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quinta-feira, 26 de dezembro de 2019

Adivinha quem é ele?

Quando é investido na atividade bate-lhe uma amnésia e não se lembra mais: do Brasil, da sua região e cidade, do seu bairro ou condomínio e até da sua rua. Muitos até tiram o nome do catálogo telefônico. Quem é ele? 

Não precisamos de muito esforço mental para lembrar logo, que ele, com raríssimas, eu disse raríssimas, exceções, é o parlamentar brasileiro. Feliz daquele eleito pelo povo que pode ler este texto e dizer a si mesmo: eu não sou esse aí! E também me contestar.

Não há como ficar inerte a essa aberração chamada Fundo Partidário, aprovada pelo Congresso que subtrai bilhões de setores vitais à vida brasileira e os joga inteiramente nas mãos de partidos políticos.

Aí é onde mora a amnésia. Não lembrar da saúde precária no país, da educação classificada lá atrás, da violência que nos tira o sono, dos milhares de desempregados, do fechamento de empresas então rentáveis, dos bolsões de desvalidos (não me agrada usar o termo pobreza), das pesquisas que poderiam estar noutros patamares. O rosário é grande... Só pode ser mesmo amnésia.

Segundo Aurélio Buarque de Holanda, amnésia é: “Perda total ou parcial da memória”. A definição do vocábulo não vem acompanhada do termo “intencional”, daí porque vejo o parlamentar brasileiro (olha as exceções) no gozo pleno das suas faculdades mentais. Não sentem amnésia.
Se por um lado ele se “esquece” dos itens acima mencionados, há um que, nem que a vaca tussa, jamais é esquecido. Trata-se da proteção do próprio umbigo, ou melhor, de si mesmo e asseclas.

Já vi pela televisão um apartamento com 54 milhões de reais dentro. Fiquei perplexo. Mais de 3 bilhões para o Fundo Partidário não tenho a menor ideia da metragem cúbica, mas o estrago que a subtração deles provocará, aí sim! Muitas pessoas morrerão de fome ou em hospitais, escolas fecharão, inocentes morrerão por balas de bandidos, desempregados aumentarão e o país patinará se não recuar, sem dizer de outros inevitáveis desastres que virão em cadeia.

Será que no peito dessa gente não bate ou mesmo, digamos, fibrila um coração? Deixo a resposta a você que ouve ou lê esse texto.

Alguém sugeriu um boicote geral às eleições. Idem à anterior. 

Enquanto isso, a conta para pagarmos o mega FP vem na velocidade da luz, que, aliás, já deve estar em nossa caixa de correspondência.


João Eurípedes Sabino - Uberaba/MG.
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro-Uberaba/MG/Brasil


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quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

DIA DA BANDEIRA NACIONAL

No dia 19 de novembro, de frente ao 4ª Batalhão foi realizado a solenidade do Dia da Bandeira Nacional.

Policiais Militares, alunos do Colégio Tiradentes e demais órgãos do Sistema de Defesa Social participaram do evento.

Nesta data comemora-se o aniversário de adoção da Bandeira Nacional como símbolo exponencial da Pátria.

A Bandeira Nacional foi projetada em 1889 por Raimundo Teixeira Mendes, auxiliado por Miguel Lemos, com desenho de Décio Vilares.

A Bandeira do Brasil foi instituída em 19 de novembro de 1889, 4 dias após a Proclamação da República, trazendo em seu cerne os ideais republicanos sintetizados no lema “Ordem e Progresso”, originário do positivismo de August e Comte, que se traduz em : “o amor por princípio, a ordem por base e o progresso por fim”.

Em dias de festa ou luto nacional é obrigatoriamente hasteada em repartições públicas, escolas e sindicatos. Durante o ano letivo, é obrigatório seu hasteamento solene, em escolas públicas e particulares, pelo menos uma vez por semana. No entanto, no dia 19 de novembro, o hasteamento e arriamento ocorrem às 12 horas e 18 horas respectivamente, com solenidades especiais.

A Polícia Militar de Minas Gerais, nessa data realizou as atividades inerentes ao culto à Bandeira Nacional, reafirmando sua tradição de amor, respeito e patriotismo. (4ª Batalhão)

Foto - 4ª Batalhão da Policia Militar de Minas Gerais.
                
De acordo com o Art. 32 da Lei N.º 5.700 de 1º de setembro de 1.971, “As Bandeiras em mau estado de conservação deverão ser entregues a qualquer Unidade Militar, para que sejam incineradas no Dia da Bandeira, segundo o cerimonial peculiar.”


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segunda-feira, 4 de novembro de 2019

UBERABA TEM SUA ACADEMIA DE LETRAS DESDE 1962

A Academia de Letras do Triângulo Mineiro foi idealizada por um grupo de intelectuais e escritores de Uberaba, entre eles José Mendonça, Edson Gonçalves Prata, Monsenhor Juvenal Arduini e Lúcio Mendonça de Azevedo. Foi fundada em 15 de novembro de 1962, a partir de uma reunião realizada na sede da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, então situada na Rua Manoel Borges, nº. 84, sob a Presidência de José Mendonça, coordenador do movimento para a sua fundação, ocasião em que foi sugerido e, posteriormente, aprovado o seu estatuto: Tem por finalidade a cultura da língua, da literatura, especialmente do Triângulo Mineiro, e o estudo dos problemas sociais e científicos, a união dos intelectuais do Brasil Central, a difusão de suas obras e conhecimentos gerais.

Reconhecida de Utilidade Pública Municipal, pela Lei nº. 1.125, de 21 de setembro de 1963; e Utilidade Pública Estadual pela Lei nº. 9.470, de 21 de dezembro de 1987, a ALTM constitui-se de 40 membros efetivos, além dos sócios correspondentes até o máximo de 40.

A eleição é feita por voto secreto, em Assembleia Geral. Cada cadeira tem o seu Patrono, que foi indicado pelo seu respectivo sócio fundador, ou pelo primeiro acadêmico que dela tomou posse. A escolha do Patrono, embora de livre vontade dos acadêmicos, teria que ser, necessariamente, de um intelectual ilustre das letras brasileiras, de preferência vinculado ao Estado de Minas Gerais e em especial à região do Triângulo Mineiro.

A ALTM foi instalada, de forma solene, em 22 de dezembro de 1962, no Salão Nobre da Associação Comercial e Industrial de Uberaba, com posse de sua primeira diretoria, eleita em 25 de novembro daquele ano, biênio 63/ 64; e de seus acadêmicos fundadores. 


