Mostrando postagens com marcador Guido Bilharinho. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Guido Bilharinho. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 5 de março de 2020

GENEALOGIAS UBERABENSES


Guido Bilharinho


Desconhecidas ou ignoradas pela maioria das pessoas, as genealogias têm dado importante contribuição à História, visto que essas pesquisas e levantamentos familiares implicam indivíduos e gerações que compuseram, participaram e contribuíram com sua existência e atuação para a formação histórica no tempo e no espaço.

Uberaba, pelo seu posicionamento espácio-temporal e as peculiaridades que condicionaram e direcionaram seu desenvolvimento, atraiu e reuniu consideráveis núcleos familiares, que, alguns dos quais, paulatinamente, por meio de um ou outro de seus membros mais qualificados que se propuseram a tais pesquisas, tiveram procedidos seus levantamentos genealógicos.

Em consequência disso, inúmeros já são os livros atinentes ao assunto, aqui referenciados, pela ordem cronológica de suas publicações, os que chegaram às nossas mãos, dos quais, pelo momento, apenas se fornecem breves informações.

A primeira obra nesse sentido de que se tem notícia deve-se ao incansável historiador Hildebrando Pontes, que se não limitou a proceder à genealogia de apenas uma família, o que já seria digno de encômios, mas se lançou a produzir toda uma série delas, que intitulou de “Genealogia Mineira”, da qual publicou o TÍTULO I – RODRIGUES DA CUNHA, em 1929, composto de 87 (oitenta e sete) páginas, não obstante a tenha iniciado em maio de 1905, conforme informa na introdução ao livro. 

Após o pioneirismo de Hildebrando Pontes é editado, em 1956, o livro HISTÓRIA VERÍDICA, de Dalila Soares de Azevedo, levantamento da descendência do capitão Domingos da Silva e Oliveira, irmão do major Eustáquio e primeiro agente executivo (prefeito) do município, precedida a obra de “Sinopse da Vida de Uberaba”.

Trinta e quatro anos depois surge o livro DO SILVA AO PRATA, de autoria de Délia Maria Prata Ferreira, editado em 1990 com 175 (cento e setenta e cinco) páginas e diversas ilustrações, que provavelmente serviu de incentivo à série de outros que lhe seguem em breves intervalos nos anos seguintes.

Nem bem seis anos são transcorridos, Paulo Medina Coeli edita MEDINA COELI – HISTÓRIA E GENEALOGIA, com 160 (cento e sessenta) páginas, no qual, ao invés do tradicional quadro familiar sucessório, expõe a genealogia dos Medina Coeli por meio de narrativas contextualizadas e ilustradas.

Da mesma forma, Jorge Alberto Nabut edita em 2001 o livro FRAGMENTOS ÁRABES, com 278 (duzentas e setenta e oito) páginas e inúmeras ilustrações, no qual, para além dos limites do estrito levantamento familiar, enfoca poética e contextualmente a chegada e atuação de várias famílias árabes na região.

Quatro anos depois, em 2005, vem à lume o livro NOSSO PASSADO E NOSSA GENTE, de Fausto de Vito, com 214 (duzentas e catorze) páginas, concernentes à família De Vito, reportada à sua origem italiana.

Encurtando cada vez mais o intervalo entre uma e outra das publicações do gênero, é editada em 2008, em dois alentados volumes, a obra OS RODRIGUES DA CUNHA – A SAGA DE UMA FAMÍLIA, de Antônio Ronaldo Rodrigues da Cunha e Marta Amato, contendo no primeiro, em 584 (quinhentas e oitenta e quatro) páginas, a genealogia familiar e, no segundo, expressivo álbum fotográfico de membros da família.

Já no ano seguinte, 2009, Marta Junqueira Prata lança o livro OS REIS – HISTÓRIA E GENEALOGIA DE UMA FAMÍLIA, com 152 (cento e cinquenta e duas) páginas e abrangente índice onomástico.

Nem bem discorridos dois anos desse último lançamento, Plauto Riccioppo Filho publica, em 2011, a obra RAÍZES ARBËRESCHË – HISTÓRIAS E MEMÓRIAS DA FAMÍLIA RICCIOPPO, também em alentado volume de 614 (seiscentas e catorze) páginas, fartamente ilustradas. 

Após um tanto dilatado período intervalar, eis que há dias, precisamente em 21 de dezembro de 2019, é lançado no Museu do Zebu, na presença de centenas de Borges de diversas gerações, A ODISSEIA DOS BORGES, de Carla Mendes Bruno Brady e Randolfo Borges Filho, em projeto ideado e coordenado por Leila Borges de Araújo e Randolfo Borges Filho, em portentoso volume de nada menos de 980 (novecentas e oitenta) páginas ilustradas, focalizando os troncos e ramos familiares: Martins Borges, Borges de Araújo, Gonçalves Borges, Alves Borges, Borges de Gouveia e Antônio Borges Sampaio, o célebre historiador.

*

Além dos livros acima mencionados, existem diversas outras genealogias, veiculadas por enquanto em edições mimeografadas.

A mais longeva delas consiste na GENEALOGIA DA FAMÍLIA SILVA E OLIVEIRA, efetuada por ninguém menos do que o múltiplo historiador Hildebrando Pontes, elaborada nos inícios do século XX e composta de 222 (duzentas e vinte e duas) páginas, justamente sobre a família Silva e Oliveira, a fundadora de Uberaba na pessoa de Antônio Eustáquio da Silva e Oliveira, o major Eustáquio, mas, na verdade, família Távora, perseguida pelo marquês de Pombal e impedida, até sua reabilitação pela rainha Maria I, de utilizar seu legítimo nome, ao qual o pai do major não quis voltar.

A GENEALOGIA DA FAMÍLIA FERREIRA DE ARAÚJO é também da lavra de historiador Hildebrando Pontes, constituindo o Título II da série Genealogia Mineira que se propôs a fazer, composta de 90 (noventa) páginas manuscritas.

Por sua vez, em 1990, José Carlos Machado Borges (Juquita Machado) publica em mimeógrafo, em 244 (duzentas e quarenta e quatro) páginas, sua múltipla genealogia intitulada GENEALOGIAS por se referir, conforme explica o Autor em prêambulo, a seus quatro distintos troncos familiares: Machado dos Santos, Pepino, Borges de Araújo e José Bernardes.

Outras genealogias e histórias familiares provavelmente devem existir prontas ou em vias de elaboração, cumprindo apenas que sejam dadas à divulgação, como necessário.

__________________

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba

REVISTA DIMENSÃO: 40 ANOS (I)

Guido Bilharinho 


Há quarenta anos foi lançado em Uberaba o primeiro número da revista de poesia “Dimensão”, editada durante vinte anos (1980 a 2000), cujo coleção completa encontra-se no blog http://revistadepoesiadimensao.blogspot.com/, graças à digitalização procedida pelo ativo e participativo Curso de Letras da UFTM, publicação eletrônica acompanhada de índices onomásticos de seus 635 colaboradores de 31 países. 

No decorrer de sua vintenária trajetória, nacional e internacional, a revista colheu manifestações de centenas e centenas de intelectuais, jornais, revistas e periódicos, do Brasil e do exterior, divulgando-se a seguir algumas delas: 

“Parabéns pela bela revista de poesia.” - (PEDRO NAVA, Rio de Janeiro/RJ, 21/01/1981) 

“Acabo de ler Dimensão 1 [....] Há muito que admirar no primeiro número e muito que esperar dos próximos.” -(ANTÔNIO HOUAISS, Rio de Janeiro/RJ, 14/02/1981) 

“A revista está digna e sóbria, como convém a uma revista de poesia.” - (OLGA SAVARI, Rio de Janeiro/RJ, 10/03/1981) 

“Recebi, li e gostei. O segundo número de Dimensão está excelente.” - (CÉSAR VANUCCI, Belo Horizonte/MG, 09/06/1981) 

“Felicito o Conselho Editorial pela excelência dessa publicação.” - (ABGAR RENAULT, Rio de Janeiro/RJ, 22/10/1981) 

“Recebi o nº 2 de sua impecável revista. Excelente o nível dos poemas.” - (MANUEL LOBATO, Belo Horizonte/MG, 27/11/1981) 

“Meus agradecimentos pela oferta do nº 4, de 1982, da excelente Dimensão, que tão bom serviço vem prestando à poesia brasileira.” – (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, Rio de Janeiro/RJ, 06/06/1982) 

“Excelente publicação, que honra não apenas Uberaba, senão também o nosso Estado e o próprio Brasil” - (ABGAR RENAULT, 14/06/1982) 

“Obrigado pelo envio de mais um número da bela revista que você edita.” – (RUBEM FONSECA, Rio de Janeiro/RJ, 30/06/1982) 

