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segunda-feira, 2 de setembro de 2019

JOSÉ PEIXOTO – PRESIDENTE DA ACIU

Comemorando os 95 anos da Entidade.


A crise instalada no país provocada pela primeira Guerra Mundial, (1914/1918), cria dificuldades econômicas que são combatidas pelos governos com rebaixamento de salários e sobrecargas de impostos

A reação patronal para defender o interesse dos empresários e enfrentar a inquietude operária organizada em sindicatos foi a de criar, em todo o Brasil, as associações.

Uberaba, centro de irradiação econômica e educacional para todo o Brasil Central, é uma das primeiras cidades do interior a compreender a necessidade e o potencial de uma organização de classe. Em 16 de dezembro de 1923, em pleno domingo, nasce a Associação Comercial e Industrial de Uberaba (ACIU), em sala cedida pelo Jockey Club.

A assembleia, contando com a presença de 52 empresários e presidida por Adolpho Soares Pinheiro, elegeu sua primeira diretoria provisória composta por Cesário de Oliveira Roxo, Raul Terra, Jonas de Carvalho, Fernando Sabino e o próprio Adolpho.

José Peixoto - Foto/Reprodução.

No inicio de Janeiro esta mesma diretoria provisória tomou posse para o período de 1924/1927, contando com o reforço de Luiz Humberto Calcagno e José Guimarães, elegendo Cesário de Oliveira Roxo como primeiro presidente da ACIU.

Coube ao presidente Fidélis Reis (1938/1948) a responsabilidade pela edificação da sede, com projeto dos engenheiros Signoreli e Abel Reis. A construção começou com a empresa de Santos Guido em 1940.

Nestes 95 anos, (1923 a 2018) a ACIU foi palco de 42 eleições, 5 reeleições e conheceu 41 empresários que hoje estão na galeria de presidente.

O que mais tempo permaneceu na diretoria – 10 anos – foi Fidélis Reis, (1938/1948). Ele foi um dos mais destacados uberabense: foi jornalista, escritor, deputado federal, construtor de pavilhões para o SENAI, cofundador do Banco do Triângulo Mineiro e da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro.

A ACIU é uma verdadeira fonte da juventude. Até agora, teve 42 novas diretorias. Em cada uma delas há o renascer de um novo entusiasmo e a chama ardente de desejos para realizar.

Por isso, é difícil dizer quais as realizações nos campos político, social e econômico que influenciaram o desenvolvimento de Uberaba que tiveram a participação da ACIU. Mais fácil relatar de quais ela não participou.

A entidade nasceu sob o signo do protesto. Em cada presidente, em cada diretor, um soldado pronto para a luta. Em defesa da comunidade. Em defesa dos interesses regionais. Em defesa de seus associados.

A primeira preocupação de qualquer nova diretoria é a satisfação de seu associado. Esse é o motivo da criação da entidade. É a razão de sua existência. O associado sempre foi a preocupação primeira de todas as diretorias

Na defesa dele, estão as medidas tomadas contra a criação ou ampliação de impostos e taxas em todas as áreas governamentais, tomada de posições contra redução de créditos bancários, disponibilidade de corpo jurídico, planos de saúde e de seguro variados e estancamento de quaisquer situações que possam prejudicá-los.

A ACIU ao longo dos seus 95 anos se inseriu também como porta-voz dos interesses da comunidade.

Entre as ações voltadas para o benefício coletivo, destacam-se a luta para implantação do SENAC e do SESC, a construção de sede dos Correios inaugurada na gestão de João Fernandes Côrrea (1956/1957), a participação na fundação do IDT – Instituto de Desenvolvimento Tecnológico (em parceria com a UNIUBE e a UFTM, no governo de José Mousinho Teixeira (1982/1983)), a busca incessante em todo país de novas

indústrias para criação de novos empregos, em parceria com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo.

Com o patrocínio da ACIU, dessa comissão também nasceu a empresa de capital misto CODIUB – Companhia de Desenvolvimento Industrial de Uberaba e a CEVALE - Fundação Centro de Pesquisas Vale do Rio Grande.

Esses projetos, aprovados pela comunidade foram aprovados também pelo prefeito Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976) que os incorporou em seu governo.

A partir dessa data, estava incluída a Secretaria de Indústria e Comércio em toda a plataforma política de Uberaba. A primeira secretaria foi criada no governo de Wagner do Nascimento (1983/1988) e seu primeiro titular foi Anderson Adauto.

Entre outras realizações podem ser destacadas – A participação da ACIU na implantação da CEMIG na gestão de Helmuth Dornfeld; a implantação da Televisão em Uberaba que começou na gestão de Mario Pousa, passou por Aurélio Luiz da Costa, Leo Derenusson para terminar na diretoria de Edson Simonetti; a criação do SPC na gestão de Mario Grande Pousa e posteriormente iniciado os estudos para fusão com CDL na diretoria de Flamarion Batista Leite; a criação do PACE na gestão de Karim Abud; seminários para implantação de novas rodovias; criação da Faculdade de Ciências Econômicas que diplomou milhares de profissionais nas áreas de Economia, Administração de Empresas e Ciências Contábeis.

Essas são em linhas gerais o retrato da atuação da ACIU. Difícil falar de todas as suas realizações. São milhares.

Todavia, acreditamos que esta exposição possa transmitir o quanto de carinho que centenas de empresários que, abrindo mão de seus afazeres, diminuindo o tempo junto com seus familiares, dotados de muito espírito cívico, se dispuseram a compor as 47diretorias da Entidade nestes últimos 95 anos para o exercício do associativismo.

São heróis anônimos que merecem a nossa estima e consideração. O nosso reconhecimento pelo muito que fizeram e faz pelo desenvolvimento de sua cidade.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-presidente e conselheiro da ACIU.

Sócio da ACIU desde 1958.

Fontes – ACIU – Arquivo Público – José Mousinho – Guido Bilharinho


A OUSADIA DE MARCELO ZAIDAN E AS FEIRAS INDUSTRIAIS.

Luzes. Câmeras. Ação. Ressoam os clarins. Abrem-se as cortinas do grande show. Vai começar a ExpoCigra - FIEMG 2017.

A cena ocorre nos recintos do Parque Fernando Costa em 18 de outubro de 2017, 5ª edição da Feira de Indústrias de iniciativa e responsabilidade do CIGRA (Centro de Indústrias do Vale do Rio Grande).

No palco, o presidente Gleison Enrique Borges faz seu pronunciamento de boas-vindas, acompanhado de autoridades e parceiros.

Na plateia, centenas de expositores, empresários e convidados especiais testemunham o registro de que a ExpoCigra-FIEMG está definitivamente integrada no calendário de turismo e negócios de Uberaba e região.

Em parceria com a Fundação Cultural de Uberaba e com o Teatro SESI, diversas apresentações artísticas foram realizadas durante o período da feira. Diamante, Orquestra de Viola Caipira (SESI), Júlio César e Cassiano, Charles Júnior, João Neto e Peixinho, Dri Ribeiro e Cássio Facury e Leon subiram ao palco para valorizar nossa cultura.

Palestras e desfiles realizados pelas entidades, SEBRAE, SINDCAU (Sindicato da Indústria de Calçados de Uberaba), Sindivestu (Sindicato das Indústrias do Vestuário de Uberaba) – contribuíram para o enriquecimento desse grande evento. O destaque ficou para a Cozinha Gourmet, com o chef Felipe Bronze, que arrastou multidões para conhecer seu trabalho e seu tempero.

Milhares de visitantes prestigiaram mais de 100 estandes esparramados pelo grande salão, onde milhões em negócios foram transacionados em encontros paralelos.

Um sucesso que a diretoria e a administração do CIGRA já previam, lastreada na tradição das últimas exposições, contando com o apoio da SOLIS na organização e divulgação e dos tradicionais parceiros como a FIEMG, SEBRAE, Prefeitura Municipal e outros.

Buscando a origem desse sucesso, voltamos a setembro de 2013, quando tudo começou, no qual Marcelo Zaidan, então presidente do CIGRA, num gesto de ousadia, realizou, com sua diretoria, a primeira ExpoCigra nas dependências do Shopping Uberaba.

Ele contou com o apoio do parceiro primeiro, FIEMG, buscou recursos junto à PETROBRÁS, CODEMIG, SEBRAE e Prefeitura Municipal de Uberaba. Abriu espaços para cursos ministrados pela Secretaria de Ciência e Tecnologia de Ensino Superior do Estado de Minas Gerais.

O evento, que contou com cerca de 80 estandes, ficou marcado com a entrega do primeiro “Troféu Tião Silva”, para o empresário Salem Ibrahim El Messih.

Marcelo Zaidan - Foto/Reprodução.

O sucesso de público foi tão grande que nos dois anos seguintes, 2014 e 2015, já na gestão de Nagib Facury, a ExpoCigra-FIEMG foi realizada no Parque Fernando Costa, de onde não saiu mais.

Incrementaram-se as atrações com oficinas e desfiles de moda, Seminário de Crédito Rural, palestra de Amyr Klink, atingindo um público estimado em 30 mil visitantes com 81 expositores de 265 empresas participantes.

