ao panorama internacional, radicais locais vinham apoiando abertamente atuar ao lado dos fascistas. Eles compunham o que ficou sendo conhecido por grupo dos camisas pretas.

Dentre os mais entusiasmados com os ideais fascistas estava Teófilo Riccioppo, que chegou a ser presidente da Fratellanza Italiana, cuja comunidade se reunia em prédio próprio localizado na rua 7 de Setembro.

Imagens: 1 – Teófilo e Francisco Riccioppo; 2 – Fulvio Riccioppo;3 – pilotos da FAB em treinamento nos EUA
 (álbum de família e do acervo do APU – Arquivo Público de Uberaba)

Mas quando o Brasil definiu posição em favor dos países aliados, inúmeros jovens foram convocados para integrar a FEB, Força Expedicionária Brasileira. Dentre esses Fulvio o próprio filho de Teófilo, além de dois outros sobrinhos, Plauto e Vinicius, que passaram a integrar o grupo de combatentes.

No seio da família a situação ficou deveras incomoda, principalmente para Teófilo, que emocionado aconselhou o filho: “- Fulvio, eu sei que esta situação, por minha causa, não deve ser fácil para você. Porém, ouça-me: faça o melhor pelo seu país e esqueça-se de minhas origens. Você deve defender aquilo em que acredita. Não pense mais nisso...”

Fúlvio Riccioppo foi então enviado para um período de treinamento nos Estados Unidos antes de ser incorporado ao grupo de pilotos, assumindo o comando de um P-47D Thunderbolt, o avião de caça utilizado pela FAB, Força Aérea Brasileira.

A bela saga do clã familiar é narrada, com rara maestria e felicidade por Plauto Ricciopo Filho, no livro “Raízes Arbëshë – histórias e memórias da família Riccioppo”.

Moacir Silveira



domingo, 6 de março de 2022

SANGUE, SUOR e LÁGRIMAS


Em terras do Zebu, logo me indaguei: quem seria esse Guia Lopes? Pensei tratar-se de guia de gado. Ledo engano.
José Francisco Lopes, seu verdadeiro nome, estava posto em sossego em sua bela Fazenda do Jardim, MS, bem próxima da fronteira com o Paraguai, quando o maior conflito da América Latina eclodiu.

Imagens: 1 e 6 (Placa e Rua Guia Lopes – fotos: Antonio Carlos Prata);
do Google: 2 – Guia Lopes e Fazenda onde nasceu); Os filhos, todos com o sobrenome Lopes, em 3 – os mais novos: Pedro José, José Francisco e Bernardino Francisco; o mais velho: 4 – João José; e 5 – o do meio Pedro José

Natural de São Roque de Minas, distrito de Piumhi, aqui na Serra da Canastra, ali nasceu em 26/2/1811 e hoje é considerado o maior herói no trágico episódio da Retirada da Laguna, da Guerra do Paraguai.

Em sua bela propriedade rural no Mato Grosso do Sul dedicava-se à pecuária extensiva, ao lado de irmãos, filhos e cunhados. Graças à isso tinha profundo conhecimento da região.
Bem no início do conflito, em 1864, teve esposa e 4 filhos presos por tropas paraguaias e levados àquele país.

Tomado por sentimento de vingança alista-se como voluntário nas tropas que chegavam ao MS e que haviam passado por Uberaba, cidade onde foram reunidos os contingentes vindos de Ouro Preto e Rio de Janeiro.

Mas o inimigo, adotando tática de ‘guerrilha’, não facilitou sua empreitada. Recuaram, destruíram tudo o que ficava para trás e não deixavam gêneros que pudessem ter utilidade à nossa tropa.

Foram dias de muito sangue, suor e lágrimas. Inimagináveis na história dos grandes conflitos mundiais. Agruras que só os bravos são capazes de suportar. Luta corpo a corpo na base do sabre, espada e pesadas balas de canhão. Em cargas rápidas de cavalaria capazes de fazerem levitar, em pontas de afiadas lanças, os corpos dos que ousavam enfrenta-las. Espetáculo dantesco de corpos estrebuchados. Some-se a isso fome, pestes e torturas aos que caiam em mãos inimigas. Pior ainda, o ambiente não era favorável. Quando chovia era charco pesado e pantanal intransponível. Quando sol escaldante, capinzal propício ao fogaréu, fumaça e sufoco, que os paraguaios exploraram à larga.

