sexta-feira, 13 de outubro de 2017

JORGE HENRIQUE PRATA SOARES

(1944-2010)

Pratinha e o Festival do Chapadão


No início da Era dos Festivais, em meados dos anos 60, Jorge Henrique Prata Soares mexeu seus pauzinhos para que a mineira Uberaba também tivesse seus shows. Em 1966, ele organizou o Festival do Chapadão.

Dedicado à MPB e realizado em cinemas, nos moldes dos famosos concursos da Excelsior e Record, o evento acabaria tendo oito edições, conta a mulher, Letícia.
Houve até uma reedição, quando o festival fez 40 anos, só que sem o "brilho do primeiro", lembra a mulher.

Pratinha, como era conhecido, foi jornalista e chegou a ocupar o cargo de secretário de Turismo e Cultura de Uberaba, de 1971 a 1973.

Logo depois, dirigiu o Sindicato dos Jornalistas de Belo Horizonte até 1975, quando defendeu o registro para os profissionais que trabalhavam na área havia anos.

Passou por veículos mineiros e teve, nos anos 90, um jornal chamado "Uai", que era afixado dentro dos ônibus. Também foi dono de três bares, que tinham música ao vivo e lançamento de livros.
Nos últimos anos, dedicou-se a um livro sobre o bisavô, o dentista e fotógrafo José Severino Soares. Anos atrás, a família descobriu numa exposição do fotógrafo Marc Ferrez, no Instituto Moreira Salles, em SP, uma foto dos índios bororos idêntica a uma tirada por Severino.

Tanto a família como o instituto dizem ter o negativo da foto, mas até hoje sua autoria continua uma incógnita.

O livro ficou pronto, mas Pratinha não teve tempo de lançá-lo. Há seis meses, descobriu um câncer. Morreu no sábado, aos 66, deixando viúva, três filhas e seis netos.


Estêvão Bertoni 

Rua Tristão de Castro, em 1908

Rua Tristão de Castro, em 1908

Rua Tristão  de Castro -  década de  1960

A Rua Tristão de Castro "começa no canto superior direito da Praça Rui Barbosa e finaliza na Rua Triângulo Mineiro - atual Av. Alberto Martins Fontoura Borges.

Desde a sua formação anteriormente a 1880, já se conhecia pelo nome de rua Azagaia, ou simplesmente, do 'Zagaia', nome este derivado da semelhança do terreno em que essa via se desenvolveu, com os campos do conhecido Chapadão do Zagaia, ao sul do arraial do Desemboque.

A comissão recenseadora de 1880 contemplando-a com o nome de ‘Antiga rua do Azagaia', deu-lhe, todavia, o nome de 'Rua de São Miguel', que o Tenente Coronel Sampaio mudou para Tristão de Castro, em lembrança de Tristão de Castro Guimarães, doador do patrimônio do Arraial da Capelinha, nas cabeceiras do Lajeado dos Ribeiros." (PONTES, 1978, p.299-300).

Foto editada por:Marcellino Guimaraes


(Arquivo Público de Uberaba)

Grande Hotel - Uberaba

Grande Hotel - Uberaba
PARECE QUE FOI ONTEM - Quando uma cidade carece de calma não pode ser só movimento, pois que a vida também é feita de silêncios e recolhimentos. ... Aqui, 1960 era o ano, UBERABA, então cidade tranquila, serena era a sua vida, de tempos outros, outros cotidianos, tinha outros planos ... Saudades daquele tempo ! tão perto, tão longe ...  
  
Adilson Cardoso
              

Loja Notre Dame de Paris e Bar 1001

Loja Notre Dame de Paris e Bar 1001

     PARECE QUE FOI ONTEM - Saudade é a abstinência dos momentos bons que passaram por nós, nos espancaram de amor, nos rechearam de sorrisos, nos esmurraram de abraços, e no fim acabam nos deixando apenas com a falta. Às vezes, a gente só percebe a importância deles quando se tornam lembranças. Lembranças que nos chegam devagar, ancoradas em bem-estar ou em rastros de dor, e que nos aparecem nebulosas ou desbotadas, gastas na nossa própria memória; lembranças que nos imploram por doces recordações, gostosas gargalhadas, que ficaram perdidas pelo tempo afora ...
UBERABA das MINAS GERAIS ! Bons tempos ...
Aqueles que não voltam mais ...   

Adilson Cardoso
      

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Grande Hotel - Uberaba

Grande Hotel

                PARECE QUE FOI ONTEM - Na vida é a gente que decide o que vai podar. O que fica e o que vai. UBERABA das MINAS GERAIS ! os tempos se foram, mas só a nossa memória determina o que desaparece ou floresce, o que permanece de ti ...

Adilson Cardoso
         

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Jerry Lewis - Ator e Diretor