Na sua 4ª edição, ocorrida em 2016, o comando foi de Helbert Ferreira Higino de Cuba. O número de expositores cresceu para 86 com um público equivalente ao de 2015. Foi uma grande oportunidade, no qual ocorreram 65 eventos simultâneos, gerando mais de 100 milhões de novos negócios.

Marcelo Zaidan atribui o estímulo para criação do evento ao empresário Tião Silva que, em março de 1988, criou a ASSIDUA (Associação das Indústrias de Uberaba) e, em outubro do mesmo ano, inaugurou a Feira de Indústrias de Uberaba, nas dependências do UTC (Uberaba Tênis Clube), contando com a presença do governador Newton Cardoso na abertura da Feira e do presidente da FIEMG, José Alencar Gomes da Silva, no encerramento ocorrido no dia 08.

No dia 26 também de outubro de 1988, baseado no sucesso da feira, Tião Silva criou o CIGRA, que envolvia 22 municípios da região do Rio Grande. Foi presidente até a data de 25 de maio de 1994 quando então, passou a direção para Gilberto Rezende.

A ideia de valorizar a indústria local através de uma feira é bem mais antiga. Em 1934, na ACIRU (Associação Comercial, Industrial e Rural de Uberaba), na gestão de Adolpho Soares Pinheiro, cogitou-se “a realização de uma exposição regional onde pudessem ser exibidos os progressos do comércio, da indústria e lavoura. Ela seria denominada de Feira Agropecuária e Industrial do Triângulo Mineiro”.

A primeira exposição das indústrias de Uberaba de que participamos foi realizada em 1967 pela ACIU (Associação Comercial e Industrial de Uberaba), na gestão de Edson Simonetti (1966/1967). O evento aconteceu no Parque Fernando Costa, com os estandes montados nas baias não utilizadas para o gado.

De nossa parte, enviamos pela indústria alimentícia Oriente uma máquina de embrulhar balas. Uma japonesa vestida a caráter ficou responsável por distribuir os produtos ao público. Formavam-se filas intermináveis de pessoas interessadas em receber sua quota de doce.

Na gestão de José Vitor Aragão como presidente da ACIU (1984/1985), uma nova exposição industrial foi realizada no recinto da ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu), junto à FENATECA (Feira Nacional de Desenvolvimento Agrícola). Ela foi inaugurada em 08 de maio de 1984 com a presença do governador Tancredo Neves e abrilhantada com o show de Ney Matogrosso.

Desta vez, levamos da PLASTIMINAS uma extrusora de processamento de polietileno para dentro do evento. Dessa forma, os visitantes puderam ver in loco como se fabricam sacos plásticos.

Na gestão de Flamarion Batista Leite na ACIU (1992/1993), uma nova feira foi realizada durante a exposição da ABCZ. Ela ficou em evidência bem na entrada no Parque.
Na gestão seguinte, presidida por Carlos Eduardo Colombo Rodrigues da Cunha (1994/1995), a Feira de Indústria da ACIU passou a ser realizada no fundo do Parque, hoje estacionamento de veículos do Centro de Eventos “Rômulo Kardec de Camargos”.

Essa feira cresceu o suficiente nas gestões dos presidentes da ACIU Antonio Carlos Guillaumon (1996), Sérgio Bóscolo (1996/1998) e Samir Cecílio (1998/2000) para se transformar num centro comercial, um verdadeiro Shopping a céu aberto, dado o volume de participantes e a liberdade para comercialização de produtos no varejo.

Com a construção do salão de festas da ABCZ ficou inviabilizada a continuidade da Feira de Indústria promovida pela ACIU nos moldes existentes. Somente em 2006, em nossa gestão, uma nova feira foi realizada, em um novo local, com apenas 35 estandes.

A decisão da ABCZ de encerrar as grandes festas que animavam as exposições de gado no mês de maio encerrou também as possibilidades de novas Feiras neste período.

Por isso, pode-se registrar como um gesto de grande coragem a determinação do CIGRA de realizar suas feiras industriais, em épocas bem distantes dos festejos de maio.

Uma decisão que se transformou num resgate histórico de nossas feiras, marcando para sempre na história de nossa comunidade a grande contribuição que o CIGRA vem dando ao longo dos anos para o desenvolvimento de Uberaba.

Gilberto de Andrade Rezende – Ex-presidente E Conselheiro da ACIU e do CIGRA – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Fontes – ACIU, CIGRA, Jornal da Manhã e Marcelo Zaidan.






Cidade de Uberaba



JOSÉ ALENCAR GOMES DA SILVA – CIDADÃO UBERABENSE.

Em pleno amanhecer de um domingo de maio de 1973, três pessoas se apresentam na residência do Prefeito Hugo Rodrigues da Cunha que levantou às pressas para atender o Presidente da Câmara Municipal de Uberaba, Álvaro Diniz de Deus, acompanhado de dois empresários mineiros que, impacientes, esperavam o sol nascer.

Eram eles, Ivan Muller Botelho, proprietário da empresa de energia elétrica “Cataguases-Leopoldinense” e José Alencar Gomes da Silva, presidente da “Coteminas”.

O assunto, importante e urgente, era a possibilidade de transferência de uma indústria de aglomerados já em fase de instalação na cidade de Ubá. A continuidade da implantação havia se tornado inviável pela impossibilidade de se ter um único contrato de fornecimento de madeira. As florestas daquela região era áreas de minifúndio, com mais de 600 proprietários.

Uberaba foi uma das quatro cidades lembradas para sedar esta empresa, concorrendo com Curvelo, Corinto e Uberlândia.

José Alencar - Foto/Reprodução.

José Alencar contava, com ar de seriedade, que Hugo os convenceu que Uberaba era o “centro do mundo” e que, só mais tarde, descobriram que “todo lugar era o centro do mundo já que a terra era redonda”.

Antes de decorrer trinta dias, Uberaba foi escolhida pelos empresários e pelo BDMG, banco financiador deste projeto, para a implantação desta indústria.

A empresa de reflorestamento de Uberaba, “Triflora”, da qual éramos diretor administrativo e tinha como sócios, entre outros, Hugo Rodrigues da Cunha, Joaquim dos Santos Martins, José Miguel Árabe, Leo Derenusson e Ítalo Delalíbera, assinou um contrato de fornecimento de madeira e subscreveu parte do capital da nova empresa.

Assim nasceu a “Minasplac”, a primeira grande indústria a se instalar no DI-I, ocupando uma área de 100.000 m2, com investimentos em torno de 25 milhões de dólares. Na década de 1980 o controle acionário desta empresa foi transferido para o grupo “Formiplac” que, por sua vez, o transferiu para a “Satipel”. Atualmente, sob o controle do Banco Itaú, tem o nome de “Duratex”.

Em setembro de 1990, já como presidente da FIEMG – Federação das Indústrias de Minas Gerais, José Alencar, demonstrando seu carinho por Uberaba, promoveu, na Casa do Folclore, o I Congresso Pró-Modernização das Estradas Regionais, contando com o apoio da ACIU – Associação Comercial e Industrial de Uberaba e da Prefeitura Municipal.

Durante sua gestão na “FIEMG”, de 1988/2004, além de criar o título de “Operário/Padrão”, ampliou a presença do Sesiminas em 220 municípios e a do Senai, em 80.

Elevou o número de Sindicatos de 52 para 130. Uberaba contribuiu com 10% deste acréscimo com a criação de 9 sindicatos patronais, graças aos esforços de seu delegado em Uberaba, José Vitor Aragão. Até então existiam apenas dois sindicatos, o da Mecânica e o da Alimentação.

Neste período, na reestruturação do CIGRA-Centro das Indústrias do Vale do Rio Grande, do qual éramos presidente, José Alencar viabilizou os recursos necessários para que esta entidade tivesse vida própria.

Ainda como Presidente da FIEMG, construiu em Uberaba o “Clube do Trabalhador” através do SESI de Minas Gerais e que leva o seu nome, em justa homenagem.

Através do SENAI viabilizou a construção de uma escola de confecções, fruto do trabalho da diretoria do Sindicato local, liderado pelo então Presidente Tião Silva. Dezenas de turmas com centenas de alunos já se formaram através desta escola.

Foi um período de grande intensidade cultural. Frequentemente Uberaba recebia artistas de todos os segmentos pertencentes ao quadro do SESI em Belo Horizonte. Foi nesta época que se inaugurou na capital mineira, o Teatro “Nansen Araújo”, homenagem prestada ao ex-presidente da FIEMG, oportunidade em que um grupo de catireiros foi por nós enviado à capital, para ter a honra de inaugurar um de seus palcos.

José Alencar é cidadão uberabense. Em 17 de outubro de 1976, então com 45 anos, por iniciativa do vereador Homero Vieira de Freitas, a Câmara Municipal de Uberaba lhe outorgou este título no dia de seu aniversário.

Nascido em Muriaé, MG, em 17 de outubro de 1931, em uma família de 15 irmãos, José Alencar era o 11º. Começou a trabalhar aos 7 anos de idade, ajudando o pai na loja.

