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terça-feira, 17 de dezembro de 2019

O ITALIANO QUE MUDOU A FACE DA CIDADE

O que têm em comum em nossa cidade o sobradão da Câmara Municipal, a Santa Casa de Misericórdia, a velha Fábrica de Tecidos do São Benedito, os prédios do Senai/Fiemg, a capela do Colégio Nossa Senhora das Dores, a sede da Associação Comercial, o Asilo Santo Antônio e o Sanatório Espírita? Todos esses prédios – entre centenas de outros menos conhecidos – têm a mão daquele que foi o maior dos construtores que repaginaram a cidade de Uberaba na primeira metade do século passado: o imigrante italiano Santos Guido.

Santos Guido (de terno claro), Alfredo Sabino, José Mendonça e Odilon Fernandes
 em reunião do Rotary Club de Uberaba, 1963.Fotógrafo não identificado / Casa do Cinza

Nascido na pequena vila de Scigliano, na região da Calábria (a ponta da “bota” no sul da Itália) em outubro de 1889, Santos Guido chegou em Uberaba ainda muito jovem. Em 1913, com pouco mais de 20 anos de idade, foi um dos fundadores da Liga Operária local – provavelmente a primeira das iniciativas associacionistas que marcaram a sua vida em nossa cidade. “Oriundi” orgulhoso de suas origens, foi um dos fundadores (e primeiro presidente) do time de futebol Palestra Itália de Uberaba, em 1918. Nas décadas seguintes, trabalhou pela estruturação da Associação Comercial e da liga “Fratelanza Itália”. Foi ainda membro do Rotary Clube e da Loja Maçônica “Estrela Uberabense”.

Prédio em estilo Art Decó onde funcionava a carpintaria e o depósito de materiais de construção das Indústrias Santos Guido na década de 1930 (Praça Comendador Quintino, esquina com Rua Henrique Dias). Foto do Google, em julho de 2011.

Mas foi no ramo da construção civil que Santos Guido se destacou. Engenheiro e arquiteto autodidata, operário, marceneiro e dono de lojas de materiais de construção, Guido já era, no início da década de 1930, o mais renomado construtor da cidade. No triênio 1928-1930, mudanças no código de obras municipal haviam obrigado os proprietários a alterar as fachadas das edificações construídas defronte às ruas do centro. Saíam de cena as velhas casas coloniais, com os beirais dos telhados pendurados sobre as calçadas, para dar lugar às novas fachadas retas com platibandas decoradas. O historiador Hidelbrando Pontes atribui a Santos Guido “a introdução das ordens civis modernas” em nossa cidade: normas técnicas e urbanísticas que disciplinaram a construção civil.

Localização onde funcionou a serraria das Indústrias Santos Guido entre o início da década de 1930 e meados dos anos 1960. Trecho inicial da atual Avenida Odilon Fernandes.
Detalhe de planta da cidade elaborada por Gabriel Totti em 1956.

Em dezembro de 1934, o jornal Lavoura e Comércio dedicou uma matéria de uma página (escrita por um cronista que assinou apenas P. S.) sobre as empresas de Santos Guido. O construtor era dono de uma grande serraria – situada na baixada da atual avenida Dr. Odilon Fernandes, ao lado da praça da Concha Acústica – onde grandes toras de madeira de lei se transformavam em tábuas, caibros e vigas. Na esquina das ruas Martim Francisco e Henrique Dias, um elegante predinho em estilo “art déco” abrigava sua carpintaria e um depósito de materiais de construção. Na praça Rui Barbosa, quase defronte ao Paço Municipal, ficavam os escritórios. As empresas somavam uma centena de empregados e Santos Guido era o maior cliente da companhia de luz e força da cidade (o consumo só perdia para o da fábrica de tecidos, que dispunha de usina própria).

Matéria especial sobre Santos Guido, publicada na edição de 24/25 de 
dezembro de 1934 do jornal uberabense Lavoura e Comércio.

