sexta-feira, 21 de abril de 2017

ZÉ CALMON - “O BONITO”- MEU AMIGO




   Amigo, nome que se dá a um companheiro(a)com quem mantemos afeto, consideração e respeito. Para ser amigo,nem sempre é preciso conhecer , mas, é preciso possuir uma grande afeição. Para ser amigo, estar no dia a dia. Amigo, é para sempre. Tem amizades que começam repentinamente e duram eternamente. Amigo, é aquela pessoa em quem confiamos. Amigo, nem sempre tem os mesmos gostos e vontade que a gente tem. Amigo, não precisa ser idêntico a nós. Amigo, é aquele que divide conosco, momentos , sentimentos, alegrias e tristezas. 

    Amigo e amizade se identificam. É um relacionamento de reciprocidade ,afeto, confiança. Na Argentina,o dia do Amigo comemora-se no dia 20 de julho, data em que o homem pisou na Lua.O grande Vinicius de Moraes, definiu bem o que é ser amigo:- “Eu talvez não tenha muitos amigos, mas, os que eu tenho são os melhores que alguém poderia ter “. Ainda que as pessoas mudem e suas vidas se reorganizem, os amigos devem ser amigos para sempre, mesmo que não tenham nada em comum.Basta sentir as mesmas e gostosas recordações...

   Conhecí Zé Calmon lá pelos idos de 1952. 65anos e caquerada de pura amizade. Nós dois,jogando bola com a molecada.Um de cada lado.Ele, no Nacional do Domingão.Eu, no Ypiranga, do Jairão. De adversários em campo,surgiu uma grande amizade fora dele. Que durou até 2ª. Feira. Zé Calmon,subiu na carreira. Era bom de bola.Eu, tomei “bomba”.Era ruim demais...Calmon,seguiu carreira.Cracão! Íntimo da bola, a chamava de “meu amor”. Eu, continuei no esporte,atividade diferente:locutor esportivo, ora, vejam só...”Enchendo a bola do Zé Calmon.Nacional,Uberaba,Francana,América Mineiro e por aí. Por algum tempo, ficamos separados.Cada um na “sua”.Sem nunca perder a amizade. A cada encontro, mesmo depois de veteranos, era festa !Regada a cerveja. 

    Zé Calmon, “oficial de sapatos”,nobre profissão adquirida depois que a “bola foi embora”, ficou viúvo novo. Quatro filhos que tiveram que “se virar” desde cedo e, por isso, “cair no mundo”, novinhos,seguindo o exemplo do pai.”Derem gente” e muitas alegrias ao “Bonito”, tratamento que dava aos amigos. Gesto e atitude simpática ,além de cativante, próprias de um homem “ de bem com a vida” e que nunca demonstrava tristeza.Andava impecavelmente bem vestido.Sapato”bico fino”,cromo alemão,feito à mão,pelo próprio.Camisas? Manga comprida,abotoaduras e francesas,dizia.Calças? confeccionadas na Itália...quer mais ? Relógio no pulso direito,fazia a diferença. –“Tenho uma bela coleção de “bobos”(como ele chamava os relógios...)Um dos filhos, mora na Suiça.Daí...

     Filhos educados no mundo, tornaram-se excelentes profissionais.Uns da bola, outro do Direito.Todos no afã de dar “vida boa “ ao velho Zé Calmon. De repente, outro dia mesmo, sem avisar, veio a doença.Gripe primeiro, depois a pneumonia. Doença matreira, traiçoeira....Zé Calmon, “viajou fora do combinado”, sem avisar os amigos.Amigos que ele prezava tanto...

Zé, procê deixo apenas uma sincera lembrança:- “Amigo é jóia rara,preciosa; precisa ser guardada no coração.Naquela gaveta escondidinha onde se esconde carta de namorada...”


Luiz Gonzaga de Oliveira

CAVALO TARADO...

Primeiro: Cristo crucificado
Segundo: Tiradentes enforcado
Terceiro: Brasileiro honesto, endividado...

A história é antiga. Bota antiga nisso...Rico fazendeiro (na terrinha tem muito...), além do gado de elite que criava, tinha verdadeira adoração por eqüinos. Cavalos de raça era sua verdadeira paixão.”Tropeiro”,”Pantaneiro”,”Mangalarga”,Mangalarga marchador”, enfim, onde tivesse um exemplar que o agradasse,” mandava ver”.Custasse o preço que fosse,o animal era seu.

Pastos bem cuidados,divisas com “cerca paraguaia”, postes branquinhos, alinhados simetricamente, dava gosto passear pelos campos verdejantes da bonita”Estância São Pedro”. Ao correr do tempo,o capataz começou a observar um animal trotão que viera como “carga morta” de um lote recentemente adquirido.Cavalo “inteiro”,( o que não é castrado) e apto à reprodução, o garanhão não era muito dado à “cobrir”as fêmeas da fazenda. Esquisito, né ?

O dono alertado pelo empregado,passou a observar o “crioulo”.Volta e meia,estava aos coices e barrancos com outro macho...-“Isso não é normal”,pensou. Vários dias e o fato se repetiu.
Fim de tarde de uma sexta-feira,notou a falta dos dois “garanhões” no pasto que terminava no corguinho “Piranha”. Desceu da montaria e para a sua grande surpresa e espanto, os cavalos estavam mortos à beira do riacho. O “garanhão tarado”, “coberto” num potro de sua estimação,pelo qual nutria especial cuidado. Aborrecido ao ver uma cena tão inimaginável e incomum, relatou o ocorrido ao Leopoldino, capataz da fazenda.Vendo um leve e maroto sorriso do empregado, quis saber o por que da reação tão normal do empregado. Léo, Foi curto e grosso:- “Patrão, cavalo quando acha bonito o trazeiro do outro, acontece isso...”

-“Isso o quê, Léo!”, indagou. –“Me conta”, insistiu.
-“Dotô, é o seguinte:cavalo tarado não tem noção(?) e bunda bonita, fica louco para “entrar”.Quando tá na “metade”,arrepende e quer tirar. O “outro” que não estava esperando “por isso”, leva um susto tremendo e...”tranca”. Então, vem o dilema: o que “colocou”,espera que o “outro”afrouxe para ele sair. O “outro sofredor”, pensa diferente. Se eu afrouxar ele “entala tudo”. Daí, patrão, os dois morre(...), entendeu?”