Aos 14, em 1945, anos saiu de casa e foi trabalhar em outras lojas nas cidades de Mirai e Caratinga. Foi nesta última cidade que, aos 18 anos, em 1950, com a ajuda financeira de seu irmão Geraldo Gomes da Silva, consegue criar sua própria loja, a “Queimadora” e que durou até 1953, época em que criou uma indústria de macarrão em sociedade com outros três parceiros.

Com o falecimento de seus pais e de seu irmão Geraldo, mudou-se para Ubá em 1960. Em 1963 cria a empresa “Cia. Industrial de Roupas Cometa” que mais tarde tem seu nome alterado para “Wembley”. Uberaba chegou a ter uma loja desta empresa.

Em 1975, inaugurou em Montes Claros, a “Coteminas”, localizada na área da Sudene. Em 1984 comprou a Seridó, a maior indústria de confecções do Nordeste.

Entre 1992 e 2004, a produção têxtil pulou de 15.000 toneladas para 170.000 toneladas e o faturamento aumentou 20 vezes, de 35 milhões de dólares para 700 milhões de dólares.

Na década de 2000 José Alencar, industrial por talento e vocação, surge como o maior empresário do ramo têxtil da América Latina. Com 11 fábricas esparramadas por Minas, Paraná, Nordeste e, com cerca de 17.000 funcionários, é um dos poucos empresários que consegue vender confecções até para a China.

Sua carreira política começou em 1993 quando se filiou ao PMDB e logo assumiu a Vice-Presidência do Partido. Embora vencedor da Convenção de 1994 que o indicou para candidato à governador, não contou com o apoio do Partido em sua campanha. Voltou à luta em 1998 como candidato ao Senado, disputando com Hélio Garcia e Júnia Marise. Embora aparecendo inicialmente com 2% de intenção de votos na primeira pesquisa, sua campanha foi crescendo tanto que provocou a renúncia de Hélio Garcia.

Foi eleito com expressiva votação, uma das maiores de Minas Gerais até então, tendo como primeiro suplente, Aelton José de Freitas. Tomou posse em 1 de fevereiro de 1999. Candidato a Presidência do Senado, sentiu-se traído pelo PMDB, razão de seu desligamento do Partido.

Por indicação de José Dirceu e certamente de Anderson Adauto, Lula, que havia perdido 3 eleições presidenciais consecutivas, aceitou o nome de José Alencar Gomes da Silva, então filiado ao Partido Liberal, para compor sua chapa como Vice.

Foi uma vitória apertada na Convenção do PT para aceitar José Alencar do PL. Foi aceito com 34 votos a favor, 30 votos contra e 7 abstenções. Em 18 de Outubro de 2002, Lula e José Alencar foram eleitos com 61,17% dos votos.

No primeiro mandato, de 8 de novembro de 2004 até 31 de março de 2006, acumulou o cargo de Vice-Presidente com o de Ministro da Defesa. Renunciou para participar das eleições de 2006.

Em 2005 deixou o PL e ingressou no que é hoje o PRB-Partido Republicano Brasileiro. Vencedor com Lula na eleição de 2006, Alencar, durante os dois mandatos, assumiu a Presidência por 398 dias enquanto o Presidente Lula viajava para o Exterior.

Em 2010 desistiu de sua candidatura ao Senado de Minas por acreditar que não achava certo se candidatar enquanto estava já em tratamento de saúde.

Em 25 de janeiro de 2011, estivemos com alguns companheiros da ACIU, na homenagem que lhe foi prestada pela Prefeitura de São Paulo. Estavam presentes Lula e diversos ministros. Coube a Dilma Rousseff fazer a entrega da medalha “25 de janeiro” ao José Alencar.

Os problemas de saúde de Alencar começaram em 1997 o que o levou a fazer mais de 15 operações sendo que três delas, em 2006, 2007 e 2009, nos Estados Unidos.

Assim como a presença de Alencar nas eleições foi determinante para a

Vitória de Lula, a sua luta com determinação contra o câncer por quase 15 anos, inspirou várias pessoas que sofrem da doença a terem perseverança.

Alencar faleceu em 29 de março de 2011 deixando viúva Mariza Gomes e os filhos Josué Gomes, Maria da Graça Campos Gomes da Silva e Patrícia Campos Gomes da Silva.

Em Uberaba, “ Dr. José Alencar” é o nome do Hospital Regional.

Alencar foi considerado pela Revista Época dos 100 brasileiros mais influentes em 2009.

Em julho de 2012, foi eleito um dos 100 maiores brasileiros de todos os tempos em concurso realizado pelo SBT com a BBC de Londres.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro – Ex-Presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.

Fontes – Jornal da Manhã – Cesar Vanucci do livro “José Alencar – Missão Cumprida”4





Cidade de Uberaba


terça-feira, 20 de agosto de 2019

Gilberto de Andrade Rezende

Gilberto de Andrade Rezende nasceu em Uberaba, no dia 9 de fevereiro de 1933, filho de Raul de Melo Resende e Maria de Lourdes Andrade Resende.

Inicialmente estudou em escola pública, passando, em seguida, para o Colégio Marista Diocesano e concluindo o ensino médio no Colégio Triângulo.

Gilberto Rezende. Foto/reprodução.

No ramo do agronegócio, Gilberto Rezende atuou nas áreas de reflorestamento e cafeicultura, e como empresário, trabalha nas áreas de alimentação, hotelaria e eventos com a empresa Casa do Folclore, que é um espaço para realização de eventos sociais, empresariais, religiosos, políticos, entre outros.

Na Associação Comercial e Industrial de Uberaba - ACIU, foi membro das diretorias de 1958 a 2001, ocupando cargos na Executiva Plena e no Conselho Consultivo, e presidente na gestão biênio 2006/2007.

É também empreendedor no segmento imobiliário, à frente da Agroindústria Triângulo, com loteamentos de bairros rurais (São Basílio, Santa Fé, Praia do Rio Claro e Parque do Café). 
Além de livros publicados, Gilberto Rezende escreveu vários artigos nos jornais locais. 

Obras publicadas:
O Reflorestamento no Triângulo e o Grupo Triflora Catira: A Poesia do Sertão 

Bibliografia 

Paolinelli, Sônia Maria Rezende. Coletânea Biográfica de Escritores Uberabenses. Uberaba (MG): Sociedade Amigos da Biblioteca Pública Municipal "Bernardo Guimarães", 2009. 47p






Cidade de Uberaba



segunda-feira, 19 de agosto de 2019

WAGNER DO NASCIMENTO - A CULTURA PRESTIGIADA

Fuscão Preto – Assim que Wagner do Nascimento, então vice-prefeito, se candidatou para prefeito nas eleições de 1982 recebeu esse apelido, que pegou como fogo em rastilho de pólvora.

Até 1982, Wagner pertencia aos quadros do PDS. Desentendido com Silvério, que lhe deu este apelido, e não encontrado espaço no Partido para sua candidatura a prefeito, embora fosse lhe oferecido a vice pelos outros candidatos das sublegendas do PDS, Wagner, na firme convicção de que havia chegado sua hora, se filiou ao PMDB. Afinal, já havia sido vice de Arnaldo Rosa Prata e Silvério.

Disputando com Renê Barsan e Arnaldo Rosa Prata na sublegenda do PMDB e com Hugo Rodrigues da Cunha e João Junqueira do PDS, foi o vencedor com cerca de trinta mil votos (37,7%), mas, somando os votos de seus companheiros de sublegenda (33,73%), o PMDB conseguiu mais de 70% dos votos. Wagner contou com o decisivo apoio de seu maior cabo eleitoral, sua esposa Isabel.


Eng.Wagner do Nascimento. Foto: divulgação.

Wagner, em seu governo, se destacou em quatro setores: Desenvolvimento, Saúde, Educação e Cultura. Na área de Desenvolvimento, criou a Secretaria de Indústria e Comércio, entregando-a para Anderson Adauto, criando as bases para a atração das indústrias nacionais para serem implantadas em Uberaba, aproveitando, assim, o trabalho criado pela Aciu em seu Projeto Indústria. Não se pode esquecer o empenho de Wagner para a implantação da empresa Du Pont.

A importância dessa secretaria pode se verificar através dos fatos: o secretário Anderson se tornou prefeito em 2005. E quando Hugo estava no comando, na segunda gestão, seu secretário de Indústria e Comércio, Luiz Neto, veio a ser eleito prefeito em 1992.

Na área de Saúde, sob a responsabilidade de Benito Meneguelo, foi criado o serviço de atendimento psicológico. Nas áreas de Educação e Cultura, a responsabilidade era de seu secretário da Educação, José Thomas da Silva Sobrinho, escolha que não agradou ao PMDB por ele pertencer aos quadros do PDS.

Houve preocupação da área de Educação em oferecer oportunidade de ensino para todo cidadão uberabense. Naquela gestão é que foi criada a Escola Mirim de Trânsito, o CIEM, o CESU (Centro de Estudos do Ensino Superior), com mais de mil alunos, culminando com a implantação do Estatuto do Magistério Municipal, que efetivou todos os professores e criou o cargo de psicólogo escolar.

É ainda de sua gestão a criação do PROJETO FUMESU, cuja intenção era suprir Uberaba de faculdades não atendidas pela iniciativa privada, com a prefeitura arcando com os investimentos e custeios e os alunos com o custo do professorado.

