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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Discurso Pronunciado pelo Sr. Dr. José Mendonça, na solenidade programada pela Ordem dos Advogados do Brasil, em homenagem ao Dr. José de Souza Prata

Meritíssimos Juízes,

Prezados Colegas,

Dizem um adágio francês que quinze dias fazem de uma morte recente uma velha noticia.

Outro afirma que esquecimento cresce mais depressa nos corações dos homens do que a erva sobre os túmulos. 


Mas nós, Prata nosso amigo e nosso irmão, estamos aqui para dizer-lhe que por mais que passe o tempo continuaremos a vê-lo, nesta casa, que por mais de trinta anos você honrou e enalteceu pelo espírito, pela inteligência, pela cultura, pelo caráter, pela capacidade de trabalho e sacrifício pelo amor ao Direito, à Pátria e a Humanidade, representando o que temos de melhor e de mais puro em nossa própria civilização. 
 
  Dr. José de Souza Prata. (Foto do acervo pessoal da família Prata).
 ★1897 †1962

Estamos aqui, querido Prata para dizer-lhe que por mais que decorram os dias e os anos, continuaremos e senti-lo ao nosso lado, envolvendo-nos com o carinho de sua amizade, guiando-nos e orientando-nos com os exemplos perenes de seu reto procedimento, de suas preclaras virtudes morais e cívicas, de sua dedicação de todas as nobres causas humanas e patrióticas, iluminando-nos com as luzes de sua sabedoria.

Continuaremos, principalmente, a sentir as palpitações do seu grande coração, que tanto soube amar e sofrer, ungido de ternura e vibrando forte quando se tratava de lutar pela justiça , e que, por isso mesmo, não pode pulsar, neste mundo, por dilatado tempo, grande coração de advogado.

Você foi juiz e advogado. E, no exercício dessas profissões, um apóstolo do bem e da verdade.

Você creu, Prata na redenção espiritual e moral dos homens; na expressão romana do Direito, na expressão cristã da justiça e da bondade.

Creu no aperfeiçoamento da nossa espécie pela razão e pela fé: num mundo melhor, onde as gerações vindouras poderão viver libertas de todos os temores, cantando o hino da fraternidade, do trabalho e da paz.

Por isso você fez de sua vida um poema de amor ao Direito, à Humanidade e ao Brasil.

Você conquistou o respeito e o afeto de nossa gente, por sua prolongada atuação na luta pelo Direito; pela compressão profunda do dever: pela sua coragem que foi como um sopro divino, fazer justiça e em proclamar a verdade.

Juiz e advogado!

A sua vida, Prata, nosso amigo e nosso irmão, foi santificada pelo amor ao Direito.

Mas, você foi, também, professor.

Para ensinar, é preciso muito amar .

Ensinar! Que maravilha de altruísmo, de dedicações e de serviços encerra essa simples palavra!

Ensinar não é, apenas iluminar espíritos, redimindo-os das trevas da ignorância

Ensinar é plasmar caracteres e formar corações; é abrir às gerações, que começam a viver, os amplos e claros horizontes do saber, do trabalho, da alegria de existir para ser útil a família à, à pátria e Humanidade.

Ensinar é fazer compreender aos jovens que ninguém pode viver sem religião, sem honra e sem moral.

Ensinar é infundir no espírito dos moços a certeza de que os bens supremos , neste mundo, são os de ordem espiritual e moral, principalmente o Direito, a Justiça e a Liberdade.

Ensinar é ajudar a ser bom, pois, sem a bondade a vida seria insuportável.

Ensinar é transmitir aos outros alguma coisa do nosso próprio “eu”; é fazer com que uma chamado nosso ideal brilhe fulgure no espírito dos nossos semelhantes; é fazer com que nossa orquestra interior vibre, em sons maravilhosos.

Ensinar é formar homens.

E você querido Prata, foi um dos melhores professores de Uberaba, na Escola Normal e na Faculdade de Direito.

A sua escolha para paraninfo dos bacharéis do ano passado, em nossa Faculdade, é a melhor prova do que afirmo.

E centenas de jovens vão continuar, no tempo e no espaço, a pureza dos seu sentimentos, seguir as diretrizes de suas lições, as linhas restas dos seus propósitos, o grande, o imenso, o maravilhoso idealismo de bondade, de amor à justiça e ao dever, que aclarava a sua vida.

Centenas de moços estão hoje, elevando aos céus as preces mais comovidas, para que você encontre, no seio carinhoso de Deus, aquele mesmo e ardente amor que sempre dedicou à juventude.

Formador de caracteres plasmador de inteligências e de corações!

