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domingo, 3 de janeiro de 2021

A HISTÓRIA DE UBERABA DE HILDEBRANDO PONTES

INTRODUÇÃO

Desde pelo menos o início do século XX, Hildebrando Pontes (1879-1940) efetuou pesquisas sobre a História de Uberaba, acumulando, com o passar dos anos, informações, conhecimentos e documentos.

No Governo Municipal do engenheiro Guilherme Ferreira (outubro de 1930 a fevereiro de 1935) Hildebrando foi contratado para elaborar livro sobre o município com todos os dados históricos e estatísticos conhecidos e disponíveis. No apagar das luzes da referida administração municipal ou logo em seguida, Hildebrando entregou seu trabalho, então intitulado “O Município de Uberaba”.

Dado o desinteresse da sociedade e, em decorrência o dos políticos e administradores que a representam, e, ainda, a descontinuidade administrativa dos executivos municipais, a obra, em seus alentados cinco volumes manuscritos e encadernados, permaneceu inédita por décadas e só sabida e frequentada por um ou outro historiador (José Mendonça e Gabriel Toti, por exemplo), somente sobrevivendo pelos cuidados pessoais e especiais que lhe dedicou o escritor e secretário da Prefeitura, Lúcio Mendonça.

Por incrível possa parecer, atestando o alto grau de desinteresse e descaso pela História do município e pela obra de Hildebrando, nem mesmo por ocasião das ruidosas comemorações do centenário da elevação da vila (município) de Uberaba ao título honorífico de cidade, em 1956, foi lembrada e resgatada do olvido a que as administrações municipais a relegaram. Mesmo tendo a Prefeitura recebido do Governo Estadual de Juscelino Kubitschek, segundo consta, 5 milhões de cruzeiros (4 milhões para educação e/ou saúde e 1 milhão para a comemoração).


DESCOBERTA E PUBLICIDADE


Estava escrito que um dia, no futuro, essa omissão e descaso chegariam ao fim. E chegaram!

Em julho de 1968 começou a ser editado o “Suplemento Cultural do Correio Católico”, em formato tabloide e periodicidade variando entre quinzenal e mensal. Com certa carência de matérias publicáveis e nenhuma atinente à História local, a editoria do Suplemento, tomando conhecimento da existência da obra de Hildebrando, considerou que ela deveria conter informações sobre a literatura e o passado cultural da cidade. Não deu outra! Lá estava incrustado, em determinado de seus cinco grandes e volumosos volumes, capítulo intitulado “O Intelectualismo em Uberaba”, que, copiado à mão e posteriormente datilografado, foi reproduzido com destaque de primeira página no nº 20, de 12 de abril de 1969, do Suplemento, antecedido de nota introdutória e ilustrado com foto do autor.

FINALMENTE, EM LIVRO


A partir daí, a editoria do Suplemento e o advogado e escritor Edson Prata, à época secretário da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, decidiram tentar publicar a obra. Edson Prata entrou em contato com a direção do então operoso Instituto Nacional do Livro, solicitando-lhe fosse incluída em sua ativa programação editorial, que exigiu fosse obra de interesse geral e não apenas local, pelo que, dada sua abrangência, com larga introdução histórica sobre a formação brasileira, Edson Prata a reintitulou, muito apropriadamente, de “História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central”.

Mesmo assim, não se logrou editá-la pelo mencionado Instituto, assoberbado por extensa lista e fila de inéditos aguardando publicação.

Em decorrência dessa impossibilidade, Edson Prata e a editoria do Suplemento voltaram suas vistas para a própria detentora dos direitos autorais da obra, a Prefeitura, cujo prefeito, engenheiro João Guido, prontificou-se a cobrir 50% (cinquenta por cento) dos custos, orçados em C$ 14.000,00.

Obtida essa participação, os originais foram em 1969 encaminhados à gráfica, estando concluída a impressão um ano depois, 1970, para lançamento no salão principal do Jóquei Clube de Uberaba, totalmente lotado.