Na área cultural, o primeiro passo dado por Silvério Cartafina na criação da Fundação Cultural em 1982 ensejou ao governo Wagner a partir de 1983 a criar: Circo do Povo, Museu Sacro (Igreja Santa Rita), Museu Paleontológico em Peirópolis, Museu Histórico, Arquivo Público, Comphau, Biblioteca Infantil e Biblioteca Ambulante Rural. Nesse período, também foram criados os projetos Folklândia e o PRODEC.

Em 1996, Wagner voltou a disputar a prefeitura com Marcos Montes, no entanto não foi feliz, pois repetiu o mesmo resultado de 1982, cerca de trinta mil votos, contra oitenta e sete mil de MM.

Wagner nasceu em 27 de julho de 1936. Formou-se em engenharia em 1964 pela FIUBE, hoje UNIUBE, da qual foi professor. Foi engenheiro da CDI (Companhia dos Distritos Industriais) e colaborou intensamente com as implantações dos DI I, II e III.

Sua trajetória política se iniciou em 1966 quando foi eleito vereador. De 1970 a 1972 e de 1977 a 1982, vice-prefeito. De 1983 a 1988, prefeito. De 1991 a 1999, por duas vezes se elegeu para deputado federal. Foi o primeiro político negro a assumir a prefeitura de uma cidade brasileira.
Teve alguns percalços com a Justiça em razões de alguns processos pelos quais foi condenado. Segundo seus apoiadores, tudo decorreu por questões de perseguição política.

Wagner faleceu em 06 de setembro de 2007, aos 71 anos, deixando viúva Isabel do Nascimento, e os quatro filhos, entre eles Wagner Jr. (que foi candidato a prefeito) e Werner. Sua família instituiu em maio de 2013 a Comenda Wagner do Nascimento, para perpetuar seu nome e sua obra.

Fonte – Jornal da Manhã

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Ex-presidente e conselheiro da ACIU e do CIGRA. Presidente do PDS em 1982.


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Cidade de Uberaba


segunda-feira, 5 de agosto de 2019

FIDÉLIS REIS – EXEMPLO DE EMPREENDEDORISMO

“De duzentos contos como era previsto, mudamos os planos e construímos um dos mais lindos edifícios da cidade com cinco pavimentos, a um custo superior a setecentos contos”.

Essas são as palavras, em síntese, de Fidélis Reis em 26/07/1942, ao se referir à construção da sede da ACIU, em seu discurso de inauguração.

Eleito presidente da entidade em 1938, em três anos conseguiu realizar o sonho dos empresários que, ao criar a ACIU em 16/12/1923, tiveram que esperar por quase vinte anos para ter sua própria sede. A ação foi possível através do apoio dos associados e empréstimos do Instituto de Aposentadoria e Pensão dos Comerciários (I.A.P.C.).

Por dez anos, 1938/1948, Fidélis Reis esteve à frente da ACIU, coincidindo com o período da Segunda Guerra Mundial (1939/1945), oportunidade em que a associação se manifestou contra a ação alemã nas costas do Brasil, em 1940.

Em sua gestão foi realizado um congresso das classes produtoras com repercussão nacional. Foi nesse período que a entidade contribuiu, através de seus contatos nos governos estadual e federal, para a solução do problema de abastecimento de açúcar, provocado pela guerra, e ajudou os produtores rurais a conseguir gasolina durante a safra numa época em que, por racionamento e escassez, a maioria dos veículos utilizavam o gasogênio.

Fidélis Reis. Foto: Arquivo Público de Uberaba.

Nascido em 4 de janeiro de 1880 em Uberaba, Fidélis Reis graduou-se como engenheiro agrônomo, aos 21 anos, na primeira e única turma do Instituto Zootécnico de nossa cidade, em 1901.

Sua primeira missão como integrante do Governo Federal, na Diretoria Geral de Povoamento em 1907, foi a de investigar secretamente na Argentina, por seis meses, o serviço de colonização e imigração. A atitude despertou profundamente para abordagem na sua vida política. De 1907 a 1909, foi inspetor do Serviço de Povoamento no Espírito Santo.

Um ano após, em 1910, já era inspetor agrícola federal em Belo Horizonte (MG) e, em 1911, foi eleito presidente da Sociedade Mineira de Agricultura e um dos fundadores da Escola de Engenharia, onde lecionou ao longo de cinco anos.

Na Europa, Fidélis Reis fez o curso de Ciências Físicas e Naturais na Sorbonne, seguindo posteriormente para a Suíça e Itália, países nos quais, a serviço do Governo Federal, estudou os projetos para emigração dos italianos ao Brasil.

Em 1919 iniciou sua carreira política ao ser eleito deputado estadual pelo PRM - Partido Republicano Mineiro. Em 1921 foi eleito deputado federal, no qual através de outras três eleições, permaneceu até 23 de outubro de 1930, quando teve o mandato interrompido pela revolução que levou Getúlio Vargas ao poder e extinguiu todos os órgãos do legislativo do país.

Em sua passagem pelo Legislativo Federal, Fidélis Reis se distinguiu pela apresentação de inúmeros projetos de interesse nacional, como o Tratado de Santos Dumont, pelo qual os países signatários abster-se-iam de utilizar aviões como arma de guerra.

Dois de seus projetos conseguiram fazer história.

O primeiro, apresentado em 1923, se relacionava à imigração. Alicerçado em suas observações feitas em viagens ao exterior, Fidélis Reis estava convicto de que o serviço de imigração teria que manter um rigoroso controle para impedir a entrada de qualquer elemento julgado “nocivo” à formação étnica, moral e psíquica da nacionalidade.

Esse projeto, que dava prioridade às famílias da Europa em detrimento das raças negra e amarela, causou intensas polêmicas durante muitos anos e dividiu opiniões em todo o país.

Todavia, o segundo projeto teve mais sucesso ao abordar a economia. Ele era destinado a criar o ensino profissionalizante obrigatório em tempo integral, sob a égide do Liceu de Artes e Ofícios, apresentado em 1922, foi o marco inicial da transformação da economia nacional do setor industrial.

Para a sua elaboração, Fidélis Reis manteve contatos com todos os parlamentares, com a imprensa regional e nacional e até com sumidades internacionais como Albert Einstein, Henry Ford e Vladimir Lênin, com o objetivo de buscar subsídios sobre a relevância do ensino técnico e profissional. Aprovado em 1927, após cinco anos de sua difícil tramitação, a lei deixou de ser aplicada por falta de verbas.

No entanto, para concretizar seu intento, Fidélis Reis fomentou a construção dos edifícios que iriam compor o Liceu de Artes e Ofícios de Uberaba na praça Frei Eugênio que contou com a contribuição financeira de personalidades do Triângulo Mineiro bem como recursos dos governos estadual e federal.

Inaugurado em 1928, o Liceu - que tem um de seus pavilhões com o nome de Henry Ford - nunca chegou a funcionar de fato, instalando-se ali a Escola Normal de Uberaba e, posteriormente, o 4º Batalhão de Caçadores Mineiros.

Foi apenas em 1942, com a criação do SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem - que os sonhos de Fidélis Reis esboçaram a possibilidade de se concretizar. Porém, só em 1948 que a entidade ocupou as dependências que foram idealizadas para o Liceu.

As dezenas de milhões de profissionais já formados pelo SENAI no território nacional ao longo destes anos são frutos de uma obsessiva determinação em prol do ensino profissionalizante do idealista Fidélis Reis.

A participação comunitária desse grande uberabense não se restringiu apenas ao setor político. Foi um dos fundadores do Herd Book Zebu, do qual foi presidente de 1929 a 1934, data em que esta entidade foi incorporada pela recém-criada Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (S.R.T.M).

Eleito primeiro presidente da S.R.T.M em 1934, em sua curta gestão criou os núcleos de Araxá e Prata, além de buscar recursos junto ao governo federal para a realização de exposições e instalação da fazenda Modelo.

Renunciou em 1935 por razões políticas.
Fidélis Reis também foi vereador na Câmara Municipal de Uberaba. Entre seus companheiros estavam Boulanger Pucci, eleito prefeito em 1947, e Jorge Frange.

Em 1936 criou o Banco do Triângulo Mineiro tendo como parceiros Alexandre Campos, Euclides Prata dos Santos, entre outros. Chegou a ter agências em várias localidades inclusive em São Paulo. Posteriormente, o banco foi encampado pelo Banco Nacional de Magalhães Pinto que, por sua vez, vendeu para o Banco da Lavoura de Minas Gerais, hoje, Banco Real.

Jornalista por vocação, Fidélis Reis colaborava com a imprensa local, o Jornal do Comércio do Rio de Janeiro e outras publicações, sendo reconhecido como um dos principais articulistas da cidade.
De sua lavra foram publicados os livros “A política da gleba”, “País a organizar”, “Homens e problemas do Brasil”, “Política econômica”, “Ensino profissional” e “O problema emigratório e seus aspectos étnicos”.

Fidélis Reis, falecido em 1962, aos 82 anos de idade, é patrono da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ocupando a cadeira de n. 01. É nome de uma escola estadual da rua Vitória, no bairro Santa Marta. É nome de uma das principais avenidas de Uberaba. É um dos maiores empreendedores que a cidade e região já conheceram e figura proeminente na galeria dos vultos da nossa história.

