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domingo, 3 de janeiro de 2021

HISTÓRIA DE UBERABA

Uberaba está inserida em uma região que já pertenceu à Capitania do Espírito Santo, São Paulo, Goiás e finalmente Minas Gerais.

De 1660 a 1670 a Região do Triângulo Mineiro, onde está localizada a cidade de Uberaba, era conhecida como Sertão do Novo Sul, Sertão Grande, Sertão Sul e Geral Grande. Posteriormente, passou a ser conhecida como “Sertão da Farinha Podre”, termo nascido em 1807, quando uma bandeira saiu do Desemboque e invadiu os sertões do Pontal do Triângulo Mineiro até as margens do Rio Grande. Para justificar a denominação “Sertão da Farinha Podre” os viajantes deixavam sacos de farinha no caminho para se alimentarem na volta. Ao retornarem ao local encontravam a farinha apodrecida. Outra explicação mais plausível para a denominação é que seria originária de uma região portuguesa de onde vieram alguns portugueses exploradores.

Finalmente, em 1884 a região ficou conhecida como Triângulo Mineiro, denominação idealizada pelo Dr. Raymond Henrique Des Genettes, médico francês, jornalista e político, radicado em Uberaba, por saber que a região situava-se entre os rios Grande e Paranaíba, terminava na junção desses dois rios, formando o Rio Paraná, e apresentava a forma aproximada de um triângulo.

Os primeiros habitantes da região foram os índios tupis, depois os tremembés, os caiapós e os araxás, de tradições seminômades, cujas tribos se movimentavam de um local para outro. Eles viviam em grupos de poucas famílias, com simplicidade e sobreviviam do que a natureza oferecesse.

Portugal passou a ter interesse pela Região a partir dos fins do século XVI, tendo como objetivo encontrar os minerais preciosos, amansar os índios e, se fosse preciso, até exterminá-los para que as metas da Coroa Portuguesa fossem cumpridas.

A primeira investida do colonizador português, ou seja, do homem branco, sobre a Região do Triângulo Mineiro, começou em fins do Século XVI, precisamente a partir do ano de 1590, data da primeira “bandeira” (expedição), chefiada pelo capitão Sebastião Marinho, que partiu de São Paulo e atingiu o Rio Tocantins, em Goiás.

Por volta de 1600 surgiu a Aldeia de Santana do Rio das Velhas (hoje Araguari), considerado o primeiro núcleo de povoamento branco na área que seria o futuro Estado de Minas Gerais, fundado pelos padres jesuítas com o objetivo de aculturar os índios, ou seja, catequizá-los.

Posteriormente, inúmeras “bandeiras” paulistas foram organizadas ao longo dos séculos XVII e XVIII, com a mesma finalidade. As mais significativas para a Região do Triângulo Mineiro são descritas abaixo:
-Em 1615 partiu de São Paulo uma “bandeira” liderada por Antônio Pedroso de Alvarenga que atravessou a Região do Triângulo Mineiro com destino a Goiás.

-Outra “bandeira” partiu de São Paulo em 1682 e também atravessou o Triângulo Mineiro até alcançar Goiás, sendo liderada por Bartolomeu Bueno da Silva (o velho Anhanguera) que levou seu filho Bartolomeu Bueno da Silva Filho de apenas 12 anos.

-Em 1722 partiu outra “bandeira” de São Paulo rumo a Goiás, visando para a abertura de uma estrada para a exploração de minas de ouro, prata e pedras preciosas. Essa missão ficou a cargo de Bartolomeu Bueno da Silva Filho (filho de Anhanguera). Ao passarem pela região se depararam com os índios caiapós. Essa expedição era composta por 152 homens, entre os quais 20 índios carregadores, 3 religiosos, 20 índios, 1 mascate francês e 39 cavalos. Ela partiu de São Paulo seguindo os rios Atibaia, Camanducaia, Moji-Guaçu, Grande (Porto da Espinha), passando em Uberaba, a sessenta metros dos fundos do atual cemitério São João Batista. Depois a expedição continuou a viagem em direção ao Rio das Velhas e penetrou em Goiás pelo Rio Corumbá. Segundo alguns relatos da época, a expedição passou por terras de Uberaba. Esta rota ficou conhecida como Estrada Real ou Anhanguera, que consistia em um importante caminho para que as autoridades portuguesas implantassem a colonização, a produção e escoamento dos minerais preciosos. Na verdade, a maioria das riquezas minerais do Brasil-Colônia foi levada para Portugal e utilizada para o pagamento de suas dívidas em relação à Inglaterra.

-Posteriormente, a expedição do filho de Anhanguera fundou em 1725 o povoado de Vila Boa em Goiás. Dessa forma foi aberta a estrada que passava pelas terras de Uberaba. Por esse feito, Bartolomeu Bueno da Silva Filho recebeu como recompensa a nomeação de Capitão-Mor Regente das minas de Goiás e o direito de conceder “sesmarias” (concessão de terras para povoamento).

-Em 1727, Antônio de Araújo Lanhoso foi o primeiro homem branco que se fixou na região de Uberaba e um dos primeiros a receber sesmarias ao longo da estrada de Anhanguera, a 15 km de Uberaba, no córrego do Lanhoso, que corre paralelo à rodovia para Uberlândia. 

-Outra estrada denominada Picada de Goiás foi aberta em 1736, saindo de Minas Gerais e passando do lado oriental da Serra da Canastra, atingindo terras de Araxá em direção à Vila Boa. A estrada foi terminada em 1738, ligando as minas goianas a São João Del Rei e Vila Rica. Ao longo dessas estradas foram concedidas também sesmarias, ou seja, terras que aos poucos foram sendo ocupadas pelo colonizador branco.

 Uberaba tem, então, a sua origem na ocupação do Triângulo Mineiro, que ficou sob a jurisdição de Goiás até 1816, quando a região passou a pertencer à província de Minas Gerais, de acordo com o Alvará de D. João VI, de 04/04/1816.

  A exploração e o povoamento de todo o Triângulo Mineiro, de modo geral, ocorreu, como em todo o “Brasil-Colônia”, pelo amansamento e extermínio das populações indígenas e dos negros nos quilombos. As estradas para a Região do Triângulo Mineiro e Goiás tornaram-se palco de batalhas entre os exploradores dos sertões e os índios. A invasão de terras indígenas provocou muitas vezes sangrentas guerras contra os caiapós, no antigo Sertão da Farinha Podre (Triângulo Mineiro). Vários quilombos também foram ameaçados pelos exploradores brancos.

Diante dessa insegurança, o governo de Goiás viabilizou o policiamento das estradas e nomeou, em 1742, o coronel Antônio Pires de Campos Filho para policiar, amansar e até mesmo exterminar os índios caiapós da região do Triângulo Mineiro. Fato constatado com a matança dos caiapós, sendo em sua maioria derrotados, submetidos e alojados também com tribos bororo, do Mato Grosso, em 18 aldeias ao longo da estrada. Uma dessas aldeias de índios mansos (Aldeia de Uberaba Falso) ficava onde se fundou Uberaba, próxima à Barra do Córrego da Lage. O coronel instalou apenas quatro dessas 18 aldeias ao longo da Estrada de Anhanguera para proteger as caravanas que nela trafegavam. Mais tarde, em 1751, o coronel Pires de Campos faleceu em Paracatu, vítima de uma flechada, ocasionando septicemia.

