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quinta-feira, 29 de outubro de 2020

Chico Xavier ganha estátua na Praça Rui Barbosa, em Uberaba

Homenagem

Estátua de bronze de Chico Xavier. Foto Antonio Carlos Prata.

Praça Rui Barbosa ganha estátua de bronze de Chico Xavier. A estrutura foi instalada nesta quarta-feira 28 de outubro de 2020 e, inaugurada nesta quinta-feira (29) às 09h. Retrata Chico sentado em um banco de ferro e madeira fixada em piso de concreto. De acordo com a artista plástica, o material pesa 250 kg de bronze fundido na Fundição Artística São Vicente, em Belo Horizonte, sob a coordenação do artista Diego Rodrigues. A peça, que custou R$ 80 mil, graças ao pagamento de contrapartida de uma empresa beneficiada pela lei de incentivos fiscais e estímulos econômicos de Uberaba. Segundo a Prefeitura de Uberaba, as empresas Agronelli e P&D tinham que pagar uma contrapartida para ao município, permutada em entrega de bens e serviço, no caso de obras. Para o secretário de Desenvolvimento Econômico, José Renato Gomes, a obra chega nesse momento como um presente de Natal para a população, é semelhante a uma existente em Pedro Leopoldo. A estátua está posicionada ao lado do Ponto de Táxi. e defronte aos extintos bares: Café 1001 (Mil e Um), e Café da Praça. Segundo a história, na década de 60, eram os locais onde Chico tomava café frequentemente. (Antônio Carlos Prata)


Monumento está sendo disputado. Não se passam nem dois minutos sem que um turista ou morador esteja ao lado para tirar uma foto e levar de lembrança.


Chico Xavier saboreava um cafezinho no bar Café 1001, em Uberaba, em companhia
 do Dr. Jarbas Varanda e de seu filho Luciano Varanda .No início da década de 70, (Foto pessoal do acervo família Varanda)


"Bar e Lanchonete 1001”, que nunca fechava - Foto -  Uberaba Em Fotos


Chico preparando para o fotógrafo. Ao fundo Casa Caldeira e bar Café da Praça.

"Esta é uma das primeiras imagens feita por mim, no início de minha carreira de jornalista. O momento exato em que o nosso saudoso e querido médium Chico Xavier, entrava em um táxi, na praça Rui Barbosa, no final de década de 70. Ele me agradeceu na oportunidade dizendo "eu não mereço ser fotografado, sou uma pessoa comum, obrigado ". Lembro como se fosse hoje.." (Foto/Jornalista/Paulo Nogueira)


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sexta-feira, 23 de outubro de 2020

O filante

Pelo caso das Bananadas vocês tiveram uma ideia da presença de espírito do meu pai, que para quem não sabe era o saudoso José Armando Caparelli, exemplo de caráter, honradez, honestidade e dedicação à família.

Essa passagem diz respeito ao Sebastião Carlos da Silva, vulgo Tião, morador do bairro EEUU que contava com a mesma idade do meu pai e os dois foram convocados para a guerra na mesma época.
O Tião, ao que parece, veio de fora para jogar futebol no time do independente e foi alocado nos correios, pois como salário de jogador era curto na época, tornava-se necessário arranjar alguma atividade complementar e remunerada para as contratações dos clubes.

Meu pai e o Tião eram amigos e serviram juntos em Juiz de Fora onde aguardavam ser chamados para compor as tropas brasileiras na Itália. A companhia do Tião foi embarcada no final de agosto de 1945 no Rio de Janeiro, enquanto a companhia do meu pai embarcaria cinco dias depois, ficando aguardando em Juiz de Fora.

Foi quando a guerra acabou (2/10/45), com o Tião no navio e meu pai em terra.
Parece a mesma coisa, pois nenhum deu um tiro sequer e nem ao menos pisaram em solo italiano. Mas para o governo da época não, pois o Tião deu baixa recebendo soldo de ex-pracinha e meu pai ficou “a ver navios’.

Tenho a suspeita que a expressão nasceu aí.

Contam que ele era um tanto quanto “controlado” em questões financeiras e não gastava um centavo com supérfluos, e acho que nem com os “principais”; em suma, era um belo de um “pão duro”.
O Tião que depois de dar baixa no exército nunca pegou no batente, passava todos os dias de manhã na lotérica e convidava meu pai para tomar café e comer uns biscoitinhos, coisa que meu pai às vezes ia, às vezes não, dependendo do movimento na loja. Só que o lugar desse pequeno lanche matinal, não era em lanchonete alguma; o destino do sovina, pasmem vocês, era a funerária Pagliaro onde, quando tinha velório, tinha sempre uma mesa com quitandas, café, leite e chá para os presentes.

Nessa época, meu pai praticava o tabagismo, bem como o Tião e numa dessas incursões funerárias, depois de cumprimentar os parentes do defunto, e depois de fazer a devida “boquinha”, saem os dois e meu pai saca um “minister“ do bolso, acende e dá uma bela tragada, já esperando o Tião tentar filar um cigarro dele.

Antes de voltar o cigarro à boca para a segunda tragada o Tião, seguindo seu mau hábito de filante inveterado, pediu um cigarro para meu pai, que já esperando, ironizou:
- Tião, você tá fumando muito!

Mas pão duro tem sempre uma resposta pronta:

- Caparelli, eu fumo, mas não trago...

Num átimo a resposta veio definitiva:

- Pois devia trazer, Tião!


Marcelo Caparelli


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sábado, 25 de julho de 2020

A missa dos mortos

Num povoado vivia uma viúva que guardava com muita devoção a lembrança do marido. Cada ano de morte mandava celebrar uma missa pelo seu aniversário em sua devoção.

Avisava sempre os amigos e parentes o dia e o mês, já que não havia jornal naqueles páramos.

Numa noite levantou-se e de sua janela avistou a igreja iluminada por velas que ardiam provavelmente no altar.

Vestiu-se e resolveu ir até lá. Chegou. Tomou água benta e se sentou. O padre não estava lá e a seu lado e na nave enxergou homens e mulheres com os rostos ocultos.

A viúva teve um arrepio de frio e ajoelhou-se. Neste cenário começou a missa, sem que se ouvisse a voz do padre. Quando o coroinha fez soar a campainha, nada se ouviu. Não levara dinheiro para esmola e no aperto da situação colocou seu anel sem que o mesmo fizesse qualquer barulho.
Encerrada a missa, o oficiante acompanhou-a até a porta.

Quem seria o padre? E o coroinha? Não os conhecia. Ao voltar os olhos para traz já não mais viu os assistentes, mas notou as velas estavam apagadas. 

Retornou a sua casa e levantou-se mais tarde do que de costume.

Apareceram os vizinhos assustados e lhe disseram estranhar sua ausência à missa do marido.

A viúva protestou e disse que assistira a missa na noite que passara e o que estranhou foi a falta dos convidados. Buscaram o vigário e ele confirmou que apenas celebrara a missa do dia seguinte e não a da noite.

Convicta, asseverou: “estive presente à missa! Mas logo estranhei porque não foi o senhor que a celebrou, e sim outro vigário desconhecido”.

Lembrou que tinha deixado a aliança como espórtula que se encontrava incrustada no altar.
E o sobrenatural se fez presente ante os fatos. Todos compreenderam então que aquela missa era a dos mortos de todo o povoado a que a pobre viúva havia assistido.

HUGO DE CARVALHO RAMOS MAGALHÃES

Membro do Instituto dos Advogados de Minas Gerais.



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O ANTIGO GRUPO MINAS GERAIS. 76 ANOS !!!

Das mais tradicionais escolas uberabenses, por lá já passaram milhares de alunos. Fui um deles, lá ingressando em 1949. O Grupo Minas Gerais teve sua criação em 4 de outubro de 1927 mas as aulas se iniciaram em 10 de julho de 1944, quando se efetivou sua instalação. A denominação de Escola Estadual Minas Gerais ocorreu em maio de 1974. Um de seus felizes alunos trago lembranças inesquecíveis.

- Meninos, não se esqueçam de decorar a tabuada ! – Crianças, a primeira comunhão está chegando! ( muitos aguardavam a mesa cheia de bolos e doces pós comunhão!) – Quem não souber a lição de História, na ponta da língua, castigo!. Eram as eternas mestras de saudosas lembranças.
A Prof. ESMERALDA ROCHA BUNAZAR foi a primeira Diretora e por lá ficou 18 anos! Entregou sua vida àquele educandário. O primeiro turno funcionava das 7,30 às ll,3O, com as Professoras Duma Jane Silva, Wany Corrêa, Dione Soffiatt, Elda Barcelos, Leonilde Catella, Maria Tereza de Melo, Suzette Cerqueira e Chamis Bittar. 775 alunos foram matriculados.

No ano em que me formei, 1952, éramos os seguintes alunos: Albano Plantamar Oliveira //Adelina Maria Campos //Alcino Maniezza //Aluizio Ferreira Dias //Antônia Aparecida Mendonça// Antônia Rodrigues //Antonieta Otávia Nascimento //Antônio Carlos Salge //Antonio Luciano Vanunci //Antonio Pucega Filho //Antonio Rezende //Antônio Romeu Rocha //Arzane Oliveira Plantamar //Auricedes Alves Moreira //Benedito Silva //Calixto Miguel Hueb //Celso Machado Diniz //Clair Almeida Carvalho //Claudemiro Raiz Monteiro //Dalcy do Carmo //Georgeta Otávia Nascimento //Glicon Cardoso Ferreira // Hely Araújo Silveira// Hélio das Virtudes// Hélio Silva// Heloisa Maria Gomes// Idilberto José Prata//Irani Rodrigues// Ivone Laura de Castro// Ivone Maria Cunha// Jairo Antônio Souza//Jamile Abrão//Joana de Almeida//João Batista Borges//João Bosco Rodriugues//João Ivo de Freitas//João Nunes da Silva// João Pereira Silva//José Antônio Guimarães// José Atenécio Narciso//Maria Marta Vitorazzi//Marina Almeida//Mauro de Souza Tonelli//Milton Felix//Munir Miguel Dib//Natalina Divina Machado// Neide Maria Silva //Nélio Donald Max //Nilda Aparecida Calabrês //Olavo Sabino de Freitas Júnior// Oscar José de Castro Lacerda//Osmar Félix //Pedro Adalberto Gigliotti //Rafael dos Reis //Reinaldo Toneli // Rodrigo Sarmento// Rolemberg Pinheiro //Ronaldo Silveira //Rosa Helena Silveira//Rosália Aparecida Bunazar Outra turma: 
Danilo Alves Freitas //Diana Borges //Duma de Oliveira ///Duma Soares Santos //Dinorá Lucas de Freitas //Djalma Nonato //Domingos Juliano//Edith Maria Oliveira //Edma de Oliveira //Edna Lúcia Pontes // Elmira de Moura// Erasto de Melo Vasconcelos // Euclides Leal Sene// Eunice Gaspar //Eunice Rossi //Eurípedes Parreira //Fausto Souza Pinto // Garivaklo Cândido Naves// José Gilberto Anceilo// Juarez Alves de Souza //Leide Barbosa// Lúcio das Virtudes //Luiz Ernesto Silva Oliveira// Luiz Gonzaga Hueb// Luíza Helena Mareli //Luzia de Almeida// Marcos de Castro Alves //Marcos José Terra //Maria Alice Minari Faria //Maria Eurípedes dos Reis //Maria Helena Angoti //Maria Helena dos Santos / Maria José Pereira de Souza// //Maria Júlia da Silva //Maria Leal de Sene Maria Madalena Baldo //Sebastião Cortês //Sebastião Nascimento //Selma Aparecida Prado //Sílvio Silva //Sinonar Totoli// Sónia Terezinha Salge// Sônia V. Mendes //Teresinha de Jesus Mata// Viária de Azevedo Oliveira //Wagner Alves Silva //Waldir Lucas Ribeiro //Wanderlei Alves //Wilson Maurício de Souza //.