E você foi ainda, jornalista. Nunca a sua pena transformou em punhal do sicário, nunca feriu, nunca fraudou, nunca, direta ou indiretamente, levou o mal a quem quer seja.

Na contrário, ensinando, doutrinando, manifestando-se tão somente de acordo com os ditames da sã consciência, voltou-se, exclusivamente, aos interesses do bem comum, desdobrou-se era benefícios, fez esplender a beleza ensinou, confortou, encorajou, entusiasmou

Quantos espíritos iluminou, a quantos indicou o caminho da verdade, quantas almas confortou, quanto bem realizado!

Uberaba o abençoa pelos frutos de ouro das messes e das cearas opimas que fez crescer, das fecundas sementeiras, que espalhou!

Colega e amigo, Prata, nenhum melhor que você.

Porque não animava, apenas o sentimento das mais completa e absoluta lealdade.

Você se distinguia pela sua vontade de ser útil, de bem servir aos seus colegas, aos seus companheiros. E nos era viva, que era intensa a sua alegria, quando tinha a oportunidade prestar um serviço a qua quer que um de nós.

Eu mesmo, em momentos de dúvida, muitas vezes me dirigi a você, procurando as luzes da sabedoria e da experiência .

E via, logo, que você tinha prazer em me ajudar, em estudar comigo a matéria controvertida.

No seu grande coração, cabiam todos os seus colegas, todos os seu amigos, todos os seus companheiros.

Por isso, estamos aqui para dizer-lhe que em nossos corações, a sua presença será perene, você estará sempre vivo, na perenidade do nosso amor.

O pensamento de sua morte, Prata, nos trás pensamento de Vida.

à de sua morte, nos traz pensamento de melhoria, de purificação da nossa própria existência.

O pensamento de sua morte nos traz o pensamento de que a vida só vale como você a viveu, para a realização de nobres aspirações , que reduzem em benefício dos outros homens e aprimorem o nosso próprio espírito. O pensamento de sua morte nos faz considerar que devemos aproveitar esta vida, tão transitória , tão efêmera, para pelejarmos, como você pelejou , para que, um dia, todas as crianças sejam alegres e sadias e cresçam, sem temor do mundo e do futuro; para que todos os homens e todas as mulheres sejam felizes no trabalho, tenham um teto, alimentação, vestuário, livros, remédios educação; para que a pobreza, as misérias, as humilhações, as violências, as rapinas, as perseguições desapareceram da face da terra; para que todos os povos vivam em paz.

O pensamento de sua morte nos solicita a viver e lutar, como você viveu e lutou, pela razão , pelo direito, pela justiça, pela liberdade, pela fraternidade.

O pensamento de sua morte nos aproxima de Deus e nos renova a esperança de que viveremos, gloriosamente, mais felizes, num mundo melhor, onde você, com certeza, está vivendo.



“...ó carrilhões dos cismos

Tangei! Torres da fé vibrai os { nossos brados}

Dizei, sinos da terra, em {clamores supremos},

Toda a nossa tortura aos {astros de onde vimos, Toda a nossa esperança aos {astros aonde iremos”

Prata, amigo e irmão, vimos, hoje, trazer-lhes flores mais lindas que há no mundo; - as flores da amizade, do carinho e da ternura, nascidas no coração , para que ela, naquele mundo melhor, você as tenha perpetuamente ao seu lado, significado a perenidade do nosso Amor! 
 

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

O tradicionalismo das famílias em Uberaba

(Nada de novo surgirá na política se escolhermos sempre os mesmos...)

SÁBIO CONSELHO


O tradicionalismo das famílias em Uberaba, merece elogios. Estamos acostumados a reverenciar tradições. Respeitar dogmas, costumes, tudo que não fira ou atropele as famílias que tem na tradição, o seu maior tesouro. Uberaba, conhecem, é modelo nesse quesito. A ser apresentado a um respeitado “figurão” da terrinha, o jovem recebe, de cara, a indefectível pergunta:- “ Você é filho de quem ? A que família pertence ?”. Se o garoto tem raízes tradicionais, desfila o seu “ rosário” familiar . Se não pertencer a um dos clãs da cidade...

Estou a recordar uma família libanesa que chegou a Uberaba na metade dos anos 40, do século passado. A família Zaidan, ”seo” Habib, dona Salma e os filhos, Salim, João, Elias, Ramza, Jorge e Farah. Uma pequena estada em São Benedito da Cachoeirinha, se estabeleceu na doce e simpática Ituverava, paixão, até hoje, da exemplar família. O “velho” Habib, sabedoria árabe , notável experiência de vida, escolheu, com a aquiescência da família, transferir domicilio. A cidade escolhida, Uberaba, totalmente desconhecida dos filhos.

