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sexta-feira, 29 de março de 2019

Por que Quintiliano?

No dia 08/11/2016, em Belo Horizonte, vivi a honra insigne de tomar posse na Academia Municipalista de Letras de Minas Gerais, junto aos meus pares uberabenses: Ilcea Sônia Maria de Andrade Borba Marquez, José Humberto Silva Henriques e Luiz Gonzaga de Oliveira.

Dia memorável vivenciei na Casa de Cultura, presidida pelo também uberabense César Vanucci. Ali nos perfilamos junto a eminentes intelectuais mineiros e soubemos que por aquela egrégia confraria também passou Juscelino Kubitschek de Oliveira.

Cada ingressando teve a prerrogativa de indicar o patrono de sua própria cadeira, esse nascido e com exercício literário neste município. Prestei homenagem ao acadêmico Quintiliano Jardim (09/02/1881-09/10/1966), Príncipe dos Jornalistas do Brasil Central. Enumerei suas atividades no mundo da imprensa, lutas essas vividas num tempo em que a condução era o lombo de burros e ele mesmo levava o jornal “Lavoura e Commércio” (iniciado em 1899) aos rincões de Goiás, na antiga capital goiana. Passei pelos anos trinta, quando Quintiliano fundou a pioneira PRE-5 – ZYV-37 – Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro e a dirigiu por décadas. Seus filhos: George, Raul e Murilo Jardim prosseguiram com a obra de Quintiliano até 2003, quando o “Lavoura”, depois de 104 anos, encerrou suas atividades.

Quintiliano Jardim 

Do livro “Cinzas de sonhos”, escrito por Quintiliano com o pseudônimo de Flávio, extraí e declamei em plenário a trova que todo uberabense ama: “Uberaba de ontem, Uberaba de hoje! Das duas não sei qual quero mais; Se a Uberaba dos meus tempos de menino. Se a Uberaba dos meus dias outonais!”.

Dentre os dados que compilei sobre o meu combativo patrono, tenho as suas certidões de: Nascimento, Casamento e Óbito. Descobri que Quintiliano Jardim não nasceu em Ouro Preto ou Goiás Velha, como me afiançaram. Era uberabense nato e, não fosse a argúcia do colega jornalista João Camelo, teria perdido a vida num atentado. Como se constata, a missão de informar sempre custou caro.

Lembro-me de Quintiliano. Um homenzarrão elegante, que não desprezava o terno e sempre exalava o aroma do perfume Lancaster. Numa foto ilustrativa dos 60 anos do jornal (06/07/1959), cedida a mim pela amiga Dra. Ceres Mary Cunha, está ele com a postura do impecável jornalista, ciente de que os seus veículos informativos (rádio e jornal) cumpriam a missão importantíssima de ilustrar consciências no Brasil emergente, àquela época abarrotado de analfabetos. Sua luta foi árdua. Por que escolhi Quintiliano Jardim? Devemos-lhe gratidão.


João Eurípedes Sabino

Cidade de Uberaba

sábado, 25 de fevereiro de 2017

MINHA CIDADE


MINHA CIDADE 

( a propósito do pseudo aniversário de fundação de Uberaba )...

Perguntaram-me o por quê esse amor por Uberaba. –“Não sei”, respondi.-“Minha cidade é como se não fosse só minha.É ínfima doçura e me dá vontade de chorar como uma criança dormindo em sonhos e fantasias”... É a minha Uberaba , minha cidade, meu chão, minha paixão. Fora daqui, sou peixe fora ‘água, sinto-me no exílio e choro de saudade da terra amada. Se insistirem perguntar ,direi:- “-não sei a razão. Extrapola sentimento”. Confesso-lhes , não sei mesmo. Minha Uberaba , isso sim, eu sei: é a minha terra santa, sagrada terrinha, minha cidade, quase a minha Pátria !”.
Uberaba para mim é a luz, o sol, o sal,a água, o vento, a brisa, o vento que se tornam mais azuis quando os vejo, os sinto, esqueço as mágoas, longas e penosas mágoas, traições, ingratidões, maldades, maledicências, deslealdades, covardias...

