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segunda-feira, 21 de junho de 2021

DOM ALEXANDRE GONÇALVES DO AMARAL.

HOMENAGEM AOS 115 ANOS DE SEU NASCIMENTO - 12-06-1906
“Vou cancelar esta cerimônia”. Mal ele terminou estas palavras já avisamos a Dom Alexandre Gonçalves do Amaral que a noiva já estava se posicionando para o tradicional desfile, dando início ao casamento.

Havia sempre uma preocupação maior com a questão de horário quando se tratava de um casamento realizado pelo Arcebispo na década de 70, na Casa do Folclore.

Jamais recusou qualquer solicitação nossa. A sua presença era por nós considerada como uma demonstração de estima e de consideração já que a maioria dos padres e outros bispos, com exceção de Dom Alberto Guimarães, se recusava a realizar casamentos sob o argumento de que não havia ali uma capela.

Dom Alexandre, de uma educação esmerada e de afável trato era, todavia, rígido em disciplinas eclesiásticas e em horários, motivo de sua impaciência.

Em termos de disciplina, de defensor intransigente da fé, do rito e das determinações religiosas, basta o fato de usar fivelas em sapatos que lhe machucavam os pés, mas que compunha as indumentárias determinadas pelo Vaticano e que, para tira-las teve que receber autorização, após graves ferimentos provocados, conforme relata César Vanucci em seu livro “Um Certo Dom”.

A primeira vez que recebemos a visita de Dom Alexandre na Casa do Folclore foi em razão de um convite feito por meio do Professor Erwin Puhler, e sua esposa Eunice, amigos de longa data do Arcebispo. Acompanharam-no nesta visita também o Padre Hyron Fleury, João Francisco Naves Junqueira, seu médico particular e algumas religiosas.

Neste dia acontecia mais uma apresentação do Catira dos Borges. O Arcebispo gostava de manifestações culturais. Conheceu essa dança folclórica em Iturama.

Na época desta visita, década de 1970, não havia grandes construções no local e sim jardins, o que levou Dom Alexandre a dizer que o local se parecia com os jardins do Éden. Muito gentil, disse ainda que batizaria a Casa do Folclore como Academia Brasileira do Folclore.


Filho de Benjamim Gonçalves e Maria Cândida Gonçalves do Amaral, Alexandre nasceu em Carmo da Mata, Minas, aos 12 de junho de 1906.

Aos 23 anos, em 22 de setembro de 1929, foi ordenado padre. Dez anos após, ao ser eleito bispo, foi ungido em 29 de outubro de 1939 o mais jovem bispo em todo o mundo. Neste mesmo ano tomou posse em Uberaba em 8 de dezembro de 1939 exercendo a função episcopal até 1962 por indicação do Papa Pio XII. Foi o 4º bispo da cidade, após D. Luiz Maria de Sant’Anna.

Na década de 1940, dono de uma inconfundível voz, Dom Alexandre foi considerado o maior orador sacro do Brasil. Segundo Cesar Vanucci, apesar de conhecer bem a ortografia, se apegava em escrever seus artigos de próprio punho e utilizando a grafia antiga como “pharmácia” e não aceitava a revisão do jornal.

Em 14 de abril de 1962 o papa João XXIII elevou a Diocese de Uberaba a Arquidiocese e criou a Província Eclesiástica de Uberaba abrangendo as dioceses de Patos de Minas, Uberlândia e Paracatu. A Catedral obteve o título de Catedral Metropolitana e o Bispo Dom Alexandre foi elevado à categoria de Arcebispo, o 1º de Uberaba.

Manteve este título até maio de 1978, quando renunciou juntamente com seu Administrador Apostólico, Dom José Pedro Costa. Dom Alexandre Gonçalves do Amaral e Dom Pedro passaram à categoria eclesiástica de “Bispo Emérito”.

A atuação de Dom Alexandre como supremo dirigente da Igreja em Uberaba, iniciada em 1939, não ficou restrita a ser o pastor espiritual.

Diversos desafios ocorreram em sua longa trajetória episcopal. Assumindo suas funções eclesiásticas em plena 2ª guerra mundial (1939/1945), sua primeira intervenção se deu quando os padres dominicanos foram acusados de manter uma emissora clandestina para passar informações para os alemães. Buscas foram realizadas na Igreja São Domingos e nada foi encontrado. Quando os fiéis quiseram fazer o desagrava deste lamentável fato foram impedidos e o próprio Jornal Católico, censurado.

No governo de Juscelino Kubitschek (1951/1955) ocorreu em Uberaba graves manifestações contra os abusos cometidos por fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais comandada por José Maria Alkimim, resultando em uma revolta dos contribuintes. Baderneiros aproveitaram para provocar atos de vandalismo destruindo arquivos da Receita Federal, que funcionava no prédio da Associação Comercial e Industrial de Uberaba, e os da Receita Estadual instalada na Rua Major Eustáquio com a Rua Manoel Borges.


Na época foram presos inúmeros uberabenses. Coube a Dom Alexandre partir para a defesa dos injustiçados em artigos virulentos contra o arbítrio, publicados no “Correio Católico”, conseguindo a vinda do então Secretario Estadual a Uberaba para apaziguar a situação.

Como o Governador Juscelino tinha interesse na eleição para Presidente da República, além de serenar os ânimos dos uberabenses atendeu as solicitações de Dom Alexandre e, pouco tempo depois, deu de presente, segundo relato de Frederico Frange, o prédio da antiga cadeia, situada na Praça do Mercado, acrescido de um bom numerário para que a Associação de Medicina de Uberaba implantasse uma Faculdade de Medicina particular que se transformou na UFTM, uma das grandes Universidades Federais do Brasil.

Dom Alexandre foi uma poderosa voz na revolução de 1964. Nas palavras de César Vanucci, não lhe faltava carisma, cultura, inteligência, sabedoria, vivência humanística e espiritual. Sobrava coragem para enfrentar desafios. Para corrigir abusos que estavam sendo cometidos em nome do governo foi pessoalmente a Belo Horizonte para um encontro marcado com o Governador Magalhães Pinto. Nessa oportunidade conseguiu a transferência do comandante do 4º Batalhão, que era o objeto de reclamações dos injustiçados.

O Governador designou, para seu lugar, o ajudando de Ordens do Gabinete Militar Ten.Cor.PM José Vicente Bracarense que depois de pacificar os relacionamentos entre o governo estadual e a Igreja, fincou raízes em Uberaba, ocupando por duas vezes secretarias nos governos municipais de Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976) e Silvério Cartafina (1977/1982).

A FISTA–Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino- criada pela Congregação das Irmãs Dominicanas em Uberaba no ano de 1948, por iniciativa de Dom Alexandre, teve sua diretoria invadida, em abril de 1964, por elementos estranhos ao quadro da Instituição que assumiram o poder em nome do Governo. Repudiados pelo Bispo foi necessário manter contato com o Gal. Castelo Branco para terminar com esta situação. O Presidente determinou que onde houvesse Diocese a Igreja deveria ser ouvida antes de quaisquer atividades em entidades vinculadas.

Além dessas interferências, durante seu bispado teve que enfrentar tempos desagradáveis e polêmicos, entre os quais os desentendimentos com a classe médica em relação a cartas anônimas - pichações anônimas - tomada de posição em favor da implantação da Cemig e muitas outras registradas pela imprensa.