PROFESSORAS: ESMERALDA ROCHA BUNAZAR.(Diretora) Aída Riccioppo //Alda Sebastiana Toledo //Cecília Talarico //Elda Barcelo //Elza Calixto Hueb //Eunice Alves //Hermantina Riccioppo //Iracema P. Machado //Isolina Lima //Jair de Abreu Machado Maia //Juraci Veloso Guimarães //Luzia Restivo Maluf //Maria Aparecida Cardoso //Maria de Lourdes Andrade Braz //Maria de Lourdes P. Costa //Maria Helena Pepp //Maria Teresa de Meio //Nair Fidalgo Jardim //Neide Martineiii //Ofélia R. Ferreira de Godoy //Rita Ribeiro da S. Fontes //Suzette Pontes Cerqueira.

( Cel Hely Araújo Silveira – Uberaba, 10 de julho de 2020 -76º aniversário de instalação. )


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Fazenda Cachoeirinha (1937) - Uberaba - MG.

Fazenda Cachoeirinha - Propriedade de José Miranda - Foto/Reprodução.


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Brilhante time do Sodima

Sempre digo que o nosso futebol amador é o mais charmoso do Brasil. Ao longo das competições, desde que a Liga Uberabense de Futebol foi fundada, com a Merceana sendo a primeira campeã da cidade, muitos times surgiram e participaram com propriedade dos campeonatos. Citar todos posso até esquecer de alguns, que entraram e foram campeões, depois desistiram. Jogadores de muita qualidade envolvidos e misturados com ex-profissionais fizeram a festa. Exemplo foi o Sodima, que tinha como presidente o ex-goleiro do Fabrício e diretor da empresa Rubens Ciabotti, que nomeou Abrão Miguel como diretor técnico do time que em pouco tempo fez sucesso e grandes momentos foram vividos na sua trajetória. O Torneio Santos Dumont realizado em 1973, foi o ponto, que o clube da rua João Pinheiro despontou e fez grandes partidas como aquela em Poços de Caldas, onde abateu a forte equipe da Caldense com Ganzepe, Arnaldo, Neto, Buzuca, Ailton Lira e outros famosos.

Era da empresa Sodima o time de futebol que arrasava nos gramados dos anos 70.
No Sodima também tinha craques como Paulo Luciano, Pablinho, o goleiro Moacir e outros nomes. Na foto, pela ordem vemos: Eurípedes; Moacir, Carmelito, Pablinho, Carlinhos, Cairo, Fernandinho, Victor Hugo, Carneirinho, Carioca, Zuca e vejam só: Milton Leal como massagista. Foi um time de sucesso, que escreveu sua história no futebol local. (Carlos Ticha)


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sexta-feira, 19 de junho de 2020

Histórico dos TG no Brasil

Em 1896 foi construída uma linha de tiro (LINHA DE TIRO NACIONAL) nos fundos do Palacete Guanabara, no Rio de Janeiro, com a finalidade de treinar as tropas daquela capital federal, talvez por estarmos em plena campanha de Canudos (outubro de 1896 a outubro de 1897).

Em 1899, num relatório do Ministério da Guerra, demonstrou-se que o índice de acertos em alvos (1,60x0,40m) a uma distância de 237m pela tropa federal, estava baixíssimo (menos de 7%) e que desta forma, aprovava-se o Regulamento do TIRO NACIONAL,cuja finalidade era ministrar o tiro com armas portáteis aos Of e Praças do EB, de outras corporações armadas e de civis previamente matriculados na LINHA DE TIRO NACIONAL, mais tarde, LINHA DE TIRO FEDERAL, ao mesmo tempo em que se mostrava a necessidade de se construir linhas de tiro em outros Estados do País. Os civis foram incluídos para se fazer frente às despesas com as linhas, onde os mesmos praticariam tiro ao alvo, tendo que pagar para tal, pois os “novos órgãos”, as linhas de tiro, sofriam restrições orçamentárias.

Então, a partir de 13 de maio de 1899, o Tiro Nacional do Palacete Guanabara se torna local para prática de tiro ao alvo pelos civis mais abastados (médicos, engenheiros, advogados e industriais) e é nesta época que aparece o tal do “concurso anual de tiro”, que perpetuou até os nossos dias.

Em 1902, o farmacêutico Antonio Carlos Lopes, seguindo o exemplo da Suíça, onde o civil recebe instrução de tiro e guarda em casa uma arma, visando atender uma possível convocação militar, funda na cidade do Rio Grande-RS, uma SOCIEDADE DE PROPAGANDA DO TIRO BRASILEIRO, voltada para a prática de tiro ao alvo por civis, se colocando como uma alternativa para a defesa do País.

Em 1906, é criada a CONFEDERAÇÃO DO TIRO BRAZILEIRO, pelo Marechal Hermes da Fonseca, que reunia o TIRO NACIONAL-RJ, a proposta de Antonio Lopes e as sociedades de tiro ao alvo que existiam no sul da País, criada por grupos de imigrantes europeus, que trouxeram o esporte da caça para terras brasileiras.

Foto:Arquivo/Divulgação.

Esta CONFEDERAÇÃO subsidiaria as sociedades com “10 contos de réis”, além de beneficiar os civis que dela participassem com a necessidade de prestar apenas metade do tempo do serviço militar obrigatório. Assim, era conveniente para a instituição militar ter linhas de tiro franqueadas para treino das tropas, além de contar com uma possível reserva na emergência de um conflito. Ao mesmo tempo, os integrantes contavam com os serviços de praças do Exército para auxiliar nas instruções de tiro, além do armamento emprestado e munição comprada a preço de custo. Bom para ambos os lados.

O farmacêutico Antonio Carlos Lopes foi o primeiro diretor da CONFEDERAÇÃO. Viajava pelo País, ao lado do subdiretor, fiscalizando as LINHAS DE TIRO, e incentivando a criação de outras; a CONFEDERAÇÃO ganha corpo no Exército, inclusive aspirando para si, vantagens: honras de Coronel e Tenente-Coronel para o Diretor e Subdiretor, uso dessas insígnias para os militares da reserva pertencentes a linha de tiro, fardamento e “banda de cornetas e tambores” (origem das atuais fanfarras dos nossos TG?), momento em que um Gen Div reformado assume a CONFEDERAÇÃO.

A partir de então, estas sociedades ganham espaço na instituição militar, pois contavam com uma estrutura maior que a da própria força, além da influência exercida nas mesmas pelos grupos políticos, para concretizar algumas aspirações.

Em 1917, é criada a DIRETORIA GERAL DO TIRO DE GUERRA, chefiada por um Coronel da ativa. A Confederação é militarizada e os integrantes das SOCIEDADES NACIONAIS DO TIRO DE GUERRA, deveriam comprar suas fardas, além de pagar uma mensalidade. A instrução e a disciplina seriam delegadas a um Oficial nomeado pela Região Militar. Tornava também obrigatória a instrução de tiro de guerra e evoluções militares para alunos maiores de 16 anos que cursassem escolas superiores e estabelecimentos de ensino secundário mantidos pela União, Estados e Municípios. Estes seriam dispensados do serviço militar obrigatório caso fossem “sorteados” (forma de Sv Mil na época).

Em 1920, a DIRETORIA fica subordinada ao Estado-Maior do Exército. As SOCIEDADES DE TIRO DE GUERRA passam a admitir sócios gratuitamente (1 para cada 3 pagantes) possibilitando o acesso de menos abastados e são reorganizadas em:
- Batalhão de Tiro de Guerra (300 a 600 sócios de 17 a 30 anos).
- Companhias ou Esquadrões de Tiro de Guerra (150 a 299 sócios).
- Pelotões de Tiro de Guerra(5 a 149 sócios).

Em 1923 as inspeções nas SOCIEDADES são normatizadas.
Em 1935 a DIRETORIA é substituída pela DIRETORIA DO SERVIÇO MILITAR E DA RESERVA e as SOCIEDADES deveriam ter uma percentagem de sócios candidatos a reservistas.

Em 1939, pela nova lei do SERVIÇO MILITAR, os TIROS-DE-GUERRA (primeira vez que esta denominação aparece), poderiam incorporar civis que não haviam sido designados para Organizações Militares da Ativa, desde que tivessem meios para tal.

Os candidatos pagariam uma taxa “não superior a dez mil réis” e assim, teriam instruções de Infantaria e Cavalaria, cumprindo com o serviço militar obrigatório e considerados reservistas de 2ª categoria.

A partir de 1945, com a criação do regulamento dos TG, as SOCIEDADES DE TIRO são extintas nas cidades onde já existia uma OM e os TG considerados OFR (Orgão de Formação da Reserva); além disso, elas deveriam ter ao menos, 50 convocados e não somente sócios. Estes seriam beneméritos (prefeitos e quem fizesse elevados donativos) ou efetivos (que continuavam pagando as mensalidades). Os matriculados deveriam comprar o fardamento e deveriam ser alunos ou diplomados de Instituto de Ensino Superior oficial, residindo em local sem NPOR, CPOR ou OMA, curso secundário completo ou no mínimo, ginasial. A escolaridade e a condição financeira eram condições imprescindíveis para ser matriculado. Mesmo assim, a procura continuava (apenas 9 meses de instrução com 12 horas semanais e com efetivo mínimo de 50 convocados).

Em 1964, dois objetivos são alocados aos TG: conveniência do Município e emprego dos atiradores em atividades à manutenção da ordem interna. O quadro de sócios foi extinto em 1967 e seus integrantes são desvinculados de qualquer propósito militar e sem acesso às linhas de tiro.

Baseado na tese de Doutorado da Dra. Selma Lúcia de Moura Gonzalez
(USP/São Paulo-2008)


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quinta-feira, 18 de junho de 2020

DIMENSÃO, REVISTA INTERNACIONAL DE POESIA


  REPERCUSSÃO


Guido Bilharinho

         No decorrer de vinte anos de circulação, a revista Dimensão suscitou inumeráveis manifestações de escritores e intelectuais em geral por meio de correspondência, notas e registros em jornais e periódicos e artigos analíticos publicados na imprensa, compondo significativo e precioso acervo da receptividade alcançada e das reações provocadas por suas edições, constituindo patrimônio cultural de inestimável valor, refletindo a ambiência e as tendências culturais da época, tanto no Brasil quanto no exterior.
         O presente levantamento da repercussão da revista abrange, inicialmente, apenas as demonstrações epistolares que expressaram opiniões sobre ela, exprimindo julgamentos.

         À evidência que esse projeto editorial, despretensioso e desamparado de todo e qualquer apoio material e institucional, não objetivou e nem previu o acolhimento que teria por parte de poetas e escritores que valorizam a poesia, a mais difícil das manifestações artísticas por processar-se pela palavra, faculdade utilizada pelos seres humanos para a comunicação e para a materialização do pensamento (sem a qual este não existiria, já que somente se configura por meio da palavra).