Gilberto de Andrade Rezende - Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro e do Conselho Consultivo da ACIU e do CIGRA.

Fontes:

ACIU;

Thiago Riccioppo – historiador do Museu do Zebu;

Guido Bilharinho – livro Personalidades Uberabenses;





Cidade de Uberaba


sábado, 3 de agosto de 2019

JORGE DIB NETO – Um idealista por natureza

Devolver dinheiro para Prefeitura Municipal? Isso nunca vai acontecer! Assim se manifestaram algumas pessoas ao tomarem conhecimento do pedido feito pelo recém-eleito prefeito Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1977) para a Construl, empresa que construía a capela ao lado do cemitério.

A solicitação era para que ela paralisasse as obras e devolvesse as verbas que já tinham sido liberadas pela administração anterior. Havia premência para que esses recursos fossem alocados para outras obras prioritárias.

Certamente, os manifestantes não conheciam o presidente da empresa, o engenheiro Jorge Dib Neto, que não só atendeu prontamente a solicitação como isentou o município do pagamento da multa contratual.

Um caso raro no mundo empresarial. Assim era Jorginho, então presidente da ACIU. Em sua gestão (1972/1973), junto com sua diretoria, abriu uma nova página na história do desenvolvimento de Uberaba.

Atuou em todos os segmentos de interesse da comunidade e dos associados. Para eliminar as dificuldades decorrentes da falta de integração deste território com os grandes centros consumidores do país, promoveu o 1º Simpósio Rodoviário a fim de melhorar nossa malha rodoviária.

Nesse período, Jorge se engajou na luta para instalação de um terminal de gasoduto em Uberaba, através de inúmeros contatos com o Ministério de Minas e Energia.

Na área de Educação, se desdobrou para a criação do Curso de Administração de Empresas na Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro (FCETM).

Seu grande destaque foi o de perceber que havia uma lacuna no desenvolvimento do setor industrial. Naquela época, os pilares da economia do município se assentavam quase que exclusivamente no setor rural, no comércio - com destaque para as concessionárias de veículos - na educação, na prestação de serviço – meca da Medicina - e nas indústrias vinculadas ao agronegócio, como Cooperativa de Leite, Matadouro Industrial e dezenas de máquinas de arroz.

Sob o controle estatal, o Distrito Industrial, criado no governo de João Guido, já abrigava a Cia. Têxtil do Triângulo, o Abatedouro Avícola Paranaíba e o Curtume Triângulo.

Preocupado com a situação, Jorge Dib Neto, em agosto de 1972, criou com sua diretoria, sob a direção do vice Gilberto Rezende, a “Operação Indústria”, da qual participavam Wagner do Nascimento, vice-prefeito e representante do CDI (Cia. dos Distritos Industriais), Joaquim Prata dos Santos, pelo Sindicato Rural, Zito Sabino de Freitas, pela ABCZ, Bernardo Pucci, pelo Sindicato do Comércio, representantes do Rotary, Lions, OAB, Academia de Letras, Lojas Maçônicas, Sindicatos Patronais e de Empregados.

O objetivo não era somente trazer empresas que viessem reforçar nosso parque industrial através da oferta de incentivos fiscais. Consistia também na ajuda mútua para ampliação das indústrias já implantadas por meio de empréstimos dos organismos financeiros, que também participavam dessas reuniões como o INDI e o BDMG.

Nos encontros com todos os representantes comunitários liderados pela ACIU, foram aprovados os programas que foram repassados ao prefeito Hugo Rodrigues. Foi uma grande contribuição para a abertura de uma nova era que redundou na criação de dois Distritos Industriais e na instalação de inúmeras indústrias, com destaque para o complexo Fosfértil no DI III e a Minasplac, no DI I.

Esse grande movimento envolveu toda a comunidade e foi responsável também pela criação da CODIUB e das Secretarias de Indústria e Comércio (hoje Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Turismo) em Uberaba.

Jorge Dib Neto.

Jorge Dib Neto sempre foi um idealista. Sua participação no Lions Clube Uberaba, do qual foi um dos fundadores e presidente, deixou exemplos que se frutificaram. Ajudou Mário Palmério a criar o curso de Engenharia Civil na FIUBE (Uniube), do qual foi diretor e um professor exigente por décadas.

Como era querido pelos seus alunos, dezenas de vezes foi convidado a participar das formaturas como patrono ou paraninfo.

Na área política, Jorginho também deu sua colaboração como secretário de Obras no governo de Silvério Cartafina Filho.

Jorge Dib Neto, filho de Miguel Jorge Dib, (Miguelzinho da Loja São Geraldo), nasceu em 1933 e tinha como irmãos Demilton Dib, um dos maiores e mais requisitados arquitetos brasileiros, Carlos Antonio Dib, médico, José Facury Dib e Gilberto Dib, engenheiros, e Vilma.

Faleceu em 2006 e deixou viúva Deusedite Martins Dib e três filhos – Raquel, Ângela e André.
Deixou também uma permanente saudade entre seus amigos e admiradores que esperam pelo reconhecimento de toda a comunidade por seu exemplo e dedicação.

Gilberto Rezende - Ex-presidente e membro do Conselho Consultivo da ACIU e do CIGRA. Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Fontes: ACIU e Jornal da Manhã







Cidade de Uberaba

SAURO BÓSCOLO E SUA FAMÍLIA DE EMPREENDEDORES

Nascido em Adria, em 02/07/1890, Sétimo Bóscolo, junto com seus familiares e centenas de outros imigrantes partiram da Itália no início da década de 1910 com destino ao Brasil. Sufocavam as saudades do torrão natal com as esperanças de uma nova vida em um país que acabara de enterrar uma monarquia.

O destino o trouxe para Uberaba. Com grande senso em oportunidades, Sétimo em pouco tempo já tinha sua fazenda e seu próprio comércio. Foi um dos fundadores da ACIU com direito a retrato no quadro dos pioneiros. Na década de 50, era membro da Loja Maçônica Estrela Uberabense fundada em 1949 na praça Comendador Quintino.

Sétimo casou-se com Josephina Silvati Buchianeri, filha de cônsul italiano no Brasil e nascida na América do Norte. Sétimo faleceu em 17/07/1964 tendo sua esposa, por coincidência, falecida no mesmo ano. Desse casamento nasceram três filhos, Sauro, Nelson e Dora.

Dora, hoje com 94 anos, viúva de Nelson Valentim, gerou 4 filhos, dos quais Nelson Valentim Jr e Lenira atuam na esfera empresarial e Lisete com Andréia, na área de odontologia.

Nelson, com 92 anos, foi um dos proprietários da Destilaria Gaia e um dos fundadores da empresa Floryl - Florestadora Ypê Ltda. Por alguns anos, participou ativamente como diretor da ACIU.

Casado com Iris Gomes Bóscolo, Nelson tem orgulho dos seus cinco filhos, onze netos e seis bisnetos – o renomado médico Ronaldo casado com Adriana Cartafina Perez, 4 filhos e 2 netos; Sétimo Neto, médico e empresário, ex-presidente da Unimed na qual se destacou com seus relevantes serviços, casado com Ana Lúcia Soares Almeida, 2 filhos e 1 neto; Nelson Jr., empresário casado com Mara Denise Paschoaline, 3 filhas e 2 netos; Renato, divorciado com 1 filha e Denise, divorciada, 2 filhas e 1 neta.

O mais velho dos irmãos, Sauro, egresso da fazenda do pai e por algum tempo sócio de seu irmão Nelson na Destilaria, foi também sócio na empresa Floryl que acabou se integrando no grupo da empresa Triflora, da qual participávamos na década de 70 e que, posteriormente, foi transferida para a Shell do Brasil.

Sauro Bóscolo.

Sauro se casou com Dira de Oliveira com a qual teve oito filhos e dezessete netos – Regina, casada com Sinfrônio da Veiga, empresária em Belo Horizonte com 3 filhas; Maria Josefina (Pina), já falecida, deixou viúvo José Elias e uma filha; Estela, empresária em Uberaba, esposa de Roberto Fontoura, 2 filhos; Sauro Jr. com a esposa Ana Maria Facure, 2 filhos; Flavio, casado com Lucélia de Freitas, uma filha; Sérgio com sua Ana Lucia Queiroz, 3 filhos; Paulo Renato, casado com Luzelma Franco, 3 filhos e, Ricardo, casado com Patrícia Oliveira, 2 filhos.

Com o crescimento da família, os irmãos resolveram se separar para criar novos empreendimentos. Nelson continuou com a fábrica de refrigerantes e fez investimentos no setor imobiliário, mas o destino reservou uma trajetória diferente para o Sauro.

Seu pai, Sétimo Bóscolo, que sempre usava a via aérea para ir a São Paulo em tratamento de saúde, conheceu em uma destas viagens um engenheiro da Companhia de Força e Luz de Uberaba que manifestou interesse em construir uma fábrica de materiais elétricos. Vislumbrou que uma indústria dessa natureza se enquadrava no perfil de Sauro.