Em 1766 foi criado o Julgado de Nossa Senhora do Desterro das Cabeceiras do Rio das Velhas (Desemboque), sob a administração de Goiás, abrangendo a região do Triângulo e quase todo o sul de Goiás. Era um local rico em minas auríferas e de intensa exploração. A posse desse arraial pelo governo de Goiás era vantajosa aos moradores de Minas Gerais, pois estavam livres do pagamento de imposto sobre minerais, denominado "derrama", cobrado em Minas Gerais. Desemboque teve o seu esplendor até 1781, quando as minas auríferas se esgotaram. Algum tempo depois grande número de pessoas migrou para outras terras, ou seja, para o Arraial de Uberaba, fundado por Major Eustáquio. Portanto, a história do Desemboque é de fundamental importância para compreender o povoamento de Uberaba.
-Em 1807 um grupo de homens (Januário Luís da Silva, Pedro Gonçalves da Silva, José Gonçalves Heleno, Manuel Francisco, Manuel Bernardes Ferreira e outros) oriundos de Desemboque adentrou e ficou no Córrego da Lage. Segundo o historiador Borges Sampaio, o cirurgião prático Pedro Gonçalves da Silva, cujo apelido era Pedro Panga, aproveitando-se da vizinhança de índios mansos, se fixou e construiu, em 1809, uma casa, próxima de onde se encontra atualmente o Hospital Dr. Hélio Angotti.
Prosseguindo a exploração das terras, o governo de Goiás para dinamizar a administração dos Sertões, nomeou em 1809, Antônio Eustáquio da Silva Oliveira (major Eustáquio), para a função de comandante “Regente do Sertão da Farinha Podre” (Triângulo Mineiro) e, em 1811 foi nomeado por Ato Governamental, “curador de índios”. Ele era natural de Ouro Preto e residente em Desemboque.

-Em 1810, major Eustáquio organizou no Desemboque uma “bandeira”, passando por terras de Uberaba e seguindo até o Rio da Prata, formado pelos rios Piracanjuba e do Peixe.

-Outra expedição chefiada por José Francisco Azevedo, atingiu a cabeceira do Ribeirão Lajeado, fundando o arraial da Capelinha em 1812, aproximadamente a 15 km do Rio Uberaba, próximo ao povoado de Santa Rosa. O povoado chegou a ter vinte casas e foi erguida uma capelinha com as imagens de Santo Antônio e São Sebastião. O Arraial era conhecido como Lageado ou Capelinha. Entretanto, não se desenvolveu por falta de água e terras férteis, conforme constatou major Eustáquio em visita ao local.

-Para prosseguir a colonização, o “Regente dos Sertões” major Antonio Eustáquio da Silva Oliveira (conhecido como major Eustáquio e fundador de Uberaba), comandou outra expedição em fins de 1812, composta por 30 homens, com o objetivo de procurar novas terras para se estabelecerem. A expedição chegou ao Rio Uberaba e fixou-se na margem esquerda do Córrego das Lages com o Rio Uberaba, onde foi edificada a Chácara da Boa Vista (hoje Fazenda Experimental da Epamig na Univerdecidade). Major Eustáquio constatou que Uberaba tinha três condições para o povoamento: recursos hídricos, terras férteis e posição estratégica favorável. Junto com o major Eustáquio (considerado o fundador de Uberaba) vieram fazendeiros e aventureiros que passaram a produzir e comercializar com as caravanas que ligavam Goiás a São Paulo. Em 1816 o major Eustáquio construiu um retiro para o gado, uma tenda de ferreiro e a sua residência na Praça Rui Barbosa. A sua função consistia em dar proteção para os colonos e índios mansos, além de expulsar para longe do arraial os índios bravos e quilombolas. Consequentemente, grande número de pessoas e famílias do arraial da Capelinha e do Desemboque, sabendo das condições propícias do arraial de Uberaba, e do prestígio e segurança que o comandante major Eustáquio oferecia, migraram para o novo arraial. Era uma população muito heterogênea: mineiros que se estabeleceram como fazendeiros, boiadeiros, mascates, comerciantes, criadores de gado, ferreiros e até criminosos foragidos. Os moradores construíram suas casas térreas de pau-a-pique ao redor do retiro de major Eustáquio, formando a “Rua Grande” (atualmente Rua Manoel Borges e Vigário Silva). Edificaram suas casas e estabelecimentos comerciais acompanhando as ondulações dos terrenos e serpenteando os pequenos regatos. Os moradores do Arraial da Capelinha trouxeram para Uberaba os seus santos protetores e com autorização do major Eustáquio construíram uma Capela (atual Praça Frei Eugênio, hoje Escola Estadual Minas Gerais), tendo como oragos Santo Antônio e São Sebastião. Posteriormente a capela foi transformada em Matriz, com a criação da Paróquia, benzida em 1818 pelo vigário do Desemboque Hermógenes Cassimiro de Araújo Brunswick. Assim foi estabelecido o reconhecimento do povoado pela Igreja, instituição que tinha prestígios decisórios junto aos governos. A Igreja Católica estava unida ao Estado e a bênção de uma capela oficializava, na administração, o nome do Arraial, que passou a chamar-se “Arraial de Santo Antônio e São Sebastião da Farinha Podre”, designação ostentada até 1820.

Segundo o historiador Borges Sampaio, “o Arraial se desenvolveu e tinha 30 casas e já contava com 1.621 habitantes, dos quais 417 eram escravos”, o que demonstra a riqueza dos proprietários de terras e a grande exploração da mão-de-obra escrava. A atividade econômica predominante era a agricultura de subsistência, necessária para alimentar a sua população, além das tropas que passavam pelo arraial. Em 1819 havia criadores com 500 e até 1.000 cabeças de gado, fato que demonstra grande atividade pecuarista. As casas eram construídas com material simples e sem jardim, erguendo-se no alinhamento das ruas e serpenteando a naturalidade dos córregos.

O colonizador branco foi ocupando as terras à medida que os índios eram aculturados ou expulsos de suas terras formando-se extensas propriedades, devido o baixo valor da terra e a isenção de impostos sobre elas. 

O arraial foi crescendo e isso permitiu que em 2 de março de 1820, o rei D. João VI decretasse a elevação do Arraial de Santo Antônio e São Sebastião à condição de Freguesia (Paróquia). (documento oficial mais antigo de Uberaba)

Freguesia era o termo eclesiástico que designava o território de atuação de um vigário. Com isso ocorreu um desligamento dos laços religiosos que subordinavam o Arraial de Santo Antônio e São Sebastião (Uberaba) à Vila do Desemboque. O decreto constituiu um grande avanço para a comunidade. Significou a emancipação e gerência própria em assuntos de ordem civil, militar e religiosa. Foi o reconhecimento oficial tanto pela Igreja, quanto pelo Governo Real. Dada a importância histórica de 02/03/1820, quando a cidade foi elevada à Freguesia, (Decreto: documento oficial mais antigo do Município), instituiu-se oficialmente tal data para que se comemorasse o aniversário de Uberaba a partir de 1995.

A Catedral (Igreja do Sagrado Coração de Jesus) também comemora 199 anos em 2019, pois em 1820 foi criada por decreto, a Freguesia (termo eclesiástico), que deu autonomia em relação a Desemboque em assuntos eclesiásticos na Freguesia. 

O fundador e comandante de Uberaba major Eustáquio e os fazendeiros mais importantes passaram a exigir a criação da Câmara Municipal. Entretanto, o fundador de Uberaba faleceu em 1832 e assumiu a liderança da Freguesia o seu irmão capitão Domingos da Silva Oliveira. Nessa época o Governo Regencial (1831 a 1840) implantou no Brasil uma política descentralizadora, viabilizando a elevação de Vila em muitos locais do País. A Freguesia de Uberaba em pouco tempo mostrava grande desenvolvimento e já contava com um número considerável de habitantes: agricultores, pecuaristas, comerciantes e de outras profissões, reunindo as condições para ser elevada à condição de Vila. Devido a esses fatos o Governo Provincial de Minas Gerais elevou Uberaba (Freguesia) à condição de Município (Vila) de Santo Antônio de Uberaba em 02 de fevereiro de 1836, tornando-se autônomo, com território demarcado e com a Câmara Municipal. Esta foi instalada em 1837, em um prédio na Praça Rui Barbosa, que também abrigou a cadeia, uma tradição dos tempos coloniais. Os primeiros vereadores eleitos eram comerciantes prósperos, fazendeiros e representantes do clero. A Vila cresceu e assumiu importância pela posição geográfica e pela grande atividade econômica.

Uberaba, em 1840 passou a sediar uma Comarca pela Lei provincial mineira nº 171, com a finalidade de implantar a justiça na região, tendo como primeiro juiz de Direito Joaquim Caetano da Silva Guimarães.

O crescimento econômico e populacional da Vila de Santo Antônio de Uberaba viabilizou em 1846 a conquista de um Colégio Eleitoral, vindo a ser sede de grande colégio, que era responsável pela nomeação de um Deputado Geral e de um suplente para a Assembléia Legislativa. Tornou-se um importante centro comercial, com uma população de aproximadamente duas mil pessoas e 337 habitações.