O OTÁRIO
O Peixe n’Água


Guido Bilharinho

Jerry Lewis - Ator e Diretor
Jerry Lewis (1926-2017) é considerado por parte da crítica um gênio da comédia. Não chega a tanto, mas, não resta dúvida, que é um dos grandes atores (e autores) cômicos do cinema, podendo comparar-se a Chaplin.
         Contudo antes que algum admirador deste último considere exagerada a referência (que em absoluto não é), é necessário que se lembre que não existe apenas um tipo de comédia, porém vários. Entre eles, a comédia sofisticada (sophisticated comedy), a comédia maluca (screwball comedy) e o pastelão.
         No primeiro caso enquadram-se filmes de Billy Wilder (O Pecado Mora ao Lado, 55; Quanto Mais Quente Melhor, 59; Se Meu Apartamento Falasse, 60), no segundo, de Howard Hawks (Levada da Breca, 38), e de Peter Bogdanovich (Essa Pequena é Uma Parada, 72), refilmagem daquele e, no pastelão, uma gama variada de comédias, desde algumas de Chaplin até os Irmãos Max.
         As comédias de Jerry Lewis, diretor e ator, compartilham, muitas vezes, das características das duas primeiras espécies.
         É o caso, por exemplo, de O Otário (The Patsy, EE.UU., 1964), que dirige e interpreta, funções que passou a acumular a partir de O Mensageiro Trapalhão (The Bell Boy, EE.UU., 1960), tendo, antes e ainda durante algum tempo depois, atuado em filmes dirigidos por Frank Tashlin, como O Rei dos Mágicos (The Geisha Boy, 1958), Bancando a Ama-Seca (Rock-a-Bye Baby, 1958), Detetive Mixuruca (It’s Only Money, 1962) e Errado Pra Cachorro (Who’s Minding the Store, 1963).
         O Otário incide no esquema usual do cineasta, baseado em sua interpretação pessoal e em trama linear e romântica.
         Realmente, suas estórias incorrem em estereótipos e lugares comuns inúmeras vezes vistos (em filmes) e lidos (em livro).
         Nesse filme, não se foge à regra, pelo contrário. Aplica-se-lhe totalmente. O pobre coitado, meio banzado, meio idiotizado que, por um golpe do destino, tem sua oportunidade, ajuda e apoio.
         Além da superficialidade e gratuidade desse entrecho, descamba-se, ainda, no caso, em plena fantasia, num mundo que só não é mágico porque suas criaturas são de carne e osso e seus objetos têm contextura e solidez. Pois, não há possibilidade real, concreta, veraz de que alguém tão otário, a ponto de não saber nem pronunciar corretamente as palavras ou decorar singela frase, possa transformar-se, de repente, em verdadeiro self-mad-man. E que, simultaneamente, indivíduo despersonalizado, assuma atitudes marcantes e peremptórias.
         Essa dupla alteração é irrealista e despropositada, visto que sem plausibilidade.
         Contudo, se a trama em que se apoia o filme é fraca e anódina, o mesmo não ocorre com a interpretação de Jerry Lewis e a personagem que encarna. Aí reside sua grande virtualidade, enfatizada pela crítica. Desbastada um pouco de certo exagero de seu admiradores mais ardorosos, a performance de Lewis, como ator e personagem, não deixa de ser adequada e primorosa.
         Ao contrário do que ocorre comumente com os atores que exageram seus esgares e, aí, se perdem, Lewis os mantém sob controle, adequando-os às situações como se delas fizessem parte natural.
         Diante da perfeição de seu desempenho, seu paradigma só pode ser buscado (e encontrado) em Chaplin. Aliás, é chapliniana a cena de sua transformação de mal-vestida e mal-ajambrada personagem em elegante e desempenado dandy de cartola e casaca. Sua habilidade e flexibilidade corporal e facial são tão notáveis e esplêndidas quanto as do eterno clown invocado.
         E, cada um em seu tempo, representam-no, refletem-no e o marcam. Se um é o grande cômico e intérprete da primeira metade do século, o outro o é da segunda. Se Lewis não o é, como Chaplin, pelas preocupações temáticas e situações enfocadas, o é como modo de ser, expor-se e atuar, como cordeiro no meio de lobos ou flor solta num pântano de interesses, consumismo e materialidades, perfilhando a inocência e a ausência de malícia e de maldade.
         A trama, linearmente desenvolvida, não deixa, pois, de ser analítica, crítica e portadora de significado. Em sua leveza e descontração contém mordacidade e juízo de valores.
         Se a personagem é ingênua, o cineasta não o é.
         Essa aparente contradição resulta da congenialidade entre a personagem e o mundo que a cerca. A ingenuidade só se move em situações claras e perfeitamente delineadas, como peixe dentro d’água, na banal (mas, propositada) figuração. Fora desse mundo, não tem condições de sobrevivência. Como o peixe.
         Em conseqüência, a trama esquemática não é apenas mero pretexto para a ação e atuação do protagonista, como a água não serve apenas para a natação do peixe. É meio e modo de existir e sobreviver.
         Além disso, a riqueza e multiplicidade do microcosmo recriado pelo cineasta, pelo ator e pela personagem, faz sua comédia conter elementos extravagantes e sofisticados, apresentando cenas e situações que se classificam ora nuns ora noutros, com grande versatilidade.

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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 (https://revistadepoesiadimensao.blogspot.com.br) e autor de livros de literatura, cinema e história do Brasil e regional, publicando mensalmente desde setembro último um livro no blog: https://guidobilharinho.blogspot.com.br.

A Igreja de Nossa Senhora do Rosário - 86 anos (1841-1927)


A Igreja de Nossa Senhora do Rosário em Uberaba foi derrubada, em 1924, por não haver manutenção por parte da Cúria Metropolitana. Estava em ruínas. Uma restauração seria dispendiosa. A demolição ocorreu a pedido do então agente executivo (prefeito à época) progressista Leopoldino de Oliveira (Coligação Uberabense), também deputado federal no período.

Nos últimos anos de sua existência, se realizava naquele templo somente a comemoração do Dia da Abolição, o 13 de Maio, relatou o memorialista e religioso católico Carlos Pedroso. Os festejos do dia do Rosário, desde pelo menos 1913, como registrou o então jornal Lavoura e Commercio em sua edição de 26 de setembro, já haviam se transferido para a Igreja São Domingos.

Era usual, durante o Império, ao se iniciar um vilarejo a construção de duas igrejas: uma para brancos e outra para negros. Portanto, a principal foi erguida no Largo da Matriz, a pç. Rui Barbosa na atualidade, onde surgiu o primeiro povoamento do lugar e se concentrou o comércio, prestadores de serviço e moradias.

