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sexta-feira, 3 de agosto de 2018

OS “ CORONÉIS “

A fase do “coronelismo” em Uberaba, é muito antiga. Secular, até. Nefasto legado pelos nossos antepassados que, não fosse a “ louca” figura de Mário Palmerio, trazendo cursos universitários ( Escolas superiores) para a santa terrinha, até hoje, estaríamos vivendo apenas a era do Diocesano, Nossa Senhora das Dores e Escola Normal. Os filhos dos ricos “ coronéis” indo estudar nas grandes Universidades brasileiras e os filhos da pobreza , amargando tão somente o curso técnico profissionalizante da Escola “ José Bonifácio”... Meninas estudando no “ colégio das freiras” e os meninos no “ Marista”.. .Autênticos clubes do “bolinha” e “ luluzinha”... Palmério, criou o Colégio Triângulo, onde estudavam juntos, moças e rapazes, independentemente da classe ou categoria social, sem distinção de credo, cor ou raça . Daí a raiva que quase transformou-se em ódio da “ coronelada” devotada ao grande líder.

Ataliba Guaritá Neto, o eterno Netinho de inesquecível presença, nasceu em berço confortável .Rico ? nem tanto.. .Estudou no Rio de Janeiro, sem contudo, concluir curso universitário. Não precisou. Era tão ou mais inteligente e capaz que muitos daqueles jovens possuidores de “ canudos” que, sem atividade fixa, perambulavam pelas ruas da cidade. Netinho, vocação ímpar para a comunicação, ao retornar à terrinha que tanto amava , foi trabalhar no rádio (PRE-5) e no jornal (“Lavoura e Comércio”). Seu talento saía pelos poros. Versátil, improvisador incomum, despontou. Amigo sem defeito, conquistou mercê a sua esmerada educação, companheirismo e lealdade, toda Uberaba. 

Redemocratizado o País, candidatou-se à vereador. A cidade gostava dele. Ganhou com” um pé nas costas”. Despontava ali, uma grande liderança. Filiado à UDN, a “ eterna vigilância”, fazia oposição aos PTB, de Palmério e Boulanger Pucci, eleito Prefeito, com elegância acima de tudo. Netinho, era a “ coqueluche” política da terrinha. Tempos seguidos, vieram as eleições proporcionais. Netinho. tinha tudo para tornar-se deputado e ser o grande porta-voz de uma cidade que retomava o caminho do progresso e sede de crescimento. 

Pré -candidato, próceres da UDN, encantados com o prestigio popular do seu filiado, tinha como “ favas contadas”, a sua eleição . Àquele tempo( 1946), havia mais honestidade, lealdade de princípios, seriedade em compromissos assumidos, além de uma campanha modesta, sem gastar os “ rios de dinheiro” dos dias atuais. Netinho, empolgado com a aceitação popular, fazia planos como recompensar o carinho, respeito e confiança que lhe eram depositados, mesmo sendo só pré-candidato. Da riqueza da terrinha aos mais humildes, seu nome era unanimidade. 

De repente, a decepcionante, desagradável e covarde “ rasteira”. Sorrateiramente, na convenção do partido, a UDN” houve por bem”, escolher o nome do pecuarista araguarino, Max Nordeau de Rezende Alvim, como candidato à deputado estadual, no lugar de Netinho ! A decepção não só tomou conta do uberabense ilustre, mas, também, de toda a cidade. Ele e todos os eleitores, não imaginavam que os políticos fossem tão desonestos, falsários e sujos como “ pau de galinheiro”... As desculpas mais esfarrapadas , saiam das bocas sujas dos mais “elegantes, austeros, sérios e intocáveis dirigentes udenistas “.. Autêntica água na fervura... 

Não demorou, veio à tona, toda a trama . O secretário da UDN, com a conivência do partido, “vendeu” a candidatura de Netinho, por um “ jeep”, novinho em folha, zero quilômetro... O político desfilava, leve solto, pelas ruas da cidade, todo garboso e altaneiro. A decepção moeu o coração de Netinho. Daí em diante, recusou todos os convites políticos que lhe eram feitos . Perguntado, respondia: - “ a melhor política da minha vida, foi deixar a política “...Abraços do “ Marquez do Cassú. 





