sexta-feira, 24 de março de 2017

A FOSFÉRTIL EM UBERABA – II –

Decidida e sacramentada a instalação da fábrica nas barrancas do Rio Grande, o prefeito Hugo Rodrigues da Cunha, com a concordância e autorização da egrégia Câmara de Vereadores ( na década de 70, vereador trabalhava com espírito de cidadania e não era remunerado), criou o Distrito Industrial III para abrigar não só a Fosfértil, como também as demais misturadoras que, inexoravelmente, iriam ali se instalar, como soe a acontecer. O programa do governo revolucionário, o “Polo Centro”, na região dos cerrados, terras extremamente pobres em vegetação que, no jargão caboclo, só dava “lobeira e calango”, uma fábrica de fertilizantes viria cobrir essa lacuna no solo, tornando-o mais produtivo. Fator de desenvolvimento não só na nossa região, mas que se estendia por todo o Brasil Central. O “casamento”, insumos agrícolas e fertilidade das terras em função do “Polo Centro”, resultou e ainda resulta, no extraordinário desenvolvimento do setor agroindustrial que o Brasil experimenta.

Só que a chegada dos técnicos mineiros,ciceroneados pelo engenheiro uberabense, Wagner Nascimento,da CDI-MG, foi acompanhada de inúmeras peripécias. Fazendas enormes, terras agricultáveis, proprietários antigos, arraigados a velhos costumes, desconhecendo o enorme progresso que estava chegando para Uberaba,constituindo-se na sua redenção industrial, tentaram impedir, por todas as formas , meios e armas, fosse realizado o levantamento topográfico da área a ser desapropriada...Os fazendeiros e seus capatazes, faziam “piquetes”para impedir o trabalho daqueles “estranhos” em suas terras seculares...-“Onde já se viu,desmanchar os currais, acabar com a nossa roça, desativar os alambiques, onde fazíamos nossa inigualável cachaça?”, lamentavam, raivosamente, os donos das terras..Espingardas cano longo, “treizoitão” carregado de balas, azeitado, esparramando tiros prá cima à afugentar os “intrusos”...

Conhecendo os fazendeiros,Wagner Nascimento,com seu jeitão humilde, educado,bem falante,foi explicando, um a um, o que representava a fábrica para Uberaba.Por algum tempo,continuou a resistência.Em curto espaço,aquiesceram em fornecer informações,documentos da área,discutiram valores da desapropriação,forma de pagamento...

A terrinha ganhou nova vida! Comércio,indústria e serviços, passaram a abastecer a obra. A mão de obra local,se fez presente. Os primeiros funcionários da Petrobras chegavam a cidade.Os aluguéis tiveram demanda. A primeira residência locada foi a do casal Rubens Faria-Zilma Bugiatto, na Santos Dumont, ao encarregado dos primeiros movimentos na instalação, o engenheiro George Pedersen, que mesmo ao final das obras, continuou na cidade.

Uberaba,com a Fosfértil,rejubilava-se!Experimentamos e até hoje, bom surto de progresso.A planta,privatizada,pertence a Vale.Com o crescimento do setor graneleiro, justifica ainda, o “slogan” inicial: “Fábrica de fábricas”...O DI-III, é uma realidade hiper- saudável . Com a unidade, incentivou-se a mecanização no campo, novas tecnologias foram aplicadas e Uberaba, sem favor algum, tornou-se o maior pólo químico da América do Sul !

Graças a Deus, estamos às margens do benemérito Rio Grande, senão...


Luiz Gonzaga de Oliveira

quinta-feira, 23 de março de 2017

Empresa Telefônica de Uberaba (ETUSA)

Empresa Telefônica de Uberaba (ETUSA)   Foto: J. Schroden


Empresa Telefônica de Uberaba (ETUSA), na Rua Governador Valadares, trecho entre a Avenida Doutor Fidélis Reis e Rua Artur Machado. Atual CTBC - Algar Telecom.



Década: 1940


(Arquivo Público de Uberaba)

