domingo, 15 de maio de 2022

*Morre infectologista Pierrito de Castro e Silva*

*15/05/2022 - JM*


Cecínio de Castro e Silva, apelidado na infância de Pierrito, faleceu neste sábado, de causas naturais.

O filho, Fausto Bawden de Castro e Silva, informou que o velório acontecerá até ás 14h, na funerária Domus Pagliaro, na Rua Coronel Manoel Borges, 467. Após, ele será transferiro para Uberlândia, para Cremação Parque dos Buritis.

Formado em Medicina pela Universidade Federal do Triângulo Mineiro (UFTM), Cecínio de Castro e Silva foi professor da Disciplina de Pneumologia na UFTM e secretário de saúde do estado de Minas gerais e INAMPS (INSS).

Atualmente, trabalhava como médico autônomo em consultório na rua Alaor Prata e médico cooperado da Unimed - Uberaba, atendendo nas especialidades de Pneumologia, Alergologia e Imunologia.

terça-feira, 10 de maio de 2022

*NOTA DE PESAR*

É com grande pesar que comunicamos o da escritora Ani de Sousa Arantes Santos, sogra da prefeita de Uberaba, Elisa Araújo, ocorrida na manhã dessa terça-feira (10) de maio, no Hospital Mário Palmério às 11h40. Vítima de complicações em um processo cirúrgico. Ani era membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro (ALTM). Ocupava a cadeira número 4.

Ani de Sousa Arantes Santos. Foto/Reprodução.

Ela deixa o esposo, Laércio Arantes dos Santos, os filhos Juliano e Luciana Arantes Santos, e os netos, Bento e Benjamim.

★ 25/02/1944

✟ 10/05/2022

Aos que desejarem prestar as últimas homenagens, o velório será feito hoje, a partir das 18h, até às 23h, no Salão de Velório da funerária Irmãos Pagliaro, na avenida Dr. Fidélis Reis n.º111 - Centro.

Reabrindo às 7h da manhã. Sepultamento saindo às 08h30 da funerária e chegando às 09h, no cemitério São João Batista.

Uberaba em Fotos apresenta sinceros pêsames à família de Ani de Souza Arantes Santos.

terça-feira, 3 de maio de 2022

Prédio do Grande Hotel de Uberaba e Cine Metrópole.

O prédio do Grande Hotel de Uberaba e Cine Metrópole, foi inaugurado em 12 de fevereiro de 1941 e construído em apenas 15 meses no estilo Art Decó. Luxuoso e moderno para a época, o empreendimento foi o primeiro edifício erguido no Triângulo Mineiro, com 6.945,93m² de área construída.

 Prédio do Grande Hotel de Uberaba e Cine Metrópole. Foto Antônio Carlos Prata.


Sua história foi marcada pelos bailes, o luxuoso restaurante Galo de Ouro, o bar Buraco da Onça, frequentados pela classe boêmia, pela hospedagem do ex-presidente Juscelino Kubitschek, a famosa equipe de basquete Harlem Globetrotters, o tenor italiano Tito Schipa, do cantor Roberto Carlos e pelo Cine Metrópole, um famoso cinema de rua que naquela época reunia públicos de todas as idades. 

Macaco Chico é acusado de fazer baderna no parque Mata do Ipê, em Uberaba

Acusado de furto, macaco será "julgado" em Minas

O animal é acusado de fazer baderna no parque Mata do Ipê, em Uberaba

Reunião feita ontem para decidir qual seria o destino do macaco-prego Chico, que vive no local há 5 anos, acabou sem solução

Foto: Enerson Cleiton / Jornal de Uberaba.

Terminou em impasse a audiência pública promovida ontem pela Secretaria do Meio Ambiente de Uberaba (MG) que decidiria o futuro de um antigo morador do parque Mata do Ipê. Ele é acusado de promover invasões na vizinhança, em prédio público, furtar e destruir objetos e documentos e de atacar visitantes.

Na reunião que debateria a situação de Chico, macaco-prego que vive no parque há cinco anos com sua irmã, Chica, a única decisão foi que a solução só poderia ser tomada na presença de um biólogo especialista na espécie daquele macaco.

Uma outra reunião foi convocada para segunda-feira. Três possibilidades serão estudadas: o fechamento provisório da Mata do Ipê para a construção de uma área separada com tela, onde Chico ficaria longe dos visitantes; capturá-lo e colocá-lo na natureza; ou recolocação em outro parque.

Será levado em conta se o deslocamento para a mata natural poderia resultar em problemas para o macaco ou se ele conseguiria conviver com outros animais da mesma espécie.

Participaram da audiência mais de 60 pessoas, entre eles o secretário do Meio Ambiente, Ricardo Lima, integrantes da ONG Geasu (Grupo de Estudos de Animais Selvagens de Uberaba) e o promotor de Justiça Emmanuel Carapunarla.

Foi Carapunarla quem argumentou aos presentes que a continuidade de Chico no parque causaria transtornos.

Segundo ele, o comportamento agressivo do animal decorre da própria relação com as pessoas: ao receber alimento, o macaco responde com mordidas, o que assusta as crianças, gera reações nos pais, que agridem o animal. Chico, por sua vez, responde com novas agressões.

Somente no mês de julho, 18 ocorrências de mordidas foram registradas por parte dos freqüentadores da Mata do Ipê.

Com as mordidas, as pessoas podem contrair raiva e precisam tomar soro anti-rábico. Na cidade, o estoque do medicamento já se esgotou e a prefeitura teve de buscar soro em outros municípios.

Vícios

Além disso, há relatos de visitantes que dão bebidas alcoólicas ao macaco, segundo a assessoria da prefeitura. Os "vícios" ensinados pelos visitantes levam Chico a revirar latas de lixo em busca de comida; dia desses, foi flagrado comendo sapólio.

O macaco tumultua ainda o trabalho na Secretaria Municipal da Saúde, vizinha do parque. Pega e danifica objetos. Portas e janelas precisam ficar fechadas durante o expediente.

Na audiência, Cairo Oliveira, 8, que visita o parque todos os dias junto com ambientalistas, leu um texto, escrito por ele mesmo, sobre o "colega" Chico.

Na redação, o garoto disse saber que o macaco-prego não tinha pai nem mãe e, por isso, sempre dava conselhos para ele, como o de cuidar da alimentação. Cairo não deixava o amigo comer doce porque temia vê-lo com cárie.


Texto: Matheus Pichonelli / Folha de São Paulo.

Agosto de 2007.

Condomínio do Edifício dos Bancários - Clube dos Bancários. Uberaba - Minas Gerais.

O Sindicato dos Bancários de Uberaba e região, criado para defender e promover a categoria bancária, teve seu reconhecimento oficial em 23 de abril de 1937. A entidade tornou-se o fiel escudeiro da categoria no dia-a-dia dos bancários, nas questões sociais e de cidadania. Seguindo seu estatuto social, periodicamente há eleição para a diretoria da entidade a partir de chapas formadas pelos trabalhadores bancários da base.

Fachada do Condomínio do Edifício dos Bancários - Clube dos Bancários. Foto: Antonio Carlos Prata.

Desde a sua criação, foram eleitas diversas diretorias da entidade, muitas ações e conquistas desenvolvidas ao longo de quase uma centena de anos. Suas primeiras gestões foram montadas em parceria com o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários – IAPB.

A sede do Sindicato dos Bancários foi construída durante os anos 50 e inaugurada oficialmente no ano de 1959, situado na rua Governador Valadares, 450 – Centro de Uberaba. O prédio abrigava o Sindicato dos Bancários e o Instituto de Aposentadoria e Pensões dos Bancários, época em que cada categoria de trabalhadores tinha uma previdência própria. Na época da criação, a parceria era tão certa que o mesmo presidente do IAPB ocupava também o cargo de presidente do Sindicato dos Bancários. Sem vislumbrar o que viria a seguir na história do Brasil, as instituições não dividiram o imóvel no papel.