“Dimensão é uma excelente revista.” – (PLÍNIO DOYLE, Rio de Janeiro/RJ, 02/07/1982) 

“Meus agradecimentos pela remessa de Dimensão, que com tanta dignidade e agudeza de vista se consagra ao serviço da poesia brasileira.” – (CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE, 05/06/1983) 

“Acuso o recebimento de Dimensão (nº 8!) (ano IV), que sempre me deixa estupefata: manter durante quatro anos uma revista de poesia é, neste Brasil de crises várias, um ato heroico.” - (ILKA BRUNHILDE LAURITO, São Paulo/SP, 22/06/1984) 

“Recebi Dimensão 10 – uma beleza gráfica e uma instigação cultural. Devorei – e degluti – os textos.” – (UILCON PEREIRA, Araraquara/SP, 23/06/1985) 

“Guardo com carinho todos os números de Dimensão, a meu ver a melhor e mais importante publicação brasileira no gênero.” – (JOSÉ AFRÂNIO MOREIRA DUARTE, Belo Horizonte/MG, 27/06/1985) 

“Cumprimentos pelo nº 11, realmente excelente.” – (NÉLSON WERNECK SODRÉ, Rio de Janeiro/RJ, 24/11/1985) 


_________________ 

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba


terça-feira, 3 de março de 2020

ARTE E CULTURA EM UBERABA

Guido Bilharinho

Há muito se fazia necessária, para quem se interessa pelas artes e pela cultura uberabense, a reunião, num só livro, de alguns dos principais 

ensaios e artigos referentes às manifestações artísticas e culturais ocorridas na cidade.

Espalhados, aqui e ali, como estavam, era às vezes impossível ou, quando menos, difícil e penoso encontrá-los e acessá-los, já que, além disso, muitos deles foram publicados em livros já esgotados, revistas desaparecidas e extensas coleções de jornais, inacessíveis muitas delas.

Todavia, em Arte e Cultura em Uberaba não se colecionam todos e nem ao menos a maioria dos principais trabalhos editados sobre os temas nela contemplados.

Arrolam-se apenas os que, até o momento, foram possíveis de serem encontrados, acrescidos de alguns artigos inéditos destinados a cobrir áreas ou épocas sobre as quais ainda nada se havia escrito.

No referido livro, por eletrônico, outros ensaios e artigos, à medida que descobertos ou escritos, poderão lhe ser agregados e, se tantos, desdobrando-o em dois ou mais volumes.

Além do mais, mesmo a respeito de vários dos assuntos comentados, não se teve ainda possibilidade de se efetuar levantamento exaustivo, dada principalmente a dificuldade de consecução (ou de tempo para fazê-lo) das coleções dos mais importantes jornais aqui editados, que sempre deram a devida cobertura noticiosa aos eventos culturais realizados na urbes.

Desse modo, têm-se examinadas em Arte e Cultura em Uberaba dez áreas diversificadas de expressões artísticas e culturais locais, abrangendo, dentro do possível e pela ordem cronológica de seu surgimento, os primeiros escritores e associações literárias, instituições culturais, música, literatura, arquitetura, artes plásticas, dança, imprensa, periódicos culturais e cinema. 

Nesse livro nada se inclui sobre teatro e nem dele consta a bibliografia sobre a cidade porque ambos esses temas estão abordados nas obras O Teatro em Uberaba e Bibliografia Sobre Uberaba, publicadas eletronicamente no blog https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/. 

Pretende-se e crê-se que, com essa obra, facilite-se, promova-se, incentive-se e aguce-se o interesse pelo conhecimento das artes e da cultura de Uberaba, tanto quanto o faça para a continuidade de sua criação artística e cultural, bem como para a elaboração de futuros ensaios a respeito. 

Mesmo porque, se não se estudar, pesquisar e conhecer o que se fez no passado, não se estará valorizando o que se está fazendo no presente, nosso futuro passado. 

De todo modo, com os livros físicos já editados sobre Uberaba e os que vêm sendo publicados no blog acima mencionado, Uberaba é hoje, no país, uma das cidades mais estudadas e de estudos mais divulgados, mercê de sua produção artístico-científica e poderosa tradição cultural. 

__________________ 

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba

MEMORIALISTAS DE UBERABA

Guido Bilharinho

À semelhança de todos os outros gêneros literários, históricos, genealógicos, biográficos e outros, a prática em Uberaba do memorialismo (no sentido próprio e correto do termo) ou autobiografia só pouco a pouco foi se desenvolvendo e, como não poderia deixar de ser, à medida do crescimento e desenvolvimento da cidade.

As Mais Antigas Memórias 

A mais longeva obra do gênero de que se tem notícia consiste nas NOTAS BIOGRÁFICAS que Antônio Borges Sampaio (1827-1908) elaborou em 1896 para atendimento de exigência do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil para sua admissão como membro e que se encontram publicadas em seu livro “Uberaba: História Fatos e Homens”, editado pela Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM) em 1971, p.217 a 230.

Conquanto somente editada em Goiânia/GO, em 2007, pela Universidade Católica de Goiás, as memórias do primeiro bispo de Uberaba, d.Eduardo Duarte Silva (1852-1924), intituladas PASSAGENS, estendem-se até o final de setembro de 1924, abrangendo 273 (duzentas e setenta e três) páginas.

Posterior a ela, Hildebrando Pontes (1879-1940) escreveu o que denominou MEUS CINQUENTA ANOS, completados em 1929, em que traça minuciosamente sua trajetória de vida até a referida idade, encontrando-se publicada no livro “Vida, Casos e Perfis”, p. 17 a 37, editado em 1992 pelo Arquivo Público de Uberaba, muito justamente denominado Hildebrando de Araújo Pontes.

Publicadas em dois volumes, o primeiro na década de 1990 e o segundo em 2002, as REMINISCÊNCIAS de Calixto Cecílio (Kalil Ibrhaim Cecin), traduzidas e editadas por seu neto, médico Hamid Alexandre Cecin, foram escritas, conforme registrado pelo Autor ao final de cada volume, o primeiro em 1942 e, o segundo, em 1951, contendo o primeiro 141 (cento e quarenta e uma) páginas e, o segundo, 171 (cento e setenta e uma), em que reporta sua vida desde a aldeia de Cheik-Taba, às margens do Mediterrâneo.

Em 2006, Lincoln Borges de Carvalho (1928-2013) publicou, em edição restrita, seu ROTEIRO CINZA de 270 (duzentas e setenta) páginas, diário-memória atinente aos anos de 1946 a 1949 de densa experiência vivencial, restado inédito por mais de meio século.

As Elaboradas Após 1950

Alaor Prata (1882-1964), que foi prefeito do Rio de Janeiro de 1922 a 1926, no decorrer de todo o Governo de Artur Bernardes, publicou em 1958 suas RECORDAÇÕES DA VIDA PÚBLICA.

Em 1965, o médico Benjamin Pável lançou pela editora Pongetti, do Rio de Janeiro, com bela e inventiva capa do artista uberabense Marco Antônio Escobar, suas memórias romanceadas, intituladas BESTA DE SELA, de 323 (trezentas e vinte e três) páginas.

Na década seguinte, precisamente em 1977, já editada em Uberaba e impressa na gráfica Vitória, o professor holandês Leonardus Paulus Smeele lançou CANOA VIAJADA, em que relata, em 252 (duzentas e cinquenta e duas) páginas, sua infância e vida na Holanda e no Brasil até agosto de 1945, inclusive do período de abril de 1942 a outubro de 1943, em que participou da Segunda Guerra.

Ataíde Martins, lançou em 1979 o livro MEU FILHO, MEU FILHO, falecido na época, e, em 1984, publicou o livro de memórias EVOCAÇÕES DE UM COMETA APOSENTADO, realçando o termo utilizado para designar os viajantes comerciais.

Em 1988, José Humberto Fernandes Rodrigues (ZéBeto) publicou no Rio de janeiro, onde então residia, a autobiografia NEM FICOU A PÁTRIA LIVRE NEM MORRI PELO BRASIL, com 127 (cento e vinte e sete) páginas, em que narra sua experiência nas lutas estudantis travadas no Rio sob o regime militar.

Em 1995, Jorge Alberto Nabut editou o livro MEMÓRIAS DE MARIANA ABDANUR NABUT, no qual sua mãe relata em 64 (sessenta e quatro) páginas sua vida, experiência e atividades profissionais como exímia bordadeira.

Sob redação de João Henrique Schiller, a cantora e compositora Vanusa publicou, em 1999, o livro de memórias VANUSA - NINGUÉM É MULHER IMPUNEMENTE, de 192 (cento e noventa e duas) páginas, no qual relata sua vida, estudos, infância e adolescência em Uberaba, onde, inclusive, atuou como atriz em peças teatrais encenadas pelo TEU.