Perguntado sobre quantas casas havia construído até então, Santos Guido não soube responder. Dizia ele que ao menos um terço das casas do centro havia passado por suas mãos, na construção ou em reformas. E que nos dois terços restantes, certamente havia alguma madeira, cal ou cimento fornecido por suas lojas. Laços familiares ampliavam essa participação. Sua irmã, Rosina Guido, casou-se com outro importante empreiteiro italiano estabelecido em Uberaba: Miguel Laterza, um dos construtores da igreja de São Domingos.

Detalhe do caminhão das indústrias Santos Guido na Praça Rui Barbosa. Lavoura e Comércio, 24/12/1934

Santos Guido também foi, por décadas, o maior construtor de obras públicas do município e um inovador em diversos setores. Trouxe à cidade o primeiro caminhão pesado movido a óleo diesel (provavelmente um Fiat 642N italiano), introduziu um estilo de residências recuadas em relação à rua do tipo “bungalow” – um contraponto menos suntuoso aos antigos “palacetes” – e foi um dos entusiastas e construtores da primeira piscina pública de Uberaba: no clube da Associação Comercial, na rua Manoel Borges, inaugurada em janeiro de 1936.

Caminhão italiano pesado Fiat 642N fabricado no início dos anos 1930. Provavelmente, do mesmo modelo utilizado pelas indústrias Santos Guido, primeiro caminhão movido a óleo diesel de Uberaba.
Foto: Wikipedia

Um de seus filhos, João Guido, formou-se engenheiro na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. No final dos anos 1940, passou a dirigir a empresa – renomeada Santos Guido & Filhos – ao lado do pai. Duas décadas mais tarde, foi eleito prefeito municipal. Aliviado do cotidiano dos negócios, Santos Guido dedicou-se ao associativismo, à militância política e a obras de filantropia. Foi delegado local da Federação das Indústrias e presidente por vários mandatos do asilo Santo Antônio.

Embarque de gado zebu em um avião Curtiss C-46 no aeroporto de Uberaba em junho de 1948. Detalhe do caminhão das Indústrias Santos Guido & Filhos Ltda.
Foto de J. Schroden Jr.

“Santos Guido não tem seu nome ligado à história de Uberaba”, dizia P. S. na premonitória crônica de 1934. “Não venceu exércitos nem comandou legiões de eleitores. Mas fez mais do que isso. Fez casas para muita gente que hoje, metida dentro de quatro paredes confortáveis, nem sequer se lembra das mãos do artista que delas fez a planta, que as elevou e que sobre elas arranjou as telhas”. O construtor faleceu em 1982, pouco antes de completar 93 anos de idade. São raras as suas fotos e não consta que alguém tenha publicado sua biografia.

Palanque de recepção ao presidente Getúlio Vargas em maio de 1953, na praça Rui Barbosa. No canto direito superior, um detalhe dos escritórios das Indústrias Santos Guido no centro da cidade.
Foto do Arquivo Nacional.

(André Borges Lopes / uma primeira versão desse texto foi publicada na coluna "Binóculo Reverso" do Jornal de Uberaba em 24 de novembro de 2019. )

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sexta-feira, 19 de julho de 2019

CARTA ( ABERTA ) Á LUIZ GUARITÁ NETO – CODAU

Oi, turma !
(É gritante a diferença entre nobres e plebeus no Brasil...)


Caro Presidente, 

Acuso sua amável lembrança (uma esferográfica do CODAU). Obrigado. Transcrevo o bilhete que veio junto>-“Gonzaga, foi um prazer enorme ,ler o seu artigo sobre o meu pai. Concordo que ele foi especial. Leal, digno, honesto. Estas foram as “fortunas” que ele deixou para mim e Dulce. Minha gratidão por este reconhecimento. Luiz Neto”.