À falta de mantimentos o nosso Lopes não hesitou, colocou à disposição o gado de sua propriedade, que para alimentar a tropa era abatido, em média, 40 cabeças por dia.
Acossados pelos inimigos, com fome, vitimados por epidemia de cólera, a maltrapilha tropa alcança nossa fronteira, onde Lopes, também vítima da doença, luta até o último dia de sua vida, vindo a morrer às margens do rio Miranda, onde está enterrado, em terras de sua propriedade, em solo de seu amado rincão.

Dos mais de 3.000 soldados brasileiros, só 700 sobreviveriam. Não fosse o heroico feito de nosso Guia, talvez nem isso. Além de Lopes, o conflito tirou a vida de 2 de seus filhos e de um cunhado.
Seu nome é merecidamente lembrado em escola (BH), em ruas (Uberaba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre...), avenida (Uberlândia), dá nome a município no Mato Grosso do Sul e a centenas de outros logradouros e prédios públicos Brasil afora.

E hoje quando ouço nosso hino nacional, comovido, sempre nele penso, principalmente nos versos:
.... “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil”, ao que mentalmente acrescento: - e que esse solo lhe seja leve e amável, sob terras e flores de sua querida Fazenda Jardim.

Moacir Silveira


OBS: Para maiores detalhes sobre essa epopeia sugiro leitura das obras de Taunay, testemunha ocular dos fatos.

PAPO DE BOLA

Em matéria esportiva Uberaba foi a 1ª. cidade do interior do Estado a contar com um moderno estádio de futebol e uma equipe de craques responsável pela apresentação do programa "Papo de Bola" do recém inaugurado Canal 5, TV Uberaba, em 1972.

Imagens: 1 – Ramon Rodrigues, Luiz Gonzaga e Netinho (acervo Uberaba em Fotos);
 2 – Jorge Zaidan (TV Uberaba) e Fernando Sasso (TV Itacolomi).

O programa contava com apresentação de Luiz Gonzaga, Ramon Rodrigues, Ataliba Guaritá, o popular Netinho, e dos irmãos Jorge e Farah Zaidan. Por ele passaram os mais ilustres convidados, dentre os mais importantes jogadores, dirigentes, técnicos, torcedores e figuras representativas do mundo esportivo.
Vale lembrar que naquela época em todo o Brasil existiam apenas quatro narradores em atuação na TV brasileira, a saber: Fernando Sasso (BH), Walter Abraão (SP), Carlos Lima (RJ) e Luiz Gonzaga (Uberaba).

E o pioneirismo não parou por aí. Como parte importante na integração da Rede Tupi o apresentador Luiz Gonzaga foi escalado para fazer a 1ª. transmissão via satélite do país, narrando o jogo entre Corinthians Paulista x Nacional de Manaus, e que ocorreu em 24/9/72 naquela cidade.

Quatro anos após a inauguração do Uberabão, em 1976, o Uberaba Esporte conquistava vaga no Campeonato Brasileiro, coroando assim a liderança da cidade em matéria esportiva.

Moacir Silveira

sábado, 5 de março de 2022

DOAÇÃO HISTÓRICA

Na condição de legítimos donos de uma gleba de meia légua quadrada (equivalente a 2.500 m2) bem na região central do vilarejo eles resolveram fazer, de livre e espontânea vontade, uma “doação ao Senhor Santo Antônio e a São Sebastião para patrimônio de Sua Igreja e ao procurador que houver dos referidos Santos, aos quais cedemos e traspassamos todo o domínio que até aqui tínhamos. E por firmeza de tudo aqui fica expressado, e por eu não saber ler nem escrever somente me assino com uma Cruz sinal de que uso e pela dita mulher assina a seu rogo...” e de tudo mandaram lavrar registro no livro da paróquia.

Rua Tristão de Castro. Foto: Uberaba em Fotos.