As ruas Coronel Manoel Borges e Vigário Silva, que eram a mesma via e conhecidas como rua Grande por iniciarem próximo da av. Deputado Marcus Cherém e ir até a av. Alexandre Barbosa. A r. do Commercio, hoje Artur Machado, existia, por volta de 1880, até seu terceiro quarteirão. Dali em diante era deserto.
 
 Igreja de Nossa Senhora do Rosário

A “Igreja dos Pretos” localizava-se três quadras à frente em área afastada do burburinho da vila. Sua construção realizou-se com mão de obra escrava, como era comum em relação aos santuários de devoção de negros, aberta em 1841. Era no Alto do Rosário, agora bairro Estados Unidos, no Largo do Rosário, atualmente av. Presidente Vargas, no meio do morro, com sua frente direcionada para o então final da r. do Commercio.

Santa Rita, São Domingos e Mogiana “ajudaram” a derrubar Rosário. Com o surgimento da Igreja Santa Rita em 1854, a três quarteirões da do Rosário, e da São Domingos 50 anos depois, a duas quadras, o santuário do povo negro foi perdendo frequentadores. Por isso, a Cúria deixou de mantê-lo, provocando sua decadência.

O início da operação da Companhia Mogiana de Estradas de Ferro em Uberaba a partir de 1889, com a estação instalada no alto da r. do Commercio, provocou a urbanização no entorno da Igreja do Rosário, que se encontrava em ruínas. Consequentemente, o então “prefeito” Oliveira se viu obrigado a propor a demolição do templo. A via, portanto, passou a ter passeios laterais largos. Em meados do século 20, uma ilha foi construída com jardim e palmeiras imperiais. Desde 2006 há no local monumento de reverência a Zumbi dos Palmares, importante líder negro abolicionista.

Imigrantes sírios e libaneses ajudaram a erguer a Igreja São Benedito. As comunidades síria e libanesa, nos anos 1930 e 1940, concentravam suas atividades comerciais no bairro Estados Unidos, na r. Padre Zeferino, desde seu início até a r. Artur Machado. Era conhecida como a “Rua dos Turcos”.

Por utilizarem, praticamente, somente o idioma árabe, esses imigrantes se fecharam e havia dificuldade em se relacionar com a sociedade. Além disso, sírios e libaneses eram falados na cidade por moças: elas tinham medo deles. Diziam que presenteavam suas namoradas e esposas com joias caras, mas que batiam nelas, revelou o memorialista Pedroso.

Como forma de romper o isolamento, propuseram à Cúria Metropolitana ajudar a edificar a Igreja São Benedito, outro santo de devoção por povos de descendência africana. Seria uma forma de compensar a demolição da igreja do Rosário. A pç. da Bandeira, que depois denominou-se Dr. Jorge Frange, foi o local escolhido. A inauguração se deu em 1961, 34 anos após a derrubada da do Rosário. Nova basílica foi implantada no local em 1978, em formato circular, em substituição à primeira que tinha arquitetura tradicional.

O bairro, que passaria a levar o nome da igreja, já era reduto das duas nacionalidades e de seus descendentes. Até então a região era conhecida por Colina da Matriz. No local também estava instalada, na r. Major Eustáquio, desde 1927, a Sociedade Sírio Libanesa, que passaria, nos anos de 1990, a denominar-se Clube Sírio-libanês.


(*) Jornalista e coautor da biografia Lucilia – Rosa   anos – 1841-1927

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Rua São Sebastião.

Rua São Sebastião - Foto: década 1940
Centro/Bairro Mercês.

A rua São Sebastião “começa na praça Rui Barbosa e finaliza na praça Dom Eduardo.  É atravessada pela rua Major Eustáquio, dando, logo adiante, nascimento às ruas Senador Pena e das Mercês. Atravessa-a em ponte de madeira o Córrego da Manteiga até onde é calçada a paralelepípedos; daí para o fim é abaulada, com sarjetas e passeios. Pertence, até ao córrego, à colina da Matriz e dali para diante ao alto das Mercês.

Anteriormente a 1855, tinha o nome de rua do Colégio, depois do Mauriti e Santo Antônio.
A Comissão recenseadora de 1880, considerou nesta rua todo o alinhamento do sobrado  Cuiabá, onde funciona o Colégio deste mesmo nome (atual Ginásio Diocesano Estadual*) até ao Largo da Independência, com o nome de rua do Mauriti. O Tenente Coronel Sampaio, dividindo em duas esta rua, deu a denominação de São Sebastião, ao trecho entre o Colégio Cuiabá e o Largo da Matriz; e a de Santo Antônio ao trecho restante” (PONTES, 1978, p.295 - 296).

A atual rua São Sebastião inicia na praça Rui Barbosa, finalizando na praça Dom Eduardo, no Bairro Mercês.

* NE – Atual Colégio Marista Diocesano.


(Superintendência do  Arquivo Público de Uberaba)

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

A “RUA “SÃO MIGUEL” E OS POLITICOS....

Pornográfico ? Não ! Texto realista ? Sim !Chega de “puta véia”. “elas não dão mais” caldo” e nem nos representam”.!Queremos as putinhas que perderam o cabaço há pouco tempo “...Respeitosamente , esse era o palavreado dos boêmios que frequentam a famosa “ rua São Miguel”, também conhecida como ”baculerê”da saudosa Uberaba dos anos 50 do século passado.Tempos que não voltam mais...Incrustada no centro da cidade, atrás da Catedral Metropolitana, início da praça Frei Eugênio, em direção ao bairro da Abadia, a “ rua São Miguel “era famosa no Brasil inteiro. Macho que visitasse Uberaba e não conhecesse a”São Miguel”, não veio na sagrada terrinha...