P.S.- A historinha acima, é mera fantasia. Não tem nada a ver com a planta de amônia da Petrobras e o gasoduto de Betim, tão ansiosamente esperados pelos uberabenses...


Luiz Gonzaga de Oliveira

JOAQUIM – O TIRADENTES

    Ouro Preto está fervilhando. Gente saindo pelo “ladrão”.21 de abril, comemora-se a data do “proto-mártir”da independência do Brasil, Joaquim José da Silva Xavier. Tudo começou nas Minas Gerais onde Joaquim era popularmente conhecido como Tiradentes, pois que, através o seu padrinho Sebastião, antigo dentista prático, passou a se dedicar a profissão que lhe rendera o apelido. Nascido em 1746, em Zitápolis, perto de Vila Rica, morreu em 1792, no Rio de Janeiro. Sem dúvida, Tiradentes foi o mais famoso e importante dentista história pátria. Não foi só isso.Militar,tropeiro,comerciante,minerador e um respeitável ativista político. Filho de portugueses,donos de uma pequena propriedade rural, tinha oito irmãos. Ficou órfão de mãe,antes dos dez anos e perdeu o pai, dois anos depois. Sebastião Leitão, o padrinho, encaminhou-lhe na vida. Ao fazer parte da escola militar, “Dragões de Minas Gerais”, juntou-se a vários integrantes da aristocracia mineira, entre eles, poetas, advogados, fazendeiros, quando Joaquim envolveu-se com o movimento dos inconfidentes, que tinha como objetivo,conquistar a independência do Brasil. 

    Joaquim falava bem, comunicava-se melhor ainda, era convincente e idéias firmes.Organizado, tornou-se líder e estava à frente do movimento embrionariamente, sublevado.Quando tudo caminhava a contento, reuniões crescendo de adeptos , aconteceu a delação de Joaquim Silvério dos Reis...Movimento descoberto, inconfidentes presos e julgados em 1792.Alguns,protegidos da “aristocracia monárquica”, ganharam penas leves, confinados em masmorras ,mas,logo libertados.Outros,sem “padrinhos”, açoite em praça pública e degredo para a longínqua África.Joaquim, sem amparo econômico,frágil em amparo político, condenado à forca !
Decapitado, esquartejado , no campo da Lampadosa, no Rio de Janeiro, a 21 de abril de 1792, as partes o seu corpo foram expostas em postes que ligavam o Rio de Janeiro às terras mineiras. Cúmulo da maldade, até a sua humilde casa, foi queimada por ordem do Reino e os seus poucos bens, confiscados. Joaquim, foi um herói nacional !Deu a vida pela independência do nosso país que sofria o domínio e a exploração de Portugal.O Brasil não tinha Constituição, direito a desenvolver indústrias, além do povo sofrer com os altos e escorchantes impostos cobrados pela Côrte.Nas regiões mineradoras, o “quinto”( imposto sobre o ouro extraído das nossas terras) e a “derrama”, causavam revolta na população.Tiradentes, o Joaquim, sonhava em ver um Brasil livre e independente ! E as”causas” da Inconfidência Mineira”,perguntarão ?

    - A escrava exploração colonial de Portugal ao Brasil –A cobrança do “quinto”(20%)taxa cobrada pela Coroa Portuguesa do ouro brasileiro que ia para os cofres portugueses.-----Quem não pagasse, sofria pesadas punições,incluindo o degredo (deportação)para a África---Criação da “derrama”.Cada região aurífera, tinha que pagar 100 arrobas ( 150 kilos!)de ouro, por ano, à Portugal. Se a região não conseguisse “cobrir a cota”,sol dados invadiam casas e retiravam ,à força, objetos de valor,até completar o imposto devido. A “derrama”foi o estopim da revolta !—a vontade da elite brasileira à época, em participar das decisões políticas do Brasil—a forte influência do liberalismo por parte de intelectuais brasileiros em contato com o pensamento liberal europeu, que defendia a liberdade e a democracia. Causas plenamente justificáveis !

    Joaquim, o Tiradentes,não era nenhum intelectual.Porém,interessava-se por atividades políticas e teve contatos com Alvarenga Peixoto, Tomaz Antônio Gonzaga, Cláudio Manoel da Costa, poetas respeitados ,seus companheiros de movimento. Presos,muitos dos inconfidentes,temendo punições severas,não confessaram seus crimes.O único a fazê-lo foi Joaquim, o Tiradentes e que, por isso, recebeu a pena capital. A imagem de Joaquim,o Tiradentes, é o ícone da Liberdade e da Independência do Brasil,o grande Herói da Nação !

    Desde 1965,lei federal instituiu o 21 e abril,como feriado nacional e, oficialmente, Patrono da Nação Brasileira ! A Medalha da Inconfidência é a mais alta Comenda concedida pelo governo mineiro, atribuída a personalidades que contribuíram para o prestigio e projeção de Minas Gerais. :Criada em 1952, no governo JK, tem quatro designações : Grande Colar ( Comenda Extraordinária), Grande Medalha, Medalha de Honra e Medalha da Inconfidência.