Acadêmicos Fundadores:


José Mendonça, Cadeira n° 1

Santino Gomes de Matos, Cadeira n° 2

Victor de Carvalho Ramos, Cadeira n° 3

Padre Thomaz de Aquino Prata, Cadeira n° 4

Monsenhor Juvenal Arduini, Cadeira n° 5

Rui de Souza Novaes, Cadeira n° 6

Ari Rocha, Cadeira n° 7

Padre Antônio Thomas Fialho, Cadeira n° 8

César Vanucci, Cadeira n° 9

Antônio Édson Deroma, Cadeira n° 10

Raimundo Rodrigues de Albuquerque, Cadeira n° 11

João Rodrigues da Cunha, Cadeira n° 12

Augusto Afonso Neto, Cedeira n° 13

Maurício Cunha Campos de Moraes e Castro, Cadira n° 14

George de Chirée Jardim, Cadeira n° 15

Lúcio Mendonça de Azevedo, Cadeira n° 16

Quintiliano Jardim, Cadeira n° 17

João Henrique Sampaio Vieira da Silva, Cadeira n° 18

Lauro Savastrano Fontoura, Cadeira n° 19

Mário de Ascenção Palmério, Cadeira n° 20

Dom Alexandre Gonçalves Amaral, Cadeira n° 21

Jacy de Assis, Cadeira n° 22

Soares de Faria, Cadeira n° 23

João Edson de Mello, Cadeira n° 24

Pereira Brasil, Cadeira n° 25

Lycidio Paes, Cadeira n° 26

Edson Gonçalves Prata, Cadeira n° 27


 Sede da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, na Rua Lauro Borges, nº 347, em Uberaba - Minas Gerais.


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domingo, 3 de novembro de 2019

ENSAIOS DE CRÍTICA CINEMATOGRÁFICA


VINTE ANOS – MIL ARTIGOS           


                                                                                                                       Trajetória e Circunstâncias 


A circulação do livro de papel caiu sensivelmente nos últimos vinte anos. Precisamente em 1999 foi iniciada em Uberaba a publicação da coleção Ensaios de Crítica Cinematográfica com a edição de um livro por ano, iniciando-se com O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock. 

Conquanto não contando com nenhum apoio midiático no eixo Rio-São Paulo ou no triângulo constituído pelo eixo e Belo Horizonte, a coleção foi comercializada nessas cidades por distribuidoras nelas radicadas e que por sua iniciativa contataram o autor para essa finalidade. 

Além disso, em São Paulo, mesmo não tendo nenhuma cobertura da mídia impressa, televisiva e radiofônica, foi a coleção comercializada pela dinâmica e versátil 2001 Vídeo, que chegou a ponto de adquirir de 30 a 40 exemplares por mês de seus diversos títulos. 

A livraria Cultura promoveu os livros da coleção em seu site, adquirindo-os à medida das solicitações dos interessados. 

Livros Físicos e Eletrônicos - Guido Bilharinho.

Tudo isso, porém, esvaiu-se. Uma ou duas das citadas distribuidoras fecharam. A portentosa 2001 Vídeo, com seis ou sete grandes lojas nos principais shoppings de São Paulo, vendendo e alugando DVDs e CDs de filmes e músicas e livros sobre cinema, encerrou as portas. A Cultura está em recuperação judicial, como também a Saraiva. 

Com a mais recente edição da coleção, em 2017, do livro físico O Cinema de Hitchcock e Woody Allen, que comercializou poucos exemplares, encerrou-se também a edição de livros em papel da mencionada coleção, por sinal, a primeira, única e possivelmente em papel a última a existir e atuar no país. 

Observou-se nesse período de 20 anos (1999-2019) descenso espantoso do interesse pelo conhecimento, fruição e estudo do cinema como forma de arte e cultura e, acredita-se, de todas as demais formas de arte e de conhecimento. 

Até mesmo o acesso a filmes antigos e lançamentos de filmes de valor vem paulatinamente sendo dificultado pela crescente marginalização provocada pelas atuais gigantes de projeção de filmes, como a Netflix e o Youtube, este ainda apresentando filmes antigos, porém, raríssimos clássicos no estrito sentido cultural da arte. 

Os estabelecimentos de ensino ignoram completamente a existência da arte cinematográfica e quando neles algum grupo promove projeções de filmes, são elas presididas quase inteiramente pelo interesse temático e não cultural e artístico. 

Em consequência, tem restado para as edições de novos títulos da coleção Ensaios de Crítica Cinematográfica o amplo espaço eletrônico, no qual, no blog: https://guidobilharinho.blogspot.com/, existente desde setembro de 2017, juntamente com livros de outros gêneros, já foram editadas nada menos de dez obras sobre cinema, a exemplo de Obras-Primas do Cinema Brasileiro, Obras-Primas do Cinema Europeu, Filmes de Ficção Científica e O Cinema de Godard. 

Dois aspectos salientam-se nessa nova prática editorial: ausência de custos e planetária difusão, já tendo o citado blog, até 30 de setembro último, mais de 950 (novecentos e cinquenta) acessos nos EE.UU. e mais de 200 (duzentos) na Rússia, além de dezenas de acessos em mais de 20 países, notadamente europeus, mesmo estando os livros vazados em português. 

Livros Físicos e Eletrônicos 

Desde 1999 é editada em Uberaba, como informado no artigo anterior, a coleção Ensaios de Crítica Cinematográfica. 

Até 2017 foram publicados quinze livros físicos, enfocando tanto o cinema brasileiro quanto o cinema de outros países. 

No primeiro caso, seguiu-se o critério cronológico, contemplando o cinema nacional por décadas, iniciada pela de 1990, com dois livros, retroagindo-se em seguida aos períodos anteriores e encerrando-se esse ciclo com a obra Seis Cineastas Brasileiros (2012), contendo análises das filmografias de Mário Peixoto, Humberto Mauro, Nélson Pereira dos Santos, Gláuber Rocha, Paulo César Saraceni e Júlio Bressane. 

Já a cinematografia estrangeira abrangeu tanto estudos sobre filmes de grandes realizadores (Bergman, Fellini, Hitchcock, Buñuel, Kurosawa, Visconti e Woody Allen), quanto livros específicos dedicados aos clássicos do cinema mundo, faroeste, segunda guerra, musical e filmes dramáticos europeus e estadunidenses. 

A maioria desses livros contêm índices, fichas técnicas de filmes, classificações qualitativas e ilustrações. 

No já referido ano de 2017, quando se publicou o último livro em papel da coleção, O Cinema de Hitchcock e Woody Allen, iniciou-se a edição dos livros eletrônicos da coleção no blog editorial Um Livro Por Mês (https://guidobilharinho.blogspot.com/), já estando nele publicados, juntamente com livros sobre outros assuntos, nada menos de dez novos títulos, desde Obras-Primas do Cinema Brasileiro e Europeu a livros específicos sobre filmes de guerra, terror, ficção científico, policiais e outros temas, bem como a segunda edição consideravelmente aumentada do livro sobre Bergman e Fellini, além de obras sobre as filmografias de Antonioni, Pasolini, Godard e referentes a filmes europeus dos anos de 1990 (neste mês) e dos EE.UU. (novembro próximo), neste enfocando, além das produções convencionais, os filmes de seu excelente cinema independente. 
Tais livros eletrônicos encontram-se disponibilizados no referido blog, podendo ser gratuitamente acessados, gravados, impressos e transferidos a tablets. 