Dom Alexandre fazia sua defesa por meio do Correio Católico, jornal por ele criado e que inicialmente era mensal, passou para semanal e se tornou diário em 1954 na gestão de Dom José Pedro Costa. Segundo Cesar Vanucci em seu livro “Um Certo Dom”, foram escritos cerca de 6.000 artigos para o Jornal.

Em 1972 o Correio Católico foi vendido para um grupo de empresários do qual participava na diretoria Joaquim dos Santos Martins, Gilberto Rezende e Edson Prata. O nome foi mudado para “Jornal da Manhã”.

Como empreendedor Dom Alexandre construiu o Seminário São José (Praça Dom Eduardo) na década de 1980, hoje chamado Centro Pastoral João Paulo II, sede da Cúria Metropolitana. Durante seu bispado trouxe a Uberaba três mosteiros contemplativos – das Beneditinas, Carmelitas e Concepcionistas. Trouxe ainda as Carmelitas da Afonso Rato, os Capuchinhos, os Padres Sacramentinos, as Irmãs do Asilo São Vicente e Orfanato Santo Eduardo.

Pastor e evangelizador, pregador, conferencista, jornalista e escritor, foi também professor de Filosofia e Teologia. Um de seus alunos ilustres foi Mário Palmério a quem incentivou a criação das Faculdades.

Foi um dos fundadores da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM), ocupando a cadeira 21, sendo sucedido por Maria Antonieta Borges Lopes. Escreveu três livros, entre eles “Os Católicos e a Polícia”, em 1946.

Dom Alexandre faleceu aos 05 de fevereiro de 2002 tendo vivido 96 anos, 73 como padre, 39 anos de governo episcopal e 23 anos como Bispo Emérito. Está sepultado na cripta dos bispos na Catedral onde, em 2006, foi celebrado o centenário de seu nascimento.

Sua vida bateu três recordes quase impossíveis de serem repetidos, pois foi ordenado padre aos 23 anos, nomeado bispo com apenas 33 anos e vivido 63 anos como bispo.

“Dom Alexandre Gonçalves do Amaral” é hoje nome de uma rua no residência Mário de Almeida Franco.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ex-presidente e conselheiro da ACIU e do CIGRA.
Fontes – Jornal da Manhã –
César Vanucci – livro “Um Certo Dom”.
Voz da Arquidiocese.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

VILA DOS CONFINS

Oi, turma!

(Demoraram a acreditar que “ Inês é morta”...)

O livro foi publicado em 1956. Dezenas de edições. O romance-depoimento , nasceu de um pequeno relatório sobre uma campanha política e acabou num “baita”romance que deu à Mário Palmério, cadeira de “ imortal” na Academia Brasileira de Letras. “Vila dos Confins” relata, com indescritível crueza, a história de uma eleição num lugarejo perdido nos confins brasileiros. Alí, Palmério, conta com um delicioso sabor sertanejo, aspectos da vida nesse Brasilzão sem fronteiras. Entre caçadas, pescarias, reuniões e comícios, “causos’ que o “coronel” político, “ manda- chuva” da currutela, comanda as eleições, suas artimanhas e as promessas feitas. Mário Palmério, condensa sua experiência relatada na obra que se tornou “best-seller” nacional...

Misturando realidade com ficção, “Vila dos Confins”, é de uma atualidade incrível, pureza verdadeira, passados mais de 65 anos de sua publicação inicial. As “peripécias” narradas por Palmério, faz do livro, um apanágio do comportamento dos “ coronéis”, começando pela figura do “ deputado Paulo Santos”, apoiando o candidato “João Soares”. Outras personagens como “Xixi Piriá”, mascateava lá pelas bandas dos “Confins”, “Gerôncio”, amigo e compadre do “Paulo Santos”, apaixonado por pescaria, sem contar o “Jorge Turco”, “vendeiro” do lugarejo, preguiçoso que só ele, ficava a “ contar estrelas”, o “ velho” Aurélio, tio do “ Paulo Santos”, responsável pelo seu ingresso na política, sem contar a liderança da “Almira”, que mandava no Prefeito...

“Vila dos Confins”, traz crítica política e social, fatos que permeiam a narrativa do texto no campo das batalhas surgidas na “campanha”, envolvendo a luta pelo Poder. Mário Palmério, dá voz à minoria, denuncía desigualdades, revela um contexto de absoluta opressão que o “adversários”, os que não comungavam com as ideias do “coronel”, eram sumariamente, excluídos e esquecidos, num linguajar bem matuto, embora altamente dignificante. Engraçado, a “ Vila” continua bem atual...

Confesso, não consigo dissociar ”Vila dos Confins” com a cidade que me viu nascer, crescer e a certeza que morrerei por ela. Figuras folclóricas da “ currutela”, narradas por Palmério, me vem à mente, toda hora. Gente que vejo, todo dia, nas rádios, jornais e TVs. da terrinha. Quando falam em conquista ( não confundir com a nossa simpática vizinha...), estampo a figura do “Xixi Piriá”, “vendendo” ilusões ( planta de amônia, gasoduto, ZPE, aeroporto internacional..), o ”deputado Paulo l Santos”, acobertado pelo “tio”, o “velho Aurélio” que morria de vontade ser advogado para ocupar a Procuradoria do município...

Vejo o “Gerôncio”, “dono da venda”, com cargo na Prefeitura, pois amigo do “Paulo Santos”, recebendo sem trabalhar, bons “caraminguás”, o “Jorge Turco”, adorando as “ estrelas’ que andam, falam e rebolam, o “João Soares’”, dono do alto falante da” currutela”, apadrinhado do deputado “Paulo Santos”, sem esquecer a única mulher da tropa, a “ Almira”, que manda no Prefeito...

“Vila dos Confins”, foi tão famosa como a minha cidade. Coitada ! Perdeu-se no tempo ! Não tem mais Mário Pamério, seu autor...Ainda assim, continua resistindo ao tempo. É charmosa, doce e delicada, embora os “ moradores da Vila “ foram morrendo; outros mudando por falta de emprego. Os filhos e netos que ficaram, não estão dando conta do recado. Chegaram os forasteiros e fizeram “ a festa”. São os novos donos da terrinha. Até quando ? Não se sabe...outubro vem aí....Tudo pode acontecer...(Luiz Gonzaga de Oliveira)


Cidade de Uberaba


terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

A “RUA SÃO MIGUEL” E OS POLÍTICOS...

(Quanto mais você agacha, mais a bunda aparece...)

Pornográfico? Não ! Texto realista ? Sim ! Chega de “ puta véia”. Elas não “ dão mais caldo”, nem nos representam “.. A pedida da vez, as meninas que perderam a virgindade a pouco tempo...”Respeitosamente, esse era o “papo” dos boêmios frequentadores da famosa rua “São Miguel”, “baculerê” da saudosa Uberaba dos anos 50 do século passado. ( Tempos que não voltam mais...) .Incrustada no centro da cidade, atrás da Catedral Metropolitana, inicio da praça Frei Eugênio, direção ao bairro d’Abadia, a “ rua São Miguel”, era famosa no Brasil inteiro. Macho que visitasse Uberaba e não conhecesse a “ rua do santo”, não conheceu a sagrada terrinha..