E foi assim que Tristão de Castro Guimarães (assinado com uma cruz) repassou o terreno onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Uberaba e toda a sua área adjacente.
Por esse nobre gesto é que um dos principais logradouros públicos da cidade leva o seu honroso nome: Rua Tristão de Castro.
Essa importante manifestação de vontade faz parte do livro de registros da paróquia, datado de 28/12/1812, trazendo as respectivas assinaturas em cruz e a rogo, com a identificação das testemunhas presentes ao ato.

Moacir Silveira

quinta-feira, 3 de março de 2022

DESTINOS CRUZADOS NAS ESQUINAS DA VIDA

Estranhos são os caminhos da vida e esses dois não poderiam imaginar que teriam destinos cruzados.O da esquerda nasceu em Visconde do Rio Branco, MG, em 1949. O da direita em Uberaba, em 1955. Aquele, aos 2 anos, acompanhou os pais em mudança para a capital mineira. O outro chegou a morar em Araguari, mas passou maior parte da infância e juventude aqui em Uberaba. Ambos, embora em cidades distintas, tiveram vidas parecidas. Jogaram bola, soltaram pipas, rodaram pião e quicaram biroscas. Coisas de criança.

O pai do primeiro tocava saxofone na banda da PM e na Orquestra Sinfônica de BH. Na época, tinha por colega um jovem violinista de raro talento e sensibilidade. Tanto que, anos depois, granjearia fama internacional. Entusiasmado o pai resolve contratar violinista para o menino. Perdeu-se tempo e dinheiro. A criança não teve empatia com o instrumento. Queria mesmo é voltar a brincar. A mãe, insatisfeita, vendo o moleque naquela vida sem proveito e futuro, não teve dúvidas: não quer aprender música, então vai trabalhar.

Imagens: - no topo e ao centro, maestro Benito Juarez;
 - colunas da esquerda: Moacir Silveira e da direita: Jeziel Paiva.

Assim, aos 14 anos, ele começou como office-boy, passou por três empregos até conseguir, aos 17 anos, uma vaga de escriturário na TV Itacolomi de Belo Horizonte. Aos 19 anos já era diretor de tv e em 1972 recebe convite para o cargo de supervisor artístico da TV Uberaba. Paralelamente, gradua-se em direito, é contratado como professor e assessor de comunicação social pela então FIUBE. Em 1989, muda-se para Brasília, participa da fundação e ministra aulas no IBEJ (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos). Em 1992 é aprovado em concurso do TJMG e, como juiz de direito, passa pelas cidades de Corinto, Três Marias, Morada Nova de Minas, Guaxupé e Governador Valadares. Aposentado volta a morar em Uberaba.

Já o jovem uberabense, tomado de amores pelo violino, quis aprender a tocar quando ainda criança. Sua mãe até tentou professor particular. Era preciso ter o instrumento. Sonho adiado. Anos depois consegue vaga no Conservatório. Ainda adolescente começa a trabalhar na rádio 7 Colinas e, aos 16 anos, na TV Uberaba. Resolve dedicar-se exclusivamente à música e não perde tempo. Em 1976 e anos seguintes tem marcante participação nas Orquestras Sinfônicas de Ribeirão Preto, Brasília e Salvador. Em Campinas recebe aulas de regência com o consagrado maestro Benito Juarez. Com quem? Benito Juarez! Sim! Aquele que, na década de 1950, na capital mineira, serviu de modelo e inspiração ao colega saxofonista.

Nessa história de destinos cruzados falo por mim e admito, não senti qualquer atração pelo violino, mas, à despeito disso, apurei ouvidos e sensibilidade e adoro música. Tanto assim que virei Youtuber musical com quase 350 mil seguidores e mais de 121 milhões de visualizações.

Agora, em relação ao meu particular amigo e maestro Jeziel Paiva, dispenso-me de maiores comentários, pois seu inegável talento como músico, maestro e professor falam por si.
E hoje, com os destinos cruzados pelos “Bailes da Vida”, nós dois podemos invocar nossos ídolos de juventude e do “Clube da Esquina” e com eles cantar:

“Com a roupa encharcada e a alma / Repleta de Chão / Todo artista tem de ir aonde o povo está / Se foi assim, assim será / Cantando me desfaço, não me canso / De viver nem de cantar”

Moacir Silveira

SE A RUA FOSSE MINHA

Só posso imaginar as agruras enfrentadas pelos os que aventuravam por incultos sertões desse nosso imenso país. Principalmente nos idos 1807 quando para aqui chegar era preciso enfrentar a precária estrada que ligava São Paulo a Goiás.