As “puta véia”daquele tempo eram a Amelinha, a Negrinha, a Jovita, “tia Moça”( que era velha...),a Tubertina, a Isolina, a Nena, além de outras menos votadas. Os jovens queriam “ficar” eram com as “meninas novas” que vinham de Goiás, Mato Grosso,interior de Minas e São Paulo...Na rua”São Miguel”, se abrigavam eleitores de todos os partidos.Naquele tempo não existia a proliferação de siglas dos dias atuais).Eram o PTB, de Mário Palmério,a UDN, dos Rodrigues da Cunha, o PSP, do Boulanger Pucci, o PR, do Tatí Prata e o PCB, do Durval da Farmácia. E só! Quem tinha dinheiro, comia no “Tabu com as primas”. A pobreza, se fartava com o churrasquinho cheiroso do Jaime Batista. Bebum, sem grana, frequentava a “Boca da Onça”, do Caio Guarda.Na”São Miguel”, além da fina flor da cidade, frequentavam também jovens bem vestidos, “coroas” sisudos e endinheirados, figuras patéticas, pobres, negros,amarelos, maltrapilhos e outras matizes...

Os “shows”do “Cassino Brasil”, eram estrelados por dois “frescos” famosos na terrinha:”Diquinha”,que rebolava, cantando “Babalu” e seu parceiro, o “Birinha”.Naquele tempo, ninguém falava em homossexual, transgêro,travesti, bicha; era” fresco”ou “viado”. Na década de 50 do século passado, não se falava em “motel”.O máximo que se permitia , eram alguns “esconderijos”para encontros furtivos e um pomposo nomes francês :”rendez-vous”...

Nos dias presentes, “zona de meretrício” virou “zona eleitoral”, “michê” é chamado”propina”, “puta véia”, são os políticos que não querem abandonar seus cargos, “rendez-vous” ou”casas de prostituição”, são conhecidas como Assembléias,Câmaras,palácios e prefeituras. “Donas de bordel”, são os políticos famosos,corruptos,agarrados ao poder. “Rua São Miguel”, mudou de endereço, transferiu-se lá para as bandas das Mercês...”Meninas novas no puteiro”são jovens que estão ingressando na vida pública.Frequentadores do “puteiro”são os eleitores que votam por dinheiro, cargo público,sem concurso...qualquer “boquinha” serve...

Ano que vem, ao frequentar as “ruas das eleições”,procure uma “puta nova”.Neca de “puta véia”. A política não é prostíbulo. Os políticos é que freqüentam a”casa errada”. As “Negrinhas,Moças,Tubertinas,Nenas e Isolinas” da nossa política , não devem ser reconduzidas ao “palácio encantado”. ‘São puta véia”.Não dão mais “caldo”. São “bananeiras que deram cacho”..O eleitor quer “puta nova”, recém chegada no “bordel”....

Desculpe-me pelo linguajar impróprio. Vamos renovar!

Abraços do Luiz Gonzaga de Oliveira.

TRIBUTO A UMA LENDA DA CATIRA SEU ROMEU BORGES

É o céu hoje recebeu o Seu Romeu Borges.Lá já se encontra parte da história da CATIRA DOS BORGES. Delcides,Cavaquinho e João,e tantos outros o recebe co m alegria .Para o nosso conforto, fica a saudade de quando criança presenciar a apresentação da CATIRA DOS BORGES.

Minha infância teve o conhecimento de uma das mais marcantes manifestações populares.
Esperávamos com muita expectativa o LUNDUM DE FACA do Seu Ananias ,pai do Zé Daher ,assim como os Homens de calças pretas e camisas brancas, e bem passada dos Borges.



Tivemos o privilégio de presenciar creio eu a última apresentação do SEU ROMEU BORGES, no Cine Vera Cruz,quando a professora Marta Enes Brandão, prestou contas com a passagem do Romeuzinho na Cultura Popular de Uberaba.

Vá em Paz seu Romeu Borges e o Catira continuará o reverenciando


Wagner da Cruz .`. M .`. I .`. ,estando na Vice Presidência do Instituto Chico Xavier da cidade de Uberaba. Site:http://www.institutochicoxavier.org.br/quem%20somos                       

MARLI APAGA FOGO...

Romeu Borges de Araújo,meu sempre lembrado colega de Diocesano no final da década de 50, do século passado, sempre foi um fazendeiro evoluído,bom chefe de família, contador de “causos” engraçados,normalmente envolvendo a familia Borges e outros parentes, grandes “catireiros” que o Brasil inteiro conhece,aplaude e admira.Dançar catira, sapatear, bater palmas conjugadas,tudo ao mesmo tempo, não é obra prá qualquer um,não.É preciso fôlego,ginga,talento,ritmo,grande poder de improvisação e, acima de tudo, arte.A arte da dança da “catira”não é pra qualquer pessoa.É necessário habilidade, destreza, esperteza e uma coreografia espontânea.A dança da “catira” já correu mundo afora.Redes e televisão do Brasil, principalmente a mais poderosa delas, a Globo,gravou uma série de reportagens sobre a dança folclórica que a família Borges deu fama e tradição.

Em qualquer festa,sertaneja principalmente, em qualquer exibição na terrinha, em data especiais, as folias de Reis dos Mapuaba e do Labibe, aliadas às costumeiras “catira dos Borges”,não podem faltar. Até sérios estudos literários já foram escritos.Da “catira” em especial. Passos, modas, letras ,palmas,como dançar e outras “dicas”,viraram livros.Historiadores,pesquisadores,jornalistas ,apreciadores do gênero,debruçam em mostrar a folclórica manifestação popular.”Jornal Nacional”,”SBT”,”Record”,repetidas vezes mostram,na telinha,a “catira”,objetivo de matéria especial inclusive no “Fantástico”.