As “ putas véias” daquele tempo, Amelinha, Negrinha, Jovita, “tia Moça” ( que era velha...), Tubertina, Isolina, Nena, além de outras menos votadas. A moçada da época queria “ficar” com as “meninas novas”, procedentes de Goiás, Mato Grosso e interiores de Minas e São Paulo... Na “São Miguel”, abrigavam eleitores de todos os partidos políticos sediados na terrinha.. Não existiam muitas legendas partidárias. . Eram o PTB, de Mário Palmério, a UDN, dos Rodrigues da Cunha, o PSP, de Boulanger Pucci e Antônio Próspero, o PR, do Tatí Prata e Homero Vieira de Freitas, o PSD, do Coronel Ranulfo e Lauro Fontoura, PCB, do Durval da Farmácia. Nada mais!

Quem era “abonado”($$$), jantava no Tabú, com as “ primas”. A plebe rude, se fartava com o churrasquinho do Jaime, à porta do Tabú. “Bebum”, sem grana, “fazia ponto” na “Boca da Onça”, do Caio Guarda. Os “shows” no “Casino Brasil” , comandado pelo Paulo da Negrinha, “estreladosera “fresco” ou “viado”. Motel não existia. O máximo que se permitia, alguns “esconderijos” para encontros furtivos, tinha o pomposo nome de “rendez-vouz”..

Hoje, a “coisa’ está mudada. “Zona do meretrício”, virou “zona eleitoral”, “michê” chama-se “propina”, “gigolô” é assessor, “bate-pau”, é “segurança”... “Puta véia”, políticos que não querem abandonar as “bocas”; “Rendez-vouz”, ou “casas de prostituição”, conhecidas como Câmara, Senado, Assembléias, Palácios e Prefeituras. “Donas de bordel”, políticos corruptos, agarrados ao Poder. “Rua São Miguel”, mudou de endereço... “Meninas novas no puteiro”, os jovens, ingressando na vida publica. Frequentadores do “puteiro”, eleitores que votam por dinheiro, cargo público, sem concurso..Esperando sempre por uma “ boquinha”....

Ao frequentar as “ ruas das eleições”, procure “ficar” com “puta nova”. Neca de “puta véia”. Política não é prostíbulo. Os políticos é que frequentam a “ casa errada”. As “Negrinhas’, “tia Moças, “, “Tubertinas”, “Nenas” e “Isolinas” da nossa política ,não devem ser reconduzidas às “velhas pensões’. São “putas véias”; não dão mais caldo”. São “bananeiras que deram cacho”. O eleitor quer “ puta nova”, recém chegada, limpinha, no “ bordel”...


Luiz Gonzaga de Oliveira


Cidade de Uberaba


domingo, 19 de janeiro de 2020

MÉDICOS NA CADEIA



Nos últimos dias de novembro de 2019, reuniu-se em Uberaba um pequeno grupo de médicas e médicos veteranos. Alguns são da região, outros vieram de longe especialmente para o evento: Arlindo Pardini (de Belo Horizonte), Benito Ruy Meneghello, Hiroji Okano e Nilza Martinelli (de Uberaba), Honório Gomes de Mello (de Goiânia), José Ernesto Teixeira (de Brumadinho) e Zoé Sellmer (de São Paulo). Tinham em comum – além dos cabelos brancos, da longa experiência e da consagração na profissão que escolheram – a emoção de um reencontro: comemoravam os 60 anos de sua formatura na então Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. No final do distante ano de 1959, a FMTM concretizou a ousadia de um antigo sonho ao entregar os diplomas para sua primeira turma de doutorandos. E Minas Gerais passou a ter, de fato, mais uma faculdade de medicina.

Década de 1920 – a recém inaugurada Penitenciária de Uberaba, prédio construído pelos arquitetos italianos Luigi Dorça e Miguel Laterza. Foto do acervo do Arquivo Mineiro
Desde o início do século XX, Uberaba era um centro médico importante. Viajantes chegavam todos os dias das imensidões do sertão brasileiro em busca de atendimento. Com o tempo, multiplicaram-se os consultórios médicos, as clínicas, casas de saúde e hospitais. Era comum que os filhos dos pecuaristas e das demais famílias abastadas da cidade fossem estudar medicina fora – em geral no Rio de Janeiro ou em São Paulo, mas por vezes até no exterior. Formados e especializados, retornavam a cidade para exercer a profissão. A eles se juntavam médicos de vindos de outras partes do Brasil, atraídos pela promessa de uma clínica farta. Muitos conciliavam a prática médica com as atividades rurais – uma combinação que se tornou usual na região.

1953 (circa) – Prédio da penitenciária em obras para receber a Faculdade de Medicina. Fotógrafo não identificado.
Minas Gerais já era o terceiro estado mais populoso do Brasil, mas contava somente com a Faculdade de Medicina de Belo Horizonte. Fundada em 1911 e mais tarde incorporada à Universidade Federal (UFMG), foi lá que formou-se médico o futuro presidente da república Juscelino Kubitschek de Oliveira. Em janeiro de 1951, JK elegeu-se governador de Minas Gerais pelo PSD, com apoio de diversos partidos e a promessa de dar uma cara nova ao estado. Além do binômio “Energia e Transporte”, Juscelino queria aumentar o número de médicos. Decidiu apoiar duas iniciativas de abrir novas faculdades: uma em Juiz de Fora e outra no Triângulo Mineiro.

23 de março de 1954 – No Palácio Rio Negro (Petrópolis, RJ), o presidente Getúlio Vargas entrega ao deputado Mário Palmério a autorização de funcionamento da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro. Foto do acervo do Arquivo Nacional.
Na época, Uberaba dava mostras de que estava vencendo uma antiga maldição: desde a fugaz experiência com o Instituto Agrotécnico (que entre 1895 e 1899 formou uma única turma de engenheiros agrônomos) a cidade colecionava fracassos nas tentativas de montar escolas de ensino superior. Até que, em 1947, o professor Mário Palmério – já dono do Colégio Triângulo e da Escola Técnica de Comércio – colocou em funcionamento uma Faculdade de Odontologia e, quatro anos mais tarde, um curso de Direito. Paralelamente, as Irmãs Dominicanas davam início à montagem do que se tornaria a FISTA – Faculdades Integradas São Tomás de Aquino. Mas com JK à frente do governo mineiro, Palmério – que havia sido eleito deputado federal pelo PTB – resolveu dobrar a aposta e buscou seu apoio para abrir na cidade uma faculdade de medicina,

1955 (circa) – Praça do Mercado e o prédio da Faculdade de Medicina, ainda em obras. Ainda não haviam sido erguidos os pavilhões nos fundos do prédio original. No canto direito, a Faculdade de Odontologia. Foto Postal Colombo.

        04 de maio de 1957 – Juscelino Kubitschek vem a Uberaba para a inauguração da Exposição de Gado Zebu. Estudantes se manifestam, pedindo a federalização da Faculdade de Medicina. Foto do acervo do Arquivo Nacional.

03 de maio de 1956 – Já como Presidente da República, Juscelino Kubitschek visita Uberaba e inaugura oficialmente o prédio da FMTM. Foto do acervo do Arquivo Nacional.
1960c – Prédio da FMTM nos primeiros anos de funcionamento da faculdade. Foto do acervo do IBGE.

Junho de 1968 – Alunos e professores da UFTM defronte ao prédio da faculdade. Foto publicada em matéria da revista semanal Manchete, do Rio de Janeiro.

Julho de 2013 – Prédio da Faculdade de Medicina da UFTM ao cair da noite. Foto de André Lopes.