segunda-feira, 18 de junho de 2018

Ramon Franco Rodrigues

Lembrando nomes que fizeram história na crônica esportiva da terrinha, trago hoje, a figura emblemática, simpática e folclórica do inesquecível Ramon Franco Rodrigues. Pelas mãos do não menos famoso, Raul Jardim e o incomparável Ataliba Guaritá Neto, o Netinho, Ramon começou a escrever no falecido ‘ Lavoura e Comércio”, em 1952, ao tempo em que colaborava com o semanário esportivo “ A Bola”, dirigido pelo grande Raimundo Sarkis. Se o saudoso Sebastião Braz, depois o correto Rui Miranda, mais tarde a pena brilhante de netinho, foram os primeiros responsáveis pela página de esportes do jornal, a chegada de Ramon Rodrigues, o “Lavoura “ ganhou um novo colorido noticioso opinativo.
Ramon, tinha “ tiradas” que só pertenciam a ele. “Adiós mariquita linda”, referindo-se a derrota , ou do Uberaba ou Nacional, além de outras frases espirituosas, fizeram dele, o mais lido jornalista da cidade. Ao sentir a versatilidade do companheiro, Netinho, titular dos esportes da saudosa P.R.E.-5, viu nele o parceiro ideal. Inteligente,versátil, atualizado, palavra fácil, suas intervenções ficaram além , com frases inteligentes e bem humoradas. Em determinada transmissão, jogo dos rivais, USC e Uberlândia, num ataque do time visitante, a defesa colorada ficou em polvorosa. O sempre lembrado, Leite Neto, o “ locutor metralha”, quis saber a opinião de Ramon. Sem maldade, nenhum resquiscio de obscenidade, “ soltou”, sem cerimônia, a resposta:-“Leite, ainda bem que o Uberaba safou-se daquele cu de boi na área”...

O cronista esportivo Ramon Franco Rodrigues, o jornalista Luiz Gonzaga de Oliveira e o colunista Ataliba Guaritá Neto

Foto:Autoria desconhecida - Década de 60.


Ramon tinha três paixões esportivas: Fabricio, Uberaba e Botafogo (RJ) .No “morto” estádio “Boulanger Pucci”, qualquer jogo, o árbitro marcasse falta contra o Uberaba, microfone na mão, o estádio inteiro ouvia:-“ Juiz Ladrão ! Sem vergonha ! Pega esse soprador de apito” , ”Safado”... tá roubando contra o Uberaba! “... Xingatório que não acabava...

Com o advento da TV-Uberaba ( também virou cinzas...), Ramon, era um dos comentaristas, ao lado de Netinho, Farah e Jorge Zaidan, equipe que tive a honra de dirigir. O programa “ Papo de Bola”, era a coqueluche dos telespectadores. O Papo” ir ao ar, ao vivo, (não tinha chegado a época do “vídeo-tape”), após o grande sucesso de audiência que era “ Nico Trovador” ,de saudosa memória...

Certa vez, começamos o programa. Sem Ramon. Apenas Farah Zaidan e eu. De repente, passos apressados, entra Ramon, esbaforido, quase ofegante e senta-se ao nosso lado. Perguntei-lhe:- “Tudo bem, mestre ?”

-“Bem nada!”, respondeu nervoso, semblante carregado. “Desculpe o atraso. Alí na general Osório, um caminhão bateu num carro e embucetou todo o trânsito e eu atrasei”, desculpou.

Farah Zaidan, ao ouvir a “ explicação”, escorregou da cadeira, foi para debaixo da mesa e saiu de “fininho”, rindo escancaradamente. Fiquei “firme”, “segurando” o programa. Quando olhei, ”Zé do Socorro”, cenógrafo,” Alemão”, o câmera e o Wanderley Alves, que dirigia o programa do “switch”, sumiram dos seus postos.... Ramon , quando percebeu a balbúrdia no estúdio, tentou “ consertar”:- “Calma pessoal, quando eu falei embocetar, foi no bom sentido!”....

A TV ficou quase 5 minutos com o “slide” e a equipe em gargalhadas homéricas ...
Ramon Franco Rodrigues, descansa no céu, à direita de Deus Pai Todo Poderoso .


Luiz Gonzaga Oliveira

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

UBERABA ESTÁ EM TODAS...

Tenho imorredoura saudade de dois amigos fraternos que estão no Plano Celestial: Ataliba Guaritá Neto e Raul Jardim. Netinho e Raul, foram jornalistas de têmpera; inigualáveis. Deixaram nas páginas do saudoso “Lavoura e Comércio” e nos microfones da sempre lembrada P.R.E.-5, uma vida de paixão e amor por Uberaba.Seriam nomes nacionais se, obstinadamente, teimaram em não deixar a sagrada terrinha ! Aqui era o seu canto, encanto,encontro e desencontro. Despiam-se de vaidades pessoais para enaltecer feitos de uberabenses que brilharam e/ou brilhavam Brasil afora. Uma frase quase épica, é reverenciada até hoje, por todos nós: -“ Uberaba está em todas !”

