sábado, 25 de março de 2023

JOGADO NO RIO GRANDE

Por uma questão de somenos, mera divergência de posicionamento político, uma turba enfurecida de desordeiros arrancou o busto do pedestal que estava na Praça Rui Barbosa e o atirou nas profundezas do Rio Grande, em 7/10/1930.

Passados quase 26 anos dessa deplorável manifestação, uma severa e prolongada seca fez baixar o nível do rio e da ponte a peça tornou-se visível. Foi o que disse o dentista Hélio Gomes Ferreira, responsável por encontrá-la, pois, segundo ele, o fato tornou-se possível "graças a estiagem e obras de construção da barragem que diminuíram a vazão e ele pode vê-la enterrada no leito seco do rio." Depois de resgatá-la ele levou-a para sua residência. “Encontrava-se bem danificada pelo tempo e, mesmo assim, foram-lhe oferecidos 100 mil cruzeiros por ela”. Proposta, obviamente, recusada por tratar-se de “peça de valor histórico inestimável”, teria acrescentado.

Fotos: Melo Viana e busto (acervo Google)

É que o homenageado era o Dr. Fernando de Melo Viana, ex-juiz de direito da Comarca (1911-1918), advogado geral do Estado, ex-secretário do interior, ex-deputado estadual, ex-governador de Minas (1924-1926), ex-vice-presidente da República (1926-1930) e ex-senador em três legislaturas.

Após oportuna restauração, a valiosa peça foi devolvida à comunidade, sendo afixada no antigo fórum da Rua Lauro Borges, 97. Atualmente ela pode ser vista no hall de entrada do novo prédio do TJMG, Av. Maranhão, 1580, no bairro Santa Maria.


A justiça assim foi feita e o honorável nome dessa ilustrada figura foi devidamente reposto em seu devido lugar, ora identificando o grandioso prédio como Fórum Melo Viana, sendo os nomes daqueles irresponsáveis vândalos devidamente relegados ao lixo da história e do lamentável ocorrido esse devido registro em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Moacir Silveira

Fonte: Diário de Uberaba, Dr. Marcelo Prata (Revista Dimensão, Vol. IV, páginas 119 e 221)

quinta-feira, 23 de março de 2023

Uberaba, meados dos anos 70 e 80.

Um dos ângulos mais convincentes de um passado que conta a história de várias gerações.

Uberaba, meados dos anos 70 e 80. Foto: Autoria desconhecida.

Detalhes: a casa da esquina, à esquerda, foi a residência do Major Eustáquio, fundador de Uberaba. Atualmente é um hotel de 6 andares (Monte Carlo). Ainda à esquerda, a farmácia Triângulo Mineiro, a Padaria Brasil, que não existem mais, e, mais adiante, à Casa de Sinuca Manogra. À direita, o famoso Bar 1001, era um ponto de encontro da vida noturna, onde o Médium Chico Xavier, por vezes, tinha o hábito de ir tomar café. Ao lado a banca de revistas. Se a câmera virasse um pouquinho pra direita veríamos a Livraria ABC, o Jornal Lavoura e Comércio. (Antônio Carlos Prata).

História de Uberaba

quinta-feira, 16 de março de 2023

Foto aérea mostrando a Igreja de São Domingos e a Casa do Rosário em 1935.

Mais uma foto aérea de Uberaba, essa tirada no dia 5 de junho de 1935. No centro da imagem está a Igreja de São Domingos e a Casa do Rosário. Mais ao fundo, isolada no morro e em estado precário de conservação, a igrejinha de Santa Rita. Ela só seria tombada como Patrimônio Histórico Nacional em 1937, e uma restauração foi feita em 1940.
À direita, o Mercado Municipal e, bem no canto superior direito, um pedaço do Colégio Nossa Senhora das Dores e sua capela, na época recém construída.

Reparem que, nessa data, ainda não havia sido erguido o Hospital da Criança. Mas, poucos meses depois, começaria a funcionar, nesse casarão em forma de "L" ao pé da foto (na esquina das ruas Segismundo Mendes e Lauro Borges, hoje desocupado e aguardando uma improvável restauração) a chamada "Casa da Criança", que seria o embrião do futuro hospital, inaugurado em 1947.

Foto do Correio Aéreo Militar, no acervo da Brasiliana Fotográfica.

(Clique na foto para ampliar e na tecla "Esc" para voltar ao normal)

Também ainda não havia a Avenida Leopoldino de Oliveira no trecho entre a Rua Segismundo Mendes e a praça do Mercado (as obras foram iniciadas em 1938). No extremo esquerdo da foto, um pouco para trás da Igreja de Santa Rita, o casarão que nos mostra suas janelas laterais, é a antiga residência do Coronel Raymundo Soares de Azevedo. Inaugurado em 1914, é hoje a sede da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

(André Borges Lopes)

Rua Arthur Machado em meados dos anos 60.

Rua Arthur Machado em meados dos anos 60. A rua era viva porque havia vida no seu entorno. Tínhamos a Casa Pignatário, Center Discos, Casa das Meias, do Sr.Durval, as Coletorias Estadual e Federal, a Central Telefônica, a Pensão Ribeiro, Uberaba Hotel, Armazém Central (pegou fogo em 67), do Sr. Martinelli, Eletro Central, Bar Eldorado, Rei da Vitamina, Farmácia Alexandre Campos, Esquina do Barulho, Bar da Viúva, Salão do General, Casa da Sogra, Rei do Móveis, Hotel Modelo, Lojas de materiais de construção Casas do Babá e Ferreira Laterza, Foto Akira. Casa Gaúcha Chapelaria, Fábrica e padaria Esperia, Loja Grisi, El Toro, Marabá, Banca de Revistas do Wilmondes, Dental Lider, joalheria Gaia, sorveteira Linde, o Banco Mercantil de Minas Gerais, Cine Uberaba Palace, Bar Guarani, Posto Marzola, Bar Buraco da Onça, do Sr. Romeu, Bar JB, Bar Tip Top, do "Quinzinho", Barbearia do Sr. Artur Riccioppo, Bazar São João.

Rua Arthur Machado em meados dos anos 60. Foto: Autoria descnhecida.

Rua Arthur Machado -em meados dos anos 1960. Foto: Autoria desconhecida


Córrego das Lajes, atual Avenida Leopoldino de Oliveira. Foto: Autoria descnhecida.


Cartão postal da antiga Praça Rui Barbosa, na década de 1970.
Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

De quebra, o córrego das Lajes todo iluminado e arborizado, o Grande Hotel, Galo de Ouro e cine Metrópole, em franca atividade. Sem falar no Hotel do Comércio, no Cine Teatro São Luíz. Padaria Brasil, Bar do Mosquito, Jóquei clube, Livraria Católica, A Caprichosa, Grutinha Santa Luzia, Enfim, a cidade baixa ainda pulsava, era uma área bastante movimentada, de comércio pujante, atraía naturalmente pessoas de todos os recantos. Hoje...

(Antônio Carlos Prata)


História de Uberaba

Foto aérea mostrando o bairro de São Benedito, feita em novembro de 1935.

No primeiro plano estão os prédios recém construídos do Liceu de Artes e Ofícios (posteriormente SENAI) que, nessa época, estavam ocupados pelo 4º Batalhão de Caçadores da Força Pública. Na parte de trás do terreno, ainda em obras, o Grupo Minas Gerais. Um pouco mais à direita, as elegantes instalações do Sanatorio do Dr. Carlos Smith, onde hoje funciona o Manhattan Center Shopping e seu edifício.

Foto aérea mostrando o bairro de São Benedito, feita em novembro de 1935.