Aprendi com meus dois “gurus”, Netinho e Jorge Zaidan, os meandros que por vocação, iniciado desde tenra idade e pratico até hoje, a comunicação. Não fossem os exemplos deles, não sei se teria continuado na profissão .Netinho e Jorge, ofereceram-me a dádiva da sabedoria – pródigo nos elogios, parcimonioso nas críticas -! Lema que pratico, sem pestanejar. A verdade é o apanágio da informação. A dignidade do jornalista, está atrelada a verdade da noticia. Faltar com a verdade, subverter a crítica ou elogio, por ato desonesto, foge daquilo que com eles, aprendi. Souberam honrar a íngreme profissão que abraçaram , que este pobre pecador, com todos os vícios e e defeitos, procura praticar.

Saiba, Presidente, acompanho sua trajetória desde a infância. Talento, inteligência, trabalho e competência, nunca lhe faltaram. Fizeram “morada” no seu curriculum , caro “Alemão”. Bom de bola como o pai, preferiu os estudos. Fez bem. Vocação para a política, veio ao depois. Secretário de Hugo Rodrigues da Cunha, o “ pulo” à Prefeito, era inevitável ! Votei em Você, 2 vezes. Suplente de senador, não conheci o titular. Sei que está preso. Você, não! Sua formação moral, não permite. Como Prefeito, deu “alma nova”, produziu a auto=estima do uberabense.Ganhou muitos louvores.

Discordei e continuo discordando da infeliz decisão da mudança do aniversário da CIDADE de Uberaba. Alterar o “registro de nascimento” da santa terrinha, onde Você, eu, nossos familiares e amigos, nascemos, foi doloroso ! Que o levou a tão infeliz medida ? Dinheiro ? Não ! Você não precisa. Vaidade do cargo? Não acredito... Ingerência externa ? Não tenho como responder... Creia-me, Presidente, a alteração foi um erro histórico ! Uberaba, não merecia tal decisão !Envelhecer a cidade 36 anos ! Praquê?

Desculpe-me a petulância ! Errar é humano; persistir no erro.. .Poderia responder porque não ouviu a população? A imprensa não ter sido convidada a participar dos debates ? Não recorrer as pesquisas sérias de historiadores sérios da terrinha, Hildebrando Pontes, José Mendonça, Gabriel Toti, Edelweis Teixeira, Guido Bilharinho, ainda vivo e são ? Não levar em consideração o parecer da Assessoria Jurídica da Câmara Municipal ? Louvar-se tão somente numa “historiadora” do Arquivo Público municipal, titubeante até na sua explanação de motivos?

Você, Luiz Neto, não precisa dessa campanha fajuta e mentirosa de “ Uberaba-200 anos “. Sua popularidade, prestigio, credibilidade e trabalho, são seus grandes e verdadeiros trunfos ! Um pedido seu à Câmara municipal, à revogar a lei de 1994, que regrediu Uberaba a condição de FREGUESIA, isto é, CURRUTELA, não coaduna com os nosso foros de civilização e cultura. Uberaba, é uma das mais importantes cidades brasileiras pelo passado que preservou, pelo presente que ostenta, com alguns senões e um futuro promissor que nos aguarda!

O uberabense ficará eternamente agradecido se tomar tal medida. Dos céus, Ataliba Guaritá Neto e Jorge Zaidan, darão pulos de alegria e aqui na terrinha, esse humilde escriba, não comentará mais a aberração produzida.

Esse espaço está a sua disposição, caso seja a sua vontade em responder a minha sugestão. Uberabensemente o meu fraterno abraço. “ Marquez do Cassú".






Cidade de Uberaba


sábado, 8 de junho de 2019

Hildebrando Pontes e a descendência familiar

Uberaba, realmente é uma cidade que prima pelos contrastes, pela incoerência e falta de conhecimento histórico. Seus verdadeiros historiadores e políticos , vão “ do céu ao fundo mar”. Homens e mulheres responsáveis pela guarda da nossa memória-história , cometem “gafes” que o mais leigo observador da nossa santa terrinha, duvida. Uberaba, homenageia, hoje, com intensidade histórica, embora atrasada no tempo, neto e bisneta de um dos maiores nomes da literatura e história da cidade, o imortal Hildebrando Pontes.