Embora não fosse da região, Juscelino tinha um histórico de proximidade com Uberaba. Em 1934, acompanhou o interventor Benedito Valadares na visita a Exposição Agropecuária e deu início ao hábito de frequentar as feiras de gado zebu. Isso não impediu que, em abril de 1952, a cidade fosse palco de uma assombrosa revolta popular contra um aumento de impostos estaduais promovida por seu governo, que só foi contida por tropas enviadas da capital e resultou em dezenas de uberabenses presos. O motim deixou claro que crescia a força do movimento separatista do Triângulo Mineiro, que tinha em Palmério um dos seus entusiastas.

Velha raposa política, JK aproveitou a oportunidade para estreitar os laços com a região. Poucos dias depois da revolta, desembarcou na cidade em companhia do presidente Getúlio Vargas, de quem era fiel aliado. Reza a lenda que teria prometido transformar o belo prédio da praça do Mercado – construído em estilo eclético na década de 1910, por Luigi Dorça e Miguel Laterza, para sediar uma penitenciária estadual – em uma faculdade de medicina. No ano seguinte, um projeto de lei foi aprovado pela Assembleia Legislativa mineira cedendo o prédio e fornecendo apoio financeiro estadual ao projeto. Coube ao presidente Vargas autorizar o funcionamento do curso em 23 de março de 1954. O médico Mozart Furtado Nunes foi escolhido como o primeiro diretor, à frente de um grupo inicial de 18 professores. No mês seguinte, JK veio a Uberaba para dar pessoalmente a aula inaugural para os alunos aprovados no primeiro vestibular.

Estudar medicina deixava de ser um privilégio das famílias muito ricas da região mas, por alguns meses, os calouros da nova faculdade dividiram o grande prédio, ainda em obras, com algumas dezenas de detentos, que continuavam encarcerados no andar superior. “Eles gostavam da nossa presença: nos pediam cigarros, comida e conselhos médicos”, contou no evento o Dr. Hiroji Okano. Parte das aulas eram ministradas nas salas e laboratórios da Faculdade de Odontologia.

Eleito Presidente da República em 1955, JK relutou, mas acabou cedendo à pressão dos estudantes e da comunidade uberabense que pediam a federalização da escola, Em 1960, Uberaba passou a contar com seu primeiro curso superior público e gratuito. Com o passar dos anos, a FMTM ganhou cursos de pós graduação, programas de pesquisa e residência médica, angrariando respeito e prestígio dentro da comunidade científica brasileira e internacional. A partir do final dos anos 1980, novos cursos de graduação e pós graduação foram abertos na área de saúde. Em 2005, durante o governo do presidente Lula, a FMTM foi enfim transformada em uma Universidade Federal.

(André Borges Lopes / Uma primeira versão desse texto foi publicada na coluna Binóculo Reverso do Jornal de Uberaba em 08/12/2019)


quinta-feira, 3 de outubro de 2019

24 ANOS NA FALTA DELE...

Oi, turma!


(Cidadania ! Um bem que se deve conservar.)


Uberaba perdeu Mário Palmério


Em 24/9/1996, a maior personalidade cultural, educacional e política de toda a nossa história. Nascido em Monte Carmelo (MG), a família veio nos anos 20 para Uberaba. Palmério, aqui estudou, formou sua vocação, tanto para o magistério quanto o político. Fim dos anos 40, quando mais acesa era a luta de classe no país, começava a despontar a sua grande visão para os problemas brasileiros e em especial os de Uberaba. Estudou no Colégio dos Maristas, onde desejou e teve cumprido esse desejo, seu corpo foi velado na tradicional capela.

Ocuparia páginas inteiras, lembrando Mário Palmério, o único político que teve a coragem de “peitar” e quebrar as arcaicas estruturas da terrinha e os “coronéis” que a dominavam com mãos de ferro. Aliás, ainda hoje, com roupagens diferentes, os descendentes e afilhados daquela velha oligarquia, contando com o bafejo e comodismo de uma imprensa trôpega, quase sempre, dão as cartas na cidade em que mudaram até a data de sua elevação a condição de cidade e ainda querem mantê-la como “currutela”.

Mário Palmério. Foto/Reprodução.

Palmério, com bravura, força, estoicismo e coragem, evitou que isso acontecesse. Daí, a ira dos ricos e poderosos contra aquele jovem destemido e valente, que não teve medo de enfrentar a opulência, os endinheirados que a tudo e a todos compravam, inclusive seus atos e opiniões. Os velhos caciques da terrinha, sucumbiram ante a vontade indômita daquele “professorzinho”. Sem abandonar seu irresistível desejo de ensinar, fundou o Colégio Triângulo, misto e para todas as classes sociais. Vieram depois, os cursos superiores, Odontologia, Direito, Engenharia, entre outros, transformando a vida cultural e econômica de Uberaba, avariada na metade da década de 50.

Uberaba, era uma cidade “quebrada”, endividada, com a queda do zebu. Foi quando Palmério despontou. Criar a Universidade, seu grande sonho. Concretizou. Na política , venceu os “barões” quantas vezes quis. Escrevo, sem medo de errar, Uberaba, históricamente, deve ser dividida em duas eras. – antes e depois de Mário Palmério.- Na política, teve atuação soberba. Arrebentou os grilhões que emperravam a grandeza de Uberaba. Médicos, advogados, dentistas e engenheiros, eram privilégios dos ricos, em condições de manterem os filhos estudando nos grandes centros culturais.

Formados, eram recebidos na “gare” da Mojiana, com foguetório, passeata e banda de música. Mário Palmério, desmontou essa ostentação. Trouxe as Faculdades onde os jovens podiam ombrear-se aos “ doutores recém chegados”. Sem distinção de classe social, raça, cor ou credo, Palmério, alargou os horizontes da nossa juventude, antes por domínio espúrio, vivendo com vizeiras e tapa- olhos, sem perspectivas de crescimento educacional e profissional. Profetizando Maomé, “ ele trouxe a montanha aos nossos pés”.

Hoje, Uberaba, orgulha-se do trabalho de Palmério. Enfrentando inimigos traiçoeiros, áreas adversas que tentavam manter os privilégios, venceu todos os obstáculos. Como deputado federal, sozinho, fez muito mais que todos os outros políticos de Uberaba, juntos e agrupados. Amigo das maiores personalidades brasileiras da época (JK.Getúlio, Tancredo, Jango, Santiago Dantas, Itamar Franco, entre outros ), teve seu nome indelevelmente marcado nessa, hoje, sofrida e quase órfã de liderança, a nossa muito amada e querida Uberaba.

(Luiz Gonzaga Oliveira)




Cidade de Uberaba

segunda-feira, 23 de setembro de 2019

SONETO: “O GATO DA ACADEMIA”

Quem poderia imaginar
Que em nossa Academia 
Um gato fosse madornar
Em pleno sol do meio dia


Busto do imortal Mário Palmério. Foto: João Sabino. 

O busto de Mário Palmério 
Serviu de cama acolhedora
Desligou-se e sem vitupério 
O gato na sombra protetora

O felino seu pulo não ensina
Palmério jogou a forma fora
Ambos convivem na esquina

Bem-vindo belo gato vigilante 
Da Casa que a cultura aflora
Seu leito aqui será constante!


João Eurípedes Sabino - Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro - Uberaba/Minas Gerais/Brasil.


Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos


Cidade de Uberaba  
                      

domingo, 28 de abril de 2019

ZEBUS NO QUINTAL DO BISPO

Dentro de um mês, Uberaba estará novamente às voltas com o seu grande evento anual. No dia 27 de abril será aberta a 85ª ExpoZebu que, este ano, tem uma atração extra: os criadores de gado indiano comemoram o centenário da fundação da “Herd Book Zebu”, a primeira associação fundada no País para apoiar o trabalho de seleção genética dos bovinos que foram buscados no outro lado do mundo para revolucionar a pecuária brasileira.