Entusiasmado do que viu , o repórter José Hamilton Ribeiro,que tem raízes familiares na terrinha,aliado a um produtor da Globo,tiveram a feliz ideia de associar a”catira”, com o balé.Depois de esforçados ensaios, Ana Maria Botafogo ,uma das maiores bailarinas do mundo,juntou-se a Romeu Borges,o maior “catireiro” do Brasil, deliciosamente,”duelaram”em ritmo de “catira”, os leves passos masculino e femininos. O quadro foi ao ar, no “Fantástico” e a repercussão tomou conta do Brasil. Sucesso de audiência e registro em toda imprensa nacional.

Romeuzinho,voltou para a terrinha feliz a vida pelo sucesso alcançado.Fez planos com Ana Botafogo de “correr mundo” com o novo quadro.Mostrariam a arte do balé com a simplicidade da dança caipira.”Seria um sucesso mundial”,começa a sonhar o nosso Romeu.-Quem sabe até eu mudo de nome ?”Regozijando com a conquista,chega em casa,joga a mala no quarto do casal e sai correndo para abraçar a esposa. Dona Marli,coitada,às voltas na máquina de lavar roupa, toda suada, sol a pino, pendurando calça,camisa e cueca d o Romeu no arame do quintal, é surpreendida pela voz firme do marido:”

-“Marli, Marli,meu amor, mudei de nome.Troquei Romeu Borges de Araújo para Romeu Botafogo, ‘cê acha bonito ?”

Ela parou de estender a roupa no varal, olhou bem no rosto do marido; séria,com voz firme, retrucou:
-“Eu também mudei de nome...”

Cumé que ‘cê chama agora, bem ?”
-“Maria Apaga Fogo,tá bom?””

P.S – Uberaba, que tem perdido tantas coisas boas nos últimos anos, perde o seu mais famoso” catireiro”, Romeu Borges de Araújo.A santa terrinha vai ficando mais pobre dos seus autênticos e legítimos valores humanos.


Luiz Gonzaga de Oliveira

Asas para a Juventude Uberabense.

Baile no Jockey, publicada na revista "O Cruzeiro"   

1941. Com a Europa já em plena II Guerra, começa no Brasil a Campanha Nacional de Aviação com o objetivo de estimular a formação de novos pilotos em todo o País. Parte importante desse esforço passava pela fundação de aeroclubes nas cidades do interior, uma iniciativa que foi apadrinhada pelo presidente dos Diários Associados, Assis Chateaubriand – o famoso "Chatô", um dos homens mais poderosos do Brasil na época – e recebeu os slogans marqueteiros "Dê Asas para o Brasil" e "Dê Asas para a Juventude".

                          Baile no Jockey, publicada na revista "O Cruzeiro"                          

Uberaba não ficou de fora nessa iniciativa. No dia 25 de maio, o Aeroclube da cidade ganhou um avião de treinamento, doado pelo industrial Severino Pereira. Os jornais da época não informam o modelo mas, pelas fotos, parece ser um Piper J3 Cub (um pequeno monoplano de asa alta norte-americano, com motor de 65 HP) ou sua cópia nacional, o CNNA HL-1, montado no Rio de Janeiro. O avião recebeu o nome "Pandiá Calógeras" em homenagem ao geólogo e engenheiro carioca que começou sua carreira profissional em Uberaba e foi o único civil a ocupar o Ministério da Guerra na República Velha.

   Notícias dos preparativos para a recepção, publicada no jornal uberabense "O Triângulo”  
       
A entrega do avião em Uberaba deu ensejo a uma enorme festa aérea: o ministro da Aeronáutica Salgado Filho veio pessoalmente até cidade liderando uma esquadrilha com dezenas de aeronaves civis e militares. Chatô e Dario de Almeida Magalhães, diretores dos Diários Associados, acompanharam a comitiva. A famosa aviadora Ada Rogato exibiu-se saltando de paraquedas e outros pilotos revezaram-se em exibições de acrobacias aéreas. Ao final, o grupo foi recebido para um jantar no restaurante do Grande Hotel seguido por um baile de gala no Jockey Club e por uma festa dançante no Cassino da Exposição.

"Pandiá Calógeras"
Avião HL-1, fabricado no Rio de Janeiro pela fábrica CNNA, do industrial Henrique Lage. É uma cópia do avião norte-americano Piper J-3 Cub. Muito provavelmente, o "Pandiá Calógeras" era um avião como esse.


O bapthismo "Pandiá Calógeras"em Uberaba.
Nos dias seguintes, como de costume, os vários jornais do grupo Diários Associados e a revista semanal "O Cruzeiro" deram grande destaque ao evento. O método usual de Chatô de ganhar ainda mais poder político e conseguir patrocinadores.


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Um detalhe curioso: em diversas publicações consta que o Aeroclube de Uberaba teria sido fundado só em 1942, um ano depois do recebimento desse avião.

 (André Borges Lopes).

Praça Santa Terezinha

Praça Santa Terezinha - Década de 1930

Largo Boa Vista

"Situado na entrada da cidade pela estrada que vem da ponte de cima no Rio Uberaba.
Principiam nele (à direita) as Ruas Pedro Gonçalves e Leste, a Rua Boa Vista (à esquerda); findam nele a Rua do Rosário e Travessa Alegria.

Pertence à Colina Boa Vista.

N.B. Esta localidade tem sido conhecida pelo – Alto do Fabrício. É aprazível e higiênica. Os dois vértices do quadrado que devem limitar esse largo para o lado do Caximbo ainda não estão marcados. A comissão não compreendeu este largo com situação própria." (SAMPAIO, 2001)

”Situa-se entre as ruas Treze de Maio, Senador Pena, Aristides Borges e Tiradentes.
No século XIX, a praça era conhecida como Largo Boa Vista.

