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sábado, 19 de outubro de 2019

A SRTM NA RUA SÃO SEBASTIÃO E OS ZEBUS NO "QUINTAL DO BISPO"

Entre 1935 e 1940, a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (SRTM, antecessora da ABCZ) realizou suas exposições de gado Zebu em uma sede provisória que ficava na Rua São Sebastião, a pouco mais de uma quadra da Praça da Matriz.

Palácio Episcopal, o "quintal do Bispo".

Hoje há nesse local (nº 183) um edifício residencial (Condomínio São Jerônimo). A sede se comunicava com um enorme terreno descampado que havia aos fundos, onde ficavam os estábulos cobertos. Em 1938, a revista O Cruzeiro fez uma matéria sobre a "Rural" e seus diretores.

Matéria publicada na Revista Cruzeiro de 14/05/1938.
Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Posição aproximada do terreno da sede provisória da SRTM e da área ao fundo, onde foram realizadas as exposições da gado Zebu entre 1935 e 1940.
Foto atual do Google Maps.


Livro "ABCZ 100 ANOS: história e histórias", lançado em 25 de abril de 2019.

Com a inauguração do prédio da SRTM na Rua Manoel Borges (1940) e do Parque Fernando Costa (1941) a sede provisória foi desativada e vendida.

Essa história é contada em um trecho do livro "ABCZ 100 ANOS: história e histórias", de Maria Antonieta Borges Lopes e Eliana Mendonça Marques de Rezende, lançado em 2019, durante a última Expozebu.

(André Borges Lopes)


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A EXTINÇÃO DA HBZ E A SEDE PROVISÓRIA


"As primeiras reuniões da nova sociedade realizaram-se na residência de Joaquim Machado Borges na Praça Rui Barbosa (Palacete Machado Borges, prédio tombado que hoje hospeda a Fundação Cultural de Uberaba), mesmo local onde anteriormente se faziam os encontros da Associação do Herd Book Zebu.

Logo na primeira reunião, ficou decidido que a SRTM incorporaria e assumiria as funções da HBZ (que foi extinta) – retomando a luta para a oficialização do registro junto ao Ministério da Agricultura. Em dezembro de 1934, os Estatutos da SRTM foram modificados: foi criado o Conselho Técnico do Serviço de Registro e também a Associação Brasileira de Gado Zebu (dentro da estrutura da SRTM), cabendo-lhe o registro genealógico das raças Indubrasil, Gir, Guzerá e Nelore.

Em fevereiro de 1935, a Sociedade Rural adquiriu de seu associado João Ferreira Gabarra um terreno situado à Rua São Sebastião, próximo ao centro da cidade. O engenheiro Abel Reis foi o responsável pela adaptação do local para sediar a associação e acomodar as exposições anuais de gado. No mês seguinte, as reuniões já se transferiram para a nova sede. Segundo informou um antigo funcionário, apesar da entrada imponente, o prédio era extremamente precário, semelhante a um grande barracão.

A primeira exposição realizada no local foi aberta no dia 2 de junho de 1935, que é também data provável da inauguração oficial da sede provisória. Os currais e estandes eram montados pelos próprios expositores nos fundos do terreno, que emendava com uma área descampada que havia atrás do Palácio Episcopal – conhecida por isso como “quintal do Bispo”.

A sede provisória alojou seis edições anuais da exposição, entre 1935 e 1940. Foram, basicamente, reuniões de trabalho e de negócios. Ainda que estivesse a poucos quarteirões da praça da matriz, a severa limitação do espaço disponível impossibilitava que a SRTM desse ao evento o caráter popular e recreativo dos certames de 1911 e 1934. Ao fim de cada dia, os animais expostos tinham de ser levados para chácaras nas vizinhança da cidade, retornando na manhã seguinte."

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Cidade de Uberaba


sexta-feira, 17 de maio de 2019

MORTE POR ASSALTO.