Quando o Brasil sofreu o golpe militar em 1964, que derrubou o presidente eleito João Goulart, o sindicato dos Bancários – como toda instituição sindical – foi uma das principais vítimas do governo ditatorial. Os governos militares destituíram os diretores e extinguiu os Institutos de Previdência. De uma só vez também, arrastou todos os imóveis para o então criado INPS e hoje o INSS. Diante do momento de profunda repressão, o sindicato aceitou pagar um aluguel de baixo valor para o INSS, mantendo-se no prédio também após este período. O imóvel é o primeiro andar do prédio, constituído de salas de uso da diretoria social da entidade e um salão de eventos. Durante décadas, a categoria usufruiu do espaço de várias formas. Na sede do sindicato já funcionou salão de barbearia, consultórios dentários, salão de jogos e lazer, além de biblioteca e uma importante cooperativa de alimentos da própria categoria. Este espaço atendeu festivamente também à comunidade durante anos. Nas últimas décadas, o salão tornou-se importante centro de decisões de uso das diversas categorias organizadas de trabalhadores da região.

Endereço: R. Gov. Valadares, 450 - Fabrício, Uberaba - MG, 38065-065

Telefone:  (34) 3312 - 1993

Fonte: Sindicato dos Bancários de Uberaba e região.

O Tradicional imóvel onde funcionou a Revendedora Ford Derenusson, em Uberaba - Minas Gerais.

LÉO DERENUSSON – O Comando de um Líder.


O tumulto estava formado. O corre-corre dentro da sede da ACIU estava em ritmo alucinante. A ansiedade tomava conta de todos. Aguardava-se a chegada da comitiva do Ministério da Educação e Cultura (MEC).

A apreensão era compreensível. A implantação da Faculdade de Ciências Econômicas do Triângulo Mineiro (FCETM), requerida pela Entidade, dependia exclusivamente do parecer desses técnicos.

O resultado de dezenas de viagens ao Rio de Janeiro; das inúmeras entregas de projetos, projeções, currículos e documentações; da insistência e persistência marcou encontro com a esperança na visita final.

Em 12 de outubro de 1965 foi autorizado o funcionamento da FCETM tendo como mantenedora a ACIU. Em 1966, ao entregar o cargo de presidente ao seu sucessor, Edson Simonetti, Léo Derenusson assume o cargo de diretor da faculdade, que foi instalada na própria sede da associação.

Um marco na vida da Entidade, preenchendo lacunas num período em que em Uberaba só existiam cinco cursos superiores: Filosofia, Odontologia, Direito, Medicina e Engenharia. Ao longo dos anos, a ACIU criou as graduações de Administração de Empresas (1974) e Ciências Contábeis (1984).

Credita-se ao economista e empresário Paulo Vicente de Souza Lima a ideia de criação da FCETM. Juntaram-se a ele com o mesmo propósito os advogados Augusto Afonso Neto e Ronaldo Benedito Cunha Campos, entre outros.

A sugestão levada para a ACIU foi como uma semente lançada em campo fértil, pois a Entidade tinha o propósito de dotar a cidade de um curso para especialistas na área econômica.

Ao assumir a empreitada que terminou coroada de êxito, Léo Derenusson imprimiu sua marca de liderança na história da ACIU. Assumindo a administração da Entidade no período de 1964/1965, fruto do acordo entre o ex-presidente Aurélio Luiz da Costa e o Conselho Consultivo presidido por Mário Pousa, Léo surpreendeu a todos com sua dinâmica de trabalho.

A gestão de Léo frente à ACIU foi muito expressiva. A implantação da TV, iniciada na administração anterior, teve seus rumos modificados em decorrência de erros técnicos da TV Tupi, obrigando a Entidade a mudar a torre de Buritizal para Abacaxizal, SP. A atitude gerou custos, que forçou o envolvimento dos uberabenses para sua solução. Só assim o município pode finalmente contar com o sinal da TV em 1966.

Em 1965, cria com o jornal Lavoura e Comércio a festa de homenagem ao Comerciante do Ano.

Nesse mesmo ano, não relutou em visitar o Nordeste na busca de empresas interessadas nos incentivos fiscais da região do Triângulo. Uma viagem penosa de Uberaba a Salvador, BA, realizada em meu pequeno fusca na companhia do presidente e do diretor Mário Salvador.

Após um percurso de 3.000 kms, a viagem até Recife se fez através da Cruzeiro do Sul. As decepções decorrentes da falta de transparência das empresas da área da Sudene se constituíram na força motora para a criação das reflorestadoras de Uberaba.

Léo lutou muito pela implantação da Cidade Industrial. Plantou uma muda que se transformou em uma frondosa árvore 10 anos após, na inauguração dos Distritos Industriais II e III.

Participou de todos os simpósios e congressos destinados à luta pela construção e asfaltamento da BR-31 (262). Conseguiu um desconto de 20% de redução em todos os lançamentos de impostos municipais em 1964 e participou, no interesse das empresas, da elaboração da nova legislação do Código Tributário do Município.

Em 1966 foi chamado pelo prefeito Arthur Teixeira para transformar o Departamento de Águas em uma Companhia Mista. Participei dessa empreitada como diretor administrativo na companhia do Padre Antônio Fialho como diretor financeiro, sob o comando de Léo Derenusson na presidência. Assim nasceu o Centro Operacional de Desenvolvimento e Saneamento de Uberaba (CODAU).

Léo Derenusson. Foto: Acervo da família.

Como líder classista, Léo Derenusson criou e presidiu por muitos o Sindicato das Indústrias Mecânicas. Assumiu nas décadas de 70/80 a vice-presidência da FIEMG e por muitos anos atuou como juiz classista na Junta de Conciliação e Julgamento de Uberaba. Humanista por natureza, herdou o espírito associativista de seu pai, Paulo José Derenusson, presidente da ACIU em duas gestões.

Formado em Direito, Léo foi sócio por algum tempo da Reflorestadora Triflora. Dois anos após, criou sua própria empresa, a Minas Seiva Reflorestamento, juntamente com seus filhos Paulo José Derenusson Neto, Antônio Augusto Derenusson e os amigos Ney Junqueira, Orlando Abreu, Caio Lucio Fontoura e Silvio de Castro Cunha.

Sua principal atividade empresarial, exercida por quarenta anos, foi a de revendedor de carros Ford, herdada de seu pai. A empresa Derenusson S/A foi condecorada pela Ford pelos 75 anos de atividade.
Nascido no Rio de Janeiro em 21 de julho de l918, Léo Derenusson é exemplo de amor à sua terra, de entrega na comunhão comunitária e de dedicação à família.

Faleceu em 14 de dezembro de 1999, aos 81 anos, deixando viúva Nobertina Ribeiro Cortes Derenusson. Eles tiveram cinco filhos que dão continuidade aos ideais do patriarca - Paulo José Derenusson Neto, casado com Vera Maria Terra Cecílio; Antônio Augusto, casado com Maria Lucia Castro Cunha; Luís Carlos, casado com Ana Amélia Nogueira; Leozinho, casado com Beatriz Bruna; e Léia, casada com Wilson Nelli.

Para a comunidade restou como lembrança de seu nome, a placa Rua Doutor Léo Derenusson, no bairro Alfredo Freire II. Para os parentes e amigos, restaram as saudades eternas.


Gilberto de Andrade Rezende – Ex-presidente e conselheiro da ACIU e do CIGRA e membro da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.


Fontes – ACIU – José Paulo Derenusson Neto – José Mousinho Teixeira.


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Sábado, 30 de outubro de 2022. O Tradicional imóvel onde funcionou a Revendedora Ford Derenusson (1941-1998) e Rádio Sociedade Triângulo Mineiro, PRE-5, inaugurou suas novas instalações no andar superior do Edifício Ford em 3 de agosto de 1941, situada na rua Major Eustáquio nº 13. A nova sede possuía um excelente espaço para apresentações, o Salão Grená, inaugurado em 23 de março de 1933. 

 Pedro (esquerda) e Léo Derenusson (direita) Foto: Antonio Carlos Prata

Fachada da extinta revendedora Ford. Foto: Antonio Carlos Prata.