Manoel Ubelhart Lemgruber


Manoel Ubelhart Lemgruber

No o ano de 1818 o rei D. João VI procurou atrair imigrantes europeus para o Brasil assinando, entre outra ações de incentivo, um decreto destinado a financiar-lhes a vinda e permitir a aquisição de terras, além de impulsionar a construção de edificações que agora deveriam estar à altura de um verdadeiro "Império soberano". Uma vez que a Corte havia sido estabelecida, o ensejo era dinamizar os núcleos urbanos (ou não) para modernizar o país - inclusive o Rio de Janeiro. Como se sabe, a ex-Colônia foi incorporada ao Reino de Portugal depois do fatídico 1808. E foi nesse contexto que algumas famílias suíças estabeleceram-se na região do Cantagalo, fundando fazendas como a chamada Morro Queimado. Em pouco tempo o alvará de 3 de janeiro de 1820 elevou a região à Vila de Nova Friburgo.
Fugindo das dificuldades vividas na Suíça, cerca de 2 mil colonos aventuraram-se na travessia do Atlântico. Contudo, muitos navios sofreram enormes dificuldades, sendo que as viagens chegavam a durar 120 dias de travessia. No Brasil as intempéries não cessaram diante da ocupação das terras inóspitas. Dentre os que participavam da imigração, que abrangeu os anos de 1819 e 1820, estava a família Lemgruber, originária do cantão da Argóvia, na Suíça alemã. Era constituída pelos pais, Inácio e Luzia, com os filhos Antônio, Fridolin, João, Blasius, Marcus, Maria e Fidelis, cujas idades variavam de 2 a 14 anos. Deles descendem os diversos ramos da família Lemgruber que hoje existem no Brasil.
"(...) Cerca de sessenta anos depois, em 1878, Manoel Ubelhart Lemgruber, que pertencia à primeira geração nascida no Brasil, era proprietário da Fazenda Santo Antônio, no município de Sapucaia no estado do Rio de Janeiro. Fizera cursos de engenharia e mecânica na Inglaterra e Alemanha, dominando fluentemente o inglês, francês e alemão. Procurava utilizar em sua propriedade as técnicas mais avançadas no setor da agricultura e da pecuária, fruto das observações feitas nos estudos e viagens que fazia à Europa".
Manuel Ubelhart Lemgruber conheceu o gado zebu em uma de suas visitas a Europa, ocasião que deparou com animais reunidos no zoológico Tiepark Hagenbeck, em Stelling, próximo a Hamburgo, de propriedade do comerciante de animais, o alemão Carl Hagenbeck. Ante aos zebuínos expostos no zoológico, agradaram-lhe animais da raça Nelore do tipo Ongole, dos quais encomendou um pequeno lote que chegou ao Brasil em outubro de 1878, (...) "chefiado pelo touro "Hanomet", cujo nome sofreu a corruptela para "Maomé", onde constavam também as vacas "Vitória" e "Gouconda", que se destacaram pela boa produção.

Os resultados revelaram-se promissores. Tanto que dois anos após, em 1880, ordenou a vinda de um segundo lote, que tinha como reprodutor o touro "Nero" e mais tarde, em 1883, um terceiro lote, com o famoso "Castor", animal que se tornaria inesquecível pelas qualidades e descendência. O plantel de Lemgruber cresceu e o efeito da aclimação do zebu a suas terras foi notório. Fazendeiros como o Cel. Augusto Lopes de Carvalho, Pedro Marques Nunes e Franscisco Machado Fernandes tiveram como sustentáculos de seus criatórios de zebu, o rebanho de Lemgruber.
Na compra de novas levas de animais importados, Manoel Ubelhart selecionava animais provenientes de diferentes fontes, mantendo troncos familiares embasados em três famílias diferentes a fim de evitar à consanguinidade. Também foi precursor, em outros aspectos, às técnicas que permitiam-lhe manter registro particular das reses, controlar a produção leiteira e abater animais que não manifestavam boas características raciais. Após Manoel, o primeiro membro da família a aderir à criação do gado indiano, foi seu primo Lourenço Augusto Lemgruber, proprietário da fazenda Boa Esperança, localizada então no município de Carmo, no Rio de Janeiro.

Na Primeira Exposição Nacional do Rio de Janeiro ocorrida em 1908, o primeiro prêmio foi atribuído ao touro "Pan", de Manoel Ubelhart Lemgruber, enquanto na Segunda Exposição, em 1917, o vencedor foi "Lamarão", de Lourenço Augusto Lemgruber. Na Quarta Exposição Internacional, que comemorava na ocasião o Centenário da Independência em 1922, o campeão foi "Louro", de Pedro Marques Nunes, também considerado parte da criação Manoel U. Lemgruber. Com a morte deste no ano anterior, seu filho Flávio Lemgruber deu continuidade à seleção do rebanho, buscando preservar as características que o distinguiam.

A expansão dos negócios teve prosseguimento com os filhos de Lourenço Augusto Lemgruber - Agostinho Lemgruber, Fidelis e Otacílio Lemgruber. A "linhagem Lemgruber", tocada por Paulo Lemgruber, filho de Otacílio Lemgruber, atravessou os tempos e é ainda hoje um dos maiores referenciais da raça Nelore, preservando características indianas ao bom aperfeiçoamento da mesma no Brasil. Além de ser a raça para produção de carne In Natura mais utilizada e abundante no Brasil, a raça nelore vem, principalmente nos últimos 30 anos, sendo utilizada para o aprimoramento genético. Atualmente esse processo vem crescendo gradualmente e se tornando uma das alavancas comerciais na agropecuária brasileira, recebendo destaque nacional e notoriedade internacional.