Mil Artigos 

No total, esses vinte e cinco títulos da coleção abrangem aproximadamente 1.000 (mil) artigos de análise e avaliação de filmes.

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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/.


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sexta-feira, 25 de outubro de 2019

O MORRO DA ONÇA

Uberaba tem, como em toda cidade, seus caprichos e mistérios. As verdades locais vão perdendo o viço com o passar dos dias... pois bem, quem não conhece o bucólico Morro da Onça? Por que leva esse nome? É lá, na subida da Rua Senador Pena, em direção à Igreja Santa Terezinha.... mas como surgiu essa denominação? Lembro que quando criança, ao deslocar-me ardendo em febre, nos braços de minha mãe, para enfrentar a longa fila dos desvalidos disputando ficha para atendimento médico no INPS, passava no sopé do Morro. Creio que a febre aumentava, tamanho o pavor da tal onça... mas qual o quê. Muitas febres, inúmeras filas, medo e pavor e nada, nadinha de nada dessa onça mostrar as fuças.

Rua: Senador Pena - Popularmente conhecido como "O Morro da Onça". Foto: Antonio Carlos Prata.
E com onça ou sem onça o tempo levou minha infância me fez homem. E foi aí que resolvi passar essa história à limpo. O Morro, nos idos tempos era uma mataria só, poucas casas, uma capoeira de mato fechado, lugar ermo e isolado. Algumas quadras dali, o prefeito, médico Boulanger Pucci tinha lá suas excentricidades e uma delas era criar uma bicharada em casa. Belo dia, um descuido do tratador e a malvada fugiu da jaula e foi reinar no Capão do Morro. Percebendo a fuga, Dr Boulanger, a contra gosto, no insucesso da captura da bicha viva, sabendo do perigo iminente, autorizou a força policial a passar fogo na danada. A onça morreu, a história se perdeu, mas o MORRO DA ONÇA tá lá, firme e sereno, atiçando a curiosidade dos uberabenses.


Autor: Marco Túlio  Oliveira Reis


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quarta-feira, 23 de outubro de 2019

JORNAL DE UBERABA, 33 ANOS A SERVIÇO DA INFORMAÇÃO

No meu artigo de hoje, escrevo sobre minha passagem com muita honra no Jornal de Uberaba, desde sua fundação no dia 7 de setembro de 1986. O JORNAL DE UBERABA iniciou suas atividades no prédio onde funcionava o Colégio Cristo Rei, depois mudou-se para o Palácio Episcopal, e em 1995, para sua sede própria, na avenida Leopoldino de Oliveira. Com muito orgulho, sou um dos fundadores do JU, onde trabalhei por muitos anos como repórter, repórter fotográfico e subeditor, cobrimos muitos acontecimentos nacionais, sempre com o aval de Fabiano Fideles, como sua grande e experiente visão jornalística, aprovava sempre nossas coberturas nos principais acontecimentos no país, principalmente as decisões de campeonatos esportivos em Belo Horizonte, São Paulo e Rio de janeiro, além da seleção brasileira.

Paulo Nogueira - Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico.
Fui um dos primeiros jornalistas a ser convidado a integrar a equipe do jornal. Trabalhava com o Fabiano Fideles no Jornal de Brasília, como correspondente em Uberaba e na região, quando o Fabiano teve a ideia de montar um jornal diário em Uberaba. Fomos a luta e conseguimos o prédio onde funcionou o Colégio Cristo Rei. Ali ficamos por alguns anos, depois passamos para o Palácio Episcopal, onde após trabalhar algum tempo, fui para o Jornal O Triângulo, em Uberlândia, adquirido pelo Fabiano, onde trabalhei na redação como subeditor.

Posteriormente, retornei a Uberaba, para a Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, a convite do professor Valdemar Hial, diretor na época, para ser o assessor de Comunicação da Instituição.

No esporte por exemplo há várias passagens inéditas que acontecerem comigo. Precisando vencer o Brasil em pleno Maracanã para se classificar para a Copa do Mundo da Itália de 1990, o Chile protagonizou uma das maiores farsas da história do futebol. Com sua equipe perdendo de 1 a 0 e dando adeus ao sonho de disputar o Mundial, o goleiro Roberto Rojas se aproveitou do fato de um foguete sinalizador ter sido atirado no gramado próximo a ele, tirou da luva uma gilete, e se cortou, simulando ter sido atingido pelo artefato.

Durante o tumulto, os jogadores do Chile que estavam no banco, tentaram me tirar o equipamento fotográfico, quando notaram que havia sido o único jornalista a ter clicado o lance polêmico. Retirei o filme da máquina e coloquei dentro da meia, para minha garantia, eles queriam o filme de toda maneira. A CBF solicitou as fotos e as mesmas foram colocadas no processo contra o Chile.

Outro fato, foi uma entrevista exclusiva que fizemos com o então deputado Ullisses Guimarães, que fez na época revelações bombásticas sobre a política nacional. Registramos com exclusividade a visita do então presidente Fernando Collor ao médium Chico Xavier, também as fotos foram cedidas a todas as agências noticiosas do mundo. Foram muitas as matérias exclusivas e importantes que cobrimos, que em sua maioria eram cedidas para várias agências noticiosas. 

No dia 15 de agosto de 2016, após alguns dias internado, falece Fabiano Fideles, uma perda irreparável. Sua esposa Nancy, passa ser a diretora do jornal, até abril de 2017. Nesta data, o advogado uberabense Lawrence Borges, adquire o jornal, que com muito equilíbrio, continua fazendo do JU um órgão de imprensa sério, com um só compromisso, o de bem informar, com transparência e a credibilidade. Parabéns ao Lawrence e toda sua equipe, fazendo com que o leitor esteja diariamente sempre por dentro dos principais acontecimentos da cidade, da região, do País, e, do mundo. Meu abraço ao experiente e competente editor do JU, jornalista Júlio César de Oliveira, sua equipe, e a todos os funcionários deste prestigioso órgão de imprensa que engrandece a nossa cidade. 


Paulo Nogueira - Jornalista - Membro da Associação Brasileira de Jornalismo Científico.