Por fim estacionamento do "Léo Derenusson Filho". Localizado na rua Major Eustáquio, 61 - Centro. Encerra após 22 anos de funcionamento. (1998 - 2022) Foto: Léo (direita) e Pedro (esquerda) fiel funcionário e amigo, entregam as chaves a empresa Machado & Nunes Cia.

Antonio Carlos Prata


HERÓI DE GUERRA

3º. Sargento João Gonçalves dos Santos

Ele foi o único uberabense que não voltou pra casa, após ter participado da FEB, Força Expedicionária Brasileira, durante a II Grande Guerra.

Imagens: 1 - João Gonçalves Gonçalves dos Santos (superior); 
2 – Cemitério de Pistóia, Itália (inferior)

O 3º. Sargento João Gonçalves dos Santos, convocado aos 22 anos de idade, atuou na zona de operações na região de Montese, Itália, onde desapareceu em 22/4/1945 e foi considerado morto em combate, recebendo as Medalhas de Campanha e Cruz de Combate de 2ª. Classe.

Seu corpo permaneceu em terra estranha, como o de demais colegas da FEB, enterrados em solo italiano.

Em homenagem à esses valorosos jovens brasileiros a célebre poetisa Cecília Meireles dedicou singelo e comovente poema, publicado em 1953, em que diz:

“PISTÓIA

Eles vieram felizes, como / para grandes jogos atléticos, / com um largo sorriso, no rosto, / com forte esperança no peito, / porque eram jovens e eram belos.

Marte, porém, soprava fogo / por estes campos e estes ares. / E agora estão na calma terra, / sob estas cruzes e estas flores, / cercados por montanhas suaves.

São como um grupo de meninos / num dormitório sossegado, / com lençóis de nuvens imensas, / e um longo sono sem suspiro, / de profundíssimo cansaço.

Suas armas foram partidas / ao mesmo tempo que seu corpo. / E se acaso sua alma existe, / com melancolia recorda / o entusiasmo de cada morto.

Este cemitério tão puro / é um dormitório de meninos: / e as mães de muito longe chamam, / entre as mil cortinas do tempo,

cheias de lágrimas, seus filhos.

Chamam por seus nomes, escritos / nas placas destas cruzes brancas. / Mas, com seus ouvidos quebrados, / Com seus lábios gastos de morte, / que hão de responder estas crianças?

E as mães esperam que ainda acordem, / como foram, fortes e belos, / Depois deste rude exercício, Desta metralha e deste sangue, / destes falsos jogos atléticos.

No entanto, o céu, a terra, as flores / é tudo horizontal silêncio. / O que foi chaga é seiva e aroma, / - do que foi sonho não se sabe... – / e a dor anda longe, no vento.”

Anos depois os corpos desses jovens heróis foram transferidos para o Aterro do Flamengo, RJ, em Pistóia permaneceram as cruzes e placas com os seus nomes, mas em Uberaba só restou a dor no coração dos familiares e amigos de João Gonçalves dos Santos.

Moacir Silveira

Fonte: “Uberaba na 2ª. Guerra” – site do APU – Arquivo Público de Uberaba.

segunda-feira, 11 de abril de 2022

A GUERRA CHEGA EM UBERABA

Colocando pai e filho em lados opostos, o grande conflito finalmente chegava em Uberaba. Isso já era há muito tempo esperado. Ante a indefinição do governo federal em relação ao panorama internacional, radicais locais vinham apoiando abertamente atuar ao lado dos fascistas. Eles compunham o que ficou sendo conhecido por grupo dos camisas pretas.

Dentre os mais entusiasmados com os ideais fascistas estava Teófilo Riccioppo, que chegou a ser presidente da Fratellanza Italiana, cuja comunidade se reunia em prédio próprio localizado na rua 7 de Setembro.

Imagens: 1 – Teófilo e Francisco Riccioppo; 2 – Fulvio Riccioppo;3 – pilotos da FAB em treinamento nos EUA
 (álbum de família e do acervo do APU – Arquivo Público de Uberaba)

Mas quando o Brasil definiu posição em favor dos países aliados, inúmeros jovens foram convocados para integrar a FEB, Força Expedicionária Brasileira. Dentre esses Fulvio o próprio filho de Teófilo, além de dois outros sobrinhos, Plauto e Vinicius, que passaram a integrar o grupo de combatentes.

No seio da família a situação ficou deveras incomoda, principalmente para Teófilo, que emocionado aconselhou o filho: “- Fulvio, eu sei que esta situação, por minha causa, não deve ser fácil para você. Porém, ouça-me: faça o melhor pelo seu país e esqueça-se de minhas origens. Você deve defender aquilo em que acredita. Não pense mais nisso...”

Fúlvio Riccioppo foi então enviado para um período de treinamento nos Estados Unidos antes de ser incorporado ao grupo de pilotos, assumindo o comando de um P-47D Thunderbolt, o avião de caça utilizado pela FAB, Força Aérea Brasileira.

A bela saga do clã familiar é narrada, com rara maestria e felicidade por Plauto Ricciopo Filho, no livro “Raízes Arbëshë – histórias e memórias da família Riccioppo”.

Moacir Silveira



domingo, 3 de abril de 2022

ÁLVARO DE MELO REZENDE – Histórias de 99 ANOS.

Álvaro de Melo Rezende é o único remanescente dos 13 filhos de Manoel Gonçalves Rezende e Idalina Augusta de Mello Rezende. É também o último representante de do tronco da família de José Valim de Mello, irmão de sua mãe Idalina que, casado com Delfina Gonçalves, irmão de seu pai Manoel Gonçalves, tiveram 12 filhos. É também o último representante do tronco da família de Osório Guimarães, casado com sua tia Rufina Gonçalves que geraram 21 filhos. No total dos 46 primos, 45 deles são apenas saudades.

Álvaro de Melo Rezende - Foto acervo da família

Álvaro foi o único filho a permanecer como administrador da fazenda São José de propriedade de seu pai e localizada no município de Uberaba. Ao se mudar para a cidade exerceu por muitos anos a profissão de corretor de imóveis rurais pois conhecia a região do Triângulo Mineiro como a palma de sua mão. Nossa empresa de reflorestamento, a Triflora, criada em 1968, foi uma das organizações beneficiadas pela sua expertise.

Álvaro Rezende por duas vezes se enviuvou. A primeira esposa foi Nila Rezende, uma das primeiras vítimas do enfermeiro Bossuet que na década de 1950 aplicava injeções à domicílio, mas não desinfetava as agulhas, transmitindo para seus clientes, o vírus da hepatite. A segunda esposa, Beth Castejon, professora, lhe deu dois filhos, Fábio e Kátia.

No dia 30 de março de 2022 Álvaro completou 99 anos de idade, com muita saúde e já está se preparando para a grande festa do centenário.

Mas o que são 99 anos na história de um cidadão que nasceu em 1923?

O município de Uberaba naquela época era bem maior do que hoje. Abrangia as terras dos distritos de Conceição das Alagoas, Campo Florido e Veríssimo e as do futuro distrito de Água Comprida. A transformação dos três primeiros distritos em municípios ocorreu em 1938 e o de Água Comprida em 1953. Hoje temos dois distritos – Ponte Alta e Baixa.

A população registrada no Censo de 1920, contou cerca de 15.000 habitantes somente no munícipio. Cresceu mais de vinte vezes nesse período de 99 anos, levando em consideração que Uberaba possui hoje 350.000 habitantes, aproximadamente.

Nesses 99 anos de vida do Álvaro, 26 Presidentes da República tomaram posse. Em 1923 era presidente Artur Bernardes (1922/1926). O que mais tempo governou nesses 99 anos, foi Getúlio Vargas, 15 como ditador (1930/1945) e mais 4 (1951/1954) como presidente eleito, até seu suicídio em 1954.