Funcionando desde 1941 no Parque Fernando Costa, pouca gente têm conhecimento de que a que os primeiras feiras de gado realizadas em Uberaba nem de longe dispunham de instalações adequadas. Em 1911, a exposição pioneira foi montada em pavilhões temporários, construídos pelo engenheiro Francisco Palmério (pai do escritor Mário Palmério) no antigo “Prado de São Benedito”, uma pista de corridas de cavalos que existiu até a década de 1950 num terreno entre a atual Estação Rodoviária e a avenida Fernando Costa.

Nas décadas seguintes, aconteceram exposições esporádicas, sem local fixo. Algumas foram feitas no Prado, outras no antigo “Largo da Misericórdia: um descampado que havia entre o Colégio N. Senhora das Dores e o antigo prédio do hospital Santa Casa de Misericórdia – onde mais tarde foi feito o Uberaba Tênis Clube. Em 1934, a grande “Exposição-Feira Agro Pecuária do Triângulo Mineiro”, realizada com apoio da prefeitura, ocupou o novo prédio (ainda em obras) da Santa Casa e seu quintal, onde hoje existe o Hospital Escola da UFTM.

Primeira sede da Sociedade Rural de Uberaba do Triângulo Mineiro. Rua: São Sebastião,259 - Década:1930. Foto/Acervo: Museu do Zebu.
Foi durante a exposição de 1934 que os pecuaristas da região decidiram montar uma nova associação para substituir a Herd Book Zebu. Sob a liderança do agrônomo Fidélis Reis, foi fundada a Sociedade Rural do Triângulo Mineiro que, três décadas mais tarde, daria origem à ABCZ – Associação Brasileira de Criadores de Zebu. Conhecida pela população como “a Rural”, a SRTM assumiu o compromisso de realizar todos os anos uma exposição de gado na nossa cidade. Começou aí a tradição dos certames anuais, que logo se transformaram em um dos mais importantes eventos do sector agropecuário brasileiro.

Tendo que montar uma exposição por ano, a SRTM cuidou de arranjar um local apropriado, que acomodasse as feiras de modo permanente. Como a entidade não tinha sede própria, a diretoria conseguiu um terreno na Rua São Sebastião, a menos de dois quarteirões da catedral, onde ergueu provisoriamente um galpão com uma portaria em traços “art déco”, estilo em moda na época. Esse terreno (onde hoje está o edifício São Gerônimo) tinha uma vantagem: a parte traseira se comunicava com uma chácara, que se estendia por todo o terreno entre a rua Major Eustáquio e o córrego da Manteiga, sobre o qual surgiu mais tarde a Av. Santos Dumont. Uma inusitada área rural, a poucos metros da praça da Matriz, loteada a partir dos anos 1950 para dar origem às ruas Antônio Carlos e Getúlio Guaritá.

Nessa chácara, a SRTM mandou construir dez currais cobertos, que abrigavam os animais durante as exposições. Ficavam logo atrás do grande palacete que, poucos anos antes, havia sido comprado pela Cúria Metropolitana para servir de residência ao Bispo de Uberaba. Dai surgiu a expressão de que as exposições eram realizadas “no quintal do bispo”. Há uma foto, feita dos fundos da SRTM, onde se vê os currais quadrados – feitos de madeira, cobertos com telhas francesas – e, no alto do morro do outro lado do córrego da Manteiga, os antigos prédios do Colégio Diocesano.

O local acomodou seis exposições entre 1935 e 1940 era muito limitado para as pretensões de um evento, que crescia ano após ano. Ao final de cada dia, os animais precisavam ser retirados dos currais e levados para fazendas nas imediações da cidade, retornando na manhã seguinte. Pode-se imaginar o transtorno das boiadas cruzando a área central da cidade. Além do mais, faltava espaço para os estandes comerciais e de diversões, que haviam deixado boas lembranças nas exposições de 1911 e 1934. Por isso, todos se animaram quando o Fernando Costa – então ministro da Agricultura do governo Getúlio Vargas – sugeriu que fosse construído um novo parque de exposições em Uberaba, que acabou ganhando seu nome. Essa e outras curiosidades estarão no livro “ABCZ – 100 anos de história”, de autoria de Maria Antonieta Borges Lopes e Eliane Marquez de Rezende, que será lançado no dia 25 de abril, dentro das comemorações do centenário.


(André Borges Lopes) 

Cidade de Uberaba

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

UBERABA DOS MEUS AMORES

No templo das minhas preces, oro com amor filial pela minha Uberaba. Seus filhos, dos mais ilustres aos mais humildes, estão corados de vergonha com o que está acontecendo na sagrada terrinha. Dos que nasceram em berço de ouro, aos que estão sem teto, temos por Uberaba um amor imenso ! Um velho e simpático ditado, retrata o tanto que a queremos bem: “quem bebe da nossa água, não sai mais daqui.” Uberaba, sob o manto sagrado de Nossa Senhora d’Abadia, jamais negou , nem renegou um filho seu. Seja legítimo, por adoção, ou “intruso”...

Depois de epopéias monumentais, conquistas homéricas, berço da civilização triangulina, de excepcionais e exponenciais uberabenses como Mário Palmério, Fidélis Reis, Alaor Prata, Leopoldino de Oliveira, Antenógenes Silva, Augusto César Vanucci, João Henrique, Toniquinho Martins, Alberto Fontoura Borges, Edgard Rodrigues da Cunha, lembrando apenas alguns políticos, empresários e artistas, Uberaba, está ficando fora de” cena “no contexto nacional. Aqueles que se aventuraram à tarefa de representar a amada terrinha, não deram conta do recado. Fracassaram em cheio nas suas empreitadas. Foram insípidos e incolores...

Figuras ocas, não deixaram e nem estando deixando, um resquício de saudade. Suas atuações são medíocres, opacas, totalmente sem luminosidade. Estamos sofrendo derrotas, em cima de derrotas, perdendo posições de relevo que ostentávamos até poucos anos atrás. Nossos arremedos de políticos, funcionam como “puleiro de pato”. Preocupam-se tão somente em governar através do rádio, jornal e televisão. Esqueceram-se de Uberaba. Tiram proveito, descaradamente, em favorecer seus bolsos e dos seus “amigos diletos”. Coisa mais feia!...

Estamos perdendo todo o jogo que enfrentamos e saímos com o “ rabo entre as pernas” . Nossos políticos são uma lástima ! Nas “conquistas”, estamos disputando com o Ibis, de Pernambuco, que não ganha uma... Perdemos em competitividade em todo embate. Os impostos e taxas, aumentam ano após ano, o centro comercial, outrora tão atuante, virou “fantasma”. Lojas tradicionais fechando suas portas, cobra-se de tudo do uberabense; lixo, esgoto, limpeza pública, transporte, saúde, iluminação, educação, espaço nas ruas, praças e avenidas... E o retorno ? Nada ! Absolutamente nada! 

Os últimos prefeitos que tivemos, não disseram a que vieram. Deixaram e deixam muito a desejar. Acomodados, preguiçosos, agem , com eficiência, no apadrinhamento dos afilhados políticos e se enriqueceram no cargo. Sabem das mazelas de secretários. Fazem de conta que não “é com eles”. Negociações despudoradas, ostentam, embora contem com “ laranjas”, de vultosos patrimônios. Trabalham, acintosamente, para “fazer” sucessores e não perderem a “grande veia financeira” que é a administração pública.