Guido Bilharinho

SUPLEMENTO CULTURAL DO CORREIO CATÓLICO

Em 1º de julho de 1968 foi publicado o primeiro dos quarenta números do “Suplemento Cultural do Correio Católico”, em forma de tabloide anexo ao jornal diário da Cúria Metropolitana da Igreja Católica da então diocese de Uberaba, jornal que anteriormente, ainda nessa década de 1960, mantivera excelente página cultural, criada e dirigida pelo jornalista César Vanucci, então redator do jornal.

A partir de sua fundação e no decorrer dos quatro anos seguintes, o Suplemento erigiu-se em espaço, o único em Uberaba e na região do Triângulo, para manifestação da intelectualidade uberabense, notadamente nas áreas de literatura (contos, poemas, crítica literária e artigos em geral), cinema (artigos, reportagens e noticiário), teatro (depoimentos de diretores teatrais) e permanente noticiário cultural geral.

Em torno do Suplemento reuniu-se e consolidou-se articulado grupo de intelectuais oriundos do Cine Clube de Uberaba que, sem ele, sem seu espaço de manifestação e, automaticamente, de incentivo e chamamento, não teriam se dedicado à criação e à produção artística, pelo menos na intensidade e modernidade manifestadas.

O grupo, com isso e a partir daí mais se estratificou, atingindo autonomia, que o encerramento quatro anos depois do Suplemento não o abalou nem afetou. Ao contrário, propiciou a criação de novo espaço cultural nas edições da revista “Convergência”, da ALTM, de seus números 2 a 7, de 1972 a 1976, daí se projetando e atuando, por seus poetas, por duas décadas nas páginas da revista de poesia “Dimensão” (1980-2000), culminando com edição, em 2003, da antologia-ensaio “A Poesia em Uberaba: Do Modernismo à Vanguarda”.

O Suplemento, porém, não se caracterizou e se destacou apenas pelo espaço cultural que estabeleceu e nem pela reunião, articulação, participação e produção daí em diante do referido grupo de intelectuais.

Além disso e da atualização do pensamento intelectual uberabense, o Suplemento propiciou, permitiu, incentivou e suscitou a descoberta e o interesse pela “História de Uberaba”, descortinando e enfatizando sua importância no que antes era somente cultivado e sabido por três ou quatro historiadores e desconhecido, ignorado e até desprezado pelos professores secundaristas de História, que, por sua vez, em sua própria formação, nunca tiveram orientação e informação nesse sentido e nem esse tema era objeto dos currículos escolares.

Essa contribuição se deu mediante a publicação e destaque propiciado ao capítulo “O Intelectualismo em Uberaba”, extraído diretamente dos originais manuscritos da notável “História de Uberaba”, de Hildebrando Pontes, guardados na Secretaria da Prefeitura, detentora dos direitos autorais desde 1934, sem que ninguém, no curso das décadas seguintes, tomasse a iniciativa de publicá-los. Nem mesmo, o que é surpreendente, por ocasião das entusiásticas comemorações, em 1956, do centenário de elevação da vila de Uberaba à categoria de cidade.

Contudo, essa publicação e sua repercussão chamaram a atenção para a referida obra e desencadearam interesse e tratativas entre a editoria do Suplemento, a ALTM, na pessoa de Edson Prata, e o então prefeito João Guido para proceder sua edição após 36 (trinta e seis anos) esquecida e relegada aos escaninhos da Prefeitura.

Por sua vez, numa reação em cadeia, a publicação do livro em 1970 provocou série de outras iniciativas na área dos estudos históricos e criação de órgãos públicos municipais de natureza cultural, a exemplo da Fundação Cultural e do Arquivo Público de Uberaba.

Percebe-se, pois, que sem a existência do Suplemento – cuja coleção completa consta do blog bibliografiasobreuberaba.blogspot. - o desenvolvimento cultural e artístico uberabense desde sua implementação em 1968 seria diferente e, certamente, menos produtivo e qualificado.


Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, fotografia, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no bloghttps://guidobilharinho.blogspot.com.br/


quarta-feira, 3 de julho de 2019

HUGO RODRIGUES DA CUNHA

Homenagem pelos Três anos de seu falecimento ocorrido em 03 de julho de 2016.