DOM ALEXANDRE GONÇALVES AMARAL


Dom Alexandre Gonçalves do Amaral


4º Bispo e 1º Arcebispo de Uberaba 

Data de Nascimento: 12/06/1906

Data de Ordenação Presbiteral: 22/09/1929

Data Ordenação Episcopal: 29/10/1939

Data de Posse: 08/12/1939

Data de Falecimento: 05/02/2002

Nasceu a 12 de junho de 1906 em Carmo da Mata, MG. Sua vocação sacerdotal nasceria do exemplo de seu pai que era vicentino. Dom Alexandre viveu seu bispado motivando a caridade vicentina em toda sua diocese. Batizado a 29 de junho de 1906, ordenado padre a 22 de setembro de 1929. Eleito bispo a 5 de agosto de 1939, sendo a sua ordenação episcopal a 29 de outubro de 1939; Posse em Uberaba a 8-12-1939. Primeiro Arcebispo de Uberaba de 1962 a lº de maio de 1978, quando renunciou juntamente com seu Administrador Apostólico, Dom José Pedro Costa. Viveu 96 anos de batismo, 23 antes do sacerdócio, 73 anos de padre, 39 anos de governo episcopal e 23 anos como bispo emérito, incluídos os 6 dolorosos anos de doença. Sua vida bateu três recordes impossíveis de serem repetidos até o fim do mundo porque, com dispensa canônica pela pouca idade, foi ordenado padre com apenas 23 anos, nomeado bispo com apenas 33 anos e morreu como o mais velho do mundo por antiguidade de ordenação episcopal, pois viveu 63 anos como bispo.

Foi professor de Filosofia e Teologia no Seminário do Coração Eucarístico.

Em sua nomeação, o Núncio Apostólico pediu que ficasse na difícil diocese de Uberaba pelo menos 5 anos sem pedir transferência, ao que Dom Alexandre respondeu; “Ficarei mais de 5 anos, serei enterrado em Uberaba”. Por ser orador sacro, por ter escrito livros, e por outros méritos ocupou a cadeira 21 da Academia de Letras do Triângulo Mineiro.

Em Uberaba, Dom Alexandre construiu o grande prédio do seminário São José, tornou diário o Jornal “Correio Católico”, onde, diariamente tinha uma mensagem sua no famoso “rodapé”. Trouxe para seu bispado três mosteiros contemplativos: das beneditinas, carmelitas e concepcionistas. Trouxe as Carmelitas da Afonso Rato, os capuchinhos, os Padres Sacramentinos para cuidar da Adoração Perpétua, fundada em 1951, as Irmãs de São João Batista do Asilo São Vicente e as Irmãs para cuidar do Orfanato Santo Eduardo. Participou dos estudos das três sessões do Concílio Vaticano II, de 1962 a 1965. Fundou inúmeras Paróquias, ordenou 82 padres.

Na década de 1940 foi considerado o mais notável bispo brasileiro em coordenações de ações da Ação Católica e considerado o maior orador sacro no Brasil. No Correio Católico publicou mais de 4.000 artigos. Por muitos anos, célebres foram os sermões das 7 palavras na sexta-feira santa na Catedral de Uberaba, MG, sempre intermeadas com frases em Latim, Italiano, Francês e termos teológicos citados em grego. Citava Santo Tomás de Aquino em latim.

Era obediente à Igreja. Roma antigamente orientava tudo, até a indumentária episcopal cujos sapatos de fivelas vermelhas, as meias, a faixa à cintura, as casas dos botões da batina. A fivela do sapato episcopal prescrito ocasionou-lhe uma chaga no pé. Dom Alexandre pela obediência não a abandonou. Mancou durante anos. Aquela incomoda chaga só fechou 15 dias depois que a Santa Sé dispensou a exigência daquele sapato.

A Fé Católica não muda, implicações históricas de manifestação da fé podem ser mudadas!

Fonte: Cúria Metropolitana

UM MERGULHO NO PASSADO

O Sr.Oswaldo, morava próximo ao estádio Uberabão, isso em 1989. Sua casinha era de plástico e papelão, ele era sozinho no mundo, vivia de esmolas. Ficou ali bom tempo. Um dia saiu cedo para angariar um café, e quando voltou sua “casinha” estava toda destruída, colocaram fogo em tudo. Eu havia feito uma matéria jornalística com ele para o Jornal de Uberaba, havia poucos dias. No dia que colocaram fogo, passei por lá á tarde, e lá estava seu Oswaldo sentado em sua única cadeira, o que sobrou de sua moradia. Muito triste ele me disse “vou procurar me abrigar em outro canto, Deus me dá outra morada”. Nunca mais tive notícias do Sr.Oswaldo. As imagens abaixo diz tudo.

(Paulo Nogueira)

(Acervo pessoal do jornalista Paulo Nogueira)


Foto: Paulo Nogueira

Foto: Paulo Nogueira

Foto: Paulo Nogueira





A VINDA DA FOSFÉRTIL PARA UBERABA

Em 1975, no auge do regime militar,prisões acontecendo em todo o Brasil, em Uberaba, nossa terra-mãe, o aprisionamento se dava de forma diferente. Um governo estadual ostensivamente hostil, comandado pelo uberlandense Rondon Pacheco, de triste memória,fazia o possível e o impossível para, descaradamente, prejudicar o então lento progresso da terrinha. Os grandes benefícios, as maiores e definitivas conquistas , os favorecimentos “legais”, tudo, tudo era levado , sem dó e muito menos piedade, para a cidade do Governador.Indústrias, escolas, estradas, verbas públicas, saneamento, oportunidade de negócios, só fluíam em uma única direção:100 kilômetros de distância da sagrada terrinha...

Uberaba, nossa terra-mãe, estava completamente órfã. Não tínhamos representantes aliados ao governo revolucionário; o que nos restava eram representantes oposicionistas,sem prestigio e força política que pudessem “brigar” por conquistas locais. Vivíamos no mais completo abandono. Apesar da boa vontade e seriedade do então prefeito Hugo Rodrigues da Cunha, recentemente falecido, era impotente para conter a onda avassaladora de benefícios que Rondon Pacheco, carreava para a “sua”Uberlândia...