Carlos Luz, em 1955, só foi presidente por 3 dias. Ranieri Mazzili, então Presidente da Câmara dos Deputados, foi empossado duas vezes, em 1961 e 1964 mas a soma de seu governo não passou de 26 dias; Nereu Ramos (1955/1956), 81 dias; José Linhares, 94 dias e Café Filho (1954/1955), governou por um ano e 76 dias

Dois presidentes foram eleitos, mas não assumiram. Júlio Prestes em razão da revolução de 1930 liderada por Getúlio Vargas e Tancredo Neves, por seu falecimento em 1985, razão da posse de José Sarney, seu vice.

Um presidente, Jânio Quadros, renunciou em 1961 e só ficou 206 dias no governo.

Dois presidentes foram depostos em seus cargos pelos militares. O primeiro foi Getúlio Vargas em 1945 e, em 1964, foi a vez de seu genro, João Goulart, vice de Jânio Quadros, após 2 anos e 208 dias na presidência, o que provocou uma revolução e a eleição indireta de 5 presidentes militares e uma Junta Governativa desde 1964 até 1985.

Dois presidentes tiveram impeachment aprovado pelo Congresso Nacional: Fernando Collor de Mello em 1992, sendo seu mandato completado por Itamar Franco e Dilma Rousseff em 2016, substituída pelo seu vice Michel Temer.

Em seus 99 anos Álvaro assistiu à movimentação política de Uberaba no âmbito municipal.

Nasceu no governo do Agente Executivo (Prefeito) Leopoldino de Oliveira (1923/1925). Foram mais dois Agentes eleitos pela Câmara Municipal, até 1930, quando os Prefeitos passaram a serem nomeados pelo Governador Estadual. Foram 11 os Prefeitos nomeados, começando com Guilherme de Oliveira Ferreira (1930/1935) e terminando com João Carlos de Melo Lisboa em 1947, que só governou 7 meses e 5 dias.

Outros Prefeitos nomeados que tiveram vida curta no governo, nos anos de 1935/1936, foram: João Euzébio de Oliveira, 20 dias; Horácio Bruno, 47 dias; Adolfo Soares, 55 dias; Paulo Costa (1935/1936), 14 meses e 2 dias e Menelick de Carvalho, 16 dias.

Nos anos de 1946/1947, novamente Uberaba assistiu a troca de Prefeitos nomeados com reduzidos mandatos. Lauro Fontoura (1946/1947), ficou no cargo 9 meses e 26 dias; Mizael Cruvinel Borges, 4 meses e 23 dias e o último Prefeito nomeado, João Carlos Belo Lisboa, permaneceu no cargo por 7 meses e 5 dias (maio/dezembro de 1947).

A partir de 1948, os Prefeitos passaram a ser eleitos pelo sufrágio universal sendo o primeiro eleito em Uberaba, Luis Boulanger Rodrigues da Cunha Castro Pucci. Foram 16 prefeitos eleitos nesta modalidade sendo que dois foram reeleitos em épocas distintas como Arthur de Mello Teixeira (1955/1959 e 1963/1967) e Hugo Rodrigues da Cunha (1973/1977 e 1989/1992). Arnaldo Rosa Prata só governou em mandata tampão, dois anos, de fevereiro de 1971 a janeiro de 1973.

Dois prefeitos governaram por de 6 anos diretos: Silvério Cartafina Filho (!977/1983) e Wagner do Nascimento (1983/1988).

Três prefeitos buscaram a reeleição e tiveram sucesso. Marcos Montes (1997/2000 e 2001/2004); Anderson Adauto (2005/2008 e 2009/2012) e Paulo Piau (2013/2016 e 2017/2020).

Dois prefeitos renunciaram ao cargo para concorrer em eleições – João Guido, eleito Deputado Federal em 1969, deixando o cargo para o vice Randolfo Borges Júnior (15/05/1970 a 31/01/1971) e Marcos Montes, eleito deputado Federal e entregou o cargo de Prefeito para seu vice Odo Adão que ficou no governo de 18/08/2004 a 31/12/2004.

Álvaro está conhecendo também a primeira mulher eleita em Uberaba, Elisa Araújo. No total, entre Agentes Executivos (3), prefeitos nomeados (11) prefeitos e vice eleitos (16), Uberaba, em 99 anos, foi comandado por 30 Chefes do Executivo.

Um número menor do que o de Governador do Estado de Minas Gerais por onde passou 33 mandatários começando com Raul Soares (1922/1924) e atualmente com Romeu Zema.

Álvaro teve o privilégio de saber que no ano que nasceu, 1923, é que veio para o Brasil a primeira transmissão de rádio, liderada por Roquete Pinto e Henry Morize, uma invenção atribuída ao italiano Guglielmo Marconi.

O inventor do telefone, Alexander Graham Bell, nascido em 1847, faleceu em 1922, um ano antes do nascimento do Álvaro. Apesar do telefone ter chegado ao Brasil em 1876, por muitos anos as fazendas do interior do país só vieram a conhecer as engenhocas de manivelas que exigiam uma telefonista central para falar na cidade ou em outras fazendas. Com a evolução natural e o a chegada do celular na década de 1990, o mundo ficou interligado.

O Álvaro nasceu no meio dos anos que as montadoras americanas resolveram fabricar carros no Brasil. A Ford em 1919 e a GM, em 1925.

Uberaba só veio a criar a primeira agência Ford, na década de 1930, vendendo os famosos Ford de bigode.

A televisão chegou ao Brasil em 1950 através da TV Tupi mas só apareceu em Uberaba em 1963 graças aos esforços da ACIU, na época sob o comando de Aurélio Luiz da Costa.

Em 99 anos milhares de invenções foram patenteadas trazendo progressos para a humanidade. Mas p mundo conheceu também a 2ª guerra mundial (1939/1945).

Nesses 99 anos o Brasil registrou também algumas escaramuças e revoluções. Em 1923 houve o conflito político no Rio Grande do Sul, conhecida como a guerra dos Chimangos contra o Maragatos.

A Revolta Paulista, estendida depois para Mato Grosso e Paraná (1924/1925). A revolta de 1930, comandada pela Aliança Liberal, tendo à frente, Getúlio Vargas. A Revolta Constitucionalista de São Paulo em 1932/1934. A Revolução de 1964 que só terminou em 1985 com a eleição de Tancredo Neves.

Outras revoluções ocorreram como as dos costumes assim como revoluções tecnológicas com o fim de ampliar produções com redução de custos.

Fiz alguns levantamentos históricos que ocorreram no mundo nesses 99 anos que foram presenciados e vivenciados pelo Álvaro Rezende. Foram feitos em homenagem de admiração por ser uma pessoa que é testemunha das radicais transformações ocorridas nesses anos e por ser um cidadão exemplar que vem dedicando toda sua trajetória de vida ao trabalho, à família e aos interesses de sua cidade e de sua pátria.

As minhas saudações e o desejo de que possa desfrutar dessa vida por mais longas décadas.

Gilberto de Andrade Rezende -

domingo, 20 de março de 2022

Morre o ex-prefeito Arnaldo Rosa Prata

Arnaldo Rosa Prata. Foto/Reprodução. 

E com tristeza que comunicamos o falecimento do Dr.Arnaldo Rosa Prata, Ex prefeito de Uberaba, Deputado Constituinte, secretário Estadual da Agricultura, Presidente da ABCZ, dentre outras coisas. Ele era casado com Marta Junqueira Prata, com quem teve 5 filhos.


Sentimos a perda desse grande homem que deixa exemplos  de determinação, amor à família, fé e amor por Uberaba.
Que Deus dê forças e conforte o coração da família e amigos.

segunda-feira, 14 de março de 2022

João Ribeiro da Silva

UBERABA: Faleceu aos 70 anos, na noite deste domingo 13 uma figura ícone da cidade; João Ribeiro da Silva, o Maninho, hippie residente daquela banca na esquina da avenida Fernando Costa, ao lado do Professor Chaves. Segundos índia que obtive, muitas pessoas acreditavam que ele não tinha família e era abandonado, mas na verdade Maninho era um hippie declarado, apaixonado pela vida, que tinha familiares próximos, que ofereciam moradia, mas ele sempre preferiu sua banca na rua, com sua cachorrinha Laika, fazendo sua arte e meditações.

    João Ribeiro da Silva - Foto/Reprodução.

