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terça-feira, 28 de abril de 2020

Certidão de nascimento

Recebi recentemente a crônica “As primeiras farmácias e os primeiros médicos”, de autoria do nosso confrade, o Acadêmico uberlandense Antônio Pereira da Silva, profundo pesquisador da nossa história.

Relata ele embasado e de forma isenta que: “Na metade do século XIX, Uberabinha não tinha nada: apenas um aglomerado de casebres cobertos por palhas de Buritis nos arredores da capela de Nossa Senhora do Carmo e São Sebastião Mártir, no largo da Matriz”. Leitores, recordem que a metade do século XIX ocorreu em torno do ano de 1850.

E prossegue o Douto Acadêmico: “Só em 1852 foi criado o Distrito de Paz e a igreja criou a Paróquia. Havia então 44 casas construídas...”. Antônio Pereira da Silva desce a detalhes estatísticos descrevendo a localização das casas, inclusive nomeando os logradouros públicos. Não é segredo que a São Pedro Uberabinha (depois Uberabinha e hoje Uberlândia) foi Distrito de Uberaba (vide atas da nossa Câmara).

Peço a atenção dos mais e dos menos informados para os seguintes detalhes expostos por aquele historiador: “A primeira botica foi instalada em 1850 por Miguel Jacinto de Melo, no Largo da Matriz”. E mais: “Sete anos depois da instalação da primeira farmácia, em 1857, chega o “Pintão” (Antônio Maximiano Ferreira Pinto), boticário prático também, mas com a vantagem do licenciamento concedido pelo Imperador d. Pedro II”. E outras farmácias foram instaladas, mas o primeiro médico, Dr. Carlos Gabaglia (itinerante) só chegou em Uberabinha depois de 1906

Fato curioso: “Sempre que alguém adoecia e os práticos não conseguiam resultados, ou o doente tinha que ser removido para Uberaba, ou era chamado um médico de lá. De qualquer forma, doente e médico transportavam-se em lombo de burro ou carro de bois”.

Meus caríssimos leitores, nossa conversa já está no ponto para que eu lhes faça sem rodeios a pergunta: como pode Uberaba ter sido fundada em 1856, segundo propalam alguns, se aqui, há tempos, existiam médicos vindos de diversas partes do país? O Acadêmico José Soares Bilharinho esbanja seus nomes em sua magnífica obra “A história da Medicina em Uberaba”. Só mesmo tendo “nascido” em 1820 (36 anos antes) para experimentar tanto avanço. Uberaba estava na rota do grande Anhanguera que seguia para Goiás em busca de pedras preciosas!

É simples para se concluir que o título de Freguesia (à época avançando) oficializada por Dom João VI pelo decreto de 02 de março de 1820, único documento probatório conhecido, é a Certidão de Nascimento de Uberaba. Tudo mais, a meu modesto ver, em termos de aniversário da cidade é mera especulação.

Existe a ordem cronológica: 13/02/1811 - Criação do Distrito dos índios, sertão imenso esse comandado por Major Eustáquio. 22/02/1836 - Elevação do lugarejo a Vila. 23/03/1840 - Elevação da Vila a Comarca. 02/05/1856 - Elevação de Comarca a Cidade¹־²־³. Ditas datas existem, mas não abalizam a ninguém para afirmar que nessa ou naquela nasceu Uberaba. Arquivos públicos e particulares foram consultados Brasil afora sem êxito. Nosso aniversário é, portanto, em 02 de março. Quanto vivi enganado!

Fontes de Pesquisa: Hildebrando de Araújo Pontes, Antônio Borges Sampaio, José Mendonça, José Soares Bilharinho, Renato Muniz Barretto de Carvalho, Antônio Pereira da Silva, Longino Teixeira, Tito Teixeira e Atas da Câmara Municipal de Uberlândia. Arquivo Público de Uberaba. Atas da Câmara Municipal de Uberaba (1857/1900).

1 - Título honorífico que Franca/SP também recebeu em 1856.

2 - Idem para Ribeirão Preto/SP. 

3 - Idem para Juiz de Fora/MG.


(*) - João Eurípedes Sabino.
Presidente da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.
Uberaba/MG/Brasil.

Cidade de Uberaba

sábado, 31 de dezembro de 2016

ANTÔNIO BORGES SAMPAIO - UBERABA

Antônio Borges Sampaio

Nascido na província de Beira Alta, em janeiro de 1827, órfão de pai e mãe vitimas de cólera-morbo, Antônio Borges Sampaio foi criado pelos tios sem nunca ter frequentado a escola. Em novembro de 1844 Antônio Borges Sampaio aporta em Santos, litoral de São Paulo, onde permanece por cerca de três anos empregado como caixeiro em um estabelecimento comercial. Desempenhando um bom trabalho, ele é designado pelo proprietário do comércio para administrar uma filial, situada em Uberaba, onde chegou em setembro de 1847, se casou e constituiu sua família. Sampaio permanece a frente da referida filial até agosto de 1848, quando faz uma sociedade com seu futuro cunhado, o Barão de Ponte Alta, Antônio Elói Cassimiro de Araújo. Em 1851 Sampaio abre uma farmácia na cidade e gerencia ela até 1852, quando enfim a sociedade com o barão termina. Com o passar dos anos, Sampaio passa a exercer diversas funções públicas na cidade, desde inspetor de ensino (de 1852 a 1868), até diretor da Escola Normal (de1883/1885 e 1889) hoje chamada Escola Estadual Marechal Humberto Castelo Branco. Sampaio atuou também na área da Justiça e da policia, além de advogado provisionado, curador de órfãos, promotor público, contador e distribuidor, subdelegado e suplente de delegado. Na Guarda Nacional ele atinge a patente de tenente-cirurgião em 1859 e tenente-coronel chefe do Estado Maior do Comando Superior de Uberaba e Prata de 1865 a 1874. Além de todas essas atividades, Sampaio foi ainda o grande historiador de Uberaba no século XIX, área em que nesse período também se destacam Vigário Silva, Antônio Cesário da Silva e Oliveira Junior. Coronel Sampaio foi correspodente do “Jornal do Commercio” e de outras publicações do Rio de Janeiro e de Niterói por 60 anos.
“Um vago nome numa vaga rua, com afundamento melancólico na indiferença popular, eis a injustiça que se deve corrigir em relação a Antônio Borges Sampaio” (Santinho Gomes de Matos, em 1971)