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MORRE O JORNALISTA E ESCRITOR SAULO GOMES

Com muito pesar e dor do coração que divulgo esta notícia. Meu amigo e meu eterno professor no jornalismo, Saulo Gomes, que me ensinou os primeiros passos na TV, morreu na madrugada desta quarta-feira (23), em Ribeirão Preto (SP).. Ele tinha 91 anos e foi vítima de um infarto. O velório está previsto para começar às 13h na Sala Diamante do Memorial Campos Elíseos. O enterro será às 10h desta quinta-feira (24). Nascido no Rio de Janeiro (RJ), Saulo ingressou no jornalismo em janeiro de 1956, quando foi o primeiro colocado entre 200 jovens que disputavam uma vaga de repórter na Rádio Continental. O nome de Gomes também consta entre os pioneiros da televisão brasileira. Entre os pontos altos da carreira dele estão entrevistas com o médium Chico Xavier: em 1968, em Uberaba (MG), e em 1971, no programa Pinga Fogo, na TV Tupi.

Saulo Gomes e Paulo Nogueira.

Saulo e Paulo Nogueira.

Aliás, consta na biografia que ele protagonizou um momento triste e histórico da televisão no país, quando, às 16h21 de 2 de maio de 1980, anunciou ao vivo que TV Tupi deixava de gerar suas imagens.

(Jornalista Paulo Nogueira)

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terça-feira, 22 de outubro de 2019

AS PRENSAS FRANCESAS DO DOUTOR EDGARD

Em maio de 1956, Uberaba celebrou seu primeiro centenário em grande estilo. Por meses, uma comissão nomeada pela Câmara Municipal encarregou-se de organizar as festas, bailes e eventos que – aproveitando o período da Expozebu – estenderam-se por todo o mês. Mas, por pouco, a celebração não deu errado: no dia 2, uma tempestade quase impediu a chegada dos aviões com convidados e acabou forçando o adiamento do desfile cívico na Praça Rui Barbosa, o ponto alto das comemorações. O Douglas DC-3 da FAB que trouxe o presidente Juscelino Kubitscheck só conseguiu pousar à noite, debaixo de forte chuva, na pista de terra do aeroporto.

Dr. Edgard (de camisa clara e gravata) supervisiona o início das obras da Produtos Ceres em Outubro de 1953.
Em meio à festa, um evento passou quase despercebido. Na manhã do dia 3, Juscelino e o governador mineiro Bias Fortes aproveitaram para conhecer uma planta industrial que estava prestes a ser inaugurada. Nos cafundós do alto da Boa Vista, ao lado da linha férrea da Companhia Mogiana, engenheiros e operários completavam os testes na fábrica da Produtos Ceres SA. Na placa da obra, uma ideia da ambição de seu criador: ali seriam produzidos óleos vegetais de algodão, arroz, amendoim, babaçu e soja. Lance ousado para uma cidade interiorana onde a população cozinhava em fogões de lenha com banha de porco e manteiga de leite. E cuja economia dependia da agricultura familiar e dos humores do mercado de gado Zebu.

Detalhe da placa:

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Obras da fábrica de óleos vegetais

PRODUTOS CERES SA

Indústria e Comércio

            
  Algodão                                                                                                                       
                             Arroz 
                                      Amendoim
                                                         Babaçu
                                                                      Soja

Por trás dessa ousadia estava Edgard Rodrigues da Cunha. Aos 45 anos de idade, esse uberabense conhecia a realidade local mas, desde cedo, sonhava alto. Nascido na Fazenda da Cruz, no então Distrito de Uberabinha (atual Uberlândia), Edgard fora estudar Direito no Rio de Janeiro. Em 1937, voltou e deu início a uma bem sucedida carreira de advogado. Seu pai, Gustavo, havia sido um dos responsáveis por trazer a Uberaba o primeiro caminhão. No negócio dos transportes conheceu o empreiteiro Santos Guido e acabou tornando-se gerente da sua serraria.

Dr, Edgard Rodrigues da Cunha mostra ao presidente Juscelino a nova planta industrial da Produtos Ceres SA, 03/05/1956
Foto do acervo do Arquivo Nacional.
Por anos, Gustavo alimentou o sonho de montar uma fábrica de rações animais e produtos derivados de milho e mandioca. Em 1941, ele e dois de seus filhos homens, Edgard e Aparício, criaram a Produtos Ceres Ltda. Poucos anos depois, o pai decidiu passar suas cotas na companhia para os filhos, mas continuou na ativa, assumindo a chefia da produção. O engenheiro Aparício permaneceu na sociedade, mas mudou-se para ir trabalhar na construção da Companhia Siderúrgica Nacional, em Volta Redonda. E coube ao advogado Edgard assumir o leme da empresa.

Planta industrial da Produtos Ceres nos anos 1960, no Alto da Boa Vista. Hoje, só resta preservado um pedaço da chaminé.

No final dos anos 1940, a Produtos Ceres já era uma indústria de destaque em Uberaba. Havia comprado um grande terreno nos limites da cidade, onde erguera um moderno galpão projetado pelo engenheiro italiano Ernesto Gullo. Com máquinas importadas dos Estados Unidos, fabricava derivados de milho para uso culinário e uma linha de rações balanceadas para bovinos, suínos e aves. Entre as modernidades da fábrica, ela dispunha de vestiário com chuveiros para os operários, coisa rara nessa época. Mas Edgard não estava satisfeito. Alinhado com o espírito desenvolvimentista da época, ele queria montar uma grande indústria que alavancasse o potencial agrícola da região e oferecesse empregos de qualidade à população uberabense.
Equipamentos franceses da Produtos Ceres SA. Foto: Prieto.
Desde meados do século XIX – quando fora inaugurada a fábrica de tecidos do Cassu – tentava-se incrementar a produção de algodão no Triângulo Mineiro. O uso têxtil do algodão gerava como subproduto grande quantidade de caroços que, por muito tempo, eram descartados. Foram os norte-americanos que primeiro desenvolveram um processo para extrair dessas sementes um óleo que, purificado e desodorizado, servia como alternativa alimentar à gordura animal. No início do século XX, outros grãos como o amendoim e a (então pouco conhecida) soja, também começaram a ser usados com essa finalidade. Todos esses processos industriais dependiam de maquinário caro e sofisticado. Por isso, apenas grandes empresas (em geral multinacionais) se arriscavam nesse setor. Mas Dr. Edgard não se intimidou e começou a mexer os pauzinhos.

Equipamentos franceses da Produtos Ceres SA. Foto: Prieto.
O primeiro dever de casa foi pesquisar. No início de 1952, entrou em contato com industriais norte-americanos e europeus, buscando a melhor alternativa técnica e os custos mais atraentes. Em algumas das correspondências trocadas nessa época, Edgard questiona os fabricantes sobre novos métodos de extração de óleo que, recentemente descobertos, sequer estavam disponíveis para venda. Um nível de interesse e de conhecimento técnico surpreendente para alguém que não tinha formação na área, especialmente numa época em que o acesso a informação atualizada era muito mais difícil do que hoje.