Maninho era da cidade de André Fernandes no Norte de Minas, sempre foi muito bem cuidado, acompanhado, e muito querido em Uberaba. Conhecido por muitos como o último hippie da cidade, Maninho viveu do jeito que queria e foi muito feliz nos seus 70 anos de existência na terra. Agora está, como ele mesmo gostava de falar, entre as estrelas. Meus sentimentos!

Radialista Rodrigo Viriato Mendes 

domingo, 13 de março de 2022

TONINHO DA VIOLA

(16/3/1942, Jaborandi, SP - 12/3/2022, Uberaba, MG)

Aos filhos Adriano e Paula, demais familiares e inúmeros amigos envio os meus sinceros pêsames pelo falecimento de nosso querido e estimado Toninho da Viola. Lamento pela perda de mais um grande nome que muito engrandeceu a arte musical em Uberaba e região com o seu inegável talento. A saudade estará sempre presente em nossos corações e através dela a lembrança dele continuará viva em nossa memória.

Antônio Lubianchi,
 "Toninho da Viola". Foto/Reprodução. 

Que sua alma descanse em paz, ao embalo dos versos de Fernando Brant e Milton Nascimento e de um coral angelical a entoar:




Amigo é coisa pra se guardar

Debaixo de sete chaves

Dentro do coração

Assim falava a canção que na América ouvi

Mas quem cantava chorou

Ao ver o seu amigo partir

Mas quem ficou, no pensamento voou

Com seu canto que o outro lembrou

E quem voou, no pensamento ficou

Com a lembrança que o outro cantou

Amigo é coisa para se guardar

No lado esquerdo do peito

Mesmo que o tempo e a distância digam "não"

Mesmo esquecendo a canção

O que importa é ouvir

A voz que vem do coração

Pois seja o que vier (seja o que vier)

Venha o que vier (venha o que vier)

Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Seja o que vier (seja o que vier)

Venha o que vier (venha o que vier)

Qualquer dia, amigo, eu volto

A te encontrar

Qualquer dia, amigo, a gente vai se encontrar

Moacir Silveira

terça-feira, 8 de março de 2022

DUAS MULHERES E UM DESTINO

No dia internacional das mulheres rendo minhas homenagens à duas brasileiras, infelizmente relegadas ao esquecimento em nossa história oficial.

A primeira, Ana Preta, de quem tudo o que se sabe é que foi humilde prostituta no bordel da Dadaça, ali na rua da Alegria, antiga São Miguel e hoje Dr. Paulo Pontes. E mais, quando da passagem por Uberaba das tropas brasileiras com destino à Guerra do Paraguai, ela não pensou duas vezes e escolheu seguir seu companheiro no trágico destino que a aguardava.

A segunda, Jovita Feitosa ou “Joana D’Arc brasileira”, cearense de Tauá, nascida em 8 de março de 1848 e cujo nome verdadeiro era Antonia Alves Feitosa, ficou conhecida como a primeira mulher a tentar se alistar em nossas forças armadas.

Ana Preta atuou como enfermeira acudindo e socorrendo os inúmeros soldados feridos. Chegou mesmo a entrar em combate, conforme o testemunho ocular do escritor Visconde de Taunay em seu célebre “Retirada da Laguna”. Sobre ela também nos fala Paulo Fernando Silveira em seu “Sertão da Farinha Podre: Uberaba na Guerra do Paraguai”. Mais recentemente, novo relato: “Ana Preta – Histórias de Minas”, em livro de João Batista Londe.

Jovita, depois de recusada e ridicularizada, travestiu-se de homem, vestiu farda e, como sabia atirar, foi aceita no corpo de “Voluntários da Pátria”. Descoberta a farsa foi denunciada, levada a uma delegacia e desligada, já na patente de sargenta. Chegaram a lhe oferecer para atuar como enfermeira, não aceitou. Preferiu voltar pra casa. Seu pai porém, ante tal “desonra”, não a quis de volta. Sem alternativas, retornou ao Rio de Janeiro, onde acabou se prostituindo. Amasiou-se com um engenheiro do País de Gales, Willian Noot, mas dele em breve receberia uma carta de despedida informando-a de seu retorno à terra natal. Inconformada, desiludida, prefere dar fim a própria vida. Ao lado do corpo foi encontrada singela carta de despedida: “Não culpem minha morte a pessoa alguma. Fui eu que me matei. A causa só Deus sabe”.

De ora em diante recuso-me a repetir o dito “Uberaba, terra madrasta”, pois ante lamentável omissão histórica prefiro qualificá-la como terra “padrast(a)”, já que não vejo mulheres se prestando a esse ingrato papel.

Moacir Silveira

domingo, 6 de março de 2022

SANGUE, SUOR e LÁGRIMAS


Em terras do Zebu, logo me indaguei: quem seria esse Guia Lopes? Pensei tratar-se de guia de gado. Ledo engano.
José Francisco Lopes, seu verdadeiro nome, estava posto em sossego em sua bela Fazenda do Jardim, MS, bem próxima da fronteira com o Paraguai, quando o maior conflito da América Latina eclodiu.

Imagens: 1 e 6 (Placa e Rua Guia Lopes – fotos: Antonio Carlos Prata);
do Google: 2 – Guia Lopes e Fazenda onde nasceu); Os filhos, todos com o sobrenome Lopes, em 3 – os mais novos: Pedro José, José Francisco e Bernardino Francisco; o mais velho: 4 – João José; e 5 – o do meio Pedro José

Natural de São Roque de Minas, distrito de Piumhi, aqui na Serra da Canastra, ali nasceu em 26/2/1811 e hoje é considerado o maior herói no trágico episódio da Retirada da Laguna, da Guerra do Paraguai.

Em sua bela propriedade rural no Mato Grosso do Sul dedicava-se à pecuária extensiva, ao lado de irmãos, filhos e cunhados. Graças à isso tinha profundo conhecimento da região.
Bem no início do conflito, em 1864, teve esposa e 4 filhos presos por tropas paraguaias e levados àquele país.

Tomado por sentimento de vingança alista-se como voluntário nas tropas que chegavam ao MS e que haviam passado por Uberaba, cidade onde foram reunidos os contingentes vindos de Ouro Preto e Rio de Janeiro.

Mas o inimigo, adotando tática de ‘guerrilha’, não facilitou sua empreitada. Recuaram, destruíram tudo o que ficava para trás e não deixavam gêneros que pudessem ter utilidade à nossa tropa.

Foram dias de muito sangue, suor e lágrimas. Inimagináveis na história dos grandes conflitos mundiais. Agruras que só os bravos são capazes de suportar. Luta corpo a corpo na base do sabre, espada e pesadas balas de canhão. Em cargas rápidas de cavalaria capazes de fazerem levitar, em pontas de afiadas lanças, os corpos dos que ousavam enfrenta-las. Espetáculo dantesco de corpos estrebuchados. Some-se a isso fome, pestes e torturas aos que caiam em mãos inimigas. Pior ainda, o ambiente não era favorável. Quando chovia era charco pesado e pantanal intransponível. Quando sol escaldante, capinzal propício ao fogaréu, fumaça e sufoco, que os paraguaios exploraram à larga.

À falta de mantimentos o nosso Lopes não hesitou, colocou à disposição o gado de sua propriedade, que para alimentar a tropa era abatido, em média, 40 cabeças por dia.
Acossados pelos inimigos, com fome, vitimados por epidemia de cólera, a maltrapilha tropa alcança nossa fronteira, onde Lopes, também vítima da doença, luta até o último dia de sua vida, vindo a morrer às margens do rio Miranda, onde está enterrado, em terras de sua propriedade, em solo de seu amado rincão.

Dos mais de 3.000 soldados brasileiros, só 700 sobreviveriam. Não fosse o heroico feito de nosso Guia, talvez nem isso. Além de Lopes, o conflito tirou a vida de 2 de seus filhos e de um cunhado.
Seu nome é merecidamente lembrado em escola (BH), em ruas (Uberaba, São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre...), avenida (Uberlândia), dá nome a município no Mato Grosso do Sul e a centenas de outros logradouros e prédios públicos Brasil afora.