As Dos Anos 2000

Além de possíveis outros, inúmeros livros de memórias foram publicados a partir de 2000, num ritmo, intensidade e diversidade inexistentes anteriormente.

Já em 2001 foram editadas as memórias do promotor de justiça Ariovaldo Alves de Figueiredo, A VIDA DE UM MENINO DA ROÇA, com 112 (cento e doze) páginas, relatando suas origens e vivências desde o Desemboque, atual distrito de Sacramento e primeiro núcleo urbano da região do Triângulo.

Nesse mesmo ano de 2001, em Porto Alegre/RS, onde passou a residir, o uberabense Alduísio Moreira de Sousa, psicanalista, lançou o primeiro volume de suas MEMÓRIAS QUASE ESQUECIDAS, com 315 (trezentas e quinze) páginas.

Por sua vez, em 2004 o jornalista Reinaldo Domingos Ferreira publicou o primeiro volume de suas memórias, AS RAPARIGAS DA RUA DE BAIXO, no qual, em 173 (cento e setenta e três) páginas, narra sua infância em Campo Florido. Em 2008 editou o segundo volume, no qual, em 279 (duzentas e setenta e nove) páginas, expõe suas lembranças da mocidade passada em Uberaba, onde se destacou nos meados da década de 1950 como diretor e dirigente do grupo teatral Núcleo Artístico e Cultural da Juventude.

Editado em 2008 em São Paulo, por José Expedito Prata, o livro MEMÓRIAS DA MEMÓRIA, de autoria do padre Tomás de Aquino Prata, no qual, por 320 (trezentas e vinte) páginas e inúmeras ilustrações, padre Prata relata ocorrências locais, familiares e pessoais, complementando a obra com poemas escritos por seu pai, Alberto Prata.

Nesse mesmo ano, em Uberaba, impresso na gráfica Vitória, o coronel e advogado Carlo de Abreu Lopes publicou ATOS E FATOS DE MINHA VIDA, por cujas 236 (duzentas e trinta e seis) páginas discorre sobre sua vida de militar e delegado de polícia em várias cidades e comarcas mineiras.

A vivência e a experiência de dois mandatos de vereador e seis mandatos de deputado estadual de Eurípedes Craide foram sintetizadas por ele nas 174 (cento e setenta e quatro) páginas do livro A HISTÓRIA DE EURÍPEDES CRAIDE, editado em 2011.

Em 2016, José Expedido Prata, irmão do padre Prata, editou em São Paulo seu livro de memórias 1971 - 45 ANOS DEPOIS, em que narra inúmeros episódios de sua vida no referido ano.

__________________

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba

domingo, 16 de fevereiro de 2020

DIALETO CAPIAU

Guido Bilharinho 

Não bastou ao historiador Hildebrando Pontes pesquisar, conhecer e escrever sobre futebol, imprensa, fatos e bastidores da política uberabense. Não lhe bastou efetuar o hercúleo trabalho de medição, arrolamento e descrição minuciosa de todo o sistema fluvial de Uberaba e região, bem como de proceder à pesquisa, levantamento e ementário de toda a legislação municipal de Uberaba (leis, decretos, portarias e resoluções de 1892 a 1933). 

Além disso, também pesquisou, estudou, analisou e discorreu sobre todos os demais aspectos e setores do município. 

Contudo, embora enciclopédico e diversificado, tudo isso foi pouco para ele, curioso de todos os saberes. Seu interesse por tudo que é humano, uberabense e regional ultrapassou todos os limites e o fizeram perquirir, pesquisar, estudar e escrever até sobre assunto completamente alheio e estranho à sua formação científica e técnica de engenheiro agrônomo, egresso do lendário Instituto Zootécnico de Uberaba. 

Faltava-lhe, ainda, estudar e escrever sobre o dialeto regional. 

Faltava. A partir de 1932 não faltou mais. E para sempre. Pelo trabalho meticuloso, rigoroso e altamente filológico do Dialeto Capiau. 

*
Esse ensaio - ora publicado no blog https://bibliografiasobreuberaba.blogspot.com/ em edição fac-similar do manuscrito vazado na ortografia da época - não só pela dificuldade de sua digitação, como também para permitir o acesso direto ao texto sem nenhuma intermediação que pudesse, por mínima que seja, alterar ou afetar suas meticulosas disposições, esteve até agora em lugar ignorado, desde quando Hildebrando, por volta do ano de seu término ou logo em seguida, enviou os originais ao escritor Coelho Neto. 

Falecidos Coelho Neto em 1934 e posteriormente seu filho Paulo Coelho Neto, responsável pelo espólio intelectual e material de seu célebre pai, como localizá-los? Onde procurá-los? 

Até que por informações correntes no circuito cultural, aventou-se a possibilidade desses originais estarem na Biblioteca Nacional. E estavam. E estão. E que, com a máxima boa vontade e diligência de autênticos servidores públicos, foram reproduzidos e remetidos a Uberaba. 

O Dialeto Capiau, de Hildebrando Pontes, como se pode verificar no Sumário, espelho sincrético do texto, é obra de alta linhagem intelectual, cultural e técnica. Certamente, ninguém poderia fazer melhor e nem com tanta consciência e conhecimento do falar regional. Tanto que ninguém o fez. Só Hildebrando, sedento de todos os saberes. Por isso, o fez. Nenhum, mas nenhum mesmo, profissional da área (professor, filólogo, gramático, escritor) se abalançou a tal cometimento. Possivelmente nem ao menos dele cogitou. Hildebrando, porém, dele não só cogitou como o realizou. Ninguém faria melhor. 

A partir desta edição, que o divulga e disponibiliza erga omnes, os estudos filológicos na área dialetal brasileira terão acesso a essa contribuição de capital importância, que os deverão influenciar e nortear de ora em diante. 

__________________ 

Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog https://guidobilharinho.blogspot.com.br/


Cidade de Uberaba

segunda-feira, 2 de setembro de 2019

JOSÉ PEIXOTO – PRESIDENTE DA ACIU

Comemorando os 95 anos da Entidade.


A crise instalada no país provocada pela primeira Guerra Mundial, (1914/1918), cria dificuldades econômicas que são combatidas pelos governos com rebaixamento de salários e sobrecargas de impostos

A reação patronal para defender o interesse dos empresários e enfrentar a inquietude operária organizada em sindicatos foi a de criar, em todo o Brasil, as associações.

Uberaba, centro de irradiação econômica e educacional para todo o Brasil Central, é uma das primeiras cidades do interior a compreender a necessidade e o potencial de uma organização de classe. Em 16 de dezembro de 1923, em pleno domingo, nasce a Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ACIU), em sala cedida pelo Jockey Club.

A assembleia, contando com a presença de 52 empresários e presidida por Adolpho Soares Pinheiro, elegeu sua primeira diretoria provisória composta por Cesário de Oliveira Roxo, Raul Terra, Jonas de Carvalho, Fernando Sabino e o próprio Adolpho.

José Peixoto - Foto/Reprodução.

No inicio de Janeiro esta mesma diretoria provisória tomou posse para o período de 1924/1927, contando com o reforço de Luiz Humberto Calcagno e José Guimarães, elegendo Cesário de Oliveira Roxo como primeiro presidente da ACIU.

Coube ao presidente Fidélis Reis (1938/1948) a responsabilidade pela edificação da sede, com projeto dos engenheiros Signoreli e Abel Reis. A construção começou com a empresa de Santos Guido em 1940.

Nestes 95 anos, (1923 a 2018) a ACIU foi palco de 42 eleições, 5 reeleições e conheceu 41 empresários que hoje estão na galeria de presidente.

O que mais tempo permaneceu na diretoria – 10 anos – foi Fidélis Reis, (1938/1948). Ele foi um dos mais destacados uberabense: foi jornalista, escritor, deputado federal, construtor de pavilhões para o SENAI, cofundador do Banco do Triângulo Mineiro e da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro.

A ACIU é uma verdadeira fonte da juventude. Até agora, teve 42 novas diretorias. Em cada uma delas há o renascer de um novo entusiasmo e a chama ardente de desejos para realizar.

Por isso, é difícil dizer quais as realizações nos campos político, social e econômico que influenciaram o desenvolvimento de Uberaba que tiveram a participação da ACIU. Mais fácil relatar de quais ela não participou.

A entidade nasceu sob o signo do protesto. Em cada presidente, em cada diretor, um soldado pronto para a luta. Em defesa da comunidade. Em defesa dos interesses regionais. Em defesa de seus associados.

A primeira preocupação de qualquer nova diretoria é a satisfação de seu associado. Esse é o motivo da criação da entidade. É a razão de sua existência. O associado sempre foi a preocupação primeira de todas as diretorias

Na defesa dele, estão as medidas tomadas contra a criação ou ampliação de impostos e taxas em todas as áreas governamentais, tomada de posições contra redução de créditos bancários, disponibilidade de corpo jurídico, planos de saúde e de seguro variados e estancamento de quaisquer situações que possam prejudicá-los.