Era uma luta vergonhosamente desigual. Uma cidade com espada longa, lâmina afiada e ferina;outra, com uma faca d e cozinha,pequena e sem corte...Alcançar como o oponente?..,

Mas, Deus é justo!Não falha! Apesar do avanço da cidade vizinha fosse estonteante e transparente, ainda assim, Uberaba teve como enxergar uma réstea de luz no fim do túnel. Hugo, sabia...Pertencendo às elites uberabenses,aliado aos revolucionários de 64, numa bela e radiosa manhã de abril, recebeu a confirmação da noticia:Uberaba iria ganhar uma indústria química produtora de fertilizantes ! Mineiramente calado, bem à maneira do nosso povo desconfiado, o prefeito fez segredo da noticia, naturalmente com receio que Rondon soubesse da futura conquista da cidade que ele tanto detestava. De repente,não mais que de repente, estoura a grande noticia ! Uberaba vai ganhar uma “fábrica de fábricas” ! A Valefértil, subsidiária da Petrobras, uma unidade nitrogenada, seria aqui instalada !

Quando Rondon, soube da noticia, “desgrenhou os cabelos”. Quis agir.Era tarde.O fato, consumatum est” (estava consumado...) As jazidas de fosfato de Tapira e Araxá, iriam abastecer a planta de Uberaba. O projeto do mineroduto concluído e tudo estava pronto para o seu inicio de construção. A área , às margens do Rio Grande ( o projeto necessitava de abundância de água..(quer melhor local ?)já havia sido escolhida. Nada mais podia impedir a grande conquista ! Uberaba respirou aliviada! Até que, enfim, a “revolução de 64”, premiava a terra-mãe. A CDI (Companhia Distritos Industriais de Minas Gerais), preparada para o levantamento topográfico da área, com técnicos,engenheiros,agrimensores,topógrafos e outros profissionais, para aqui vieram. Fato curioso revelo agora:o prefeito de Sacramento,era homônimo do prefeito de Uberaba, Hugo Rodrigues a Cunha.Recebeu uma correspondência “confidencial” da Presidência da República,extraviada , que confirmava a instalação da planta.O Hugo sacramentano, exultou de alegria e,ao ler o conteúdo, caiu em dolorosas lágrimas;a carta era para o Rodrigues da Cunha, de Uberaba...Peço a paciência de vocês para a conclusão.

Ressalto,por dever de justiça, a atuação do ex-prefeito Wagner Nascimento,engenheiro da CDI-MG,encarregado de acompanhar os técnicos belorizontinos no levantamento preliminar da área. Wagner,foi de um profissionalismo espetacular. Falarei dele, oportunamente. O certo é que a equipe comandada por Wagner, passou por maus momentos nas barrancas do Rio Grande...

Luiz Gonzaga de Oliveira

terça-feira, 21 de março de 2017

Primeiros Filmes de Júlio Bressane


O ANJO NASCEU
Trajetória Bandida
Guido Bilharinho


Primeiros


Em plena fase do cinema marginal, Júlio Bressane dirige O Anjo Nasceu (1969/1973), para escarmento dos aficcionados e condicionados por estórias convencionalmente estruturadas e conduzidas, objetivando, elementar e infantilmente, divertimento e distração.
                   O Anjo Nasceu fixa momentos da carreira delituosa de dois marginais, ladrões e assassinos patologicamente constituídos, antecipando (ou sendo um dos primeiros) a focalizar esse tipo de psicopata amoral, insensível, desapiedado e monstruoso, para quem assassinar friamente seu semelhante é mero divertimento, exercício de poder e determinação homicida, que se sobrepõe e covardemente se aproveita de vítimas indefesas.
                   Bressane procura (e consegue) criar realidade fílmica tão ou mais eficaz que a realidade da vida, visto que, ao fazê-lo, imprime-lhe o sentido e o significado que geralmente passam despercebidos ao contato direto com o mundo real.
                   As tomadas e imobilização das cenas são, por isso, alongadas, quedando-se a câmera frente ao selecionado corte de realidade significante, cuja contemplação por si só constitui sua própria e analítica narrativa.
                   Não é, pois, filme agradável (no sentido negativo do termo) de se ver e de se assistir, já que expõe, revela e denuncia as deformações e monstruosidades da espécie sem disfarces e despistamentos, provocando asco e repulsa a frieza e a displicência assassina dos protagonistas, interpretados por Hugo Carvana e Milton Gonçalves.
                   Inúmeras cenas e sequências se destacam pela sofisticação imagética e pelo teor e significado que contêm.
                   Nesse caso, além de outras, a sequência final do carro disparado na estrada com Carvana gritando de dor em decorrência de ferimento na perna é de excelente concepção e efetivação, atingindo o clímax com a propositada persistência desse grito/uivo (in)humano.
                   Desaparecido o carro no horizonte da rodovia, permanece apenas esta, vista em profundidade sob esplêndida luminosidade e raros carros e sob os acordes da canção Peguei Um Ita no Norte, esta cantada e outras músicas apenas orquestradas, provocando impactante efeito estético, encerrando-se aí o filme, mas não a trajetória bandida dos protagonistas.