Em 1850 teve início a industrialização, com a implantação da fábrica de chapéus por Luís Soares Pinheiro.

A primeira escola pública feminina de Uberaba foi criada em 1953 e o engenheiro Fernando Vaz de Melo funda em 1854 o 1º estabelecimento de ensino Secundário de Uberaba.
A Catedral Metropolitana do Sagrado Coração de Jesus, situada na Praça Rui Barbosa, iniciou a celebração dos atos paroquiais em 1856, muito antes do término de sua construção iniciada em 1827.
Devido ao seu grande crescimento de Uberaba que era uma vila, mereceu o título de Cidade em 02 de maio de 1856, pela Lei Provincial Mineira nº 759.

A Igreja Santa Rita, construída em 1856, é a primeira edificação de Uberaba tombada em 1939 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – Iphan pelo seu grande valor histórico, arquitetônico e cultural.

Na década de 1860 a cidade tentou produzir algodão para a exportação, atendendo os interesses das indústrias de tecelagem. 

Teatro São Luiz, localizado na Praça Rui Barbosa entrou em funcionamento em 1864 promovendo eventos e espetáculos.

Em 1865 passou a funcionar o primeiro Centro Espírita de Uberaba, por iniciativa do professor João Augusto Chaves.

Sabe-se que a história e o desenvolvimento de Uberaba na década de 1870 estão diretamente ligados à guerra do Paraguai, que ocorreu entre 1865 a 1870, com o consequente bloqueio do Rio da Prata que desviou todo o trânsito destinado à Província de Mato Grosso para Uberaba, esta passou a ter sua atividade comercial intensamente ampliada e serviu como ponto de passagem das tropas rumo ao Mato Grosso. Aconteceu em Uberaba o encontro de tropas que compuseram o Corpo Expedicionário, tendo como um dos membros o visconde de Taunay. Houve a construção do Cruzeiro do Cachimbo, próximo do 4º Batalhão, considerado um marco histórico pela celebração da missa em intenção ao Corpo Expedicionário que seguiu para a guerra do Paraguai. Hoje, o Cruzeiro do Cachimbo é um bem tombado pelo Conphau e instalado na Praça Magalhães Pinto.

O jornal Gazeta de Uberaba foi fundado em 27/04/1879 por João Caetano de Oliveira e Sousa e Tobias Antônio Rosa.

Entre 1881 e 1882 foi construída a igreja em homenagem a Nossa Senhora da Abadia, padroeira de Uberaba. A primeira festa ocorreu em 15 de agosto de 1882 e as obras foram concluídas em 1899.
Em 1882 foi inaugurada a iluminação pública por meio de vinte e cinco lampiões a querosene.
A Fábrica de Tecidos do Cassu foi fundada em 1882 pelos irmãos Zacarias. Mais tarde, a fábrica, foi denominada Cia. Têxtil do Triângulo Mineiro e funcionou até 1993.

O Colégio Nossa Senhora das Dores foi fundado em 1885, pelas irmãs dominicanas, e está em pleno funcionamento até hoje.

O progresso de Uberaba se acentuou com a inauguração da Estrada de Ferro em 1889, um acontecimento que viabilizou:

- A partir de 1890, desenvolvimento da pecuária zebuína a pecuária que buscou melhoria da qualidade bovina, nascendo a zebuinocultura, que projetou o criatório uberabense e transformou Uberaba em centro difusor de tecnologia e pesquisa genética das raças de origem indiana;

- O desenvolvimento comercial e intercâmbio com os grandes centros de Minas Gerais e São Paulo;
- A aceleração da urbanização. Crescimento de edificações urbanas e comerciais;

- A vinda do imigrante europeu para a Uberaba. Os primeiros imigrantes foram os italianos que criaram inclusive um consulado na cidade. Depois vieram os portugueses, espanhóis, árabes, alemães, chineses, japoneses. Consequentemente, acentuou-se o desenvolvimento cultural e econômico de Uberaba que passou a refletir na estrutura urbana, onde surgiram requintadas construções no estilo eclético. Muitas dessas edificações foram projetadas e construídas pelos imigrantes italianos e espanhóis que trouxeram de seus países de origem a técnica e a experiência. Muitos fazendeiros uberabenses transferiram suas residências do campo para a cidade e passaram a morar nos palacetes em estilo eclético. Estas requintadas residências constituíam locais de encontros políticos, sociais e festivos, eventos que permitiram muitas decisões que definiram a história do município.

A população do município crescia, assim como os atos ilegais e devido a isso era preciso um aparato policial para resguardar os cidadãos uberabenses. Em 06 de maio de 1890 o governador de Minas Gerais, João Pinheiro da Silva, institui um decreto s/nº, que em seu artigo 8º organizou “quatro corpos militares” e estabeleceu os locais de estacionamento, com o objetivo de dar maior segurança para as regiões de Minas Gerais.

- Primeiro Corpo - Capital (Ouro Preto);
- Segundo Corpo - Uberaba (Triângulo Mineiro);
- Terceiro Corpo - Juiz de Fora;
- Quarto Corpo –Diamantina.


Uberaba foi contemplada com o Segundo Corpo Militar, respondendo por todo o Triângulo Mineiro. Entretanto, teve uma efêmera permanência na cidade, pois o Decreto nº 1.631 de 26/08/1903, assinado pelo Dr. Francisco Sales, o transferiu para a capital do Estado de Minas Gerais, a população de Uberaba desassistida de proteção militar. Apenas permaneceu em Uberaba um pequeno efetivo da corporação. Foi somente em 25 de novembro de 1909 que a Força Militar se estabeleceu definitivamente na cidade, quando foi criado o 4º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, sediado em Uberaba. Inicialmente, a força policial se estabeleceu em um prédio na Rua Arthur Machado até o ano de 1932. Depois o 4º Batalhão foi instalado na Praça Frei Eugênio (Prédio do Senai) até 1947, quando foi instalado definitivamente em prédio próprio na Praça Magalhães Pinto e permanece, até a presente data.

O Instituto Zootécnico de Uberaba, proposto por Alexandre Barbosa, foi inaugurado no dia 5 de agosto de 1895, com a finalidade de formar profissionais cientificamente preparados para orientar a produção pecuária. O Instituto foi instalado em uma fazenda desapropriada pelo governo do estado de Minas Gerais para abrigar essa nova instituição de ensino.

Em 1899 foi fundado o Clube Lavoura e Comércio com o objetivo de defender a lavoura e a pecuária, combatendo os altos impostos e as interferências do novo governo republicano na atividade rural. Foi lançado o jornal Lavoura e Comércio que, em seu primeiro número, ocupou toda sua primeira página, expondo os ideais dos ruralistas.

O Colégio Marista iniciou o ensino para 86 alunos internos e externos, em 1903, por iniciativa dos irmãos maristas que vieram da França.

Em 1904 inaugurou-se a Igreja São Domingos, um marco para os dominicanos, pelo fato de ser a primeira igreja da ordem dominicana construída no Brasil.

Em 1905 foi implantada a energia elétrica pela empresa Ferreira, Caldeira & Cia, fato que impulsionou o desenvolvimento da cidade.

Em 1906, tiveram início as exposições de gado bovino, que foram muito prestigiadas, notadamente pelo Presidente da República Getúlio Dorneles Vargas, nas décadas de 1930 a 1950.

A Diocese de Uberaba foi criada em 1907, tendo como primeiro bispo D. Eduardo Duarte Silva e foi elevada à categoria de Arquidiocese em 1962.

O Agente Executivo Felipe Aché criou em 1909 a primeira Biblioteca Pública Municipal de Uberaba, denominada “Bernardo Guimarães”, estabelecendo-a em um porão da Câmara Municipal de Uberaba, um fato que denotou na época a pequena importância dada à educação e à cultura do município.
Em 1909 foi inaugurado pelo estado de Minas Gerais o primeiro grupo escolar de Uberaba, denominado Grupo Escolar Brasil, localizado até hoje na Praça Comendador Quintino.

Pela iniciativa de José Maria dos Reis, o governo do Estado de Minas Gerais criou, em 1917, a primeira instituição de ensino agrícola de Uberaba, denominada Aprendizado Agrícola Borges Sampaio.