Toda repercussão ora exposta e a que ainda vai ser divulgada, na intensidade e profundidade ocorridas, só foi possível por ainda predominar as tradicionais tipografia e impressão em papel, só pouco a pouco surgindo e se desenvolvendo a computação e a edição eletrônica, a caminho de substituir, como vem fazendo desde o início do século XXI, a impressão em papel.

         Pode-se afirmar diante disso, que Dimensão sintetizou e encerrou na área de periódicos culturais o período cinco vezes secular da invenção de Guttenberg, que lhe permitiu circular como ainda um dos poucos suportes então existentes de publicação e divulgação poética, que, hoje em dia, não é mais necessário face aos espaços ilimitados, gratuitos e universais disponíveis, propiciatórios e incentivadores da proliferação de periódicos culturais eletrônicos.

         Em suas vinte e seis edições e trinta números, visto duplas algumas delas, a revista, distribuída em todo o Brasil e remetida ao exterior, atingindo aproximadamente 60 (sessenta) países, publicou poemas, textos, visuais, ensaios e artigos de nada menos de 635 (seiscentos e trinta e cinco) colaboradores de 31 (trinta e um) países, como se verifica nos índices onomásticos constantes de seu blog exclusivohttps://revistadepoesiadimensao.blogspot.com/ .
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         Além da coleção completa de Dimensão estar disponibilizada no citado blog, atualmente acessado em aproximadamente 30 (trinta) países, acompanhada 

referidos índices, a partir de agora contará também com a companhia do notável acervo de opiniões, críticas, reações e manifestações que provocou em sua trajetória.

         Por medida de racionalidade e metodologia, esse acervo é dividido pelos espaços ou suportes utilizados para sua veiculação: correspondência; notas e registros em jornais e periódicos; e artigos na imprensa, publicando-se, por ora, as manifestações veiculadas pela correspondência remetida do Brasil à editoria da revista, devendo ser completada paulatinamente, nos próximos meses, a publicação das demais veiculadas pelos modos indicados, inicialmente finalizando em julho próximo a presente etapa com a inserção das manifestações expressadas nas correspondências oriundas do exterior.
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         Tanto por se referir à revista como por sê-la produto editorial e gráfico uberabense, todo entusiasmo que despertou e a larga ressonância que obteve são publicados tanto no blog exclusivo, indicado supra, quanto no blog https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/.

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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, fotografia, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com/

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quarta-feira, 3 de junho de 2020

O horror acima de todos

Eis que, por razões que fogem à razão, num dia agourento de 2018 o pior aluno da escola foi alçado ao cargo de diretor. Zé Peidola, que estava há 28 anos sem conseguir passar da quinta série, tinha este apelido por conta de sua ocupação favorita: liberar gases durante as aulas. Os amigos do fundão riam muito e diziam que o Zé Peidola era “mó zoeiro!”.

Após ser empossado, a primeira atitude do Zé Peidola foi demitir todos os professores e colocar em seus lugares os amigos do fundão. No lugar da Fátima, professora de física formada pela USP, entrou o Mosca, que era bom de Lego. Gilberto, de geografia, formado pela Unicamp, foi trocado pelo Horroroso, que já tinha viajado pra Disney e pra Bariloche. Chris, a professora de português, com dois livros de poesia publicados, foi trocada pelo Língua Presa porque Zé Peidola achou muito engraçado colocar alguém de língua presa para ensinar uma língua. No lugar do professor de artes não entrou ninguém, porque segundo Zé Peidola arte é coisa de viado. Mó zoeiro, o Zé Peidola!

O único adulto colocado como professor foi o Teles, pra ensinar matemática. Teles tinha feito faculdade nos Estados Unidos 50 anos antes e ainda era membro de uma antiga seita que ninguém mais seguia –nem nos Estados Unidos– segundo a qual a escola não tinha que dar nenhuma orientação, era pra deixar os alunos fazerem o que quisessem e eles se entenderiam.

Depois, Zé Peidola trocou a fruta do lanche por Cheetos sabor churrasco. A média para passar de ano foi de seis e meio para dois. Zé Peidola cortou todas as árvores do pátio e colocou no lugar televisões passando Silvio Santos. Na biblioteca, Zé Peidola instalou TVs passando Tom & Jerry e botou os livros para serem usados como papel higiênico. O laboratório ele e os amigos destruíram a marretadas, salvando só o clorofórmio pra fazer lança-perfume. Mó zoeira!

A escola, sob os desmandos de Zé Peidola, foi se desmilinguindo. Ninguém aprendia nada com aqueles professores. Os bons alunos passaram a sofrer bullying. Por medo, as alunas só iam ao banheiro em bando. Um dia o Zé Peidola viu uma aluna pedindo pras amigas irem ao banheiro com ela e disse que ela não precisava ter medo porque era feia e não merecia ser estuprada. Mó zoeira!

Então, no começo do segundo ano de Zé Peidola na direção, surgiu na escola uma epidemia. O médico consultor da escola sugeriu algumas medidas profiláticas. Zé Peidola disse que quem mandava ali era ele, demitiu o médico e botou um amigo no lugar.

Os alunos começaram a morrer. Zé Peidola disse, com visível raiva das vítimas, que só morria aluno com problema de saúde. (Ele pensou, satisfeito, mas não disse, que ia morrer muito preto e pobre, também). Morreu um. Morreram dez. Cem. Mil. Dez mil. Quinze mil. Zé Peidola pediu pro amigo médico receitar aos doentes Cheetos sabor churrasco –tinha visto no Twitter que curava a doença. O amigo recusou-se. Zé Peidola o demitiu também.

Chegou uma hora em que morriam mil por dia. Morriam sem ar. Afogados, com os pulmões inundados. Roxos. Sós. Eram enterrados sem velórios, em valas comuns. E os adultos –você se pergunta–, não faziam nada?! Nada. Aqui e ali, publicavam umas notas de repúdio e enquanto viam seus pais morrerem, seus irmãos morrerem, seus filhos morrerem, as paredes da escola ruírem e o teto desabar, diziam que não era o caso de tirar Zé Peidola da direção. Vinte mil. Trinta mil. Cinquenta mil. Cem mil? Mó zoeira!

Antonio Prata

Escritor e roteirista, autor de “Nu, de Botas”
Uma primeira versão desse texto foi publicada  no Jornal Folha de São Paulo em 16/05/2020.

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UBERABA SOB OLHAR CARIOCA

COMO disse ontem no Tapete Voador, o pesquisador André Borges Lopes está se aventurando, com resultados excelentes, pelas histórias do cinema em Uberaba. Já encontrou documentos raros, desde 1907, ano mais remoto a que chegou. Enquanto vasculha os primórdios, não dá trégua ao tempo presente. Entre lá e cá, entre preciosidades de todos os tipos, uma delas, que não se limita ao cinema, merece nosso desfrute. Trata-se de reportagem feita pela revista Cinelândia, do Rio de Janeiro, na edição de 29 de maio de 1949, assinada por certo Pedro Lima. De sabor inigualável, a matéria, de nome Snapshot de Uberaba, nos eleva ao patamar top do país. O texto é também uma crônica da cidade daquela época e vem completo somente na edição online.

A pandemia nos permite retroagir ao passado, em larga escala.

• “Uberaba é uma cidade de Minas Gerais, conhecida no mundo, tanto quanto o Rio de Janeiro ou São Paulo. Possui uma população de cerca de 70 mil almas, sem contar os zebus. A religião predominante é o ‘zebuísta’, dividida em quatro cismas: a Nelore, a Gir a Guzerá e a Indubrasil.
Não se fala outra língua que não a do ‘plantel de animais’. Possui um clima ameno e é uma terra de mulheres belas, de porte esbelto e de sorriso mais bonito que os lábios deixam ver através de dentes alvos e uniformes.”

• “São quatro os cinemas de Uberaba. Dois deles, o Metrópole e o Vera Cruz, estariam melhor na Cinelândia carioca. São casas amplas, bonitas e as preferidas de todos do lugar e forasteiros. Pertencem à Empresa São Luís, que, apenas do nome, não tem nada com o trust que domina a maioria dos cinemas do país.”

• “O cinema Metrópole talvez seja o único do Brasil que oferece matinées dançantes aos domingos e feriados. As moças chegam uma hora mais cedo e, antes do início da sessão, uma orquestra na sala de espera embala os pares ao som das músicas mais modernas. De quando em vez, um cantor faz ouvir sua voz ao microfone e, por tudo isso, muita gente desejaria que as exibições começassem atrasadas...”

• “Outro costume interessante: todas as moças nas sessões em que não se dança entram com a revista O Cruzeiro na mão; é chic, na sala de espera, folhear a revista, até que a sineta marque que a sessão vai principiar. Depois do programa, que consta de uma única função, meia hora de footing na calçada do cinema, onde, no mesmo prédio, funciona o Grande Hotel, e a cidade volta ao sossego, exceto para os grupinhos que fazem roda separadamente, não para falar da vida alheia e de política, mas do zebu.”

• “Vendo-se as moças de Uberaba, conhecendo-se as fazendas, pelas suas belezas naturais e pelos ricos plantéis de gado, fica-se admirado porque nossos produtores ainda não se lembraram de fazer filmes com um material tão nosso e tão rico, ao invés de fitinhas com cheiro de suor, sambinhas e sambistas, piadas de Otelo e de Oscarito, para só se falar no que temos de melhor.”

• “Vimos alguns filmes projetados nas telas dos grandes cinemas locais. Os da Warner, então, estão em péssimo estado. Faltam cenas, estão arranhados, deixam muito a desejar. Vimos, lá, Os Últimos Dias de Pompéia, da RKO Rádio. Parece um filme salvo do terremoto de Pompeia, depois do Vesúvio.”

• “E o que falar, então, dos shorts nacionais. Até pura propaganda é exibida dentro da obrigatoriedade. Alguns filmezinhos ‘novos’ apresentam o presidente Getúlio sob o regime Dipearo (relativo ao DIP, Departamento de Imprensa e Propaganda do governo Vargas).”

• “Uberaba, afinal de contas, é uma cidade que não pertence a Minas, porque é um dos orgulhos da pecuária nacional que atrai os estrangeiros para o Brasil, com seus plantéis de zebu que fizeram cair o queixo dos ganadeiros e do ministro da Venezuela.”


Jorge Alberto Nabut
Escritor e colunista/Uma primeira versão desse texto foi publicada no da Jornal da Manhã em 03/06/2020)


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Cidade de Uberaba

terça-feira, 28 de abril de 2020

Profissionais da saúde

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência.

Penetrando no interior dos lares, meus olhos serão cegos, minha língua calará os segredos que me forem revelados, o que terei como preceito de honra.

Nunca me servirei da minha profissão para corromper os costumes ou favorecer o crime.

Se eu cumprir este juramento com fidelidade, goze eu para sempre a minha vida e a minha arte com boa reputação entre os homens; se o infringir ou dele afastar-me, suceda-me o contrário.”

Eis o juramento lapidar do médico, ditado pelo filósofo grego Hipócrates (460 a.C), considerado o pai da Medicina. Tendo o médico como referência, as palavras que direi a seguir, são dedicadas a todos os profissionais da saúde.