(Clique na foto para ampliar e na tecla "Esc" para voltar ao normal)

Dois pontos chamam a atenção. A falta de calçamento nas ruas e a absoluta ausência de árvores nas calçadas, embora elas ainda existissem aos montes nos quintais das casas.

A foto foi feita pelo Correio Aéreo Nacional e, atualmente, está no acervo da Brasiliana Fotográfica.


História de Uberaba

Sanatório do Dr. Carlos Smith

Na foto aérea publicada ontem, destaca-se entre as ruas Tristão de Castro e São Benedito um grande terreno onde aparece um elegante jardim. Trata-se do "Sanatório Smith", uma sofisticada casa de saúde dirigida pelo médico cirurgião Carlos Smith, que foi reformada e ampliada no final de 1933.

A entrada do Sanatório Smith, na esquina da Rua Tristão de Castro com a Travessa Raul Terra. Fotógrafo não identificado.

(Clique na foto para ampliar e na tecla "Esc" para voltar ao normal)

As obras de ampliação ficaram a cargo do construtor Carlos Biela, e se estenderam pelo ano de 1934. Ao palacete original (voltado para a Rua Tristão de Castro), somou-se um prédio de dois pavimentos, uma piscina (a primeira a ser feita em Uberaba) e um jardim em estilo inglês, aproveitando as árvores frutíferas que já existiam no terreno. Um grau de requinte inédito na provinciana Uberaba dos anos 1930.

Matéria publicada na revista "O Cruzeiro", editada no Rio de Janeiro, em maio de 1938.

No livro "História da Medicina em Uberaba", o Dr. José Bilharinho descreve o estabelecimento: “Na parte térrea do novo pavilhão ficaram localizados os consultórios médicos, gabinete de raios X e de eletricidade médica, capela, seção de quartos, copa e cozinha. Na parte superior, 14 quartos, 2 apartamento, salas de operação e anestesia, quarto para enfermeiras de plantão, 2 ante-salas, sala de jantar, instalações sanitárias e dois terraços."

No Sanatório Smith trabalharam, além do proprietário, os Drs. Djalma Smith (irmão de Carlos), Duarte Tomás Miranda, José de Paiva Abreu, Vicente Nesi e João Jorge Miziara. Funcionou de 9 de novembro de 1933 a novembro de 1961, quando foi adquirido pela Santa Casa de Misericórdia. Nos anos 1970, o prédio chegou a ser ocupado pelo Hospital Vera Cruz, mas as instalações já estavam em franca decadência. Abandonado, acabou demolido para dar lugar, alguns anos depois, ao Manhattan Center Shopping.

Formado na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro em 1926, Dr. Carlos Smith era, além de médico, pecuarista criador de gado Zebu. Foi um dos pioneiros do Aeroclube de Uberaba e exerceu, entre 1948 e 1952, a presidência da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (SRTM, antecessora da ABCZ). Trabalhou por muitos anos na Santa Casa de Misericórdia e fez parte, nos anos 1950, da primeira turma de médicos que fundou a Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, hoje integrada à UFTM.

(André Borges Lopes)

História de Uberaba

CADÁVER NO TÁXI

INUSITADA VIAGEM

Bem que poderia ser uma história surreal, fantástica ou inusitada, mas essa aconteceu de fato e foi objeto de notícia no jornal O Globo, do Rio de Janeiro, RJ, em sua edição do dia 31 de agosto de 1940.
Pelo teor da nota jornalística, o acontecimento teria ocorrido na véspera, num Sanatório de Belo Horizonte, MG, onde vitimada por um quadro grave de tuberculose pulmonar, a jovem uberabense Maria da Glória Alves teria morrido.

Imagens: 1 – Praça Rui Barbosa, década de 1940 (acervo APU – Arquivo Público de Uberaba)
e 2 – Foto da época, meramente ilustrativa (acervo Google)

Para que o seu corpo pudesse ser sepultado em sua terra natal, sua irmã contratou, por um conto e duzentos réis, um automóvel de praça para realizar essa inusitada viagem.
E isso só foi possível com o corpo, na posição sentada, devidamente enrolado em lençóis e acomodado no banco de trás do veículo.
A autoridade policial, ao tomar conhecimento infausto acontecimento e motivo da viagem, não registrou o fato no livro de ocorrências, apenas que o veículo fosse devidamente desinfetado quando de seu retorno à capital mineira.
Moacir Silveira


Fonte: Diário de Uberaba, vol. III (1926-1949), página 623, edição da Revista Dimensão (Fevereiro 2023):

História de Uberaba

sexta-feira, 3 de março de 2023

Múltiplos Olhares sobre Uberaba

Aspecto extremamente peculiar é o fato de que numa cidade como Uberaba, cuja população, é mesclada por descendentes de imigrantes estrangeiros e migrantes rurais e de outros estados brasileiros, a diversidade territorial e espacial está ligada a processos de recriação dos modos de vida em determinados espaços, como nos aspectos arquitetônicos das construções, em redutos familiares nas festas populares que lembram as culturas de origens desses grupos migratórios. Mesmo que possam aflorar algumas tensões entre o desenvolvimento de modos de vida diferenciados, no contexto das relações cotidianas dos vários grupos étnico-culturais nos espaços da cidade, existe um salutar grau de convivência tolerante alcançado pela maioria dos grupos e famílias.

O que se constata no contexto sociocultural de Uberaba, é a participação ativa da população na construção permanente da cidade e que se expressa em seus habitantes.

São milhares de histórias de multiculturalismo para contar. As culturas vão se fundindo em todos os aspectos da cidade, que vem criando mecanismos na luta pela reconquista da solidariedade humana, a exemplo do que vem sendo realizado hoje, através de ações significativas dos habitantes da cidade de Uberaba, daqueles que nela nasceram e formaram suas famílias, daqueles que passaram por aqui e se apaixonaram pela Uberaba, um pouco provinciana, um pouco moderna com seus arranha-céus, seu belo patrimônio cultural!

A cidade é compreendida como um organismo subjetivo que inventa valores e modelos de comportamentos estruturados por uma linguagem própria, baseada em intervalos delimitados pela ação dos indivíduos que habitam o espaço urbano.

Como bem disse Walter Benjamin: “Não saber se orientar numa cidade não significa muito. Perder-se nela, porém, como a gente se perde numa floresta é coisa que se deve aprender a fazer” (BENJAMIN, 1971, p.76)

Texto de Cida Manzan, publicado no Livro 200 anos +- Da Igreja Matriz à Catedral de Uberaba. Ano 2020

sábado, 11 de fevereiro de 2023

Carlos Alberto Bernardes Ferreira

É com pesar que comunicamo a morte do Sr. Carlos Alberto Bernardes Ferreira, era proprietário proprietário da tradicional loja de Uberaba, a Telerádio, ocorrido ontem no Hospital São Domingos. Ele era casado com Sra. Dulce Fernandes de Andrade Ferreira, com quem teve 7 filhos.

O corpo está sendo velado no Salão da Irmãos Pagliaro, na avenida Fidélis Reis, 111 (Centro). Horário do sepultamento a ser definido.


sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

Morre o empresário Saadalla Azor Fakhouri

É com pesar que comunicamos a morte do empresário Saadallah Azor Fakhouri. Era proprietário da loja São Paulo, localizada no Centro da cidade. Saadallah era simpático, querido por todos. Sempre distribuindo sorrisos e boas conversas por onde passava.

               Saadallah Azor Fakhouri/ Divulgação. 


O velório será nesta sexta-feira (13) no salão LIV, no Parque das Américas, a partir das 08h às 11h30.