A ACIU ao longo dos seus 95 anos se inseriu também como porta-voz dos interesses da comunidade.

Entre as ações voltadas para o benefício coletivo, destacam-se a luta para implantação do SENAC e do SESC, a construção de sede dos Correios inaugurada na gestão de João Fernandes Côrrea (1956/1957), a participação na fundação do IDT – Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (em parceria com a UNIUBE e a UFTM, no governo de José Mousinho Teixeira (1982/1983)), a busca incessante em todo país de novas

indústrias para criação de novos empregos, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Com o patrocínio da ACIU, dessa comissão também nasceu a empresa de capital misto CODIUB – Companhia de Desenvolvimento Industrial de Uberaba e a CEVALE - Fundação Centro de Pesquisas Vale do Rio Grande.

Esses projetos, aprovados pela comunidade foram aprovados também pelo prefeito Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976) que os incorporou em seu governo.

A partir dessa data, estava incluída a Secretaria de Indústria e Comércio em toda a plataforma política de Uberaba. A primeira secretaria foi criada no governo de Wagner do Nascimento (1983/1988) e seu primeiro titular foi Anderson Adauto.

Entre outras realizações podem ser destacadas – A participação da ACIU na implantação da CEMIG na gestão de Helmuth Dornfeld; a implantação da Televisão em Uberaba que começou na gestão de Mario Pousa, passou por Aurélio Luiz da Costa, Leo Derenusson para terminar na diretoria de Edson Simonetti; a criação do SPC na gestão de Mario Grande Pousa e posteriormente iniciado os estudos para fusão com CDL na diretoria de Flamarion Batista Leite; a criação do PACE na gestão de Karim Abud; seminários para implantação de novas rodovias; criação da Faculdade de Ciências Econômicas que diplomou milhares de profissionais nas áreas de Economia, Administração de Empresas e Ciências Contábeis.

Essas são em linhas gerais o retrato da atuação da ACIU. Difícil falar de todas as suas realizações. São milhares.

Todavia, acreditamos que esta exposição possa transmitir o quanto de carinho que centenas de empresários que, abrindo mão de seus afazeres, diminuindo o tempo junto com seus familiares, dotados de muito espírito cívico, se dispuseram a compor as 47diretorias da Entidade nestes últimos 95 anos para o exercício do associativismo.

São heróis anônimos que merecem a nossa estima e consideração. O nosso reconhecimento pelo muito que fizeram e faz pelo desenvolvimento de sua cidade.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-presidente e conselheiro da ACIU.

Sócio da ACIU desde 1958.

Fontes – ACIU – Arquivo Público – José Mousinho – Guido Bilharinho


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

TEREZINHA HUEB E MURILO PACHECO – ALIANÇA DE IDEAIS

O Folclore faz parte da grade disciplinar do Colégio Nossa Senhora das Graças desde sua fundação

Na quadrilha das festas juninas, nas décadas de 60 e 70, o marcante era Edelweis Teixeira - médico e inspetor de escolas por profissão e folclorista por devoção. Teixeira era uma das mais notáveis figuras da área cultural brasileira e recebeu em 1984, por indicação do professor e vereador Murilo Pacheco de Menezes, o título de “Cidadão Uberabense”.

A partir de 1977, foram criados os concursos que integravam os festivais anuais de folclore no qual, se destacou a folclorista Iraídes Madeira com o tema “O Folclore em Quatro Tempos”.

O folclore é apenas uma das áreas culturais reverenciadas pelo Colégio Nossa Senhora das Graças. Concursos literários, Revista “Bolando Comunicação”, edições de livros de contos e poesias de autoria dos próprios alunos, Feiras de Trabalhos Artísticos e Feiras de Pesquisas e Criatividade sempre foram uma constante.

O Colégio tem a chancela do pioneirismo na criação em Uberaba da Fanfarra Feminina que, juntamente com a Masculina, chegou a atingir 120 participantes. Ele foi pioneiro também a adotar calças compridas para as alunas no início da década de 70. Uma ousadia que contou com o beneplácito dos pais.

Esses fatos marcantes são frutos do arrojo e pioneirismo do casal formado por Murilo e Terezinha, fundadores e administradores do Colégio Nossa Senhora das Graças, criado em março de 1958, em sociedade com Salim Hueb, pai de Terezinha.

Murilo nasceu em 03/06/1929, na cidade de São Raimundo Nonato, Piauí. Com 14 anos, em 1943, já era seminarista em Salvador, onde percebendo falta de vocação para o sacerdócio, iniciou a carreira de Magistério em 1952, na cidade de Belo Horizonte. Após alguns anos, mudou-se para Uberaba, tornando-se professor no Diocesano, Cristo Rei e José Ferreira.

Terezinha Hueb de Menezes. Foto: Reprodução.

Ao conhecer a professora Terezinha Hueb, brotou o amor e a conjugação de ideais. O casamento com Terezinha, então com 19 anos, recém-formada pelo Colégio Nossa Senhora das Dores, foi realizado em 1958, onde, na frente do altar da Igreja de São Benedito, os noivos se completaram na comunhão de propósitos.

Murilo ajudou a fundar a Escola de Química e Agrimensura e se enveredou também na política onde foi eleito para vereador na década de 1980. Foi presidente da Comissão de

Justiça, Legislação e Redação, recebendo em sua vida os títulos de Cidadão Uberabense, Personalidade do Ano, Mérito Político, Homenagem Personalidade do Ano – Melhores 87, Destaque Político, Medalha Major Eustáquio (que ele mesmo criou), Diploma de Honra ao Mérito e Mérito Rotário Uberaba-Leste.

Na sua vida empresarial teve seus percalços como tem qualquer empresário que luta por seus ideais. Nem sempre as leis econômicas caminham junto com nossos sonhos. As rotineiras oscilações de mercado trazem sempre grandes frustrações empresariais.

A mudança da sede do Colégio da rua Veríssimo para o novo prédio da rua Edmundo Borges de Araújo, construído em apenas seis meses, trouxe dificuldades para a família, que se viu obrigada a transferir sua residência para o próprio Colégio. Todavia, Murilo, com um caráter forjado na têmpera do aço, soube enfrentar com muita dignidade as tempestades circunstanciais.

Murilo faleceu em 19 de agosto de 1999. Ao se referir a ele em 2014, o então Presidente do Legislativo Elmar Goulart relatou que ele deixou seu nome cravado na história da política da cidade como representante da expressão máxima da ética e da cidadania. “O Plenário desta Casa, onde são aprovados projetos importantes para o desenvolvimento de Uberaba, leva o nome do professor Murilo Pacheco de Menezes”, disse.

Já a irrequieta e dinâmica Terezinha, graduada em Letras na FISTA, por uns tempos passou a lecionar e participar da administração desta Instituição, dirigia o Centro de Ciências e Letras da Universidade de Uberaba e ainda encontrava tempo para lecionar e administrar seu próprio Colégio.

Teve intensa participação nas atividades educacionais e culturais. Foi membro do Fórum dos Articulistas de Uberaba e Região e da ALTM (Academia de Letras do Triângulo), eleita em 23/02/1991, ocupando a cadeira de nº 27.

Por coincidência, essa cadeira que tem como patrono a figura de Machado de Assis, pertenceu a Edson Prata, um dos fundadores do Jornal da Manhã, no qual Terezinha manteve por muitos anos como articulista uma coluna semanal, editada aos domingos, em nome da Academia.

Em 2012 reuniu as crônicas mais marcantes em um livro intitulado Assim Como Nós e fez seu lançamento no Centro Cultural Mário Palmério. Publicou Tempesfera, de poesias e temas do cotidiano. Organizou o livro Murilo Pacheco de Menezes – O Homem e Seu Legado - reunindo crônicas do marido, além de uma biografia.

Segundo Guido Bilharinho, foi ela que introduziu em Uberaba e no Brasil Central a poesia construtivista, que é aquela que usa razão e sensibilidade.

Cooperou ainda com a escritora Vânia Maria Resende na elaboração do livro ‘Quantas saudades do Colégio eu vou levar’. Participou da Revista Dimensão e do livro A Poesia em Uberaba do Modernismo à Vanguarda, ambos editados por Guido Bilharinho.

Eleita a primeira mulher na presidência da ALTM em 12/03/2009, conseguiu junto à diretoria da ACIU o início de uma parceria para edição dupla da revista da Academia – Convergência e Saberes – em participação com a FCETM - Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro.

