Mostrando postagens com marcador Dom Alexandre Gonçalves do Amaral. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Dom Alexandre Gonçalves do Amaral. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 21 de junho de 2021

DOM ALEXANDRE GONÇALVES DO AMARAL.

HOMENAGEM AOS 115 ANOS DE SEU NASCIMENTO - 12-06-1906
“Vou cancelar esta cerimônia”. Mal ele terminou estas palavras já avisamos a Dom Alexandre Gonçalves do Amaral que a noiva já estava se posicionando para o tradicional desfile, dando início ao casamento.

Havia sempre uma preocupação maior com a questão de horário quando se tratava de um casamento realizado pelo Arcebispo na década de 70, na Casa do Folclore.

Jamais recusou qualquer solicitação nossa. A sua presença era por nós considerada como uma demonstração de estima e de consideração já que a maioria dos padres e outros bispos, com exceção de Dom Alberto Guimarães, se recusava a realizar casamentos sob o argumento de que não havia ali uma capela.

Dom Alexandre, de uma educação esmerada e de afável trato era, todavia, rígido em disciplinas eclesiásticas e em horários, motivo de sua impaciência.

Em termos de disciplina, de defensor intransigente da fé, do rito e das determinações religiosas, basta o fato de usar fivelas em sapatos que lhe machucavam os pés, mas que compunha as indumentárias determinadas pelo Vaticano e que, para tira-las teve que receber autorização, após graves ferimentos provocados, conforme relata César Vanucci em seu livro “Um Certo Dom”.

A primeira vez que recebemos a visita de Dom Alexandre na Casa do Folclore foi em razão de um convite feito por meio do Professor Erwin Puhler, e sua esposa Eunice, amigos de longa data do Arcebispo. Acompanharam-no nesta visita também o Padre Hyron Fleury, João Francisco Naves Junqueira, seu médico particular e algumas religiosas.

Neste dia acontecia mais uma apresentação do Catira dos Borges. O Arcebispo gostava de manifestações culturais. Conheceu essa dança folclórica em Iturama.

Na época desta visita, década de 1970, não havia grandes construções no local e sim jardins, o que levou Dom Alexandre a dizer que o local se parecia com os jardins do Éden. Muito gentil, disse ainda que batizaria a Casa do Folclore como Academia Brasileira do Folclore.


Filho de Benjamim Gonçalves e Maria Cândida Gonçalves do Amaral, Alexandre nasceu em Carmo da Mata, Minas, aos 12 de junho de 1906.

Aos 23 anos, em 22 de setembro de 1929, foi ordenado padre. Dez anos após, ao ser eleito bispo, foi ungido em 29 de outubro de 1939 o mais jovem bispo em todo o mundo. Neste mesmo ano tomou posse em Uberaba em 8 de dezembro de 1939 exercendo a função episcopal até 1962 por indicação do Papa Pio XII. Foi o 4º bispo da cidade, após D. Luiz Maria de Sant’Anna.

Na década de 1940, dono de uma inconfundível voz, Dom Alexandre foi considerado o maior orador sacro do Brasil. Segundo Cesar Vanucci, apesar de conhecer bem a ortografia, se apegava em escrever seus artigos de próprio punho e utilizando a grafia antiga como “pharmácia” e não aceitava a revisão do jornal.

Em 14 de abril de 1962 o papa João XXIII elevou a Diocese de Uberaba a Arquidiocese e criou a Província Eclesiástica de Uberaba abrangendo as dioceses de Patos de Minas, Uberlândia e Paracatu. A Catedral obteve o título de Catedral Metropolitana e o Bispo Dom Alexandre foi elevado à categoria de Arcebispo, o 1º de Uberaba.

Manteve este título até maio de 1978, quando renunciou juntamente com seu Administrador Apostólico, Dom José Pedro Costa. Dom Alexandre Gonçalves do Amaral e Dom Pedro passaram à categoria eclesiástica de “Bispo Emérito”.

A atuação de Dom Alexandre como supremo dirigente da Igreja em Uberaba, iniciada em 1939, não ficou restrita a ser o pastor espiritual.

Diversos desafios ocorreram em sua longa trajetória episcopal. Assumindo suas funções eclesiásticas em plena 2ª guerra mundial (1939/1945), sua primeira intervenção se deu quando os padres dominicanos foram acusados de manter uma emissora clandestina para passar informações para os alemães. Buscas foram realizadas na Igreja São Domingos e nada foi encontrado. Quando os fiéis quiseram fazer o desagrava deste lamentável fato foram impedidos e o próprio Jornal Católico, censurado.

No governo de Juscelino Kubitschek (1951/1955) ocorreu em Uberaba graves manifestações contra os abusos cometidos por fiscais da Secretaria da Fazenda do Estado de Minas Gerais comandada por José Maria Alkimim, resultando em uma revolta dos contribuintes. Baderneiros aproveitaram para provocar atos de vandalismo destruindo arquivos da Receita Federal, que funcionava no prédio da Associação Comercial e Industrial de Uberaba, e os da Receita Estadual instalada na Rua Major Eustáquio com a Rua Manoel Borges.