São essas oportunidades que deve encontrar a pessoa certa no lugar certo e na hora certa. Feita as apresentações, nasceu, em 1959, a empresa Eletrotécnica, primeira fábrica de para-raios brasileira e que, neste ano de 2019, completa 60 anos de atividades. Uma grande ousadia em uma época em que a cidade tinha o seu projeto de desenvolvimento assentado no setor agropecuário.

Por ser a única fábrica brasileira com avançada tecnologia desenvolvendo produtos de alto padrão e sem similares no país, a indústria teve um rápido crescimento, obrigando sua transferência de sua sede inicial na antiga avenida Brasil, hoje Fidélis Reis, para o Distrito Industrial I.

Ganhando espaços no mercado internacional, parcerias foram firmadas com a Alemanha, Estados Unidos e toda a América. Produtos fabricados pela Eletrotécnica em Uberaba eram sinônimos de qualidade, motivando sua procura pelas grandes concessionárias do Brasil e do exterior.
Quando os produtos subsidiados pela China começaram a entrar com força nesse mercado e se espalhou por todo o mundo, Sauro reestruturou sua empresa e criou com seus filhos outras para agregar valores.

Para coordenação de todas as atividades, criou-se a “holding” com a designação de grupo AEL englobando as empresas Eletrotécnica, a Eletrocerâmica, comandada pelo Flavio, a Eletrometalúrgica e a Incel – Indústria Nacional de Componentes Elétricos - sob o comando de Sauro Jr.

Atualmente o grupo produz isoladores, chaves elétricas e eletro ferragens para postes. Além da Agropecuária 7B, foi criado também a Transportadora 7B, sob a administração do Sérgio, para o transporte dos produtos.

Apesar de a AEL não ser a maior organização brasileira do setor, ela é a mais completa. Fabrica tudo que existe em postes de iluminação, com exceção de lâmpadas e fios. Uma série destes equipamentos elétricos foram desenvolvidos pela própria organização. Uma demonstração da capacidade e do talento de seus administradores.

A história da ACIU registra a presença de diversas gerações dos Bóscolos em seus quadros. A atuação de seus membros em diversas diretorias, iniciada pelo Sétimo em 1923 e continuada pelos seus filhos Nelson e Sauro e mais recentemente pelos netos Nelson Jr. e Sérgio, demonstra o espírito de associativismo familiar.

Em que se louve o trabalho de todos, o de maior destaque ficou com o Sérgio que, em 1996, que, eleito vice-presidente da entidade, teve de assumir o comando da Casa até 1997, em decorrência do falecimento em pleno mandato do presidente Antônio Carlos Guillaumon.

Sérgio, em sua gestão repleta de realizações, entre outros feitos, conseguiu a implantação da ETFG - Escola Técnica de Formação Gerencial -, a realização da FÁCIL - Feira de Comércio e Indústria de Uberaba - parceira com a ABCZ, a LIQUIDABERABA, em parceria com o CDL e instituiu o Troféu “Antônio Carlos Guillaumon” para homenagear empresários de destaque.

Em resumo, esta é a história de um sonhador que veio da Itália para Uberaba e aqui constituiu uma grande família. Seus filhos criaram empresas e empregos e um deles, Sauro, ainda formulou produtos para vender para a Itália e o resto do mundo.

Sauro Bóscolo nasceu em Uberaba em 22 de dezembro de 1921 e faleceu em 30 de Junho de 2009, com mais de 87 anos.

“Sétimo Bóscolo” é hoje nome de uma rua localizada no bairro do Fabrício.

“Sauro Bóscolo” é hoje nome do Distrito Industrial I, onde se localiza as seis empresas do homenageado. Deixou exemplos edificantes de trabalho e de amor à família. Deixou saudades para os seus familiares e para todos os seus amigos.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM) e ex-presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.

Fontes: ACIU, Jornal da Manhã, Guido Bilharinho, Sérgio, Sétimo Neto e Adriana Cartafina Perez Bóscolo.

Foto – Sauro Bóscolo.






Cidade de Uberaba

sexta-feira, 19 de julho de 2019

ACIU - Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba

A Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba - Aciu nasceu em 16 de dezembro de 1923. A instituição foi a primeira entidade de classe criada na cidade e no triângulo mineiro. Com quase 100 anos de história, a Aciu sempre participou ativamente dos momentos de grandes decisões para Uberaba e sempre buscou o fortalecimento da classe empresarial. A entidade mantém o compromisso de promover o desenvolvimento da classe, liderando iniciativas de responsabilidade social, em benefício dos empresários uberabenses.

A Aciu promove o associativismo e o acesso à informação, incentivando os empresários a desenvolverem seus negócios e a crescerem no mercado. Atualmente a entidade possui uma Diretoria Executiva composta por 8 integrantes, uma Diretoria Titular com 25 membros, um Conselho Consultivo, e um Conselho Fiscal com 5 integrantes. Eleita por aclamação no dia 11 de dezembro de 2017, a diretoria da Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba – Aciu, para o exercício do biênio 2018/2019, tem como presidente o empresário do ramo de descartáveis, José Peixoto, da JOMIG Ltda, e Anderson Cadima, da empresa Klin Shop, é o vice. Ambos estiveram à frente da instituição na gestão 2016/2017 e foram reeleitos para um segundo mandato.

Sempre em busca do desenvolvimento de Uberaba, a Aciu completou 95 anos em 2018. Sendo a mais antiga entidade classista de Uberaba, a Associação segue na defesa do empresariado uberabense, indo além das relações comerciais, consolidando-se como berço de iniciativas, visando o desenvolvimento econômico da cidade e promovendo debates entre a classe, as autoridades competentes e diversos representantes dos setores da economia. (ACIU)



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quarta-feira, 3 de julho de 2019

HUGO RODRIGUES DA CUNHA

Homenagem pelos Três anos de seu falecimento ocorrido em 03 de julho de 2016.

UM MARCO NA INDUSTRIALIZAÇÃO DE UBERABA


“Uberaba é o centro do Universo”


Disse Hugo aos empresários que o visitavam em sua residência, em busca de uma cidade que pudessem instalar uma fábrica de processamento de madeira que compraram na Europa.

José Alencar Gomes da Silva, o líder do grupo, brincava que este foi o motivo que levou o grupo a escolher nossa cidade onde, associado à empresa Triflora de Uberaba, implantou a Minasplac, no DI 1 (hoje Duratex).

Esta empresa foi uma das dezenas de indústrias que enriqueceram nosso parque industrial no primeiro governo municipal de Hugo Rodrigues da Cunha. Entre elas, destaca-se a implantação da empresa Fosfértil, que permitiu a instalação de um complexo industrial voltado para a fabricação e distribuição de adubos, no D.I. III.


Hugo Rodrigues da Cunha. Foto: Reprodução.

Este novo pilar da economia foi fruto de um trabalho liderado pela Aciu, na gestão de Jorge Dib Neto, em 1972, que criou uma Comissão de Industrialização de Uberaba, integrada por todas as lideranças da cidade, com o objetivo de implantar parques industriais. Para que este projeto de industrialização pudesse lograr êxito, era necessário haver uma sintonia entre os empresários é o poder público, razão da escolha de Hugo Rodrigues da Cunha, um líder classista, como candidato a Prefeito de Uberaba.

Para assegurar sua vitória, o grupo Triflora, em parceira com Edson Prata e outros amigos como Marcelo Palmério, Urbano Salomão, Unias Silva, Adilsson Pereira de Almeida e outros, compraram o Jornal Correio Católico e transformaram no Jornal da Manhã. 

Com o objetivo de divulgar o programa de governo de Hugo, na véspera da eleição de 1972, contando com o apoio voluntário de centenas de alunos da FIUBE (UNIUBE), o Jornal da Manhã distribuiu 40.000 exemplares de sua edição, como contribuição de campanha.

Hugo Rodrigues da Cunha, nascido em Uberaba em 1927, formou-se em Ciências Contábeis e em Direito. Na área política foi prefeito de Uberaba em duas gestões, de 1973 a 1977, pela Arena, e de 1989 a 1992, pelo PFL. Hugo, além de ter exercido uma administração profícua, deixou o exemplo de um administrador atuante e honesto. Em seu governo foram implantados os Distritos Industriais I e II.

Ao fim de seu primeiro mandato, Hugo elegeu como seu sucessor, Silvério Cartafina Filho, secretário municipal de Saúde, no período de 1977 a 1982 e, após o segundo mandato, foi eleito seu secretário de indústria e comércio, Luiz Guaritá Neto (1992/1995). Um reconhecimento da comunidade pelo desempenho do Prefeito Hugo Rodrigues da Cunha. 

Sua primeira experiência na área política se deu em novembro de 1970, disputando uma vaga na Câmara dos Deputados, não obtendo sucesso. Em 1978, logo após seu primeiro mandato como prefeito de Uberaba, novamente se candidatou a deputado federal, sendo diplomado como terceiro suplente e empossado em março de 1979. 

Em 1994, em nova campanha como candidato a deputado federal, conseguiu se eleger, obtendo a maioria dos votos da região. Participou na Comissão de Agricultura e Política Rural e em outros importantes setores do Congresso Nacional. 