Em 1926 criou-se a primeira instituição de ensino superior na área da saúde bucal e da farmacologia, conhecida como Escola de Farmácia e Odontologia, que recebia alunos das mais diversas regiões do Brasil e até do exterior.

Os primeiros protestantes de Uberaba foram os metodistas, cujos missionários iniciaram seus trabalhos em 23/08/1896 nas casas de fiéis e amigos. O templo foi inaugurado em 1924, na Rua Moreira César, no bairro Fabrício.

Mário Palmério fundou em 1947 a Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, oportunizando mais tarde o ensino em outras áreas do conhecimento, na década de 1950, com as Faculdades Integradas de Uberaba (Fiube) e, desde 1988 Universidade de Uberaba (Uniube).

Em 1949 as irmãs dominicanas fundaram a Faculdade de Filosofia e Letras São Tomás de Aquino.
As irmãs concepcionistas chegaram a Uberaba em 1949 e em 1961 inauguraram a Igreja da Medalha Milagrosa.

A Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro se estabeleceu em 1954 e foi transformada em Universidade Federal do Triângulo Mineiro em 2005, oferecendo cursos em diversas áreas do conhecimento.

Nas décadas de 1970 e 1980 foram instalados os primeiros distritos industriais da cidade, apoiados com investimentos do Governo Federal.

Na década de 1990 nasceu a Univerdecidade-Parque Tecnológico de Uberaba para viabilizar a pesquisa e o ensino técnico-profissionalizante, relacionados à ciência da informação e à agroindústria, notadamente para a genética vegetal e animal.

O Centro de Pesquisas Paleontólogicas Llewellyn Ivor Price e Museu dos Dinossauros foram criados em 1992. O museu é um dos mais importantes do Brasil, possuindo fósseis de 65 a 72 milhões de anos de idade. Localizado em Peirópolis, o museu é conhecido pela população regional e por visitantes de outros estados e países.

Uberaba conta com marcos reconhecidos no Brasil e no mundo: a expressão espiritual de Chico Xavier, o desenvolvimento da pecuária zebuína e a paleontologia.

Nos primórdios da sua história fora um Arraial, e hoje, no terceiro milênio (Século XXI) representa um centro comercial dinâmico; uma agricultura produtiva; uma pecuária seletiva, com importação de reprodutores e matrizes da Índia; um parque industrial diversificado, uma estrutura de ensino desenvolvida; uma planejada estrutura urbana, com características culturais sui generis, que têm atendido as demandas nos aspectos econômicos, culturais e de serviços essenciais à população.


Marta Zednik de Casanova
Superintendente do Arquivo Público de Uberaba

Cidade

ENSAIOS TÉCNICOS UBERABENSES (VI)


GUERRA DO PARAGUAI

Não obstante Uberaba tenha participado diretamente da Guerra do Paraguai com a reunião e concentração na cidade, em 1865, das Forças Expedicionárias que invadiram o norte do Paraguai, do que resultou na ominosa Retirada da Laguna, ao que se sabe apenas o ensaio de JOSÉ MENDONÇA, “O Triângulo Mineiro de 1865 e o Visconde de Taunay” (1964), refere-se a esse acontecimento histórico e, assim mesmo, não diretamente, mas, para muito justamente defender Des Genettes das incompreensões do visconde em relação a essa importante personagem da História de Uberaba.

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Contudo, mesmo que não concernente a fato local, o advogado, romancista e contista JOÃO CUNHA publicou, sem indicação do ano da edição, mas em 1981, consoante a data da dedicatória, o livro “Guerra do Paraguai – Indiscrições de Um Soldado”, consistente em cartas de voluntário maranhense a um seu amigo, por sinal, pai da sogra de João Cunha, recipiendário dessa correspondência. Na primeira parte do livro, João Cunha disserta sobre o missivista e o destinatário, publicando, na segunda, por ordem cronológica, todo esse importante e significativo depoimento de quem participou dessa Guerra e sobre essa participação previdente e livremente depôs.


MEIO AMBIENTE

Acompanhando a crescente preocupação com o meio ambiente, alguns livros foram escritos por uberabense a respeito da momentosa questão.



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O professor JOSÉ HUMBERTO BARCELOS, em edição da Secretaria Municipal de Educação e Cultura, publicou, em 1994, o livro “Uberaba, Meio Ambiente e Cidadania”, focalizando o processo educativo ambiental; localização e características do município; áreas verdes de preservação permanente; habitação; saneamento básico; atividades produtivas; legislação municipal e estadual sobre meio ambiente.



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Em 1997 foi publicado “Lendo e Recriando o Verde”, sob coordenação e redação geral da professora e escritora VÂNIA MARIA RESENDE e estudos sobre o cerrado e aspectos botânicos de ÉLCIO CAMPOS GÁRCIA, focalizando em bela e ilustrada edição, entre outros temas, educação e ecologia, paisagem urbana de Uberaba, reciprocidade entre o ser humano e o meio e áreas verdes na Univerdecidade.

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Em setembro de 2019 foi publicado o livro eletrônico no blog http://guidobilharinho.blogspot.com/, de nossa autoria, “Meio Ambiente e Patrimônio Arquitetônico”, no qual são expendidas considerações a respeito desses temas, questionando as tendências contemporâneas de transferir para os produtores e proprietários todos os ônus da preservação ambiental e de restrições e manutenção de imóveis tidos em geral equivocadamente como de excepcional valor arquitetônico.


ESTUDOS CINEMATOGRÁFICOS

Na década de 1950 iniciaram-se os estudos cinematográficos em Uberaba em reuniões de troca de ideias e diálogos de pequeno grupo de cinéfilos liderados pelo dominicano frei Raimundo Cintra. Em 1962 foi fundado o Cine Clube de Uberaba com projeções de filmes, debates, cursos, Bolsa de Cinema (avaliação mensal de filmes lançados na cidade) e seleção anual dos Dez Melhores Filmes projetados nos cinemas locais, além de artigos esparsos publicados no “Correio Católico” e eventuais cursos e palestras em colégios e faculdades.

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Porém, livros sobre cinema somente começaram a ser elaborados e editados de 1996 em diante, todos de nossa autoria, iniciados com “Cem Anos de Cinema” e “Cem Anos de Cinema Brasileiro”.

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Em 1999 começou a ser editada a coleção Ensaios de Crítica Cinematográfica, a única coleção editorial brasileira do gênero, ainda em andamento, com 17 (dezessete) livros publicados em papel e 13 (treze) livros eletrônicos no blog https://guidobilharinho.blogspot.com/, abrangendo tanto a análise e avaliação de filmes brasileiros quanto estrangeiros, sendo o primeiro deles “O Cinema de Bergman, Fellini e Hitchcock” e, o mais recente, “O Cinema dos EE.UU. (I): Filmes Ótimos”.


MANIFESTAÇÕES POPULARES

Existem muitas diferenças entre Folias de Reis, Catira, Benzeções e Crendices, porém, forte elo as une, que é a cultura popular, em seu mais amplo sentido, onde ocorrem e vicejam, abrangendo, nesse amplexo, o Folclore.

Nessa linha de manifestações, vários livros foram publicados em Uberaba, dos quais aqui se registram os que se teve acesso.

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Em 1997, o Arquivo Público de Uberaba editou “Em Nome de Santos Reis, vol. I: Um Estudos Sobre Folias de Reis em Uberaba; vol. II: Os Números das Folias”, ambos sob a coordenação de SÔNIA MARIA FONTOURA e autoria dessa renomada pesquisadora e de LUÍS HENRIQUE CELULARE e FLÁVIO ARDUINI CANASSA. No primeiro volume expõem-se a história, a composição social, a organização ritual e o processo da Folia, além de outras considerações, incluindo-se capítulo sobre o futuro da Folia. O segundo volume apresenta levantamento do número de Folias existentes no município.

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Em 1998, o professor e pesquisador CARLOS PEDROSO publicou o livro “Cafubira e Vauranas”, em que expõe, analisa e explica crendices, benzeções e diferenças entre o benzedor, que não receita nem recomenda remédios, e o carimbamba, espécie de farmacêutico prático, lido no Chernoviz, concluindo, por fim, e revelando o propósito do livro, que constitui a necessidade de registrar a benzição porque ela vai desaparecendo aos poucos.