Luiz Gonzaga de Oliveira

terça-feira, 18 de abril de 2017

A FAMÍLIA DO BARULHO


Primeiros Filmes de Júlio Bressane



Guido Bilharinho


O Insólito e o Enigmático



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Sob a influência ou sugestão do título, A Família do Barulho (1970), de Júlio Bressane, não se vá pensar em assistir filme mentalmente burocrático na concepção e convencional na efetivação.
Ocorre justamente o oposto. Liberto de todas as amarras usais, Bressane realiza película desataviada e invulgar, na qual apresenta flagrantes relacionais familiares pautados pelo nonsense, mas, em que desenvolve pelo menos duas linhas ficcionais que se articulam como ligamentos de cenas e sequências: a contratação de odalisca e as reincidentes tentativas da personagem representada por Helena Inês de ser aceita pelo protagonista que a esnoba, não obstante sua beleza e dotes físicos.
Todavia, num filme anticonvencional no mais alto grau, esses eixos diegéticos apresentam-se também incomuns e até mesmo enigmáticos em decorrência da elisão propositada de causas e motivações de certas atitudes das personagens.
Os relacionamentos são sempre conflituosos e agressivos, não, porém, com raras exceções, sob o timbre costumeiro de intrigalhadas e discussões prosaicas. Os conflitos são de natureza diversa, decorrendo da constatação da natural animalidade do ser humano que, despido de elaboração e amadurecimento emocional e destituído de controle racional, estadeia-se na pura organicidade do viver, apresentando condutas e atitudes incompreensíveis, se vistas e analisadas sob os parâmetros invocados, ausentes da formulação e da estruturação fílmica, pautadas pela organicidade concepcional e pela percepção da animalidade humana.
Por essa via, procede-se ferina crítica contra a falta de sentido da vida da maioria dos indivíduos, já que expostos e tratados pelo viés de congênita rudeza e grosseria.
É filme furioso, sem nenhuma complacência com a recôndita e usualmente disfarçada natureza humana e totalmente indiferente à aceitação e recepção pelo público, não lhe fazendo nenhuma concessão.
Não se insere nem se coaduna, por isso, com o circuito comercial de exibição, onde os espectadores “normais” e convencionais o repudiariam, em decorrência do condicionado e insalutar hábito desse tipo de público de se comprazer apenas com a superficialidade, o facilitário, o comadrismo e a intrigalhada da ficção produzida pela indústria do entretenimento.
Por isso também é filme que apresenta, às vezes, demorada fixação de cenas pela necessidade e importância da apreensão atenta da imagem exibida.
Além disso, veicula cenas absolutamente insólitas e enigmáticas como as do aeroporto e, principalmente, a algumas vezes repetida e invocada sequência em que misteriosa mulher ignora e se afasta de homem ajoelhado a seus pés em atitude implorativa, justamente o oposto do que ocorre entre a personagem desconsiderada e o protagonista.
Enfim, filme que, como todo o cinema marginal, resgata a liberdade e independência intelectual do artista numa sociedade dominada pelo convencional, o manipulado e o espetaculoso, deformações que se têm avolumado e agravado, a ponto de marginalizar e até exilar o saber, o conhecimento, o estudo, o esforço, a criatividade e a inventividade.

(do livro Seis Cineastas Brasileiros. Uberaba,
Instituto Triangulino de Cultura, 2012)

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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de Literatura (poesia, ficção e crítica literária), Cinema (história e crítica), História (do Brasil e regional).

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(Obras-Primas do Cinema Brasileiro:
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toda segunda-feira novo artigo  Acesse: https://www.facebook.com/obrasprimasdocinemabrasileiro/.
(Brasil: Cinco Séculos de História:
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toda quarta-feira novo capítulo -
Acesse: https://www.facebook.com/brcincoseculosdehistoria/?fref

domingo, 16 de abril de 2017

TERRA MADRASTA

Orlando Ferreira, doca 

     Orlando Ferreira, era filho do negociante Bento José Ferreira e nasceu em 1887, em Uberaba. Foi seminarista, recenseador, escritor e crítico ferrenho dos maus políticos, da igreja católica e de algumas famílias tradicionais da cidade. Faleceu 1957, aos setenta anos. O livro Terra Madrasta (1928?), tece críticas à política mineira, afirmando que ela é a responsável pelo atraso do estado e exemplifica, com dados dos recenseamentos de 1872, no qual a população mineira era maior que a paulista, e de 1920, quando São Paulo já alcançava Minas em número de habitantes.

Critica também o governo político de Uberaba, qualificada como “...uma obra de liliputianos."[1] e afirma que as forças oponentes ao progresso do município são: a administração, a política, o clero, a empresa Força e Luz e algumas famílias tradicionais.

Afirma que, embora houvesse na cidade uma razoável arrecadação – mostrada por meio de quadros estatísticos da receita e da despesa, de 1836 a 1925 – ela não era bem aplicada e as ações dos prefeitos não iam além de tapar buracos com terra, capinar ruas, construir pinguelas, matar cachorros, nomear e demitir funcionários e arrecadar impostos. Questiona porque em um século, das 155 ruas da cidade, apenas 11 foram pessimamente calçadas e 3 praças, das 19 existentes, estão em bom estado. Ironicamente, aponta a falta de seriedade nos critérios para se classificar as cidades mineiras no ranking do desenvolvimento, pois, apesar de todo o retrocesso, Uberaba ainda conseguiu ocupar o terceiro lugar na classificação.

Apresenta como entraves do progresso municipal: uma gestão destrói as realizações da outra; administra-se a esmo, sem uma diretriz segura; emprega-se material barato nas construções; trabalha-se às pressas e falta espírito cívico aos administradores. Afirma ainda que edifício da Câmara é novíssimo e já apresenta “assoalho em falso que estremece e sacode os móveis.”

Descreve positivamente a administração do Dr. Leopoldino de Oliveira, apontando-o como o prefeito que não deixou dívidas para a gestão seguinte, exonerou funcionários inúteis, prestou assistência técnica às escolas, apoiado por Alceu Novaes, e elaborou um novo programa de ensino municipal que previa o aumento no salário dos professores, a realização de concursos e a seleção de pessoas habilitadas para o exercício do magistério.

Confronta por meio de quadros demonstrativos, a taxa de mortalidade de Uberaba com a de outras cidades, no período de 1908 a 1920, e expõe as péssimas condições de higiene da cidade devido à falta de água.
Assegura que havia corrupção, assassinatos, espancamentos, compra de votos, suborno e registros em atas falsas, nos pleitos eleitorais na cidade.
Dedica uma parte a criticar a empresa Força e Luz e a atuação política de seus proprietários e o clero uberabense.