Infelizmente minha querida Uberaba tem se projetado no cenário nacional e mundial devido à ausência de alguns fatores que a colocam em evidência. A falta de segurança é um deles valendo dizer que o Triângulo Mineiro não é tratado pelo poder central com a importância que merece. Estamos numa região entre São Paulo, Goiás, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais propriamente dita. Tudo que é escória entrante Brasil afora, primeiro passa por Uberaba e depois dissemina para as demais regiões Brasil acima. Até quando Minas Gerais? Até quando Brasil?

José Guillermo Hetnández Aponte. Foto/reprodução.
A morte por assalto do colombiano e pecuarista José Guillermo Hetnández Aponte é mais do que eloquente para exigirmos das autoridades da Segurança Pública; municipais, estatuais e federais, providências preventivas em Uberaba e região! Nos 100 anos da ABCZ ela ganha três “presentes”: ausência do Presidente da República, descaso do Governador e a morte por assalto de um ilustre visitante. Você, ABCZ e Uberaba, não mereciam um presente “melhor”? 

Envergonhado peço desculpas pela parte que me toca como uberabense. O presidente da ABCZ Arnaldo Manoel de Sousa Machado Borges, escorreito por excelência, e sua dedicada 
diretoria não merecem esse infausto acontecimento. Todavia, solidarizamos com eles nesse momento de luto. 

João Eurípedes Sabino-Uberaba/Minas Gerais/Brasil. 
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.Escritor.



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Cidade de Uberaba

domingo, 28 de abril de 2019

ZEBUS NO QUINTAL DO BISPO

Dentro de um mês, Uberaba estará novamente às voltas com o seu grande evento anual. No dia 27 de abril será aberta a 85ª ExpoZebu que, este ano, tem uma atração extra: os criadores de gado indiano comemoram o centenário da fundação da “Herd Book Zebu”, a primeira associação fundada no País para apoiar o trabalho de seleção genética dos bovinos que foram buscados no outro lado do mundo para revolucionar a pecuária brasileira.

Funcionando desde 1941 no Parque Fernando Costa, pouca gente têm conhecimento de que a que os primeiras feiras de gado realizadas em Uberaba nem de longe dispunham de instalações adequadas. Em 1911, a exposição pioneira foi montada em pavilhões temporários, construídos pelo engenheiro Francisco Palmério (pai do escritor Mário Palmério) no antigo “Prado de São Benedito”, uma pista de corridas de cavalos que existiu até a década de 1950 num terreno entre a atual Estação Rodoviária e a avenida Fernando Costa.

Nas décadas seguintes, aconteceram exposições esporádicas, sem local fixo. Algumas foram feitas no Prado, outras no antigo “Largo da Misericórdia: um descampado que havia entre o Colégio N. Senhora das Dores e o antigo prédio do hospital Santa Casa de Misericórdia – onde mais tarde foi feito o Uberaba Tênis Clube. Em 1934, a grande “Exposição-Feira Agro Pecuária do Triângulo Mineiro”, realizada com apoio da prefeitura, ocupou o novo prédio (ainda em obras) da Santa Casa e seu quintal, onde hoje existe o Hospital Escola da UFTM.

Primeira sede da Sociedade Rural de Uberaba do Triângulo Mineiro. Rua: São Sebastião,259 - Década:1930. Foto/Acervo: Museu do Zebu.
Foi durante a exposição de 1934 que os pecuaristas da região decidiram montar uma nova associação para substituir a Herd Book Zebu. Sob a liderança do agrônomo Fidélis Reis, foi fundada a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro que, três décadas mais tarde, daria origem à ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu. Conhecida pela população como “a Rural”, a SRTM assumiu o compromisso de realizar todos os anos uma exposição de gado na nossa cidade. Começou aí a tradição dos certames anuais, que logo se transformaram em um dos mais importantes eventos do sector agropecuário brasileiro.