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Em 2003, o mesmo professor e pesquisador CARLOS PEDROSO publicou a obra “Folia de Reis – Folclore Encantado”, na qual se encontra, conforme expõe o prefaciador João Batista Domingos Filho, “explicação das mais profundas camadas da criação e da repetição de um padrão social de relacionamento da religiosidade com as demais instituições sociais”. 

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Já GILBERTO ANDRADE RESENDE, um dos maiores promotores culturais do país, publicou em 2004 o livro “Catira – A Poesia do Sertão”, composto de pesquisa, exposição e recuperação de textos de cantorias, modas e recortados de autoria principalmente de Manuel Rodrigues, mas também de Sinhô Borges, Antônio Augusto Soares Borges, Paulo José Curi, Manuel Teles José Barbosa e diversos outros.

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Com indenização e colaboração de texto de GILBERTO ANDRADE RESENDE e pesquisa e texto de LISETE RESENDE, foi publicada, em 2014, em primorosa edição, a obra “Catira – Uma Tradição de 450 Anos”, dividida em duas partes: Catira (origem, estrutura musical e coreográfica, a música, a viola, a moda, o recortado, etc.) e Catireiros (apresentação de mais de trinta grupos de Catira de todo o país), ambas as partes profusa e coloridamente ilustradas.


FRANÇA

O país com que Uberaba mais se identificou no século XIX e primeiras décadas do século XX – antes da avassaladora presença do cinema estadunidense – foi a França, a ponto de ser cunhada a expressão “Paris, Rio de Janeiro, Uberaba” e o poeta e historiador Jorge Alberto Nabut denominá-la de “França Sertaneja” em artigo que destaca principalmente a presença e atuação na cidade do médico e polígrafo francês Raimundo des Genettes desde 1853, dos frades e irmãs dominicanas e irmãos maristas que para aqui vieram, respectivamente, em 1881, 1885 e 1903.

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Nada menos de dois livros foram editados por uberabenses sobre a influência da França, seja no país seja em Uberaba, no primeiro caso “A França do Brasil” (2009), de autoria de LUÍS EDMUNDO DE ANDRADE, radicado no Rio de Janeiro e filho de José Sexto Batista de Andrade (presidente do Banco do Triângulo Mineiro e vice-presidente do Jóquei Clube de Uberaba), enfocando a presença francesa nas artes, ciências, filosofia, diplomacia, direito, literatura e diversos outros setores e atividades.

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O outro livro, publicado por iniciativa e organização da então superintendente do Arquivo Público de Uberaba, LÉLIA BRUNO SABINO, “A França em Uberaba” (2010), refere-se particular e exclusivamente a Uberaba no qual, em nada menos de 27 (vinte e sete) artigos de diversos autores, é repassada e analisada a influência e os traços marcantes da presença cultural, religiosa e social francesa na cidade.

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Guido Bilharinho é advogado em Uberaba e autor de livros de literatura, cinema, fotografia, estudos brasileiros, História do Brasil e regional editados em papel e, desde setembro/2017, 

terça-feira, 29 de dezembro de 2020

Jornal Gazeta de Uberaba

Acervo: 1879 a 1912 

A Imprensa no Brasil: 


Os jornais são referências fundamentais para as pesquisas historiográficas por garantirem acesso à informação e revelarem ideologias diferenciadas, as tradições, os usos, os costumes, as atividades comerciais, os aspectos políticos, sociais, culturais e econômicos, que marcaram a trajetória de um povo. 

No Brasil, qualquer atividade de imprensa era proibida antes de 1808 e, consequentemente a imprensa brasileira nasceu tardiamente, assim como o ensino superior, as manufaturas, a própria independência política e a abolição da escravatura. 

Ao contrário dos principais países latino-americanos, o Brasil entrou no século XIX sem tipografia, sem jornais e sem universidades, inviabilizando a formação do público leitor. Isso gerou um legado de analfabetismo, sentido até hoje. 

A primeira tipografia a funcionar de forma duradoura no País viria a bordo da nau Medusa, integrante da esquadra que transferiu a Corte Portuguesa para o Brasil em 1808, fugindo das tropas napoleônicas. Utilizando-se desse material tipográfico o príncipe D. João baixou um decreto em 13 de maio de 1808, determinando a instalação da Impressão Régia no Rio de Janeiro, com a ressalva de que nela “se imprimam exclusivamente toda a legislação e papéis diplomáticos que emanarem de qualquer repartição do meu real serviço, e se possam imprimir todas e quaisquer obras, ficando inteiramente pertencendo seu governo e administração à mesma Secretaria”. 

Tobias Rosa foi um dos dirigentes do Jornal Gazeta de Uberaba. Imagem do final do século XIX.
 Acervo: Superintendência do Arquivo Público de Uberaba.


A imprensa brasileira tem como marcos fundadores: o lançamento, em Londres, do Correio Braziliense, em 1º de junho, e a criação da Gazeta do Rio de Janeiro, em 10 de setembro, ambos de 1808. 

Apesar dos percalços e limitações, a imprensa brasileira conquistou espaço em sua trajetória histórica e possui um número apreciável de jornais que têm revelado notável capacidade de inovação técnica e editorial, o que lhes permitem vencer todos os desafios surgidos até hoje. 

A Imprensa em Uberaba: 

Em Uberaba, a imprensa surgiu em fins do século XIX e desde então revela fatos importantes que marcaram a história da cidade e do Brasil. Os jornais fundados na cidade tiveram o desafio de construir um jornalismo informativo, crítico e esclarecedor. 

O primeiro jornal impresso que se tem notícia no Triângulo Mineiro surgiu em Uberaba, intitulado O Paranaíba, que segundo o pesquisador Hildebrando Pontes[1], foi criado pelo médico francês Henriques Raimundo des Genettes em 01 de outubro de 1874. 

Hildebrando Pontes revela que a maioria dos primeiros impressos obedecia a fins políticos, “daí ser a política uma das causas que mais eficazmente contribuíram para o progressivo desenvolvimento da imprensa entre nós” [2]. Lembra que por estes impressos manterem posicionamentos políticos em suas abordagens, alguns jornalistas sofreram violências das partes ofendidas. 

Segundo Hildebrando Pontes, em boa parte era graças aos jornais que a civilização ganhava força: “Hoje, graças ao benemérito influxo da civilização, cuja maior parte se deve à imprensa, a leitura de jornais é tão necessária ao espírito como o alimento que da vida e força ao organismo. Um fato parece não ter importância se dele não se ocupa a imprensa”. 

Jornal Gazeta de Uberaba: 


Com a preocupação em viabilizar para o público o acesso às informações pertinentes à imprensa de Uberaba, a Superintendência do Arquivo Público tem como um dos objetivos recuperar acervos documentais. Diante disso, intermediou junto a Arnaldo Rosa Prata, ex-prefeito de Uberaba, a disponibilização do Jornal Gazeta Uberaba para ser digitalizado e disponibilizando via internet para o público. 

O Gazeta de Uberaba foi distribuído pela primeira vez em 1875 e teve como primeiro diretor e redator José Alexandre de Paiva Teixeira. Na primeira etapa de sua existência foi publicado até fevereiro de 1876. 

Em 27 de abril de 1879 o mesmo jornal foi recriado por João Caetano e Tobias Rosa (tio de Arnaldo Rosa Prata) e nessa época o impresso manteve uma atuação político-partidária oponente ao Partido Liberal que era representado por outro jornal com o título de Correio Uberabense. 

O Jornal Gazeta de Uberaba foi o quarto periódico criado em Uberaba. 

Arnaldo Rosa Prata resguarda o acervo há anos e gentilmente emprestou os jornais para serem digitalizados pela Superintendência do Arquivo Público de Uberaba. Um acervo de grande importância para a história do município e região e se refere ao período de 27 de abril de 1879 a 1912. 

O Gazeta de Uberaba era um periódico semanal, que após 30 de novembro de 1894 passou a circular seis vezes por mês. Em 1º de janeiro de 1903, a circulação passou a ser diária e tornou-se o primeiro jornal diário que Uberaba teve. 