Uma canastra, poucos pertences, um mosquete por arma de caça e defesa, uma mula, as vezes um carroção, era o possível aos que ousavam. E tinham muito chão pela frente. Muitas vezes abrindo espaço à facão e enfrentando índios sempre à espreita. Era preciso coragem e precaução. Deixar roçado na retaguarda, amoitar viveres pelo caminho, pois era incerto o retorno. Um fardo de farinha assim depositado mofou, apodreceu e o lugar ficou conhecido por “Sertão da Farinha Podre”.
Foi assim que muitos vieram dar no Desemboque, então próspero vilarejo. Todos em busca de riquezas, captura índios para o árduo trabalho ou para catequese.

Imagens: 1 - Estátua de Major Estáquio; 2 - Rua em 1930
 - Uberaba em Fotos; 3 - Rua como vista hoje - Google.

Munido desse intuito e propósito foi que o sargento mor Antonio Eustaquio da Silva, aos 51 anos de idade, resolveu embrenhar-se pelo sertão. E o fez depois de oficialmente designado pelo Marquês de São João de Palma (Portaria 27/10/1809), digno governador da Província e Julgado, maior autoridade à época.

Isso ocorreu em início de julho de 1810. Juntou ele provisões e gêneros. Formou bandeira de 30 homens e empreendeu a sua longa jornada. Dois anos depois, em 1812, vieram ter em local aprazível, às margens do Rio Uberaba, junto à estrada de Goiás e onde ele edificou sua primeira residência (hoje Fazenda Modelo). Bem ali iria florecer uma grande cidade que em apenas 8 anos já contaria com 1.300 habitantes. O resto é história.

Prestando honras ao pioneiro e fundador dessa cidade uma estátua sua foi plantada bem na Praça Rui Barbosa. Pertinho dali um logradouro leva o seu nome: Rua Major (maior) Eustáquio, que eu, parodiando trovinha popular, ousaria assim louvar:
Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava eu mandava lajotar
Para honrar e melhor prestigiar
A memória do fundador do lugar

Moacir Silveira


quarta-feira, 2 de março de 2022

O CASARÃO

O belo casarão, datado de 1863 e antes pertencente à família de João Batista Machado, situado na esquina da Praça Rui Barbosa, teve múltiplos usos ao longo do tempo.
Primeiramente, antes da construção do seu segundo piso, ali funcionou o estabelecimento comercial da família. Em 1891 ele foi reformado pelo português Manoel Marinho, a pedido de Edmundo Batista Machado. Na sequência vieram, pela ordem: Loja Au Bom Marche (1904), Au Louvre (1909), Barbearia do Altino (1950), Salão Continental, Bar 1001 (1970/80), Apetrim, Jet Color, Iguatemi, Fotótica, Ótica Fotóculos.


Imagens: 1 – estabelecimento comercial (até 1891), 2 – sobrado (em 1906), 
APU - Arquivo Público de Uberaba e 3 – em foto atualizada (2022) por Antonio Carlos Prata.


Já o piso superior serviu de residência para Artur Machado e depois para o Relojoeiro Florêncio Fornieri (1899), responsável pela instalação do novo relógio da Matriz, doado por comerciantes de SP e RJ (1900). A partir de então esse espaço foi alugado para o Jockey Club e que ali funcionou até o ano de 1939. Na sequência vieram os seguintes estabelecimentos: Bilhar Las Vegas, Taco de Ouro, Colégio Objetivo, Restaurante Balão, Bar Borzar...
O casarão foi adquirido pela família Fadul Cambraia nos anos 60.
Por ter sido considerado um marco histórico e um bem cultural de valor inestimável, foi definitivamente tombado pela municipalidade em 2019.