E hoje quando ouço nosso hino nacional, comovido, sempre nele penso, principalmente nos versos:
.... “Dos filhos deste solo és mãe gentil, pátria amada Brasil”, ao que mentalmente acrescento: - e que esse solo lhe seja leve e amável, sob terras e flores de sua querida Fazenda Jardim.

Moacir Silveira


OBS: Para maiores detalhes sobre essa epopeia sugiro leitura das obras de Taunay, testemunha ocular dos fatos.

PAPO DE BOLA

Em matéria esportiva Uberaba foi a 1ª. cidade do interior do Estado a contar com um moderno estádio de futebol e uma equipe de craques responsável pela apresentação do programa "Papo de Bola" do recém inaugurado Canal 5, TV Uberaba, em 1972.

Imagens: 1 – Ramon Rodrigues, Luiz Gonzaga e Netinho (acervo Uberaba em Fotos);
 2 – Jorge Zaidan (TV Uberaba) e Fernando Sasso (TV Itacolomi).

O programa contava com apresentação de Luiz Gonzaga, Ramon Rodrigues, Ataliba Guaritá, o popular Netinho, e dos irmãos Jorge e Farah Zaidan. Por ele passaram os mais ilustres convidados, dentre os mais importantes jogadores, dirigentes, técnicos, torcedores e figuras representativas do mundo esportivo.
Vale lembrar que naquela época em todo o Brasil existiam apenas quatro narradores em atuação na TV brasileira, a saber: Fernando Sasso (BH), Walter Abraão (SP), Carlos Lima (RJ) e Luiz Gonzaga (Uberaba).

E o pioneirismo não parou por aí. Como parte importante na integração da Rede Tupi o apresentador Luiz Gonzaga foi escalado para fazer a 1ª. transmissão via satélite do país, narrando o jogo entre Corinthians Paulista x Nacional de Manaus, e que ocorreu em 24/9/72 naquela cidade.

Quatro anos após a inauguração do Uberabão, em 1976, o Uberaba Esporte conquistava vaga no Campeonato Brasileiro, coroando assim a liderança da cidade em matéria esportiva.

Moacir Silveira

JORGE & FARAH ZAIDAN

Os irmãos Jorge e Farah Zaidan nasceram em Ituverava, SP. Jorge em 10/10/1928 e Farah em 9/5/1930. Os pais, Habib Zaidan e Salma Jorge Zaidan, vieram do Líbano, em 23/11/1923, provenientes da cidade de Kashua e diretamente para o interior paulista. Em 1944 a família transferiu-se em definitivo para Uberaba.

Jorge e Farah Zaidan - 
Foto: Uberaba em Fotos.

Jorge Zaidan concluiu curso de técnico em contabilidade, formou-se em odontologia e em direito, foi gerente local e regional da Minas Caixa, locutor esportivo na PRE-5, jornalista do O Triângulo, redator-chefe no Correio Católico, gerente da Rádio Difusora, sócio fundador da Rádio 7 Colinas, diretor e apresentador na Tv Uberaba e professor universitário na antiga Fista, bem como diretor social dos clubes Uberaba Tênis e Sírio Libanês.

Farah Zaidan trabalhou e aposentou-se como funcionário dos Correios e foi também cronista nos jornais Correio Católico e Lavoura e Comércio, narrador, apresentador e comentarista da Tv Uberaba e nas rádios Difusora, PRE-5 e Sete Colinas, sendo nessa última um dos sócios fundadores.
Jorge Zaidan faleceu no dia 5/7/1996 deixando viúva, 5 filhos(as), 12 netos e 8 bisnetos. Já Farah Zaidan faleceu em 23/6/2002 deixando viúva, 2 filhos, 4 netos e 1 bisneto.

Tive a felicidade de conviver e trabalhar com os dois, ambos extremamente gentis, educados e afáveis no trato, versáteis e hábeis comentaristas nos programas que participavam.
Deles guardo boas lembranças, da época em que fomos colegas na Tv Uberaba. Do jeito calmo e sem alardes no trato com as pessoas. No profícuo exemplo de suas existências. Até parece que tinham por lema o célebre dito de Bob Marley:

“Não viva para que sua presença seja notada, mas para que a sua falta seja sentida.”
Figuras humanas como os irmãos Jorge e Farah Zaidan fazem muita falta em tempos de insensatez, loucura e estupidez como os ora vividos em nosso país.

Moacir Silveira

TV UBERABA

Em 1972, quando da inauguração da TV Uberaba, havia 64 estações emissoras de televisão em todo o país. A maioria delas se limitava a retransmitir a programação dos três maiores grupos geradores, a saber: Tupi, Globo e Record.

Como emissora integrante da Rede Tupi, o Canal 5, Tv Uberaba, apresentava, em seu horário nobre, uma grade de programação com as novelas, programas e filmes de grande sucesso e audiência naquela época. Clique no vídeo:
e confira.

Moacir Silveira

Clip com a programação.

JANELA FECHADA

Ontem, ao descer da igreja dos Dominicanos após a Missa do 1º. Mês do falecimento de minha mãe, senti uma tristeza profunda ao ver a casa dela, toda fechada, luzes apagadas, tudo escuro... Lembrei-me da sua figura meiga, ali no alpendre, esperando pelos seus quando terminava a Santa Missa...

Ataliba Guaritá Neto e Niza Marquez Guaritá -
Foto Acervo Uberaba em Fotos.

Desde quando me casei, morei ao lada da sua casa. Durante os 40 anos, ela ficou me vigiando pela janela da sala. As pernas poderiam até doer, mas eram fortes de amor para suportar a vigília. De pé, ela ficava horas e horas guardando minha chegada. Quando meu carro apontava, ela se afastava e se escondia atrás da veneziana, para não ser vista. Isto porque sempre impliquei com sua permanência, durante tanto tempo, ali na janela da fiscalização... Exatamente: ela fiscalizava meus passos, onde fui, quando voltei, porque demorei... Hoje confesso, tenho saudades disto tudo.

Certa vez quando “descobri” que ela estava escondida atrás da janela, observando-me pelas frestas, como menino que roubava chocolates, disse-lhe como advertência: “A senhora está com os pés inchados porque quer... Não precisa se esconder aí atrás da janela, antes de entrar em casa prometo que darei um pulo até aí”... Mas não adiantava a promessa, ela permanecia horas e horas, vigiando a entrada do meu carro na garagem...

Agora, mais do que nunca, vejo com tristeza aquela janela fechada... Ontem, 31 dias depois que ela se foi tive vontade de abrir a janela, quem sabe Deus não me daria o prêmio de colocar ali a sua silhueta, a figura meiga, dócil e carinhosa de uma mulher que só cometeu um pecado em sua vida: amou demais o seu filho.

Ataliba Guaritá Neto
(Crônica do Netinho – em Observatório do Galileu – jornal Lavoura e Comércio – 1/9/1988)

sábado, 5 de março de 2022

DOAÇÃO HISTÓRICA

Na condição de legítimos donos de uma gleba de meia légua quadrada (equivalente a 2.500 m2) bem na região central do vilarejo eles resolveram fazer, de livre e espontânea vontade, uma “doação ao Senhor Santo Antônio e a São Sebastião para patrimônio de Sua Igreja e ao procurador que houver dos referidos Santos, aos quais cedemos e traspassamos todo o domínio que até aqui tínhamos. E por firmeza de tudo aqui fica expressado, e por eu não saber ler nem escrever somente me assino com uma Cruz sinal de que uso e pela dita mulher assina a seu rogo...” e de tudo mandaram lavrar registro no livro da paróquia.

Rua Tristão de Castro. Foto: Uberaba em Fotos.

E foi assim que Tristão de Castro Guimarães (assinado com uma cruz) repassou o terreno onde hoje se encontra a Igreja Matriz de Uberaba e toda a sua área adjacente.
Por esse nobre gesto é que um dos principais logradouros públicos da cidade leva o seu honroso nome: Rua Tristão de Castro.
Essa importante manifestação de vontade faz parte do livro de registros da paróquia, datado de 28/12/1812, trazendo as respectivas assinaturas em cruz e a rogo, com a identificação das testemunhas presentes ao ato.