Em 1900, passou a se chamar Praça Santa Bárbara, devido à devoção popular da época.
No século XX, era chamada ainda de Fabrício e Aristides Borges.

No local, em 1908, foi inaugurada a última ‘fonte pública’ da cidade, o chafariz ‘Santa Bárbara’, que continha uma coluna de ferro e duas torneiras laterais e esteve em atividade até 1915.

No ano de 1929, a inauguração da capela dedicada a Santa Terezinha deu o nome definitivo à praça.
Os padres capuchinhos criaram a paróquia em 1946 e, em 1961, a antiga Capela foi demolida. Edificou-se no local um templo, maior, em estilo românico, administrado pelos capuchinhos até 1988, ano em que a paróquia passou a ser responsabilidade da Arquidiocese de Uberaba.

Em 1961, instalou-se, no centro da praça, o busto da Princesa Isabel. A partir desse ano, tradicionalmente, os ternos de ‘Congado e Moçambique’, no dia 13 de maio, partiam da residência dos festeiros, passavam pelo busto e seguiam em direção à igreja, para a missa solene. O busto não se encontra mais no local.”

(Superintendência do Arquivo Público de Uberaba)                                          

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Anúncio da agência da DKW em Uberaba


Anúncio da agência da DKW em Uberaba
Em 18 de julho de 1957, ocupou toda a capa.

Recorte do jornalista e pesquisador Luiz Alberto Molinar.                  

sábado, 30 de setembro de 2017

Silêncio... Violas emudecem... catireiros se calam... e a catira cessa o som sobre os tablados.

Fechou os olhos o nosso ícone nacional ROMEU BORGES. 


Sr. Romeu Borges 
Aroeira e pinheiro ao mesmo tempo Romeuzinho Borges soube ser o homem firme em tudo o que fazia sem jamais perder a ternura. No tablado era um rei mostrando sua majestade tratando a catira como sua dama inseparável. Ela foi feita para ele e ele para ela. É impossível separar as duas figuras.

Obrigado Sr. Romeu Borges. 

                      Grupo de Catira tradição de Minas com  Romeu Borges                    
                         
S.Majestade projetou Uberaba além Brasil e no mundo! Onde estiver no globo um Uberabense, estará chorando a sua partida.

Estamos de luto. Vai ser difícil ver um grupo de catira se apresentando sem imaginá-lo presente.
Receba a homenagem dos seus conterrâneos que o terão para sempre guardado no coração.


Ass. João Eurípedes Sabino.

HOMENAGEM – ROMEU BORGES

Ana Botafogo e Romeu Borges

O Folclore brasileiro está de luto. Faleceu o maior catireiro que o mundo já conheceu. Palmeiro, sapateador, cantador e incentivador do nosso catira, foi o criador de diversos passos para a dança e alguns para sapateado individual.

Por mais de sessenta anos deu suporte para a continuidade do catira dos Borges, em Uberaba. Teve o privilégio de dançar com Ana Botafogo, a mais reverenciada bailarina brasileira.

Pecuarista e agricultor respeitado, Romeu ensinou seus filhos ainda crianças, Romeu Junior e Ricardo, a participarem das funções, mantendo assim a tradição deste folclore,

Que Deus possa reservar para ele um lugar de destaque ao seu lado para aquele que em vida só semeou o exemplo de esposo e pai, de afinco ao trabalho da terra e de participação destacada na manutenção da mais bonita e genuína manifestação folclórica brasileira, o Catira.

Gilberto Rezende‎

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Jerry Lewis - Ator e Diretor


