Mostrando postagens com marcador Lavoura e Comércio. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lavoura e Comércio. Mostrar todas as postagens

sábado, 1 de fevereiro de 2020

UMA DAMA NA BARBEARIA

Já falamos aqui sobre os “anos dourados” da pecuária do zebu durante o início da década de 1940. Com os grandes países do mundo envolvidos numa guerra interminável, a demanda e o preço da carne bovina no mercado internacional foi às alturas.

Capa do jornal "Lavoura e Comércio" do dia 19 de abril de 1944

O governo brasileiro, por meio do Banco do Brasil, oferecia crédito fácil e barato a qualquer interessado em investir na criação de gado. O resultado foi uma “bolha especulativa” com o boi indiano: milhares de pessoas, muitas sem nenhuma familiaridade com o negócio, tomavam empréstimos ou aplicavam suas economias na criação de zebu, em busca de fortuna rápida. Como era de se esperar, o preço dos reprodutores disparou.

Um detalhe da foto de capa, tirada pelo fotógrafo Prieto.

De um momento para o outro, os pecuaristas do Triângulo Mineiro tornaram-se celebridades nacionais. A imprensa contava histórias e lendas sobre os novos milionários e seus touros transformados em verdadeiras minas de ouro. Dizia-se que, em Uberaba, havia estábulos com ar refrigerado – na época, um luxo que pouquíssimas casas dispunham – e que algumas reses tomavam banho com champanhe. Num tempo em que andar de avião era um sonho, divulgavam-se fotos de touros sendo transportados em aeronaves para fazer coberturas. Alimentando a fama, grupos de “zebuzeiros” fechavam bares e cassinos no Rio de Janeiro, em festas onde comentava-se que charutos finos eram acesos com notas de dólar americano.

Avenida Leopoldino de Oliveira, no final dos anos 1940. No canto esquerdo, o prédio da Associação Comercial, que tinha no térreo o Restaurante Ribamar.

Certamente havia excessos de novos-ricos deslumbrados com o dinheiro fácil, mas boa parte dessas lendas era simples invenção, ou exagero em cima de fatos reais. Houve, de fato, alguns casos em que reprodutores vendidos para regiões distantes do Brasil foram levados de avião – até porque eram poucas as opções de transporte. Mas a especulação com o preço dos animais gerou situações inusitadas. Algumas delas podem ser resgatadas nos jornais da época, como o velho “Lavoura e Comércio” de Uberaba.

Tantos eram os interessados na Exposição de Gado Zebu em 1944, que a SRTM solicitava à população que recebesse os visitantes em suas casas.

Em abril de 1944, a euforia estava no auge e nossa cidade se preparava para a abertura de mais uma Exposição. Eram tantos os interessados em conhecer “a Meca do Zebu” que os hotéis e pensões não davam conta. A Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, antecessora da ABCZ, publicou anúncios nos jornais pedindo às famílias uberabenses que se dispusessem a alugar quartos em suas casas para alojar os visitantes. No dia 19, o “Lavoura” estampou na capa uma grande notícia com direito a foto, onde se via uma jovem bezerra sendo atendida em uma barbearia no centro da cidade. E contava em detalhes a história.

O Salão Rex continua em funcionamento, mas desde os anos 1970 está na Galeria do Edifício Rio Negro. O cabeleireiro Vasco, veterano do estabelecimento, confirmou algumas das informações dessa história. Foto: divulgação Galeria Rio Negro

O criador José Campos, filho de uma família de fazendeiros da vizinha cidade de Veríssimo, contou que estava almoçando no restaurante Ribamar – na época um dos melhores da cidade, no lugar onde mais tarde funcionou o Bar Tip-Top – quando viu passar pela calçada da Avenida Leopoldino de Oliveira um homem conduzindo uma bezerra zebu. Largou os talheres, correu atrás do moço e disse que queria comprar o animal. O dono, José de Paula, relutou em vender – alegando que a havia ganho de presente, que a bezerra chamava-se “Boneca” e era criada em casa, como bicho de estimação. Mas não resistiu a um cheque de 10 mil cruzeiros oferecido pelo pecuarista.

Capa do jornal "Lavoura e Comércio" do dia 19 de abril de 1944

Criador experiente, José Campos achou que Boneca – uma Indubrasil bem puxada para o Gir – estava maltratada, que a aparência descuidada e os pelos longos escondiam suas boas qualidades. Sem muitas alternativas nas imediações, Campos levou a bezerra ao Salão Rex – tradicional barbearia que ficava na própria Av. Leopoldino, próximo à esquina da Rua Artur Machado, onde hoje há uma loja de celulares – e convenceu o proprietário Artur Riccioppo a “dar um trato” na menina. A cena foi flagrada pelo fotografo Prieto.

De banho tomado e com a toilette feita, Boneca despertou a cobiça de quem passava pelo local. Teve início na calçada um leilão improvisado, onde o novo proprietário teria “enjeitado” uma oferta de 40 mil cruzeiros pela nova estrela do seu plantel. “Boneca tem qualidades excepcionais” – dizia – “bem tratada, dentro de pouco tempo estará figurando entre as bezerras mais cotadas de região, e seu preço superará a casa dos 100 mil cruzeiros”. Para se ter uma ideia, com esse valor comprava-se na época um pequeno apartamento com vista para o mar no Rio de Janeiro.

Já no ano seguinte, com o fim da guerra e o corte nos financiamentos, a “farra do boi” terminou de forma trágica. O preço do gado despencou, inúmeros fazendeiros e investidores perderam tudo o que tinham e a classe dos pecuaristas passou uma década pendurada em dívidas e penhores – até conseguir um generoso perdão do governo em 1954.

(André Borges Lopes_Uma primeira versão desse texto foi publicada da na coluna "Binóculo Reverso”do Jornal de Uberaba, em 19/01/2020

segunda-feira, 16 de setembro de 2019

A VENDA DA TELEFÔNICA DE UBERABA

Oi, turma !


(Orgulho: É quando a gente é uma formiga e quer convencer os outros de que é um elefante...)

Uberaba já teve homens de brio, de grande valor. Políticos que se interessavam pela grandeza da cidade e não para encher os bolsos. Eméritos, destemidos, empreendedores, além de peritos inovadores, visando o crescimento da terrinha. A epopéia do zebu, foi um marco real . Nos negócios, relembro um pioneiro: Alexandre Campos. Dono de uma grande drogaria, moderna para a época, o cliente encontrava sempre o remédio procurado. Foi mais longe. Instalou a primeira empresa telefônica da região. Incipiente, dificuldades mil, mão de obra pouco qualificada, o máximo que a telefonia atingia fora de Uberaba, era Veríssimo ( 50 kms.). O tempo passando, Uberaba crescendo, Alexandre envelhecendo, esperando a morte chegar.

   Empresa Telefônica de Uberaba (ETUSA), na Rua Governador Valadares.

 Trecho entre a Avenida Doutor Fidélis Reis e Rua Artur Machado. Atual CTBC - Algar Telecom. Foto: J. Schroden. Década: 1940

Sylvio, José, Joaquim e Anita, os filhos, assumiram o comando das empresas. Pequenas, não suportava o sustento de todos eles. Joaquim, sempre doente. Sylvio, José e Anita, no comando. José e Anita, “bateram asas”, foram para São Paulo. Sylvio, ficou à frente do negócio. Educação esmerada, fino trato, cavalheiro, conduta séria e ilibada, doou-se, com amor, à empresa. Uberaba crescendo e com ela, aumentando as dificuldades. A telefonia, sem investimento, financiamento difícil, doenças na família, debilitaram o então forte Sylvio . José e Anita, juntaram-se novamente ao irmão em dificuldade. Numa reunião familiar, decidiram pela transferência da empresa. De preferência para um grupo empresarial da cidade.