Como líder classista foi eleito presidente da Aciu em 1968. Em sua gestão foram iniciados os estudos para a criação do Clube dos Diretores Lojistas e também a criação de novos Sindicatos Patronais. Contribuiu para a criação da Faculdade de Zootecnia e para a eletrificação rural.

Na sua gestão à frente da Aciu realizou a Exposição Comercial e Industrial e em 1969 diplomou os primeiros economistas formados pela Faculdade de Ciências Econômicas, mesmo ano em que foi reconhecida pelo MEC pelo Decreto 65.976/69. 

Junto com Arnaldo Rosa Prata da ABCZ e Ronan Tito de Uberlândia, criou em 1967 a “UDET”- União para o Desenvolvimento do Triângulo que tinha como objetivo liderar o primeiro grande movimento em prol da Emancipação do Triângulo Mineiro.

Foi diretor e vice-presidente da Federação das Associações Comerciais de Minas Gerais, presidente do Diretório Municipal do PFL em Uberaba, vice-presidente da Associação das Empresas Cinematográficas Exibidoras de Minas Gerais e presidente da Associação dos Municípios do Vale do Rio Grande.

No setor empresarial foi administrador da Companhia Cinematográfica São Luís, proprietária dos Cines - Metrópole, São Luís, Royal e Vera Cruz, bem como do Grande Hotel, o primeiro edifício de grande porte erigido no interior brasileiro, no ano de 1941. 

Os mais velhos vão se recordar que, por mais de duas décadas, imensas filas se faziam aos domingos, estendendo-se até a Praça Rui Barbosa, para assistir os filmes no Cine Metrópole, em seus 1.700 assentos. Foi diretor do complexo Triflora, atuando em diversos setores do Reflorestamento, por cerca de vinte anos.

Acumulou, mercê de seu trabalho, três fazendas em seu patrimônio. Todavia, Hugo que não gostava de pedir nada a ninguém em suas campanhas políticas, usou recursos próprios proveniente da venda destes imóveis, para custear suas próprias eleições. Um raro caso no Brasil, em que um cidadão sai da Política com a redução de seu patrimônio.

Hugo Rodrigues era viúvo de Maria Inácia Naves Rodrigues da Cunha, (Naná) com quem teve quatro filhos: Hélio, Patrícia, Júnia e Cristina. Faleceu em 04 de junho de 2016 aos 89 anos.

Seu nome está gravado na ETE - Estação de Tratamento de Esgotos do rio Conquistinha, inaugurada pelo CODAU em 25/11/2017. 


Gilberto de Andrade Rezende
Jornal da Manhã - 26 de agosto 2018





Cidade de Uberaba


terça-feira, 2 de julho de 2019

SILVÉRIO CARTAFINA – UM PREFEITO REVOLUCIONÁRIO.

Sessenta dias antes das eleições, marcadas para o dia 15 de Novembro de 1976, é que foi criada uma comissão da ARENA II para procurar um candidato que se dispusesse a concorrer com Fúlvio Fontoura, candidato da ARENA I.

Diversos nomes foram lembrados e alguns até convidados. Os nomes mais ventilados eram os de Jorge Dib Neto, Wilson Pinheiro, José Maria Barra, Vicente Marino e, posteriormente, todos se voltaram para o nome de Dr.Paulo Mesquita. Todavia, procurado em sua residência, o ilustre médico declinou do convite.

Chegou-se a uma situação curiosa. Os nomes que eram procurados, não aceitavam. Os que queriam disputar, não eram procurados. Nunca ficamos sabendo se Silvério Cartafina era a preferência do Prefeito Hugo Rodrigues da Cunha mas, inegavelmente, era um nome de peso e com uma vantagem adicional: queria ser candidato. Como era o Secretário da Saúde do governo de Hugo, ficou fácil o acerto político.

Tendo Wagner do Nascimento como vice e o apadrinhamento de Hugo, Silvério partiu para a luta.
Novamente a participação do Jornal da Manhã foi imprescindível para o resultado desta eleição. Desconsiderando a determinação do Juiz Eleitoral, a direção do jornal imprimiu a prestação de contas da administração de Hugo, o que valeu para dois diretores, Joaquim dos Santos Martins e Gilberto Rezende e para o Prefeito Hugo Rodrigues da Cunha, uma condenação que foi posteriormente revogada pelo TER de Minas.

Em compensação, através de centenas de voluntários, cerca de 35.000 lares uberabenses puderam tomar conhecimento, às vésperas da eleição fixada para o dia 15 de novembro de 1976, das realizações do governo de Hugo.

Entre os quatro candidatos, num universo de 60.358 votos válidos, Fúlvio Fontoura, concorrendo pela ARENA I, obteve 42,68%; Silvério Cartafina, concorrendo pela ARENA II, 45,68%; Ivan Cota Barbosa, pelo MDB I, 6,32% e seu parceiro do MDB II, Paulo Afonso Silveira, 5,81%.
Com uma vitória apertada, Silvério e Wagner tomaram posse em 1977 para se separarem irremediavelmente, dois anos após. Eleito para governar quatro anos, teve prorrogação de mais dois em decorrência de reforma constitucional.

Parte da equipe de trabalho de Hugo permaneceu com Silvério, entre eles o Cel. Bracarense, José Paulo Miguel, Geraldo Barbosa e Zilma Bugiatto. Outros foram convidados por Silvério para completar o quadro. Paulo Silva (Turismo), Pedro Humberto Carneiro (Viação e Obras Públicas e Planejamento), Ana Maria Borges (Pró-Árvore), Antonio Bilhrinho (Educação), Silvio Sidnei Pinto (Fazenda), Izidio Barbosa (Saúde) e em revisão de Secretaria, Jorge Dib Neto assumiu Viação e Obras Públicas.

Silvério foi um prefeito revolucionário. Abriu novos horizontes para o desenvolvimento de Uberaba com sua arrojada administração. Todos os setores mereceram sua atenção. Numa época em que o orçamento municipal era bem inferior ao da atualidade, soube aproveitar de seu relacionamento com Secretários Estaduais, Governador, Ministros e de todas as oportunidades de investimentos colocados à disposição pelas estatais estaduais e federais como o INDI, BDMG, EBTU, COHAB, INOCOOP, CDI, CEMIG, siglas que representaram muito no progresso da cidade.

Até que em 1979 Fúlvio Fontoura assumisse uma cadeira na Assembleia Legislativa e Hugo Rodrigues da Cunha na Câmara Federal, passando a colaborar com a administração municipal, Silvério era Prefeito e ao mesmo tempo fazendo o papel de Deputado Estadual e Federal.
Foram seis anos de realizações de obras de grande vulto e um governo de muita garra. Podem ser destacados em sua gestão:

A integração de Uberaba com o Distrito de Delta onde está instalado o Distrito Industrial III, via Avenida Filomena Cartafina, com 4 pistas, numa extensão de 24 km.

Aberturas de novas avenidas destacando-se a Avenida Carangola, primeira Av. a contar com uma ciclovia. Outras que foram beneficiadas: Guilherme Ferreira, da rua Padre Jerônimo até a Av. Marcus Cherém; prolongamento da Av. Santos Dumont até o Aeroporto; início da canalização da Av. Santa Beatriz.

Merecem destaques em suas obras, a ligação do Bairro São Benedito com o Santa Maria, via rua Piauí. Construiu ainda a ligação do Amoroso Costa com o Fabrício, Boa Vista e Abadia, via rua José Maria, Osvaldo Cruz, João Alfredo e Saldanha Marinho, permitindo-se chegar a BR-262. Canalizou a Av Leopoldino de Oliveira, Guilherme Ferreira, Santa Beatriz, iniciou a canalização da Av. Pedro Salomãom, terminou a da Av. San tos Dumont e urbanizou a Av. Odilon Fernandes até a Av. Jesuíno Felicíssimo.

O acesso a Uberaba pelo Bairro da Abadia, através da Av. Abilio Borges, Bandeirantes e Saldanha Marinho, até então acanhado e estrangulado, ganhou destaque no governo de Hugo que projetou avenidas largas e urbanizadas, cabendo a Silvério a concretização do referido projeto.
A definitiva solução do esgoto e recapeamento do Parque das Américas representou a quebra de um tabu em Uberaba.

Na área de saúde, construiu 14 unidades sanitárias, entre elas a de Delta, Conjunto Silvério Cartafina, Irmãos Juquinha, no Bairro de Lourdes, Dr. George de Chirié Jardim no Alfredo Freire, Durval Dias de Abreu, Norberto de Oliveira no Conjunto Boa Vista, Waldemar Ribeiro da Silva, elevando o número de unidades em Uberaba para 18. Criou o Pronto Socorro junto à Faculdade de Medicina, na gestão do dr. João Naves Junqueira.

Implantou o Centro Social urbano (Leblon) e criou o CEAPS e o SINE.

Asfaltou cerca de l milhão de m2 no perímetro urbano, além de outro milhão de m2 nos conjuntos residenciais. Fato inédito - conseguiu, em apenas uma noite, asfaltar toda a rua Artur Machado.
No Projeto Minas-Luz, conseguiu 700 postes que beneficiaram milhares de residências da periferia.
Duplicou a área do Cemitério São João Batista, construiu a sede do Corpo de Bombeiros, do COMBÉM, da EMATER. Construiu o Tiro de Guerra com o compromisso do General Walter, comandante do Planalto, de não levar mais uberabenses para Brasilia.