O BAGUNCEIRO ARRUMADINHO
E O PROFESSOR ALOPRADO
Os Meros Pretextos


Guido Bilharinho

Jerry Lewis - Ator e Diretor
Jerry Lewis, como Chaplin, foi ator e diretor. Como ele, iniciou a carreira cinematográfica sendo dirigido para, depois, auto-dirigir-se.
         Em ambos, há que se distinguir um do outro ou um e outro. Como atores cômicos ninguém os superou em suas épocas.
         Em Lewis, o contorcionismo corporal, versatilidade e adaptabilidade facial às situações e a flexibilidade comportamental atingem graus e momentos inexcedíveis.
         Em dois dos filmes que atuou, O Bagunceiro Arrumadinho (The Disordely Ordely, EE.UU., 1965), de Frank Tashlin (1913-1974), e O Professor Aloprado (The Nutty Professor, EE.UU., 1963), que dirige, aqui destacados exemplificativamente, essas características são facilmente perceptíveis, tanto quanto em outros filmes, com maior ou menor incidência.
         Mesmo descontando-se os efeitos especiais proporcionados pelo cinema, talvez mais do que em qualquer outro de seus filmes (como ator e/ou como ator/diretor), é mais notável em O Professor Aloprado sua versatilidade, extremada em tipos totalmente diferentes e antagônicos como do professor e de Buddy Love. Tudo que um não era e não tinha o outro não só apresentava como o fazia em grau acentuado. Presença, voz, aparência, atitudes, comportamento, desenvoltura, visão do mundo ou da vida, mostram-se tão diferenciados e antípodas que dificilmente poder-se-ia imaginar possível na mesma pessoa antes de se assistir a esse filme.
         Em O Bagunceiro Arrumadinho enfatiza-se sua capacidade de transformar os atos e funções comezinhos e de fácil desincumbência em acontecimentos inusitados quando não inauditos, amalgamando-se nessa atuação atributos interpretativos, conteúdo, forma e consequência de seu desempenho perfazendo interação tão absoluta quanto, em decorrência, perfeita. Como mágico que transforma objetos e corpos, Lewis altera os fatos, infundindo-lhes natureza distinta da que sua congenialidade impõe. Um mundo prático e ordenado transforma-se num caos, porém, como o título original indica, caos ordenado e, de tão ordenado, previsível.
         Em O Professor Aloprado, da mesma forma, modifica-se a natureza, só que, desta vez, do próprio indivíduo.
         Por sinal, tanto faz Lewis ser dirigido como dirigir-se, porque o destacável, antes de tudo, é sua performance.
         Porém, cinematograficamente, esses filmes, tanto quanto os demais, carecem de importância. Do mesmo modo que ocorre com Chaplin, apenas constituem espaço e possibilidade de suas exibições como atores cômicos, que, sem o cinema, seriam exercidas nos palcos de circos e teatros, como, aliás, percebeu um crítico paulista, anteriormente citado, Paulo Emílio Sales Gomes, em relação a Chaplin, no artigo “Chaplin é Cinema?”.
         Os filmes propriamente nada contêm de cinematográfica e artisticamente relevante ou mesmo irrelevante, visto que se situam fora dos parâmetros estéticos, por miméticos, convencionais e lineares, objetivando apenas divertir.
         Sua perfeição técnica, competência direcional e a utilização dos recursos da câmera não lhes imprime nenhum dos atributos que caracterizam a obra de arte, não obstante merecerem ser salientadas apenas como tais, sem outras implicações.
         Do ponto de vista temático também nada aduzem de importante, conquanto assimilem e dêem curso adequado, ainda que superficial, a certas contradições do dualismo da natureza humana (do bem e do mal, do médico e do monstro, perfilhadas em O Professor Aloprado) e das descobertas freudianas do recalque de traumas e suas consequências e a possibilidade de sua resolução com a libertação do indivíduo das amarras que o bloqueiam.
         Ambos os filmes assentam-se, todavia, em esquema romântico bastante idealizado, no interior do qual essas questões básicas da condição humana diluem-se por sua instrumentalização meramente pretextual.

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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 (https://revistadepoesiadimensao.blogspot.com.br/) e autor de livros de literatura, cinema e história do Brasil e regional, publicando atualmente no Facebook os livros Obras-Primas do Cinema Brasileiro e Brasil: Cinco Séculos de História.

Cine Royal - Uberaba

Cine Royal
 Praça Comendador Quintino.

Foto: Autoria desconhecida

Época da imagem: 1950

O Cinema Royal substituiu o antigo Cine Capitólio que, construído pelo italiano Santos Guido,  foi inaugurado em 11 de maio de 1925 e pertencia à firma Damiani, Bossini & Cia.

                A Lei nº 700, de 15 de setembro de 1930, concedeu ao Sr. Antônio Sebastião da Costa, isenção de impostos por cinco anos, para o prédio do Theatro Capitólio desta cidade.

                O Artigo 11 – mandou devolver ao mesmo Sr. as importâncias pagas dos referidos impostos, nos anos de 1929 e 1930.

                Após a fundação da Companhia Cinematográfica São Luís em 1930, a mesma adquiriu o Cine Royal, que funcionou até 02 de fevereiro de 1959, quando teve suas portas totalmente fechadas.

                O prédio, apesar das inúmeras reformas, mantém ainda sua arquitetura original. Localizado na Praça Comendador Quintino, ele faz parte do seu conjunto eclético.


(Superintendência do Arquivo Público de Uberaba)

quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Ônibus do Colégio Nossa Senhora das Dores e alunas

Ônibus do Colégio Nossa Senhora das Dores e alunas.
Praça Cel. Manoel Terra

Fotógrafo: desconhecido

Época da imagem: 1957

Alunas do Colégio Nossa Senhora das Dores embarcando em transporte de propriedade da escola, na praça Coronel Manoel Terra (conhecida como praça do Mercado ou Santa Rita).

 No alto da foto, percebe-se a Capela do Colégio, bem como o prédio do mesmo.


(Acervo da Superintendência do Arquivo Publico de Uberaba)                                

sábado, 16 de setembro de 2017

Paróquia São Miguel – Nova Ponte (1882)

Igreja Matriz São Miguel da antiga cidade.
Foto do  acervo pessoal de Mariza Aparecida Queiroz.
Seminarista Vitor Lacerda

O povoado de Ponte Nova

Tendo sido instituída Paróquia pela Lei nº. 2916 de 26 de setembro de 1882, a matriz de São Miguel da cidade de Nova Ponte está prestes a comemorar seus 135 anos de fundação. Muitas são as memórias que se acumulam nestes mais de cem anos e que se misturam com as próprias lembranças e suspiros de seu povo e cidade.

Esta história começa no período colonial, inserida no processo de exploração e expansão territorial pelos sertões promovido pelos bandeirantes. A bandeira de Castanho Taques, que passou por Desemboque e Araxá, em busca de um caminho mais curto para Paracatu, atingiu as terras que se tornariam Nova Ponte. Os fazendeiros Manoel Pires de Miranda e Antônio Lúcio de Resende receberam uma sesmaria, dividida pelo rio Araguari, e doaram uma gleba, onde foram construídas as igrejas de São Miguel e São Sebastião, nos arredores das quais desenvolveram-se dois povoados. As pontes que foram sendo construídas ao longo da história com o propósito de ligar as duas margens do rio deram à cidade de Nova Ponte o nome como hoje é chamada.

Mais adiante, em 1882 (fim do período imperial) foi criada a freguesia de São Miguel da Ponte Nova. A inversão do nome para Nova Ponte justificou-se posteriormente por conta da quantidade de municípios brasileiros com o mesmo nome. Sua elevação a município se daria um pouco mais tarde, em 1938, desmembrando-se de Sacramento.