Tendo que montar uma exposição por ano, a SRTM cuidou de arranjar um local apropriado, que acomodasse as feiras de modo permanente. Como a entidade não tinha sede própria, a diretoria conseguiu um terreno na Rua São Sebastião, a menos de dois quarteirões da catedral, onde ergueu provisoriamente um galpão com uma portaria em traços “art déco”, estilo em moda na época. Esse terreno (onde hoje está o edifício São Gerônimo) tinha uma vantagem: a parte traseira se comunicava com uma chácara, que se estendia por todo o terreno entre a rua Major Eustáquio e o córrego da Manteiga, sobre o qual surgiu mais tarde a Av. Santos Dumont. Uma inusitada área rural, a poucos metros da praça da Matriz, loteada a partir dos anos 1950 para dar origem às ruas Antônio Carlos e Getúlio Guaritá.

Nessa chácara, a SRTM mandou construir dez currais cobertos, que abrigavam os animais durante as exposições. Ficavam logo atrás do grande palacete que, poucos anos antes, havia sido comprado pela Cúria Metropolitana para servir de residência ao Bispo de Uberaba. Dai surgiu a expressão de que as exposições eram realizadas “no quintal do bispo”. Há uma foto, feita dos fundos da SRTM, onde se vê os currais quadrados – feitos de madeira, cobertos com telhas francesas – e, no alto do morro do outro lado do córrego da Manteiga, os antigos prédios do Colégio Diocesano.

O local acomodou seis exposições entre 1935 e 1940 era muito limitado para as pretensões de um evento, que crescia ano após ano. Ao final de cada dia, os animais precisavam ser retirados dos currais e levados para fazendas nas imediações da cidade, retornando na manhã seguinte. Pode-se imaginar o transtorno das boiadas cruzando a área central da cidade. Além do mais, faltava espaço para os estandes comerciais e de diversões, que haviam deixado boas lembranças nas exposições de 1911 e 1934. Por isso, todos se animaram quando o Fernando Costa – então ministro da Agricultura do governo Getúlio Vargas – sugeriu que fosse construído um novo parque de exposições em Uberaba, que acabou ganhando seu nome. Essa e outras curiosidades estarão no livro “ABCZ – 100 anos de história”, de autoria de Maria Antonieta Borges Lopes e Eliane Marquez de Rezende, que será lançado no dia 25 de abril, dentro das comemorações do centenário.


(André Borges Lopes) 

Cidade de Uberaba

quarta-feira, 17 de abril de 2019

Zebus de Sombrero

Vem chegando a Exposição e, com ela, os visitantes do exterior. Dentro de alguns dias, os “gringos” já estarão pela nossa cidade. Nas últimas décadas, o gado Zebu de Uberaba tornou-se famoso por todo o mundo, seja pela qualidade da sua genética, seja pela excelência do controle sanitário. Se a gente pouco vê boiada embarcando em avião rumo ao estrangeiro, não é porque nosso Zebu não emigre. Mas porque novas tecnologias dispensam os animais do incômodo transporte: no lugar vão botijões de sêmen e embriões congelados, levando o DNA do zebu triangulino para povoar pastos de outras terras.

De início, as coisas não eram tão fáceis. Sempre que a situação econômica apertava no Brasil, os criadores de Zebu fino tentavam recorrer à exportação de touros e matrizes para não ficar no prejuízo. E um dos locais mais sonhados era o México. Em parte porque o país asteca tem uma grande tradição em pecuária e condições ambientais semelhantes às que há no Brasil. Em parte porque sua enorme fronteira com os Estados Unidos sempre serviu de passagem para gado contrabandeado ao país vizinho – driblando a rígida vigilância sanitária dos EUA.

A primeira vez que uberabenses tentaram vender gado na América do Norte as coisas não correram nada bem. Era o ano de 1922 e os pecuaristas brasileiros estavam desesperados pela crise dos negócios no País – fruto do final da 1ª Guerra na Europa e de uma epidemia de peste bovina que obrigou o governo a proibir o tráfego de gado. Dois grupos de zebuzeiros (um de Uberaba outro do Rio de Janeiro) colocaram centenas de cabeças de zebu em navios e foram tentar vendê-los no sul dos EUA, onde os criadores estavam começando a formar os rebanhos de zebus Brahman. Foram impedidos pelas autoridades de desembarcar em Saint Louis, no Missouri, e desviaram o rumo a Vera Cruz, no México. Tiveram o azar de chegar bem no meio de uma guerra civil entre o presidente Álvaro Obregon e o caudilho Adolfo de la Huerta. Boa parte das reses finas foi confiscada pelas tropas em conflito para servir de churrasco. Só algumas poucas, talvez 20 ou 30, conseguiram entrar nos EUA pela fronteira. Os prejuízos para os uberabenses foram monumentais.