O natural desejo de crescimento, educação para os filhos , oportunidade de trabalho e estabilidade financeira, foram determinantes à mudança de vida, amigos e parentes que lá deixaram. Rua Vigário Silva, primeira morada . “Seo” Habib, experiente, pesquisou, sondou, maneiras, modo de vida e conduta dos uberabenses. Queria conhecer o comportamento, a tradição tão comentada dos uberabenses.

Certa tarde, reuniu os filhos na enorme sala de jantar. Com gestos, palavras e conselhos da milenar sabedoria árabe, foi falando:- “Filhos meus, estamos em terra estranha. Gente boa , mas, todo cuidado é pouco. Não quero ver e nem ouvir dizer, envolvido em nenhum tipo de briga. Uberaba, tem muita tradição familiar . É preciso ter muito cuidado com o que escreve, fala, discute, negocia. Afaste de qualquer desavença. Uberaba que escolhemos para morar, é´muito acolhedora. As famílias são muito ligadas”. Jorge, o filho do meio, quis saber mais detalhes. “Seo” Habib, continuou:

-“Filho meu, toma nota. Rodrigues da Cunha, é primo dos Borges. Borges, é cunhado dos Prata .Prata é casado com Oliveira, descendente dos Pena, aparentados dos Oliveira. Oliveira, casado com Marinho, aparentado dos Sabino, primo-irmão dos Freitas. Freitas é afilhado dos Adriano. Adriano é da família dos Machado.  tem filhos casados com os Rodrigues da Cunha e laços de parentesco com os Soares Azevedo, muito ligados aos Pontes...

Os ensinamentos e conselhos , dizia sempre o Elias Zaidan, “solteirão” da família, calhou de muita utilidade à família. Jamais um Zaidan, teve problema. Exceto João e Ramza, os outros casaram-se na terrinha e aqui fincaram raízes. Perpetuaram suas vidas incorporadas à santa terra . Os irmãos Zaidan, me adotaram como “irmão” que muito me honra e orgulha . Eles deixaram um legado de trabalho, seriedade e honradez.


(Luiz Gonzaga de Oliveira)


Cidade de Uberaba

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FAMÍLIA ZAIDAN

Elias Zaidan, era uma doce criatura. Dessas que não se esquece jamais. Corpo delgado e um gordo coração.Topete escuro na mocidade, viu chegar ao passar dos anos, rarear a cabeleira e a calvície, herança de família.Elias, nunca abdicou do vasto bigode que vivia a cofiar. Notívago no mais alto teor, amava a noite, a lua, as estrelas, a madrugada. Fosse feminino, Elias adorava. “Neca” do masculino, sol, mormaço, calor, detestava. Solteirão convicto. Apesar das escapadelas ) e que escapadelas!), nunca se comprometeu, seriamente, com “elas”. Fumante inveterado, alérgico ao álcool, o “dia” era para dormir. A noite para passear, andar, conversar, namorar, jogar cartas. Só fazia coisas que gostava.
A família Zaidan veio para Uberaba em 1944, atraída pela “onda” do zebu. Antes, uma pequena passagem por São Benedito da Cachoeirinha e, depois, para a inesquecível Ituverava, até hoje, a”!menina dos olhos “ de toda a família. Em Uberaba, morando na rua Vigário Silva,o casal Habib e Salma, reuniu os filhos, Salim, João, Elias, Jorge,Farah e Ramza, a única mulher. Na sala de jantar fez a advertência que os “meninos” nunca esqueceram:
-“Filhos meus”, disse em ar solene, gestos, palavras e a milenar sabedoria árabe, “estamos chegando em terra estranha, todo cuidado é pouco. Não quero vocês envolvidos em discussões estéreis. Uberaba é uma cidade de muita tradição, onde todas as famílias são parentes. Rodrigues da Cunha é primo de Borges. Borges é cunhado de Prata.Prata é casado com Cruvinel. Cruvinel é concunhado de Sabino. Sabino é primo-irmão de Freitas. Freitas é afilhado dos Cunha. Cunha faz parte dos Machado.Machado é primo dos Bento. Bento tem filho casado com Rodrigues da Cunha e com os Borges.Filhas dos Borges são casadas com os Castro. Castro é aparentado dos Domingos. Domingos que tem cunhado nos Rezende.Rezende, é sogro dos Assunçao que vieram do Prata, juntamente com os Andrade e os Melo, que tem filhos casados com os Caetano. Caetano que “entrou” nos Rodrigues da Cunha e aumentou a família…
A recomendação do árabe Habib Zaidan, valeu. Nunca um Zaidan brigou com ninguém.P.S.Se algum “forasteiro furou a rede familiar”, parabéns e felicidades eternas….

Luiz Gonzaga de Oliveira