                  ETUSA - Empresa Telefônica de Uberaba S/A.                 
Rua: Governador Valadares - Ano:1974
  
José, empatia mútua e o filho, Alexandre Neto, tornamo-nos bons amigos. A relação com Anita e Sylvio, leal e respeitosa. Encarregado por José, fiz contatos e visitas á diretores da Associação Comercial e Industrial de Uberaba. Disse aos uberabenses ricos, o desejo da família que o controle societário da empresa, ficasse com gente da terrinha. Ninguém se interessou. Um deles, que não declino o nome por respeito à família, foi lacônico:-“Jogar sal em carne podre, jamais !” . Relatei o fato a José. Foi a gota d’água. Autorizou-me o contato com Alexandrino Garcia, dono da CTBC, em Uberlândia.

Luiz Alberto, seu filho, meu colega de bancos escolares no Diocesano, gerente do grupo, levou a demanda ao pai. Alexandrino, adorava ser chamado de “Comendador”, comenda que havia recebido, não acreditou no que chegava aos seus ouvidos. Teria dito, segundo o filho, Luiz Alberto, “ não acredito que o José e a Anita, estão dispostos a desfazer da ETUSA (Empresa Telefônica de Uberaba)”. Em pouco tempo a transação estava consumada.

Empresários uberabenses, o “Lavoura e Comércio”, jornal porta-voz do município, ao tomarem conhecimento, “ caíram de pau”:- “Logo para Uberlândia ! É um absurdo vender um patrimônio desses! Já não basta o tanto que já levaram de Uberaba ? “. O “chororô” alvoroçou a cidade. Na rádio Difusora, onde trabalhava, não vacilei em contar toda a história. O pouco caso, a falta de interesse, o sarcasmo com que fui recebido, a essa altura de nada adiantavam os lamentos; a operação estava concluída. Não do jeito que a família pretendia...

Se tiver algum diretor da ACIU daquele tempo, vivo e que queira me contestar , estou às ordens e se precisar, invoco o testemunho do Dr. Luiz Alberto Garcia, “manager” da Algar- Telecom, vivo e são, em Uberlândia... Depois, alguns setores de Uberaba, ficam a lamentar o que perdemos... Amanhã, relembro mais conquistas importantes que tivemos. “ Marquez do Cassú”.


Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba


sexta-feira, 6 de setembro de 2019

Diálogos entre o deputado uberabense Fidélis Reis e o físico Albert Einstein através de cartas

Em 14 de março de 1930, o jornal uberabense Lavoura e Comércio anunciava o aniversário do célebre físico alemão Albert Einstein. Naquela ocasião, o jornal reproduziu a íntegra de uma carta do então deputado Federal Fidélis Reis enviada a Einstein anos antes. Em seguida, traz a carta de resposta do físico alemão ao deputado de Uberaba.

O aniversário de Albert Einstein. 

O deputado Fidélis Reis foi autor da “Lei Fidélis Reis” de 1927, que dava diretrizes ao Ensino Profissional no Brasil. Por meio desta lei foi edificado em Uberaba o Liceu de Artes e Ofícios, atual sede do Centro de Cultura José Maria Barra e entorno da Escola Profissional Fidélis Reis do Senai e a Fiemg.

História, ética e nacionalidade: a trajetória política do deputado federal Fidélis Reis na Primeira República.

É farta a produção historiográfica sobre a educação profissional, bem como estudos sobre pressupostos de nacionalidade que rodas de intelectuais e projetos políticos debatiam quanto à entrada de estrangeiros em solos brasileiros. Tais matizes abordam de forma secundária a trajetória política do deputado federal por Minas Gerais Fidélis Reis. Este artigo nasceu da percepção da importância que estes debates em evidência no cenário político e intelectual brasileiro nos finais da Primeira República, não foram profundamente estudados e carece de estudos futuros centrados na biografia do deputado Fidélis Reis, agente político preponderante no cerne destes assuntos em tal período.

Fidélis Reis - Foto: Superintendência Arquivo Publico de Uberaba.

Fidélis Reis nasceu em Uberaba/MG em 4 de janeiro de 1880 e faleceu e 29 de março de 1962 na mesma cidade aos 82 anos de idade. Formou-se em Agronomia, tendo se graduado na primeira e única turma do Instituto Zootécnico de Uberaba, em 1901. Prestou serviços à Diretoria-Geral de Povoamento, ligada ao Governo Federal em 1907, investigando secretamente na Argentina o serviço de colonização e imigração do governo argentino. A partir de então, sua experiência na Argentina por seis meses o despertou profundamente para o assunto da imigração que mais tarde como deputado federal iria defender. (SOARES, s/d. p. 103). Em seguida foi inspetor do Serviço de Povoamento Federal no Estado do Espírito Santo de 1907 a 1909. Em Belo Horizonte foi inspetor agrícola federal do 7° e 18° distritos nos anos de 1910 da Secretaria de Agricultura, Indústria, Terras, Viação e Obras Públicas. Na capital mineira foi eleito presidente da Sociedade Mineira de Agricultura e foi um dos fundadores da Escola de Engenharia de Belo Horizonte, nesta entidade lecionou ao longo de cinco anos e ganhou o título de professor honorário em 1961. (REIS, 1962 p. 123). 

Em 1912, Fidélis Reis foi a Europa para fazer novos estudos. Na França fez o curso de Ciências Físicas e Naturais na Sorbonne, seguindo posteriormente para Suíça e Itália. Na Itália esteve em Roma e prestou serviços ao governo brasileiro estudando planos para emigração de italianos ao Brasil. 

Dedicou-se à vida pública como Deputado Estadual e Federal entre os anos de 1919 e 1930. Foi um dos fundadores e primeiro presidente da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro – SRTM, atual ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu, entidade que congregou particularmente os pecuaristas uberabenses que se dedicavam à criação de gado indiano, conhecido como Zebu. Foi presidente da Associação Comercial e Industrial de Uberaba – ACIU, quando foi construída a sede da entidade, a Casa do Comércio e da Indústria. Participou da fundação e presidiu o Banco do Triângulo Mineiro. Também participou como co-responsável pela construção do Palácio do Departamento Regional dos Correios e Telégrafos de Uberaba. Reis escreveu os seguintes livros: País a Organizar; Política Econômica; Política da Gleba; Ensino Técnico Profissional; Homens e Problemas do Brasil e Problemas Imigratórios (REIS, 1962. p. 123). Manteve um intenso trabalho como articulista de vários jornais da época em que viveu.

Sua vida na política pública começou em 1919, sendo eleito para o cargo de Deputado Estadual do Estado de Minas Gerais e, no ano de 1921, para Deputado Federal por Minas Gerais, cargo para o qual foi reeleito até 1930 quando se deflagrou o processo da Revolução de 1930 e o seu mandato foi então extinto. Um de seus principais projetos na vida parlamentar foi a criação da lei que levou seu nome – Lei Fidélis Reis – instituindo o ensino profissionalizante de caráter obrigatório no país. Como parlamentar, esteve envolvido em projetos xenófobos e racistas na Câmara dos Deputados (FONTOURA, 2001 p. 145), contrários à imigração de japoneses e de negros afro-americanos vindos dos Estados Unidos para o Brasil. 