Moacir Silveira

domingo, 20 de fevereiro de 2022

TONINHO DA VIOLA

Toninho da Viola, nome artístico de Antonio Lubianchi, também foi destaque na programação do Canal 5, Tv Uberaba, quando já integrada à rede Manchete.
Natural da cidade de Jaborandi, SP, onde nasceu em 16/3/1942, ainda criança ele se muda com a família para a cidade de Barretos, SP, onde passa a maior parte de sua juventude e mocidade até sua mudança em definitivo para a cidade de Uberaba, MG, em 1969.
Foi em Barretos que ele iniciou nas primeiras letras escolares no tradicional Colégio Ateneu, sob a orientação do professor Valdeci.


Antonio Lubianchi, Toninho da Viola - Foto/ Reprodução.

Aos 11 anos interessa-se pela música ao ouvir pela primeira vez a dupla Zé Carreiro e Carreirinho. Isso aconteceu no bar do Sr. Honório, mantenedor de famosa casa de encontro local e que o menino frequentava às escondidas, mas com anuência do proprietário. Na oportunidade foram todos levados para a delegacia. Foi a partir de então, graças ao seu talento, tem início sua trajetória artística.
Graças influência do grande compositor e músico Dilermando Reis, tem no violão o instrumento de sua predileção. O interesse pela viola caipira surge tardiamente, em 1987, e a partir de então ganha seu coração, inclusive incorporado ao seu atual nome artístico.
Toninho da Viola é o mais um digno representante do que há de melhor no mundo da viola, pois é o exemplo do brasileiro que acredita na sua arte e a ela se dedica de corpo e alma.
Prestes a completar 80 anos, ele continua dedilhando as cordas de sua viola com o mesmo talento e maestria.


Clique no vídeo e confira: 
o seu excepcional domínio das cordas na execução de nosso “Hino Nacional”.

Moacir Silveira

EM NOME DO PAI

Essa foto histórica e centenária foi tirada no início dos anos 1920. Os personagens parecem estar a nos contemplar através do tempo, mal sabendo eles que hoje seríamos nós que os olharíamos de volta. Eles com olhos no futuro e nós com olhos voltados ao passado. Os pais do noivo fazem pose orgulhosos por estarem casando Luiz, mais um dos seis filhos que tiveram, a saber: Álvaro, Adelina, Almerinda, Adelaide e Adélia.

Na foto (álbum de família): o patriarca Ataliba Guaritá (18/2/1862 – 9/10/1932), sua esposa Francisca Cândida Guaritá (9/11/1868 – 10/10/1940), o noivo Luiz Guaritá (7/9/1900 – 17/11/1965), a noiva Niza Marquez Guaritá (16/12/1901 – 31/7/1988).

Os jovens noivos, por sua vez, teriam um único filho e que estaria predestinado a ser figura importante na comunidade uberabense. Em uma demonstração de amor filial eles dariam à criança o nome e sobrenome do pai do noivo, homem de renome na sociedade e política, que parece estar abençoando o casal. Entretanto, sobre o belo futuro do menino o patriarca nada saberia, pois faleceria 8 anos depois, em 1932. E nem ficaria sabendo que o próprio filho Luiz, o noivo, viria a ser um empresário de sucesso, presidente da Associação Comercial de Uberaba, em 1937, e dono de importante loja de material de construção na Rua Artur Machado, em frente à antiga Futurista, bem ao lado da famosa Casa da Sogra.
A jovem noiva exerceria importante papel na sociedade local, como educadora, professora de francês, presidente da Ação Católica e de outras entidades filantrópicas.
O filho do noivo viria a ser, tempos depois, vereador, jornalista, colunista social, radialista, apresentador de tv e um grande líder comunitário.

Melhor observando essa foto é possível vislumbrar a admiração e orgulho, pois tanto Luiz quanto seu futuro rebento pensariam no pai ao dar nome ao próprio filho. Luiz batizaria o seu: Ataliba Guaritá Neto, o popular Netinho (27/6/1924 – 14/9/2000) e esse, por sua vez, escolheria para o seu menino: Luiz Guaritá Neto (ex-prefeito nos anos 1993 a 1996).