Uberaba em Fotos apresenta sinceros pêsames à família Saadallah Azor Fakhouri

domingo, 18 de dezembro de 2022

RESULTADO DAS ELEIÇÕES DE 17/12/2022.

Tivemos o prazer de vermos eleitos: INÁ BITTENCOURT DE SOUSA BARBOSA e HILDEBRANDO PONTES NETO, que doravante estão aptos para ocuparem as Cadeiras 4 e 14, respectivamente. 

O pleito eleitoral fora coordenado por Comissão especialmente nomeada pela presidência da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Integraram a Comissão Eleitoral os Acadêmicos: Gilberto de Andrade Rezende(Presidente), Arahilda Gomes Alves(Vice-Presidente) e Marta Zednik de Casanova(Secretária Geral).

A Assembleia transcorreu em clima cordial e ordeiro, tendo sido rigorosamente observadas normas estatutárias. 

Considerando o número de Cadeiras ocupadas(38) e a quantidade dos votantes(28), conclui-se que o quórum dos votos alcançou o percentual de 73,68%, relação esta que bem expressa a importância da eleição hoje consumada. 

Estão de parabéns os novos Acadêmicos e saibam que a ALTM lhes recebe de braços abertos. 

E que possam estar sempre dispostos para defender a causa do Sodalício que lhes acolhe. 

João Eurípedes Sabino.

Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

terça-feira, 13 de dezembro de 2022

HOMENAGEM DA CÂMARA MUNICIPAL DE UBERABA.

Ontem, 12/12/2022, a Academia Letras do Triângulo Mineiro recebeu da Câmara Municipal de Uberaba, o Diploma “HOMENAGEM ESPECIAL”pela passagem dos 60 ANOS do nosso querido Sodalício, completados no dia 15/11/2022.



Devemos dividir este laurel com todos aqueles que verdadeiramente concorreram durante as seis últimas décadas para que a ALTM pudesse merecê-lo, sejam pessoas pertencentes ou não à Academia.

Da primeira Assembleia de fundação da Academia à data de ontem, sempre tivemos o grupo de frente que, com seus exemplos de dedicação, oportunizaram a vinda de outros para desfrutarem do bom ambiente, da influência e do prestígio que a nossa Casa de Letras nos proporciona. A esses integrantes devemos expressar, ou mentalizar o nosso sincero sentimento de gratidão.

A homenagem ontem recebida pela ALTM recai sobre cada Membro presente ou ausente, na proporção direta, tomando como referência o amor que cultuam ou cultuaram pela nossa Instituição. Os ausentes também devem ser sempre recordados…

Mesmo não tendo a oportunidade para manifestar na tribuna, nossa Academia se declara extremamente grata à Câmara Municipal de Uberaba pelo recebimento do Diploma, documento este que ficará gravado como ponto proeminente na história da nossa Casa de Letras.

Nosso especial apreço ao Vereador Samuel Pereira, Autor do Requerimento 1.597-07/11/2022, que fora aprovado por unanimidade.

Abraço fraterno.

João Eurípedes Sabino

Presidente da ALTM.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2022

Morre Henri Brandão

Por Victor Aragão Netto

E hoje Uberaba perdeu um apaixonado pelas casas e imóveis históricos da cidade. Um amigo que eu chamava de cabeça branca, e parecia um menino maluquinho, que quando colocava uma coisa na cabeça, insistia até conseguir.

Henri Brandão. Foto/Divulgação.

Às vezes era tão pouco o que queria, e ficava grato por tão pouco, que eu me admirava com a sua simplicidade. Tinha ideais muito nobres, e às vezes até utópicos. Queria porque queria conseguir a doação de um terreno para a construção de um novo hospital em Uberaba, e lá íamos nós, eu e o Helder Silva tirar fotos de drone para ele. Saímos algumas vezes para fotografar casas que estavam prestes a ser demolidas, e ele sabia a história de cada uma delas e de seus moradores. Nunca consegui entrar na galeria que ele guardava as preciosidades que ele conseguia de demolições e de seu acervo pessoal, apesar de ter fotografado o imóvel com o drone, a pedido dele. Tinha e tenho uma empatia muito grande por ele. Descanse em paz, meu amigo Henri Brandão, o Cabeça Branca.

segunda-feira, 14 de novembro de 2022

“DR. ADJUTO” – A PRAÇA QUE SUMIU.

Antônio Garcia Adjuto foi Agente Executivo (Prefeito) de Uberaba de 1903 a 1904, quando assumiu a Presidência da Câmara Municipal. Já havia sido eleito Vereador nas legislaturas de 1898 a 1900.

São destaques de sua gestão: usar paralelepípedos pela primeira vez na cidade para calçar a rua do Comércio (Artur Machado); abrir concorrência para dotar a cidade de iluminação elétrica; adquirir terreno para construção do mercado municipal; erradicar a febre amarela do município e constituir o perímetro urbano.

Foi também em sua gestão que aconteceu a inauguração do prado São Benedito, a instalação da fábrica de cervejas Tripolitana, a inauguração da Igreja São Domingos e o início das atividades do Colégio Marista Diocesano.

Após seu mandato de Agente Executivo, voltou à Câmara Municipal para o período de 1908 a 1912, mas interrompeu seu mandato em 1909 quando foi eleito Deputado Federal por Minas Gerais, assumindo o cargo na cidade do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, ali permanecendo até dezembro de 1911, na 28ª Legislatura.

Antônio Garcia Adjuto
 Foto - Arquivo Público de Uberaba.

Garcia Adjuto não foi apenas político em Uberaba. Em 1899 foi o primeiro secretário do “Clube Lavoura e Comércio” fundado para combater o imposto territorial criado pelo então Governador de Minas Gerais, Silviano Brandão. Desse Clube nasceu em 6 de julho de 1899, o jornal “Lavoura e Comércio” do qual Garcia Adjuto foi o primeiro diretor.

Participou também, junto com outras personalidades, da fundação em 1º de janeiro de 1901, do Sport Club, mais tarde denominado Jóquei Clube de Uberaba. Integrou o Conselho Fiscal do Clube junto com Artur Machado, Tobias Rosa e outros, sob a presidência de José de Oliveira Ferreira.
Formado em advocacia pela Faculdade de Direito de São Paulo, em 1890, Garcia Adjuto exerceu uma intensa militância no foro de Uberaba. Foi um dos defensores da Câmara Municipal na célebre ação reivindicatória do patrimônio da cidade que a Matriz lhe moveu, em 1909, por iniciativa de Monsenhor Inácio Xavier da Silva.

Desse rumoroso processo resultaram vários livros sobre a questão, sendo dois de sua autoria, dois da lavra do advogado da Matriz e um de cada perito das partes, Alexandre Barbosa e Silvério José Bernardes, conforme relata o historiador Guido Bilharinho.

Antônio Garcia Adjuto mudou-se de Uberaba para Mato Grosso no fim da década de 1910. Em apenas 13 anos de residência em Uberaba, deixou sua marca de um honesto e habilidoso administrador público, de associativista, jornalista e uma justa fama de grande jurista.

Nascido em 07 de março de 1867 na cidade de Paracatu, MG, era o caçula dos oito filhos de Francisco Garcia Adjuto Filho, casado com Ana Cornelia de Abreu Castelo Branco. Fez seus estudos preparatórios no Seminário de Diamantina.

Em 1891 foi Promotor Público de Araxá, MG. De 1895 a 1897 foi Inspetor Escola ambulante da 6ª Circunscrição do Ensino, cargo extinto em 1897.