Hildebrando de Araújo Pontes - Foto: Arquivo Público de Uberaba.

Hildebrando Pontes Neto, escritor e advogado brilhante, herdou do meu saudoso e querido amigo, Alberto Pontes, nome respeitado no foro jurídico brasileiro, a verve oratória do pai e o talento de escritor do avô. Alessandra Pontes Roscoe, jornalista e escritora de méritos, filha dos saudosos amigos Sérgio Roscoe e Romilda Pontes, a garra e o talento dos pais, avós e bisavô. Há anos, figuras de projeção em Belo Horizonte e Brasilia, lançam, na terrinha, seus novos livros. Será sucesso tenho absoluta certeza. O sangue literário esta impregnado na inteligência de ambos. “O Velho Carrossel” e a “Arvore Voadora” se juntam a outras obras dos autores. Eles herdaram do eminente e saudoso Hildebrando Pontes, a veia literária familiar. Uberaba, muito se orgulha da hereditariedade e dinastia brilhantes.

Embora com tardia homenagem a um dos seus filhos mais importantes, a Prefeitura de Uberaba, vai dar o nome de “Hildebrando Pontes” ao seu arquivo publico. Justiça, reconhecimento e valor, o legado de livros publicados sobre a historia da terrinha .”História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central “,” História do Futebol de Uberaba”,” Vida, Casos e Perfis”, são obras antológicas sobre a santa terrinha. Engenheiro agrônomo, editor da “Revista Agricola”, Vereador, Presidente e agente executivo, hoje, o cargo chama-se Prefeito, Hildebrando Pontes, não só escreveu, mas fez história.

A Ignorância histórica dos “historiadores” de Uberaba, se fez sentir em 1994 , quando num ato impensado, fora de propósito e com objetivos escusos, o então prefeito Luiz Guarita Neto, com a conivência da Câmara Municipal, presidida pelo vereador Ademir Vicente da Silveira, com a simples justificativa da funcionaria do APU, Aparecida , em obediência ao prefeito Luiz Neto, apresentou um relato duvidoso, sem citar os historiadores locais, Hildebrando Pontes, José Mendonça, Edelweis Teixeira e Guido Bilharinho, entre outros, apresentou projeto alterando o “registro de nascimento” da CIDADE de Uberaba, não citando em nenhum momento esses renomados historiadores, especialmente o grande Hildebrando Pontes.

Com o “parecer contrario” da douta Assessoria Jurídica da Câmara Municipal, os vereadores optaram pela simples “justificativa” da sra. Manzan, que não deve ter lido, pois, nem citou a obra de Hildebrando Pontes, que no livro “ História de Uberaba....”, à página 84, escreve sobre a “Freguesia de 2 de março de 1820” e à página 86, do mesmo livro, registra que “ Uberaba foi elevada a categoria de CIDADE, pela Lei no.759, e 2 de maio de 1856”. Teria sido ignorância histórica da sra. Manzan, ou má fé, ou coisa que o valha, do prefeito Luiz Guaritá Neto e votos favoráveis dos excelentíssimos senhores vereadores?

Por justiça e um preito de homenagem e gratidão àquele que, hoje, recebe o nome do nosso Arquivo Público, repositório da história de Uberaba e a civilização regional, é mais do que coerente, Uberaba retome o seu normal “ registro de nascimento” como CIDADE e apague, de vez, a conotação de Freguesia, que não representa a nossa realidade. Do seu sacratíssimo mausoléu, Hildebrando Pontes, ficaria eternamente grato.


Luiz Gonzaga de Oliveira



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Cidade de Uberaba

sexta-feira, 29 de março de 2019

Noite histórica

E a casa esteve com sua lotação esgotada na noite da última terça-feira, 26/03/2019. O lugar é a Academia de Letras do Triângulo Mineiro e as presenças foram de universitários representantes dos Diretórios Acadêmicos do IFTM, Fazu, Uniube, UFTM e seus renomados Mestres, além do Programa U+20 e da Diretoria de Turismo da Prefeitura Municipal de Uberaba. Soma-se o apoio do Museu do Zebu da ABCZ, representado por Thiago Ricioppo e Maria Goretti dos Santos, além da empresa Bela Vista Cultural, capitaneada pelo megaeditor Fábio Ávila. Foi uma noite histórica! 