Quando tudo está perdido, vamos encontrar a esperança nas mãos daqueles que, doutrinados para servir, se expõem como se a vida do outro fosse a própria. Não têm o direito de escolher o que querem, se diante de si estiver o semelhante a implorar para que lhe acalme a dor. Doar é a única opção e, na maioria vezes, um segundo de tempo a mais ou a menos pode fazer a diferença. Não têm pressa, mas não podem demorar.

Temos visto médicos e seus colegas correlatos darem suas vidas na batalha contra o coronavírus. Eles e elas se jogam no front sem a menor noção de onde surgirá o inimigo. Ao saírem de seus lares, beijam seus entes queridos, feito o soldado que parte para a guerra, não sabendo se voltará vivo para beijá-los novamente.

Se há uma profissão que vai além, com o perdão das outras, inclusive da minha, é a do profissional da saúde. Ao prestarem o juramento, todos os integrantes da área se disponibilizam em fazer do nosso último momento a chance de não deixar a nossa esperança morrer. Esse é o ir além.

As palavras de Hipócrates, ditas há mais de 2.000 anos, se tornam atualíssimas quando o mundo se curva diante da Covid-19 e os zelosos da saúde, nesse momento crucial, ao contrário, emergem de si mesmos com coragem titânica! Não fossem eles, o que seria de nós?

De talentosas inteligências surgirá o stop ao coronavírus. Em consonância com outros seres iluminados, os profissionais da saúde estarão na primeira fileira dos nossos heróis. Assim eles devem ser reconhecidos.

(*) - João Eurípedes Sabino.
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
Uberaba/MG/Brasil.

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Cidade de Uberaba

Vigília mental (*)

Minhas palavras ditas há uma semana ficaram velhas como eu havia previsto. Não lhes peço para torna-las sem efeito, mas solicito que carreguem a dose porque as previsões que fiz, além de superadas tiveram alguns elementos a mais e não há como ignorá-los: a cisma e o medo fazem a festa nas mentes indefesas. É o Coronavírus!

Lembro-me como se fosse hoje, na década de cinquenta, quando um boato “viralizou” dando conta de que o mundo iria acabar! Num belo domingo, certo asteroide(!?!) riscou o céu deixando mega imagem vertical. O jornal Lavoura e Comércio mostrou a foto em primeira página. “De um mil, passamos, mas a dois não chagaríamos”, segundo Nostradamus. Estávamos a menos de 50 anos do ano 2000! Espertos deitavam e rolavam.

Religiosos visitavam casas, Bíblias eram vendidas, terços rezados em profusão, novenas idem, cartomantes vendiam suas visões, etc., e o assunto proliferava de mamando a caducando. Houve pessoas que chegaram à loucura, tal a força do vírus mental disseminado na massa.

O Coronavírus aí está e os fatos, guardando as devidas proporções ou alcances, se repetem, com um detalhe: o bichinho invisível rasga o mundo em segundos! Ou seja; a cisma e o medo de contraí-lo cobrem a terra. Daí seja necessária a vigília mental.

E o que é vigília mental? É evitar o assunto? Ignorar a letalidade do Coronavírus? Fazer de conta que não é comigo? Ser indiferente? Ou é tudo isso ao contrário? Sim, tudo ao contrário, exatamente.

Há os que só falam do assunto. Há os que o ignoram. Outros fazem de conta que não é com eles e há os indiferentes. Todos estão nos extremos, que são perniciosos. Aí é que mora o perigo, pois as portas de entrada do vírus mental podem estar abertas e ocorrer auto caos. Nessas portas devemos colocar agentes mentais vigilantes encarregados da defesa. A casa mental, sob ordens de um pensamento-autoridade, proporciona excelente grau de consciência. Um fortíssimo pensamento a ser barrado é o do pânico. Dominá-lo e não o passar à frente é a melhor técnica.

Os idosos estão merecendo capítulo especial. Filhos e netos os assediam para que se cuidem preventivamente. Há males que vêm pra bem e, não fosse o Coronavírus, muitos vovôs e vovós estariam esquecidos.

Que possamos extrair dessa experiência sombria os elementos positivos para convivermos melhor em família e na comunidade.

(*) - João Eurípedes Sabino.
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
Uberaba/MG/Brasil.


Cidade de Uberaba

Sua majestade, o vidro

Na última quinta, pela manhã, minha amiga sai de casa e da calçada oposta um homem abaixa as calças, mostrando-lhe o pinto. Ela corre até o guarda da esquina. “Moço! Um homem acabou de abaixar as calças pra mim, ali, bem na frente da minha casa!”.

O guarda, sentado em sua cadeira de plástico, a olha com enfado: “Não posso fazer nada, senhora, a rua é pública”. Ela então acrescenta, à guisa de experimento sociológico: “Ele quebrou o vidro do meu carro”. O guarda se levanta num salto, pega o cassetete e fala, com sangue nos olhos: “Onde?! Cadê?! Pra que lado ele foi?!”.

O acontecimento me parece uma dessas histórias talmúdicas ou contos chineses, cheios de significados. Agredir uma mulher, na visão do guarda, é um direito do cidadão. Agora, quando quebra o vidro de um carro é um absurdo que deve ser combatido imediatamente. #mexeucompatrimôniomexeucomtodos!

O “guarda da esquina” é um personagem antigo da política brasileira. Na reunião em que foi proposto o AI-5, o vice-presidente Pedro Aleixo teria dito a Costa e Silva: “O problema deste ato não é o senhor, nem os que com o senhor governam o país, é o guarda da esquina”.

Queria dizer que se do alto vem a mensagem de que dane-se a lei, lá embaixo a turma pode, veja só, entender exatamente o que foi dito e sair barbarizando. 

A frase geralmente é citada como uma ponderação razoável, mas me soa reveladora do autoritarismo nacional. Uma coisa é o alto escalão mandar às favas a civilidade, fechar o Congresso, avacalhar com o Estado de Direito. Isso aí tá ok, ok? Agora, o pobre, não.

O pobre tem que obedecer. O fazendeiro que queima a Amazônia é empreendedor. O MTST que invade um prédio abandonado é terrorista.

A atitude do guarda da esquina na história da minha amiga ecoa a de boa parte da elite brasileira nas últimas eleições.

Durante a campanha, Bolsonaro abaixou as calças diante da lei, dos direitos humanos, da Amazônia, da educação, da cultura, das minorias, dos oponentes, mas garantiu que com Paulo Guedes ninguém iria quebrar o vidro do nosso carro. Fiesp, CNI, igrejas evangélicas, Hebraica do RJ, mercado financeiro, agronegócio, parte da imprensa, todos riram, aplaudiram e disseram: vamos nessa!

Bolsonaro segue abaixando as calças, todos os dias, para a democracia, o Estado de Direito, os jornalistas (e principalmente as jornalistas, covarde que é), mostrando a arminha para qualquer noção de civilidade e dignidade, esgarçando o tecido já puído das nossas instituições. 

E o primeiro andar continua de olho, exclusivamente, no vidro do carro. Ou, no máximo, suspeitando que Paulo Guedes subiu no telhado, manifestam-se alguns, aqui e ali, supostamente assustados, como se despertassem do sono da mosca tsé-tsé e descobrissem que Bolsonaro segue falando e fazendo o que sempre falou e fez durante a vida toda.

Sabe o que é pior? Se houver manifestações de rua e quebrarem um único vidro de carro, apedrejarem uma agência bancária ou um McDonald’s, os mesmos que o apoiaram nas eleições vão apoiar medidas de exceção que, veja bem, não são um golpe, dirão, mas ações extraordinárias diante de uma situação extraordinária.

A miséria, a falta de saneamento básico, o abismo entre brancos e negros, entre homens e mulheres, a violência policial nas periferias, as milhões de crianças cuja educação está entregue às mãos de um ministro cujo analfabetismo é um dos menores defeitos: nada disso é motivo de escândalo. Mas vai meia dúzia de moleques mascarados quebrar uma vitrine pra ver o que acontece. 

Eis o grande patrimônio nacional, nosso maior orgulho, nossa instituição mais sagrada: sua majestade, o vidro.

Antonio Prata
Escritor e roteirista, autor de “Nu, de Botas”.

_Folha de S. Paulo_ 23.2.2020

Cidade de Uberaba

Verdade verdadeira (*)

E a luta contra o Coronavírus continua em todos os quadrantes da terra! Cada um a seu modo tem dado sua cota de sacrifício para vermos tombado esse microrganismo, tão letal à espécie humana. Estou fazendo a minha parte mesmo recolhido ao grupo de risco marcado pelos janeiros. Alinhavar estas palavras faz parte do trabalho que me permite chegar a lugares onde o vírus não vai; no coração das pessoas.

Não devemos pagar o preço para ver o resultado da imprudência. Se nos aconselham o uso dos equipamentos de proteção individual, por que não usá-los e darmos o exemplo aos que fazem pouco dessa necessidade? Estamos num jogo em que ganhar ou perder envolve a todos indistintamente.

Ouvi por via rádio, os reclamos de uma integrante do Circo Khronos, então montado no interior do Parque de Exposições Fernando Costa, aqui em Uberaba. Estão lá 56 pessoas, dentre as quais, 16 são crianças que; além de viajar como nômades, agora enfrentam o drama de não poder bater em retirada por falta de recursos. As necessidades fecham o cerco e, tentando exercer a nossa marca de uberabense, fui levar a eles a minha solidariedade alimentícia. De carro fechado, usando boné, luvas e máscara, adentrei-me à noite ao recinto do parque, escoltado por uma moto vigilante.No local, mantendo segura distância, os circenses retiraram do carro a minha modesta ajuda. Distanciamento estranho para mim que sempre cultivei o hábito de apertar a mão do meu semelhante. Sei que você uberabense, fará a sua parte também!

Saí feliz por ter exercido o bem, mas entristecido diante do fato de que; depois de ininterruptos 78 anos, nossa Associação Brasileira dos Criadores de Zebu não realizará o tão sonhado evento de 2020. Tudo por precaução diante do avanço do Coronavírus. Decisão acertada do presidente Rivaldo Machado Borges Júnior e sua diretoria.

Enquanto isso, os prudentes e imprudentes seguem por caminhos inversos e paralelos. Uns obedecem à risca os protocolos preventivos e outros subestimam a força do bichinho invisível a olho nu que, uma vez instalado, faz estragos. Não lamentemos depois sem ter um ombro amigo!

Segui dois grandes jornais paulistas na última semana. Em todas as edições, mais de 90% delas continham notícias sobre o Coronavírus e, percentual maior, ficou por conta das redes de televisão. Queira Deus que, passada a pandemia, a realidade não nos traga outra verdade: a verdade verdadeira.

(*)- João Eurípedes Sabino - Uberaba/MG/Brasil.

Cidade de Uberaba


DOUTOR GUERRA.

Apesar do nome era um homem que transpirava a paz. Conheci Dr. Francisco Mauro Guerra Terra há mais de 50 anos quando meu saudoso pai iniciou uma amizade com ele movida por um tratamento médico que varou os tempos. Ambos tinham uma paixão em comum que eu também tenho:o cavalo mangalarga marchador. 

 Francisco Mauro Guerra Terra. Foto/Divulgação.

O pai, o mestre, o super neuro cirurgião, o cidadão caridoso, o homem de bem, o amigo, a simplicidade em pessoa e outras virtudes, faziam de Doutor Guerra o ser humano extremamente respeitado mundo afora. Daí ser acatado por onde passava. 