Depois de sua passagem por Uberaba (1898/1910) tornou-se professor de grego no Colégio Nacional e de Inglês, no Liceu da Humanidade de Campo Grande, MT, local onde publicou, a partir de 1920, diversos livros de natureza jurídica no interesse das cidades de Campo Grande, Corumbá e Cuiabá, conforme relato do livro “Os Carneiros de Mendonça”.

Antônio Garcia Adjuto faleceu em 15 de outubro de 1935, aos 68 anos de idade. Em data incerta, a Câmara Municipal de Uberaba ou o o Chefe do Executivo, em sua homenagem, designou como “Praça Dr. Adjuto”, uma área no bairro de São Benedito.

Na realidade não existe mais praça nesse local. Embora inconclusiva, é uma história interessante.
Essa área - um quadrilátero com pouco mais de 9.000 m2, - cercada pelas

Avenidas Conceição das Alagoas, Barão do Rio Branco, Triângulo Mineiro ((Alberto Martins Fontoura Borges) e pela rua Ituiutaba, foi incorporada ao município através do apelão n. 2912 de 04 de fevereiro de 1914, Tribunal de Relação de Minas com o Registro 22.575.

Em 13 de abril de 1923, através da Lei 473, a Câmara Municipal aprovou a doação de uma área necessária à instalação de uma fábrica de tecidos, por solicitação de Francisco Antônio Salles e José Maria dos Reis ou para a empresa que os mesmos organizarem para fundação de uma fábrica de tecidos e demais prédios para operários. Não se tem o registro nesta autorização da área que foi cedida.
Em 1928 os Mascarenhas, proprietários da Fábrica de Tecidos Santo Antônio do Caçu, juntamente com os irmãos Antônio e Alberto Martins Fontoura Borges, compram a fábrica de tecidos do bairro São Benedito, administrada por João Boff, mas cujas atividades estavam paralisadas em decorrência de pedido de concordata, provocado por dificuldades financeiras.

A Câmara Municipal, através da Lei 590 de 11 de agosto de 1928, torna a conceder aos novos proprietários, todos os benefícios fiscais.

Não foi possível descobrir as razões que levaram essa empresa que já estava na posse da área mediante doação, a comprar do próprio município, a mesma área de 7.280 m2, através da escritura de nº 812, lavrada em 11 de abril de 1930 para Companhia Fabril Triângulo Mineiro, (futura Cia. Têxtil) um anos e nove meses após o reinicio das atividades.

Pode-se conjecturar duas hipóteses. A primeira é de que haveria interesse da empresa em ter a propriedade livre e desembaraçada de ônus e a segunda, por iniciativa do Poder Público, em decorrência de não cumprimento de cláusulas reversivas.

Uma particularidade interessante na escritura de n. 812. Discrimina-se tão somente sua dimensão de 7.280 m2. E seus confrontantes: a Fábrica Conquista, a Avenida Rio Branco, a Avenida Conceição das Alagoas e a rua Tristão de Castro, indicando que não existia ainda a Rua Ituiutaba.

O nome “Praça Dr. Adjuto” só veio a aparecer pela primeira vez em documento oficial do Poder Público, na autorização para alienação na Lei 42 de 1948, quando disponibiliza para leilão uma área de 2.056m2 dessa praça. Os confrontantes discriminados: Praça Dr. Adjuto, a própria fábrica e a rua Conceição das Alagoas.

A escritura mais próxima relativa a essa área é a que está registrada em livro do Cartório de Imóveis em 17 de agosto de 1948 sob o n. 22.575 e se refere a compra de um terreno do município de Uberaba com área de 1.640m2 pela Companhia Têxtil do Triângulo Mineiro. Na discriminação dos confrontantes, não se fala em rua Ituiutaba.

A área dessa praça que foi vendida pelo Poder Legislativo em duas etapas, 1930 e 1948, perfaz nas escrituras, 8.920 m2., um pouco inferior ao tamanho da área recebida pela Câmara Municipal, em torno de 9.000 m2. Se levar em conta a área ocupada pelos passeios, tudo leva a crer que não houve sobra de terreno para ser designada como praça.

Pelo que se pode apurar apenas uma empresa, o Rodoviário Uberaba Ltda., fundado em 1977, usava como seu endereço a Praça Dr. Adjuto, nº 44. Atualmente, ocupando o antigo espaço do Rodoviário, está uma das lojas do “Tremendão”, com seu endereço à rua Ituiutaba.

Toda a área ocupada pela Cia. Têxtil do Triângulo Mineiro na antiga Praça Dr. Adjuto, foi agrupada na matrícula 2.709 do Cartório de Registro de Imóveis do Primeiro Oficio.

Ao transferir suas atividades industriais para o recém-inaugurado Distrito I, a Cia. Têxtil vendeu suas construções para três empresas. Em dezembro de 1978 foram escriturados 662,00 metros quadrados para “Laterza e Fantato” e 7.658,60 metros quadrados para a “Casas do Babá. Em 23 de abril de 1979 o remanescente da área foi vendido para F. Moutran, Irmãos S/A – Tecidos, provocando o fechamento da matrícula 2709 e colocando um ponto final em uma praça que tinha, outrora, o nome de “Dr. Adjuto”, localizada no bairro São Benedito, em Uberaba. Só restou seu endereço no Guia Telefônico da Algar ou na Internet, onde só consta o número do CEP sem mencionar qualquer morador.

Não foi possível verificar a data em que Dr. Adjuto foi homenageado com seu nome para designar essa Praça. Ele faleceu em 1935, período em que as Câmaras Municipais, sob o regime ditatorial de Getúlio Vargas, foram fechadas, voltando a funcionar à partir de 1945.

Pode-se-todavia afirmar que a homenagem teve uma duração efêmera. Se foi a Câmara Municipal que aprovou, durou apenas 3 anos. Se foi iniciativa de Prefeito, sua duração se estende de 1935 a 1948, 13 anos.

Dessa forma, após as verificações legais, competirá ao Poder Público desafetar essa praça e destinar outro logradouro para homenagear Antônio Garcia Adjuto que foi uma destacada personalidade pública que tanto prestígio trouxe para Uberaba através de suas realizações.
Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro. Ex-presidente e Conselheiro da ACIU e do CIGRA.

Fontes: 
Guido Bilharinho – Livro – Uberaba Dois Séculos de História.
José Mendonça – História de Uberaba.
Câmara Municipal de Uberaba.
Arquivo Público de Uberaba
Cartório de Registro de Imóveis do 1º Ofício.
Livro – Os Carneiros de Mendonça.

quarta-feira, 9 de novembro de 2022

Academia de Letras do Triângulo Mineiro

OS IMORTAIS

A feliz iniciativa de criar em Uberaba a ALTM – Academia de Letras do Triângulo Mineiro partiu dos idealizadores José Mendonça, Edson Prata e Monsenhor Juvenal Arduini, em reunião realizada na própria residência do primeiro, no mês de setembro de 1962.

No mês outubro, daquele mesmo ano, um número expressivo de intelectuais reunia-se na sede da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, atual ABCZ, à época localizada na Rua Manoel Borges, 84, para as primeiras deliberações.

Foto: 1 – Rua Segismundo Mendes, 408 (local da 1ª. reunião; 2 -
  Os idealizadores da ALTM (Dr. José Mendonça, Edson Prata e Monsenhor Juvenal Arduini).

Foi assim que, oficialmente, em 15/11/1962, no mesmo local, sob a presidência do Dr. José Mendonça, em presença dos 27 primeiros fundadores, foi apresentada a sugestão e, em seguida aprovado seu estatuto, sendo criado oficialmente esse nobre sodalício triangulino e, posteriormente, ocupadas paulatinamente as vagas restantes.