Uberaba é a minha terra-mãe, que tenho vontade de beijar-lhe os olhos, passar as mãos nos seus longos e lisos cabelos, acariciar seu rosto sofrido, às vezes, em prantos de tantas maldades de seus filhos naturais e ou adotivos; mudar as cores do seu vestido, tão roto e mal tratado... 
Uberaba sem meias e sem sapatos, ruas esburacadas, praças mal iluminadas, trânsito conturbado, segurança tão insegura, doentes sem assistência, porque tanta pobreza, minha querida Uberaba !... e agora “aquela humilhante cerca na principal avenida da cidade!...

Mas, amo-a tanto,minha Uberaba, tanto, tanto... Mesmo que não tivesse Pátria, Estado, teria a minha cidade: eu que nasci do ventre de minha mãe, não do vento que assopra, de onde vou e nem venho, mas permaneço com o tempo sofrido e sôfrego.. Eu, elemento de ação, têmpera e temperamento , tenho pensamento,vontade,pois não vivo ao léo, já que tenho espaço, minha casa, minha família, meu lar, minha cidade !...

Apesar de todos os pesares, tenho fé, coragem, dogma e vontade de servir a minha cidade, mesmo ouvindo coisas que não precisava ouvir, lendo e vendo coisas tão desnecessárias...
Uberaba minha fonte de doces desejos ,de mel que entranha nos meus lábios, cidade amada !
Mal de esperança em futuro brilhante mesmo contra a vontade daqueles que a traem, aproveitam da sua misericórdia e bondade, ainda que machucado, ofendido, criticado, esqueço tudo. Fico calado, cego, mudo (nem sempre), estropiado, ainda assim, sempre defenderei “cara a cara”, “peito a peito”, “frente a frente”, poemas de glórias, horizonte sem fim, fé inabalável, tal qual o poeta “ príncipe dos jornalistas triangulinos”, Quintiliano Jardim, “Uberaba, não sei das duas quero mais
Se a Uberaba das minhas brincadeiras de criança
Ou a Uberaba dos meus dias outonais”...
Estou recolhido ao meu bloco...Entro em recesso. Até 4ª.feira de “cinzas”. “Marquez do Cassú”

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lavoura e Comércio

Diretores, funcionários, colaboradores e visitantes do jornal Lavoura e Comércio 

Fundado por pequenos e grandes produtores rurais que tinham algo em comum, eram contra o governo mineiro, por causa do fisco estadual. Resolvem fundar um jornal para ser o porta voz de seus interesses, o periódico Lavoura & Comércio, transformou-se em muito mais que um jornal,foi muito além, foi a expressão e o perfil de Uberaba e região, durante a passagem de 3 séculos distintos.
Antônio Garcia Adjunto, foi o primeiro diretor do Lavoura e Comércio. Em 1906, o jornal passa para a família Jardim. Os irmãos Francisco e Quintiliano Jardim, melhoraram ainda mais a linha editorial e ampliaram a abrangência do jornal para alem das fronteiras de Minas Gerais. Quintiliano Jardim dirigiu o Lavoura até sua morte, em 1966, passando para seus filhos George de Chirée, Raul e Murilo Jardim a direção. O Lavoura possuía então uma credibilidade tão grande que seu lema na época era, “Se o Lavoura não deu, em Uberaba não aconteceu”. Desde a fundação até aos quase 104 anos de existência, o jornal somente não circulou durante dois dias, na década de 1980, devido a uma greve dos gráficos.
Em 27 de outubro de 2003, a ultima notícia: “Após 104 de veiculação ininterrupta, o Lavoura & Comércio paralisa suas atividades por questões econômicas e financeiras”. O jornal outrora importante, que fora distribuído em diferentes cidades de diferentes estados, que vendeu milhares de exemplares, e que se constituiu em dos mais ricos arquivos brasileiros, estava fechado. Era o mais antigo jornal de Minas Gerais e o terceiro mais antigo do país ainda em circulação.
Foto/Acervo pessoal de Carlos Ticha (Comentarista e colunista esportivo)