A prática da cidadania, o zelo e o esforço pela cidade, “às favas”! Desapareceram ! Querem apenas manter-se no cargo e preparar “seguidores” à continuar comendo na “ panela”... A politicalha, está, umbelicalmente, colada ao DNA que praticam. A subserviência do Legislativo ao Executivo, causa arrepios, de tão vergonhoso ! É um “beija-mão” e “troca de favores’ que não acaba nunca. Virou tradição. O nepotismo, campeia despudoradamente. O Ministério Público, não é acionado e dá graças a Deus. Pois, assim, não precisa mexer na”ferida”. Secretários municipais, tidos como achacadores do cargo, permanecem intocáveis.

Nosso desenvolvimento e progresso, perdeu na corrida com a “tartaruga” e o “bicho preguiça”. Enquanto isso, a 100 kms. da terrinha, floresce e prospera uma majestosa cidade. Há quase 20 anos, o nosso moral continua patinando . Damos graças a Deus, pela vinda da ex-Fosfértil, nossa última e única bandeira de conquista. Depois dela... "Marquez do Cassú “.


Luiz Gonzaga de Oliveira


Cidade de Uberaba

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019

O QUE É SER POLÍTICO...

Politica, é uma palavra oriunda do grego e se refere a um estadista, homem público que lida com a chamada “ coisa pública”. É um cidadão que influencía maneiras de como a sociedade deve ser conduzida. São, normalmente, pessoas do bem que estão ou estiveram em cargos de decisão no governo, em qualquer esfera, ou almejam esse cargo, quer por indicação, quanto por eleição. O político pertence a um partido que quer, ou tenta, obter aceitação popular para qualquer posto; se puder, os mais elevados. O político, geralmente, é um formador de opinião , quer no município, estado ou federação. Mesmo sem ocupar qualquer cargo eletivo ou de mando. Considera-se político pessoa que manipula e influencia a opinião pública em favor do grupo a qual pertence. Em Uberaba, nossa santa terrinha, mal ou bem, alguns se pontificam.

Respeito e reverencio políticos uberabenses de proa , que sempre estiveram em evidência, por serviços prestados à coletividade, elevando o sagrado nome da nossa cidade. Nunca é demais citar, Mário Palmério, Fidélis Reis, Alaor Prata, Wilson Moreira, Marcus Cherém, Godofredo Prata, Antônio Próspero, Boulanger Pucci, João Guido, Hugo Rodrigues da Cunha, Randolfo Borges Jr., Arnaldo Rosa Prata, Juarez Batista, Eurípedes Craide, Wilson de Paiva, Roberval Alcebíades Ferreira, Chico Veludo, Ivo Monti, Jorge Furtado, Hélio Angotti, Artur Teixeira, cujas atuações políticas em favor da cidade, obtiveram dividendos e condutas irrepreensíveis. Honraram seus mandatos e dignificaram com altivez e probidade.

Formadores de opinião, foram também jornalistas da estirpe de Quintiliano Jardim, seu filho, Raul, os Ruis (Mesquita, Novais e Miranda), César Vanucci, Antônio Fialho, Jorge Zaidan, Ataliba Guaritá Neto (Netinho), Mons,Juvenal Arduini, D.Alexandre Amaral, Orlando Ferreira (Doca), Chico Xavier, Celso Afonso, Carlos Bacelli, em belíssimas pàginas psicografadas, entre outras celebridades que engrandeceram a cidade, como Hildebrando Pontes e José Mendonça. Figuras que enalteceram o nosso “ curriculum” cultural.

Porém, a história de políticos mal preparados, correm aos montes... A que vou contar, reflete o grau de alguns deles. Evidente, que os citados anteriormente, nada tem a ver com o que relato. Politico de meia-idade, recém eleito, “lambuzou-se” todo no primeiro ano de mandato. Enamorou-se ,perdidamente, pela secretária. Romance tórrido. Certo inicio de noite, depois de um” penoso” dia de trabalho, enviou mensagem à esposa:- “Querida, espero que compreendas a razão deste bilhete. Tenho 54 anos, necessidade sexual que tu não podes me satisfazer. Sou muito feliz contigo. Espero que não fiques magoada comigo. Quando leres este, estarei no motel com a minha secretária. É linda; tem só 18 aninhos . Não te preocupes, chegarei em casa antes da meia-noite. Não te perturbarei. Durma com os anjos...Teu amor.....”

Depois de uma bela noite de prazeres sexuais, pé ante pé, volta para casa. Acende a luz da sala e vê em cima da mesinha de centro, um caprichado bilhete. Nele estava escrito:-“Querido maridinho, obrigada pelo aviso. Aproveito o ensejo para lembrar-te que tenho também 54 aninhos. Ao leres esta cartinha, comunico-te que estarei noutro motel, com o meu professor de tênis. Ele é jovem. Bonito ! Tem apenas 18 aninhos. Como és um bom político e sabes fazer conta de quantos eleitores votaram em ti, compreenderás que estamos nas mesmas circunstâncias. Com uma pequena diferença: 18 anos, “entra” mais vezes em 54, do que 54, “entra” em 18...Te quero ! mas, não me esperes para dormir. Chegarei só amanhã, de manhã. Da sua ...”

A separação do benquisto casal aconteceu alguns meses depois... Abraços do “Marquez do Cassú”.



Luiz Gonzaga de Oliveira



Cidade de Uberaba

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

A PRAÇA ( E A RUA ) É DO POVO!

Estou a acompanhar essa celeuma do “ estacionamento pago” em ruas, praças e avenidas na terrinha do “Doca”. Então, veio à lembrança um episódio que tomou conta de Uberaba, em 1972/73 . Antes de deixar a Prefeitura, o prefeito Arnaldo Rosa Prata, embora com alguns senões, fizera uma louvável administração. A começar pela surpreendente vitória nas urnas, sobre imortal” Mário Palmério, com quem disputou a Prefeitura naquele “mandato tampão” . Arnaldo, inaugurou o , até hoje, inacabado “Uberabão”, construiu o novo terminal rodoviário, “cobriu” parte dos córregos centrais da terrinha, além de asfaltar ruas no centro e bairros da cidade.

Nas eleições municipais de 72, prestigio em alta, rádio,jornal e TV, recém inaugurada, às mãos, lançou, com a sua turma da Arena 1, o tabelião Fúlvio Fontoura, como candidato à sua sucessão. Pelas obras realizadas, o apoio recebido, a eleição do “pupilo”, era ‘fava contada” . Do outro lado, Arena 2, meio desorganizada, precisando de votos na convenção da escolha de candidato, lançou Hugo Rodrigues da Cunha, perdedor de uma disputa à deputado federal e ex-Presidente da ACIU, também um dos lideres do movimento separatista do Triângulo, de Minas Gerais, chamado UDET (União de Desenvolvimento do Estado do Triângulo).

Hugo, contava com um frágil apoio de empresários do setor automobilístico e reflorestamento. Não mais. “Boa pinta”, a “bola da vez” era Fúlvio. A “mulherada” morria de amores por ele. Hugo, feioso, bigodudo, era o “azarão”. (Sem contar com o João Pedro de Souza, coitado, do esfacelado MDB...).Máquina administrativa na mão, vereadores ao seu lado, deputado federal, imprensa quase unânime,Fúlvio, podia mandar fazer o “ terno de posse”...