E para reverenciar tão ilustres figuras ousaria entoar a famosa canção de Fábio Junior que diz: ... “Pai / Eu cresci e não houve outro jeito / Quero só recostar no teu peito / Pra pedir pra você ir lá em casa / E brincar de vovô com meu filho / No tapete da sala de estar / Pai / Você foi meu herói, meu bandido / Hoje é mais muito mais que um amigo / Nem você, nem ninguém tá sozinho / Você faz parte desse caminho / Que hoje eu sigo em paz”.

Moacir Silveira


OBS: Netinho casou-se com Cornélia, com quem teve os filhos Luiz Neto e Dulce Helena, casados com ... (mas essa é história que fica para outra postagem)

Leopoldino de Oliveira

NO MEIO DO REDEMOINHO

Ele nasceu em 18/6/1893 e mal sabia que viveria no meio de um redemoinho político. Num conturbado período de nossa história. Abolição da escravatura, queda da monarquia, proclamação da república e muitas reviravoltas políticas.
Quando criança ouvia adultos comentando a decisão do governador do estado em mudar a capital mineira de Ouro Preto para um desconhecido lugarejo denominado Curral Del Rey e ali instalar a futura Belo Horizonte. Em seguida, a ascensão desse político ao cargo de presidente da república, fato de tamanha repercussão e capaz de influenciar na troca da denominação Largo da Matriz de Uberaba para Praça Afonso Pena, em 1894, e depois para Rui Barbosa, em 1916. As notícias da revolta dos tenentes e da Semana de Arte Moderna (1922), da rebelião de São Paulo (1924), da Coluna Prestes (1924/1927), do Artur Bernardes governando com mãos de ferro e estádio de sítio em MG (1918 / 1922) e depois, ja na presidência, o Brasil (1922 / 1926).

Fotos: 1, 2 e 3 – Arquivo Público de Uberaba; 
4 – Nau Mendes; 5 – revista O Cruzeiro; 6 - Ricardo Prieto


Em 1910, após cursar o internato do Ginásio Diocesano, ele muda-se para BH e matricula-se na Faculdade de Direito. De família humilde, teve que trabalhar para custear seus estudos. Começou como revisor, passou a editor e, em pouco tempo, já era um dos mais conceituados jornalistas da capital. Ali viu a prodigiosa transformação e urbanização da cidade. Já em 1915, gradua-se com louvor e recebe o seu sonhado diploma de advogado. Retorna a Uberaba. Abre escritório. Colabora com os jornais locais. Vai a Índia em busca de gado zebuíno. Envolve-se na política. Elege-se vereador. Preside a Câmara. Assume o cargo de agente executivo (prefeito). É eleito deputado federal, em 1923, reelegendo-se em 1928. Apresenta proposta de saneamento de Uberaba, sugerindo a cobertura dos seus córregos, que na época passavam pelos quintais das casas na região central da cidade. Medida efetivada com a desapropriação dos terrenos. Enfrenta forte resistência de opositores políticos. Chega a ser hostilizado pelo governador do estado e até pela presidência da república. Não se intimida e com destemor enfrenta os ‘coronéis’ da política e até mesmo o da PM, e seus 90 praças em baionetas caladas, com ordens de invasão do prédio da Câmara Municipal. Tudo isso em uma época em que era comum morrer de susto, bala ou vício.

Com a vida agitada que enfrentou, esse verdadeiro furacão uberabense, não chegou a ver o resultado de sua iniciativa, pois faleceu antes, em BH, no dia 29/8/1929, aos 37 anos de idade.
Graças à aprovação de sua proposta hoje temos as amplas avenidas centrais, devidamente cobertas e saneadas. E a principal delas, merecidamente, leva o seu honroso nome, Av. Leopoldino de Oliveira.

Moacir Silveira

sexta-feira, 8 de março de 2019

Para quem não conhece a magistral obra musical do compositor uberabense Joubert de Carvalho

Apresento aqui uma coletânea contendo as mais belas canções desse que é um dos grandes, dentre os maiores de nomes de nosso cancioneiro popular.

Entre as mais de trezentas composições devidamente registradas e catalogadas destaco nesse Álbum Especial algumas das quais que foram gravadas pelos maiores ídolos da nossa Música Popular Brasileira.