Vista externa da fábrica da Produtos Ceres. Foto: Prieto
Foram meses de perguntas, projetos, propostas e acertos comerciais. Edgard acabou fechando o negócio com ajuda da Sobemec, do Rio de Janeiro – um escritório de representação de grandes empresas francesas. Da França viriam as prensas, os equipamentos de purificação e a sofisticada tecnologia para a extração dos óleos com uso de solventes. Para levantar o capital necessário, Edgard transformou a Ceres em Sociedade Anônima e convidou para assumir a presidência o Sr. João Severiano Rodrigues da Cunha (conhecido como “Coronel Joanico”), empresário respeitado, que já havia sido prefeito de Uberlândia por três mandatos.

Anúncio da Produtos Ceres no jornal Lavoura e Comércio

O fornecimento de energia elétrica – ainda precário nessa época – e da matéria prima para a usina seria um segundo desafio. Foi preciso montar um grupo gerador próprio e, por muitos anos, a Produtos Ceres (em parceria com o Banco do Brasil) estimulou o plantio de milho, algodão e amendoim em Uberaba e nos municípios vizinhos. A empresa garantia aos agricultores a compra de toda a safra colhida, pagando o preço praticado na Capital Paulista, abatido o custo do frete. Mas boa parte dos grãos teria de vir do noroeste do estado de São Paulo, onde as culturas já estavam mais consolidadas. Toda semana, toneladas de carga chegavam em vagões da Cia. Mogiana carregados de caroços de algodão vindos da outra margem do Rio Grande.                                      
                                                       
Cartão com a linha de óleos vegetais da Produtos Ceres.

Ao mesmo tempo, era preciso levantar os recursos para a obra. Edgard, que fora diretor da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, buscou investidores entre os pecuaristas da região. Oferecia aos futuros acionistas da Ceres a garantia do fornecimento de “tortas” para alimentação bovina nos meses de seca – um subproduto altamente nutritivo da extração do óleo de algodão. Além disso, suas boas relações com JK, desde o tempo em este que ocupava o governo de Minas, facilitaram a liberação das linhas de crédito e das divisas em moeda estrangeira para a importação do maquinário.

Em outubro de 1955, cinco carretas trouxeram do Porto de Santos as novas máquinas. Com elas, vieram técnicos e um engenheiro francês, encarregados da montagem e de treinar o pessoal. No terreno da fábrica, que fora ampliado por novas aquisições, silos, galpões e prédios administrativos já haviam sido erguidos sob medida, projetados em estilo moderno pelo arquiteto Germano Gultzgoff. No final do ano seguinte, poucos meses após a visita de Juscelino, os mercados do interior do Brasil começavam a receber as latas do óleo de algodão Banquete e do óleo de amendoim Bem Bom. As Indústrias Matarazzo e as multinacionais Swift e Anderson Clayton tinham na pequena Uberaba um novo concorrente.


(André Borges Lopes / Uma primeira versão desse texto foi publicada originalmente na coluna Binóculo Reverso do Jornal de Uberaba.



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sábado, 19 de outubro de 2019

A SRTM NA RUA SÃO SEBASTIÃO E OS ZEBUS NO "QUINTAL DO BISPO"

Entre 1935 e 1940, a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (SRTM, antecessora da ABCZ) realizou suas exposições de gado Zebu em uma sede provisória que ficava na Rua São Sebastião, a pouco mais de uma quadra da Praça da Matriz.

Palácio Episcopal, o "quintal do Bispo".

Hoje há nesse local (nº 183) um edifício residencial (Condomínio São Jerônimo). A sede se comunicava com um enorme terreno descampado que havia aos fundos, onde ficavam os estábulos cobertos. Em 1938, a revista O Cruzeiro fez uma matéria sobre a "Rural" e seus diretores.

Matéria publicada na Revista Cruzeiro de 14/05/1938.
Acervo da Hemeroteca Digital da Biblioteca Nacional.

Posição aproximada do terreno da sede provisória da SRTM e da área ao fundo, onde foram realizadas as exposições da gado Zebu entre 1935 e 1940.
Foto atual do Google Maps.


Livro "ABCZ 100 ANOS: história e histórias", lançado em 25 de abril de 2019.

Com a inauguração do prédio da SRTM na Rua Manoel Borges (1940) e do Parque Fernando Costa (1941) a sede provisória foi desativada e vendida.

Essa história é contada em um trecho do livro "ABCZ 100 ANOS: história e histórias", de Maria Antonieta Borges Lopes e Eliana Mendonça Marques de Rezende, lançado em 2019, durante a última Expozebu.

(André Borges Lopes)


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A EXTINÇÃO DA HBZ E A SEDE PROVISÓRIA


"As primeiras reuniões da nova sociedade realizaram-se na residência de Joaquim Machado Borges na Praça Rui Barbosa (Palacete Machado Borges, prédio tombado que hoje hospeda a Fundação Cultural de Uberaba), mesmo local onde anteriormente se faziam os encontros da Associação do Herd Book Zebu.

Logo na primeira reunião, ficou decidido que a SRTM incorporaria e assumiria as funções da HBZ (que foi extinta) – retomando a luta para a oficialização do registro junto ao Ministério da Agricultura. Em dezembro de 1934, os Estatutos da SRTM foram modificados: foi criado o Conselho Técnico do Serviço de Registro e também a Associação Brasileira de Gado Zebu (dentro da estrutura da SRTM), cabendo-lhe o registro genealógico das raças Indubrasil, Gir, Guzerá e Nelore.

Em fevereiro de 1935, a Sociedade Rural adquiriu de seu associado João Ferreira Gabarra um terreno situado à Rua São Sebastião, próximo ao centro da cidade. O engenheiro Abel Reis foi o responsável pela adaptação do local para sediar a associação e acomodar as exposições anuais de gado. No mês seguinte, as reuniões já se transferiram para a nova sede. Segundo informou um antigo funcionário, apesar da entrada imponente, o prédio era extremamente precário, semelhante a um grande barracão.

A primeira exposição realizada no local foi aberta no dia 2 de junho de 1935, que é também data provável da inauguração oficial da sede provisória. Os currais e estandes eram montados pelos próprios expositores nos fundos do terreno, que emendava com uma área descampada que havia atrás do Palácio Episcopal – conhecida por isso como “quintal do Bispo”.