Na época foram presos inúmeros uberabenses. Coube a Dom Alexandre partir para a defesa dos injustiçados em artigos virulentos contra o arbítrio, publicados no “Correio Católico”, conseguindo a vinda do então Secretario Estadual a Uberaba para apaziguar a situação.

Como o Governador Juscelino tinha interesse na eleição para Presidente da República, além de serenar os ânimos dos uberabenses atendeu as solicitações de Dom Alexandre e, pouco tempo depois, deu de presente, segundo relato de Frederico Frange, o prédio da antiga cadeia, situada na Praça do Mercado, acrescido de um bom numerário para que a Associação de Medicina de Uberaba implantasse uma Faculdade de Medicina particular que se transformou na UFTM, uma das grandes Universidades Federais do Brasil.

Dom Alexandre foi uma poderosa voz na revolução de 1964. Nas palavras de César Vanucci, não lhe faltava carisma, cultura, inteligência, sabedoria, vivência humanística e espiritual. Sobrava coragem para enfrentar desafios. Para corrigir abusos que estavam sendo cometidos em nome do governo foi pessoalmente a Belo Horizonte para um encontro marcado com o Governador Magalhães Pinto. Nessa oportunidade conseguiu a transferência do comandante do 4º Batalhão, que era o objeto de reclamações dos injustiçados.

O Governador designou, para seu lugar, o ajudando de Ordens do Gabinete Militar Ten.Cor.PM José Vicente Bracarense que depois de pacificar os relacionamentos entre o governo estadual e a Igreja, fincou raízes em Uberaba, ocupando por duas vezes secretarias nos governos municipais de Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1976) e Silvério Cartafina (1977/1982).

A FISTA–Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras Santo Tomás de Aquino- criada pela Congregação das Irmãs Dominicanas em Uberaba no ano de 1948, por iniciativa de Dom Alexandre, teve sua diretoria invadida, em abril de 1964, por elementos estranhos ao quadro da Instituição que assumiram o poder em nome do Governo. Repudiados pelo Bispo foi necessário manter contato com o Gal. Castelo Branco para terminar com esta situação. O Presidente determinou que onde houvesse Diocese a Igreja deveria ser ouvida antes de quaisquer atividades em entidades vinculadas.

Além dessas interferências, durante seu bispado teve que enfrentar tempos desagradáveis e polêmicos, entre os quais os desentendimentos com a classe médica em relação a cartas anônimas - pichações anônimas - tomada de posição em favor da implantação da Cemig e muitas outras registradas pela imprensa.

Dom Alexandre fazia sua defesa por meio do Correio Católico, jornal por ele criado e que inicialmente era mensal, passou para semanal e se tornou diário em 1954 na gestão de Dom José Pedro Costa. Segundo Cesar Vanucci em seu livro “Um Certo Dom”, foram escritos cerca de 6.000 artigos para o Jornal.

Em 1972 o Correio Católico foi vendido para um grupo de empresários do qual participava na diretoria Joaquim dos Santos Martins, Gilberto Rezende e Edson Prata. O nome foi mudado para “Jornal da Manhã”.

Como empreendedor Dom Alexandre construiu o Seminário São José (Praça Dom Eduardo) na década de 1980, hoje chamado Centro Pastoral João Paulo II, sede da Cúria Metropolitana. Durante seu bispado trouxe a Uberaba três mosteiros contemplativos – das Beneditinas, Carmelitas e Concepcionistas. Trouxe ainda as Carmelitas da Afonso Rato, os Capuchinhos, os Padres Sacramentinos, as Irmãs do Asilo São Vicente e Orfanato Santo Eduardo.

Pastor e evangelizador, pregador, conferencista, jornalista e escritor, foi também professor de Filosofia e Teologia. Um de seus alunos ilustres foi Mário Palmério a quem incentivou a criação das Faculdades.

Foi um dos fundadores da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM), ocupando a cadeira 21, sendo sucedido por Maria Antonieta Borges Lopes. Escreveu três livros, entre eles “Os Católicos e a Polícia”, em 1946.

Dom Alexandre faleceu aos 05 de fevereiro de 2002 tendo vivido 96 anos, 73 como padre, 39 anos de governo episcopal e 23 anos como Bispo Emérito. Está sepultado na cripta dos bispos na Catedral onde, em 2006, foi celebrado o centenário de seu nascimento.

Sua vida bateu três recordes quase impossíveis de serem repetidos, pois foi ordenado padre aos 23 anos, nomeado bispo com apenas 33 anos e vivido 63 anos como bispo.

“Dom Alexandre Gonçalves do Amaral” é hoje nome de uma rua no residência Mário de Almeida Franco.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, ex-presidente e conselheiro da ACIU e do CIGRA.
Fontes – Jornal da Manhã –
César Vanucci – livro “Um Certo Dom”.
Voz da Arquidiocese.

segunda-feira, 15 de junho de 2020

Mosteiro de Nossa Senhora da Glória - Uberaba - Minas Gerais - Brasil

O Mosteiro de Nossa Senhora da Glória foi fundado no dia 08 de setembro de 1948 por um grupo de seis monjas e um monge vindos do Mosteiro de Nossa Senhora de Aasebakken, na Dinamarca.