Nas oficinas montadas com capricho, na Rua Tristão de Castro, nº 2, executavam-se excelentes trabalhos de arte tipográfica. A sua tiragem era de 1.200 exemplares impressos em 4 a 6 páginas. Na sua existência de aproximadamente meio século de circulação, o Gazeta de Uberaba contava com um numeroso corpo de colaboradores representados por distintos jornalistas nacionais e estrangeiros. 

Em 1891 assumiu a direção do jornal o professor Alexandre Barbosa, sucedido pelo promotor de justiça pública de Uberaba, Joaquim José Saraiva Júnior, que também não permaneceu por muito tempo na direção, uma vez que foi transferido para a Promotoria de Monte Alegre. Sendo assim, a coordenação e redação passaram para as mãos de Chrispiniano Tavares, José Maria Teixeira de Azevedo e outros. Quando entrou em cena a República, a aderência política afeita pela folha ajustou-se ao Partido Republicano Mineiro (PRM). 

Já no ano de 1895, o então proprietário do jornal Gazeta de Uberaba, Tobias Antônio Rosa, mudou-se para o município de Ribeirão Preto, levando consigo o jornal, que passou a ser intitulado São Paulo e Minas. Em 1897 Tobias Antônio Rosa voltou para Uberaba e reabriu as portas da redação do jornal com o seu nome anterior, Gazeta de Uberaba. 

Na sucessão da presidência do Estado de Minas Gerais, de Bias Fortes, para Silviano Brandão, surgiu em Uberaba o Partido da Lavoura e Comércio, entidade que representava os interesses de segmentos econômicos da região que eram contrários às taxações cobradas em detrimento aos seus interesses financeiros. Assim nasceu também o jornal Lavoura e Comércio, em 1889, de propriedade de Antônio Garcia de Adjunto. O embate de interesses políticos na região ficou marcado claramente nas linhas editorias dos dois jornais: de um lado estava o Gazeta de Uberaba, alinhado com as proposições políticas do governo de Minas Gerais, de Silviano Brandão; do outro lado, o Lavoura e Comércio, entrincheirando os interesses classistas locais. 

A oposição do jornal Gazeta de Uberaba ao jornal Lavoura e Comércio se deu até a fusão do Partido da Lavoura e Comércio com o Partido Republicano Mineiro, em janeiro de 1903. Após esse período o Gazeta de Uberaba centrou-se noutras questões de interesses gerais como relata Pontes[3]. 

Hildebrando Pontes, mostra no seu estudo sobre a imprensa de Uberaba que, o Gazeta de Uberaba, a partir de 1909, ajustou seu enfoque editorial à defesa do recém-criado Partido Civilista, contrário a indicação feita pela convenção nacional ao pleito da Presidência da República. Hildebrando Pontes ainda conta que o jornal tomou outra linha absolutamente diferente pela marcada até então, quando: 

[...] Entretanto por transação de 21 de janeiro do ano seguinte, entre os diretores os senhores Tobias Rosa e Filho e o Coronel Américo Brasileiro Fleury, passou a ser, a Gazeta de Uberaba, desse dia em diante propriedade do último. Essa transação inverteu diametralmente, os pólos de defesa política do jornal, que passou a ser agora, órgão francamente hermista, politicamente redigida pelo deputado Afrânio de Mello Franco, e literariamente redigido pelo José Afonso de Azevedo, figurando, ainda, no seu corpo de colaboradores, além de outros, o Dr. José Julio de Freitas Coutinho, Juiz Municipal de Uberaba. Cessada a campanha hermista, continuou como órgão do PRM, redactoriado pelos doutores Lauro de Oliveira Borges, Alaor Prata Soares e José Julio de Freitas Coutinho. (PONTES, JORNAL CORREIO CATÓLICO, 1931. n/p). 

A partir de 24 de janeiro de 1911, o jornal Gazeta de Uberaba tornou-se “Propriedade de uma Associação”, dirigida pelos mesmos senhores, menos o Dr. Coutinho, que se retirou. 

No entanto, o Jornal Gazeta de Uberaba teve suas atividades interrompidas em 1912. 

Em novembro de 1913, o coronel Tobias Rosa, fundou a Gazeta do Triângulo, uma associação que defendia os interesses do PRM – Democrata. 

Em 1915 rearticulou a volta do Gazeta de Uberaba, que dessa vez atendia aos interesses do “Partido da Concentração Municipal de Uberaba”. Desse modo, o Gazeta de Uberaba funcionou até 1917, ano em que faleceu o coronel Tobias Antônio Rosa. 


Marta Zednik de Casanova 

Superintendente do Arquivo Público de Uberaba 



[1] PONTES, Hildebrando. A Imprensa de Uberaba. JORNAL CORREIO CATÓLICO, 21 de mar. 1931. n/p. nº 360. 

[2] Id. Ibid. n/p. [3] PONTES, Hildebrando. A Imprensa de Uberaba. JORNAL CORREIO CATÓLICO, 21 de mar. 1931. n/p. nº 360. n/p.


quarta-feira, 14 de agosto de 2019

CONSTRUTORES DE PONTES

Imagens resgatadas dos arquivos da Companhia Mogiana.


A primeira é bastante conhecida: mostra as obras da ponte rodoferroviária sobre o Rio Grande, ligando Igarapava (SP) e Delta (MG), na época ainda pertencente ao município de Uberaba.

Nessa versão em alta resolução é possível ver alguns detalhes do processo de construção e, principalmente, os destemidos trabalhadores que erguiam as estruturas, sem qualquer preocupação com a segurança individual – algo impensável nos dias de hoje. A legenda original nos revela a data (20 de abril de 1915) e o também nome do fotógrafo: O. Pasetto.

Construção da ponte rodoferroviária da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro entre Igarapava (SP) e  Delta (MG) em 20/04/1915. Crédito: O. Pasetto./ acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo

  Detalhe da construção da ponte rodoferroviária da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro entre Igarapava (SP) e Delta (MG) em 20/04/1915.

   Construção da ponte ferroviária da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro sobre o Rio Uberaba no trecho entre entre Uberaba e Uberlândia (MG), circa 1894.

 Detalhe da construção da ponte ferroviária da Cia. Mogiana de Estradas de Ferro sobre o Rio Uberaba no trecho entre entre Uberaba e Uberlândia (MG), circa 1894. 

   Ponte ferroviária da antiga Cia. Mogiana de Estradas de Ferro sobre o Rio Uberaba no trecho entre entre Uberaba e Uberlândia (MG). Foto de 2016. Crédito: Google Earth.

Nota-se ainda um detalhe curioso, que pouca gente conhece: a falta do último vão metálico do lado de Igarapava. A Cia Mogiana mudou o traçado da ferrovia depois que a estrutura da ponte já havia sido encomendada na Europa. No novo local de travessia, o rio era ligeiramente mais largo e foi preciso adicionar um quinto vão à ponte. Com o início da 1ª Guerra Mundial, foi impossível comprar essa estrutura extra, e a ponte teve de ser inaugurada (em outubro de 1915) com um vão provisório, feito em madeira. Só depois de 1919 ele foi substituído pela estrutura metálica (um pouco menor que as outras quatro) que está lá até hoje.

A segunda imagem é mais antiga e bem menos conhecida: mostra a construção da ponte sobre o Rio Uberaba, já no trecho Uberaba-Uberlândia da ferrovia. A foto não tem data, mas deve ter sido tirada por volta de 1894, quando esse prolongamento estava sendo construído (foi inaugurado em 1895). É possível que seja a mesma ponte que se encontra lá até hoje, cruzando o rio logo atrás da pedreira da empresa Jasfalto, e que pode ser vista do alto no Google Earth.

Não achei na Internet fotos recentes dessa ponte. Que não deve ser confundida com a outra que passa sobre o Córrego Alegria (um afluente do Rio Uberaba) na antiga linha Uberaba-Ibiá, inaugurada em 1925 – onde aconteceu o famoso acidente que deixou a cidade sem água por semanas em 2003.

Crédito das imagens PB: acervo do Arquivo Público do Estado de São Paulo.