A sede provisória alojou seis edições anuais da exposição, entre 1935 e 1940. Foram, basicamente, reuniões de trabalho e de negócios. Ainda que estivesse a poucos quarteirões da praça da matriz, a severa limitação do espaço disponível impossibilitava que a SRTM desse ao evento o caráter popular e recreativo dos certames de 1911 e 1934. Ao fim de cada dia, os animais expostos tinham de ser levados para chácaras nas vizinhança da cidade, retornando na manhã seguinte."

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quarta-feira, 9 de outubro de 2019

O PIANO ERUDITO DE DINORAH

Corria o mês de julho de 1934 e Uberaba estava em festa. Inaugurada no mês anterior, a Exposição Feira Agropecuária espalhava-se pelo amplo terreno da Santa Casa oferecendo atrações inéditas à população: cassino, shows musicais, circo, restaurante e parque de diversões. Nunca antes a pacata cidade havia visto um evento dessa dimensão. Aberta ao público por mais de 30 dias, o enorme sucesso da Feira animou os pecuaristas uberabenses a fundar a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (antecessora da ABCZ) que desde então passou a realizar as exposições anuais de gado zebu. Mas a agitação não se limitava ao recinto da Feira. Na noite de 11 de julho, a Prefeitura aproveitou a ocasião para receber com pompa uma consagrada artista uberabense, no auge de sua carreira. No salão nobre do Paço Municipal da praça Rui Barbosa, apresentou-se a pianista e compositora Dinorah de Carvalho.

Dinorah de Carvalho em 1919 – revista "Vida Moderna" (SP).

Segundo sua certidão de nascimento, Dinorah Gontijo de Carvalho nasceu em Uberaba, no dia 1º de junho de 1895 em uma família grande e abastada: era filha do comerciante (e músico amador) Vicente Gontijo e de Dona Julia de Carvalho Gontijo. Residiam em um sobrado no início da antiga Rua do Comércio (atual Artur Machado) onde, décadas mais tarde, funcionou por certo tempo a agência local dos Correios. Com a morte de Vicente, em 1904, a mãe mudou-se com os filhos mais jovens para a capital paulista. No ano seguinte, aos 10 anos de idade, Dinorah foi matriculada no Conservatório Dramático e Musical de São Paulo, onde teve aulas com o professor Carlino Crescenzo e fez amizade com os colegas Mário de Andrade e Francisco Mignone. Data de 1912 sua primeira composição: uma valsa intitulada "Serenata ao Luar". Diplomada com nota máxima em 1916, seu enorme talento como pianista não tardou a ser notado. Um ano depois, fez sua primeira apresentação profissional em Uberaba.

Programa da apresentação de Dinorah em Uberaba no jornal Lavoura e Comércio, 11/07/1934.

No final de 1920, o Congresso Legislativo de Minas Gerais lhe concedeu uma bolsa de 20 contos de reis para um aperfeiçoamento na Europa. No ano seguinte, Dinorah já vivia em Paris, tendo aulas com o pianista e compositor húngaro Isidor Philipp. A temporada na França impediu que participasse da Semana de Arte Moderna, organizada por seus amigos paulistanos. Em troca, sua música ganhou os ares do Velho Mundo: em dezembro de 1922, Dinorah e a também pianista e cantora Sigrid Nepomuceno (filha do compositor cearense Aberto Nepomuceno) interpretaram Villa-Lobos e outros autores brasileiros em um concerto que foi transmitido ao vivo pelo recém inaugurado “serviço de rádio telefonia” da Torre Eiffel.

Primeiras linhas da música "A Ti Flor do Céu" em partitura manuscrita por Dinorá de Carvalho.

De volta ao Brasil em 1924, Dinorah foi apresentada por Mário de Andrade ao maestro italiano Lamberto Baldi e incentivada a se dedicar à composição erudita – um território quase exclusivamente masculino na época. Nas décadas seguintes, Dinorah escreveu mais de 100 obras para instrumentos solistas, corais, coral e orquestra, conjuntos de câmara, piano e orquestra, orquestra sinfônica, além de música para teatro e canções. Fez arranjos para canções de tradição africana, musicou peças folclóricas e textos de poetas como Menotti del Picchia, Cassiano Ricardo, Carlos Drummond de Andrade e Cecília Meireles. Seu pioneirismo abriu as portas para que outras mulheres se dedicassem ao ofício de compor.

Ao mesmo tempo, consagrou-se também como intérprete, regente e professora. Nos anos 1930, organizou audições de piano na Radio Educadora Paulista e criou a Orquestra Feminina São Paulo, sendo a primeira mulher a dirigir uma orquestra no Brasil. Em dezembro de 1936, compôs as músicas e regeu, no Teatro Municipal paulistano, a produção "Noite de São Paulo" – uma fantasia em três atos com versos de Guilherme de Almeida e textos de Alfredo Mesquita e Mário de Andrade. Em 1939, foi nomeada inspetora de ensino superior no Conservatório Dramático e Musical, onde trabalhou até a aposentadoria. Na década de 1940, tornou-se a primeira mulher a integrar a Academia Brasileira de Música. Criadora de um método inovador de ensino musical, montou em casa uma escola particular que formou dezenas de pianistas. Em 1954, recebeu a medalha de ouro do IV Centenário da Fundação de São Paulo por seu trabalho de formação musical das crianças paulistas.

Dinorah casou-se em 1938 com o paranaense José Bittencourt Muricy, que era seu admirador e oito anos mais jovem – uma tremenda ousadia para a época. Viveram juntos por 40 anos, até a morte de Muricy em 1978. Não tiveram filhos, mas a tradição musical da família teve continuidade por meio de um sobrinho (filho de uma irmã mais velha de Dinorah): o também uberabense Joubert de Carvalho.

Em 1960, Dinorah voltou à Europa, dessa vez como convidada do Ministério da Educação e Cultura para uma Missão Cultural, onde apresentou suas obras e as de outros compositores brasileiros. Em 1969, compôs "Salmo XXII do Rei David, o bom pastor", peça para barítono e seis instrumentos, baseada nos versos bíblicos traduzidos por Goffredo Telles. Atuou ainda como crítica musical em periódicos paulistas – dentre os quais a revista Vanitas e os jornais A Noite e Diário de São Paulo – e foi integrante da APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte). Faleceu em 1980, muito lúcida e ativa aos 84 anos de idade, vitimada por um enfarte.

Após décadas de relativo esquecimento, nos últimos anos suas composições têm sido recuperadas por pesquisadores acadêmicos. Não encontrei registro de que ela tenha se apresentado novamente em Uberaba. Mas o programa daquela noite de julho de 1934 reserva uma curiosidade. Dividido em três partes, na primeira e na última Dinorah interpretou peças clássicas de Brahms, Beethoven, Chopin e outros. Na segunda, mostrou composições próprias e, dentre essas, fez a primeira apresentação de um curioso “Estudo só para a mão esquerda”, (composta, talvez, como homenagem à sua colega Sigrid Nepomuceno). Infelizmente, a partitura manuscrita dessa peça pouco usual perdeu-se no tempo.