Nos mesmos moldes de nossa augusta ABL, Academia Brasileira de Letras, a recém inaugurada casa de cultura passou a contar com um total de 40 cadeiras, cujos próximos ocupantes seriam eleitos em escrutínio secreto, por ocasião do falecimento do respectivo titular.
Os ilustres membros da ALTM são tidos por imortais, graças à vitaliciedade que alcançam com a investidura, pois, a partir de então, seus respectivos nomes permanecerão ligados “ad aeternum” à respectiva cadeira para qual foram eleitos.

Reconhecida de Utilidade Pública Municipal, pela Lei nº. 1.125, de 21 de setembro de 1963; e Utilidade Pública Estadual pela Lei nº. 9.470, de 21 de dezembro de 1987, a ALTM é hoje um inegável marco na vida cultural da cidade de Uberaba e toda a região do Brasil central.

Nas palavras de um de seus idealizadores e seu primeiro presidente, José Mendonça:
“(...) Os motivos que me levaram a coordenar o movimento são baseados principalmente na necessidade de congregar a intelectualidade triangulina em torno de um centro de convergência comum, para melhorar estudo e debate dos problemas literários científicos e sociais do mundo atual”.

Uma meta plenamente alcançada ao longo desses 60 anos de sua meritória existência e a merecer especial registro em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Moacir Silveira


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0S FUNDADORES

Conforme dispõe o estatuto da ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, a candidatura a uma vaga ocorre através de inscrição espontânea do candidato ou por indicação de cinco acadêmicos, posteriormente submetida ao parecer de uma comissão constituída de cinco membros e nomeada pelo presidente da instituição.

Fundadores da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.


Ao respectivo acadêmico fundador coube a escolha do patrono de sua cadeira, devendo essa opção, preferencialmente, recair em ilustre figura de intelectual das letras brasileiras, quiçá mineiro ou vinculado a região triangulina.

E foi assim que em Assembleia para Criação da Academia, ocorrida em 15/11/1962, na Sala de Reuniões da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, Rua Manoel Borges, 84- hoje ABCZ, foram definidos os ocupantes das 27 primeiras cadeiras e, posteriormente, as demais, conforme a ordem cronológica de ingresso, da esquerda para direita e de cima para baixo:

01 – José Mendonça
02 – Santino Gomes de Matos
03 – Victor de Carvalho Ramos
04 – Padre Thomaz de Aquino Prata
05 – Monsenhor Juvenal Arduini
06 – Ruy de Souza Novaes
07 – Ari Rocha
08 – Padre Antônio Thomás Fialho
09 – César Vanucci
10 – Antônio Édson Deroma
11 – Raimundo Rodrigues de Albuquerque
12 – João Rodrigues Cunha
13 – Augusto Afonso Neto
14 – Maurillo Cunha Campos de Moraes e Castro
15 – Georges de Chirée Jardim
16 – Lúcio Mendonça de Azevedo
17 – Quintiliano Jardim
18 – João Henrique Sampaio Vieira da Silva
19 – Lauro Savastino Fontoura
20 – Mário de Ascenção Palmério
21 – Dom Alexandre Gonçalves Amaral
22 – Jacy de Assis
23 – José Soares de Faria
24 – João Edson de Mello
25 – José Pereira Brasil
26 – Lycídio Paes
27 – Edson Gonçalves Prata
28 – João Alamy Filho
29 – Eurico Silva
30 – Leonardo Paulus Smeele
31 – João Modesto dos Santos Filho
32 – Edelweiss Teixeira
33 – Frei Francisco Maria de Uberaba
34 – Gabriel Toti
35 – Antônio Severino Muniz
36 – Valdemes Ribeiro Menezes
37 – José Marçal Costa
38 – José Soares Bilharinho
39 – Dom José Pedro Costa
40 - Guido Mendonça Bilharinho

Nesse mês de novembro em que se comemora os 60 Anos da ALTM, destaco os nomes de cada um desses ilustres e imortais fundadores para que figurem, com especial destaque, nos registros das Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.

Moacir Silveira
Fonte: site da ALTM


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GALERIA DOS PRESIDENTES

Criada oficialmente em 15 de novembro de 1922 a ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, foi exemplar na seleta escolha de luminares nomes entre os maiores intelectuais das letras, ciências e artes.

                  Galeria dos Presidentes da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.


E para dirigir essa augusta instituição foram eleitos, entre os seus acadêmicos, aqueles que teriam a subida honra de ocuparem e de exercerem o importante cargo de sua presidência.

Assim, de cima para baixo e da esquerda para direita, assumiram, cronologicamente, o elevado e distinto cargo de Presidente da ALTM os seguintes e ilustres acadêmicos abaixo discriminados:

1º. – José Mendonça (1963 a 1968).

2º. – Augusto Afonso Neto (1968, em decorrência do falecimento do Presidente José Mendonça, falecido em 4/6/1968).

3º. – Edson Gonçalves Prata (1969 a 1974).
4º. – Guido Luiz Mendonça Bilharinho (1975 a 1976).
5º. – Maurillo Cunha Campos de Moraes e Castro (1977 a 1978).
6º. – Jacy de Assis (1979 a 1980).
7º. – José Soares Bilharinho (1981 a 1986).
8º. – Mário Salvador (1987 a 2008).
9º. – Terezinha Hueb de Menezes (2009 a 2010).
10º. – José Humberto Silva Henriques (2011 a 2012).
11º. – Jorge Alberto Nabut (2013 a 2014).
12º. – Ilcea Sônia Maria de Andrade Borba Marquez (2015 a 2016).
13º. – João Eurípedes Sabino (2017 a 2022).

Honrosamente eleitos por seus pares e tornados imortais, ao assumirem suas respectivas cadeiras na ALTM, incluo os seus nomes na Galeria dos Presidentes para que figurem, ora em diante e com especial destaque, em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.

Moacir Silveira
Fonte: site da ALTM


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PALAVRA DO PRESIDENTE

Muitos manifestaram ao longo do tempo a necessidade premente de criarmos uma entidade que congregasse os escritores de Uberaba e de toda a região do Triângulo Mineiro, considerando que o nosso seleiro literário sempre se destacou como centro vanguardista.

João Eurípedes Sabino - Presidente da ALTM.

Tal desejo coletivo remonta aos anos trinta do século passado, todavia, se arrastou pelo tempo, talvez por necessitar de intrépidos timoneiros munidos de coragem, vontade e decisão. Naqueles tempos, Uberaba mesmo tendo uma gama de expoentes literatos, tinha as suas dificuldades naturais para aglutiná-los.

No ano de 1953 o jovem José Rodrigues de Resende, escreveu na Revista do Estudante, editada pela então União Estudantil uberabense, o artigo: “Academia Triangulina de Letras”, no corpo do qual reclamou da demora para criarmos o sodalício. Inclusive citou nomes de escritores exponenciais que poderiam integrá-lo, tais como: Santino Gomes de Matos, José Mendonça, Quintiliano Jardim, Fidelis Reis, Ruy de Souza Novais, Jacy de Assis, prevendo ainda a participação de outros ícones das letras.

É de se notar que José Rodrigues de Resende previu tal fato nove antes da fundação oficial da Academia de Letras do Triângulo Mineiro, que só viria a ocorrer no ano de 1962. Todos os nomes mencionados por ele, integraram a ALTM, à exceção de Dr. Fidelis Reis que faleceu antes, mas foi homenageado como patrono da cadeira n°1.