Mário Palmério,Joubert de Carvalho, Aluizio Prata, Alaor Prata,Leopoldino de Oliveira,Chico Xavier, Jacob Palis Júnior,Avelino Inácio de Oliveira, Glaycon de Paiva, Pedro Moura, Antenógenes Silva, Fidélis Reis, entre outra dezena de uberabenses que honraram e orgulharam a nossa sempre amada Uberaba,enaltecendo-a em todos os quadrantes nacionais. Com que orgulho, num misto de alegria e vitória, Netinho e Raul, registravam feitos gloriosos desses uberabenses de cepa !

Ainda em vida,Raul e Netinho, escreveram o sucesso dos irmãos Ayrton e Alaor Gomes,Joel Lóes,Paulo Marquez,Wilson Moreira,Wilmar Palis,Orlando de Almeida,os irmãos Augusto e César Vannucci, José Viana,Gontijo Teodoro,Wanderley Greiffo, Yara Lins, que, nas letras,voz e canto, sempre que perguntados de onde vieram, gritavam ,alto e bom som:” sou de Uberaba!”, como fazem nos dias atuais, Fernando Vannucci e Fábio William.

De uns tempos, até cá essa parte, a frase foi, lamentavelmente, sendo deturpada, perdendo o sentido da honraria, do valor, merecimento, tão valorizada em épocas passadas. Netinho e Raul, devem estar remoendo na morada eterna, quando ouvem, lêem, vêem, o nome de Uberaba tão achincalhado, mal visto, por filhos natos uns, “filhos-postiços” outros, que não souberam honrar e dignificar cidadania tão respeitada e orgulhosamente afamada.

Vieram os fatos escabrosos envolvendo gente da terrinha no escândalo do “mensalão”, de triste memória,trazendo à baila, um ex-Ministro de Estado,deputado e ex-Prefeito, agora “ficha suja” e seu fiel escudeiro, na lama moral do “mensalão”. Ainda outro dia, outro uberabense-“postiço”, ficou longo período preso, depois de descoberta as falcatruas do ex-deputado e secretário de Estado, de uma “cidade das águas” que jamais será concretizada.

Depois, um “delator da Lava Jato”, que teve uma ascensão politica meteórica, é “hóspede” de uma das mais famosas prisões brasileiras: a “Papuda”, em Brasília...Ainda no desdobramento do “petrolão”, um dirigente da Petrobras, devolveu 90 milhões de dólares ao governo brasileiro, dinheiro obtido no “propinoduto” da estatal, casado com a filha de um ilustre uberabense...Não parou por aí.Carioca,fazendeiro,desposou prendada senhorinha da nossa melhor sociedade. Com ele, está preso também o seu pai, Presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Dirão os uberabenses :-“é muito peso para o meu pobre caminhãozinho”...

Se nomes não cito desses dois últimos lamentáveis episódios,é o respeito que me merece as famílias,inocentemente atingidas pelo infausto acontecimento. Quanto a falta de citação nominal dos outros transgressores da Lei, é que não posso compará-los aos verdadeiros e honrados uberabenses mencionados no tópico inicial do texto.

Ah!Raul e Netinho! Quanta saudade me traz a frase de ontem:-“Uberaba está em todas!”.Hoje........
                                                                                                                            

Luiz Gonzaga de Oliveira

quinta-feira, 9 de março de 2017

Ataliba Guaritá Neto, o netinho, da coluna Observatório de Galileu.


A falta que ele faz...

E quando menos vimos, já se passaram onze anos da partida do nosso maior cronista de todos os tempos, Ataliba Guaritá Neto. A 14 de setembro de 2000, nós o vimos partir e até hoje a lacuna que deixou aberta permanece impreenchível. Seus seguidores lutam para imitá-lo, inclusive eu, mas o “danado” levou a forma consigo.

Netinho, do alto da sua eloquência, tendo ao fundo a música Verão em Veneza executada pela orquestra de Mantovani, por mais de quarenta anos nos brindou, pela Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro, com a inesquecível: “A crônica ao meio-dia”. O improviso era o seu forte e até hoje ninguém ousou fazer o mesmo por essas bandas. É que o filho desmedidamente apaixonado por Uberaba estendia o seu amor a tudo que fazia. Suas crônicas estavam nesse elenco. Aí morava a diferença.