O Mosteiro de Den Evige Tilbedelses de Copenhague, fundado em 1914 pela Reverenda Madre Bírgitta von Wacken-Harzig, procedente do Mosteiro da Adoração Perpétua de Innsbruck (Áustria), encontrava sérias dificuldades no recrutamento de novas vocações. Convidado a pregar o retiro anual da comunidade, Dom Wolfgang de Czernin von Chudenitz, monge da Arquiabadia de São Martinho de Beuron, penalizado com a situação do mosteiro, propôs sua agregação à Ordem Beneditina. Estando a comunidade de acordo e concedidas as licenças da Santa Sé, o Mosteiro da Adoração Perpétua de Copenhague passou a ser beneditino, devendo Dom Wolfgang, nomeado assistente espiritual da comunidade, levar para lá monjas beneditinas de outro mosteiro que iniciassem a comunidade dinamarquesa na sua vida.

Mosteiro Nossa Senhora da Glória - Foto Antonio Carlos Prata

Em 1936, Madre Margarida Hertel e mais duas monjas foram enviadas de seu mosteiro de origem, Abadia de Frauenchiemsee, Alemanha, à Dinamarca para implantar a Regra Beneditina no único Mosteiro de contemplativas naquele país.

Madre Margarida conseguiu atrair muitas vocações dinamarquesas para o ideal beneditino, fato que chegou a surpreender a população protestante e rapidamente o mosteiro refloresceu, tomando novo alento, graças ao espírito empreendedor da jovem Prioresa.

Em 1942, devido a sérias dificuldades econômicas causadas pela guerra, a comunidade se viu obrigada a transferir-se para a pequena cidade de Aasebakken, onde construíram um pequeno mosteiro dedicado a Nossa Senhora, Vor Frue Kloster. Diante de tantas dificuldades, pensaram em fazer uma fundação em Noruega, onde Madre Margarida conhecia o Bispo e este a estimava muito. Mas como a Noruega passava grandes dificuldades, pois sofrera muito com a guerra e a ocupação nazista, o senhor bispo não poderia ajuda-las financeiramente.

Pelo ano de 1947, o Reverendíssimo Dom Alexandre Gonçalves do Amaral, então Bispo Diocesano de Uberaba, pregava o retiro anual à comunidade do Mosteiro de São Bento do Rio de Janeiro. Era seu desejo ter em sua diocese um mosteiro de beneditinas. Justamente durante aquele retiro chega uma carta de Dom Wolfgang a um seu confrade, também monge de Beuron, Dom Leopoldo Holderried, que se encontrava no Mosteiro do Rio: Dom Wolfgang indagava a Dom Leopoldo da possibilidade de uma fundação de monjas no Brasil. Dom Leopoldo comunicou-se com Dom Alexandre, o qual respondeu que “recebia de joelhos esta fundação como uma graça de Deus”. Desde então começaram os entendimentos entre Dom Alexandre, Dom Leopoldo, Pe. Wolfgang e Madre Margarida.


Em abril de 1948, Madre Margarida e um grupo de irmãs tomam navio no porto dinamarquês de Ejesberg com destino ao Brasil, aonde chegam a 30 de abril do mesmo ano, desembarcando no porto de Santos.

Refeitas da viajem marítima, prosseguiram para Uberaba, onde chegaram a 13 de maio. Pe. Wolfgang, Madre Margarida, 6 monjas (Ir. Hildegardes Neovius, Ir. Escolástica Leth Mammen, Ir. Josefa Mogensen, Ir. Gertrudes Marker e Ir. Teresa Norvil) e duas candidatas dinamarquesas (Edith Boje Jensen, que depois tornou-se Ir. Magdalena; e Maria Persson, futura Ir. Benedicta) foram recebidos calorosamente na Estação da Estrada de Ferro Mogiana por Dom Alexandre com uma paternal solicitude, sacerdotes, religiosos, religiosas, moças e senhoras da Ação Católica e D. Lilia – Maria Cândida Amaral, mãe de Dom Alexandre. Todo o povo de Uberaba fez um acolhimento caloroso, amigo e fraterno.

Dificuldades com a língua, aclimatação e outras pequenas barreiras foram sendo superadas, de modo que a 8 de setembro de 1948 foi o Louvor Divino iniciado solenemente na pequena capela da fundação, durante as I Vésperas da Festa da Natividade de N. Sra. O Sr. Bispo D. Alexandre veio rezar com a comunidade, dar a bênção do Santíssimo e benzer o novo Mosteiro. Estava assim oficialmente fundado o Mosteiro de Nossa Senhora da Glória, em Uberaba. Fonte: (Mosteiro Nossa Senhora da Glória - Monjas Beneditina) 

==========================

Fanpage: https://www.facebook.com/UberabaemFotos/

Instagram: instagram.com/uberaba_em_fotos

Cidade de Uberaba