Registra os nomes das ruas do município, em 1923, e relatos sobre as fotografias usadas na edição.
A obra é um rico conjunto de dados relacionados à trajetória dos prefeitos da época vivida por Orlando Ferreira que, além de reunir fotos, documentos de jornais e estatísticas do município, importantes para a visão da cidade como um todo, também desperta no leitor o pensamento crítico.

Marise Soares Diniz

Outras obras do acervo: Forja de Anões (1940) e Pântano Sagrado (1948)

Acervo: Arquivo Público de Uberaba

Terminal Rodoviário de Uberaba

Terminal Rodoviário de Uberaba - Anos 2000

A criação do Terminal Rodoviário de Uberaba foi feito através do Decreto Lei nº 433, de 07 de fevereiro de 1944, na Praça da Bandeira (atual Praça Dr. Jorge Frange). O projeto inicial foi elaborado pelo Serviço de Indústria da Secretaria de Agricultura do Estado de Minas Gerais. Este projeto foi substituído por um novo, executado pelo Engenheiro Dr. Tomás Bawden, em 1943, por determinação do Prefeito Carlos Martins Prates. O Terminal Rodoviário funcionou precariamente, de 1944 até 06 de julho de 1945, quando foi concluído. De acordo com o jornal "O Triângulo", inauguradas que foram as dependências do Terminal Rodoviário, passou a Prefeitura a alugá-las, recebendo por isso, cerca de dois mil e poucos cruzeiros mensais, o que veio acontecendo até abril de 1948. As verdadeiras finalidades, entretanto, não foram concretizadas. A falta de regulamentação criava sensível embaraço aos passageiros e às próprias Empresas que exploravam o serviço, pois, as passagens não eram adquiridas em local próprio e os veículos não tinham ponto certo de partida e chegada, causando, tudo isso, uma série de confusões e de dificuldades. Mesmo os serviços de despacho e de encomendas não eram convenientemente oficializados, dando motivo a constantes extravios e reclamações por parte dos interessados. Por outro lado, a renda auferida pela Prefeitura, em relação ao capital arrecadado e aos gastos de conservação do edifício, era quase nula. Inteirado de tudo isso, o Sr. Dr. Boulanger Pucci, meses após a sua posse na direção dos negócios municipais, determinou que o Serviço de Patrimônio elaborasse os necessários estudos, não só para a regulamentação do Serviço de Transporte Coletivo Inter-municipal, como, também, o Regimento Interno do Terminal Rodoviário. De posse dessas sugestões, o Sr. Prefeito encaminhou à consideração do Legislativo os projetos de Leis necessários, convenientemente justificados. Aprovadas que foram as matérias e imediatamente convertidas em Lei, foram, logo, postas em execução. Os resultados obtidos excederam todas as expectativas. Assim, o Terminal Rodoviário de Uberaba, trouxe grande movimento e desenvolvimento para o Bairro São Benedito; inúmeras pensões, hotéis, bares, postos de serviços, garagens, etc., se instalaram nas imediações da Praça da Bandeira, bem como inúmeras construções foram levadas a efeito. Houve um aumento significativo quanto ao número de embarques e desembarques de passageiros, mantendo assim o horário fixo para os itinerários dos veículos. O antigo Terminal Rodoviário de Uberaba, com o passar do tempo foi se tornando pequeno e inadequado, para a população que crescia. Então, no dia 22 de dezembro de 1972, durante a gestão do Prefeito Municipal de Uberaba, Arnaldo Rosa Prata, inaugurou-se o Novo Terminal Rodoviário de Uberaba, localizado na Praça Dr. Carlos Terra, no Bairro São Benedito. No início da segunda quinzena de dezembro de 1999, na gestão do Prefeito Municipal de Uberaba, Dr. Marcos Montes Cordeiro, o Terminal Rodoviário passou por uma reforma geral, sendo reinaugurado no dia 1º de setembro de 2000.

(Arquivo Publico de Uberaba)



sábado, 15 de abril de 2017

Reforma da Catedral

    Reforma da Catedral



    Eleita, no ano passado como umas das Setes Maravilhas de nossa cidade, a Catedral Metropolitana foi fundada com o nome de paróquia de Santo Antônio e São Sebastião, em 2 de março de 1820 vinculada à então diocese de Goiás.

    Em 1890, o Bispo de Goiás Dom Eduardo Duarte e Silva solicitou à Santa Sé a criação de uma diocese com sede em Uberaba, por causa da grande extensão territorial da diocese de Goiás. A Santa Sé condicionou  sua criação à construção de uma Catedral. Dom Eduardo mandou construir, então, a atual Igreja do Santíssimo Sacramento (antiga Adoração)para a Catedral de seu bispado. Essa construção foi concluída em 30 de setembro de 1905, mas só foi inaugurada em 27 de janeiro de 1907 e, com a criação da Diocese de Uberaba, passou a condição de Catedral, em 29 de setembro de 1907.

    Em 1926, Dom Frei Luiz Maria de Santana transladou o título de Catedral para a primeira igreja da cidade de Uberaba, a Paróquia de Santo Antônio e São Sebastião. Por ser padroeiro da diocese o Sagrado Coração de Jesus, a nova Catedral do Sagrado Coração de Jesus e de Santo Antônio e São Sebastião.

    A Catedral tem como padroeiro titular o Sagrado Coração de Jesus e padroeiro secundário, Santo Antônio e São Sebastião.

    Tornou-se Catedral Metropolitana com a elevação da diocese a Arquidiocese de Uberaba, em 14 de abril de 1962. 

     É um grande patrimônio de nossa cidade e cabe a nós, cristãos e cidadãos, o cuidado e a preservação desse patrimônio.

    Ao fazermos o planejamento da nova pintura, que se faz necessária há algum tempo deparamo-nos com a necessidade urgente e delicada de renovar as instalações elétricas e o telhado. Nas instalações elétricas ainda existem fiação de pano; o telhado precisa ser trocado, pois, em uma das chuvas ocorrida neste ano, a sacristia foi inundada. Se não consertarmos o telhado antes da pintura, as infiltrações e os riscos de curtos circuitos, pela fiação muito antiga, serão uma constante e o serviço será perdido.