(do livro Seis Cineastas Brasileiros. Uberaba,
Instituto Triangulino de Cultura, 2012)

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(Obras-Primas do Cinema Brasileiro:toda segunda-feira novo artigo-





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Guido Bilharinho é advogado atuante em Uberaba, editor da revista internacional de poesia Dimensão de 1980 a 2000 e autor de livros de Literatura (poesia, ficção e crítica literária), Cinema (história e crítica), História (do Brasil e regional).

sexta-feira, 17 de março de 2017

Maria Jacinta de Resende Borges



Maria Jacinta de Resende Borges

Maria Jacinta de Resende Borges, nasceu em Perdizes, MG. Viveu em Uberaba durante infância e juventude, estudou nos colégios São Tarcísio e São Judas Tadeu, onde concluiu o curso normal. Iniciou seu trabalho como professora no Grupo Escolar Jacques Gonçalves em 1970. Mora atualmente em Sertãozinho – SP onde deu continuidade ao seu trabalho e, oaralelamente, aos seus estudos com os cursos de: Pedagogia, em 1986 – Jaboticabal – SP; Didática para a modernidade, em 1996 – Franca - SP ; Bacharel em Direito, em 2007, na UNIP – Ribeirão Preto – SP; Prestou concurso para Diretor de Escola em 1988, assumindo o cargo em 1992, sendo que passou por várias escolas até a sua aposentadoria, em 2010, na EE Professor Bruno Pieroni , em Sertãozinho –SP.


Maria Jacinta de Resende Borges



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terça-feira, 14 de março de 2017

Uberaba: Dioclécio Campos - Um Século

Uberaba: Dioclécio Campos - Um Século

Dioclécio Campos - Um Século

Dioclécio Campos


1917, há cem anos, o mundo testemunhava a Revolução Russa, o rompimento dos EUA com a Alemanha na Primeira Guerra Mundial, a aparição de Nossa Senhora de Fátima em 13 de maio. Por essas bandas de cá, em Dores do Campo Formoso, então Distrito de Uberaba, hoje Campo Florido, nascia quem hoje é a razão desse texto. Um século na História é como um piscar de olhos, mas para nós, humanos, é uma longa jornada, um imenso lapso de tempo que cabe infindas histórias pelo testemunho secular da trajetória humana. Um século é tempo que não se desperdiça e é privilégio de poucos alcançar essa contagem, trinta e seis mil e quinhentos dias, pulsando vida diuturnamente, terça-feira, 14 de março, meu pai completa um século de vida. Cem anos de uma existência intensa, laboral, modesta. Acima de tudo, um lutador, guerreiro que ao lado de Anna, minha saudosa mãe, proporcionou aos sete filhos educação e estudo. Um homem grandioso, porque comum, comum por ser único, humano como todos que traduzem sua vida como um simples mortal que em seu caso perpassa um século e é testemunha das grandes transformações da era contemporânea. É um vencedor porque acima de tudo é um homem como qualquer outro, homem de bem, com todas as nuances vividas por todo ser humano, com maior ou menor intensidade, mas sempre vividas. Ao longo de minha existência já ouvi demais de tantos amigos e conhecidos dele de sua labuta e retidão. Não soube, nem por ouvir dizer, de algo que o desabonasse em seus ofícios, que não foram poucos, visto contar que começou a trabalhar aos 14 anos, ou seja, em 1931. Vem de longe sua tenacidade e garra, assim como sua vontade de viver. Vaidoso esteticamente, inegavelmente e reconhecidamente um homem bonito de vibrantes olhos azuis. Quando se é pai mais de uma vez não se é único, porque cada um de nós tem o seu pai que se consolida com a específica convivência. Assim, seguramente, Zeca, Cesso, Toninho, Naná, Virgínia, Déa e eu nos damos com ele cada um a sua maneira. E com certeza a cada maneira parabenizamos, hoje e sempre, o nosso pai em seus honrados cem anos. Parabéns, Dioclécio Campos, por um século de história cheio de vida, com seus lemas: “Quem gosta de mim sou eu.” “O segredo da longevidade chama-se tomate.” (Dioclécio Campos)

 14/03/2017

 Luiz Cláudio dos Reis Campos

Praça Rui Barbosa

Praça Rui Barbosa 


Década: 1908

"É o mais antigo logradouro público de Uberaba, pois, foi na sua parte inferior que se começou a edificação do primeiro prédio que Uberaba teve. Dele partem as seguintes ruas, a saber, canto inferior direito, a Coronel Manuel Borges; centro, a Artur Machado. Esquerda, a Vigário Silva, lado sul, ao meio, a rua de Santo Antônio. Canto superior direito, a rua Olegário Maciel e superior esquerdo, a rua Tristão de Castro; lado norte, no meio, a rua São Sebastião. É inteiramente calçada a paralelepípedos e com luxuoso jardim à frente da Catedral do Bispado.

Nos alinhamentos em diferentes lugares ficam o Paço Municipal, hoje Prefeitura, o Teatro São Luís e custosos prédios particulares. Primitivamente chamava-se ‘Largo’, mais tarde ‘Largo da Matriz Nova’, ‘Largo da Matriz’, praça ‘Afonso Pena’ (1894-1916) e finalmente praça Rui Barbosa." (PONTES, 1970, p.287).