No ano de 1961, iniciei minha admiração por Ataliba Guaritá Neto, quando levei a ele a renda auferida por uma Folia de Reis infantil, na qual eu fazia a segunda voz. Numa tarde, no salão de vendas de uma loja (Loja da Fábrica), situada na Rua Artur Machado, aquele homenzarrão, ou melhor, um semideus para mim, atendeu-me com requintes de um gentleman. Ele direcionou a doação que fizemos e depois prestou contas nas páginas do jornal Lavoura e Comércio.

No instante em que eu concebia esta crônica, recebi a grata visita do amigo jornalista César Vanucci, vindo de Belo Horizonte. Sem que ele esperasse, perguntei-lhe: César, quem foi para você Ataliba Guaritá Neto? E ele respondeu: - Netinho, se quisesse, além do vereador que foi, poderia ter galgado todos os cargos eletivos da nossa terra e quiçá do Estado. Concordei com César e conversamos muito sobre a dura decepção de Netinho com a política. Luiz Gonzaga de Oliveira que também o diga.

Por mais que nos esforcemos, é difícil defender Uberaba como fazia A. G. Neto. Está certo quem diz que o Uberaba Sport Club não teria chegado onde chegou se Netinho vivo ainda estivesse.

O Centro Administrativo do nosso Município tem o nome do colunista social, homem de rádio e TV, além do exímio cronista que há onze anos nos provoca saudade. Tudo isso é pouco diante da falta que ele faz para a sua querida terra. Estamos lhe devendo uma comenda com o título: Ataliba Guaritá Neto.

16/09/2011

João Eurípedes Sabino 

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Raul Jardim e a jornalista Ana Luiza Brasil

Raul Jardim e a jornalista Ana Luiza Brasil


"Essa foi uma das minhas milhares e felizes manhãs, na sala do meu pai no Jornalismo, mestre Raul Jardim, quem me norteou pelo caminho… e a quem eu rendo todas as minhas homenagens…

FOTO tirada por Ataliba Guaritá Netto, o Netinho, registrando o nosso ambiente de trabalho, no Jornal Lavoura e Comércio de Uberaba, em novembro de 1980… (acervo jornalista Ana Luiza Brasil)
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Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

O POPULISMO RADIOFÔNICO EM UBERABA

O Rádio sempre foi um meio de comunicação de bastante abrangência e, em Uberaba, não foi diferente! Desde o surgimento da primeira emissora, a PRE-5 (atual, Rádio Sociedade AM), na década de 1930, esse veículo de comunicação sempre noticiou, distraiu e cumpriu seu papel social perante os ouvintes. Consequentemente, os locutores criaram uma proximidade muito grande com os espectadores e, claro, ganhando notoriedade, muitos se tornaram bastante populares e se aventuraram pela política, disputando eleições.

Em 1950, o radialista Ataliba Guaritá Neto – o Netinho, que também assinava uma coluna no jornal Lavoura e Comércio – foi o pioneiro, elegendo-se vereador. Oito anos depois, Eurípedes Craide, um jovem narrador esportivo, também chegava ao Legislativo Municipal. Por dois mandatos, esteve na Câmara e foi eleito seis vezes Deputado Estadual.

Jesus Manzano, em 1966, foi eleito vereador e teve mandato por diversas legislaturas, Quatro anos depois, Edson Quirino de Souza, o Edinho, (Filho do casal Toninho e Marieta, artistas da música sertaneja) chegava à Câmara, onde se manteve na vereança até 1983. Em 1988, foi a vez dos radialistas Tony Carlos e Além-Mar Paranhos ocuparem suas cadeiras no poder legislativo. Tony cumpre, atualmente, o quarto mandato.

No ano de 1990, o comunicativo  Toninho e Marieta, da Rádio Sociedade, elegeu-se Deputado Estadual, cumprindo apenas um mandato. Em 1992, Edivaldo Santos e Paulo Silva estreavam na Câmara Municipal, onde permaneceram até 2000.

Em 2008, Almir Silva foi o vereador mais votado em nossa cidade, repetindo o feito de Eurípedes Craide, em 1962, e de Jesus Manzano, em 1976.

Mais do que saber aproveitar favoravelmente a oportunidade de se tornar popular que o rádio oferece, esses radialistas, por meio do microfone, conquistaram simpatia, notoriedade e muitos votos.

Danilo Costa Ferrari