Projetado para ser um evento simples por Carlos Mardegan, como deveras foi, algo beirou as raias do infinito, quando cada um dos presentes, todos amantes das letras, se identificaram com o pensamento do ambiente que era o de valorizar e oportunizar a afloração de suas escritas.

A Casa criada por José Mendonça, Edson Prata e Juvenal Arduini, lá nos idos de 1962, abre espaço para que a juventude se aproxime e almeje ocupar ali uma cadeira, quem sabe a minha (32), no momento oportuno. Em cada olhar, em cada semblante e postura vimos frente a frente jovens, cujas vidas e condutas diferem muito do que comumente assistimos. Usaram o coração e a sensibilidade quando Fábio Ávila chamou alguns deles à frente para declamarem poemas escritos por alunos do ensino médio. Vi lágrimas correrem naquelas faces.

O projeto de entrelaçar os Acadêmicos com estudantes de todos os níveis vem de longa data, porém, para levá-lo à materialização, reconheçamos, havia um caminho longo a percorrer. Com o advento da sede própria doada pela Universidade de Uberaba, esse caminho encurtou sobremaneira. E agora vamos percorrê-lo sempre, realizando eventos de natureza cultural.

A abordagem sobre o Arquivo Público de Uberaba, feita pela Superintendente Marta Zednik de Casanova, e os relatos de Paulo Fernando Silveira, em referência às suas obras, foram pontos de destaque com os quais a nossa Casa de Letras brindou os presentes. Ambos, na condição de Acadêmicos, enfocaram seus temas em nome da Academia.

Nosso Sodalício, como entidade cultural sem fins lucrativos, não tem muito a oferecer no campo material, entretanto, no imaterial seus alcances vão muito além do que as vistas alcançam. O que farão aqueles universitários com o que puderam interagir na data histórica de 26/03/2019 no seio da Academia de Letras do Triângulo Mineiro? Ali estavam vários “Machado de Assis”. Disso não tenho dúvidas. Basta que tenham “uma alavanca e um ponto de apoio”, segundo o sábio Arquimedes. A nossa ALTM sempre será essa alavanca e esse ponto de apoio.


João Eurípedes Sabino -Uberaba/MG/Brasil.

Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Cronista do Jornal da Manhã e Rádio Sete Colinas.


Cidade de Uberaba

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Advogados, autoridades da comarca e serventuários do Fórum de Uberaba

Advogados, autoridades da comarca e serventuários do Fórum de Uberaba

Advogados, autoridades da comarca e serventuários do Fórum
de Uberaba posam pra foto em 30 de janeiro de 1944
(Foto: Autoria desconhecida/Acervo José Mendonça)



quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

JOSÉ MENDONÇA


Dr.José Mendonça


Nasceu José Mendonça aos 19 de março de 1904, em Uberaba (MG), na Ladeira Brasil, hoje Rua Segismundo Mendes, casa número 42, então propriedade de sua tia e madrinha Ana Joaquina da Silva.

Seus pais, Mário de Mendonça Bueno de Azevedo e Tertuliana Cristina de Azevedo, casaram-se em Patrocínio (MG), onde ele exerceu a profissão de Promotor. Advogado provisionado, transferiu-se para Uberaba, exercendo aqui a profissão por mais de vinte anos.

Mário de Mendonça Bueno de Azevedo era natural de Cristina (MG). Era de nobre e distinta ascendência. Por parte de sua mãe, D. Júlia Drummond Furtado de Mendonça, descendia diretamente da preclara família Drummond, da Escócia, que deu reis ao país e pertencia a sua alta nobreza. Um dos seus membros veio para a Ilha da Madeira, onde se casou na família Furtado de Mendonça, uma das mais antigas e ilustres da Espanha e de Portugal, da qual provieram prelados, magistrados, homens de guerra, políticos, administradores, professores, homens de ciência, jornalistas. E estão no Brasil há mais de quatro séculos.