Terezinha recebeu inúmeras homenagens em vida, entre elas as medalhas do Mérito Rotário e Major Eustáquio, o título de Mulher Destaque, pela Câmara Municipal de Uberaba e da Associação de Mulheres de Negócios e, por duas vezes, figurou entre “Os Dez Mais”.

A conquista de uma sede própria para a Academia de Letras sempre foi uma de suas preocupações. Segundo palavras da Ilcéa Borba, ex-presidente da ALTM, a quem Terezinha incentivou a se tornar escritora, ela lutou muito para a conquista da sede. “Mesmo quando estava doente, solicitava esforços de seu filho Fernando para concretizar mais este sonho”, declara.

Terezinha faleceu em 22 de maio de 2014 provocando grande consternação na comunidade. O Jornal da Manhã destacou suas realizações administrativas, culturais, educacionais e sociais.

De todos os legados deixados por Murilo e Terezinha o mais importante foram os seus cinco filhos – José Luiz, Paulo César, Maria Angélica, Fabiano e Fernando.

Fernando relata que na parte cultural, o aprendizado dos filhos foi até por ‘osmose’. Ele e os irmos aprenderam a seguir o caminho da harmonia e do diálogo. Ele se lembra de que seu pai dizia que a melhor forma de ensinar é com o exemplo. Com ele, os filhos aprenderam os princípios de honestidade e caráter.

“Vereador Professor Murilo Pacheco de Menezes” é hoje nome de rua no conjunto residencial Mário de Almeida Franco.

“Terezinha Hueb de Menezes” é nome da sede da ALTM - Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Só não tem nome a saudade que deixaram.

Fontes consultadas:

Colégio Nossa Senhora das Graças (site);

Jornal da Manhã (reportagens);

Guido Bilharinho – escritor, advogado e membro da ALTM;

Ilcea Borba – psicóloga e membro da ALTM;

Maria Antonieta Borges – ex-presidente da Fundação Cultural de Uberaba, historiadora, membro da ALTM;

Fernando Hueb – filho.


Autor- Gilberto de Andrade Rezende – Folclorista e Membro da Academia de Letras do Triângulo.
 

===========================





Cidade de Uberaba


A Penalização dos Proprietários

(EDITORIAL XLII)

Patrimônio Cultural (I):



Conquanto oriunda da década de 1930, com o primeiro dispositivo legal atinente ao assunto (Dec-Lei Nº 25/1937), foi no último meio século (1970 a esta parte) que se estendeu e se ampliou a preocupação com o que se denominou de modo geral de “patrimônio cultural”.

Daí partiu-se em muitas cidades, com notáveis celeridade e desequilíbrio, do 8 (oito) para o 80 (oitenta). Antes, tudo nesse seguimento era permitido. Com o passar dos anos e da legislação tudo deixou de ser permitido, submetido que foi ao preservacionismo, erigido em verdadeira ideologia.

A órgãos públicos foram dados poderes para proceder a tombamentos, inventariações e registros de imóveis por eles considerados de valor cultural, com ampliações e detalhamentos posteriores no três níveis da administração, sem se restringirem, como preconizado e determinado no citado artigo 1º Dec-Lei Nº 25, aos imóveis de “excepcional valor...”

Tais procedimentos implicaram em interferências e intervenções diretas, coercitivas e constrangedoras em imóveis particulares, de tal modo e com tal amplitude, que seus titulares perderam, de fato e na prática, o direito de propriedade, transferido que foi para Prefeituras, Estados e União. 

Não satisfeitos com isso, os preservacionistas ainda impuseram aos proprietários a obrigação de manter tais imóveis como estão, nada podendo fazer na área que ocupam e em seu entorno, a não ser serviços de preservação, ainda assim sob licença, direção e fiscalização de órgão público.

Providências de preservação, aliás, que os proprietários são obrigados a fazer quando a deterioração do imóvel o exigir, sob suas únicas e exclusivas expensas.

Além disso, quaisquer intervenções dos proprietários que alterarem o imóvel são penalizadas com multas, algumas vezes de valores extorsivos, em verdadeiro delírio punitivo.

Todavia, as limitações, restrições e ônus dos proprietários não acabam aí. Os imóveis tombados e inventariados (e seus entornos), ao sê-lo, automaticamente se desvalorizam e são marginalizados no mercado imobiliário, vez que ninguém, em sã consciência, a não ser excepcionalmente e a preços muito inferiores a seu valor real, irá adquiri-los.

Ainda não param aí, no entanto, e nem se limitam essas agruras aos proprietários, recaindo também sobre seus sucessores, visto que tais impedimentos, restrições e ônus estendem-se ao futuro, para sempre.

Em suma, os proprietários desses imóveis e seus sucessores, além de não poderem alterá-los, demoli-los e construírem outros (novos, modernos, funcionais, valorizados) a seu talante ou vendê-los pelo valor de mercado, ainda são obrigados a assumir para sempre o encargo de conservá-los, aplicando recursos que não terão retorno e que, irônica e terrivelmente, irão prolongar-lhes a existência e, em decorrência, os gastos para mantê-los em pé e vistosos, já que sua única finalidade é de serem contemplados.

Por fim, a legislação direciona verbas estaduais às Prefeituras de acordo com o número de imóveis inventariados. Quer dizer, órgãos públicos que arrecadam impostos ainda recebem recursos em detrimento dos direitos constitucionais dos proprietários. (Guido Bilharinho)

Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba

sexta-feira, 19 de julho de 2019

As Inconstitucionalidades

Reflexões

A preservação de imóveis antigos, a pretexto de terem valor cultural (histórico, arquitetônico, artístico, arqueológico, etnológico, etc.), incide em inconstitucionalidades, já que intervém na relação de propriedade entre os indivíduos e seus imóveis, congelando estes e impondo àqueles responsabilidades e ônus para sua conservação e lhes retirando o direito de uso e usufruto ao impedir-lhes de alterá-los, demoli-los e vendê-los pelo valor de mercado, já que, neste último caso, ao serem tombados ou inventariados, automaticamente se desvalorizam, marginalizando-se e se tornando infensos à comercialização, com isso criando, em duplicidade de tratamento, duas ordens de proprietários ao diferençá-los em relação a seus imóveis.

O artigo 5º da Constituição Federal dispõe que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza...” 

Tal cláusula, por estabelecer princípios e diretiva geral, constitui norma pétrea, não podendo ser objeto de deliberação e proposta de emenda, consoante o estabelecido no disposto no § 4º do artigo 60, prevalecendo sobre qualquer outra estipulação da própria Constituição.

Seu alcance e fundamento são tão amplos e abrangentes, que geralmente seu significado escapa à compreensão daqueles que se limitam a contato e conhecimento ligeiros, descontextualizados de todo o diploma constitucional.

Em todas as circunstâncias é de se verificar previamente se esse princípio basilar não está sendo violado ou conspurcado por outras normas constitucionais e pela legislação infraconstitucional.

A própria Constituição, ao também estabelecer no § 1º do artigo 216 que “o poder público, com a colaboração da comunidade promoverá e protegerá o patrimônio cultural brasileiro”, prescreve, em atendimento ao imperativo consubstanciado na citada norma pétrea, a imprescindibilidade da colaboração (não de imposição como vem ocorrendo), que implica em concordância dos proprietários à interdição de seus imóveis e à restrição do direito Constitucional de propriedade e da livre iniciativa, fundamento do próprio regime econômico do país. No caso, ninguém é mais “comunidade” do que eles.

Toda legislação infraconstitucional anterior em sentido contrário (Dec-Lei nº 25/1937, por exemplo), encontra-se derrogada pela Constituição vigente e toda norma posterior que a contrarie está irremediavelmente contaminada de inconstitucionalidade, não podendo ser aplicada.

Em consequência, o ato de tombamento e inventariação de imóveis que não conte com a colaboração ou concordância expressa do proprietário jaz fulminado pela pecha de inconstitucionalidade, concordância esta que, todavia, é relativa, precária e provisória, podendo ser rejeitada posteriormente pelo proprietário e seus sucessores ao se considerarem prejudicados e em desigualdade com o tratamento dispensado aos demais proprietários.

No caso, além de terem seus imóveis interditados, desvalorizados, engessados e tornados incomercializáveis, os proprietários ainda são responsabilizados diretamente por sua conservação, sob pena de multa!, nada disso ocorrendo com os que não têm imóveis inventariados.

A discriminação, a desigualdade de tratamento, patenteia-se de plano, à prima facie, criando no país duas ordens de proprietários. Uns, com interdição de seus imóveis acrescida de ônus e responsabilidades. Outros, os demais, livres dessas restrições, prejuízos e encargos. Situação, pois, a dos primeiros, que não pode prevalecer.