Em 1945 houve uma nova crise da pecuária no Brasil e uma nova oportunidade de exportação. No México havia interessados em comprar gado indiano para melhoramento da pecuária, entre eles o poderoso ex-presidente Lázaro Cárdenas. Mas a Secretaria de Agricultura do México impunha feroz resistência a esse negócio, alegando o risco de que o gado trouxesse ao país o vírus da febre aftosa. Contava com apoio dos EUA – na época o maior comprador de gado mexicano e interessado em vender aos vizinhos seus reprodutores Brahman. 

Em Uberaba, alguns grandes criadores de Zebu montaram a “Sociedade Exportadora Brasil-América” para cuidar dessa transação. Por fim, com o apoio de Cárdenas, os uberabenses ganharam a queda-de-braço. Mas, para cumprir as exigências sanitárias, o rebanho foi levado para a Ilha do Sacrifício, no Caribe, onde ficou estabulado em longa quarentena, durante a qual foram submetidos a rigorosos testes por veterinários e zootecnistas. Finalmente, o rebanho – já todo vendido – foi considerado sadio e liberado para ir para as fazendas.

Poucas semanas depois explodiu a bomba: em abril de 1946, apareceram no México alguns casos isolados de aftosa, dando início a uma epidemia que se espalhou rapidamente. Imediatamente, os EUA suspenderam as importações de gado – jogando a pecuária mexicana em uma longa e profunda crise. Pesadas acusações foram lançadas sobre os zebus brasileiros e os defensores da importação, inclusive Cárdenas, politizando a discussão. 

Nunca chegou a ser comprovado que os zebus uberabenses tenham sido os responsáveis pela essa epidemia. Mas o estrago estava feito. O combate à febre aftosa no México levou quase uma década para ser concluído e causou prejuízos incalculáveis à economia do país. Houve até algumas dezenas de mortes de fiscais sanitários, camponeses e soldados em revoltas de pequenos criadores que não se conformavam com o abate obrigatório dos seus rebanhos sob suspeita. O trauma demorou a ser superado e, por 50 anos, nenhum zebu brasileiro pode entrar no México. Somente em 1997 um acordo sanitário reabriu as negociações.

Esse e muitos outros causos, estão no livro “ABCZ 100 anos: história e histórias”, que será lançado na próxima Expozebu.


(André Borges Lopes)


Cidade de Uberaba

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

Cineasta que irá contar a história do Zebu no Brasil visita ABCZ esta semana

A Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) recebe na próxima semana parte da equipe de um projeto cinematográfico que irá contar a história do Zebu no Brasil. A visita está marcada para os dias 25 e 26 de fevereiro, como uma das etapas de pesquisa para o projeto. Na comitiva estará o cineasta e produtor Gil Ribeiro, que irá conduzir o documentário intitulado ‘Da Índia ao Brasil: 170 anos de história das raças zebuínas no território brasileiro’, e o editor Fábio Ávila, da editora Bela Vista Cultural.

“Essa é uma história muito rica, e toda iniciativa que tem como objetivo contá-la tem nosso apoio. Boa parte do desenvolvimento econômico do país passa pelo agronegócio e, consequentemente, pelo zebuinocultura, justamente por isso é muito importante que ela seja amplamente difundida”, destaca Thiago Riccioppo, gerente do Museu do Zebu.


ABCZ recebe cineasta que irá produzir
 documentário sobre o Zebu

Além de Riccioppo e da equipe de pesquisadores do Museu, os responsáveis pelo projeto irão se reunir com membros da diretoria da ABCZ e colaboradores da entidade. “A proposta é de que durante esses dois dias esses profissionais consigam fazer uma imersão ainda mais profunda no universo das raças zebuínas. Obviamente que ambos já conhecem essa história, sendo que o Fábio, inclusive, já desenvolve outros projetos em parceria com o Museu do Zebu, mas durante esse encontro, terão a oportunidade de se aprofundarem ainda mais em detalhes, que fazem toda a diferença em um projeto como esse”, ressalta Goretti dos Santos, coordenadora pedagógica do Museu do Zebu.