Segundo o historiador Manoel Jesus Araújo Soares, em 1926 vem à tona uma proposta estudada por Fernando Azevedo que previa que uma reforma educacional se fazia necessária à época no intuito de “prevenir as desordens sociais, formando nas classes dirigentes elites esclarecidas, competentes e responsáveis” (SOARES, 1995. p. 98). O propósito de tal proposta seria disciplinar uma “educação adequada as massas populares” como uma solução alternativa a uma possível ameaça que as população poderia oferecer as oligarquias dos anos de 1920. (SOARES, 1995. p. 98). Na contrapartida desta proposta, o deputado Fidélis Reis encaminhou em 1922 a Câmara Federal o projeto de lei que previa a obrigatoriedade do ensino profissional no Brasil, projeto que foi intensamente discutido entre os parlamentares e a imprensa da região do Triângulo Mineiro e nacional até sua aprovação em 1926. Na elaboração da proposta de lei, o deputado mineiro correspondeu com Albert Einstein e Henry Ford, homenageando o segundo num dos pavilhões do Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba.

Como dissemos acima, a Lei sancionada não cumprida. Sobre este aspecto o deputado fez o seguinte comentário em livros de memórias:

(...) desde a sansão da lei foi sincero o Presidente da República em declarar-me que não poderia executá-la de pronto, mesmo dentro do crédito votado, que era o primeiro a reconhecer insuficientemente para uma obra de proporções tamanhas. O Tesouro não suportaria nenhum ônus além das despesas estritamente orçamentárias. Além de que, a execução integral da lei reclamaria quantia não inferior a 400 mil contos, dizia o Presidente”. (REIS, Fidélis. 1962, p. 186).

Paralelamente, em 1926, a Lei da Consolidação das Escolas de Aprendizes Artífices, determinava o curso profissional de quatro anos para o primário e dois anos para o complementar. Foi prevista na consolidação a possibilidade de nove seções de ofícios:

- seções de trabalhos de madeira

- seções de trabalhos de metal

- seção de arte decorativa

- seção de artes gráficas

- seção de artes têxteis

- seção de trabalhos em couro

- seção de fábricas de calçados

- seção de fabrico de vestuário

- seção de atividades comerciais

Uma grandiosa obra fomentada pelo deputado Fidélis Reis, a construção dos edifícios que iriam compor o Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba projetado pelo arquiteto Ramos de Azevedo, contou com a contribuição financeira de inúmeros moradores do Triângulo Mineiro para sua construção, bem como recursos do governo federal e estadual, sendo inaugurado em 1928. O propósito de então deputado era que o Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba servisse de modelo experimental ao seu projeto de lei aprovado recentemente. Todavia, o Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba nunca chegou a funcionar de fato, pois inúmeros obstáculos insurgiram após sua inauguração, faltava apoio e recursos para o início dos trabalhos, e assim nos anos iniciais em suas dependências instalaram-se a Escola Normal de Uberaba, entendida como prioritária pelo governo federal, posteriormente nas mesmas edificações, funcionou o 4º Batalhão de Caçadores Mineiros. Apenas em 1942 que os sonhos do deputado Fidélis Reis esboçaram a possibilidade de se concretizarem, exatamente quando se criou o SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, entretanto, apenas no ano de 1948 o SENAI ocupou as dependências do idealizado Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba com a presença na inauguração da Escola de Aprendizagem Fidélis Reis do então presidente da República, marechal Eurico Gaspar Dutra.

Um outro aspecto que Fidélis Reis discute quanto às propostas para ensino técnico-profissional no Brasil foi quanto à criação da Universidade do Trabalho. Este assunto foi pautado em intensas discussões em quase toda História da Educação no Brasil durante o século XX. De 1922 até o final do século dez iniciativas dessa natureza (PRONKO, 1997 p. 37). Contudo, o debate quanto ao assunto ganha bastante fôlego nos anos de 1940 a 1950. 

A primeira proposta sobre a Universidade do Trabalho nasce nos anos de 1920, em meio a um contexto conveniente em que pudesse contribuir para “obtenção da harmonia social, propiciar a racionalização do processo produtivo e formar mão-de-obra necessária ao crescimento industrial” (PRONKO, 1997 p. 39). Nesse sentido se questionavam o modelo de educação superior praticado no Brasil e o modelo voltado para a formação técnico-profissional. Contudo, poderíamos dizer que este assunto vai assumir a força necessária nos anos de 1930 a 1940, pois os objetos “educação e trabalho” recebem amplo apoio como política de Estado.

Dos projetos de criação de instituições desse modelo no Brasil, de 1930 a 1955, duas correntes tiveram bastante relevância no contexto, apesar da Universidade do Trabalho ter sido um projeto fracassado. A primeira proposta foi de autoria do belga Omer Buyse, de 1934, e a segunda de Humberto Grande, 20 anos depois. Omer Buyse tinha formação em engenharia na Bélgica e participou efetivamente na criação da Universidade do Trabalho de Charleroi (Bélgica) em 1902. Segundo Pronko, Fidélis Reis foi introdutor desta proposta no Brasil, e o próprio Fidélis Reis sugeriu ao governo contratar Buyse para realizar estudos sobre a possibilidade de instalação desta proposta no Brasil, com a finalidade de articular modalidades de ensino profissional. Mediante essa situação, surgiu a proposta de criação de três universidades do Trabalho no Brasil, que foi entregue ao governo brasileiro em 1934.

A proposta de Buyse em anteprojeto foi fundamentada num conjunto orgânico, cujo papel era centralizar nas instituições de ensino superior a relação com cursos das instituições de ensino técnico de nível médio. Foi previsto na estrutura acadêmica da criação destas instituições a formação em diversas áreas que abrangeria o campo do trabalho industrial e o apoio às atividades de extensão e à indústria. O projeto de Buyse foi enviado ao governo brasileiro em 1934; contudo não foi efetivado pelo então ministro da Educação Gustavo Capanema e assim, foi arquivado. Em outro momento, provavelmente nos anos de 1940, Fidélis Reis comentava sobre este assunto da seguinte maneira, 

O Brasil deve tomar a sério seu ensino, de modo geral, desde o primário-ginásio, de grau médio, universitário e técnico de grau superior. Seu futuro está intimamente ligado à eficiência desse ensino no qual já emprega enormes quantias. Impõe-se uma revisão na federalização das universidades estaduais para que sejam conservadas uma em cada Estado, dividindo à União os compromissos com eles, para que o ensino seja uma realidade e não simples ficção, distribuindo diplomas que nada significam. Há grandes necessidades de técnicos no Brasil, neles está profundamente interessada à indústria que, por iniciativa própria, nas organizações do SENAI, instrui com muito cuidado operários e mestres. Por que não conjugar esforços, de modo a levar mais alto essa colaboração como hoje se faz nos Estados Unidos e em outros países. (REIS Fidélis (In.) recortes Lavoura e Comércio Caderno do Liceu de Artes e Ofícios, sd. n/p.). 