UM MARCO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE UBERABA


“Uberaba é o centro do Universo”


Disse Hugo aos empresários que o visitavam em sua residência, em busca de uma cidade que pudessem instalar uma fábrica de processamento de madeira que compraram na Europa.

José Alencar Gomes da Silva, o líder do grupo, brincava que este foi o motivo que levou o grupo a escolher nossa cidade onde, associado à empresa Triflora de Uberaba, implantou a Minasplac, no DI 1 (hoje Duratex).

Esta empresa foi uma das dezenas de indústrias que enriqueceram nosso parque industrial no primeiro governo municipal de Hugo Rodrigues da Cunha. Entre elas, destaca-se a implantação da empresa Fosfértil, que permitiu a instalação de um complexo industrial voltado para a fabricação e distribuição de adubos, no D.I. III.


Hugo Rodrigues da Cunha. Foto: Reprodução.

Este novo pilar da economia foi fruto de um trabalho liderado pela Aciu, na gestão de Jorge Dib Neto, em 1972, que criou uma Comissão de Industrialização de Uberaba, integrada por todas as lideranças da cidade, com o objetivo de implantar parques industriais. Para que este projeto de industrialização pudesse lograr êxito, era necessário haver uma sintonia entre os empresários é o poder público, razão da escolha de Hugo Rodrigues da Cunha, um líder classista, como candidato a Prefeito de Uberaba.

Para assegurar sua vitória, o grupo Triflora, em parceira com Edson Prata e outros amigos como Marcelo Palmério, Urbano Salomão, Unias Silva, Adilsson Pereira de Almeida e outros, compraram o Jornal Correio Católico e transformaram no Jornal da Manhã. 

Com o objetivo de divulgar o programa de governo de Hugo, na véspera da eleição de 1972, contando com o apoio voluntário de centenas de alunos da FIUBE (UNIUBE), o Jornal da Manhã distribuiu 40.000 exemplares de sua edição, como contribuição de campanha.

Hugo Rodrigues da Cunha, nascido em Uberaba em 1927, formou-se em Ciências Contábeis e em Direito. Na área política foi prefeito de Uberaba em duas gestões, de 1973 a 1977, pela Arena, e de 1989 a 1992, pelo PFL. Hugo, além de ter exercido uma administração profícua, deixou o exemplo de um administrador atuante e honesto. Em seu governo foram implantados os Distritos Industriais I e II.

Ao fim de seu primeiro mandato, Hugo elegeu como seu sucessor, Silvério Cartafina Filho, secretário municipal de Saúde, no período de 1977 a 1982 e, após o segundo mandato, foi eleito seu secretário de indústria e comércio, Luiz Guaritá Neto (1992/1995). Um reconhecimento da comunidade pelo desempenho do Prefeito Hugo Rodrigues da Cunha. 

Sua primeira experiência na área política se deu em novembro de 1970, disputando uma vaga na Câmara dos Deputados, não obtendo sucesso. Em 1978, logo após seu primeiro mandato como prefeito de Uberaba, novamente se candidatou a deputado federal, sendo diplomado como terceiro suplente e empossado em março de 1979. 

Em 1994, em nova campanha como candidato a deputado federal, conseguiu se eleger, obtendo a maioria dos votos da região. Participou na Comissão de Agricultura e Política Rural e em outros importantes setores do Congresso Nacional. 

Como líder classista foi eleito presidente da Aciu em 1968. Em sua gestão foram iniciados os estudos para a criação do Clube dos Diretores Lojistas e também a criação de novos Sindicatos Patronais. Contribuiu para a criação da Faculdade de Zootecnia e para a eletrificação rural.

Na sua gestão à frente da Aciu realizou a Exposição Comercial e Industrial e em 1969 diplomou os primeiros economistas formados pela Faculdade de Ciências Econômicas, mesmo ano em que foi reconhecida pelo MEC pelo Decreto 65.976/69. 

Junto com Arnaldo Rosa Prata da ABCZ e Ronan Tito de Uberlândia, criou em 1967 a “UDET”- União para o Desenvolvimento do Triângulo que tinha como objetivo liderar o primeiro grande movimento em prol da Emancipação do Triângulo Mineiro.