Guido Bilharinho - Advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, um livro por mês no blog: https://guidobilharinho.blogspot.com/


Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba

sexta-feira, 5 de julho de 2019

O LIVRO

O Insustentável Peso do Papel


O livro, formado de palavras, que traduzem conceitos, é indestrutível, imperecível. Concreto e manuseável tem sido seu suporte desde as tábuas de pedra (Moisés), passando pelos pergaminhos (de peles de caprino ou ovino) e papiros (da planta cyperus papyrus e, posteriormente, de couro curtido de bovinos) para, finalmente, atingir o papel (consta inventado na China 105 anos depois de Cristo) utilizado na invenção de Gutemberg (1398-1468) efetivada por volta de 1439.

Cada um desses suportes representou considerável progresso em relação ao anterior, mesmo que pergaminhos e papiros tenham sido utilizados simultaneamente.

Até há pouco tempo - antes da invenção do computador , da internet, da plataforma eletrônica, enfim - tinha-se que o papel impresso seria insuperável e eterno. As citadas invenções vieram provar que não e, mais importante, provar que a impressão em papel é dispendiosa e que, com constante multiplicação de livros, vem exigindo cada vez maior espaço para guardá-los e conservá-los, o que também se traduz em permanente e múltipla despesa de aquisição, sustentação e manutenção espacial e cuidados de limpeza e desinfecção.

Enfim, biblioteca livresca, hoje, já se tornou tormento e motivo de angústias várias.

Além disso, a formação de biblioteca é questão pessoal de preferência que, após a morte de seu organizador, perde sua motivação e interesse.

Por isso, livros já estão sendo descartados até em lixões por falta de espaço nas bibliotecas públicas e privadas.

Ademais disso, dada a falta de espaços nos apartamentos e nas residências cada vez menores, a aquisição e reunião de livros de papel vêm sendo cada vez mais restringidas, mesmo contra a vontade das pessoas.

Diante disso, mesmo assim, os aficcionados no livro de papel, condicionados e habituados desde a infância a utilizá-los à falta de outras opções, consideram e afirmam categoricamente que “o livro não vai acabar”, no que estão certos. Mas, que livro?

O livro, como construção intelectual constituída e formalizada por palavras, ideias e conceitos, não vai acabar, pelo menos enquanto existir vida humana na terra e a própria terra.

O que vai acabar - e já está acabando pouco a pouco - é seu atual suporte de papel, submetido à paulatina substituição pelo suporte eletrônico. Este não pesa, não ocupa espaço e não necessita de transporte físico e dispendioso para sua distribuição e difusão, a não ser em proporções mínimas de aquisição de smartfones, que podem ser transportados em bolsas e bolsos.

Não se limitam só a essas as vantagens e virtualidades do suporte eletrônico, acrescentando-se ainda sua difusão instantânea para todo o planeta, acesso gratuito e tradução por meio de aplicativo próprio.
Nesse contexto, ainda é de se levar em conta os aperfeiçoamentos a que vem sendo submetido, tornando seu uso e manuseio cada vez mais práticos, fáceis e acessíveis.

Além de que, as novas e futuras gerações, ao nascerem, já encontram e vão encontrar tudo isso disponível e cada vez mais aperfeiçoado. Resistir quem há de? 

(Guido Bilharinho)





Cidade de Uberaba


O MEIO AMBIENTE E OS IMÓVEIS

DE VALOR ARQUITETÔNICO 

“Pimenta nos Olhos dos Outros é Refresco”

Uma das aventuras intelectuais de nosso tempo consiste em perceber, aqui, ali e em todo lugar, manifestações do pensamento unilateral, que vislumbra as questões e os problemas humanos, sociais e administrativos por apenas um prisma e que se origina de pessoas alheias aos contextos reais em que essas questões e esses problemas surgem ou ocorrem; de pessoas sem comprometimento e, principalmente, sem responsabilidade direta com as causas, as manifestações e as resultantes que compõem as situações criticadas. Pessoas, enfim, dedicadas a outros misteres, destituídas do contato, da vivência e da experiência com as circunstâncias, e, por isso, indiferentes às consequências advindas àqueles diretamente nelas e por elas envolvidos.

Ao contrário do conceito de Ortega y Gasset, de que o ser humano é ele e sua circunstância, esses críticos são eles e sua idealização preconceituosa do real.

É o que acontece, por exemplo, com os que têm a pretensão de defender o meio ambiente sentados em seus gabinetes, escritórios, bibliotecas, cátedras e redações, desvinculados da realidade, emitindo opiniões e propostas idealizadas.

No caso das matas, das encostas e das margens dos cursos d’água, bem como dos imóveis de valor histórico e arquitetônico, defendem simplesmente sua preservação a todo custo, seja em prol da sobrevivência da humanidade, seja para conservação da memória e do valor artístico.

Contudo, como não possuem propriedade rural nem imóvel de valor histórico-arquitetônico, julgam que só os proprietários desses bens é que deverão ser obrigados a preservá-los e mantê-los intactos para gáudio e usufruto de toda a sociedade, sob pena de criminalização e penalização.
“Pimenta nos olhos dos outros é refresco”, diz o ditado.

Não lhes ocorre, a esses unilaterais, que se é para o bem de todos, entre todos deverão ser distribuídos os ônus da manutenção desses bens.

São, pois, injustos, quando não francamente inconstitucionais, inúmeros dispositivos da legislação ambiental e de preservação dos monumentos arquitetônicos ao transferir e impor aos proprietários desses bens o encargo de sua conservação, prescrevendo-lhes até multas e penalidades.

Diante dos exageros e absurdos a que esse unilateralismo está chegando, é hora de se questioná-lo para alterar essa legislação iníqua, e também unilateral, distribuindo (e atribuindo) a todo o corpo social os custos daquilo que o beneficia e que a esses proprietários prejudica.

No caso das áreas de “Reserva Legal” - não prevista, segundo consta, em legislação de nenhum outro país - sua existência e obrigatoriedade devem ser abolidas ou, então, seus proprietários indenizados em espécie pelo justo valor de mercado e a propriedade dessas áreas, sua reflorestação, conservação e vigilância serem transferidas e delegadas única e inteiramente aos órgãos públicos, que existem para isso, como o nome indica, ou seja, para cuidarem das coisas e bens “públicos”.

Não é justo nem legítimo (e, por isso, não deve ser legalizado) que o proprietário rural, além de não poder cultivar boa parte de sua área (em alguns casos até mais de 40%), ainda seja responsabilizado (e penalizado) por sua conservação, sendo até considerado criminoso ambiental se não o fizer.

No que se refere aos imóveis urbanos (e até alguns rurais) considerados de valor artístico, arquitetônico, histórico e cultural - em separado ou tudo junto - devem seu uso, gozo e propriedade serem totalmente liberados no país e nem serem os órgãos públicos obrigados a adquiri-los e conservá-los. Por várias razões.


     Fotos: Paisagem e igrejas de Uberaba - Parque das Paineiras - Igrejas Santa Rita e São Domingos.

Primeiro, o clima é tropical, quente, úmido em boa parte, repleto de parasitas como o cupim, não permitindo, pois, a eternização desses imóveis. Não há possibilidade de que imóveis construídos nos trópicos - quanto mais tempo, maior precariedade do material empregado - subsistam eternamente. Não tem sentido, pois, submeter gerações de proprietários ao sacrifício (penoso e às vezes inaudito) de mantê-los, porque um dia perecerão e tudo terá sido inútil, em vão.

Segundo, porque tais imóveis, submetidos aos rigores de clima impróprio à conservação, exigirão quantias cada vez mais vultosas para sua conservação. Para restauração, então nem se fale.
Terceiro, porque, toda importância aplicada no decorrer dos anos, décadas e séculos para isso, será desviada da manutenção da família dos proprietários. No caso de sua aquisição por órgão público, as quantias necessárias no decorrer dos tempos para sua conservação e restauração não só seriam vultosas como desviadas da educação, saúde, saneamento básico e segurança da população, apenas para que algum passante não distraído, algum visitante esporádico ou raríssimo interessado apreciem as peculiaridades desses imóveis.

Quarto, é necessário mais algum argumento? Só a circunstância da extrema onerosidade para conservação, manutenção e restauração periódicas desses imóveis no decorrer dos tempos para se chegar lá adiante e vê-los desaparecer não basta?

À evidência que raríssimos imóveis podem e devem ser objeto de todo esse cuidado e ônus. Contudo, raríssimos, como em Uberaba, por exemplo, apenas as igrejas de Santa Rita, São Domingos, a capela do colégio Nossa Senhora das Dores, o prédio da Câmara Municipal e mais um ou dois outros.
Os demais, que sejam filmados e fotografados e se deixe a vida correr.