É importante ponderar outras ações que o deputado Fidélis Reis tivera na Câmara dos Deputados, principalmente as que tolhiam a imigração de certos elementos considerados como “inferiores”. Entusiasta de ideais de branqueamento de raças em projetos xenófobos e racistas Fidélis Reis foi contrário à vinda de levas de imigrantes afro-americanos dos Estados Unidos para o Brasil, além de se colocar absolutamente contrário à imigração de japoneses para cá. Porém, era favorável a ações que estimulassem a imigração de europeus, a fim de justificar a tese de branqueamento dos brasileiros, baseado principalmente nas implicações racistas de Gobineau (FONTOURA, 2001 passim). 

Um bom exemplo da resistência que houve no Brasil contra a entrada de imigrantes entendidos como grupos de “indesejáveis” é o estudo feito por pelo historiador norte-americano Jeffrey Lesser (LESSER, 2001). No Brasil em 1891, foi proibida pelo governo a entrada de imigrantes nativos da África e da Ásia. Em 1907, foi criada uma legislação que revogou a entrada da imigração japonesa, havendo, entretanto forte resistência à entrada de árabes da África do Norte e de chineses. 

No ano de 1921, houve um vasto incentivo difundido na imprensa da época sobre a entrada de agricultores norte-americanos no Brasil, para isso foi prometido crédito de longo prazo, passagens e concessões de terras no Mato Grosso. Neste sentido foi criada a “Brasilian American Colonization Sindicate” – BACS, mas algo deu errado na negociação diplomática para vinda destes “esperados” imigrantes dos Estados Unidos da América, foi exatamente quando se descobriu que se tratava de negros norte-americanos, ou seja, mandar indesejados da América do Norte para a América do Sul que aqui também não seriam bem vindos, foi algo que criou um relativo mal estar entre as relações diplomáticas entre os dois países. A partir de então o Itamaraty negou vistos a todos os membros da Companhia, enviando mensagens confidencias a consulados dos Estados Unidos no Brasil, explanando qual era o tipo de imigrantes se pretendia introduzir no Brasil. Naquela época havia um tratado de imigração entre os dois países que foi questionado pelo governo norte-americano, haja vista que este tratado dava ao povo estadunidense o direito de se estabelecer livremente no Brasil, independente de raça, etnia ou religião. Questionado pelo governo dos EUA, sobre tal procedimento, o Itamaraty justificou que a política imigratória brasileira não poderia ser questionada sobre assuntos que envolveria a soberania nacional. Esse assunto também foi muito discutido por nossas autoridades políticas, entre estes podemos citar Fidelis Reis como um dos deputados que mais se dedicou ao assunto, sendo que este propôs em projeto no legislativo federal o impedimento da entrada dos negros norte-americanos. Em plenária em 1923 o deputado Fidélis Reis disse: 

Quando então pensamos na possibilidade próxima ou remota da imigração do preto americano para o Brasil é que chegamos a admitir a eventualidade da perturbação da paz no continente. ... O nosso preto africano, para aqui veio em condições muito diferentes, conosco pelejou os combates mais ásperos da formação da nacionalidade, trabalhou, sofreu e com sua dedicação ajudou-nos a criar o Brasil. ... O caso agora é iminentemente outro. E deve constituir para nós motivo de sérias apreensões, como um perigo iminente a pesar sobre nossos destinos. (disponível em: http://www.interney.net/blogs/lll/2008/07/16/os_defeitos_dos_negros_americanos_histor/. Acesso em 15 mar. 2008). 

Numa de suas falas na Câmara Federal o deputado discursa: “(...) Além das razões de ordem étnica, moral, política, social e talvez mesmo econômica, que nos levam a repelir in limine a entrada do povo preto e do amarelo”. Mais a frente faz referência à questão do branqueamento da seguinte maneira: “(...) que é o ponto de vista estético e a nossa concepção helênica da beleza jamais se harmonizaria com os tipos provindos de semelhante fusão racial.” (DIÁRIOS da Câmara). Num artigo do Jornal do Brasil, Fidélis Reis comenta sobre quanto considerava negativo o convívio de dois mil imigrantes japoneses à integração e desenvolvimento da comunidade de Conquista, no Triângulo Mineiro. 

Os japoneses vivem completamente separados dos brasileiros e dos demais estrangeiros que ali residem e não compra coisa alguma senão nas lojas e nas vendas de que são donos os seus patrícios. (...) A presença em conquista, portanto, de 2000 japoneses não chega a produzir um movimento comercial que produziram 100 imigrantes de qualquer outra nacionalidade. Há ainda um aspecto que não deixa de ser muito interessante e de grande valor para questão social: os japoneses, quer pelos seus nomes, muito difíceis para serem retidos pelos nossos homens, quer pela fisionomia, muitos parecidos uns como os outros, não podem ser distinguidos pelos brasileiros e pelos estrangeiros pertencentes as outras raças. Recentemente deu-se em Conquista um fato que vem em relevo os perigos resultantes desta falta de diferenciação: um japonês entrou em uma luta corporal com um caboclo e matou com uma facada. O assassinato foi testemunhado por várias pessoas que não lograram prender imediatamente o assassino ele misturado com os seus patrícios. Pois bem chegaram as autoridades policiais não pode o criminoso ser preso... Por não ser possível as testemunhas distinguir entre japoneses, qual o que tinha cometido o crime. E assim ficou impune o criminoso. (JORNAL DO BRASIL. s/d. s/p.). 

Avaliamos que estudos biográficos se tornam significativos em muitas linhas historiográficas da atualidade, esses aspectos evidenciam num plano mais amplo meios para encontrar argumentos que possam relacionar histórias de vida com a construção do cotidiano e do imaginário. Nesse sentido, é notável que muitos aspectos podem se revelar sobre o biografado. “O ser humano existe somente dentro de uma rede de relações” (BORGES, 2006 p. 222). Um estudo biográfico sobre Fidélis Reis profundo revelará avaliações sobre a história das idéias, “os condicionamentos sociais ao qual o mesmo estava submetido, grupo ou grupos em que atuava e todas as redes de relações pessoais que constituíam o seu dia-a-dia” (BORGES, 2006 p. 222). 

Bibliografia: 

BORGES, Vanvy Pacheco. Fontes biográficas: grandezas e misérias da biografia. IN: PINSKY, Carla Bassanezi. Fontes Históricas. São Paulo: Contexto, 2006. 

CUNHA, Luiz Antônio. Ensino Industrial manufatureiro no Brasil. São Paulo: Revista brasileira de educação, mai-ago, n°14. Associação Nacional de Pós-graduação e pesquisa em Educação. 

_____. O Ensino de Ofícios Artesanais e manufatureiros no Brasil Escravocrata. Ed. UNESP, São Paulo, 2000. 

FONTOURA, Sônia Maria. A invenção do inimigo: Racismo e Xenofobia em Uberaba 1890 a 1942. 2001. Dissertação. (Mestrado em História). Universidade Estadual Paulista "Julio de Mesquita Filho", Franca, 2001. 

PRONKO, Marcela Alejandra. (Dissertação de mestrado). A universidade que não aconteceu: uma análise das propostas de criação da Universidade do Trabalho no Brasil, nas décadas de 30 a 50. Niterói: UFF, 1997. p. 37. 

LESSER, Jeffrey. A Negociação da Identidade Nacional. São Paulo: Unesp, 2001. 

REIS, Fidélis. Homens e Problemas do Brasil: Rio de Janeiro: José Olympio Editora, 1962. 