    Sendo assim, feitos os orçamentos e o levantamento da mão de obra para troca geral do telhado e da instalação elétrica, chegou-se ao montante de R$244.227,78 (duzentos e quarenta e quatro mil, duzentos e vinte sete reais e setenta e oito centavos).

    Para essa reforma se viabilize, o Conselho Paroquial Administrativo optou pela realização de um bingo de um carro 0 km. Estão sendo vendidas 10.000 (dez mil cartelas) no valor de R$15,00 cada. Para que alcancemos esta meta e tenhamos os 150.000,00 livres, precisamos ainda de patrocinadores para aquisição do carro.

    Estamos abrindo o Livro de Ouro da Catedral. Neste livro, serão colocados os nomes das famílias que generosamente contribuírem com as ações promovidas por nossa Igreja, no  que diz respeito  às necessidades financeiras,sendo,neste primeiro caso, a troca do telhado e a parte elétrica. Esse livro ficará futuramente sobre o Altar-mor da Catedral, no Presbitério, onde sempre se celebra a Eucaristia e de onde virão as bênçãos de Deus sobre as famílias que não medirem esforços para a manutenção de nossa Catedral.


Serviços a serem executados:

Ref. ORÇAMENTO PARA A TROCA DO TELHADO

Segue abaixo relatório sintético de serviços e estimativas de materiais para o FEITIO dos serviços solicitados.
SERVIÇOS A SEREM EXECUTADOS NO TELHADO:

*Retirada e recolocação geral do ripamento;
*Colocação geral de uma manta de proteção;
*Retirada e colocação geral de todas as telhas e emboque, sendo as novas telhas do tipo cerâmica, modelo AMERICANA – M-14, de cor vermelha, sem impermeabilização;
*Reforma dos chumbamentos das calhas e rufos existentes;
*Reforma de parte dos reboques das platibandas da CATEDRAL.

SERVIÇOS DE TROCA DOS CONDUTORES NAS PAREDES:

*Acreditamos que não será necessária a troca, porém, após as devidas análises, iremos decidir se realmente teremos que efetuar esse serviço.
Por isso, apresentamos os valores separadamente.


1-ORÇAMENTO PARA A TROCA DO TELHADO COM A MANTA, APENAS NA PARTE QUE NÃO TEM LAJE (ATRÁS DO ALTAR):

*VALOR TOTAL DOS SERVIÇOS.....................57.650,00
*VALOR ESTIMADOS DOS MATERIAIS........77.782,00
*VALOR TOTAL GERAL...................................135.432,00


2-ORÇAMENTO PARRA A TROCA DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS:

*VALOR ESTIMADO DOS MATERIAIS..........80.589,47
*VALOR TOTAL DOS SERVIÇOS ...................28.206,31
*VALOR TOTAL GERAL..................................108.795,78


CUSTO TOTAL PARA A TROCA DO TELHADO E DAS INSTALAÇÕES ELÉTRICAS: R$244.227,78.



 (Órgão oficial de Comunicação da Arquidiocese de Uberaba).



                                                                                                                         

Jubileu de Ouro da Renovação Carismática Católica

Grupo de Oração São  Domingos no Santuário  da Medalha Milagrosa 

    A Revolução Carismática Católica (RCA) é um movimento eclesial da Igreja Católica, surgido a partir de um retiro espiritual realizado no final de semana de 17 a 19 de fevereiro de 1967, na Universidade de Duquesne,localizada na cidade Pittisburgh(Pensilvânia,EUA).O retiro foi idealizado por estudantes universitários que propunham um aprofundamento e uma melhor vivencia da fé cristã.
    Segundo seus organizadores, aquele final de semana em Duquesne foi essencial para o movimento criar “corpo físico”. O retiro foi organizado pela sociedade estudantil Chi-ro, que foi criada para motivar a oração, a atividade litúrgica, o testemunho cristão e a ação aos universitários. Inicialmente, o encontro teve como tema os “Sermões da Montanha”e,por interferência de dois professores, os participantes sugeriram uma modificação,passando a buscar um aprofundamento do livro “Atos dos Apóstolos”e do livro A Cruz e o Punhal”, que relata a historia do pastor David Wilkerson, que pregava o evangelho ao  submundo de Nova Iorque como sinal de libertação aos jovens viciados e violentos da daquela metrópole.
    O surgimento da RCC está relacionado a outros acontecimentos na Igreja Católica, ocorridos desde o final do  século XIX escreveu a Encíclica Divinum IIIud Manus que descreve sobre a natureza do Espírito Santo e sua ação na vida do fiel.


Encerramento da Escola de Formação RCC em 1997


    A Encíclica seria uma resposta  do pontífice incomodado com a insistência de uma freira, beata Helena  Guerra, que lhe escrevia da pouca atenção que Igreja dava à pessoa do Espirito Santo mais popular, o mesmo papa celebrou uma Missa consagrando o século XX à Pessoa do Espírito Santo. Nesse século, o papa João XXIII manifestou sua vontade de que o Concílio Vaticano II fosse guiado pelo Espírito Santo e, ao convocar o Concílio, o papa rezou pedindo um novo Pentecostes para toda Igreja. O Concílio então, deu a fundamentação para que mais adiante se iniciasse a RCC. O Concilio terminou em 1965 e, no ano seguinte, aqueles jovens da Universidade de Duquesne começaram a questionar sua vida espiritual e seu apostolado, pedindo o mesmo que João XXII.
    A RCC teve um crescimento muito rápido no mundo e principalmente no Brasil, tornando-se um dos movimentos dentro da Igreja Católica que mais possui adeptos, na atualidade.
    Os primórdios da RCC da Arquidiocese de Uberaba estão ligados ao surgimento do grupo de jovens da Igreja de São Domingos, iniciado na Páscoa de 1973. Alguns desses jovens participaram de um retiro em Campinas, considerado como a “primeira Experiência de Oração”, por ensinar e motivar esse grupo a realizá-lo em Uberaba. A Revolução Carismática de Uberaba está intrinsicamente ligada a RCC de Campinas/SP, tendo um vínculo afetivo  com ela, na pessoa do Padre Haroldo Rahm,sacerdote extremamente importante não somente para o movimento da cidade, mas para toda RCC do Brasil, devido a sua disposição em organizar as “Experiências de Oração”(encontro de iniciação),que são características fundamental do movimento.
    Sem dúvida, a ida a  Campinas foi fundamental para a realização da Primeira Experiência de Oração em solo uberabense,em1974.Os jovens de Uberaba que foram ao estado de São Paulo foram a carta de apresentação da cidade para RCC do Brasil, colocando a cidade mineira na rota de desenvolvimento do movimento.