O irrepreensível Dr. José Mendonça, advogado, foi o primeiro Presidente.
Merece destaque o fato de que, o trio de frente, formado por ele, e mais; Dr. Edson Prata e Monsenhor Juvenal Arduíni, em face dos seus inquestionáveis talentos e conduta moral, conseguiram aglutinar outros consagrados escritores e assim, no dia 15 de novembro de 1962, há 60 anos, portanto, realizaram a primeira Assembleia para a criação desta que seria considerada, como hoje é, uma das mais creditadas Academias de Letras do Brasil.

Tal evento histórico ocorreu na Sede da Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (hoje ABCZ), então situada `a R. Cel. Manoel Borges, 74 em Uberaba /MG.

Para nossa cidade se dirigiram notáveis intelectuais de várias regiões do País e assim, testemunharam o nascimento da Casa de Letras que ora recebe o honroso título de sexagenária.

Durante todos esses 60 anos, nossa querida ALTM funcionou sempre e ininterruptamente.
Trajetória física: este repositório literário, berço de ilustres imortais, funcionou por algum tempo na residência do seu primeiro Presidente Dr. José Mendonça, à Rua Segismundo Mendes, 408. Depois ficou por longos anos em salas pertencentes à Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães-R. Alaor Prata, 317. Sequenciando, usou como locatária a então sede da 14ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil-Rua Dr. Lauro Borges, 88. Finalmente, há seis anos a ALTM está sediada à mesma Rua Dr. Lauro Borges, 347, no imóvel que lhe foi cedido em comodato pela Universidade de Uberaba.

Falar da Academia de Letras do Triângulo Mineiro no ensejo dos seus 60 anos, é enaltecer o valor dos seus Membros que estiveram no instante do seu nascimento e também daqueles, cujos nomes deixaram e deixarão gravados com letras eternas e suas devoções nunca deixaram ou deixam arrefecer, razão pela qual num gesto afetivo, damos nossas mãos para dizer: a ALTM não tem um dono. Ela é de todos nós; dos Acadêmicos, dos Associados Correspondentes e toda a comunidade.

JOÃO EURÍPEDES SABINO
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro



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SEDE ATUAL


Até consolidar e conquistar um espaço físico onde pudesse funcionar com regularidade a ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, percorreu uma longa e árdua trajetória.


Imagens: ABCZ (acervo Uberaba em Fotos); Coloridas:
 1 – Casa de José Mendonça, 2 – Biblioteca Pública, 3 – sede da OAB em Uberaba, 4 – sede atual da ALTM (por Antonio Carlos Prata).

Os primeiros encontros informais ocorreram na residência de José Mendonça, então localizada na Rua Segismundo Mendes 408, onde ele, em companhia dos outros dois idealizadores, Edson Prata e Juvenal Arduini, esboçaram o meritório projeto.

A viabilização da ideia se daria por ocasião de uma Assembleia Geral, ocorrida em 15/11/2022, na sede da antiga Sociedade Rural do Triângulo Mineiro, atual ABCZ, à época ainda na Rua Manoel Borges, 74, e onde os seus fundadores assinaram ata formal de sua criação.

A partir de então e por longos anos, na falta de uma sede própria, a ALTM funcionaria em salas pertencentes à Biblioteca Pública Municipal Bernardo Guimarães, Rua Alaor Prata, 317. Depois, na condição de locatária, passaria a ocupar sala na sede da 14ª. Subseção da OAB, Ordem dos Advogados do Brasil, Rua Dr. Lauro Borges, 88. Por último, desde o ano de 2016, passaria a funcionar em imóvel que lhe foi cedido em comodato pela UNIUBE, Universidade de Uberaba, em seu endereço atual localizado na Rua Dr. Lauro Borges, 347.

No mês em que essa augusta casa de cultura completará 60 ANOS de profícua e laboriosa existência faço minhas as palavras de William Shakespeare para dizer:

“Pois a natureza não nos faz crescer apenas em forças e tamanho. À medida que este templo se amplia, se amplia dentro dele o espaço reservado pra alma e pra inteligência.”

E nesse solene momento é preciso que registremos essa auspiciosa conquista da ALTM em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.

Moacir Silveira


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PARA ENTRAR NA ALTM


Adentrar as dependências da ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, não é difícil já que as suas portas estão abertas para os amantes das belas artes literárias.

Sede - Academia de Letras do Triângulo Mineiro.


Mas para ingressar nos quadros desse tabernáculo da cultura e assumir a condição de imortal terás que cumprir certas exigências como bem explicitado por seu presidente, João Eurípedes Sabino, atual ocupante da Cadeira 32, no poema intitulado:

QUERES ENTRAR NA ACADEMIA?

Faças então por merecer
Conduza-te correto pela vida
Cultives o pendor de escrever
Tua vaga poderá ser conseguida
Pelos umbrais da Academia
Poderás passar se vencer
Ela te receberá com fidalguia
E tu deverás corresponder
Se o teu coração não palpitar
E dele sentimentos não nascer
Para o seu nobre título avalizar
“Sou acadêmico” não basta só dizer
Podes entrar na Academia
Casa de quem ama a cultura
Serás imortal não só por um dia
Nela edificarás a tua sepultura
O que a Academia fará por mim?
Pergunta que não deves formular
O que posso fazer por ela? Sim
Eis a tua prova de amor secular
E por que não acrescentar, quiçá também uma forma de inscrever o seu próprio nome “ad aeternum” em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba
Moacir Silveira
Imagens: fachada e detalhes em fotos de João Eurípedes Sabino
Fonte: Revista Convergência n. 32 – site da ALTM


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Clique em:
 Hino - ALTM.

Para ver e ouvir a bela homenagem prestada por Arahilda Gomes Alves a ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, que no próximo dia 15/11/2022 completará 60 anos de existência.
Na condição de atual ocupante e titular da Cadeira 33 da ALTM ela esbanja talento, engenho e arte ao reger o Grupo Coral Sounds, em música e letra de sua própria autoria.

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ATUAL DIRETORIA

No comando das festividades do sexagésimo aniversário da ALTM, Academia de Letras do Triângulo Mineiro, a ser completado e comemorado no próximo dia 15 desse mês, estão os ilustres imortais de sua atual diretoria a saber, da esquerda para a direita e de cima para baixo:


Atual diretoria - Academia de Letras do Triângulo Mineiro

- Arahilda Gomes Alves, Vice-presidente
- João Eurípedes Sabino, Presidente
- Olga Maria Frange de Oliveira, 1ª. Secretária
- Antônio Pereira da Silva, 2º. Secretário
- Consuelo Pereira Resende do Nascimento, 1ª. Tesoureira
- Dimas da Cruz Oliveira, 2º. Tesoureiro

Ao ensejo de uma data tão especial na vida dessa gloriosa casa de cultura é preciso que os seus nomes figurem com elevado destaque e distinção em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.

Moacir Silveira
Fonte: site da ALT


quinta-feira, 6 de outubro de 2022

MATANDO SAUDADE DO CINE TEATRO SÃO LUÍZ, EM UBERABA

A maioria dos grandes cinemas das grandes capitais não tiveram dinheiro suficiente para investir nas novas tecnologias de exibição de imagens e propagação sonora. A década de oitenta do século passado viu a chegada dos vídeo cassetes o que causou mais um abalo nas finanças das salas de exibição. O golpe final foi a compra de várias dessas salas para servirem de local de culto religioso.(Cine Uberaba Palace). Com a chegada dos shopping centers (malls em inglês), as salas de exibição migraram para tais espaços devido as possibilidades de modernização e segurança.

Interio do extinto Cine Teatro São Luíz. Hoje (Loja Doce). Foto Antônio Carlos Prata.