Um rico histórico de pastores

O primeiro pároco foi Pe. Joaquim Severino Ribeiro, cuja provisão se deu em 1884. Ele também atendia a Paróquia de Dores de Santa Juliana. Seguiram a ele outros três padres diocesanos quando, em 1899, assumiu o governo da paróquia Frei Agostinho Cristóbal OSA. Os freis agostinianos permaneceram na paróquia até 1908 sendo que passaram ao todo cinco párocos desta ordem religiosa. Em 1908 reassumiu a condução paroquial o clero diocesano na pessoa de Pe. José Sanroman (1908-1912), sendoservido aquela comunidade eclesial a um importante propósito social naquele momento histórico.

Quando se deu a inundação da antiga cidade, em meados de 1993/1994, nos relatos de muitos moradores, o momento mais sofrido foi quando a cabeça da grande imagem de São Miguel, feita de pedra, que ornava a grande torre externa da matriz, caiu por chão. Mais tarde, este patrimônio histórico e religioso seria transferido para a praça da nova matriz como símbolo de continuidade do novo templo que foi construído com aquele que permanecera debaixo d’água.

Em muitos sentidos a história da Paróquia de São Miguel de Nova Ponte é didática em nos ensinar que o maior patrimônio de uma paróquia, aquilo que de fato é indissolúvel ao tempo, é justamente o produto da evangelização que geração após geração vai edificando na fé e na virtude toda uma comunidade de pessoas reunidas no amor e no seguimento a Jesus Cristo. Pois assim como o povo de Israel, cativo no Egito e na Babilônia, peregrino no deserto, perdidos por vezes no culto a outros deuses, não perdeu sua identidade e seu compromisso, assim também somos nós em nossas paróquias: pequenas parcelas do povo eleito por Deus que encontram sua identidade Nele próprio.

Continuidade de um longo trabalho

Desde janeiro de 2016 é Pároco de São Miguel de Nova Ponte o Revmo. Pe. Rone Carlos da Silva que vem se esforçando na elevação do patrimônio espiritual e material desta paróquia. Desde sua posse muito tem sido feito: a Capela de São Sebastião, símbolo resistente da época em que a cidade se dividia em dois povoados separados por um rio, teve portas trocadas, bancos restaurados e o telhado foi todo colocado. Na capela de São José foi construído um banheiro e uma pequena secretaria. Na capela de Nossa Senhora da Medalha foram colocadas rampas de acesso para portadores de necessidades especiais.

Em relação à matriz, agora um templo com quase vinte e cinco anos, foram reformadas as portas laterais e o pórtico central e está sendo concluída a troca total do telhado e das calhas. No interior da matriz está sendo ampliada a sacristia e uma capela para o Santíssimo. Foram adquiridos vitrais para a parte inferior da nave com o propósito de dotá-la de maior encanto seguido pelo Pe. Domingos da Silva (1912-1917) e pelo Pe. Albino Figueiredo de Miranda (1917-1925). 
  
Igreja Matriz São Miguel da antiga cidade.
Foto do acervo pessoal de Mariza Aparecida Queiroz

A chegada de nosso segundo bispo, Dom Antônio de Almeida Lustosa SDB em fevereiro de 1925, coincidiu com a anexação da Paróquia de São Miguel de Nova Ponte à Paróquia de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja (Romaria) e a entrega de ambas aos recém-chegados padres da Congregação dos Sagrados Corações, dentre os quais o Beato Pe. Eustáquio van Lieshout que certamente marcou presença, como os demais padres de sua congregação, em Nova Ponte. Mas aquele que deixaria contribuição mais significativa, seja por ser o primeiro a de fato residir na cidade, como pelo tempo em que lá permaneceu, foi o holandês Pe. Panfílio van den Broek SSCC. Chegou em Nova Ponte em 1953 e durante os trinta e três anos em que foi pároco foi responsável pela construção de várias capelas rurais, pela remodelação da antiga matriz e por um eficaz trabalho pastoral e missionário.

Em 1986, todavia, a Paróquia haveria por mais uma vez, e de forma definitiva, retornar à condução do clero diocesano diante do desejo do então arcebispo Dom Benedito de Ulhoa Vieira, após prestados os devidos agradecimentos aos Padres dos Sagrados Corações que ali colaboraram por mais de sessenta anos. O primeiro pároco desse período de transição foi o Pe. José Lourenço da Silva Júnior.

A construção da represa: uma “nova” paróquia?

Em 1952, quando Juscelino Kubitschek era governador de Minas Gerais, várias pequenas usinas hidroelétricas foram reunidas numa única empresa energética que serviria como propulsora do crescimento industrial de todo o estado: a Cemig. Desse momento em diante, vários pontos hidrográficos do estado passaram a ser cogitados para ampliar nosso fornecimento de energia elétrica e, desde a década de 1970, começaram a serem feitos estudos no rio Araguari, que cortava Nova Ponte.
Quando se anunciou, no início da década de 1990, que a cidade seria inundada por ocasião da construção de uma usina hidroelétrica no local, e que a Cemig indenizaria os danos sociais causados por meio da construção de uma nova cidade, muita foi a relutância do povo. Neste sentido, vale destacar que muitas reuniões entre representantes da empresa e moradores novapontenses aconteceram na antiga matriz de São Miguel, tendo, pois, Para o futuro, o pároco diz ter como projeto readequar o presbitério, pintar toda a igreja, construir armários na secretaria e na sacristia e buscar, junto à Prefeitura de Nova Ponte, uma parceria para revitalização da praça onde se encontra a matriz de São Miguel.