         Diego Freitas
Coord. Arquidiocesano da RCC
                                                                                                                                                               
                

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Uirapuru Iate Clube

Uirapuru Iate Clube Uberaba

Uma das primeiras fotos aéreas clicada pelo fotografo Paulo Nogueira, no início dos anos 60, mostrando a então UNIUBE, do lado direito, e do lado esquerdo no alto da foto também, o lago do Uirapurú e o Aeroporto, com sua pista ainda de terra.                                                                                                 
                (Foto do acervo pessoal de Paulo Nogueira)


Acesse:https://pt.foursquare.com/v/uirapuru-iate-clube/4c770b7159a3236a18bac018

RIO GRANDE – NOSSO POLÍTICO-MOR

Ergamos nossas preces ao Criador e ao descuido do major Eustáquio de Oliveira, por estarmos ligados a poucos kilômetros do Rio Grande e dividir-nos com o progressista estado de S.Paulo.Se não tivéssemos essa divina sorte, se o rio caudaloso e piscoso, “pai” de tantas hidrelétricas , benéfico e político, seu curso fosse a mais ou menos 100 kilômetros daqui, “adiós mariquita linda”,como dizia o meu inesquecível amigo, jornalista Ramon F.Rodrigues.

Pela graça eterna, conseguimos manter o Distrito Industrial-III-,sob nossos domínios e foro uberabense.O então povoado de Delta,a vida inteira dependente de Uberaba, limítrofe da Vale,”virou” cidade ,por puro capricho eleitoreiro e político de um deles, “ aquartelado” na terrinha. Senão....

Por causa da ex-Fosfértil,hoje,Vale, as indústrias misturadoras foram chegando.Enquanto a margem mineira ao lado da indústria ia crescendo, começaram a desaparecer as grandes empresas de Uberaba.Textil (500 empregados)faliu.Curtumes Dorneld e Budeus( 400 funcionários),fecharam.Cimento “Ponte Alta”( 1500 empregados),desativou.Produtos Céres,única indústria de esmagamento de óleos de soja,algodão e amendoim (600 funcionários),foi às “calendas”. Indústria de Papel “São Geraldo”,única na região, (400 empregados), foi para o “caixa prego”...Botinas “Zebu”,nome internacional,orgulho da cidade,(500 colaboradores), é só saudade...Tem mais”baixas”, muitas! Deixo de lado....

Fico a rever com meus “botões”,qual foi a ação prática, efetiva, que os “mandões” da terrinha tomaram para tentar reverter essas perdas irreparáveis? Confirmo,citei algumas .Elas são dezenas em outras atividades comerciais , industriais e prestadoras de serviço...se são!...

Além dos nossos políticos “meia-tijela”, onde estavam os nossos empresários? As entidades de classe,criadas para defender e apoiar o crescimento da amada terrinha ? Tenho comigo que, nem na “missa de 7º dia” do “falecimento” dessas grandes empresas, propulsoras do nosso progresso, eles não compareceram à dar os pêsames aos “empresários falecidos”...Fica a minha dúvida. Arrepia-me todos os pêlos do corpo,ao lembrar o desinteresse , o alheiamento das lideranças uberabenses , incluindo,sem medo de cometer injustiça, a nossa imprensa. Ela,tão pródiga em noticiar mortes,arrombamentos,roubos, fotos de festas dos “colunáveis” que viajam ,semanalmente,para o exterior, sem falar das “prometidas conquistas do poder público para a cidade” e que nunca saem do papel...

Ver uma Câmara de Vereadores ,insípida, insossa,inodora e incolor,num eterno e humilhante “beija-mão”ao Executivo.Não sentir um trabalho de fôlego que justificasse o salário mensal que embolsam,polpudo,diga-se. Nossas entidade classistas, assistirem,passivamente, deteriorar-se o centro comercial da cidade, rua Artur Machado e adjacências..Tristeza? Muita !

Mágoa é o que sinto.Magoado pela inércia de quem deveria trabalhar pela cidade,administrar de fato a nossa amada terrinha.Mágoa,eu sei,é um sentimento que o cristão não deve cultivar.É o mal em essência em pequeno espaço.Rogo a Deus, não quero guardá-la.

Uberabenses, conterrâneos meus, vamos dar um brado de alerta e que o uberabense nato e acendrado amor à terrinha, nas próximas eleições, saiba com lealdade e cidadania, escolher um representante à altura da nossa cidade. Basta de forasteiros !


Luiz Gonzaga de Oliveira

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Bar do Chuá

Bar do Chuá


#UberabaFotos
 Bar do Chuá , perto de Uberaba, a caminho de Campo Florido e Conceição das Alagoas. Na semana que passou foi demolida a construçao centenária, referência ao longo de décadas para quem chegava a Uberaba. O fogão por onde passaram milhares de pastéis e outros salgados e quitutes ainda está lá... Quem sabe os estúpidos que fizeram a demolicao deixem o fogão como lembrança de tanta história. Bye,bye antigo Triângulo Mineiro...

(Paulo Paiva Nogueira)

Igreja de Santa Rita dos Impossíveis

Igreja de Santa Rita dos Impossíveis 

#UberabaFotos A foto retrata a Igreja de Santa Rita antes da reforma de 1939, ainda sem nenhum melhoramento à sua volta. (Praça Coronel Manoel Terra)


"A edificação da Igreja se deu em 1854, por iniciativa de Cândido Justiniano da Lira Gama, em cumprimento a uma promessa. Vinte anos mais tarde, a Igreja foi concluída pelo negociante, Manoel Joaquim Barcelos. Era o cumprimento de mais uma promessa. O negociante não poderia ter filhos, e por isso prometera ampliar e terminar a Igreja, caso viesse a ser pai. As obras foram concluídas em 1877.