Foto: Autoria desconhecida

Acervo do Arquivo Público de Uberaba

domingo, 12 de março de 2017

Noel Souza Sampaio

Noel Souza Sampaio - Foto: Maurício Farias (ABCZ)

Noel Souza Sampaio nasceu no Estado da Bahia, no dia 3 de março de 1919. Começou a faculdade de Agronomia ainda no Nordeste do Brasil. Mas logo no início do curso, transferiu a matrícula para a Universidade de São Paulo (USP), em Piracicaba (SP). Três anos após a formatura, entrou pela primeira vez em uma pista para comandar um julgamento em uma Exposição da Bahia. Noel Sampaio se filiou à ABCZ (Associação Brasileira dos Criadores de Zebu) durante o mandato de Adalberto Rodrigues da Cunha, na década de 50. Em 1964, o baiano se mudou para Uberaba, Minas Gerais, e passou a participar ativamente da Associação, assumindo cargos como secretário geral, diretor, membro do Conselho Deliberativo Técnico, e até vice-presidente. Em 1975, contribuiu para a implantação do Colégio de Jurados da entidade.

Professor Noel foi também um dos principais responsáveis pela fundação da FAZU há mais de 35 anos. Além disso, por mais de 20 anos, ele se dedicou ao ensino superior na faculdade, tendo contribuído com a formação de profissionais consagrados em todo o Brasil. Recentemente, o professor Noel foi homenageado pela ABCZ durante a inauguração da sala do Museu Virtual “Adalberto Rodrigues da Cunha, no dia 03 de maio, onde pode reencontrar vários ex-alunos, como o diretor administrativo da Fundagri.

Laura Pimenta


sábado, 11 de março de 2017

Casa vazia


Fria
Sombria
As vezes me dá um aperto no coração
Uma solidão 
Me falta chão 
Volto para casa vazia
Na ilusão de poder encontrar 
As pessoas que tanto pude amar
Mas a casa está sempre vazia 
Fria e sombria 
Onde nem mesmo posso morar
Pois sinto a minha alma chorar 
Em busca de alguém encontrar 
Volto à casa vazia
E tento escutar as frases que minha mãe dizia
Mas a casa, sempre fria e sombria
Mesmo assim me acalma 
Lava a minha alma 
Pois sei que um dia 
Para nossa alegria
Todos vamos encontrar 
Mesmo que seja em outro lugar 
Sou da Terra de Chico Xavier
E quando esse dia vier 
A casa vazia...
Vai se encher de alegria.


Marco Túlio Fontoura Júnior

quinta-feira, 9 de março de 2017

ESTRADA REAL DO ANHANGUERA.


ESTRADA REAL DO ANHANGUERA.

Projeto Estrada Real do Anhanguera é apresentado pelo ambientalista Celso Provenzano. Era primeiramente habitada por indígenas, assim como todo o resto do Brasil. A estrada é nos moldes da região história,Estrada Real de Ouro, Diamantina até Parati. Participa do Programa, historiador João Araújo. Jornalista Evacira Coraspe comanda o Programa Movimento, Canal Câmara.
Publicado na quinta-feira, 9 de março de 2017.

RUA DO COMÉRCIO DE CABO A RABO, DA JOÃO CAETANO EM DIANTE

 O quadro é da pintora angolana Filipa Simão.