Pelo lado de seu pai, Francisco de Paula Bueno de Azevedo – administrador dos Correios de Minas, em Ouro Preto, pertencia Mário de Mendonça Bueno de Azevedo, aos Buenos, intrépidos bandeirantes paulistas, do tronco de Amador Bueno.

Entre os mais próximos parentes de Francisco de Paula Bueno de Azevedo, podemos citar Hipólito José da Costa Furtado de Mendonça, o fundador do famoso “Correio Brasiliense”, que se editou em Londres, para pugnar pela causa da nossa independência; os seus tios Lúcio de Mendonça, fundador da Academia Brasileira de Letras e Ministro do Supremo Tribunal; Salvador de Mendonça, também da Academia e nosso embaixador em Washington, os seus primos Jorge de Mendonça, conhecido pintor, Carlos Sussekind de Mendonça e Frederico Sussekind de Mendonça, professores e magistrados no Rio de Janeiro.

Tertuliana Cristina de Azevedo era de humilde família de Patrocínio, no Triângulo Mineiro – Marques Ferreira. Entre os parentes de Tertuliana Cristina, podemos citar os Drs. José Maria dos Reis e Fidélis Reis (filhos da tia avó Escolástica Marques Ferreira e do denodado bandeirante Fidélis Gonçalves dos Reis); Dom Almir Marques Ferreira, bispo; Frei Henrique Marques da Silva, dominicano; Dr. Obregon de Carvalho, professor de direito em Belo Horizonte; Cel. Emídio Marques Ferreira, advogado e uma das mais ilustres personalidades do Triângulo Mineiro e Desidério de Melo, que foi famoso jornalista e deputado estadual por esta região.

Jose Mendonça frequentou a escola do professor Joaquim Flávio de Lima, na praça Comendador Quintino e o Grupo Escolar Brasil.

Concluiu o curso primário na escola de D. Maria Áurea de Faria.

Em 1913, foi estudar no Ginásio Diocesano. Em 1920 e 1921 em São Paulo, no Ginásio Osvaldo Cruz, preparou-se para o ensino superior.

Em 1922, matriculou-se na Faculdade de Direito da Universidade do Rio de Janeiro, concluindo o curso em 1926.
Foi sócio Fundador da Academia de Letras da Faculdade e, foi sempre, representante da turma no diretório acadêmico.
Casou-se em 1930 com Maria Cunha Campos, tendo quatro filhos.

Iniciou sua carreira de advogado na cidade do Prata (MG), transferindo-se para Uberaba após 4 anos (1930), onde atuou com presteza como advogado e jurista, professor, historiador, jornalista, crítico literário, escritor, político, músico e servidor da comunidade.

Deixou duas obras inéditas: História das Américas e Ação Declaratória.

José Mendonça era irmão de Lúcio Mendonça de Azevedo, advogado, escritor e letrista que empresta seu nome ao “Palácio da Cultura Dr. Lúcio Mendonça de Azevedo.

Integrava na singular personalidade de Dr. José Mendonça a sabedoria do coração e da mente. Era dotado de inteligência rara, cultura incomum e alma extremamente sensível, que empregava na realização dos valores que considerava essenciais, como o trabalho, a retidão, a justiça individual e social, a promoção do homem e do meio social em que vive, o aperfeiçoamento pessoal, a humildade, a bondade, o desapego aos bens materiais, a solidariedade e o espírito de serviço.
Revelou toda a imensa sensibilidade de sua alma, ao escrever: “Só têm êxito, realmente, só triunfam na vida, os que são úteis aos seus semelhantes, os que contribuem pelo seu trabalho, pelos seus esforços, por sua generosidade, pelo seu idealismo, para a felicidade e o bom estar do seu próximo, os que cooperam para o aprimoramento espiritual, moral e material da humanidade, os que lutam pela paz, pela fraternidade, pelo direito, pela justiça. Assim, maior êxito tem o que mais serve. Só não vive em vão aquele que é útil ao seu próximo e à humanidade. Os homens mais nobres, os que em verdade vencem nesta vida, são os bons servidores.”