'Tombada pela SPHAN, em 19 de maio de 1939, a Igreja começou a ser restaurada naquele ano, graças aos esforços de Gabriel Toti e do Coronel Antônio Zeferino dos Santos, com licença concedida pelo Vigário Capitular Monsenhor Joaquim Thiago dos Santos, em 03 de julho de 1939. As obras, dirigidas pelo Engenheiro Alberto Ferreira, foram concluídas em 01 de Janeiro de 1941. Sofreu novas restaurações em 1979 e em 1986' (IEPHA, 1989).

Em 1987 foi transformada em Museu de Arte Sacra, mas, somente em 02 de julho de 1993, foi oficializado, pela lei Nº 5.129, com o nome de 'Museu de Arte Sacra do Brasil Central'."

Foto: Ângelo Prieto

Fonte: Acervo Público de Uberaba

Posto de Gasolina Frei Eugênio

Posto de Gasolina Frei Eugênio.

Foto:Autoria desconhecida                                                                                                                                                                         

Praça: Frei Eugênio


#UberabaFotos Imagem da década de 1930 do Posto de Gasolina Frei Eugênio em Uberaba, à esquerda do Pavilhão Henry Ford, construído em 1927 pelo Deputado Fidélis Reis para compor o Liceu de Artes e Ofícios, hoje Centro de Cultura José Maria Barra. 



Foto: Autoria desconhecida



Fonte: Arquivo Público de Uberaba

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Equipe de judô do colégio Cristo Rei de Uberaba

Equipe de judô do colégio Cristo Rei
 Desfile de 7 de Setembro ano 1969. Equipe de judô do colégio Cristo Rei de Uberaba. Comandado pelo Professor Tranquilo Baliana.

Foto:Autoria desconhecida

Praça Rui Barbosa.

(Foto do acervo pessoal de Tranquilo Baliana)                  

A criação da Diocese de Uberaba

Foto: Arquivo Público Mineiro/Anos: 1859 a 1889

#UberabaFotos Foram várias as dificuldades na criação da Diocese de Uberaba. Naquela época em que a viagem de navio durava vinte dias, Dom Eduardo foi quatro vezes à Europa. Uma para estudar; outra quando nomeado bispo de Goiás e na terceira para conseguir missionários para sua Diocese. Na quarta vez, por tratar da saúde, abalada por neurastenia, na França, o fato lhe deu a oportunidade de contratar Irmãos Maristas para o Colégio de Uberaba, e trazer consigo Redentoristas alemães.

Um detalhe: de passagem por Lisboa, Dom Eduardo foi preso por portar dois pacotes de rapé, espécie de tabaco em pó para inalar, cujo consumo era bastante comum no Brasil até o início do Século XX, mas explicou-se e foi solto. Ele já tinha sido preso por indígenas, por ocasião de uma visita pastoral aos selvagens Javés, em Goiás (Autobiografia, Goiânia, 2007, pag. 154).

Dom Eduardo foi eleito Bispo de Goiás pela Bula de 22 de janeiro de 1890. Em 08 de fevereiro de 1890, em Roma, foi sagrado Bispo pelos cardeais Parochi e Rampola del Tindaro — este, Secretário de Estado do Papa Leão XIII — que, por sua vez, atuava como protetor de Dom Eduardo em Roma e praticamente o absoluto coordenador de tudo o que se referiu à criação da Diocese de Uberaba.

Por que uma nova Diocese no interior do Brasil?

A Diocese de Uberaba foi criada como forte sinal de reparação ao ultraje republicano que prejudicou a Diocese de Goiás e humilhou seu Bispo Diocesano. Interpretando bem o Apocalipse, a Igreja reconheceu Dom Eduardo como perseguido e o reconduziu à condição do justo vencedor perante a Justiça Eterna. Não foi só uma revanche, foi uma atitude de fé em Cristo Nosso Senhor, Cabeça da Igreja, o Divino Criador e Eterno Estabilizador de sua Igreja.

Dom Eduardo foi um herói; mesmo já tendo missionários e missionárias da Ordem Dominicana, muitas paróquias em Goiás e no Triângulo Mineiro estavam acéfalas e providas unicamente de padres idosos. Ele, então, procurou na Europa congregações religiosas que o ajudassem na evangelização. Com auxílio do Cardeal Rampola, conseguiu os Irmãos Maristas franceses e os Redentoristas alemães.

Certa feita, Dom Eduardo, a contragosto, mas por determinação do Cardeal Rampola, cedeu dois Redentoristas para o Santuário de Aparecida/SP, e  teve de contar somente com os Redentoristas de Barro Preto (hoje Trindade/GO) para cuidar da Devoção do Divino Pai Eterno. Na viagem até Goiás, os padres alemães só podiam conversar com Dom Eduardo em latim. Já em Uberlândia, Padre Speelt e Dom Eduardo foram homenageados com as danças do Congado Moçambique. Ao fim da apresentação, Dom Eduardo perguntou a Padre Speelt:

- Qui tibi videtur? (Que tal te parece?)

- Admirabilia. (Admirável folclore).

A vinda de Dom Eduardo para Uberaba

Em razão da perseguição religiosa republicana, Dom Eduardo resolveu sair de Goiás e vir para Uberaba, onde chegou em 10 de agosto de 1896 e foi recebido  festivamente com discursos, banda de música e desfiles, após desconfortável viagem em lombo de burro, com seminaristas, cabido diocesano, livros, biblioteca, paramentos e arquivos.

Daqui, Dom Eduardo visitava sempre as paróquias de Goiás e do Triângulo Mineiro. Em 1907, no povoado de Água Suja (hoje Romaria-MG), ele elevou a humilde capela a Santuário Episcopal de Nossa Senhora da Abadia de Água Suja — hoje frequentado por milhares de romeiros —, entre julho e agosto.