_____. A Política Econômica. Rio de Janeiro: Revista dos Tribunais, 1921. 

____. A política da Gleba: falando, escrevendo e agindo (1909-1919). Rio de Janeiro: Casa Leuzinger, 1919. 

____. Dois discursos. Belo Horizonte : Sociedade Mineira de Agricultura, 1917. 

____. O século XX, tempo das dúvidas: do declínio das utopias às globalizações. Rio de Janeiro: Civilização brasileira, 2000. v.3 

_____. Paiz a organizar. Rio de Janeiro: A. Coelho Branco, 1931.
_____.O problema immigratório e seus aspectos éthnicos na Câmara e fora da Câmara. Rio de Janeiro,1924. SOARES, Manoel Jesus Uma Nova Ética do Trabalho nos Anos 20 – Projeto Fidélis Reis Série Documental/RelaRelatos de Pesquisa n. 33. Universidade Santa Úrsula, 1995.

SKIDMORE, Thomas. Preto no branco. Rio de Janeiro, Paz e Terra. 1976.


Thiago Riccioppo, especialista em História do tempo presente pela Universidade de Franca – UNIFRAN; professor na Universidade Presidente Antônio Carlos – UNIPAC/UBERABA; historiador do Conselho do Patrimônio Histórico e Artístico de Uberaba - CONPHAU de 2005 a 2009.



Cidade de Uberaba


segunda-feira, 19 de agosto de 2019

CENA DE SANGUE NUM CABARET DAS MERCÊS

A edição de domingo, dia 2 de agosto de 1936, do jornal “Diário Carioca” do Rio de Janeiro destacava na capa a cena escandalosa de um crime passional: “A Tiros e Machadadas Abateu as Rivais!”, dizia a manchete em letras garrafais. Para, em seguida, completar, “Trágica ocorrência em um cabaret de Uberaba. O marido infiel provocou a cena de sangue e desapareceu”. A ilustrar a notícia, um desenho recriando o momento fatal: uma jovem, vestindo um pesado casaco, dispara seu revólver contra um homem e duas mulheres sentados em uma mesa de bar, coberta por garrafas vazias. Na outra mão da assassina, uma pesada machadinha.

A matéria não é assinada. O jornal cita como fonte um anônimo correspondente em nossa cidade. O qual narra a história com dedicação de jornalista literário adiante do seu tempo. Segundo ele “as mulheres já desistiram de pertencer ao sexo fraco (...) ainda ontem, entre a dolência de um tango e a estridência de um fox, uma representante do sexo feminino virou em ‘frege’ um cabaret do bairro alto das Mercês, só pelo simples fato de estar seu esposo querido divertindo-se ‘inocentemente’ com algumas bailarinas daquela casa de boemia”. E contava em detalhes o enredo: o marido José Amâncio farreava em um “dancing” enquanto sua mulher Maria Amâncio passava a noite fria em vigília. Ensandecida pelo desrespeito do amado, a esposa tomou um carro e foi à casa de diversões. Viu no fundo do salão – em companhia das bailarinas Latif Facur e outra de apelido Mulata – o marido José, que “entregava-se a uma orgia desenfreada”.

Recorte do jornal “Diário Carioca" - Rio de janeiro, domingo, 2 de agosto de 1936.

"Diário Carioca" com a notícia do assassinato das mulheres no fantasioso Cabaret.
Maria, ensandecida pelo ódio, dirigiu-se à mesa. Tirou das vestes um revólver “fazendo-o vomitar toda sua carga contra as duas mulheres”. Em seguida, avançou com a machadinha sobre José, “que amedrontado foge, abandonando o campo de luta”. A esposa, então, despejou sua ira sobre as rivais, mutilando os cadáveres a machadadas. Para, em seguida, entregar-se aos guardas que acorreram à cena do crime. Uma história pronta para se tornar letra da canção “Ronda”, que o paulistano Paulo Vanzolini só iria compor em 1953. A partir do “Diário Carioca” a notícia foi reproduzida em jornais de todo o Brasil. Bárbaro desfecho da vingança de uma mulher honesta ofendida.

Vamos então em busca dos mesmos fatos nos arquivos do saudoso “Lavoura e Comércio”. E descobrimos que, ao menos na versão do sóbrio vespertino uberabense, as coisas não correram bem assim. A edição de sábado, 1º de agosto, traz na capa a notícia do crime, “A obra dementada do ciúme”, que teria acontecido à luz do dia, e não de madrugada. O marido infiel não era José Amâncio, mas sim seu irmão Benedito – de quem José era sócio em um comércio na praça Dom Eduardo, esquina com a Rua Cassu. Já a esposa traída, Maria Cristina de Souza, “possuidora de temperamento exageradamente emotivo” e de “um lar feliz” – ao menos no entender dos redatores – “enveredou pelos caminhos tortuosos do crime, esquecida de que a sua maior e única glória é a mansuetude, a permanência devotada dentro do lar”.

Descobre-se ainda que a suposta “bailarina” Latif Palis Facur seria, na verdade, uma viúva – residente na Rua Barão de Ponte Alta e mãe de duas meninas – que, há anos, mantinha um caso amoroso com Benedito. Num tempo de dificuldade para os amores clandestinos, a dupla encontrava guarida para seus encontros furtivos na residência de outra viúva: a costureira Francisca Teixeira de Carvalho, de apelido “Mulata”, dona de uma casinha modesta na rua 15 de Junho, no alto das Mercês. Não se sabe se alguém contou ou se Maria Cristina descobriu por conta própria as travessuras do esposo. O fato é que, no início da tarde de quinta-feira, 30 de julho, Maria viu Latif Facur passando demoradamente defronte à loja da praça. Em seguida, o marido saiu, alegando que ia visitar um amigo doente.

Com sede de vingança e armada com um revolver, Maria saiu atrás. Perdeu Benedito de vista perto do campo do Uberaba Esporte mas, já conhecedora de seus segredos, dirigiu-se à alcova da rua 15 de Julho. Lá chegando, não perguntou nem discutiu: matou com três tiros a dona da casa que lhe abrira a porta. Latif, que estava acompanhada por uma das filhas, tentou refugiar-se na cozinha, mas teve igual sorte. Não encontrando o marido infiel, Maria fugiu da cena do crime e foi se esconder em uma fazenda, entregando-se à polícia alguns dias depois. No jornal uberabense, sequer é mencionada a tal machadinha. Para os dias de hoje, pouco mais que um crime banal, em cenário modesto. Que transformou-se em luxuoso enredo de samba-canção na imprensa carioca, por obra e graça de um redator criativo.


(André Borges Lopes)

sábado, 6 de julho de 2019

Jornal Lavoura & Comércio

“Se o Lavoura não deu, em Uberaba não aconteceu"

Fundado por pequenos e grandes produtores rurais que tinham algo em comum, eram contra o governo mineiro, por causa do fisco estadual. Resolvem fundar um jornal para ser o porta voz de seus interesses, o periódico Lavoura & Comércio, transformou-se em muito mais que um jornal,foi muito além, foi a expressão e o perfil de Uberaba e região, durante a passagem de 3 séculos distintos.

Antônio Garcia Adjunto, foi o primeiro diretor do Lavoura e Comércio. Em 1906, o jornal passa para a família Jardim. Os irmãos Francisco e Quintiliano Jardim, melhoraram ainda mais a linha editorial e ampliaram a abrangência do jornal para alem das fronteiras de Minas Gerais. Quintiliano Jardim dirigiu o Lavoura até sua morte, em 1966, passando para seus filhos George de Chirée, Raul e Murilo Jardim a direção. O Lavoura possuía então uma credibilidade tão grande que seu lema na época era, "Se o Lavoura não deu, em Uberaba não aconteceu". Desde a fundação até aos quase 104 anos de existência, o jornal somente não circulou durante dois dias, na década de 1980, devido a uma greve dos gráficos.