Enfim, não é justo (nem racional) que o proprietário de imóvel de valor histórico-arquitetônico ou localizado em entornos culturais, além de ter depreciado seu valor e perder a possibilidade de sua normal comercialização, ainda seja constrangido a dele cuidar e manter e nem que órgãos públicos o façam em detrimento e em prejuízo do atendimento de necessidades básicas da população em geral.
De mais a mais, tanto o decreto-lei federal n° 25, de novembro de 1937 quanto outras leis e todas as pessoas que se extremam em propugnar e defender a preservação do patrimônio arquitetônico não manifestam igual (e geralmente nem o mínimo) interesse e cuidado com a preservação do patrimônio artístico-cultural representado pela música, pintura, fotografia, escultura, livro, filme, etc., dos quais milhares de exemplares já se perderam completamente e a cada dia mais e mais de seus espécimes vêm sendo sistematicamente destruídos. E a preservação desse patrimônio não prejudica seus autores e descendentes. Ao contrário.


(Guido Bilharinho)
 
=========================




Cidade de Uberaba

sábado, 8 de junho de 2019

Hildebrando Pontes e a descendência familiar

Uberaba, realmente é uma cidade que prima pelos contrastes, pela incoerência e falta de conhecimento histórico. Seus verdadeiros historiadores e políticos , vão “ do céu ao fundo mar”. Homens e mulheres responsáveis pela guarda da nossa memória-história , cometem “gafes” que o mais leigo observador da nossa santa terrinha, duvida. Uberaba, homenageia, hoje, com intensidade histórica, embora atrasada no tempo, neto e bisneta de um dos maiores nomes da literatura e história da cidade, o imortal Hildebrando Pontes.

Hildebrando de Araújo Pontes - Foto: Arquivo Público de Uberaba.

Hildebrando Pontes Neto, escritor e advogado brilhante, herdou do meu saudoso e querido amigo, Alberto Pontes, nome respeitado no foro jurídico brasileiro, a verve oratória do pai e o talento de escritor do avô. Alessandra Pontes Roscoe, jornalista e escritora de méritos, filha dos saudosos amigos Sérgio Roscoe e Romilda Pontes, a garra e o talento dos pais, avós e bisavô. Há anos, figuras de projeção em Belo Horizonte e Brasilia, lançam, na terrinha, seus novos livros. Será sucesso tenho absoluta certeza. O sangue literário esta impregnado na inteligência de ambos. “O Velho Carrossel” e a “Arvore Voadora” se juntam a outras obras dos autores. Eles herdaram do eminente e saudoso Hildebrando Pontes, a veia literária familiar. Uberaba, muito se orgulha da hereditariedade e dinastia brilhantes.

Embora com tardia homenagem a um dos seus filhos mais importantes, a Prefeitura de Uberaba, vai dar o nome de “Hildebrando Pontes” ao seu arquivo publico. Justiça, reconhecimento e valor, o legado de livros publicados sobre a historia da terrinha .”História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central “,” História do Futebol de Uberaba”,” Vida, Casos e Perfis”, são obras antológicas sobre a santa terrinha. Engenheiro agrônomo, editor da “Revista Agricola”, Vereador, Presidente e agente executivo, hoje, o cargo chama-se Prefeito, Hildebrando Pontes, não só escreveu, mas fez história.

A Ignorância histórica dos “historiadores” de Uberaba, se fez sentir em 1994 , quando num ato impensado, fora de propósito e com objetivos escusos, o então prefeito Luiz Guarita Neto, com a conivência da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Ademir Vicente da Silveira, com a simples justificativa da funcionaria do APU, Aparecida , em obediência ao prefeito Luiz Neto, apresentou um relato duvidoso, sem citar os historiadores locais, Hildebrando Pontes, José Mendonça, Edelweis Teixeira e Guido Bilharinho, entre outros, apresentou projeto alterando o “registro de nascimento” da CIDADE de Uberaba, não citando em nenhum momento esses renomados historiadores, especialmente o grande Hildebrando Pontes.

Com o “parecer contrario” da douta Assessoria Jurídica da Câmara Municipal, os vereadores optaram pela simples “justificativa” da sra. Manzan, que não deve ter lido, pois, nem citou a obra de Hildebrando Pontes, que no livro “ História de Uberaba....”, à página 84, escreve sobre a “Freguesia de 2 de março de 1820” e à página 86, do mesmo livro, registra que “ Uberaba foi elevada a categoria de CIDADE, pela Lei no.759, e 2 de maio de 1856”. Teria sido ignorância histórica da sra. Manzan, ou má fé, ou coisa que o valha, do prefeito Luiz Guaritá Neto e votos favoráveis dos excelentíssimos senhores vereadores?

Por justiça e um preito de homenagem e gratidão àquele que, hoje, recebe o nome do nosso Arquivo Público, repositório da história de Uberaba e a civilização regional, é mais do que coerente, Uberaba retome o seu normal “ registro de nascimento” como CIDADE e apague, de vez, a conotação de Freguesia, que não representa a nossa realidade. Do seu sacratíssimo mausoléu, Hildebrando Pontes, ficaria eternamente grato.


Luiz Gonzaga de Oliveira



Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos



Cidade de Uberaba

sexta-feira, 29 de março de 2019

Cem anos de José Bilharinho

Hoje, cedo o meu espaço ao acadêmico Guido Bilharinho para que nos brinde com a síntese curricular do irrepreensível aniversariante que, ontem, completaria cem anos de meritória existência. Ei-la:

“José Soares Bilharinho nasceu em Uberaba, no dia 13 de dezembro de 1918. Formou-se em Medicina, em Belo Horizonte, em 1943, e clinicou em Uberaba, a partir de 1945, na Casa de Saúde e Maternidade São Lucas, na avenida Presidente Vargas, posteriormente transferida a outros médicos. Militando na política, nas fileiras do antigo Partido Social Democrático (PSD), foi eleito vereador, compondo a legislatura de 1951/1954. Participou e atuou no Rotary Club de Uberaba, do qual foi presidente no biênio 1960/1961 e governador do antigo Distrito 453. Exerceu durante alguns anos o magistério médico, lecionando Fisiologia, na Escola de Enfermagem Frei Eugênio e na Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, e Farmacologia, na Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, da qual foi um dos fundadores. Integrou, também, a Comissão Fundadora da Unimed/Uberaba, sendo seu primeiro presidente.

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, nela exerceu os cargos de tesoureiro, por quatro anos; secretário, por seis anos, e presidente, em três mandatos consecutivos, de fevereiro/1981 a fevereiro/1987.

Participou, ainda, do Conselho Administrativo e Fiscal da entidade mantenedora do Colégio Dr. José Ferreira, do Conselho Superior do Jockey Clube de Uberaba e do Conselho Deliberativo da Fundação Cultural de Uberaba.

Atinentes a quatro dessas áreas de atuação, escreveu os livros: Planejamento Geral dos Serviços Administrativos Municipais (1954), O Rotary em Ação (1967), Elogio de Clementino Fraga (1971), ampliação de seu discurso de posse na Academia de Letras, e a monumental História da Medicina em Uberaba em nove volumes, cinco dos quais editados a partir de 1980.

Além disso, editou e dirigiu no decorrer de 1952, juntamente com o então diretor-geral da Prefeitura de Uberaba, Iguatimosi Cataldi de Sousa, o periódico mensal Legislação, Organização, Orientação e Planejamento Municipal, distribuído a todas as câmaras municipais do país e o único no gênero editado nas Américas”.

Registro aqui ao aniversariante e a seus familiares as homenagens da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, que o teve como Membro Efetivo e presidente. Na imortalidade, José Bilharinho é para nós, seus confrades, fonte de inspiração e perene referência.


João Eurípedes Sabino

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Cronista do Jornal da Manhã e Rádio Sete Colinas.



Cidade de Uberaba

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

TITO SCIHPA, GLÓRIA MÁXIMA DO CINE METRÓPOLE

Até a década de 1980, o Cine Metrópole foi a mais elegante e sofisticada casa de espetáculos de Uberaba. Inaugurado em 1941, funcionava anexo ao imponente Grande Hotel que, na época, detinha simultaneamente os títulos de maior edifício de concreto armado e de melhor hotel do Brasil Central. Ambos eram empreendimentos de Orlando Rodrigues da Cunha, sócio diretor da Empresa Cinematográfica São Luiz e também do hotel. Um espelho do progresso da “Princesinha do Sertão” em uma das épocas de ouro da pecuária do gado Zebu.

Durante décadas, o Metrópole foi palco de grandes eventos na cidade. Nos anos 1950, quando as faculdades uberabenses começaram a formar suas primeiras turmas de alunos, o grande auditório lotava, recebendo as famílias orgulhosas que vinham assistir às cerimônias de colação de grau de seus filhos. Muitas vezes, tendo celebridades nacionais, como Juscelino Kubitscheck e Carlos Lacerda, no papel de paraninfos. Mesmo em dias comuns, as sessões de cinema eram concorridas e as regras da casa exigiam que os frequentadores fossem devidamente trajados: aos homens, era obrigatório paletó e gravata.