Em homenagem à cidade que o acolheu tão bem, Dom Eduardo conseguiu do Cardeal Rampola a promessa da criação da Diocese de Uberaba, desmembrando-a da Diocese de Goiás, sob duas condições: conseguir um grande patrimônio destinado a garantir a subsistência diocesana e a construção de uma nova igreja de cimento armado, que seria alçada ao status de Catedral.

O cimento armado já tinha sido introduzido em Uberaba por construtores italianos, em 1900, na restauração das duas atuais torres da Matriz, na Praça Rui Barbosa. A exigência do cimento armado foi para que não se reproduzissem as péssimas condições de conservação da antiga Matriz, vetada por Roma para ser a futura Catedral e que era praticamente um pardieiro de ripas despencando do telhado em um simplório salão de paredes de pau a pique. Por isso, a primeira Catedral de Uberaba não seguiu a regra geral de todas as outras novas Dioceses brasileiras, que sempre escolhem a Igreja Matriz no centro da cidade para ser Catedral.

Uberaba tem o dia 02 de março como festiva data municipal em memória à criação da Paróquia, em 1820, por ato do Rei de Portugal (e não por ato de um Bispo) Até a instituição dos atuais cartórios civis (republicanos), todo pároco era praticamente um funcionário de cartório a serviço do Império, que usava os registros paroquiais como listagem de possíveis contribuintes de impostos. Durante o Império, todos os bispos e párocos recebiam vencimentos, as “côngruas”. O livro paroquial tinha três colunas: batismo, casamento e óbito.

As côngruas estavam atrasadas. Assim, Dom Eduardo as requereu e empregou sua verba na construção de sua Catedral e do Palácio Episcopal, reforçando as generosas ofertas das paróquias.

Enfim, a diocese de Uberaba

Pronta a Catedral e garantido o patrimônio diocesano, com terrenos no Alto das Mercês a partir do Largo Cuiabá (hoje Praça Dom Eduardo), em 29 de setembro de 1907, pela Bula Goyaz Diamantina Brasiliana Respublica, do Papa São Pio X, foi criada a Diocese do Sagrado Coração de Jesus, desmembrada das Dioceses de Goiás e Diamantina, sufragânea da Arquidiocese de Mariana.

A posse de Dom Eduardo na Diocese de Uberaba foi complicada, em razão do extravio do “Breve” Apostólico Apostolatus Officium, de 8 de novembro de 1907, que o desligava de Goiás e o nomeava Bispo de Uberaba – tudo isso porque, naquele tempo, a comunicação postal com Goiás era impossível em época de enchentes de rios. A correspondência de Roma se extraviou porque endereçada a Goiás, e não a Uberaba, onde morava Dom Eduardo. Assim, a posse dele ocorreu somente em 24 de maio de 1908 (oito meses após sua nomeação).

Quase três anos antes da criação da Diocese, a Catedral já estava pronta; foi terminada com festa na colocação da última telha, com direito a rojões e cervejada, em 30 de setembro de 1905. Tempos depois, já bem ornamentada para o Culto Divino, foi inaugurada como Catedral, em Missa Solene realizada em 27 de janeiro de 1907.

Em 17 de outubro de 1908, Dom Eduardo assinou o Decreto de instalação do Curato da Sé (transferido para a Praça Rui Barbosa no ano de 1926), com licença papal para a recíproca transferência entre os respectivos padroeiros da Igreja das Mercês e a Igreja da Praça Rui Barbosa – esta, a partir de 1926 até hoje, nossa Catedral no centro da cidade de Uberaba.

Dois fatos históricos em 1923: em 7 de março de 1923, Dom Eduardo renunciou à Diocese de Uberaba e se retirou para o Rio de Janeiro, para tratamento de saúde. Já em 6 de abril de 1923, foi nomeado Bispo de Uberaba Dom José Tupinambá da Frota (Bispo de Sobral/CE desde 1916).

Outros dois fatos históricos em 1924: em 1º de fevereiro de 1924, a Diocese de Uberaba foi desligada da Arquidiocese de Mariana e adida à Arquidiocese de Belo Horizonte. Por seu turno, em 04 de junho de 1924 foi tornada sem efeito a nomeação de Dom José Tupinambá da Frota para Uberaba, proclamando-se a nomeação do padre diretor do Colégio Salesiano de Bagé/RS, Dom Antônio de Almeida Lustosa. Ele recebeu a sagração episcopal em 11 de fevereiro de 1925, com posse na Diocese de Uberaba, em 1º de março de 1925.


Carlos Pedroso - Historiador

terça-feira, 11 de abril de 2017

Júlio Marques, proprietário do “Bar do Dica”

Júlio Marques, proprietário do “Bar do Dica” 
Júlio Marques, proprietário do “Bar do Dica” o famoso Dica. O segredo da famosa galinhada do Dica vai além do tempero. O pai do Júlio tinha apelido de Dica, e com a morte do pai o apelido Dica foi transferido para Júlio.O Bar teve início na década de 1950 na praça da rodoviária velha, e depois transferido para avenida Fernando Costa. Deixou o bar devido à família pedir para desistir da vida noturna.


"Tudo passa nessa vida. Numa determinada, época, na década de 60, havia o BAR E RESTAURANTE "Shell", onde trabalhávamos : eu e meus primos Paixãozão, João Paixão, José Paixão,meus amigos Hélio Quirino, Sebastião que depois se tornou barbeiro. Adair do Calimério que depois passou a vender pipocas no Uberabão, Edésio, o BAR DO ZOTE onde trabalhavam o Alfredo, João, Adrião, Dacobrá, Haroldo, Tiãozinho, Pedrão. a BOATE VIRACOPOS, onde trabalhava o Ivo, cujo proprietário era o Orlando, a RODOVIARIA VELHA, a BOATE LUNA, o BAR DO DICA, dos proprietários Julinho e o pai. havia o meu querido NACIONAL FUTEBOL CLUBE, chegando no ano de 1966, em quarto lugar no campeonato mineiro de futebol. Meu Deus! Fui testemunha de tudo isso, que,. Infelizmente não existe mais! Só ficou saudade!" (Joaquim Paixão Borges)