Em 27 de outubro de 2003, a ultima notícia: "Após 104 de veiculação ininterrupta, o Lavoura e  Comércio paralisa suas atividades por questões econômicas e financeiras”. O jornal outrora importante, que fora distribuído em diferentes cidades de diferentes estados, que vendeu milhares de exemplares, e que se constituiu em dos mais ricos arquivos brasileiros, estava fechado. Era o mais antigo jornal de Minas Gerais e o terceiro mais antigo do país ainda em circulação.


Prédio que abrigou o jornal Lavoura e Comércio. Foto: Ricardo Prieto. Ano: 2003.


Prédio que abrigou o jornal Lavoura e Comércio. Foto: Ricardo Prieto. Ano: 2003.


Equipe de distribuição do Jornal Lavoura & Comércio. Ano: 1968.

Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba



sexta-feira, 28 de junho de 2019

O facínora Manoel Prego

A pesquisa histórica em jornais antigos envolve riscos. Sempre que o noticiário trata de fatos de natureza político-partidária, é preciso tentar desvendar os interesses e motivações de cada um dos que escrevem – o que nem sempre é fácil para quem está distante das paixões e complexidades da política local de cada época. A complicação se torna maior quando as questões políticas migram para o noticiário policial. Informações prestadas por autoridades policiais, investigadores, promotores, advogados e réus devem sempre ser vistas com ressalvas, já que há inegáveis interesses envolvidos. Na mais branda e legítima das hipóteses, é usual que autoridades divulguem informações falsas ou incompletas, com o intuito de não atrapalhar investigações em curso. Nas piores situações, as falsidades podem ter o objetivo de confundir o leitor e proteger criminosos.

Um exemplo dessas situações ocorreu no Triângulo Mineiro, em meados da década de 1930, quando as disputas políticas entre adversários e apoiadores dos governos de Getúlio Vargas e seu interventor estadual Benedito Valadares eram exacerbadas. Na cidade de Ituiutaba, uma das personalidades de grande destaque era o Cel. Pedro de Freitas Fenelon, que havia apoiado Getúlio na revolução de 1930 e participado ativamente dos combates contra o levante paulista de 1932. Três anos mais tarde, a disputa política continuava quente. Pedro Fenelon era líder do Partido Progressista e oficial do Registro Civil em Ituiutaba. Às nove da noite do dia 13 de outubro de 1935, ele deixava o fórum da cidade quando foi abatido a tiros de revolver no meio da rua, por um assassino que fugiu do local.

A morte causou grande comoção em Uberaba, onde Fenelon tinha parentes e amigos. Desde logo, suspeitou-se de crime com motivações políticas. Benedito Valadares nomeou para as investigações o delegado Oswaldo Machado, de Belo Horizonte, que veio para o Triângulo com plenos poderes. Um mês após o crime, a imprensa divulgava que o delegado estava no encalço de um matador de aluguel de nome Manoel Prego, suspeito de ser o executor do crime.

Em dezembro, o jornal uberabense Lavoura e Comércio divulga que Machado havia apreendido na região de Ituiutaba um enorme arsenal de armas de guerra, inclusive metralhadoras. Poucos dias antes, fora sufocado em diversas cidades do país um levante de militares simpatizantes do Partido Comunista (a chamada “Intentona”), mas a polícia garantia que as armas pertenciam a Manoel Prego que, de mero pistoleiro, havia sido elevado à categoria de “chefe de terrível quadrilha de salteadores”. Dois dias depois, o Lavoura publicou sem destaque uma carta contestando a informação: invocando o testemunho das autoridades policiais de Ituiutaba, os remetentes afirmavam que o arsenal havia sido apreendido nas casas e fazendas de apoiadores do finado Pedro Fenelon, entre eles o prefeito Jaime da Luz.

Foi preciso um ano de perseguições para que a polícia pusesse as mãos no terrível Manoel Prego. Em 9 de dezembro de 1936, o assassino foi surpreendido nas cercanias de Santa Rita do Paranaíba, Goiás, “em residência da horizontal Ana Cataloa”. Apesar da surpresa e da situação constrangedora, Manoel – um negro alto e forte – teria oferecido “terrível resistência” à captura, só se entregando depois de baleado. Na delegacia, confessou uma série de crimes praticados em cidades do noroeste paulista, Triângulo mineiro e sul de Goiás. Contou em detalhes o assassinato de Pedro Fenelon, que teria sido praticado a mando de um respeitável adversário político local, o Sr. Tobias Gomes Junqueira, pela quantia de dois contos de reis. Disse ainda ser amigo de vários fazendeiros da região, que lhe ofereciam abrigo em troca de serviços.

Seu verdadeiro nome era Manoel Eduardo de Andrade, um pistoleiro de aluguel que atuava sozinho. Considerado de alta periculosidade, foi transferido por questões de segurança para a Penitenciária de Uberaba. No final de março de 1937, foi levado a Frutal a pedido do Juiz de Direito local para depor em um processo. Poucos dias depois, detido na cadeia local, teria tentado fugir e acabou baleado e morto pelos policiais de plantão. Levou consigo os segredos dos crimes e seus mandantes. Da “terrível quadrilha” e das armas de guerra apreendidas, ninguém mais deu notícias.


(André Borges Lopes)



Fanpage:  https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

O Jornal Lavoura e Comércio

  Fachada do jornal Lavoura & Comércio.


Da historiadora e superintendente do Arquivo Público de Uberaba, Marta Zednik de Casanova, recebi o release que apresento a seguir:

“O Jornal Lavoura e Comércio foi fundado em 1899. A última edição do Jornal circulou em 23 de outubro de 2003, quando teve seu imóvel lacrado em virtude de falência da empresa. A coleção é composta de 227 volumes (27.550 edições) e 900 mil fotografias. O jornal é centenário e de grande valor histórico para Uberaba e região. É considerado o jornal mais antigo de Minas Gerais e o terceiro mais antigo do Brasil. Em 26 de novembro de 2013 o Prefeito de Uberaba Paulo Piau, sensível às questões culturais e sociais viabilizou o arremate do acervo jornalístico e fotográfico no valor de R$ 180.000,00 (cento e oitenta mil reais). Isso significa uma grande conquista para Uberaba e região. A Superintendência de Arquivo Público receberá o acervo procedendo ao seu restauro e a digitalização e disponibilizando-o para consulta aos historiadores, pesquisadores, instituições de ensino e comunidade uberabense, fortalecendo assim o direito pleno à cidadania no que se refere à Lei de Acesso a Informação”. Posso dizer, sem medo de errar, que essa foi melhor notícia cultural sobre Uberaba que recebi no ano de 2013 até aqui.

Lembro-me da tristeza que abateu sobre os filhos de Uberaba aqui residentes ou alhures quando no dia 23/10/2003 cerraram as portas daquele matutino nascido a 06/07/1899. Mário Prata, nosso conterrâneo e colunista do Estadão, me fez ir às lágrimas com a crônica “Fecharam o Lavoura e Comércio”, que para mim foi um epitáfio.