Moacir Silveira

quinta-feira, 3 de março de 2022

Fábrica de Macarrão Espéria.

Inaugurada em 1925, pelo imigrante italiano Francisco Pucci, tornou-se numa das empresas de maior sucesso da região. Localizava-se na rua Arthur Machado. Também nessa época surgiram as primeiras fábricas destinadas a beneficiar arroz.

É importante salientar que até essa data o arroz não fazia parte da culinária brasileira. Contudo, com a imigração japonesa, foi introduzido no cotidiano, ao mesmo tempo em que começaram a surgir as primeiras fábricas para beneficiar a produção.

Em 1900 foi instalada a máquina de beneficiar arroz pelo imigrante italiano Augusto Buchianeri, cônsul italiano, e a Sétimo Bóscolo.

Localizava-se na rua Marquês do Paraná. Em 1939, a Fábrica Irmãos Prata também beneficiava arroz. Estabelecida na rua São Benedito 47, es- quina com a rua José de Alencar, pertencia aos irmãos Prata:
Tiago de Sene Prata e Valdrovaldo Sene Prata.

Os primeiros sacos de arroz beneficiados foram distribuídos para as principais casas de caridade de Uberaba: Asilo São Vicente de Paula, Santa Casa de Misericórdia, Leprosário do Alto da Abadia, Casa da Criança, Asilo Santo Antonio e Asilo dos Dementes. Havia também comércio de varejo de cereais, gêneros secos e molha- dos, possuindo ainda um grande armazém de artigos.” (LC. 4 de julho de 1938. p.1).

DESTINOS CRUZADOS NAS ESQUINAS DA VIDA

Estranhos são os caminhos da vida e esses dois não poderiam imaginar que teriam destinos cruzados.O da esquerda nasceu em Visconde do Rio Branco, MG, em 1949. O da direita em Uberaba, em 1955. Aquele, aos 2 anos, acompanhou os pais em mudança para a capital mineira. O outro chegou a morar em Araguari, mas passou maior parte da infância e juventude aqui em Uberaba. Ambos, embora em cidades distintas, tiveram vidas parecidas. Jogaram bola, soltaram pipas, rodaram pião e quicaram biroscas. Coisas de criança.

O pai do primeiro tocava saxofone na banda da PM e na Orquestra Sinfônica de BH. Na época, tinha por colega um jovem violinista de raro talento e sensibilidade. Tanto que, anos depois, granjearia fama internacional. Entusiasmado o pai resolve contratar violinista para o menino. Perdeu-se tempo e dinheiro. A criança não teve empatia com o instrumento. Queria mesmo é voltar a brincar. A mãe, insatisfeita, vendo o moleque naquela vida sem proveito e futuro, não teve dúvidas: não quer aprender música, então vai trabalhar.

Imagens: - no topo e ao centro, maestro Benito Juarez;
 - colunas da esquerda: Moacir Silveira e da direita: Jeziel Paiva.

Assim, aos 14 anos, ele começou como office-boy, passou por três empregos até conseguir, aos 17 anos, uma vaga de escriturário na TV Itacolomi de Belo Horizonte. Aos 19 anos já era diretor de tv e em 1972 recebe convite para o cargo de supervisor artístico da TV Uberaba. Paralelamente, gradua-se em direito, é contratado como professor e assessor de comunicação social pela então FIUBE. Em 1989, muda-se para Brasília, participa da fundação e ministra aulas no IBEJ (Instituto Brasileiro de Estudos Jurídicos). Em 1992 é aprovado em concurso do TJMG e, como juiz de direito, passa pelas cidades de Corinto, Três Marias, Morada Nova de Minas, Guaxupé e Governador Valadares. Aposentado volta a morar em Uberaba.

Já o jovem uberabense, tomado de amores pelo violino, quis aprender a tocar quando ainda criança. Sua mãe até tentou professor particular. Era preciso ter o instrumento. Sonho adiado. Anos depois consegue vaga no Conservatório. Ainda adolescente começa a trabalhar na rádio 7 Colinas e, aos 16 anos, na TV Uberaba. Resolve dedicar-se exclusivamente à música e não perde tempo. Em 1976 e anos seguintes tem marcante participação nas Orquestras Sinfônicas de Ribeirão Preto, Brasília e Salvador. Em Campinas recebe aulas de regência com o consagrado maestro Benito Juarez. Com quem? Benito Juarez! Sim! Aquele que, na década de 1950, na capital mineira, serviu de modelo e inspiração ao colega saxofonista.

Nessa história de destinos cruzados falo por mim e admito, não senti qualquer atração pelo violino, mas, à despeito disso, apurei ouvidos e sensibilidade e adoro música. Tanto assim que virei Youtuber musical com quase 350 mil seguidores e mais de 121 milhões de visualizações.

Agora, em relação ao meu particular amigo e maestro Jeziel Paiva, dispenso-me de maiores comentários, pois seu inegável talento como músico, maestro e professor falam por si.
E hoje, com os destinos cruzados pelos “Bailes da Vida”, nós dois podemos invocar nossos ídolos de juventude e do “Clube da Esquina” e com eles cantar:

“Com a roupa encharcada e a alma / Repleta de Chão / Todo artista tem de ir aonde o povo está / Se foi assim, assim será / Cantando me desfaço, não me canso / De viver nem de cantar”

Moacir Silveira

SE A RUA FOSSE MINHA

Só posso imaginar as agruras enfrentadas pelos os que aventuravam por incultos sertões desse nosso imenso país. Principalmente nos idos 1807 quando para aqui chegar era preciso enfrentar a precária estrada que ligava São Paulo a Goiás.

Uma canastra, poucos pertences, um mosquete por arma de caça e defesa, uma mula, as vezes um carroção, era o possível aos que ousavam. E tinham muito chão pela frente. Muitas vezes abrindo espaço à facão e enfrentando índios sempre à espreita. Era preciso coragem e precaução. Deixar roçado na retaguarda, amoitar viveres pelo caminho, pois era incerto o retorno. Um fardo de farinha assim depositado mofou, apodreceu e o lugar ficou conhecido por “Sertão da Farinha Podre”.
Foi assim que muitos vieram dar no Desemboque, então próspero vilarejo. Todos em busca de riquezas, captura índios para o árduo trabalho ou para catequese.

Imagens: 1 - Estátua de Major Estáquio; 2 - Rua em 1930
 - Uberaba em Fotos; 3 - Rua como vista hoje - Google.

Munido desse intuito e propósito foi que o sargento mor Antonio Eustaquio da Silva, aos 51 anos de idade, resolveu embrenhar-se pelo sertão. E o fez depois de oficialmente designado pelo Marquês de São João de Palma (Portaria 27/10/1809), digno governador da Província e Julgado, maior autoridade à época.

Isso ocorreu em início de julho de 1810. Juntou ele provisões e gêneros. Formou bandeira de 30 homens e empreendeu a sua longa jornada. Dois anos depois, em 1812, vieram ter em local aprazível, às margens do Rio Uberaba, junto à estrada de Goiás e onde ele edificou sua primeira residência (hoje Fazenda Modelo). Bem ali iria florecer uma grande cidade que em apenas 8 anos já contaria com 1.300 habitantes. O resto é história.

Prestando honras ao pioneiro e fundador dessa cidade uma estátua sua foi plantada bem na Praça Rui Barbosa. Pertinho dali um logradouro leva o seu nome: Rua Major (maior) Eustáquio, que eu, parodiando trovinha popular, ousaria assim louvar:
Se essa rua, se essa rua fosse minha
Eu mandava eu mandava lajotar
Para honrar e melhor prestigiar
A memória do fundador do lugar

Moacir Silveira


quarta-feira, 2 de março de 2022

AVENIDA LEOPOLDINO DE OLIVEIRA, QUE VIROU SAUDADE.

Avenida Leopoldino de Oliveira -
Anos 50/60 - Foto: Acervo Uberaba em Fotos.