A casa também recebia shows de música. Muitos que tiveram a chance de frequentar o cinema devem ter notado uma placa de bronze colocada no elegante hall de entrada com os dizeres: “TITO SCHIPA (glória máxima da Arte Lírica) cantou neste teatro – Grande Hotel – Uberaba, em XVII-VII-MCMXLI”. Dai surgiu uma lenda de que esse famoso tenor italiano teria cantado na inauguração da sala, o que não é verdade. Tanto o hotel como a sala de cinema foram abertos ao público no dia 8 de março de 1941, a apresentação de Schipa se deu dois meses depois, em 17 de maio – como indica a data gravada na placa em algarismos romanos.

Tito Schipa
Algumas semanas antes dele, já havia se apresentado na casa uma celebridade do canto nacional: Vicente Celestino, conhecido como “a voz orgulho do Brasil”. Nascido no Rio de Janeiro, filho de imigrantes calabreses, Celestino emocionava multidões interpretando com estilo dramático e vozeirão de tenor canções de sua autoria, como O Ébrio e Coração Materno. Fez tanto sucesso em Uberaba que a direção do Metrópole foi obrigada a abrir uma segunda apresentação, no dia seguinte, para atender à demanda do público.

“TITO SCHIPA (glória máxima da Arte Lírica) cantou neste teatro – Grande Hotel – Uberaba, em XVII-VII-MCMXLI”.
Foto: Antonio Carlos Prata

Embora também fosse tenor, Raffaele Attilio Amedeo Schipa era quase o oposto de Celestino. Nascido em 1888 na cidade italiana de Lecce, tinha um estilo de canto extremamente doce e sofisticado. Max Altman, um amante da música erudita que foi diretor do Teatro Municipal de São Paulo, descreveu como surpreendente o fato de que “um ‘tenor ligeiro’, como Schipa, tenha tido uma carreira tão longeva quanto frutífera, quando se inteira que era um cantor com demasiadas limitações vocais. Não possuía uma voz potente nem com tons musculares, tinha dificuldades com o floreado, não alcançava a emitir um dó de peito, faltava fundo a sua voz, e, ainda se fosse pouco, nem sequer contava com uma voz particularmente bela nem com potência. (…) Não obstante, é considerado um gênio. Seu instinto musical o colocou num lugar privilegiado da lírica mundial. Schipa, mais que nenhum outro cantor, soube tirar proveito de seus dons naturais, à base de engenho e inspiração, e criou um estilo original e personalíssimo de interpretação”.

O fato é que, em maio de 1941, Tito Schipa era uma astro internacional de primeira grandeza. Cantava em 11 idiomas diferentes, compunha canções em italiano e espanhol, havia gravado dezenas de discos, integrava o elenco da New York Metropolitan Opera e fazia enorme sucesso em nos EUA e em Buenos Aires. Poucos meses depois, tomou uma decisão desastrosa: voltou à Itália natal, onde tornou-se um artista de estimação do líder fascista Benito Mussolini. Embora tenha retornado à Nova York após o fim da Segunda Guerra Mundial, nunca mais fez o mesmo sucesso. Gravou pouco e dedicou-se ao ensino de música, até falecer em dezembro de 1965.

Na época Uberaba tinha 40 mil habitantes, a maior parte de baixo poder aquisitivo, muitos vivendo na zona rural. A decisão de pagar por uma uma apresentação de Schipa – que fazia uma temporada no Brasil – para cantar em uma casa de espetáculos no interior do País com mais de 1500 lugares, foi uma decisão arriscada da Empresa Cinematográfica São Luiz. Os ingressos foram vendidos a 20 mil reis, um bom dinheiro para a época. Não se sabe se a plateia lotou mas, segundo o escritor Guido Bilharinho, o evento teria dado prejuízo aos promotores. Uma ousadia que ficou imortalizada em bronze no saguão de um belo e histórico cinema, abandonado há décadas.


(André Borges Lopes)



Cidade de Uberaba

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

AEROPORTOS REGIONAIS

EDITORIAL (XIII)

Nos dias de hoje - e cada vez mais no futuro - não se justifica a existência de pequenos aeroportos em cidades pouco distantes umas das outras.

Por duas (objetivas e racionais) razões principais.

Primeiro, porque a cada vez mais potencialização e alcance das aeronaves não admitem - sem uma série de prejuízos - que atendam comunidades com pequenas distâncias umas das outras, tais e tantos os inconvenientes, desde os técnicos aos de manutenção, dispêndio de combustíveis e até de segurança com constantes decolagens. Descer e subir aviões em pequenas distâncias não é o mesmo que locomotivas pararem em estações ferroviárias.

Segundo, porque tais aeroportos domésticos têm-se mostrado altamente inconvenientes para as cidades que os abrigam, tanto por ocuparem grandes áreas urbanas com limitações de construções em largo entorno, como engessarem e impedirem o desenvolvimento pleno de bairros inteiros, impedindo, inclusive, que se façam ligações viárias dentro das urbes.

Na região do Triângulo, por exemplo, não se justifica mais a existência de aeroportos domésticos em Uberaba, Araxá, Uberlândia, Patos e possíveis outros.

A construção de aeroporto na área central do Triângulo, regional do ponto de vista de seu atendimento à população e simultaneamente internacional por seu raio de ação, constitui solução técnica, econômica, geográfica e urbanística para suporte equânime a toda a região.

Em consequência, a pretensão dessas cidades e de quaisquer outras em diferentes regiões de sediar nas proximidades ou em continuidade à sua malha urbana aeroporto nessas condições não se justifica, não passando geralmente de exacerbado bairrismo e de pretensões hegemônicas e de domínio regional. (Guido Bilharinho)


sábado, 21 de julho de 2018

Obras-Primas do Cinema Europeu


L’AGE D’OR

Choque de Imagens

Guido Bilharinho

Obras-Primas do Cinema Europeu

         Luís Buñuel (1900-1983) inicia sua carreira cinematográfica realizando, de plano, dois filmes básicos do cinema, ambos de vanguarda, ambos surrealistas, além de excelentes.

         A Idade do Ouro (L’Age d’Or, França, 1930) revela diretor forrado de ampla cultura humanística e artística e com perfeito domínio da linguagem cinematográfica.

         Tais atributos, à evidência, não são congênitos, mas, adquiridos com estudo, esforço e observação. Música, artes plásticas e imagens ligam-se na composição de obra cinematográfica elaborada com rigor, liberdade, ousadia e criatividade.

         Ao espetáculo opõe-se a arte; ao convencional, o insólito; ao compreensível, a alusão; ao contextual, o fragmentário; ao previsível, a surpresa; à restrição, a liberdade; ao explícito, o subtendido.

         A beleza das imagens e a perfeição pictórica dos enquadramentos respaldam temática trabalhada ao nível do significante (forma) e não apenas do significado (conceito). Este restringe-se a sentido único, atribuído e  perfilhado pelo autor, enquanto aquele permite várias leituras e direções. Se este não passa de revólver de um tiro só, aquele é verdadeira metralhadora giratória, espalhando petardos para todos os lados, excetuado, compreensivelmente, o do atirador. Buñuel é alusivo e não explicativo, fazendo com que o choque das imagens - mais do que sua simples sucessão - ao invés de desencadear fatos e acontecimentos, revele o imponderável das coisas tornadas ininteligíveis à mera abordagem convencional.

         Se não há liame perceptível entre a circunstância de uma vaca estar sobre uma cama e a face da personagem enamorada apresentar-se coberta de sangue e nem ao menos dê-se explicação para tais ocorrências, a questão é que esses  e outros fatos dimensionam a liberdade, quebrando drasticamente os limites estabelecidos  pela realidade da matéria, compondo um mundo surreal, indefinível e incontrolável como os sonhos.

         Esse inconformismo explícito contra restrições, impossibilidades e incapacidade física do indivíduo para atender a anseios e volições corresponde à liberdade imaginativa, intelectual e artística.

         Se há balizas - e estritas - à atividade humana, sejam as físicas, sejam as convencionadas e impostas pela estrutura social, que impedem a aventura e a livre locomoção, resta, como viabilidade - raramente aproveitada e, quando o seja, apenas por poucos artistas - a deflagração do pensamento, da imaginação e da criação artística, irrestritos por natureza e só passíveis de estreiteza e amesquinhamento pela deficiência particular do indivíduo, não da espécie.

         Se o ser humano normalmente é coarctado em concepções e realizações, o artista não o é, já que se utiliza da liberdade, faculdades e possibilidades que também lhe concede a condição humana. Um deles é Buñuel. Um de seus exemplos, L’Age d’Or.

______________
Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de literatura, cinema, estudos brasileiros, história do Brasil e regional.