Lembro-me também da reunião promovida pelo Fórum Permanente dos Articulistas de Uberaba e Região nas dependências do Lavoura e Comércio no dia 08/04/2005, com o intuito de reerguê-lo. Ali assinamos um manifesto nos seguintes termos: 1º-“As edições existentes em arquivo, representam e encerram inapagável passado histórico, cuja preservação cabe a todos nós. Para tanto, conclamamos nossas autoridades a voltarem suas atenções ao ACERVO que ora visitamos, reconhecendo com isso o importante papel desempenhado pelo jornal LAVOURA E COMÉRCIO na vida nacional”. Infelizmente não fomos ouvidos pelas autoridades  da época, cujos nomes estão na história como omissas.

Hoje vemos o resgate do jornal em benefício da cultura que, me permitam dizer, é como se eu estivesse desmemoriado e encontrasse o remédio capaz me devolver a memória.

Aos que lutaram para ver de volta o arquivo histórico do nosso Lavoura e Comércio; e aos que cruzaram os braços também, nada mais pertinente do que lhes dedicar a trova do jornalista Quintiliano Jardim: “Do mundo nada se leva / Além do bem que se faz / Riqueza, orgulho e vaidade / Tudo fica para trás”.  


João Eurípedes Sabino  

Fachada do jornal Lavoura & Comércio - Uberaba

  

  Fachada do jornal Lavoura & Comércio.
Foto: Ricardo Prieto      
 

O jornal Lavoura & Comércio foi um jornal brasileiro, fundado em 6 de julho de 1899 que circulou ininterruptamente até 27 de outubro de 2003.  
                                                                                                                                                   
                                                                                                     





domingo, 8 de janeiro de 2017

Fachada do jornal Lavoura e Comércio

Fachada do jornal Lavoura e Comércio


O jornal Lavoura e Comércio foi um jornal brasileiro, fundado em 6 de julho de 1899 que circulou ininterruptamente até 27 de outubro de 2003.
Prédio que abrigou o jornal Lavoura e Comércio – repórter-fotográfico
Enerson Cleiton poucos dias antes da demolição.


sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Lavoura e Comércio

Diretores, funcionários, colaboradores e visitantes do jornal Lavoura e Comércio 

Fundado por pequenos e grandes produtores rurais que tinham algo em comum, eram contra o governo mineiro, por causa do fisco estadual. Resolvem fundar um jornal para ser o porta voz de seus interesses, o periódico Lavoura & Comércio, transformou-se em muito mais que um jornal,foi muito além, foi a expressão e o perfil de Uberaba e região, durante a passagem de 3 séculos distintos.
Antônio Garcia Adjunto, foi o primeiro diretor do Lavoura e Comércio. Em 1906, o jornal passa para a família Jardim. Os irmãos Francisco e Quintiliano Jardim, melhoraram ainda mais a linha editorial e ampliaram a abrangência do jornal para alem das fronteiras de Minas Gerais. Quintiliano Jardim dirigiu o Lavoura até sua morte, em 1966, passando para seus filhos George de Chirée, Raul e Murilo Jardim a direção. O Lavoura possuía então uma credibilidade tão grande que seu lema na época era, “Se o Lavoura não deu, em Uberaba não aconteceu”. Desde a fundação até aos quase 104 anos de existência, o jornal somente não circulou durante dois dias, na década de 1980, devido a uma greve dos gráficos.
Em 27 de outubro de 2003, a ultima notícia: “Após 104 de veiculação ininterrupta, o Lavoura & Comércio paralisa suas atividades por questões econômicas e financeiras”. O jornal outrora importante, que fora distribuído em diferentes cidades de diferentes estados, que vendeu milhares de exemplares, e que se constituiu em dos mais ricos arquivos brasileiros, estava fechado. Era o mais antigo jornal de Minas Gerais e o terceiro mais antigo do país ainda em circulação.
Foto/Acervo pessoal de Carlos Ticha (Comentarista e colunista esportivo)

Classificados do Jornal Lavoura e Comércio

Classificados do Jornal Lavoura e Comércio

Uberaba, quinta-feira, 10 de dezembro de 1953 – Pag. 4.
( Enviado por Cássio Dos Santos Júnior)


Classificados do Jornal Lavoura e Comércio

Classificados do Jornal Lavoura e Comércio


Uberaba, quinta-feira, 10 de dezembro de 1953 – Pag. 4.
( Enviado por Cássio Dos Santos Júnior)

CLASSIFICADOS DO JORNAL LAVOURA E COMÉRCIO

Classificados do Jornal Lavoura e Comércio


Uberaba, quinta-feira, 10 de dezembro de 1953 – Pag. 4.
( Enviado por Cássio Dos Santos Júnior)

Raul Jardim e a jornalista Ana Luiza Brasil

Raul Jardim e a jornalista Ana Luiza Brasil

"Essa foi uma das minhas milhares e felizes manhãs, na sala do meu pai no Jornalismo, mestre Raul Jardim, quem me norteou pelo caminho… e a quem eu rendo todas as minhas homenagens…

FOTO tirada por Ataliba Guaritá Netto, o Netinho, registrando o nosso ambiente de trabalho, no Jornal Lavoura e Comércio de Uberaba, em novembro de 1980…"

(acervo jornalista Ana Luiza Brasil)

Sanatório Espírita de Uberaba


Década de 1930

“Em 1927 os espíritas começaram a pensar na possibilidade de se fundar um hospital psiquiátrico em nossa cidade. Aos 06 dias de janeiro de 1928, foi procedido o lançamento da pedra fundamental, em terreno situado à Rua José Clemente Pereira, 42, no Bairro Estados Unidos.
A inauguração se deu no dia 31 de dezembro de 1934. Posteriormente, o mesmo foi ampliado com a construção de grandes muros, entre outros melhoramentos. O hospital está em pleno funcionamento. “(Arquivo Público de Uberaba)

Em 05 de janeiro de 1928, o jornal “Lavoura e Comércio” noticiou o lançamento da pedra fundamental para a construção de um hospital de caridade para dementes, nesta cidade, iniciativa de um grupo de espíritas.
O Sanatório seria construído em terreno situado no Bairro Estados Unidos, próximo à Praça Carlos Gomes.
Enquanto houve verba, a construção progrediu rapidamente. Porém, assim que esgotada, as obras tiveram um ritmo lento e se arrastaram por 6 anos, até que, finalmente, foram concluídas, graças aos donativos arrecadados entre os seguidores da doutrina de Alan Kardec, da população desta cidade e das cidades vizinhas.
O Sanatório Espírita de Uberaba foi construído para o tratamento de doentes pobres, de moléstias não contagiosas, principalmente os que perderam a “luz da razão”.
Desta forma, além do caráter filantrópico, o Sanatório Espírita se prestaria também a uma importante missão social, retirando os cidadãos que, pela loucura, não poderiam mais estar no convívio da cidade, pois poderiam comprometer a segurança das outras pessoas.
Sua inauguração se deu aos 31 de dezembro de 1934.
Uma grande multidão se aglomerou no local. Estavam presentes representantes dos jornais locais, do Diário de São Paulo, Diário da Noite, Estado de São Paulo, Correio da Manhã, além de representantes dos municípios de Uberlândia, Araguari, Araxá, Sacramento, Belo Horizonte e Franca.
O discurso foi feito pelo orador oficial, Professor João Augusto Chaves, do Centro Espírita.
Tocaram no evento a Corporação Musical Uberabense e mais duas orquestras.
Ao término da solenidade, o prédio foi aberto à visitação. Fonte de Pesquisa: BILHARINHO, José Soares.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