Foi diretor e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais, presidente do Diretório Municipal do PFL em Uberaba, vice-presidente da Associação das Empresas Cinematográficas Exibidoras de Minas Gerais e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Grande.

No setor empresarial foi administrador da Companhia Cinematográfica São Luís, proprietária dos Cines - Metrópole, São Luís, Royal e Vera Cruz, bem como do Grande Hotel, o primeiro edifício de grande porte erigido no interior brasileiro, no ano de 1941. 

Os mais velhos vão se recordar que, por mais de duas décadas, imensas filas se faziam aos domingos, estendendo-se até a Praça Rui Barbosa, para assistir os filmes no Cine Metrópole, em seus 1.700 assentos. Foi diretor do complexo Triflora, atuando em diversos setores do Reflorestamento, por cerca de vinte anos.

Acumulou, mercê de seu trabalho, três fazendas em seu patrimônio. Todavia, Hugo que não gostava de pedir nada a ninguém em suas campanhas políticas, usou recursos próprios proveniente da venda destes imóveis, para custear suas próprias eleições. Um raro caso no Brasil, em que um cidadão sai da Política com a redução de seu patrimônio.

Hugo Rodrigues era viúvo de Maria Inácia Naves Rodrigues da Cunha, (Naná) com quem teve quatro filhos: Hélio, Patrícia, Júnia e Cristina. Faleceu em 04 de junho de 2016 aos 89 anos.

Seu nome está gravado na ETE - Estação de Tratamento de Esgotos do rio Conquistinha, inaugurada pelo CODAU em 25/11/2017. 


Gilberto de Andrade Rezende
Jornal da Manhã - 26 de agosto 2018





Cidade de Uberaba


quarta-feira, 17 de abril de 2019

Amigo Padre Prata

A vontade de todos era que Padre Prata, tão estimado, permanecesse entre nós. Porém, apesar de ser um imortal da Academia, isso não aconteceu. E, para sempre, ele foi colher os frutos de sua abençoada e proveitosa existência. Quem teve o prazer de desfrutar do convívio com Padre Prata tem muita história para contar. E tenho a felicidade de ser um desses privilegiados. 

Tive a satisfação de manter cordial contato com Padre Prata quando estive na Direção do Jornal da Manhã, de 1972 a 1984. Ele era colunista do Correio Católico e se rendeu ao nosso apelo de continuar colaborando, semanalmente, com suas crônicas geniais no novo jornal.

Com o Jornal da Manhã já em nova sede, Edson Prata me convidou a integrar a Academia de Letras do Triângulo Mineiro e providenciou o documento de minha nomeação assinado por vinte e um acadêmicos, dentre eles, Padre Prata.

Na Academia, minha amizade com Padre Prata se intensificou. Ele e os demais fundadores compareciam a todas as reuniões mensais e isso o deixava animado. Quando estive à frente da Academia, a meu pedido ele me orientava, agraciando-me com generosa atenção: “Precisando, estamos aqui.” E reiteradamente ele me entusiasmava: “Foi uma bela reunião!”.

Ao final de cada gestão minha, requisitei ao Padre Juvenal Arduini que me apontasse um sucessor. E só ao final do meu sexto mandato, ele mencionou Padre Prata como uma possibilidade. Fiquei feliz. Mas por pouco tempo. Tivemos que aguardar, pois Padre Prata estava numa pescaria e, ao retornar, garantiu que nunca pensou nisso. Uma pena. Teria sido formidável!

Foi a convite do nosso Presidente da Academia, o amigo João Eurípedes Sabino, que ele, Padre Prata e eu apreciamos a cidade num circuito de carro, numa prosa animada. Talvez fosse uma despedida, mas Sabino e eu não havíamos imaginado isso.