Estive ao lado dele no dia 30/05 do ano passado quando foi inaugurado o centro de assistência psicológica que recebeu o seu nome em Uberaba. Senti-me extremamente honrado ao ver o exemplo do homem de extrema grandeza e elevada humildade. Recebeu a homenagem confessando não merecê-la...

Essa é uma fagulha do que sei sobre o grande Doutor Guerra.
A medicina perde um de seus baluartes e a humanidade segue seu curso à procura de seres semelhantes a Doutor Guerra. Terça, 03 de Março de 2020

Uberaba está de luto.
João Eurípedes Sabino - Uberaba/MG. 

Cidade de Uberaba

quinta-feira, 5 de março de 2020

GENEALOGIAS UBERABENSES


Guido Bilharinho


Desconhecidas ou ignoradas pela maioria das pessoas, as genealogias têm dado importante contribuição à História, visto que essas pesquisas e levantamentos familiares implicam indivíduos e gerações que compuseram, participaram e contribuíram com sua existência e atuação para a formação histórica no tempo e no espaço.

Uberaba, pelo seu posicionamento espácio-temporal e as peculiaridades que condicionaram e direcionaram seu desenvolvimento, atraiu e reuniu consideráveis núcleos familiares, que, alguns dos quais, paulatinamente, por meio de um ou outro de seus membros mais qualificados que se propuseram a tais pesquisas, tiveram procedidos seus levantamentos genealógicos.

Em consequência disso, inúmeros já são os livros atinentes ao assunto, aqui referenciados, pela ordem cronológica de suas publicações, os que chegaram às nossas mãos, dos quais, pelo momento, apenas se fornecem breves informações.

A primeira obra nesse sentido de que se tem notícia deve-se ao incansável historiador Hildebrando Pontes, que se não limitou a proceder à genealogia de apenas uma família, o que já seria digno de encômios, mas se lançou a produzir toda uma série delas, que intitulou de “Genealogia Mineira”, da qual publicou o TÍTULO I – RODRIGUES DA CUNHA, em 1929, composto de 87 (oitenta e sete) páginas, não obstante a tenha iniciado em maio de 1905, conforme informa na introdução ao livro. 

Após o pioneirismo de Hildebrando Pontes é editado, em 1956, o livro HISTÓRIA VERÍDICA, de Dalila Soares de Azevedo, levantamento da descendência do capitão Domingos da Silva e Oliveira, irmão do major Eustáquio e primeiro agente executivo (prefeito) do município, precedida a obra de “Sinopse da Vida de Uberaba”.

Trinta e quatro anos depois surge o livro DO SILVA AO PRATA, de autoria de Délia Maria Prata Ferreira, editado em 1990 com 175 (cento e setenta e cinco) páginas e diversas ilustrações, que provavelmente serviu de incentivo à série de outros que lhe seguem em breves intervalos nos anos seguintes.

Nem bem seis anos são transcorridos, Paulo Medina Coeli edita MEDINA COELI – HISTÓRIA E GENEALOGIA, com 160 (cento e sessenta) páginas, no qual, ao invés do tradicional quadro familiar sucessório, expõe a genealogia dos Medina Coeli por meio de narrativas contextualizadas e ilustradas.

Da mesma forma, Jorge Alberto Nabut edita em 2001 o livro FRAGMENTOS ÁRABES, com 278 (duzentas e setenta e oito) páginas e inúmeras ilustrações, no qual, para além dos limites do estrito levantamento familiar, enfoca poética e contextualmente a chegada e atuação de várias famílias árabes na região.

Quatro anos depois, em 2005, vem à lume o livro NOSSO PASSADO E NOSSA GENTE, de Fausto de Vito, com 214 (duzentas e catorze) páginas, concernentes à família De Vito, reportada à sua origem italiana.

Encurtando cada vez mais o intervalo entre uma e outra das publicações do gênero, é editada em 2008, em dois alentados volumes, a obra OS RODRIGUES DA CUNHA – A SAGA DE UMA FAMÍLIA, de Antônio Ronaldo Rodrigues da Cunha e Marta Amato, contendo no primeiro, em 584 (quinhentas e oitenta e quatro) páginas, a genealogia familiar e, no segundo, expressivo álbum fotográfico de membros da família.

Já no ano seguinte, 2009, Marta Junqueira Prata lança o livro OS REIS – HISTÓRIA E GENEALOGIA DE UMA FAMÍLIA, com 152 (cento e cinquenta e duas) páginas e abrangente índice onomástico.

Nem bem discorridos dois anos desse último lançamento, Plauto Riccioppo Filho publica, em 2011, a obra RAÍZES ARBËRESCHË – HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA FAMÍLIA RICCIOPPO, também em alentado volume de 614 (seiscentas e catorze) páginas, fartamente ilustradas. 

Após um tanto dilatado período intervalar, eis que há dias, precisamente em 21 de dezembro de 2019, é lançado no Museu do Zebu, na presença de centenas de Borges de diversas gerações, A ODISSEIA DOS BORGES, de Carla Mendes Bruno Brady e Randolfo Borges Filho, em projeto ideado e coordenado por Leila Borges de Araújo e Randolfo Borges Filho, em portentoso volume de nada menos de 980 (novecentas e oitenta) páginas ilustradas, focalizando os troncos e ramos familiares: Martins Borges, Borges de Araújo, Gonçalves Borges, Alves Borges, Borges de Gouveia e Antônio Borges Sampaio, o célebre historiador.

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Além dos livros acima mencionados, existem diversas outras genealogias, veiculadas por enquanto em edições mimeografadas.

A mais longeva delas consiste na GENEALOGIA DA FAMÍLIA SILVA E OLIVEIRA, efetuada por ninguém menos do que o múltiplo historiador Hildebrando Pontes, elaborada nos inícios do século XX e composta de 222 (duzentas e vinte e duas) páginas, justamente sobre a família Silva e Oliveira, a fundadora de Uberaba na pessoa de Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, o major Eustáquio, mas, na verdade, família Távora, perseguida pelo marquês de Pombal e impedida, até sua reabilitação pela rainha Maria I, de utilizar seu legítimo nome, ao qual o pai do major não quis voltar.

A GENEALOGIA DA FAMÍLIA FERREIRA DE ARAÚJO é também da lavra de historiador Hildebrando Pontes, constituindo o Título II da série Genealogia Mineira que se propôs a fazer, composta de 90 (noventa) páginas manuscritas.

Por sua vez, em 1990, José Carlos Machado Borges (Juquita Machado) publica em mimeógrafo, em 244 (duzentas e quarenta e quatro) páginas, sua múltipla genealogia intitulada GENEALOGIAS por se referir, conforme explica o Autor em prêambulo, a seus quatro distintos troncos familiares: Machado dos Santos, Pepino, Borges de Araújo e José Bernardes.

Outras genealogias e histórias familiares provavelmente devem existir prontas ou em vias de elaboração, cumprindo apenas que sejam dadas à divulgação, como necessário.

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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba

REVISTA DIMENSÃO: 40 ANOS (I)

Guido Bilharinho 


Há quarenta anos foi lançado em Uberaba o primeiro número da revista de poesia “Dimensão”, editada durante vinte anos (1980 a 2000), cujo coleção completa encontra-se no blog http://revistadepoesiadimensao.blogspot.com/, graças à digitalização procedida pelo ativo e participativo Curso de Letras da UFTM, publicação eletrônica acompanhada de índices onomásticos de seus 635 colaboradores de 31 países. 

No decorrer de sua vintenária trajetória, nacional e internacional, a revista colheu manifestações de centenas e centenas de intelectuais, jornais, revistas e periódicos, do Brasil e do exterior, divulgando-se a seguir algumas delas: 

“Parabéns pela bela revista de poesia.” - (PEDRO NAVA, Rio de Janeiro/RJ, 21/01/1981) 

“Acabo de ler Dimensão 1 [....] Há muito que admirar no primeiro número e muito que esperar dos próximos.” -(ANTÔNIO HOUAISS, Rio de Janeiro/RJ, 14/02/1981) 

“A revista está digna e sóbria, como convém a uma revista de poesia.” - (OLGA SAVARI, Rio de Janeiro/RJ, 10/03/1981) 

“Recebi, li e gostei. O segundo número de Dimensão está excelente.” - (CÉSAR VANUCCI, Belo Horizonte/MG, 09/06/1981) 

“Felicito o Conselho Editorial pela excelência dessa publicação.” - (ABGAR RENAULT, Rio de Janeiro/RJ, 22/10/1981) 

“Recebi o nº 2 de sua impecável revista. Excelente o nível dos poemas.” - (MANUEL LOBATO, Belo Horizonte/MG, 27/11/1981) 

“Meus agradecimentos pela oferta do nº 4, de 1982, da excelente Dimensão, que tão bom serviço vem prestando à poesia brasileira.” – (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, Rio de Janeiro/RJ, 06/06/1982) 

“Excelente publicação, que honra não apenas Uberaba, senão também o nosso Estado e o próprio Brasil” - (ABGAR RENAULT, 14/06/1982) 

“Obrigado pelo envio de mais um número da bela revista que você edita.” – (RUBEM FONSECA, Rio de Janeiro/RJ, 30/06/1982) 

“Dimensão é uma excelente revista.” – (PLÍNIO DOYLE, Rio de Janeiro/RJ, 02/07/1982) 

“Meus agradecimentos pela remessa de Dimensão, que com tanta dignidade e agudeza de vista se consagra ao serviço da poesia brasileira.” – (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, 05/06/1983) 

“Acuso o recebimento de Dimensão (nº 8!) (ano IV), que sempre me deixa estupefata: manter durante quatro anos uma revista de poesia é, neste Brasil de crises várias, um ato heroico.” - (ILKA BRUNHILDE LAURITO, São Paulo/SP, 22/06/1984) 

“Recebi Dimensão 10 – uma beleza gráfica e uma instigação cultural. Devorei – e degluti – os textos.” – (UILCON PEREIRA, Araraquara/SP, 23/06/1985) 

“Guardo com carinho todos os números de Dimensão, a meu ver a melhor e mais importante publicação brasileira no gênero.” – (JOSÉ AFRÂNIO MOREIRA DUARTE, Belo Horizonte/MG, 27/06/1985) 

“Cumprimentos pelo nº 11, realmente excelente.” – (NÉLSON WERNECK SODRÉ, Rio de Janeiro/RJ, 24/11/1985) 


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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba


SÁBADO NA UNIUBE, CÂMPUS CENTRO

Fiz a parte sobre a trajetória de Djalma em Uberaba, revisão e edição 

A biografia autorizada do bicampeão Djalma Santos, que morou em Uberaba por mais de 25 anos, será lançada no próximo sábado, 7, às 19h, no auditório da Uniube, no câmpus Centro. A viúva de Djalma, Esmeralda Rodrigues Silva, participará do evento, que contará com exposição defotos, no formato 1m x 0,60m, da trajetória do ex-atleta. A obra tem a apresentação do jornalista Juca Kfouri.

"Djalma Santos: biografia autorizada"

Ao participar da mostra dessas fotografias em 2011, em Sacramento (MG), a 70km de Uberaba, Djalma se tornou amigo do autor da obra, o memorialista Carlos Alberto Cerchi, então presidente da Câmara de vereadores e promotor da exposição. Embora mantivesse amizade com inúmeros jornalistas Brasil afora, o bicampeão mundial escolheu o novo amigo para relatar sua vida dentro e fora de campo.