Mas, como em “boca de urna” e “cabeça de Juiz”, ninguém sabe o que sai, Hugo, “deu um banho de votos no seu opositor”. A vitória dos“ reflorestadores”, deixou uma parte dos “donos da cidade”, na rua da amargura. Nesse ínterim, veio o “troco”. O grande “Jumbo Eletroradiobraz”, pesquisa Uberaba para instalar uma das suas espetaculares lojas ! Euforia do “grupo” derrotado. A empresa paulista, precisava de uma grande área para a sua instalação. O que fez Arnaldo ? Com a anuência, quase total, só Mário Guimarães, eleito vice prefeito na chapa de Hugo, votou contra, a Prefeitura, doou a praça Jorge Frange, a “antiga praça da rodoviária”, à empresa paulista... Seria a “consagração” de Arnaldo e da Arena 1 e a “oposição” teria de aceitar...

Hugo, “empinou o arreio”! Gilberto Rezende, “cabeça pensante” do grupo vitorioso, gritou:-“Doar praça pública à particular ? Jamais! A praça é do povo !”.Ação popular impetrada, a medida foi sustada. Quando tomou posse, uma das primeiras medidas de Hugo, foi anular o “decreto de doação” da praça. O “Lavoura” “caiu de páu” no novo Prefeito. As rádios também .A TV, ficou neutra. “Sapo de fora não ronca”, disse dr.Renê Barsam, presidente da emissora.

Hugo, ofereceu ao grupo, outras áreas. Por “pirraça” e orientada pela “oposição”, a empresa paulista não aceitava nenhuma outra localização. Queria a praça e pronto ! Só que a “praça é do povo”, diziam os uberabenses. O “castigo veio à cavalo”. Em pouco tempo, a gigante “Jumbo-Eletrorádio Braz”, faliu ! A “oposição” ficou caladinha e Uberaba ficou livre daquele abacaxi.

Conto-lhes essa história da vida política de Uberaba e essas pretensões absurdas, quando falam em “ progresso de Uberaba’, “democratização de espaços”...Não sei se o meu fraterno amigo, Gilberto Rezende, toparia encampar um trabalho comunitário e dizer aos atuais “donos” da terrinha, para ir devagar “com o andor”, nesse famigerado “estacionamento pago”.

Desculpem-me pela extensão do texto. Abraço uberabense do “Marquez do Cassú”.



Luiz Gonzaga de Oliveira



Cidade de Uberaba

domingo, 30 de dezembro de 2018

O BUSTO DE PALMÉRIO

Assistí o descerramento do busto de Mário Palmério, homenagem ao imortal, pela Academia de Letras Triângulo Mineiro prá lá de merecida. Parabéns, presidente João Euripedes Sabino. Lembranças como essa, devem ser preservadas. A gratidão e o reconhecimento não são comuns entre os homens. Mas que deveriam erguer uma baita estátua de Palmério na praça principal da terrinha...ah! deixa prá lá... a cegueira dos uberabenses postiços e natalinos, por aqui, fez “rancho”...

A visão cosmopolita de Palmério, seu espírito educador, obstinado por conquistas, deputado federal em várias legislaturas, escritor, embaixador, músico, letrista e compositor, ”meetingueiro” inigualável, imortal, tanto aqui, quanto no mundo dos contos, Palmério, foi o maior líder que a terrinha conheceu...Contudo, falta-lhe o diploma de “Doutor Honoris causa” da cidade que ele tanto amou !.

A larguesa de seus horizontes, a missão visionária, sacerdotal das metas que queria alcançar e alcançou, a concretização de seus ideais, fizeram dele, a voz maior da terrinha .Confesso- lhes, é o meu ídolo. Ao dotar Uberaba, a saga do ensino superior, abrindo o leque de oportunidades para os jovens da terra e circunvizinhas, especialmente à pobreza estudantil que ansiava por crescimento cultural e profissional, arejando o desejo de um futuro promissor que só aos ricos e potentados eram permitidos, mudou a face da cidade.

Até a metade do século XX, esse privilégio estava reservado aos filhos dos ricos “coronéis” da terrinha. Iam estudar nos grandes centros e, no retorno, recebidos com banda de música, espocar de fogos e desfile em carro aberto.. .Era o “aviso” à população, que o “filho do coronel fulano de tal”, havia se formado e voltava para atender a pobreza da santa terrinha...

Mário Palmério, quebrou, esparramou pelo nosso chão, essa odiosa diferença. “Maomé não podia alcançar a montanha; a montanha veio a Maomé”... Uberaba, , escrevo sem medo de cometer injustiça, ainda hoje, 70 anos depois da primeira Faculdade (Odontologia) , graças ao ensino superior trazido por ele, suporta a carga de desenvolvimento cultural que perdura. Do engraxate, frentista de posto de gasolina, filho de motorista, pedreiro, pintor de paredes, barzinhos, restaurantes, boemias, puteiros, motéis quetais, vivem em função da nossa trepidante vida estudantil.

Outras escolas superiores vieram no rastro das “escolas do Mário”. Se isso na tivesse acontecido, Uberaba seria um “fazendão”, bem ao gosto da nossa elite rural, até então, dominante na cidade. Ao Rio Grande, nosso eterno agradecimento pela “participação”... Palmério, o benfeitor mor da terrinha, morreu com uma dorzinha no coração. De tudo que trouxe para Uberaba, a cidade lhe negou uma vontade não realizada: ser o nosso Prefeito!

O uberabense não entendeu, nas eleições de 1970, o “alerta”que, em praça pública, mostrava em “slides”, o que o nefasto Rondon Pacheco, fazia por Uberlândia. Não deu outra... Infelizmente, o seu vaticínio se confirmou. Hoje, a população de Uberaba é a metade da vizinha... O busto de Palmério na sede da ALTM, é bonito. Convenhamos, Uberaba ainda lhe é devedora. À reflexão dos amáveis leitores, Rui Barbosa, nem sabia onde ficava Uberaba, ganhou nome de praça. O fabuloso complexo da UNIUBE, a avenida que por ela passa, não poderia ter, pelo menos, um “ pedaço” do nome do nosso inesquecível benfeitor? É pedir muito ?

Bom inicio de semana e afetuoso abraço do “ Marquez do Cassú”







Cidade de Uberaba

domingo, 2 de julho de 2017

“ETA FUMINHO BOM”

Mário Palmério
Hugo Prata

Mário Palmério, aos 18 anos, era um latagão meio desajeitado, muito branco, sabido, de pés e mãos enormes, com um bigodinho ralo e uma aparência de cantor de tangos. Caiu nas graças do Cel. João Prata, que sempre o levava consigo quando ia para sua fazenda. Era saber que o varapau estava disponível e lá vinha o convite: “Tranca, vamos passa uns dias na chácara”. Mário apreciava o velho e aceitava o convite. Iam num Fordinho 29. Na frente, Mário guiando, e, ao lado, o coronel que descalçava a botina e ia coçando os dedos. No banco de trás, bem espremido, ia o restante da família, Tuta, Teté e Lolô, esposa, cunhada e filho.