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

CINEMA POLYTEAMA (RUA CORONEL MANOEL BORGES) UBERABA

Cinema Polyteama 
“O Cinema Polyteama foi inaugurado no ano de 1917, segundo a revista da época, Via Láctea; e jornais, citados por Heliana Angotti, dão notícias de que ainda em 1918, ele estava em pleno funcionamento.
‘O seu frontispício é digno de registro, na época, contíguo à requintada confeitaria de Antônio Damiani. Apresenta platibanda vazada em arcos com vasos nas extremidades e frontão central com apliques de estuque encimado por grande concha. As portas são encimadas por envazaduras de estilo Art Nouveau’. (SALGUEIRO, 1984, p.217). O Cinema localizava-se na Rua Cel. Manoel Borges.
Mesmo tendo vida breve, foi o querido do povo… ‘foi um dos cinemas que mais se perpetuou na memória popular’ (NABUT, [19–], p.59).
Em 13 de outubro de 1928 inaugurava-se o Cine Alhambra, na rua Artur Machado, provocando, assim, o fim do Cinema Polyteama.
Na década de 1980, o prédio permanecia com a mesma fachada, funcionando ali, o ‘Barracão do Samba’. Nessa mesma década, foi demolido para dar lugar ao prédio onde funcionaram as Lojas Brasileiras.”
(Arquivo Público de Uberaba)
“[…] onde funcionou o ‘Politeama’, de propriedade dos Senhores Antônio Damiani, Quintiliano Jardim, Sebastião Brás e Teobaldo Bossini.
Era, realmente, confortável e o nosso povo gostava de freqüentá-lo pois exibia os melhores filmes que vinham ao Brasil e tinha uma ótima orquestra.
Lá, também se realizavam festas e solenidades cívicas.
Todos lastimaram o seu desaparecimento.” (MENDONÇA, 1974, p. 136)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FUAD MALUF – UBERABA

Fuad Maluf, funcionário público municipal, tinha voz bonita e firme, típica de locutor de rádio.Fez teste na saudosa P.R.E.-5, sendo aprovado pelo sempre lembrado Raul Jardim, gerente e filho do dono da emissora, jornalista Quintiliano Jardim. A direção da emissora, estava à procura de alguém que pudesse apresentar o programa oficial do município, “Momento municipal”. Não deu outra. Funcionário da Prefeitura, Fuad Maluf, foi o escolhido. Boêmio, amante do tango, apaixonado pela noite, passou a apresentar , além do oficial, um programa que ficou famoso na radiofonia uberabense: “Melodias Portenhas” Lembrando os velhos tangos de Carlos Gardel, Marianito Mores, Miguel Caló, Alfredo Lepera, Libertad Lamarque e outro scobras do cancioneiro platino, entrecortava o programa, com crônicas e poesias “melosas” e apaixonadas que faziam o delírio da mulherada da rua São Miguel…Os 2 programas, tinham audiência absolutas, pois que, àquela época, só tinha uma emissora na cidade. , Um porém, já na década de 50, existiam os gozadores, os poucos aparelhos telefônicos não fugiam dos “trotes” e por aí. Gente que gosta va de um mal feito, sempre existiu. Certa noite, escolheram para a brincadeira de mau gosto, o nosso glorioso Fuad Maluf! A”coisa” aconteceu assim. “Melodias Portenhas” ia ao ar, das 22 às 23 horas. Mal iniciado o programa daquela indigitada 6ª.feira, toca o telefone chama pelo Fuad.-“Querido, aqui é a Dorinha. Vou contar-lhe uma novidade, acabei de ouvir na rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, o Papa morreu!”. Fuad, na ânsia de dar a noticia, dirigiu-se ao técnico Edson Lúcio Lopes, o “Edinho da Lidia Varanda”, esfregando nervosamente as mãos, contou a novidade.-“Edinho, capricha, prepara o gongo, coloca uma música fúnebre,pois vou noticiar a bomba”.Dito e feito. Edinho, sem pestanejar, cumpriu o pedido. –“Na hora que eu falar, bate o gongo e deixa a marcha fúnebre de fundo musical, ta certo?”
Microfone aberto, Fuad Maluf, pomposamente, voz empostada, anunciou-“E atenção senhoras e senhores! (toca o gongo)Acaba de falecer no Vaticano, Sua Santidade , o Papa PioXII! Aos católicos da nossa diocese, nossas sentidas condolências”. Diminui o fundo musical e retorna o gongo:pooooooom!
Foi a conta. O telefone da rádio.não parou de tocar. Os sinos da Catedral e das outras igejas da cidade, tocavam sem cessar. Os uberabenses foram às ruas, católicos chorando “ O Papa morreu”, “o Papa morreu”. Foi aquele Deus nos acuda. Os sinos dobravam !
No sábado, o desmentido. Tudo não passara de um “trote” maldoso no coitado do Fuad Maluf. O Papa continuava vivo e gozando de boa saúde…
À tarde, em editorial de primeira página, o “Lavoura e Comércio”, dono da P.R.E.-5, pedia desculpas aos ouvintes da emissora e leitores do jornal pela “gafe” cometida pelo seu funcionário…..