Sobre o produtor. Com mais de 30 anos de experiência no mercado audiovisual, Gil Ribeiro foi um dos precursores da produção independente de TV , desenvolvendo, dirigindo e produzindo importantes projetos no Brasil e exterior. Entre os atuais trabalhos de destaque do profissional está a produção executiva do filme ‘Vai que Cola’, com o humorista Paulo Gustavo, ‘Sob pressão’, de Andrucha Waddington e que traz no elenco atores como Andréa Beltrão, Marjorie Estiano e Stepan Nercessian, e ‘Penetras 2’, do mesmo autor e com a atuação dos comediantes Eduardo Sterblitch, Marcelo Adnet e os atores Danton Melo e Mariana Ximenes.

Ribeiro também possui vasta experiência em produção publicitária e programas de TV, com produções para os canais GNT, Multishow e Globo.

Jornal da Manhã



Cidade de Uberaba

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

JOÃO VALENTÃO E SEUS ARAPONGAS

O general João Baptista Figueiredo, que governou o Brasil entre 1979 e 1985, foi o último e o mais casca-grossa dos presidentes da ditadura. Formado na arma da cavalaria, nem tinha assumido o posto quando, questionado sobre o que achava do “cheiro do povo” respondeu na lata: “prefiro cheiro de cavalo”. Recém empossado na Presidência, foi recebido em Florianópolis por um protesto de estudantes que distribuíam xingamentos. Foi contido pelos seguranças da comitiva quando tentou partir para cima de alguns dos jovens que estavam mais próximos, enquanto gritava que “minha mãe não está em pauta!”

Figueiredo foi encarregado de concluir a abertura democrática “lenta, gradual e segura” planejada pelo seu antecessor, Ernesto Geisel. Logo de cara, alertou: “quem for contra a abertura, eu prendo e arrebento” – promessa que não cumpriu quando alguns renitentes começaram a colocar bombas em bancas de jornal e festas de 1º de maio. Mas promulgou uma anistia política em 1979, assistiu a vitória das oposições nas eleições de 1982 e, por fim, entregou o cargo a um sucessor civil eleito pelo Congresso.

Hoje, há quem diga que o período autoritário da ditadura teria sido um enorme sucesso do ponto de vista econômico. Quem passou pelos anos Figueiredo, sabe que as coisas não foram bem assim. Seu governo foi marcado por grave crise econômica, onde altas taxas de juros internacionais acabaram o dinheiro barato do início dos anos 1970. O Brasil importava a maior parte do petróleo, e os preços dispararam em 1979. A dívida externa crescente rompeu a marca dos 100 bilhões de dólares, obrigando o governo a pedir ajuda ao FMI. Internamente, a inflação passou de 45% ao ano para infernais 230%, enquanto a economia patinava.

A coisa não estava nada boa no dia 7 de maio de 1981, quando João Figueiredo veio a Uberaba prestigiar a 47ª Exposição Nacional de Gado Zebu. Os criadores de gado de corte estavam particularmente irritados. O governo reduzira as linhas de crédito e aumentara os juros, enquanto o preço dos insumos subia acima da inflação – já em 120% ao ano. A queda do poder aquisitivo da população havia derrubado o preço da carne: o quilo do contra-filé era vendido a US$ 3,00 nos açougues brasileiros, contra US$ 8,00 na Argentina e US$ 9,00 na Austrália. Para piorar, o humor de Figueiredo estava péssimo: poucos dias antes uma bomba estourara no colo de um militar no shopping Riocentro, elevando a tensão política no País.