Depois de minha esposa Carmen e eu sermos atropelados por uma moto, nós nos recuperávamos em casa quando recebemos a visita do amigo Padre Prata - visita que ficou em nossa história: a conversa na sala de visita, o cafezinho e minha chamada para vermos o quintal. Ali, Padre Prata se transformou, revivendo o tempo de menino criado em fazenda, apaixonado pelo que encontrava: a jabuticabeira florida como noiva, pés de canela, camélia, hibisco, manga, urucum, pitanga, pau-brasil, abacaxis ornamentais, orquídeas, e os vasos – renda-portuguesa, alecrim, arruda, jasmim, lírio, azaleia, rosas, miosótis, violetas, picão, erva-cidreira, capim-cidreira, manjericão, hortelã... Ele sabia algo singular sobre cada planta. Era mesmo outra pessoa... Nós o ouvimos extasiados! Ele finalizou instruindo a este leigo cultivador: “Corte o pé de mamão; não dará mais frutos.” Depois desse dia, invariavelmente quando nos víamos, ele perguntava pelas plantinhas e prometia voltar para vê-las.

Sou grato também ao Padre Prata por ele ter feito as últimas orações junto à minha esposa, quando ela faleceu. E a morte de ambos me faz crer que Deus anuncia aos bons, com certa antecedência, quando deixarão esta vida. Ambos sabiam sua hora e estavam preparados. Hoje estão junto de Deus. 

São essas apenas algumas das tantas recordações que tenho do colega Padre Prata, amigo ilustre e imortal na memória de todos nós.

Mário Salvador
Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.


Cidade de Uberaba

sexta-feira, 29 de março de 2019

Noite histórica

E a casa esteve com sua lotação esgotada na noite da última terça-feira, 26/03/2019. O lugar é a Academia de Letras do Triângulo Mineiro e as presenças foram de universitários representantes dos Diretórios Acadêmicos do IFTM, Fazu, Uniube, UFTM e seus renomados Mestres, além do Programa U+20 e da Diretoria de Turismo da Prefeitura Municipal de Uberaba. Soma-se o apoio do Museu do Zebu da ABCZ, representado por Thiago Ricioppo e Maria Goretti dos Santos, além da empresa Bela Vista Cultural, capitaneada pelo megaeditor Fábio Ávila. Foi uma noite histórica! 

Projetado para ser um evento simples por Carlos Mardegan, como deveras foi, algo beirou as raias do infinito, quando cada um dos presentes, todos amantes das letras, se identificaram com o pensamento do ambiente que era o de valorizar e oportunizar a afloração de suas escritas.

A Casa criada por José Mendonça, Edson Prata e Juvenal Arduini, lá nos idos de 1962, abre espaço para que a juventude se aproxime e almeje ocupar ali uma cadeira, quem sabe a minha (32), no momento oportuno. Em cada olhar, em cada semblante e postura vimos frente a frente jovens, cujas vidas e condutas diferem muito do que comumente assistimos. Usaram o coração e a sensibilidade quando Fábio Ávila chamou alguns deles à frente para declamarem poemas escritos por alunos do ensino médio. Vi lágrimas correrem naquelas faces.

O projeto de entrelaçar os Acadêmicos com estudantes de todos os níveis vem de longa data, porém, para levá-lo à materialização, reconheçamos, havia um caminho longo a percorrer. Com o advento da sede própria doada pela Universidade de Uberaba, esse caminho encurtou sobremaneira. E agora vamos percorrê-lo sempre, realizando eventos de natureza cultural.

A abordagem sobre o Arquivo Público de Uberaba, feita pela Superintendente Marta Zednik de Casanova, e os relatos de Paulo Fernando Silveira, em referência às suas obras, foram pontos de destaque com os quais a nossa Casa de Letras brindou os presentes. Ambos, na condição de Acadêmicos, enfocaram seus temas em nome da Academia.

Nosso Sodalício, como entidade cultural sem fins lucrativos, não tem muito a oferecer no campo material, entretanto, no imaterial seus alcances vão muito além do que as vistas alcançam. O que farão aqueles universitários com o que puderam interagir na data histórica de 26/03/2019 no seio da Academia de Letras do Triângulo Mineiro? Ali estavam vários “Machado de Assis”. Disso não tenho dúvidas. Basta que tenham “uma alavanca e um ponto de apoio”, segundo o sábio Arquimedes. A nossa ALTM sempre será essa alavanca e esse ponto de apoio.


João Eurípedes Sabino -Uberaba/MG/Brasil.

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Cronista do Jornal da Manhã e Rádio Sete Colinas.


Cidade de Uberaba