Joubert Gontijo de Carvalho nasceu em Uberaba, no estado de Minas Gerais, no dia 06 de março de 1900 e faleceu no dia 20 de setembro de 1977 no Rio de Janeiro/RJ. Filho do fazendeiro Tobias de Carvalho e de Dona Francisca Gontijo de Carvalho, casal que teve treze filhos.

Joubert aprendeu a tocar de ouvido o piano que seu pai havia comprado quando ele tinha 9 anos de idade; interpretava os dobrados que ouvia, e que eram tocados pela banda local.

As mais belas canções de Joubert de Carvalho

Joubert Gontijo de Carvalho (Uberaba MG 1900 - Rio de Janeiro RJ 1977)
Quando se mudou com a família para São Paulo/SP, (pois o Sr. Tobias fazia questão de uma excelente educação e formação dos filhos que foram estudar no Ginásio São Bento), Joubert chegou a compor uma valsa intitulada “Cruz Vermelha”, a qual teve a renda revertida para a instituição homenageada. Estava no início da adolescência e o relativo sucesso obtido incentivou o menino para a música.

Em 1919, mudou-se para o Rio de Janeiro/RJ, onde estudou Medicina e também fez sucesso com o fox “Príncipe”, composição gravada em 1922, que foi o ano do Centenário da Independência do Brasil. Concluiu o curso universitário em 1925 e defendeu a tese intitulada "Sopros Musicais do Coração"; foi aprovado com distinção, apesar do título humorístico da tese. E, mesmo com o exercício da profissão, continuou com as composições musicais ao piano e a publicação das mesmas, as quais faziam sucesso entre os editores.

Sua versatilidade e talento musical podem ser dimensionados através da imensa obra que ele nos legou, dentre as quais destaco a seleção baixo:
1 – MARINGÁ

2 – BOM DIA MEU AMOR (c/ Olegário Mariano)

3 – OLHA-ME BEM NOS OLHOS (c/ Adelmar Tavares)

4 – AMOR, AMOR

5 – ZÍNGARA (c/ Olegário Mariano

6 – DE PAPO PRO AR (c/ Olegário Mariano

7 – DIA FELIZ 8 – NUNCA SOUBESTES AMAR (c/ Olegário Mariano)

9 – TABUADA (c/ Adelmar Tavares)

10- DOR (c/ Cleómenes Campos)

11- NÃO ME ABANDONES NUNCA

12- MINHA CASA

13- PIERRÔ (c/ Pascoal Carlos Magno)

14- CANTIGA DA MINHA TERRA

15- CANÇÃO DE ANIVERSÁRIO

16- TAÍ


(Moacir Silveira)


Cidade de Uberaba

terça-feira, 14 de agosto de 2018

LA CUCARACHA (letra e vídeo) com MARIO BAEZ, vídeo MOACIR SILVEIRA

O cantor Mario Baez e Banda Los Latinos fazem shows toda 5a. feira no Restaurante PIMENTA BUEÑA de Uberaba. Contato: (34) 98825-7589. Clique abaixo em MOACIR SILVEIRA e depois em VÍDEOS para ver a relação completa de todas as músicas desse canal. "La Cucaracha" ("A Barata") é uma tradicional canção folclórica em língua castelhana, pertencente ao gênero corrido, que foi muito popular no México durante a Revolução Mexicana (20/11/1910). Não se tem certeza da sua origem, o certo é que esta música conquistou sua fama durante a Revolução Mexicana no início do século XX. Entretanto, a canção é mencionada em 1883 e possivelmente já existia em 1818. Especula-se sobre sua provável origem espanhola, porém inexistem fontes seguras que confirmem isso, sendo que esta canção sequer aparece em outros países latino-americanos. Durante a Revolução Mexicana a palavra "cucaracha" era uma gíria para se referir à marijuana (maconha). Neste período de luta os rebeldes e as forças do governo também criaram letras de conteúdo político, sendo que "cucaracha" se referia ao presidente Victoriano Huerta, considerado um traidor por seu envolvimento na more do presidente revolucionário Francisco Madero. Na letra formada por versos independentes, frequentemente improvisados aparecem personagens históricos como Pancho Villa, Emiliano Zapata, Pascual Orozco, Félix Diaz, Bernardo Reyes, Pino Suárez, Venustiano Carranza e Victoriano Huerta, dentre outros. Mario Baez é um cantor paraguaio, atualmente radicado em Uberaba, MG, Brasil, que se faz acompanhar do grande músico Waldir Soares (harpa) em suas apresentações e shows. Atualmente eles estão se apresentando todas as terças-feiras no Casquerado Cupim Bar, Bar e Restaurante Porteira e no Restaurante Pimenta Buena, todos em Uberaba. Contatos para shows pelo fone: (34) 98825-7589.