(André Borges Lopes)

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Em 1971, a antiga Companhia Mogiana de Estradas de Ferro foi incorporada à empresa estatal paulista Fepasa. Na década de 1990, todas as linhas de longo curso remanescentes da Fepasa foram transferidas para a Rede Ferroviária Federal e, em seguida, divididas em lotes e privatizadas. O Arquivo Público do Estado de São Paulo, conseguiu que os acervos históricos das antigas empresas ferroviárias paulistas ficassem sob sua guarda. Nesse acervo, encontrei algumas fotos originais das linhas de trem da Cia Mogiana no Triângulo Mineiro.


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Cidade de Uberaba

sexta-feira, 28 de junho de 2019

O facínora Manoel Prego

A pesquisa histórica em jornais antigos envolve riscos. Sempre que o noticiário trata de fatos de natureza político-partidária, é preciso tentar desvendar os interesses e motivações de cada um dos que escrevem – o que nem sempre é fácil para quem está distante das paixões e complexidades da política local de cada época. A complicação se torna maior quando as questões políticas migram para o noticiário policial. Informações prestadas por autoridades policiais, investigadores, promotores, advogados e réus devem sempre ser vistas com ressalvas, já que há inegáveis interesses envolvidos. Na mais branda e legítima das hipóteses, é usual que autoridades divulguem informações falsas ou incompletas, com o intuito de não atrapalhar investigações em curso. Nas piores situações, as falsidades podem ter o objetivo de confundir o leitor e proteger criminosos.

Um exemplo dessas situações ocorreu no Triângulo Mineiro, em meados da década de 1930, quando as disputas políticas entre adversários e apoiadores dos governos de Getúlio Vargas e seu interventor estadual Benedito Valadares eram exacerbadas. Na cidade de Ituiutaba, uma das personalidades de grande destaque era o Cel. Pedro de Freitas Fenelon, que havia apoiado Getúlio na revolução de 1930 e participado ativamente dos combates contra o levante paulista de 1932. Três anos mais tarde, a disputa política continuava quente. Pedro Fenelon era líder do Partido Progressista e oficial do Registro Civil em Ituiutaba. Às nove da noite do dia 13 de outubro de 1935, ele deixava o fórum da cidade quando foi abatido a tiros de revolver no meio da rua, por um assassino que fugiu do local.

A morte causou grande comoção em Uberaba, onde Fenelon tinha parentes e amigos. Desde logo, suspeitou-se de crime com motivações políticas. Benedito Valadares nomeou para as investigações o delegado Oswaldo Machado, de Belo Horizonte, que veio para o Triângulo com plenos poderes. Um mês após o crime, a imprensa divulgava que o delegado estava no encalço de um matador de aluguel de nome Manoel Prego, suspeito de ser o executor do crime.

Em dezembro, o jornal uberabense Lavoura e Comércio divulga que Machado havia apreendido na região de Ituiutaba um enorme arsenal de armas de guerra, inclusive metralhadoras. Poucos dias antes, fora sufocado em diversas cidades do país um levante de militares simpatizantes do Partido Comunista (a chamada “Intentona”), mas a polícia garantia que as armas pertenciam a Manoel Prego que, de mero pistoleiro, havia sido elevado à categoria de “chefe de terrível quadrilha de salteadores”. Dois dias depois, o Lavoura publicou sem destaque uma carta contestando a informação: invocando o testemunho das autoridades policiais de Ituiutaba, os remetentes afirmavam que o arsenal havia sido apreendido nas casas e fazendas de apoiadores do finado Pedro Fenelon, entre eles o prefeito Jaime da Luz.

Foi preciso um ano de perseguições para que a polícia pusesse as mãos no terrível Manoel Prego. Em 9 de dezembro de 1936, o assassino foi surpreendido nas cercanias de Santa Rita do Paranaíba, Goiás, “em residência da horizontal Ana Cataloa”. Apesar da surpresa e da situação constrangedora, Manoel – um negro alto e forte – teria oferecido “terrível resistência” à captura, só se entregando depois de baleado. Na delegacia, confessou uma série de crimes praticados em cidades do noroeste paulista, Triângulo mineiro e sul de Goiás. Contou em detalhes o assassinato de Pedro Fenelon, que teria sido praticado a mando de um respeitável adversário político local, o Sr. Tobias Gomes Junqueira, pela quantia de dois contos de reis. Disse ainda ser amigo de vários fazendeiros da região, que lhe ofereciam abrigo em troca de serviços.

Seu verdadeiro nome era Manoel Eduardo de Andrade, um pistoleiro de aluguel que atuava sozinho. Considerado de alta periculosidade, foi transferido por questões de segurança para a Penitenciária de Uberaba. No final de março de 1937, foi levado a Frutal a pedido do Juiz de Direito local para depor em um processo. Poucos dias depois, detido na cadeia local, teria tentado fugir e acabou baleado e morto pelos policiais de plantão. Levou consigo os segredos dos crimes e seus mandantes. Da “terrível quadrilha” e das armas de guerra apreendidas, ninguém mais deu notícias.


(André Borges Lopes)



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Cidade de Uberaba


UBERABA SOB TIROTEIO!

Da outra vez que bandidos balançaram o solo de Uberaba,- 06/11/2017-f ui acordado às 3:00h por tiros de pesadas armas que ecoavam norte a sul da cidade. Fiz uma crônica sobre o episódio que pode ser vista hoje como um pobre relato.

Agência do Banco do Brasil. Foto: Reprodução.  


Nesta madrugada a dose foi repetida com carga mais do que triplicada. Fecharam o tempo literalmente, mataram pessoa, partiram para cima de bancos, lojas, etc. Criaram o pânico geral, instalaram guerra campal merecendo reação imediata das nossas gloriosas; Polícia Militar e Civil. Na vez anterior as duas optaram por recuar. 

Hoje pode -se concluir que o cenário foi mais bem pensado e flancos previamente escolhidos facilitaram a ação engenhosa do grupo que, dizem, é composto por mais de 30. 

Volto na minha tecla: o Triângulo Mineiro está situado entre São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. Essa posição e exposição geográficas requerem que a nossa área seja vista como um barril de pólvora. Nossas autoridades também a veem? 

Amanhã será encontrada meia dúzia de larápios, feito a primeira vez, e estamos conversados. Não esperamos isso.

Hoje o Brasil é outro. Bandidos armados com a sociedade encurralada; o que podemos esperar? Reedição breve desta madrugada? Tiros, tiros, tiros e bombas! 

Cadê o veículo caveirão? Legislação? Helicóptero? COE ou BOPE? 


O mundo inteiro acompanhou em tempo real o nosso drama e uma das frases que recebi foi: “Muda desse país gente!”


Eu que sempre fui contra o armamento da sociedade começo a rever meus conceitos. Com o Congresso, o STF, o STJ e outros tribunais que possuímos, francamente...


Só não podemos perder a esperança e nem deixá-la morrer, ainda que seja por último. 
A confiança em Deus sim, deve ser inquebrantável.



João Eurípedes Sabino - Uberaba - Minas Gerais - Triângulo Mineiro - Brasil.




Cidade de Uberaba


domingo, 20 de janeiro de 2019

Ponte que divide os estados de Minas Gerais e São Paulo, em Delta, no Triângulo Mineiro.

Outra vista da velha ponte do Rio Grande, publicada em julho de 1968 pela finada Revista Manchete, em matéria especial sobre o Triângulo Mineiro. Do lado esquerdo (São Paulo) vemos ao fundo as chaminés da Usina Junqueira. Do lado direito (Minas Gerais) o Uberaba Country Clube e a sede campestre da Associação Atlética Banco do Brasil.

Ponte São Paulo, em Delta, no Triângulo Mineiro. Foto de Mituo Shiguihara /Revista Manchete. 

Ainda não havia as represas de Volta Grande (1974) e Igarapava (1998) e nem a nova ponte ligando a BR-050 com a Via Anhanguera (2001). O rio tinha um longo trecho navegável para barcos de pesca e lanchas de recreio. 

A foto foi publicada invertida na revista, aqui está na posição correta). 

1968_Dupla de locomotivas General Motors Diesel G-12 da Cia Mogiana puxando uma composição de cargas para Minas Gerais sobre a ponte Igarapava-Delta no Rio Grande. 

Dupla de locomotivas sobre a ponte Igarapava-Delta no Rio Grande. Foto de Mituo Shiguihara /Revista Manchete. 