Construiu, reformou e iluminou cerca de 21 praças. Implantou 83 semáforos e 6.629 metros de galerias para abertura de novas avenidas, além de um emissário de 4 km. no Conjunto Boa Vista.
Doou cerca de 259 há, de terras para a Escola Agro Técnica e instituiu em 1981, o serviço de nova numeração de casas.

No setor educacional, construiu a Escola "Gastão Mesquita" em Ponte Alta e doou terreno para a “Ana de Castro Cançado” em Delta e "N.S. Aparecida". Em 1982, com a inauguração da Escola Rural “Maria Cândida Mendes”, completou 38 unidades rurais no município.

Reformou as Escolas "Prof. Chaves", "Uberaba", "Minas Gerais" e "Paulo Derenusson". Em convênio com o Estado, reconstruiu as Escolas “América”, “Horizonta Lemos”, “Henrique Kruger”, “Rotary”, “Alceu Novais” e “Bernardo Vasconcelos”.

Na área do CODAU implantou 27.000 metros de rede de esgoto e cerca de 12 mil novas ligações de água. Construiu o 1º Castelo do CODAU no Parque das Américas e o 2º na Av. Nenê Sabino.
Em 1982, interpretando os anseios da comunidade, criou a Fundação Cultural de Uberaba, reunindo em um só órgão, a coordenação de todas as manifestações culturais.

O sonho acalentado por muitos anos se transformou em uma realidade. Plantou-se naquela data uma semente em solo fértil. No comando de Antônio Bilharinho, então Secretário de Educação e com a participação de inúmeros companheiros, entre outros, Antônio Carlos Marques, Gilberto Rezende, Guido Bilharinho, Jorge Alberto Nabut, Henri Brandão, Beethoven Teixeira, Décio Bragança, Demilton Dib e Maria Antonieta Borges, nasceu a primeira entidade voltada exclusivamente para a difusão de todos os segmentos de nossa Cultura. Coube ao saudoso Dr. Edson Prata dar o embasamento legal para o seu primeiro Estatuto e a Jorge Alberto Nabut, assumir a primeira presidência desta nova Entidade.

Silvério conseguiu ainda em seu governo, remodelar a Igreja Santa Rita e trocar as torres da Igreja São Domingos.

Seu maior trunfo como administrador foi obtido na construção de conjuntos Habitacionais. Terminou o Conjunto ”Cassio Rezende I”, e construiu os Conjuntos “Cassio Rezende II”, ”Guanabara”, “Frei Eugênio”, “Boa Vista”, “Morada do Sol”, “Alfredo Freire”, “Silvério Cartafina”, “Volta Grande” e “Delta”, mais 30 blocos com 12 apartamentos cada, construída no final da Av. Leopoldino de Oliveira, todos viabilizados pela COHAB e INOCOOP.

Foram no total 11 Conjuntos Habitacionais com cerca de 7.000 residências com área de terreno de 250 m2 e construção de 23 m2 em algumas unidades. Como o terreno era grande, proporcionava ao comprador a possibilidade de ser ampliado na medida de suas possibilidades. Foi uma revolução em termos de construção de casas populares, uma ideia que até o Presidente da COHAB julgava ser uma loucura.

Filho de imigrantes italianos, Silvério e Filomena Cartafina que trabalharam por muitos anos em fazendas de café em Conquista, MG, mudaram-se para Uberaba após o quinto filho e Silvério, um dos doze filhos do casal, nasceu em Uberaba em 31 de dezembro de 1927.

Estudou inicialmente no Grupo Brasil e terminou o primário no Colégio Diocesano em 1937. Ficou com os Maristas até 1945 quando partiu para o Rio de Janeiro para fazer o Científico no MABE e logo prestou vestibular na Faculdade de Medicina, hoje UERJ, no qual passou em 15º lugar.

Formado e já concursado pelo IAPI, se especializou com grandes nomes da Medicina nas áreas de Cirurgia Geral e Urologia.

Voltou à Uberaba em 1954 trabalhando na Beneficência Portuguesa, em convênio com a Faculdade de Medicina onde só tinha 21 professores catedráticos e professores voluntários. Convidado por Hélio Angotti, passou a lecionar na Faculdade até que, com a saída de Dr. José de Abreu, assumiu a cadeira de Urologia. Foi professor da Faculdade de Medicina, por 28 anos. Além de consultório próprio, era também médico do INPS e, pela intervenção do deputado Mário Palmério, foi nomeado para o SANDU em 1958.

Em um almoço em sua casa, recepcionando o Presidente João Goulart em sua visita à Uberaba, Silvério conseguiu transformar o SANDU de Uberaba em classe A e também autorização para criar o SANDU em Ituiutaba.

Filiado ao PTB, em 1958 o seu partido ganhou as eleições municipais com Jorge Furtado na Prefeitura, Mário Palmério na Câmara Federal e Godofredo Prata, na Assembleia Legislativa, além do Juiz de Paz, Juca Inácio.

Com a revolução de 1964, os partidos foram extintos e substituídos pela ARENA, representando a situação, e MDB, pela oposição. O diretório de Uberaba do MDB foi criado por Silvério e Francisco Veludo.

Seu partido, PTB, disputou em 1966 através de Francisco Veludo, que, apesar de ter sido o mais votado dos candidatos, cedeu lugar para João Guido da ARENA, em virtude desta legenda ter obtido maior número de votos.

Voltou à carga concorrendo como vice de Francisco Lopes Veludo na eleição para a Prefeitura em 1970. Eram concorrentes também Arnaldo Rosa Prata, Mário Palmério e Artur Teixeira. Arnaldo ganhou com 44,13% dos votos contra 25,43% atribuídos à Veludo. Silvério reconheceu não ter feito boa campanha e justificou a vitória de Arnaldo pelo bom desempenho do Prefeito João Guido na gestão anterior.

Com a eleição de Hugo Rodrigues da Cunha em 1972, Silvério assumiu a Secretária da Saúde que lhe deu prestígio eleitoral, ajudando a vencer a eleição de 1976/1982, onde fez uma administração primorosa.

Já na eleição de 1983, seu candidato concorrendo pela ARENA, João Francisco Naves Junqueira obteve apenas 13,32% dos votos e Hugo Rodrigues da Cunha, 15,27%. Wagner do Nascimento, do PMDB, foi o vitorioso com 37,37%. Seus companheiros de partido também tiveram expressiva votação como Rene Barsan, 22,66% e Arnaldo Rosa Prata, l0,07%.

Silvério Cartafina Filho, político por natureza, voltou a concorrer nas eleições de 1988, desta vez enfrentando 9 candidatos. Hugo Rodrigues da Cunha foi o vencedor com 29,42% dos votos, contra Silvério, segundo colocado, com 21,09%. O remanescente foi distribuído entre os candidatos, João Batista Rodrigues, 20,04%, José Thomas da Silva Sobrinho, 15,96%, Adelmo Carneiro Leão, 8,52%, Anderson Adauto, 3,13%, Samir Cecílio, 1,09%, Bittencourt Bertolucci, 038%, e Germano Gultzgolf, 037%.

Foi sua última participação como candidato na área política. Nas décadas seguintes, além de respeitado conselheiro de políticos e amigos, se envolveu mais com suas atividades empresariais se destacando como fazendeiro e grande fornecedor de leite.

Nos últimos cinco anos se viu atacado pela Doença de Alzeimer, debilitando sua saúde. Faleceu em 12 de junho de 2019, aos 92 anos, em virtude de complicações renais e foi velado no Centro Administrativo "Ataliba Guaritá Neto", sede da Prefeitura Municipal de Uberaba, cujo Prefeito, Paulo Piau, decretou luto por 3 dias.

Silvério deixa viúva sua grande companheira de política, vereadora em diversas gestões e grande destaque na área social, Terezinha Cartafina, além dos filhos:

1) Ana Keyla, separada de seu ex-marido Eduardo, e seus filhos Franco, hoje deputado federal, herdeiro do avô na área política, casado com Maísa Lemos; Sophia, casada com Tiago Fontes e a filha Isadora.

2) Claudia casada com Evandro Andrade e seus filhos Arthur e Inácio.

3) Maristela, residente no Canadá, casada com Vicente Trius e os filhos João Vicente e Antônia.

4) Viviane Cartafina, casada com Eduardo Barbosa e os filhos Maria Eduarda e Lucas. Maria Eduarda tem uma filha, a Olívia.,

5) Renato, herdeiro de Silvério pela paixão de nosso folclore, casado com Renata.


Silvério Cartafina, além do exemplo de administrador político e empresário, era também violonista e cantador. Deixa muitas saudades entre seus familiares e amigos. Entre seus companheiros do folclore pela suas participações em manifestações culturais que varavam a noite. Onde estiver sabe que tem o reconhecimento da comunidade por tudo que fez pela sua cidade e pelo bem de seu povo.



Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Ex presidente da ACIU e do CIGRA. Ex presidente do PDS.



Fontes – Jornal da Manhã e Pedro Carneiro. – Dados eleitorais – Tião Silva.






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