Corinthiano na infância, com apelido de Nego, quando ingressou na Portuguesa passou a ser conhecido por Santos. Se comunicava em quatro idiomas, consequência de viagens constantes ao exterior e por ter morado em quatro países. Fotos do acervo pessoal, entre outras,integram a obra que relata as passagens de Djalma também pelo Palmeiras e Athetico Paranaense. 

Um capítulo é dedicado ao período em que residiu em Uberaba. As “peladas” aos domingos no Uberaba Country, a escolinha de futebol, o curto prazo como técnico do Uberaba Sport e a época de secretário municipal de Esportes. Uma curiosidade, entre outras, que consta do livro:Djalma morreu no mesmo quatro que faleceu Chico Xavier, no Hospital Hélio Angotti.

O livro de 227 páginas, da Editora Bertolucci, de Sacramento, está à venda a R$ 50, e será lançado também em Curitiba(PR) e em São Paulo (SP). O autor é membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e secretário de Cultura e Turismo de Sacramento. Outras três obras dele:“Bondes de Sacramento” (1991), “Antologia Poética” (1995) e “Memória Fotográfica de Sacramento” (2004). 


Luiz Alberto Molinar - Matrícula sindical nº 2.509



Cidade de Uberaba

terça-feira, 3 de março de 2020

Curiosidades sobre Uberaba

1. Documento assinado por Dom João VI, de 02 de março de 1820, marca a elevação do Arraial de Santo Antônio e São Sebastião à condição de Freguesia (Paróquia). Este é o documento mais antigo de Uberaba.

2. Major Eustáquio é considerado o fundador de Uberaba. Major Eustáquio constatou que Uberaba tinha três condições para o povoamento: recursos hídricos, terras férteis e posição estratégica favorável. Estabeleceu-se, em 1809, próximo ao Córrego das Lajes, e, ao redor de sua residência, surgiu Uberaba, onde foi chefe político até sua morte em 1832, quando foi substituído no comando de Uberaba por seu irmão Domingos da Silva e Oliveira.

3. Em 1856, o Arraial da Farinha Podre foi rebatizado de Santo Antônio de Uberaba. Desde o início, o local se desenvolveu com base nas atividades pecuária, comércio e indústria.

4. O primeiro aglomerado populacional de Uberaba foi no povoado de Santa Rosa. Produtores foram para a região em busca de água e boas pastagens.

5. O documento da elevação do Arraial de Santo Antônio de Uberaba à Vila de Uberaba está datado de 22 de fevereiro de 1836.

6. Os quatro sinos da Catedral Metropolitana pesam 1,4 tonelada e foram construídos pelo artesão uberabense José Carlos Onofre.

7. As ruas paralelas à Catedral Metropolitana foram batizadas pelo povo. Na época, a igreja era um dos poucos imóveis da região central e, dentro do imóvel, tinham as imagens de Santo Antônio e São Sebastião. Então, as pessoas se localizavam dizendo que iriam na rua ao lado de Santo Antônio ou ao lado de São Sebastião.

8. Diz a lenda que o processo mais antigo do Fórum de Uberaba teria durado 70 anos no processo entre a Fábrica da Matriz de Uberaba e a Câmara Municipal relativo ao recebimento do seu patrimônio eclesiástico. Porém, o processo se arrastou por apenas quatro anos.

9. José Francisco de Azedo falsificou um documento em nome de Tristão de Castro Guimarães o qual doava terra para a igreja Matriz de Uberaba. Tratava-se de uma vingança contra Major Eustáquio que não estava morando na sede de suas sesmarias. Por sentença de 11 de junho de 1838, José Francisco Azevedo perdeu a causa e faleceu pouco tempo depois, em 03 de setembro de 1839.

10. Criminosos capturados pela polícia trabalhavam na construção de muros, casas de taipas e serviços em roças.

11. Na segunda década do século XX, registrou-se a disparada de um grupo de gado zebu que os uberabenses traziam da Índia, pelas ruas da cidade francesa de Marselha.

12. O primeiro comércio de Uberaba foi instalado na Praça Rui Barbosa, em 1818 por Joaquim Gonçalves Pimenta.

13. A primeira escola pública provincial foi instalada pelo professor público Joaquim Marques Rodrigues nas imediações do atual Mercado Municipal, em 1828.

14. A primeira formação da Câmara Municipal aconteceu em 1837. Por muitos anos, a cidade era governada pelo poder Legislativo. Não existia a figura de Prefeito. A Câmara foi instalada em prédio na Praça Rui Barbosa, que também abrigou a cadeia, uma tradição dos tempos coloniais. Os primeiros vereadores eleitos eram comerciantes prósperos, fazendeiros e representantes do clero.

15. Uberaba, em 1840 passou a sediar uma Comarca pela Lei provincial mineira nº 171, com a finalidade de implantar a justiça na região, tendo como primeiro juiz de Direito Joaquim Caetano da Silva Guimarães.

16. Em 1840, um jovem ficou famoso por desfilar pela rua Artur Machado engraxando cascos de bois zebus que desfilavam acompanhando os fazendeiros.

17. Os primeiros médicos de Uberaba foram os suecos André Regnell e Augusto Westin. Eles fizeram os atendimentos até 1850.

18. Em 1850 teve início a industrialização, com a implantação da fábrica de chapéus por Luís Soares Pinheiro.

19. O papel da imprensa em Uberaba começou em 1853 com Antônio Borges Sampaio. Ele registrava os acontecimentos e enviava correspondência ao Jornal do Comércio, do Rio de Janeiro.

20. A primeira escola pública feminina de Uberaba foi criada em 1953 e o engenheiro Fernando Vaz de Melo funda em 1854 o 1º estabelecimento de ensino Secundário de Uberaba.

21. Cândido Justiniano de Lira construiu a igreja de Santa Rita como pagamento de promessa para livrar-se do vício da embriaguez.

22. Igreja de Santa Rita foi a primeira capela de Uberaba, fundada em 1854.

23. O Livro de Doca (Orlando Ferreira) foi incinerado em praça pública, a mando da Justiça, ao perder processo impetrado pela igreja.

24. Devido ao seu grande crescimento de Uberaba que era uma vila, mereceu o título de Cidade em 02 de maio de 1856, pela Lei Provincial Mineira nº 759.

25. Em maio de 1864 foi inaugurado o primeiro prédio dedicado ao teatro, o Theatro São Luiz (mas só recebeu esse nome após 1871, com a criação da Associação Dramática Uberabense), ao lado direito da igreja Matriz. O prédio foi inaugurado com duas apresentações de grande sucesso: “Os Dois Renegados”, uma peça dramática, e a comédia: “A Feira de Sorocaba”, ambas dirigidas e encenadas por diletantes. Em 1926, decreto municipal transferiu a propriedade do terreno do antigo Theatro São Luiz aos empresários Orlando e Olavo Rodrigues da Cunha, para que nele fosse construído um cineteatro, que foi inaugurado em 1931.

26. Em 1865 passou a funcionar o primeiro Centro Espírita de Uberaba, por iniciativa do professor João Augusto Chaves.

27. O primeiro gado zebu chegou no Triângulo Mineiro em 1875 comprado em Santa Cruz, Rio de Janeiro, pelo Major Inácio de Melo França.

28. O jornal Gazeta de Uberaba foi fundado em 27/04/1879 por João Caetano de Oliveira e Sousa e Tobias Antônio Rosa.

29. Hidelbrando Pontes deu grande contribuição para contar a história de Uberaba lançando 28 livros. Reconhecendo o legado do historiador, a Prefeitura de Uberaba o homenageou em 2019, nomeando o Arquivo Público com seu nome. Hildebrando de Araújo Pontes nasceu em Jubaí, distrito de Conquista (MG), em 1879, mudando-se no mesmo ano para Uberaba e passando a residir na rua Vigário Silva.

30. O primeiro projeto de construção de um Mercado Municipal foi apresentado pelo vereador Capitão-Mor, José Bento do Valle em dezembro de 1879. O local de sua primeira instalação foi na Rua Alegre, atual rua Lauro Borges, onde anos depois esteve localizado o Fórum Melo Viana. Por ter pouco espaço físico ali, o Mercado Municipal precisava de outra sede, inaugurada em 1924. O Mercado passou por duas reformas, sendo a mais emblemática inaugurada no governo do então prefeito Hugo Rodrigues da Cunha, em 1993.

31. Entre 1881 e 1882 foi construída a igreja em homenagem a Nossa Senhora da Abadia, padroeira de Uberaba. A primeira festa ocorreu em 15 de agosto de 1882 e as obras foram concluídas em 1899. Em 2020, o santuário foi transformado em Basílica.

32. Em 1882 foi inaugurada a iluminação pública por meio de vinte e cinco lampiões a querosene.

33. O primeiro registro meteorológico em Uberaba começou em 1885 por frei Germano de’Annecy.

34. No mesmo ano, chegam à cidade as seis irmãs dominicanas vindas da França para estabelecer em Uberaba sua casa matriz no Brasil.

35. O sobrado de Francisco Sebastião da Costa é o primeiro prédio da cidade construído inteiramente de tijolos.

36. A Companhia Mojiana inaugurou-se, em Uberaba, no dia 23 de abril de 1889. Devido ao crescimento de Uberaba, a Estação Férrea localizada no final da rua Artur Machado já não comportava mais o crescimento da cidade. Em janeiro de 1946, deu início à construção da nova Estação Férrea. O descontentamento dos moradores da rua Artur Machado, obrigou-os a proceder um abaixo-assinado contra a mudança da Estação. Apesar disso, Cia. Mogiana transferiu-se para a Praça Doutor Rebouças, neste mesmo ano. O engenheiro responsável pela construção do novo prédio foi o Dr. Abel Reis. Em 1971, a Mogiana foi incorporada à Fepasa. A 1ª Estação Férrea de Uberaba localizava-se no alto da Boa Vista, na atual Rua Menelick de Carvalho, onde atualmente funciona a Engeset.

37. Em 1890, o governador de Minas Gerais, João Pinheiro da Silva, institui um decreto para organizar “corpos militares” com o objetivo de dar maior segurança para as regiões de Minas Gerais. Uberaba ficou responsável por toda a região do Triângulo Mineiro, abaixo apenas do corpo da capital, em Ouro Preto.

38. Em 1894 foi instalada a Sub-Administração dos Correios e Telégrafos de Uberaba, na Praça Henrique Krugger. O prédio atual teve seu marco inicial na gestão do Prefeito Carlos Martins Prates, com o lançamento da pedra fundamental, em 06 de dezembro de 1944. A inauguração se deu em 1955, no governo do Presidente da República Eurico Gaspar Dutra.

39. Os primeiros protestantes de Uberaba foram os metodistas, cujos missionários iniciaram seus trabalhos em 23/08/1896 nas casas de fiéis e amigos. O templo foi inaugurado em 1924, na Rua Moreira César, no bairro Fabrício.

40. Leopoldino de Oliveira teve a ideia de abrir uma avenida principal em Uberaba – que atualmente leva o seu nome.

41. Fidelis Reis foi responsável por construção de banco e escola em Uberaba porque se incomodava com o fato da cidade ser pequena.

42. O nome da cidade significa: ''Água cristalina'' derivado da língua Tupi. Anteriormente a região central era cortada pelo ''Córrego das Lages'', que hoje é canalizado com a rede de esgotos da cidade.