Quem tiver interesse em conhecer o repertório da virtuose e compositora erudita uberabense pode encontrar algumas de suas músicas no YouTube (buscando pela grafia atualizada do nome: Dinorá de Carvalho) ou então na página https://www.dinoradecarvalho.com, organizada pelo músico e pesquisador Flávio Carvalho.

(André Borges Lopes – uma primeira versão desse artigo foi publicada originalmente na coluna Binóculo Reverso do Jornal de Uberaba em 29/09/2019)


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quinta-feira, 3 de outubro de 2019

JUDOCA UBERABENSE NO JAPÃO

Em 1980, o judoca Sergio Leite Neto – pertencente ao Centro Educacional Desportivo de Judô Oriente e integrante da Seleção Brasileira de Judô – foi convocado para competir nas Olimpíadas de Moscou. 

Afrânio e Tranquilo. (Foto do acervo pessoal de Tranquilo Baliana)

Professor Afrânio de Almeida (1938-2010) fundador do Centro Oriente e grande incentivador do judô em Uberaba – ao lado do judoca Tranquilo Baliana em uma cerimônia de mudança de faixa em 1967.

Recorte - Jornal Lavoura e Comércio.

O grupo fez uma temporada de preparação de dois meses no Japão. Por uma infelicidade, Sérgio machucou-se e não pode acompanhar a Seleção nas Olimpíadas. Era o único atleta de Minas Gerais a ter alcançado esse patamar.


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EI MOÇOS ! (*)

HOMENAGEM AO DIA DO IDOSO


Jovem passa pelo idoso
Como se não visse Ninguém 
Um dia verá quão é doloroso 
Ser ignorado assim também 

Existem jovens bem educados 
Que respeitam a longevidade
Outros até são bem letrados
Mas estão longe da civilidade

O que de errado o idoso fez?
Além de fazer o mundo atual?
Agora não pode ter a sua vez ?
Com tratamento digno e leal?

A juventude surge e passa
Como o vento que sopra e vai 
Feito uma rosa cheia de graça
Que murcha no galho e cai 

Jovens! A criança o adulto e o idoso
Respiram o mesmo ar feito por Deus
Por quê tratar de jeito desdenhoso
Aquele que construiu os dias seus?

Ceder o assento ao idoso é educação
Dar seu lugar a ele nas filas é fineza
Ignorar tudo isso traduz desatenção 
Somada à absoluta falta de lhaneza

Vi uma mãe idosa chorando
Por uma agressão que sofreu 
Seu coração estava sangrando
Um tapa na face a filha lhe deu

Tonico e Tinoco cantam:
“Todo veio já foi moço
Todo moço foi criança
A veisse é o fim da vida
Onde morre a esperança”

Deus com seu senso Supremo 
Da destinos sempre especiais
Aos filhos que tratam com amor extremo 
E àqueles que espezinham a seus pais

Oh! Estatuto do Idoso
Feito com o fim de protegê-lo
Dar tratamento carinhoso
A quem fez por merecê-lo

Ei moços! Procurem amar e respeitar!
Os nossos idosos e serão respeitados 
A hora de vocês certamente vai chegar
E lá na velhice serão julgados

Prestes à morte de um patriarca idoso
Indagaram-lhe:o que quer realizar?
Enfático ele se expressou desejoso:
“Sonho ver o velho no seu devido lugar”


(*) - João Eurípedes Sabino.
* Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro
* Membro da Academia Municipalista de Letras de Minas de Minas Gerais
* Cronista do Jornal da Manhã e Rádio Sete Colinas-Uberaba/MG/Brasil.




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24 ANOS NA FALTA DELE...

Oi, turma!


(Cidadania ! Um bem que se deve conservar.)


Uberaba perdeu Mário Palmério


Em 24/9/1996, a maior personalidade cultural, educacional e política de toda a nossa história. Nascido em Monte Carmelo (MG), a família veio nos anos 20 para Uberaba. Palmério, aqui estudou, formou sua vocação, tanto para o magistério quanto o político. Fim dos anos 40, quando mais acesa era a luta de classe no país, começava a despontar a sua grande visão para os problemas brasileiros e em especial os de Uberaba. Estudou no Colégio dos Maristas, onde desejou e teve cumprido esse desejo, seu corpo foi velado na tradicional capela.

Ocuparia páginas inteiras, lembrando Mário Palmério, o único político que teve a coragem de “peitar” e quebrar as arcaicas estruturas da terrinha e os “coronéis” que a dominavam com mãos de ferro. Aliás, ainda hoje, com roupagens diferentes, os descendentes e afilhados daquela velha oligarquia, contando com o bafejo e comodismo de uma imprensa trôpega, quase sempre, dão as cartas na cidade em que mudaram até a data de sua elevação a condição de cidade e ainda querem mantê-la como “currutela”.

Mário Palmério. Foto/Reprodução.

Palmério, com bravura, força, estoicismo e coragem, evitou que isso acontecesse. Daí, a ira dos ricos e poderosos contra aquele jovem destemido e valente, que não teve medo de enfrentar a opulência, os endinheirados que a tudo e a todos compravam, inclusive seus atos e opiniões. Os velhos caciques da terrinha, sucumbiram ante a vontade indômita daquele “professorzinho”. Sem abandonar seu irresistível desejo de ensinar, fundou o Colégio Triângulo, misto e para todas as classes sociais. Vieram depois, os cursos superiores, Odontologia, Direito, Engenharia, entre outros, transformando a vida cultural e econômica de Uberaba, avariada na metade da década de 50.

Uberaba, era uma cidade “quebrada”, endividada, com a queda do zebu. Foi quando Palmério despontou. Criar a Universidade, seu grande sonho. Concretizou. Na política , venceu os “barões” quantas vezes quis. Escrevo, sem medo de errar, Uberaba, históricamente, deve ser dividida em duas eras. – antes e depois de Mário Palmério.- Na política, teve atuação soberba. Arrebentou os grilhões que emperravam a grandeza de Uberaba. Médicos, advogados, dentistas e engenheiros, eram privilégios dos ricos, em condições de manterem os filhos estudando nos grandes centros culturais.

Formados, eram recebidos na “gare” da Mojiana, com foguetório, passeata e banda de música. Mário Palmério, desmontou essa ostentação. Trouxe as Faculdades onde os jovens podiam ombrear-se aos “ doutores recém chegados”. Sem distinção de classe social, raça, cor ou credo, Palmério, alargou os horizontes da nossa juventude, antes por domínio espúrio, vivendo com vizeiras e tapa- olhos, sem perspectivas de crescimento educacional e profissional. Profetizando Maomé, “ ele trouxe a montanha aos nossos pés”.