Sem demagogia: esta foto de trecho da av. Leopoldino de Oliveira, com uma deslumbrante parcial da ACIU, do Grande Hotel, da passarela e do centro, feita, nos anos 50/60, a mureta do córrego, e pensar que essa bela avenida se transformou em algo totalmente sem beleza ou vida, sem arborização, cercada de grades em desarmonia com o local, isso não se justifica, pelo menos para mim. Há pouco, é uma das causas do meu ilimitado amor por Uberaba. Amor que aumenta o grande desconforto que sinto pela forma como vem sendo tratada, ao longo de décadas.
Antonio Carlos Prata.

SAUDADE

Mário Palmério - Foto/Reprodução.

O registro histórico informa que, a convite do então presidente Jango Goulart, Mário Palmério assumiu a embaixada do Brasil no Paraguai. Já no ano seguinte uma nota na coluna de Carlos Swann, no jornal O Globo, traz a notícia do grande sucesso que a canção estava fazendo no país vizinho. Sua inspiração é recheada de lendas que o próprio compositor cuidou de incentivar. Em entrevistas o próprio autor informou que compôs esta guarânia quando fora indagado sobre o significado da palavra saudade. Uma das versões mais calientes falam de um boêmio Mário Palmério acompanhado por duas ou três "muchachas desnudas enquanto dedilhava... entre um beijo e outro... si insistes em saber... ay lo que és saudade... uma música para cada mulher... no digas no... antes que tu me digas primeiro... déjame hablarte... y confesar cuánto te quiero...". Verdade ou mito o certo é que esta canção terna, suave e sedutora, cantada em espanhol ganhou o mundo, o resto é história.

O CASARÃO

O belo casarão, datado de 1863 e antes pertencente à família de João Batista Machado, situado na esquina da Praça Rui Barbosa, teve múltiplos usos ao longo do tempo.
Primeiramente, antes da construção do seu segundo piso, ali funcionou o estabelecimento comercial da família. Em 1891 ele foi reformado pelo português Manoel Marinho, a pedido de Edmundo Batista Machado. Na sequência vieram, pela ordem: Loja Au Bom Marche (1904), Au Louvre (1909), Barbearia do Altino (1950), Salão Continental, Bar 1001 (1970/80), Apetrim, Jet Color, Iguatemi, Fotótica, Ótica Fotóculos.


Imagens: 1 – estabelecimento comercial (até 1891), 2 – sobrado (em 1906), 
APU - Arquivo Público de Uberaba e 3 – em foto atualizada (2022) por Antonio Carlos Prata.


Já o piso superior serviu de residência para Artur Machado e depois para o Relojoeiro Florêncio Fornieri (1899), responsável pela instalação do novo relógio da Matriz, doado por comerciantes de SP e RJ (1900). A partir de então esse espaço foi alugado para o Jockey Club e que ali funcionou até o ano de 1939. Na sequência vieram os seguintes estabelecimentos: Bilhar Las Vegas, Taco de Ouro, Colégio Objetivo, Restaurante Balão, Bar Borzar...
O casarão foi adquirido pela família Fadul Cambraia nos anos 60.
Por ter sido considerado um marco histórico e um bem cultural de valor inestimável, foi definitivamente tombado pela municipalidade em 2019.

Moacir Silveira

HISTÓRIA DE UBERABA – GUIDO BILHARINHO.

MATÉRIA DO PRIMEIRO NÚMERO DA REVISTA PRIMAX


Guido Bilharinho, nosso mestre historiador, em um texto que pinçamos de sua matéria na Revista Primax, rebate considerações veiculadas no livro “Metrópole Imaginária” de autoria de André Azevedo Fonseca, lançado em 2020.

Cidade de Uberaba -
  Editor da foto: Marcelino Guimarães.

Muito interessante para o conhecimento de nossa história essa narrativa pois nos revela que nas décadas de 1910, 1920 e 1930, Uberaba passou por grandes transformações em decorrência de grandes investimentos que se fizeram em todos os segmentos da comunidade, mormente nas áreas comerciais, industriais, educacionais, sociais e rurais, criando assim, base para o futuro desenvolvimento econômico da cidade, mostrando que estas destacadas realizações, contradizem quaisquer manifestações que falam em estagnação neste período.

Eis o texto de Guido Bilharinho, uma aula de nossa história.

Não é correto, por não corresponder à realidade, argumentar que “a pecuária praticamente anulou as características que a atividade comercial havia imprimido à cidade, de forma que, entre 1910 e 1930, Uberaba deixou de ser um centro urbano relevante [...] dessa maneira, Uberaba virou um núcleo urbano decadente ilhado por formidáveis pastagens de gado” (Nos citados 36 anos (1889 a 1925), estendidos até outubro de 1930, face a seu colapso comercial, Uberaba deveria ter se estagnado e, mesmo, retrocedido. Porém, em decorrência do célere e acentuado desenvolvimento da pecuária zebuína, prosperou e se desenvolveu, malgrado as restrições e obstáculos opostos pela orientação e prática econômicas implementadas no país a partir de 1894, com a eleição de Prudente de Morais e ascensão ao poder da plutocracia cafeeira.

Para se aquilatar que ao contrário do que as Cassandras retroativas proclamam, Uberaba não só não estagnou nem retrocedeu, como, ao contrário, foi contemplada com realizações diversas e, isso sim, modernização urbana, como provam as fotografias anexas, de 1910 e a do período 20/30.
Basta lembrar, em apertada síntese, entre outras realizações:

Década de 1910: cine Paris Teatro (1910); cine Triângulo (1910); célebre Exposição de Zebu (1911); primeiro centro espírita (1911); cine Pathé (1912); primeiras estradas intermunicipais (1912); Uberaba Cinema (1913); loja Notre Dame de Paris (1915); Asilo Santo Antônio (1915); agência do Banco do Brasil (1916, antes de São Paulo); Fórum (1916); Penitenciária (1917); Uberaba Sport (1917); cine Politeama (1917); revistas Via Láctea (1917) e Lavoura e Comércio Ilustrado (1919); Banco de Uberaba (1919).

Década de 1920: Hospital São Sebastião (1922); Associação Comercial e Industrial (1923); Mercado Municipal (1924); Hospital Santa Rita (1924); Escola Técnica de Comércio José Bonifácio (1924); cine Capitólio (1925); Associação de Chauffers e Condutores de Veículos (1925); Rede Mineira de Viação (1926); Escola de Farmácia e Odontologia (1927); Sociedade de Medicina (1927); Liceu de Artes e Ofícios (1927); Centro de Saúde (1927); Associação dos Empregados no Comércio (1927); loja São Geraldo (1927); Centro de Cultura Física (Associação Esportiva e Cultural, 1927); Colégio Sousa Novais (1928); cine Alhambra (1928); Casa Aliança (1929); Hotel Modelo (1929); cine São José (1929); Lavoura e Comércio passa a diário (1929).

Década de 1930: Capela do Colégio N. S. das Dores (1930); Sorriso-Revista (1931); cine-teatro São Luís (1931); Diretoria 12 Regional dos Correios e Telégrafos (1932); Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil (1932); 14ª Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (1932); Aeroporto (1932); Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro (1933); Grupo Dramático Artur Azevedo (1933); revista A Rural (1933); Sanatório Smith (1933); Sanatório Espírita de Uberaba (1933); Colégio Santa Rosa (1934); Ginásio São Luís Gonzaga (1934); inauguração da linha aérea São Paulo-Uberaba (1934); Sociedade Rural do Triângulo Mineiro (1934); Casa Carvalho (1934); Banco de Triângulo Mineiro (1936); banda Maria Girisa (1936); Clube Atlético, da Abadia (1937); Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários (1937); Casa de Saúde São José (1939); Revista Zebu (1939); nova sede do Jóquei Clube (1939).

População Urbana: 9.186 (1908); 15.022 (1920); 21.882 (1930). NOVOS jornais e periódicos: 45 (década de 1910); 31 (década de 1920); 36 (década de 1930).

Fonte – Primeiro número da Revista Primax - Guido Bilharinho.