Com a deterioração das possibilidades de diversão e entretenimento dos centros das grandes cidades, devido principalmente a insegurança noturna, a possibilidade de reavivamento cultural de tais prédios tornou-se impraticável. Quanto a arquitetura tanto externa quanto interna das salas que tive oportunidade de visitar em suas épocas de funcionamento, não acho as salas com grandes apresentações arquitetônicas ou decorativas. No que pese a inserção histórica de tais prédios, eles simplesmente sofreram o processo de degradação e disfunção pelo qual passaram vários centros de cidade ao redor de todo mundo. 06/10/2022 às 09h40. 

Antônio Carlos Prata

Homenagem especial ao saudoso apresentador Edson Quirino de Souza

Clique no Vídeo: 

 Para ver e ouvir uma homenagem especial prestada ao saudoso Edson Quirino, em narração de Paulo Sarkis, sonorização de Helcio Vittorazzi e gravação do estúdio Canarinho Produções.


Fotos do Acervo da família Quirino de Souza.

No início da década de 1970 era grande a resistência dos dirigentes da então Rede Tupi de Televisão e demais emissoras de Tv da época em incluir programas sertanejos na grade de suas programações. E em Uberaba isso não foi diferente. Só depois de muito insistir é que Edson Quirino conseguiu convencer o então diretor local da emissora, Paulo Cabral Júnior, a abrir espaço para apresentação de seu programa no então recém inaugurado Canal 5, TV Uberaba.

Então, pela primeira vez na história da televisão brasileira, a música sertaneja ou rural conquistava o seu espaço no mais novo e moderno meio de comunicação social do Brasil Central. Foi assim que Edson Quirino de Souza, o popular Edinho, passou a receber de braços abertos músicos, cantores e compositores dedicados ao universo do homem do campo.

Somente anos depois é que o consagrado Rolando Boldrin lançaria o seu Som Brasil, consolidando em definitivo a presença da música rural ou caipira na tv brasileira.

O que aconteceu depois já faz parte da história. A música sertaneja consagrou-se de forma definitiva, conquistou seu merecido lugar no meio artístico e hoje reina em lugar de destaque em nossa MPB. E foi assim que música sertaneja foi aos poucos ocupando o seu espaço no meio artístico televisivo. Como num processo evolutivo começou pelo primário, passou pelo colegial e hoje conquistou seu diploma superior com o Sertanejo Universitário, líder inconteste nas paradas de sucesso. E quem diria que tudo isso teria início nos estúdios do Canal 5, TV Uberaba, em princípio dos anos de 1970.

E para homenagear o nosso estimado Edson Quirino de Souza e os valorosos homens do campo, faço minhas as palavras de Flávio Mattes, para dizer:

“Por isso estamos cantando pra ti grande guerreiro / Que alimenta o mundo inteiro com frutos puros do chão / Não estou falando em vão, é com certeza que eu falo / Tu provas isso com calos que maltratam tuas mãos. / Também sou homem do campo, conheço o cabo da enxada / E hoje de vida mudada me tornei um cantador / Receba esta homenagem que pra ti eu escrevi / Enquanto eu existir serei o teu defensor.”

E é por isso que faço questão de incluir o nome de Edinho como o pioneiro em divulgar a música sertaneja na tv brasileira e a merecer especial registro em Coisas e Fatos Antigos de Uberaba.
Moacir Silveira

quarta-feira, 5 de outubro de 2022

Dr. Jorge Antônio Bichuetti

É com pesar que comunicamos a morte do médico, orador e médium, Dr. Jorge Antônio Bichuetti.
O psicoterapeuta já estava doente, com hipertensão e diabetes. No domingo (2), foi internado e faleceu na madrugada desta quarta-feira (5). Além da capacidade mediúnica, consagrou-se também pelo intenso e ininterrupto trabalho de assistência e promoção social, além do atendimento espiritual a milhares de pessoas.

O velório será às 16h no Salão da funerária LIV,
Av. Edilson Lamartine Mendes, 137 - Parque das Américas. Às 19h seguirá para cidade de Conceição das Alagoas, onde será sepultado pela manhã.

Jorge Bichuetti. Foto/Divulgação. 


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  Alguns de nós trazem dons e poderes para serem exercidos no Mundo Material, o dito mundo dos “vivos”. Apresento a vocês a história de Jorge Antonio Bichuetti em entrevista no programa DNA, da TV Bandeirantes, com o professor e jornalista André Azevedo da Fonseca.

Clique no Vídeo: 


Viveu muito, viveu bem. Foi feliz e assim será. Aos que ficaram, decerto a saudade se amparará no tesouro que ele deixou. Um rastro de bondade e um mundo de gratidão.
Dr. Jorge Bichuetti, que bom que o senhor agora está vendo, do outro lado, o quanto vale uma vida dedicada ao bem, com dignidade e amor ao próximo.
Antônio Carlos Prata

O Grupo Coisas e Fatos Antigos de Uberaba apresenta sinceros pêsames à família de Jorge Bichuetti.

quarta-feira, 28 de setembro de 2022

Praça Rui Barbosa em Uberaba

Cartão postal da antiga Praça Rui Barbosa, na década de 1970.
Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

Observe que a praça ainda estava com o seu belo obelisco em estilo Art Déco, do renomado artista plástico Humberto Cozzo, erguido em homenagem ao então governador de Minas Gerais Benedito Valadares e inaugurado pelo presidente do Brasil, Getúlio Vargas, durante visita a Uberaba em 1941. No mesmo sentido (abaixo), a loja Notre Dame de Paris, a estátua de Major Eustaquio, fundador de Uberaba. (Antônio Carlos Prata)

História de Uberaba


Jorge Henrique Marquez Furtado (1923 - 1990)

Conheça o Patrono De Sua Rua 
                                                                                               
                                                                                                                                             
                                                                                           Uma idealização de Dorival Cicci (1931-2019)
      
                                                                                                                                                         

Pesquisa Maria Antonieta Borges


Nome: Jorge Henrique Marquez Furtado *1923 +1990 Naturalidade: Uberaba/MG Filiação: Henrique Fernandez Perez (Imigrante espa nhol) Georgelina Marquez Fernandes Casado com: Victória Guiraldes (filha de argentinos) nascido no Rio de Janeiro Profissão: Médico. Professor. Político (Prefeito de Uberaba entre 1959 e 1963)

Jorge Henrique Marquez Furtado. Foto: Arquivo Público de Uberaba.


Participação na Comunidade: Sua mãe faleceu logo após o parto, em que nasceram ele e seu irmão gêmeo Raymundo. Foi, então, adotado como filho legítimo, por sua tia materna, Maria Augusta Marquez Furtado (Filhinha), casada com Durval Furtado Nunes, o que explica os seus nome e sobrenome. Com 8 anos, transferiu-se, com os pais para a cidade de Niterói, onde, em 1942, iniciou seus estudos de Medicina. Em 1943, seus pais retornaram a Uberaba, deixando-o com o tio paterno Alyrio Furtado Nunes. Concluiu o curso de Medicina em 1947. em Niterói e em 1948. voltou para Uberaba, onde montou o Laboratório de Análises Clínicas Jorge Furtado. No mesmo ano, colaborou com o Professor Mário Palmério na fundação da Faculdade de Odontologia do Triângulo Mineiro, tornando-se titular das cadeiras de Microbilogia e Imunologia daquela Faculdade, cargos que exerceu até 1974. Foi. também, diretor da mesma Faculdade, entre 1950 e 1958. Foi o primeiro diretor do Serviço de Assistência Médica Domiciliar de Urgência - SAMDU (órgão público de grande importância para a população carente), e um dos fundadores e professor das disciplinas: Histologia e Embriologia e de Microbiologia da Faculdade de Medicina do Triângulo Mineiro, que começara a funcionar em 1954. Filiado ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) foi candidato a prefeito de Uberaba, em 1958. Eleito, governou o Município de Uberaba entre 1959 e 1963. Em seu governo deu prioridade à construção de estradas na zona rural e às obras de infraestrutura obras escondidas, como se costuma dizer: rede de águas e esgoto. Inaugurou uma nova adutora no Rio Uberaba, conseguindo resolver o crônico problema da falta d'água, que castigava a cidade há longo tempo. Após este período como prefeito, Jorge Furtado praticamente abandonou a politica partidária, dedicando-se exclusivamente à sua profissão em seu laboratório e na Faculdade de Medicina. Faleceu em 1° de agosto de 1990.