La Cucaracha


La Cucaracha
(A Barata)


La Cucaracha, la Cucaracha,
(A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

 Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Las dos patitas de atrás
(As duas patinhas traseiras)

La Cucaracha
(A Barata)

La Cucaracha, la Cucaracha,
(A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Marihuana que fumar.
(Maconha para fumar)

Com las barbas de Carranza
(Com as barbas de Carranza)

Voy hacer uma toquilla
(Vou fazer um cachecol)

Pra poner em le sombrero(Para por no chapéu)

De famoso Pancho Villa
(Do famoso Pancho Villa)

Com las barbas de Carranza
(Com as barbas de Carranza)

Voy hacer uma toquilla
(Vou fazer um cachecol)

Pra poner em le sombrero
(Para por no chapéu)

De famoso Pancho Villa
(Do famoso Pancho Villa)

La Cucaracha
 (A Barata)

La Cucaracha,
la Cucaracha,
(A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Las dos patitas de atrás
(As duas patinhas traseiras)

La Cucaracha
(A Barata)

La Cucaracha, la Cucaracha,
(A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Marihuana que fumar.
(Maconha para fumar)

La Cucaracha
(A Barata)

La Cucaracha, la Cucaracha,
 (A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Las dos patitas de atrás
(As duas patinhas traseiras)

La Cucaracha
(A Barata)

La Cucaracha, la Cucaracha,
(A barata, A barata)

Ya no puede caminar
(Não pode andar)

Porque no tienne, porque le falta
(Porque não tem, porque lhe falta)

Marihuana que fumar.
(Maconha para fumar)

Una cosa me da risa
(Uma coisa que me faz rir)

Pancho Villa cuando viaja
(Pancho Villa cuado viaja)

Necessita dos vagones
(Necessita de dois vagões)

Una para las pistolas
 (Um para as armas)

Otro para municiones
(Outro para munições)

La cucaracha ...
(A barata) (repetir)...


sexta-feira, 3 de agosto de 2018

MINHA CASA com JOSÉ TOBIAS, edição MOACIR SILVEIRA

DISCOS: Grandes Compositores, Grandes Intérpretes -- 1978 -- Discos Copacabana. Esta gravação do paraibano José Tobias foi feita na gravadora Copacabana para o primeiro álbum da série "Grandes autores, grandes intérpretes", dedicado a Joubert de Carvalho, em 1978. Joubert de Carvalho (Uberaba, 6 de março de 1900 — 20 de setembro de 1977) foi um médico e compositor brasileiro, autor de canções como "Maringá", "Ta-hi", “Pierrô”, de “Papo pro ar” e “Minha casa”, dentre outros grandes sucessos.

MINHA CASA com JOSÉ TOBIAS


Minha Casa Joubert de Carvalho Foi num dia de tristeza Que a cidade abandonei Sem saber o que fazer Na esperança de encontrar Pela vida, algum prazer Alegria em algum lugar Lá no alto da Tijuca Tem um sítio bem florido Onde agora estou morando Com os pássaros em festa De galho em galho cantando Lá dentro, pela floresta Minha casa é tão bonita Que dá gosto a gente ver Tem varanda, tem jardim Ainda agora estou esperando Uma rede para mim A embalar de quando em quando Minha casa é uma riqueza Pelas joias que ela tem Minha casa aqui tem tudo Tanta coisa de valor Minha casa não tem nada Vivo só, não tenho amor