FUAD MALUF – UBERABA

Fuad Maluf, funcionário público municipal, tinha voz bonita e firme, típica de locutor de rádio.Fez teste na saudosa P.R.E.-5, sendo aprovado pelo sempre lembrado Raul Jardim, gerente e filho do dono da emissora, jornalista Quintiliano Jardim. A direção da emissora, estava à procura de alguém que pudesse apresentar o programa oficial do município, “Momento municipal”. Não deu outra. Funcionário da Prefeitura, Fuad Maluf, foi o escolhido. Boêmio, amante do tango, apaixonado pela noite, passou a apresentar , além do oficial, um programa que ficou famoso na radiofonia uberabense: “Melodias Portenhas” Lembrando os velhos tangos de Carlos Gardel, Marianito Mores, Miguel Caló, Alfredo Lepera, Libertad Lamarque e outro scobras do cancioneiro platino, entrecortava o programa, com crônicas e poesias “melosas” e apaixonadas que faziam o delírio da mulherada da rua São Miguel…Os 2 programas, tinham audiência absolutas, pois que, àquela época, só tinha uma emissora na cidade. , Um porém, já na década de 50, existiam os gozadores, os poucos aparelhos telefônicos não fugiam dos “trotes” e por aí. Gente que gosta va de um mal feito, sempre existiu. Certa noite, escolheram para a brincadeira de mau gosto, o nosso glorioso Fuad Maluf! A”coisa” aconteceu assim. “Melodias Portenhas” ia ao ar, das 22 às 23 horas. Mal iniciado o programa daquela indigitada 6ª.feira, toca o telefone chama pelo Fuad.-“Querido, aqui é a Dorinha. Vou contar-lhe uma novidade, acabei de ouvir na rádio Mayrink Veiga, do Rio de Janeiro, o Papa morreu!”. Fuad, na ânsia de dar a noticia, dirigiu-se ao técnico Edson Lúcio Lopes, o “Edinho da Lidia Varanda”, esfregando nervosamente as mãos, contou a novidade.-“Edinho, capricha, prepara o gongo, coloca uma música fúnebre,pois vou noticiar a bomba”.Dito e feito. Edinho, sem pestanejar, cumpriu o pedido. –“Na hora que eu falar, bate o gongo e deixa a marcha fúnebre de fundo musical, ta certo?”
Microfone aberto, Fuad Maluf, pomposamente, voz empostada, anunciou-“E atenção senhoras e senhores! (toca o gongo)Acaba de falecer no Vaticano, Sua Santidade , o Papa PioXII! Aos católicos da nossa diocese, nossas sentidas condolências”. Diminui o fundo musical e retorna o gongo:pooooooom!
Foi a conta. O telefone da rádio.não parou de tocar. Os sinos da Catedral e das outras igejas da cidade, tocavam sem cessar. Os uberabenses foram às ruas, católicos chorando “ O Papa morreu”, “o Papa morreu”. Foi aquele Deus nos acuda. Os sinos dobravam !
No sábado, o desmentido. Tudo não passara de um “trote” maldoso no coitado do Fuad Maluf. O Papa continuava vivo e gozando de boa saúde…
À tarde, em editorial de primeira página, o “Lavoura e Comércio”, dono da P.R.E.-5, pedia desculpas aos ouvintes da emissora e leitores do jornal pela “gafe” cometida pelo seu funcionário…..


Luiz Gonzaga de Oliveira

sexta-feira, 30 de dezembro de 2016

ESCOLA ESTADUAL QUINTILIANO JARDIM - UBERABA



QUINTILIANO JARDIM NASCEU EM UBERABA, NO FINAL DO SÉCULO XIX. UM AUTENTICO AUTODIDATA QUE DEDICOU SEUS ESCRITOS AO JORNALISMO UBERABENSE. FOI REDATOR, DIRETOR E PROPRIETÁRIO DO “LAVOURA E COMÉRCIO” ATÉ O ANO DE SUA MORTE EM 1966. O JORNAL TEVE 104 ANOS DE TRADIÇÃO E CREDIBILIDADE NA REGIÃO. COM CIRCULAÇÃO ININTERRUPTA DESDE 1899 ATÉ 2003, ANO DE SEU FECHAMENTO ERA O JORNAL MAIS ANTIGO DE MINAS GERAIS E O TERCEIRO MAIS ANTIGO DO PAÍS. QUINTILIANO CONTRIBUIU COM O CRESCIMENTO E ABRANGÊNCIA DO JORNAL QUE FOI FUNDAMENTAL PARA O RECONHECIMENTO DA CIDADE DE UBERABA. UMA DAS FORMAS DE HOMENAGEAR O JORNALISTA FOI DAR SEU NOME A UMA DAS MAIS RECONHECIDAS ESCOLAS DA CIDADE. INICIALMENTE A ESCOLA COMPLEMENTAR DE UBERABA LOCALIZAVA-SE NA RUA SÃO SEBASTIÃO E EM SITUAÇÃO PRECÁRIA. UM ANO DEPOIS, EM 1967 FOI ENTREGUE A ESCOLA UM PRÉDIO NA RUA OSVALDO CRUZ NO BAIRRO ESTADOS UNIDOS, LOCAL ONDE A ESCOLA FUNCIONA ATÉ OS DIAS DE HOJE. E A ENTÃO ESCOLA COMPLEMENTAR PASSA A SE CHAMAR ESCOLA COMPLEMENTAR QUINTILIANO JARDIM, POIS ERAM OFERTADOS CURSOS COMO CORTE, COSTURA, EDUCAÇÃO PARA O LAR, ARTES COMERCIAIS ALÉM DO ENSINO TÉCNICO. LOGO NA DÉCADA DE 70 ESSES CURSOS FORAM EXTINTOS, EXISTINDO SOMENTE OS CURSOS DE EDUCAÇÃO BÁSICA, E A ESCOLA PASSOU A SE CHAMAR ESCOLA ESTADUAL QUINTILIANO JARDIM.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2016

CHICO XAVIER E ROBERTO CARLOS EM 2 DE JANEIRO DE 1973 EM SHOW BENEFICENTE.




Notícias do Lavoura e Comércio: Em 1973 destacava-se numa mesma página do diário dois entre importantes símbolos da memória de Uberaba – Chico Xavier e o Zebu


A semana passada Uberaba foi destaque por duas importantes notícias que tomaram conta do noticiário da imprensa mineira e nacional, um foi a inauguração do Memorial Chico Xavier e a entrega da Comenda Chico Xavier e a outra foi a realização da maior exportação da história de Minas Gerais de bovinos vivos para a Turquia, uma logística enorme que envolveu o transporte de 4750 animais em 160 a 180 caminhões de Uberaba até o Porto de São Sebastião.


Estes dois assuntos foram pauta logo no início de novo ano de 1973, pois em 2 de janeiro, o jornal diário uberabense Lavoura e Comércio, destacava-se um show promovido em São Paulo pelo cantor Roberto Carlos em parceria com o médium Chico Xavier, cuja renda seria revertida a assistência de pessoas carentes pela Comunhão Espírita Uberabense.


A outra notícia dava conta de uma exportação de Uberaba para a Bolívia de 380 zebuínos das raças Gir e Nelore em vagões da antiga Fepasa.


Fonte:Lavoura e Comércio