Hoje, Uberaba, orgulha-se do trabalho de Palmério. Enfrentando inimigos traiçoeiros, áreas adversas que tentavam manter os privilégios, venceu todos os obstáculos. Como deputado federal, sozinho, fez muito mais que todos os outros políticos de Uberaba, juntos e agrupados. Amigo das maiores personalidades brasileiras da época (JK.Getúlio, Tancredo, Jango, Santiago Dantas, Itamar Franco, entre outros ), teve seu nome indelevelmente marcado nessa, hoje, sofrida e quase órfã de liderança, a nossa muito amada e querida Uberaba.

(Luiz Gonzaga Oliveira)




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quarta-feira, 25 de setembro de 2019

UBERABA DE MINHA INFÂNCIA

Madrugada. Ao longe os grunhidos de um cão quebram o silêncio da noite enluarada. Acordo. Abro a janela e vejo, no céu de nuvens tartamudas, a lua cheia triunfante no espaço sideral que Deus lhe reservou. Os prédios e árvores mais altos quebravam os raios auríferos que banhavam nossa Uberaba no seu natalício. 

Não sei como ou siquer porquê mas, lentamente, desprende-se de meu corpo a alma, quem sabe o espírito ou apenas a mente e vai se misturando às ruas, praças, à cidade enfim. Encontro-me com o passado em épocas diferentes naquele passeio cósmico nos locais onde passei minha infância e juventude. As saudades estão guardadas silenciosamente em minha memória.

Inicio a jornada a bordo da Rede Mineira de Viação no trecho Amoroso Costa estação da Rede que ficava onde hoje se ergue a Rodoviária. Os trilhos na rua Cel Joaquim de Oliveira Prata, a fumaça estonteante, as brasas entrando pelas janelas e lá fora poucas casas, além do apito estridente e prolongado: assim era a chegada de quem vinha da capital montanhesa, após mais de 30 horas. Chego à estação e, em frente, vejo o Prado. Enorme arquibancada servia aos aficionados em corridas a cavalo. Desativado, passou a receber alunos após as aulas para um futebol animado. Me vi ali com o Erasto, o Luiz Humberto, Milberto Scaf, Antônio Franco, Hely Tarquínio, Luiz Hueb, Ildeu Bertoldi, Lester, Nilo, Adalberto, Romes Castanheira e tantos outros colegas do Colégio Triângulo.

Saindo do local dirijo-me ao mangueiral que havia na Vila Maria Helena. Quarteirões das famosas mangas Sabino entre as ruas Cruzeiro do Sul e Major Eustáquio. As mesmas mangas que se encontravam nos mangueirais da Avenida da Saudade e da antiga rua Carangola, aos milhares de pés desta fruta adorada principalmente pelas crianças e adolescentes. Desço até o local onde seria no futuro a Av Santos Dumont: mato denso, córrego límpido e aberto, pequenas lagoas na época de chuva onde nós, moleques, nadávamos , éramos felizes e não sabíamos... De lá avistávamos a Chácara da Manteiga onde hoje é a Av Pedro Salomão. Nos fundos da Chácara construíamos “entancados” no córrego, feitos com troncos de árvore, mato, argila e o que mais aparecesse. O que nos interessava era ver um “poço” para nadar. Havia muita água limpa, árvores, 
pássaros, liberdade para a meninada...Agostinho, Bené, Bugre, Zicada, Sapatão, Ticoco, Ely Boy, Nego Boy, Delcino, Varistim, Vicente, Pedroca, Geraldão e tantos outros “moleques” da Vila...

Continuando meu passeio espiritual vejo-me na Praça Ruy Barbosa onde, no coreto, a Banda do 4º BPM povoa os ares com acordes românticos: Aqueles Olhos Verdes, Perfídia, Tequila... No cine São Luiz enorme fila para assistir Doroty Dandridge e Harry Belafonte em Carmen Jones. Enquanto isto nas escadarias da Catedral D.Alexandre profere o Sermão das 7 Palavras para centenas de fiéis atentos e cheios de fé.

Desço até a Leopoldino de Oliveira, passando pela porta do centenário Lavoura e Comércio que, em um mural na parede, anuncia a abertura da semana santa com suas comemorações religiosas. Próximo vejo o Bar do Mosquito, o salão de snooker do Sarong, a livraria ABC, a farmácia do Sr Zequinha, a escola Normal, a inesquecível Notre Dame e tantos outras saudades...

Na Leopoldino o córrego aberto e ainda límpido, coroado por árvores e ausência de poluição. Armazém Central, cine Metrópole e lá no final da Artur Machado a frondosa gameleira...

Na porta do Grupo Minas Gerais vejo centenas de colegas: Rodrigo Sarmento, Carlos, Daniel Fabre, Benedito, Agostinho, Puccega, Rosália Bunazar, Auricedes, Miriam, Maria Antonieta, Maria Auristela, e tantas mais. Também vi as mestras, lideradas por d. Esmeralda Rocha Bunazar, eterna diretora e Maria de Lourdes, Tereza de Melo, Rita, Elza e muitas outras...

Subo a Guilherme Ferreira que existia somente até a Carlos Rodrigues da Cunha. Me vejo saindo do Colégio Triângulo junto aos mestres Cavatorta, Olga Oliveira, Kalapodopulus, Nair, Terezinha Maciotti, Perez, Guimarães, Silveira, Puhler, Koshiba, Pepão, Pepinho, Marinho, Lemos, o disciplinário Manoel... Dali para frente fundos de quintais e o córrego que serpenteando era coberto por pinguelas nas ruas Constituição e Dr Ludovice. Mais à frente a frondosa “Mata das Freiras”.

No Abadia escutei o som do alto falante da igreja: “ave Maria, cheia de graças...” velas nas mãos, contritos, os fiéis acompanham a procissão mais tradicional da região; “o senhor é convosco, bendito sois vós...” – pés descalços, terços nas mãos, pedras na cabeça... tudo é fé, tudo esperança em N Senhora; “ entre as mulheres, bendito é o fruto...” – e lá se vai a procissão... Terminada a mesma o alto falante continua com músicas da época: – “alguém oferece a alguém e este alguém sabe quem”. Que beijinho doce, foi ela quem trouxe, de longe prá mim – era campeã.

Mas o sonho acordado está acabando... fecho a janela e retorno ao meu leito onde durmo, retornando de onde era muito feliz, e não sabia...

(Dedico este artigo a meu mestre de Português, saudoso prof José Guimarães e à minha querida Uberaba. Infelizmente há controvérsia sobre a data certa do aniversário. Voltarei ao assunto oferecendo uma sugestão para acabar com este infausto acontecimento)


(Hely Araújo)


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