Luiz Gonzaga de Oliveira

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ESCOLA ESTADUAL QUINTILIANO JARDIM - UBERABA



QUINTILIANO JARDIM NASCEU EM UBERABA, NO FINAL DO SÉCULO XIX. UM AUTENTICO AUTODIDATA QUE DEDICOU SEUS ESCRITOS AO JORNALISMO UBERABENSE. FOI REDATOR, DIRETOR E PROPRIETÁRIO DO “LAVOURA E COMÉRCIO” ATÉ O ANO DE SUA MORTE EM 1966. O JORNAL TEVE 104 ANOS DE TRADIÇÃO E CREDIBILIDADE NA REGIÃO. COM CIRCULAÇÃO ININTERRUPTA DESDE 1899 ATÉ 2003, ANO DE SEU FECHAMENTO ERA O JORNAL MAIS ANTIGO DE MINAS GERAIS E O TERCEIRO MAIS ANTIGO DO PAÍS. QUINTILIANO CONTRIBUIU COM O CRESCIMENTO E ABRANGÊNCIA DO JORNAL QUE FOI FUNDAMENTAL PARA O RECONHECIMENTO DA CIDADE DE UBERABA. UMA DAS FORMAS DE HOMENAGEAR O JORNALISTA FOI DAR SEU NOME A UMA DAS MAIS RECONHECIDAS ESCOLAS DA CIDADE. INICIALMENTE A ESCOLA COMPLEMENTAR DE UBERABA LOCALIZAVA-SE NA RUA SÃO SEBASTIÃO E EM SITUAÇÃO PRECÁRIA. UM ANO DEPOIS, EM 1967 FOI ENTREGUE A ESCOLA UM PRÉDIO NA RUA OSVALDO CRUZ NO BAIRRO ESTADOS UNIDOS, LOCAL ONDE A ESCOLA FUNCIONA ATÉ OS DIAS DE HOJE. E A ENTÃO ESCOLA COMPLEMENTAR PASSA A SE CHAMAR ESCOLA COMPLEMENTAR QUINTILIANO JARDIM, POIS ERAM OFERTADOS CURSOS COMO CORTE, COSTURA, EDUCAÇÃO PARA O LAR, ARTES COMERCIAIS ALÉM DO ENSINO TÉCNICO. LOGO NA DÉCADA DE 70 ESSES CURSOS FORAM EXTINTOS, EXISTINDO SOMENTE OS CURSOS DE EDUCAÇÃO BÁSICA, E A ESCOLA PASSOU A SE CHAMAR ESCOLA ESTADUAL QUINTILIANO JARDIM.