Em frente à Casa das Máquinas, tinha uma farmácia cujo o gerente era o Zequinha. De dia bom farmacêutico, à noite, solteiro, um bom seresteiro. A seguir a Casas do Babá, material de construção, resolvia na casa qualquer problemão. Perto dali os Grisi, italianada danada. Pais e filhos falavam tão alto que parecia até “brigaiada”.
Casa Daló em frente. Gerente, o Hélio. Educado, inteligente, competente, fala mansa, cativava a gente. A auxiliá-lo os irmãos Dininho e Luiz não eram diferentes. O pintor Élvio Fantato, artista de proa, tinha loja bem pertinho. Para agradar o freguês, sempre dava um jeitinho. Na esquina da ladeira, a loja do Emilio Pucci, bonita, moderna, vitrinada e requintada. Artigos masculinos de primeira, sucesso na cidade inteira. Ali, quase “pegado”, saudade do Alfredo Antônio, barbeiro do salão do João Spiridião, onde fofoca política era de montão.
Um pouco à frente, sobrado bem cuidado: era a Pensão da Tia Lêda. Portas sempre abertas e alertas recebia a “homaiada” a transar com as lindas, loiras e morenas robustas, alegres prostitutas sem barulho nem algazarra, tinha de tudo, menos farra. Embaixo, a joalheria do Walter Gaia, delicado, dedicado, que só vendo e nunca se “escondendo”... Do lado esquerdo de quem vai, guardava os transformadores da Cia. Força e Luz, que a verve popular cantarolava: ”Cidade que seduz, de dia falta água, de noite falta luz”. Antes, a loja do Cantidio Bertoldi, caça e pesca, alegria pra quem gosta de pescaria.
Na esquina da Padre Zeferino, a loja do Neyf Fakouri tem mais de quarenta anos. Sempre à porta, alegre e bonachão, esparrama mercadoria até pelo chão. Lado de baixo, o Salão do Nazaré. Barbeiro que todo mundo botava fé. Lado de cima, a farmácia do Ferreirinha e a lembrança eterna do Brasilino Felipe, botafoguense e homem de fina estirpe. Na sequência veio a benevolência. Poucas lojas abertas, o nó nos grogumilo, saudade, eis na porta a casa a Maria Augusta, prostíbulo conhecido, afamado e respeitado. Educada e justa, recebia bem a moçada com a “grana curta”.
A Padaria Espéria, prédio imponente, abrigou panificadora florescente, anos mais tarde (a crise?) tornou-se impotente, decadente. Ao lado, uma portinha decente recebia o Garcia, técnico de rádio. Como a Conceição, sumiu, ninguém sabe ninguém mais o viu... O Bazar Azul começou de um lado e depois mudou-se para o outro. Geração Santos Anjo ainda domina. Avô passou para os filhos, esses ao neto que mantém acesa a dignidade da sina.
Já a Pensão da Dona Ema acabou. Que pena! A frondosa Gameleira foi ao chão. Durou, durou. Judiada, maltratada não resistiu. Sem forças, alquebrada, sucumbiu. Morta e sepultada. Para os jovens não quer dizer nada. Para os velhos, uma saudade danada... Na subida da Mojiana, lado direito, apenas escombros e tombos da velha máquina de arroz dos Castejon... haja “corazon”. Nada resta mais. O “terrenão” é da Diva de Moraes.
À esquerda , quase chegando no topo do morro, o armazém do João Corrêa, sortido até a tampa. Mantimento não faltava nenhum. Afinal, ao lado morava o saudoso Moisés Sallum. Encostado, ainda resiste e perdura o imponente “chatô” do cônsul italiano Augusto Buchianeri, que jurava não ter parentesco com a Ana Neri...
Falta muita coisa ainda. Essa lembrança não se finda. O cansaço me dominou. As lágrimas começam a escorrer por esse rosto cujas rugas fizeram avenidas de saudade. Tento resistir. Consigo. Se me permitirem, amanhã, recomeço na praça Rui Barbosa, com muita lembrança e prosa. Rua comprida. Por ora, missão não ainda cumprida. Prometo terminar amanhã.


Luiz Gonzaga de Oliveira

Ataliba Guaritá Neto, o netinho, da coluna Observatório de Galileu.


A falta que ele faz...

E quando menos vimos, já se passaram onze anos da partida do nosso maior cronista de todos os tempos, Ataliba Guaritá Neto. A 14 de setembro de 2000, nós o vimos partir e até hoje a lacuna que deixou aberta permanece impreenchível. Seus seguidores lutam para imitá-lo, inclusive eu, mas o “danado” levou a forma consigo.

Netinho, do alto da sua eloquência, tendo ao fundo a música Verão em Veneza executada pela orquestra de Mantovani, por mais de quarenta anos nos brindou, pela Rádio Sociedade do Triângulo Mineiro, com a inesquecível: “A crônica ao meio-dia”. O improviso era o seu forte e até hoje ninguém ousou fazer o mesmo por essas bandas. É que o filho desmedidamente apaixonado por Uberaba estendia o seu amor a tudo que fazia. Suas crônicas estavam nesse elenco. Aí morava a diferença.

No ano de 1961, iniciei minha admiração por Ataliba Guaritá Neto, quando levei a ele a renda auferida por uma Folia de Reis infantil, na qual eu fazia a segunda voz. Numa tarde, no salão de vendas de uma loja (Loja da Fábrica), situada na Rua Artur Machado, aquele homenzarrão, ou melhor, um semideus para mim, atendeu-me com requintes de um gentleman. Ele direcionou a doação que fizemos e depois prestou contas nas páginas do jornal Lavoura e Comércio.

No instante em que eu concebia esta crônica, recebi a grata visita do amigo jornalista César Vanucci, vindo de Belo Horizonte. Sem que ele esperasse, perguntei-lhe: César, quem foi para você Ataliba Guaritá Neto? E ele respondeu: - Netinho, se quisesse, além do vereador que foi, poderia ter galgado todos os cargos eletivos da nossa terra e quiçá do Estado. Concordei com César e conversamos muito sobre a dura decepção de Netinho com a política. Luiz Gonzaga de Oliveira que também o diga.

Por mais que nos esforcemos, é difícil defender Uberaba como fazia A. G. Neto. Está certo quem diz que o Uberaba Sport Club não teria chegado onde chegou se Netinho vivo ainda estivesse.

O Centro Administrativo do nosso Município tem o nome do colunista social, homem de rádio e TV, além do exímio cronista que há onze anos nos provoca saudade. Tudo isso é pouco diante da falta que ele faz para a sua querida terra. Estamos lhe devendo uma comenda com o título: Ataliba Guaritá Neto.