Sempre foi imparcial nos julgamentos e apreciações que fazia. Sua cultura histórica e seu discernimento crítico permitiam-lhe enxergar e sentir os fatos além das simples aparências e exterioridades, pelo que nunca adotou a posição cômoda das generalizações fáceis e precipitadas, considerando o mundo de sua época simplesmente atrasado ou avançado, bom ou ruim. Distinguindo o certo e o errado, aplaudia e estimulava o primeiro, condenava e censurava o segundo. Mas, dotado do profundo espírito construtivo, suas censuras e condenações eram invariavelmente acompanhadas de apelos e sugestões práticas, visando o abandono do erro, a correção das falhas, a mudança de idéias e de atitudes que estavam a comprometer o progresso e o bem estar da humanidade.

Apresentava inúmeras soluções, dependendo do setor de atividade que estava a examinar, o que torna impossível até mesmo a sua simples enumeração. Possível, contudo, apontar uma de suas sugestões básicas, um dos pontos de partida que reputava essencial na árdua caminhada dos homens em busca da paz e da felicidade.

Empolgado com a criação, na época, da Comunidade Européia do “Carvão e do Aço”, do “Mercado Comum”, e do “Euraton”, previa, a partir daí, a formação de “uma só Europa” e acenava, com esse acontecimento histórico, para que todos os povos lutassem sem trégua, sem descanso, obstinadamente, em busca da organização de “um mundo só”.
Muito escreveu sobre este ideal, enfatizando certa vez:

“E, porque não teremos também um mundo só? Hoje, as comunicações econômicas, sociais, culturais entre todos os povos são tão intensas e se fazem com tanta celeridade, que já podemos dizer que constituímos uma única família, a família humana. Por isso, as fronteiras deverão ser consideradas como comunicações e indicações de divisões administrativas. Não devem separar povos que não se compreendem, que não se auxiliem mutuamente, que tenham prevenções uns dos outros, que não se amam.

Como constituir “um mundo só”?

Todos os países abdicarão parte da sua soberania para a organização de um “Governo Mundial” que assegure a paz entre os povos, que resolva, em última instância, as divergências entre as nações, que promova a cooperação de todos, nos domínios da inteligência, da cultura, do trabalho, da economia. Esse “Governo Mundial” conseguirá, sem dúvida, transformar a terra num planeta livre de ódios, de intranqüilidades, de terrores, de angústia. Banirá a guerra, definitivamente.”
Amava a vida e satisfazia-se com pouco. Era trabalhador incansável, que pouquíssimas vezes saiu de férias, pequenas viagens pelo interior ou ao Rio de Janeiro e a São Paulo.

Alegre, expansivo, comunicativo, mas dentro dos limites da sobriedade.

Eram-lhe essenciais o convívio diuturno com sua esposa, que sempre teve como parte integrante e indissociável dele, o contato permanente com os filhos, o remanso do lar e a leitura.

Causavam-lhe viva alegria os encontros com os amigos que eram muitos. Apreciava a boa mesa e o bom vinho. Em tudo, era um simples.

Faleceu no dia 04 de junho de 1968, aos 64 anos de idade, em conseqüência de um enfarte do miocárdio.
Silenciou José Mendonça, mas permaneceu na saudade e no reconhecimento daqueles que o conheceram.
Foi um simples, humilde, teve o coração puro, possuiu a terra e chegou a Deus.


Fonte: Paolinelli, Sônia Maria Rezende. Coletânea Biográfica de Escritores Uberabenses. Uberaba (MG): Sociedade Amigos da Biblioteca Pública Municipal “Bernardo Guimarães”, 2009. 121 p