"A memória é quem constroi a História"Jacques Le Goff


Colaboração Arquivo Público de Uberaba, Associação Cultural Casa do Folclore e Marília Cicci Resende e Uberaba em Fotos.

HISTÓRIAS DE UBERABA

As cinco festas de aniversário.


São muitas as datas que podem ser comemoradas em relação à Uberaba. A primeira seria, naturalmente, a data de seu nascimento, quando aqui fincou raízes, próximo ao córrego das Lages, o sargento-mor Antônio Eustáquio da Silva Oliveira. Todavia, não existem documentos apontando a data exata em que ocorreu este fato histórico.

Vista aérea da cidade de Uberaba. 
Foto: Arquivo Público de Uberaba.


Relatam alguns historiadores, que a 1ª Bandeira organizada em Desemboque pelo sargento-mor Antônio Eustáquio para desbravar a região de Uberaba ocorreu em 1810. Dizem ainda que, por solicitação desta autoridade, em 1811, o povoado foi elevado à condição de Distrito dos Índios.


Para o historiador Guido Bilharinho, não há documentos comprobatórios desta elevação.


Mesmo assim, a Prefeitura Municipal, em 03 de maio de 1911, em parceria com as lideranças econômicas da região, promoveu a 1ª Exposição Agropecuária nas dependências do hipódromo do Jockey Clube, localizado no bairro de São Benedito e organizou, ainda, uma grande festa na cidade para comemorar a elevação de Uberaba da condição de povoado para a de Distrito.

Coincidência ou não, desde a década de 1950, as aberturas das exposições da ABCZ são realizadas na data de 3 de maio.

Curiosamente, em 1810 ou 1811 não pertencíamos ao estado de Minas Gerais e sim ao estado de Goiás. As disputas sangrentas entre os dois estados, que já duravam mais de cinquenta anos conforme relato do historiador Hidelbrando Pontes, tiveram fim em 1816.

Conta ainda este historiador que foi por um acontecimento fortuito é que pôs termo à velha questão de divisas entre os dois estados. Joaquim Inácio Silveira Mota, Ouvidor Geral da Comarca de Paracatu, indo a Araxá, ao conhecer Ana Jacinto de São José, mais conhecida como Dona Beija que passava a cavalo pela praça da Matriz com seu pajem, foi tomado de violenta paixão e mandou raptar a donzela.

Como foi processado pela família da vítima e seu caso seria julgado pelo governo de Goiás, seu desafeto. Para evitar esta situação, ele passou a interceder também junto a D. João VI, pela passagem dos julgados de Araxá e Desemboque para Minas, onde o seu julgamento seria, como efetivamente foi, coisa sem importância.

E assim, em 4 de abril de 1816, a região foi incorporada ao Estado de Minas Gerias. Deixamos de ser goianos e passamos a ser mineiros.

Minas das Alterosas incorporou os cerrados e os chapadões dessa imensa mesopotâmia que se chamava Desemboque e que passou a se chamar Triângulo Mineiro. Interessante que, o primeiro jornal a ser criado em Uberaba já nasceu separatista, conforme relata Guido Bilharinho.

Em 02 de março de 1820, por decreto assinado pelo imperador Dom João VI, Uberaba foi elevada à condição de “Freguesia”, ou seja, de “Distrito” passou à “Paróquia”. O objetivo deste decreto foi o de diminuir a distância de 60 léguas que separavam o novo povoado da “Freguesia de Desemboque”, facilitando, assim, o “socorro e pasto espiritual”.

O poder estava dividido entre a Igreja e o Estado, que só vieram a se separar na Constituição de 1891, transformando o Brasil em um país laico.
Em 22 de fevereiro de 1836, o Presidente da Província, Manuel Dias de Toledo, na cidade imperial de Ouro Preto, assinou o decreto aprovado pela Assembleia Legislativa Provincial, elevando Uberaba à condição de “Vila”. Foi o nascimento do município de Uberaba, que se desmembrou da Vila de Araxá, a qual estava vinculada desde 1831. Foi a criação da Câmara Municipal de Uberaba.

Em dezembro de 1836, tomou posse perante a Câmara Municipal de Araxá o vereador mais votado nas eleições de Uberaba, Capitão Domingos da Silva Oliveira. Em janeiro de 1837, o Capitão é empossado em Uberaba como o primeiro Presidente da Câmara Municipal e Agente Executivo (Prefeito).

O prédio que ele construiu para servir de Câmara e Cadeia, foi, por longas décadas, sede da Prefeitura Municipal e depois, sede da Câmara Municipal e é hoje patrimônio histórico de destaque na Praça Rui Barbosa.

Para comemorar o centenário da emancipação política de Uberaba em 22 de fevereiro de 1936, grandes festas foram realizadas na cidade. Bandas, passeatas, foguetórios, salvas de 21 tiros, discursos e direito a um grande baile oferecido pelo prefeito Paulo Andrade Costa. Foi inaugurado um marco comemorativo no Córrego do Lajeado, próximo ao bairro rural de Santa Rosa, onde teve início o povoamento da cidade.

Em 1840, Uberaba passou a sediar uma Comarca para distribuir justiça, denominada Comarca do Rio Paraná, desmembrada da Comarca de Paracatu do Príncipe. Não há, porém, registro de comemorações no centenário desta conquista, no ano de 1940.
Em 02 de maio de 1856, Uberaba foi elevada à condição de “Cidade” em reconhecimento do Rei e da Igreja, trazendo a emancipação em assuntos atinentes à ordem civil, militar e religiosa.

Para comemorar o Centenário desta elevação de “Vila” para “Cidade”, Uberaba se vestiu de gala em 1956, no governo de Arthur de Mello Teixeira. Novas comemorações aconteceram em 2006, no governo de Anderson Adauto, quando Uberaba completou 150 anos.

Nesta ocasião, a Fundação Cultural, então comandada por Luiz Gonzaga de Oliveira, homenageou em solenidade ocorrida no Cine Metrópole, 150 personalidades da cidade, escolhidas em comissão presidida por Gilberto Rezende.
Foram festejados três centenários, 1911. 1936, 1956, um sesquicentenário, 2006 e um bicentenário, comemorado em 2020, no governo de Paulo Piau.

Não encontramos referências sobre as comemorações do centenário da elevação de Uberaba à condição de “Freguesia”, ocorrido em 1920.

Ao longo destes 200 ou 210 anos, a verdade é que passamos de um pequeno povoado à uma grande cidade, hoje com cerca de 350.000 habitantes. Todas estas datas são, realmente, motivo de júbilo para todos nós. Todas elas podem e devem ser comemoradas.

Gilberto de Andrade Rezende – Membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
Fontes – Arquivo Público – Historiador Guido Bilharinho
Hidelbrando Pontes – livro – “História de Uberaba e a Civilização no Brasil Central”.
PS – Matéria publicada hoje, 05-09-2021, no Jornal da Manhã.

Uberaba