Na ocasião, a ABCZ era presidida por Manoel Carlos Barbosa, jovem pecuarista e empresário do florescente negócio da inseminação artificial. Natural de Ituverava-SP, havia se formado em Direito em Uberaba, tinha 32 anos de idade e pinta de garotão. Em seu discurso, Manoel resolveu tomar as dores da categoria que representava. Com o presidente a seu lado no palanque do Parque Fernando Costa, cobrou um compromisso feito dois anos antes de que, em seu governo, a agropecuária teria prioridade. De forma respeitosa, e sem culpar diretamente o presidente, denunciou dificuldades enfrentadas pelo setor e listou promessas não cumpridas. Alertou, ainda, para o fato de que muitos pecuaristas estavam desanimados e vendendo suas matrizes para o corte, colocando em risco o abastecimento futuro.

O general não escondeu a irritação com o fato de ser questionado em público por um moleque insolente. Fechou a cara e disse a Manoel: “você foi muito indelicado comigo, não quero conversar mais”. Emburrado e em silêncio, cumpriu as formalidades da visita, cancelou um encontro com produtores rurais e tomou o avião para o Rio de Janeiro. Atônitos, os uberabenses se dividiram entre os que apoiavam a atitude do presidente da ABCZ e os que consideraram o ato uma grosseria, temendo as consequências.

Como retaliação pública, Figueiredo deixou de vir às exposições nos dois anos seguintes. Mas hoje, graças à abertura dos arquivos secretos da ditadura, sabemos que a coisa não parou por aí. O governo ordenou que os arapongas do Serviço Nacional de Informações fizessem uma devassa nos negócios e na vida pessoal de Manoel Carlos. Um mês depois, baseando-se em meras suposições e ilações, um informe confidencial datado de 9 de junho de 1981 acusava o presidente da ABCZ de ser sonegador de impostos e de ter uma firma de atividades escusas que “estaria realizando contrabando de sêmen, o que lhe proporcionaria avantajadas recompensas financeiras”. Tudo sem provas e sem direito a defesa, como é de praxe nas ditaduras.



(André Borges Lopes)



Cidade de Uberaba

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE CRIADORES DE ZEBU (ABCZ)


A Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), sediada em Uberaba (MG), é uma das maiores entidades representativas de gado no mundo, com mais de 20 mil associados. Sob sua tutela, estão as oito raças zebuínas que deram origem aos mais de 200 milhões de bovinos existentes no Brasil, responsáveis por colocar o país na liderança das exportações mundiais de carne bovina e ao mesmo tempo abastecer a gigantesca demanda interna, próxima dos 40kg de carne/habitante/ano, o consumo per capita brasileiro.
Altamente representativa junto ao governo e às demais entidades defensoras dos interesses dos pecuaristas e dos produtores rurais em geral, a ABCZ é quem solicitou a inserção da “Pecuária”, na nomenclatura do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e também comandou os acalorados debates que envolveram o setor na Conferência Rio+20 e na defesa da carne brasileira em Anuga, perante pecuaristas e parlamentares europeus. “A ABCZ participa ativamente das grandes lutas em defesa dos produtores. É um trabalho diário e que ainda precisa se consolidar, visto que os desafios atuais são muito maiores do que os de 20 ou 30 anos atrás”, define o criador Frederico Cunha Mendes, ou apenas Fred, como é conhecido.
E para materializar uma ABCZ cada vez mais atuante, representativa, transparente e unida, em todas as frentes, é que Fred é candidato à presidência da associação nas próximas eleições, em agosto. E para essa missão tem o apoio de 15 dos 17 membros da diretoria atual, incluindo o presidente Luiz Cláudio Paranhos, que também dirige a Câmara Setorial da Carne Bovina no MAPA. Já estão confirmados na Chapa “ABCZ Unida: Fred Presidente” outros nomes de peso: Jonas Barcellos, empresário de sucesso e um dos mais respeitados neloristas do Brasil, e Pedro Gustavo de Britto Novis, presidente da Associação dos Criadores de Nelore do Brasil (ACNB).
A indicação de Fred não ocorreu por acaso. Ele já participou de duas gestões e tem o zebu no DNA. É neto de Torres Homem Rodrigues da Cunha, fundador da centenária “Marca VR”, e filho de José Olavo Borges Mendes, que deixou legados como presidente da ABCZ em três gestões. Fred não é apenas uma jovem liderança, ele entende as necessidades da pecuária brasileira. É médico-veterinário pela Universidade Federal de Minas Gerais, pós-graduado em Reprodução Animal pela Universidade de Saskatchewan (Canadá); é pioneiro no uso técnicas de ultrassonografia e transferência de embriões e, além de empreendedor, possui MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getúlio Vargas.
Propostas
Dentro do Parque Fernando Costa, onde fica a sede da ABCZ, em Uberaba (MG), assim como acontece na pecuária moderna, uma das grandes metas de Fred é fazer mais com menos, ou seja, desonerar o associado através de parcerias, patrocínios e quando não for possível, agregar mais serviços pelos preços já vigentes. Uma forma de conseguir tal objetivo é a desburocratização do Serviço de Registro Genealógico, algo que já vem sendo realizado por Fred como diretor de Tecnologia da Informação da ABCZ, após ouvir reclamações dos associados.
Essas mudanças impactam diretamente o Sistema Produz, o software de gestão oficial da ABCZ, o qual possui interface com o Programa de Melhoramento Genético das Raças Zebuínas (PMGZ), que já roda avaliações genéticas próprias e intensificará o foco na avaliação de carcaça, uma necessidade da pecuária sustentável. O Produz será ampliado para atender áreas fora da genética bovina como adubação de pastagens, manejo, sanidade e nutrição. Iniciativa pioneira que transporá a barreira dos computares para os campos da Estância Orestes Prata Tibery, de 70 ha, onde serão oferecidos aos associados cursos gratuitos nestas linhas. Para tanto, também necessitará de um corpo capacitado, hoje formado por 105 técnicos espalhados pelo Brasil.
A proposta é que os profissionais estejam aptos a entender os pontos críticos do sistema produtivo da propriedade do associado e propor soluções imediatas. Estar mais próximo do associado é uma preocupação que vai resvalar, inclusive, na comunicação e relacionamento com as oito associações promocionais de raça delegadas à ABCZ. A intenção de Fred é criar maior transparência quando das importantes tomadas de decisão inerentes a cada raça. “Não tem mágica. Não tem promessa. É trabalho, capacidade de gestão e foco naquilo importante ao associado”, avisa Fred.
A evolução continua!
Entre as iniciativas que deram certo e vão permanecer na pauta do candidato estão:
  • Promoção: Divulgar e defender a pecuária com planos de comunicação consistentes e voltados tanto para que a sociedade conheça mais sobre nossa pecuária quanto à defesa de interesses do agronegócio brasileiro no restante do mundo;
  • Representação: Diálogos e cobranças em todos os Poderes da República (em todas as esferas governamentais) sobre as necessidades do campo, articuladas em conjunto com as demais entidades da Sociedade Civil Organizada;
  • Captação: Angariar recursos e executar projetos com verbas governamentais destinadas via emendas parlamentares. Estes projetos beneficiam criadores e pecuaristas em geral, em todo o Brasil, sem onerar os associados;
  • Atenção: atender o associado plenamente, com cursos, eventos, programas, informação, serviços de qualidade, cursos de capacitação ao associado e colaboradores, além de prover excelente estrutura;
  • Transparência: Estar sempre próximo do associado e sistematicamente medir a qualidade dos serviços, permitindo melhorias contínuas nos processos da associação e na resolução de problemas;
  • Parceria: Apoio contínuo para as exposições e eventos das Associações Promocionais (Nelore, Gir, Gir Leiteiro, Guzerá, Tabapuã, Brahman, Sindi e Indubrasil). Atuação conjunta no colégio de jurados, logística e, repasses de participação nos resultados comerciais.
“A ABCZ tem se norteado com uma visão estratégica de mercado, atuando ao longo de toda a cadeia produtiva, em conjunto com outras entidades do setor, de forma articulada, com força e representatividade para defender e valorizar a pecuária comercial. Precisamos continuar sendo uma entidade aberta, transparente e comunicativa com os associados e a sociedade”, conclui Fred.