Por décadas os trens dividiram o tráfego por essa ponte com carros, carroças, caminhões, boiadas e pedestres desde a sua inauguração em 1915 até o início de 1979 – quando foi aberta ao tráfego a variante Entroncamento-Amoroso Costa, que passou atravessar o rio em uma nova ponte ferroviária, construída cerca de 10 km abaixo desse local e ainda em operação. 

A rodovia BR-050 só ganhou uma ponte nova em 2001.




Cidade de Uberaba


segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

LINHA AÉREA SÃO PAULO – UBERABA

Linha aérea São   Paulo - Uberaba

Uberaba foi a primeira cidade fora do estado de São Paulo a ser servida pelas linhas aéreas da extinta VASP, logo após a sua fundação, em 1933. Cinco anos depois, a VASP passou a voar para o Triângulo Mineiro com os seus novíssimos aviões alemães Junkers Ju 52 – de três motores e capacidade para 17 passageiros – com escalas alternadas em Araraquara, Ribeirão Preto e Franca. Na época, esse modelo da Junkers era um dos aviões de passageiros mais modernos do mundo. Voava a 250 Km/h e, em vôo direto, ligava Uberaba ao aeroporto de Congonhas em São Paulo em 1 hora e 55 minutos.

O vôo inaugural aconteceu em janeiro de 1938, com a aeronave de prefixo PP-SPD ”Cidade de São Paulo”. A chegada em Uberaba atrasou em um dia por conta de um curioso incidente no então precário campo de pouso de Ribeirão Preto: uma das rodas no avião afundou em um enorme formigueiro que havia no meio da pista de terra. Na foto que ilustra a matéria do Estadão, feita em Ribeirão pouco antes do incidente, é possível ver as dimensões do avião – enorme para os padrões da época.


(André Borges Lopes)

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

LIMA DUARTE, NOME ARTÍSTICO DE ARICLENES VENÂNCIO MARTINS (NOSSA SENHORA DA PURIFICAÇÃO DO DESEMBOQUE E DO SAGRADO SACRAMENTO), 29 DE MARÇO DE 1930.

Lima Duarte


Nossa Senhora da Purificação do Desemboque e do Sagrado Sacramento. Essa cidade de nome estranho e comprido, que fica no Triângulo Mineiro, viu nascer Lima Duarte, que como a cidade, também tem um nome diferente: Ariclenes Venâncio Martins. Era o dia 29 de março de 1930.


Lima Duarte


Descendente de dona de escravos e bugres, ajudava seu pai a cuidar da pequena invernada onde moravam, juntamente com a mãe e mais dois irmãos. O pai se chamava Antônio Martins e a mãe, América Martins Sua mãe trabalhava em circo. Fazia circo-teatro, pois muitos circos montavam pecinhas, após a parte de malabarismos.

Ali começou a paixão de Lima Duarte pela arte. Seu primeiro papel, no circo, foi numa peça chamada “A Ladra”, onde sua mãe fazia o papel-título e ele, o filho. Mas ele sonhava mais e aos 15, para 16 anos, veio para São Paulo,capital, num caminhão de manga. De carona.Começou, como é lógico, a trabalhar no Mercado Central da Cidade. Até que Madame Paulette, dona da casa onde morou durante 3 anos, levou-o à Rádio Tupi para um teste. Ele ficou muito feliz. Mas pelo seu modo caipira de falar, foi reprovado. Ganhou até um apelido:” voz de sovaco”.

Mas gostaram dele e ele ficou na casa trabalhando como operador de som. Depois como sonoplasta. E aí se transformou em tão bom sonoplasta, que ganhou todos os prêmios da época. Um dia, Oduvaldo Viana, que era diretor artístico da Rádio Difusora, o convidou para uma “fala” em uma radionovela. Deu certo. Foi então que mudou seu nome para Lima Duarte e teve início sua carreira

Em rádio fez muitas novelas e foi ganhando treino. Passar para a televisão foi pura conseqüência. Ele estava lá quando a TV Tupi de São Paulo, a pioneira, foi inaugurada.

Tupi permaneceu durante 27 anos. Menino simpático e amigável, fez bastante amizade com os intelectuais da casa, entre eles Cassiano Gabus Mendes, Dionísio Azevedo, Walter George Durst.

E eles imaginaram fazer o “TV de Vanguarda”, que iria se constituir em uma peça inteira, de 3 atos, levada ao ar no domingo à noite, horário nobre. A primeira a ser montada foi: “O Julgamento de João Ninguém”, direção e script de Dionísio Azevedo, tendo Lima Duarte no papel título. Foi a consagração de Lima. Daí para a frente , fez mais de 30 TVs de Vanguarda, entre 1952 e 1959, nos quais podemos destacar: “Hamlet”, “Otelo”, “Macbeth”, “O Homem que vendeu a Alma”; “O Inspetor Geral”; “De Ratos e de Homens”; “Massacre”; “Os Amantes de Verona”;”O Chapeu de Três Bicos”; “O Lobo do Mar”; “O Grande Gabbo”; “Ralé”; e muitíssimos outros.

Lima Duarte sempre foi protagonista. Participou também de algumas novelas, entre as quais a primeira, que foi: “Sua Vida me Pertence”, em 1951. Fez também “O Direito de Nascer” (1964), “A Gata” (1964), “Um Rosto Perdido” (1965), “Olhos Que Amei” (1965), “O Mestiço” (1965)”Calúnia” (1966) e “Paixão Proibida” (1967).

Em 1968 resolveu passar para a direção. Dirigiu a novela “Beto Rockfeller” junto de Walter Avancini, sucesso estrondoso de audiência. Esta foi a primeira trama a ter tomadas aéreas e a usar o merchandising em cena: era do medicamento “Engov”, que o personagem principal interpretado por Luiz Gustavo tomava após exagerar nas doses de wisky.

Na sequência, se revezou entre atuar e dirigir as principais novelas da TV Tupi. Ainda em 1968, atuou em “O Décimo Mandamento” e dirigiu “O Rouxinol da Galiléia”. Em 1970, dirigiu “Toninho on the Rocks” e atuou em “As Bruxas”. Entre 1971 e 1972, atou em “A Fábrica”.

Foi então que, após quase três décadas na TV Tupi, transferiu-se para a TV Globo, ainda em 1972. Estreiou dirigindo a novela “O Bofe”, sua primeira e única experiência como diretor na emissora.

A partir de então, fez inúmeras novelas: “Os Ossos do Barão” (1973), “O Bem Amado” (1973), “O Rebu” (1974), “Pecado Capital” (1975), “Espelho Mágico” (1977), “Marrom Glacê” (1979), “Pai Herói” (1979), “O Bem Amado (seriado baseado na novela, exibido entre 1980 e 1984), “Paraíso” (1982), “Champagne” (1983), “Partido Alto” (1984), “Roque Santeiro” (1985), “O Salvador da Pátria” (1989), “Meu Bem, Meu Mal” (1990), “Rainha da Sucata” (1990), “Pedra sobre Pedra” (1992), “Fera Ferida” (1993), “A Próxima Vítima” (1995), “O Fim do Mundo” (1996), “A Indomada” (1997), “Pecado Capital (1998, remake), “Corpo Dourado” (1998), “Uga Uga” (2000), “Porto dos Milagres” (2001), “Sabor da Paixão” (2002), “Senhora do Destino” (2004, participação especial), “Da Cor do Pecado” (2004), “Belíssima” (2005), “Desejo Proibido” (2007), “Caminho das Índias” (2009) e “Araguaia” (2010).

Fez ainda:”O Tempo e o Vento” (1985, minissérie), “Agosto” (1993, minissérie), diversos episódios do “Você Decide” (entre 1993 e 2000), “Engraçadinha” (1995, minissérie), “O Auto da Compadecida” (1999,minissérie que também foi adaptada para o cinema), “O Quinto dos Infernos” (2002,minissérie), “O Pequeno Alquimista” (2005,microssérie), “Amazônia – de Galvez a Chico Mendes” (2007), além de diversas participações especiais em outras novelas, seriados e afins.


Fonte: BIOGRAFIA DE LIMA DUARTE PARA O MUSEU DA TELEVISÃO BRASILEIRA