43. Após fundada, Uberaba se desenvolveu rápido graças à navegação fluvial do Rio Mojiguaçu até o Rio Grande como o caminho do sal estabelecido por Major Eustáquio.

44. Uberaba já teve 46 prefeitos. O primeiro prefeito de Uberaba foi Capitão Domingos da Silva e Oliveira.

45. Alexandre Barbosa cultivava mais de 3 mil árvores na avenida que hoje leva seu nome. Antiga rua Cassu – atualmente avenida Alexandre Barbosa – era conhecida como Chácara das Mangas. As frutas eram vendidas em mercado do Rio de Janeiro e São Paulo.

46. A luz elétrica chegou a Uberaba em 1905 implementada pela empresa Ferreira, Caldeira & Cia.

47. O Calçadão é conhecido como “coração de Uberaba” porque a primeira residência da cidade foi construída lá.

48. Em 1902 foi inaugurado o primeiro asilo de Uberaba, o Asilo São Vicente de Paulo. Um ano depois era inaugurado o pavilhão que os conferencistas de São Vicente de Paulo mandaram construir junto ao Asilo dos Pobres, para tratamento dos portadores de moléstias transmissíveis.

49. A penitenciária de Uberaba era no prédio que posteriormente se transformou na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Os presos ficaram abrigados lá de 1905 a 1910.

50. A primeira exposição de gado zebu aconteceu na Fazenda Caçu, em 1906, por iniciativa de seu proprietário, José Caetano Borges, e de seu cunhado, Joaquim Machado Borges.

51. Em 1906, tiveram início as exposições de gado bovino, que foram muito prestigiadas, notadamente pelo Presidente da República Getúlio Dorneles Vargas, nas décadas de 1930 a 1950.

52. A primeira escola de Uberaba foi a Escola do Grupo Brasil, fundada em 1909.

53. O Agente Executivo Felipe Aché criou em 1909 a primeira Biblioteca Pública Municipal de Uberaba, denominada “Bernardo Guimarães”, estabelecendo-a em um porão da Câmara Municipal de Uberaba, um fato que denotou na época a pequena importância dada à educação e à cultura do município.

54. Foi somente em 25 de novembro de 1909 que a Força Militar se estabeleceu definitivamente na cidade, quando foi criado o 4º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, sediado em Uberaba. Inicialmente, a força policial se estabeleceu em um prédio na Rua Arthur Machado até o ano de 1932. Depois o 4º Batalhão foi instalado na Praça Frei Eugênio (Prédio do Senai) até 1947, quando foi instalado definitivamente em prédio próprio na Praça Magalhães Pinto e permanece, até a presente data.

55. A Associação Beneficente Oito de Setembro foi fundada em 1909, com a finalidade de construir um edifício para o recolhimento dos mendigos da cidade. Ele se transformou no Asilo Santo Antônio, inaugurado em 1915.
56. Fórum Melo Viana foi inaugurado em 1916.

57. Fundação do Uberaba Sport Club aconteceu em 1917.

58. A primeira Santa Casa, construída por Frei Eugênio Maria de Gênova em 1858, foi inteiramente destruída por um incêndio em 1921. A reconstrução foi uma iniciativa do médico e, então, provedor da instituição, Dr. José de Oliveira Ferreira, que também executou a sua planta. Em 1967, transformou suas dependências em Hospital de Clínicas da Faculdade Federal de Medicina do Triângulo Mineiro, inaugurado em 19 de agosto de 1967.

59. A raça zebuína Indubrasil foi criada em Uberaba, em 1926. Inicialmente, foi batizada como Induberaba.

60. Em 1928, foi procedido o lançamento da pedra fundamental do primeiro hospital psiquiátrico de Uberaba, no bairro Estados Unidos. A inauguração do Sanatório Espírita se deu no dia 31 de dezembro de 1934.

61. O Aeroporto de Uberaba teve sua inauguração na década de 1930, e se chamava Aeroporto Santos Dumont. Somente em 1980 é que mudou para Mário de Almeida Franco. A construção do aeroporto é anterior à do Terminal Rodoviário de Uberaba, que aconteceu somente em 1944, na Praça Jorge Frange.

62. A primeira rinha de galo do país foi em Uberaba e começou no bar Galo de Ouro, que se chamava Bar da Rinha, em 1931. Pessoas de vários lugares do Brasil e do mundo vinham a Uberaba para as rinhas e se hospedavam no Grande Hotel, que ficava ao lado do Cine Metrópole. Lá, o bar se chamava Galo de Ouro.

63. Uberaba teve posição de destaque durante a Revolução Constitucionalista de 1932, que tinha como objetivo derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas. Por estar na divisa dos estados de Minas Gerais e São Paulo (à época, Delta ainda não era emancipada), Uberaba foi uma das portas de entrada dos paulistas, justamente pela Ponte de Delta, que hoje já não é mais utilizada, mas permanece com grande valor histórico e marcas da revolução.

64. A primeira rádio do Triângulo Mineiro foi instalada em Uberaba, em 1933. A Rádio Sociedade do Triângulo, com prefixo PRE-5. Hoje, a frequência é da Rádio JM, que opera nos 95,5 FM.

65. A Empresa de Laticínios do Triângulo Ltda se constituiu no final do ano de 1939; e, em dezembro iniciou-se a construção de sua sede. Em 07 de Março de 1941, foi inaugurado oficialmente o Laticínios Triângulo, que passou a oferecer à população o leite pasteurizado Trianon e a Manteiga Trianon. Em 1946, o Laticínios Triângulo, passou para a direção do Sr. Pedro Salomão. Em setembro do mesmo ano, a empresa foi depredada por populares enfurecidos pelo alto custo do leite e seus derivados. Em fins de 1948, deu-se a fundação da Cooperativa dos Produtores de Leite de Uberaba, que adquiriu do Sr. Pedro Salomão, o Laticínios Triângulo.

66. Em 1941 nascia o Cine Metrópole, que permaneceu até a década de 1980 como a mais elegante e sofisticada casa de espetáculos de Uberaba. O Cine Metrópole funcionava anexo ao imponente Grande Hotel que, na época, detinha simultaneamente os títulos de maior edifício de concreto armado e de melhor hotel do Brasil Central. Mesmo em dias comuns, as sessões de cinema eram concorridas e as regras da casa exigiam que os frequentadores fossem devidamente trajados: aos homens, era obrigatório paletó e gravata.

67. Fundação do Nacional Sport Club aconteceu em 1944.

68. Fundação da Universidade de Uberaba, em 1947, por Mário Palmério, a partir da criação da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro.

69. Primeiro conjunto habitacional foi construído em 1948 na Avenida Fernando Costa.

70. Fundação da Cooperativa dos Produtores de Leite do Vale do Rio Grande Coopervale, em 1948.

71. Construção do prédio do Cine Metrópole. Foi considerado o primeiro arranha-céu de Uberaba.

72. A Choperia Archimedes chamava “Bar do Campeão” e foi aberta para homenagear a façanha do Esporte Clube Fabrício no título do Campeonato Amador de 1952.

73. O Estádio JK foi inaugurado em 1953 por José Marcus Cherém, que era descendente de libaneses, que, a exemplo de patrícios seus, nutria enorme paixão pelo Nacional Futebol Clube, time fundado por imigrantes libaneses e comerciantes da rua Tristão de Castro. José Marcus Cherém foi vereador e deputado.

74. A Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro se estabeleceu em 1954 e foi transformada em Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005, oferecendo cursos em diversas áreas do conhecimento.

75. Assassinato do motorista de taxi Alfeu Aparecido de Sousa por dois passageiros marcou a história da cidade, em 1957. O túmulo é um dos mais visitados do cemitério São João Batista.

76. Chico Xavier muda-se da cidade de Pedro Leopoldo para Uberaba, em 1959.

77. Estudos que resultaram na cura da Doença de Chagas começaram em Uberaba, em 1961, por Dr. Humberto Ferreira.

78. Fundação do Teatro Experimental de Uberaba (TEU), em 1965.

79. Fundação da Cooperativa dos Empresários Rurais do Triângulo Mineiro (Certim), em 1966.

80. Fundação do Hospital do Pênfigo, em 1969.

81. A lanchonete Rei da Vitamina foi aberta em 1968 e era point dos casais que iam ao Cine Metrópole e Cine São Luiz

82. Nas décadas de 1970 e 1980 foram instalados os primeiros distritos industriais da cidade, apoiados com investimentos do Governo Federal.

83. Em 1971, uma enorme gameleira na praça Afonso Pena foi derrubada e deu lugar à inauguração da atual Concha Acústica, para que as apresentações musicais tivessem uma acústica melhor

84. Fundação do Jornal da Manhã, em 1972, substituindo o Correio Católico

85. Vera Arantes Campos “Transinha” foi a primeira colunista social mulher da cidade.

86. Encenação de Goof Gin x Bad People no Baila da Glamour realizado pelo colunista social Ataliba Guarita Neto, no Jockey Club, em 1972.

87. Na véspera da eleição de 1972, cerca de 40 mil panfletos com a biografia de Hugo Rodrigues da Cunha foram distribuídos nas ruas da cidade. O candidato venceu o pleito e a ação foi apontada como crime eleitoral.

88. Construção do Estádio Engenheiro João Guido, o Uberabão, em 1972.

89. A primeira grande indústria chegou a Uberaba em 1975, a Fosfértil.

90. O primeiro ginásio municipal de Uberaba foi inaugurado na Escola Municipal Boa Vista, em 1975.

91. Canalização da Avenida Guilherme Ferreira, em 1976.

92. Inauguração do Jockey Park, 1978.

93. O estilista Markito, Marcus Vinicius Resende Gonçalves, morreu em 1983. Ele foi uma das primeiras pessoas diagnosticadas com HIV/AIDS no país.

94. Acidente mata Edilson Lamartine Mendes, aos 49 anos, em 1984.

95. Inaugurada a Delegacia da Mulher em Uberaba, em 1985.

96. Um acordo feito entre o prefeito Wagner do Nascimento e o delegado Mario Zucatto resultou em despejo em massa, em 1987. Proprietário de imóveis no bairro Bom Retiro pediu para que prostitutas se mudassem sob pena de serem despejadas.

97. Assim da liberação do voto para menores de idade, 17 mil eleitores entre 17 e 18 anos votaram em Uberaba, em 1988.

98. Abertura da Avenida Fidelis Reis, em 1988. O objetivo era acabar com as inundações.

99. Fotógrafo Paulo Nogueira foi premiado em Londres com imagem chamada “Miséria”, que escancarou a cruel realidade de crianças que iam à escola somente pela comida.

100. Cerca de 500 pessoas lotaram a ponte sobre o Rio Grande em ato público pela conclusão das obras.

101. Escândalo da AMGRA, em 1984. Investigação de esquema de dinheiro público.

102. Denuncia UTE sobre escolas estaduais usando alunos na faxina resultou na evasão escolar de 14% dos estudantes, em 1990.

103. A primeira cirurgia de coração no Hospital Escola foi realizada em 1991.

104. A maior enchente da cidade de Uberaba foi em 91 e foi retratada em rede nacional.

105. Empresa Lixotec rompeu com a Prefeitura e deixou a cidade sem coleta de lixo, em 1991

106. O Centro de Pesquisas Paleontólogicas Llewellyn Ivor Price e Museu dos Dinossauros foram criados em 1992. O museu é um dos mais importantes do Brasil, possuindo fósseis de 65 a 72 milhões de anos de idade. Localizado em Peirópolis, o museu é conhecido pela população regional e por visitantes de outros estados e países.