João Prata gostava de um bom cigarrinho de palha e dedicava bom tempo fazendo um. Aliás, o fazer um cigarro já faz parte do prazer. É como um pescador preparando sua tralha, ou uma mocinha se arrumando para o baile. O coronel picava cuidadosamente o fumo e o desfiava com volúpia, antegozando o prazer da fumacinha de daqui a pouco. A palha era alisada, bolinada com o canivete Rogers, e recebia o fumo, espalhado uniformemente com o indicador. Com ajuda dos polegares, o enrolava em um cilindro perfeito. Uma lambida na beirada, para colá-lo, e pronto. Era só acender e sorver a fumacinha cheirosa. Mas isto nem sempre tinha um bom final. Era terminar de enrolar e o Mário, que ao lado a tudo assistia, se babando em elogios, vinha com costumeira lenga-lenga. “Seu João, que coisa impressionante, é o cigarro mais bem feito que já ví. O Senhor é um artista. Dá prá mim esta obra-prima. Quero ter o prazer de fumá-la.” O velho negaceava, mas sempre cedia.

Aquilo foi cansando o coronel, que se esmerava no capricho, mas quem usufria do êxtase era o Mário. Ruminava uma vingança.

Uma tarde, quando Mário voltava de um passeio a cavalo, o veterano coronel começou a lenta operação de fazer um cigarrinho. Só que substituiu o bom fumo goiano por autêntica bosta seca de vaca. Mário chegou no justo momento do arremate e começou a ladainha: “Seu João, o rei do cigarrinho de palha, não vou permitir que fume esta jóia. Ela foi feita para seu amigo aqui que não tem sua maestria, mas tem um paladar apurado. Eu mereço”. O velho matreiro, cheio de baldas, refugou, negaceou, negou estribo, lamuriou e, protestando, cedeu a tão falada obra-prima. O latagão acendeu o cigarro, tragou lentamente, expeliu a fumaça e veio com a lenga-lenga de sempre: “Divino. Manjar dos deuses. Seu João o artista do tabaco. Eta fuminho bom.”

O coronel gozava interiormente a vingança planejada e foi com sorriso cruel que deu sua ferroada mortal: “Mário, seu tranca, você não entende de coisa nenhuma. Nem de bosta de vaca.”
Retirado do livro Causos: “a senhora dona galinha e seus amores”, de Hugo Prata.
Referência bibliográfica

PRATA, Hugo. Causos: “a senhora dona galinha e seus amores”. Uberaba: Martins, 199?. p. 19-20.

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

MÁRIO PALMÉRIO AO LADO DAS FUNCIONÁRIAS.

Mário Palmério ao lado das funcionárias.

Mário Palmério ao lado das funcionárias da Universidade de Uberaba. Uberaba/MG, [199-].
Acervo: Universidade de Uberaba

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

A HISTÓRIA DA UNIVERSIDADE DE UBERABA (UNIUBE)

Conheça a história
A história da Universidade de Uberaba, Instituição sem fins lucrativos, mantida pela Sociedade Educacional Uberabense, remonta ao ano de 1940, quando Mário Palmério funda o Lyceu do Triângulo Mineiro, com sede, inicialmente, na Rua Manoel Borges. Com essa iniciativa, o educador dava os primeiros passos na direção de um projeto muito mais ousado: dotar a pacata Uberaba da época, de uma escola voltada para a oferta do ensino superior.
Até que a ideia se transformasse em realidade, Mário Palmério pôs em prática outras duas ações. Transferiu a sede do Lyceu, mais tarde chamado de Colégio Triângulo Mineiro, para um conjunto de edifícios onde, hoje, funciona o Campus Centro e criou a Escola Técnica de Comércio do Triângulo Mineiro.
Em 1947 o governo federal autorizou a abertura da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro. Em menos de dez anos, outras duas escolas entraram em funcionamento: a Faculdade de Direito do Triângulo Mineiro, em 1951, e a escola de Engenharia do Triângulo Mineiro, em 1956. Uberaba, então, passa a se projetar também em razão de sua importante estrutura, voltada para o ensino superior, privilégio de poucas cidades mineiras, no início dos anos 50. Junto com essas importantes conquistas, veio a necessidade de expansão da estrutura física. Por isso, em 1976, começou a funcionar o Campus Aeroporto, instalado na Avenida Nenê Sabino.
NOVA ESTRUTURA
No ano de 1972, as faculdades isoladas se uniram em uma única sigla, FIUBE, Faculdades Integradas de Uberaba, essa mudança possibilitou no ano seguinte a criação dos cursos de Educação Física, Psicologia, Pedagogia, Estudos Sociais e Comunicação Social. A então FIUBE, concretizou uma parceria no ano de 1981 com a FISTA, Faculdades Integradas Santo Tomás de Aquino, a partir dessa união foram incorporados os cursos de Letras, Filosofia, História, Geografia, Estudos Sociais, Ciências (Química, Matemática e Biologia), Pedagogia (Supervisão Escolar nas escolas de 1º e 2º graus, Orientação Educacional, Administração Escolar) e a habilitação em Jornalismo, do curso de Comunicação Social.
O reconhecimento como Universidade de Uberaba veio em 1988, pelo Ministério da Educação, isso deu a instituição autonomia para a criação de novos cursos e a Universidade de Uberaba pode então oferecer as graduações em Engenharia Agrícola, Tecnologia em Processamento de Dados, Administração, Engenharia Elétrica, Arquitetura e Urbanismo e o de Ciências Econômicas, além de mais duas habilitações no curso de Pedagogia: Magistério das séries iniciais do 1º grau e Pré-Escolar.
No ano de 1997 a Uniube deu um importante passo para a área da saúde. Por decisão do Conselho Universitário, foram criados os cursos de Medicina, Farmácia Industrial, Biomedicina, Fisioterapia, Fonoaudiologia, Nutrição, Terapia Ocupacional e Medicina Veterinária. A implantação desse último é resultado de uma parceria com a ABCZ – Associação Brasileira dos Criadores de Zebu e a FAZU – Faculdade de Agronomia e Zootecnia de Uberaba, onde funciona o Hospital Veterinário. Um ano depois, o Conselho autorizou a abertura do curso de Enfermagem.
PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA
Em 1997 a Universidade passou a ofertar o programa de pós-graduação, o Mestrado em Ciências de Valores Humanos e o Mestrado em Educação e especializações em diversas áreas. A Universidade de Uberaba está credenciada como Instituição de pesquisa junto ao CNPq – Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico e possui projetos aprovados pela Fapemig – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais e pela Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias, além de outros organismos de fomento.
NOVA ESTRUTURA
Mudanças estruturais físicas e humanas foram colocadas em prática no ano de 1997, dentre elas, atualização de currículos, qualificação do corpo docente, contratação de mestres e doutores, qualificação dos profissionais da casa, construção de novos prédios, uma moderna biblioteca e a implantação de laboratórios de vanguarda que dão, até hoje, suporte ao aprendizado prático dos alunos. Em 2000, a Universidade de Uberaba colocou em funcionamento o seu Programa de Educação a Distância – EAD integrado ao Instituto de Formação de Educadores, oferecendo, inicialmente, especialização em Cafeicultura Irrigada.
PROGRAMAS DE APOIO
A comunidade acadêmica da Universidade de Uberaba conta com vários programas de apoio, criados para dar suporte as atividades de docentes e discentes. Funcionam os programas de Tutoria, Iniciação Científica, Apoio à Pesquisa, Monitoria e o PAE -Plano de Atenção ao Estudante – que oferece ao universitário, assistência jurídica, atendimentos nas áreas de Odontologia, Psicologia, Nutrição, Fisioterapia, Biomedicina, Fonoaudiologia, Terapia Ocupacional e Farmácia Industrial.
Fonte:Universidade de Uberaba (UNIUBE)