107. Assinatura de Termo de Compromisso que criou o Parque Tecnológico de Uberaba e a realização do Workshop Uberaba Agrotecnópole Brasileira, em 1993. O Parque Tecnológico foi inaugurado em 1996 nos 766 hectares da Fazenda Experimental Getúlio Vargas, dos quais 160 foram adquiridos pela Prefeitura de Uberaba

108. Inauguração do Calçadão, em 1994.

109. Inauguração do Shopping Uberaba, em 1994.

110. Após polêmica, a Câmara Municipal aprovou projeto que estabeleceu o aniversário de Uberaba em 2 de março.

111. Black e Decker produz primeiro ferro elétrico em Uberaba, em 1996.

112. Comprovado desvio de R$ 217.799,56 dos cofres públicos após denúncia do Movimento Uberaba 2000, em 1996.

113. Primeira Marcha para Jesus realizada em Uberaba, em 1996.

114. A maior enchente da história de Uberaba foi registrada em 1996.

115. Alteração de 2 de maio para 2 de março foi resultado de pesquisa realizada pelo Arquivo Público sobre o aniversário de Uberaba.

116. Inauguração do Camelódromo, em 1998.

117. Um uberabense faturou R$8 milhões na Supersena.

118. Show da Xuxa no Uberabão, em 1998. O evento é apontado como o grande responsável pela perda do estádio Boulanger Pucci pelo Uberaba Sport Clube. Localizado em área nobre da cidade, o Boulanger Pucci foi repassado a uma rede de supermercados

119. Duas uberabenses descobriram que teriam sido trocadas na maternidade. Elas entraram na Justiça por indenização.

120. Uma única pessoa foi a responsável por uma das maiores tiragens do Jornal da Manhã. A reportagem publicou um protesto com nome de um devedor e o mesmo comprou quase todos os jornais possíveis para que outras pessoas não lessem.

121. Criação do JM Online, em 1999. O primeiro portal de notícias do Triângulo Mineiro.

122. Morte do jornalista Ataliba Guaritá Neto, em 2000.

123. Caso Maria Eduarda. A menina saiu de casa para comprar pão e nunca mais foi vista.

124. Acidente envolvendo van escolar mata 12 pessoas e choca Uberaba, em 2001.

125. Denúncia sobre divergência em gabarito do concurso da Câmara Municipal levou a anulação do certame, em 2001.

126. Morte de Chico Xavier, em 2002.

127. Uberabense cria lâmpada sustentável que beneficiou mais de 1 milhão de pessoas em todo o mundo. Lâmpada de Moser foi criada em 2002.

128. Metade de uma vaca de nome Fairany JJ TE foi arrematada no leilão da Mata Velha por R$ 910 mil e bateu recorde mundial.

129. Escola Agrotécnica virou Cefet e passou a ter nível superior

130. Anderson Adauto assume Ministério dos Transportes, em 2002.

131. “Escândalo do lixo”. Caso de registro indevido no contrato como prestador de serviço de coleta do lixo urbano, bem como na pesagem do lixo, garantindo superfaturamento ganhou grande repercussão.

132. Publicação da primeira edição da JM Magazine, em 2003, com show das Frenéticas

133. Descarrilamento de trem da Ferrovia Centro Atlântica (FCA) deixou a cidade sem água.

134. Primeiro transplante de rins realizado em Uberaba, no Hospital Escola, em 2004.

135. Avião dos Correios cai em Uberaba e mata três pessoas, em 2004.

136. Decretada calamidade pública devido ao surto de dengue registrado em 2006.

137. Inauguração do Centro Cultural José Maria Barra, em 2006

138. Serial killer conhecido como “Maníaco de Delta” confessa crimes que ocorreram entre abril e maio.

139. A primeira Parada Gay de Uberaba reuniu cerca de 15 mil pessoas, em 2006.

140. Travessuras do Macaco Chico ficam famosas em todo o país, em 2007.

141. Inauguração da penitenciária “Aluísio Inácio de Oliveira”

142. Início do Projeto Água Viva, em 2008.

143. Maior dinossauro brasileiro, Uberabatitan ribeiroi, encontrado em Peirópolis, em 2008.

144. Macaco Chico morre em reserva ambiental, em 2008, após ser despejado da Mata do Ipê.

145. Reserva guarda cerca de 200 animais raros e exóticos em Uberaba.

146. USC conquista Taça Minas Gerais, em 2008.

147. Início das atividades da Rádio JM, em 2009.

148. Inauguração da obra da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) no rio Uberaba foi em 2009

149. Boulanger Pucci é desapropriado e revolta torcedores do Colorado, em 2009.

150. Apagão deixa uberabenses sem energia elétrica, em 2009, após problemas na transmissão da hidrelétrica Itaipu. No Triângulo Mineiro, cerca de 35 mil pessoas ficaram sem energia

151. O “escândalo do lixo”, em 2010, coloca ex-prefeitos, servidores públicos, empresários e empresas no banco dos réus por apurar irregularidade envolvendo a coleta de lixo na cidade no período de 1994 e 2001

152. Filme sobre a vida de Chico Xavier bate recorde nacional de bilheteria, ao levar 590 mil pessoas ao cinema.

153. A bicicleta do lendário “Pelé do Mercadão” foi transformada em monumento público, em 2012

154. A Universidade de Uberaba transmite colação de grau em tempo real por meio da internet, em 2012.

155. Em 2012, o ex-prefeito Anderson Adauto é absolvido pelo STF no escândalo do Mensalão, esquema caracterizado pelo desvio de dinheiro público e obtenção fraudulenta de empréstimos para o pagamento de propinas a parlamentares que integravam a base aliada do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O caso atingiu o governo de Lula em 2005, com denúncias de corrupção e, à época, o nome de Anderson foi citado no processo por lavagem de dinheiro e corrupção ativa, acusado de receber propina no chamado “Valerioduto”

156. Centro Especializado em Dengue com atendimento 24 horas instalado em Uberaba, em 2013.

157. Instituto Mineiro de Gestão das Águas libera captação de água do Rio Claro.

158. Pela primeira vez Delegacia da PF local é chefiada por mulher, em 2013.

159. Morte do craque Djalma Santos, em 2013.

160. Motoristas do transporte coletivo entram em greve, em 2013.

161. Primeira edição da Expocigra em Uberaba, em 2013.

162. Teste da linguinha passa a ser obrigatório em Uberaba, em 2013

163. Mulheres caminham de sutiã na “Marcha das Vadias”, em defesa dos direitos das mulheres, em 2013

164. Superintendência do Arquivo Público recebe acervo em CD da década de 30.

165. Prefeitura decreta casa de Dilma como utilidade pública. Estado de abandono do local gerou polêmica.

166. Morte do Arcebispo Emérito de Uberaba Dom Paulo Roque Opperman, em 2014.

167. Governo de Minas confirma gasoduto.

168. Mário Palmério Hospital Universitário é inaugurado

169. População adere o #VemPraRua e manifesta contra aumento de tarifa de ônibus.

170. Jovens marcam o primeiro “rolezinho” em Uberaba, em 2014.

171. Superintendência de Arquivo Público abriu coleção do Jornal Lavoura e Comércio referente ao período de 1889 a 2003 para a consulta do público.

172. Farra dos Plantões é descoberta, em 2014. Funcionários da Secretaria Municipal de Saúde recebiam, mas não iam trabalhar.

173. Decretado estado de emergência de desabastecimento de água, em 2014.

174. Inauguração dos campi da UFTM, na Univerdecidade.

175. Calouro entra em coma após trote no curso de medicina, em 2014.

176. Ex-diretores do Ceneg são condenados pela Justiça por estelionato, em 2014. Eles teriam obtido vantagem indevida em prejuízo dos cofres públicos nos repasses da ordem de R$ 2.897.978,00 para a realização de projetos destinados à qualificação e promoção da comunidade negra

177. Foi demolida a barragem irregular construída em propriedade particular para reter água do ribeirão São Pedro.

178. Em 2014, população fecha a BR-262 em protesto contra a falta de água

179. Programa Olho Vivo entra em operação em 2014. O videomonitoramento tem por objetivo diminuir o índice de criminalidade com o monitoramento em tempo real

180. Fundada em 2015, a Zebu Valley é uma comunidade de Empreendedorismo, Inovação, Tecnologia e Incentivo a Startups de Uberaba. Traduz o conceito da Tríplice Hélice sendo formada por instituições da comunidade acadêmica, poder público e entidades privadas/sociedade civil organizada.

181. Sistema de transporte coletivo BRT começou a operar em Uberaba, em 2015.

182. Estudantes da UFTM deliberam greve e ocupam prédio, em 2016.

183. Migração das Rádio AM para frequência FM, começou em 2016. A Rádio JM foi a primeira emissora uberabense a entrar com processo no Ministério das Comunicações

184. Longa metragem uberabense #NinfaBebê é lançada, em 2016. Desde o seu lançamento, o filme #NinfaBebê ganhou 50 louros, inclusive internacionais.

185. Criação do Programa U+20, projeto que visa estabelecer panoramas em todas as áreas para planejar o futuro da cidade pensando nos próximos 20 anos, com a coordenação do Parque Tecnológico de Uberaba, em 2016

186. VLI inaugura terminal integrador em Uberaba, em 2016.

187. Uber começou a operar em Uberaba, em 2016.

188. Uberaba tem duas startups que obtiveram reconhecimento no Vale do Silício, nos Estados Unidos. A Trackage, que rastreia bagagens de viajantes de avião, e a Grão Direto, para produtores agrícolas. Ambas foram fundadas em 2016

189. Uberaba é sitiada por criminosos que assaltaram a Rodoban, em 2017.

190. Uberaba é reconhecida como a cidade com mais companhias de reis de Minas, em 2017.

191. Ifood começa a operar em Uberaba, em 2018.

192. ABCZ inicia Genotipagem de milhares de animais que formarão a população de referência, em 2018, em parceria com a Embrapa,

193. Paleoartista Rodolfo Nogueira vence prêmio Jabuti, em 2018.

194. Dilma Rousseff visita Uberaba e é vaiada por produtores rurais na ABCZ

195. Dilma Rousseff lança a pedra fundamental da planta de amônia.

196. Mãe lança campanha nacional para incentivar doação de medula óssea para o filho com leucemia, em 2017.

197. Onda de ataques a ônibus chega a Uberaba e veículos do transporte coletivo são incendiados, em 2018.

198. Uberaba entra no Guiness Book com o recorde da maior casa de chocolate do mundo, em 2018. Avaliadores do Guinness World Records estiveram na cidade durante a 2ª Expocolate. A escultura de 15 m² é dividida em dois cômodos e tem 2,40 metros de altura. Cerca de 25 pessoas trabalharam na construção durante 180 horas, utilizando 10.488 quilos do produto numa estrutura cheia de detalhes como telhas, janelas e portas.

199. Youtuber Kefera Buchmann critica Expozebu, acusada de maus-tratos aos animais, viraliza e uberabenses saem em defesa da feira, em 2018.

200. Em junho de 2019, Uberaba foi sitiada por quadrilha que roubou cerca de R$ 40 milhões do Banco do Brasil. (Equipe do Jornal da Manhã) Publicado em 02/03/202.


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