16/09/2011

João Eurípedes Sabino 

Minha UBERABA das MINAS GERAIS


Notre Dame de Paris


Minha UBERABA das MINAS GERAIS! Todos os dias eu te procuro nas ruas por onde ando. Muitos bairros eu cruzei esperando te encontrar ! Vejo por todo lado o debandar dos casarões, dando lugar aos espigões, mudança que o progresso cobra, pra se instalar ... E ele chegou. Chegou de mansinho invadindo praças, ruas e avenidas, desfigurando os nossos anseios. Acabou com os nossos encontros, e em ações desmedidas, nossos locais de devaneios. Ah ! Uberaba, tu envelheceste, te arrumaram uma maquiagem, te modernizaram, mudaram a tua imagem. Muita coisa se foi, se acabou. E o que ainda resta de ti, se vai, cada vez mais ... Os teus sonhos de outrora migraram, tuas lembranças nos deixaram na mão. E, no romper da nova aurora, solidão ... 
De ti, como é difícil hospedar a saudade, no coração ...


Adilson Cardoso

BRASIL: CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA

BRASIL: CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA



* Guido Bilharinho

Toda quinta-feira um novo capítulo.

NOTA PRELIMINAR

BRASIL: CINCO SÉCULOS DE HISTÓRIA

Conquanto o título, o presente livro não é de história, não obstante a matéria de que é feito o seja, conforme expusemos em obra congênere.
História - como se sabe, se é dito e se propala - é ciência, que pressupõe, antes de tudo, acesso, estudo e análise das fontes primárias (documentos originais, notadamente) e articulação contextualizada dos fatos e acontecimentos em suas causalidade e condicionantes, objetivando captar um sentido e seus significados. Outras exigências ainda permeiam a ciência histórica, que exige, como todo trato científico, formação cultural e técnica específica.
Contudo, feita essa (necessária) consideração, nada impede - como aos meios de comunicação a abordagem das ocorrências do dia-a-dia - que se efetue levantamento de natureza informativa retrospectiva de atos e situações importantes, significativos ou interessantes ocorridos antes e durante a colonização do país e seu desenvolvimento posterior atinentes à ampla gama de atividades e manifestações humanas. Que é o presente caso e não mais que isso, excetuadas as análises transcritas.
A inventariação fática que se procede na presente obra, além de apresentar os fatos, abre pistas e perspectivas – consoante observado pelo contista e memorialista Lincoln Carvalho por ocasião da elaboração do livro “Uberaba: Dois Séculos de História” – para investigação e análise histórica, que cumpre aos pesquisadores e historiadores efetuar.
Em consequência, este despretensioso arrolamento, promovido, salvo raras exceções, em fontes secundárias, não passa de simples compilação (incompleta, mas, a possível nas circunstâncias), seleção (não tão objetiva quanto deveria ser) e ordenação cronológica de acontecimentos (não tão exata quanto seria necessário), objetivando a divulgação sistematizada de fatos verificados no país nos primeiros cinco séculos de sua trajetória. Não se propõe mais, esse trabalho, do que fornecer ao público conhecimento geral dessa evolução por meio da matéria exposta e nesse fazer procurar aproximá-lo e despertá-lo para sua existência histórica e para maior e melhor compreensão do mundo em que vive.

*
Indispensável notadamente em catalogação – mesmo que singela como esta ou até por isso mesmo – a advertência de que várias das datas indicadas (e ela é só datas, já que cronológica) são objetos de controvérsias, sendo indicadas umas tantas delas, a título de exemplo.
As divergências de datação que se encontram em diversas oportunidades nas inúmeras fontes consultadas decorre muitas vezes até mesmo de erros de revisão em livros e, principalmente, em jornais, dada, nestes, a urgência da edição diária e, mesmo, periódica, elididora de tempo e tranquilidade para verificações e averiguações.
Os acertos e eventuais desacertos das indicações cronológicas devem-se, pois, às fontes indicadas na bibliografia, já que se não teve oportunidade e condições de acesso aos documentos que as atestam ou comprovam. 
Ademais, contrariando a dogmática aritmética, considera-se o último ano da década anterior como integrante e iniciante da seguinte, dada a mesma numerologia. 
Entretanto, ressalvado isso, procura-se apresentar na presente obra acervo histórico tanto quanto possível preciso. Aliás, sua própria publicação poderá suscitar questionamentos e pesquisas, o que se almeja, desde que movidos por retas intenções e sadios propósitos, visando o esclarecimento e a elucidação, tanto por amor à ciência e à verdade quanto por respeito e homenagem aos construtores da nação e escarmento daqueles que a prejudicaram e a prejudicam com a sobreposição de vantagens e proveitos pessoais, grupais, setoriais e corporativos às exigências e interesses coletivos, pretendendo-se que essa obra também concorra, por pouco que seja, para provocar no leitor a vontade e o ânimo para conhecer, enfrentar e contribuir para superar os problemas, obstáculos e limitações que se antepõem, dificultam e muitas vezes entravam o desenvolvimento do país. A ninguém é lícito - em sã consciência – quedar-se inerte e inerme, visto que as consequências negativas da omissão e do conformismo atingem a todos, indistintamente.
No mais, os direitos autorais do presente livro encontram-se registrados no órgão governamental competente.

O Autor

Acesse em:  https://www.facebook.com/Brasil-Cinco-S%C3%A9culos-De-Hist%C3%B3ria-596464293875721/?fref=ts

domingo, 5 de março de 2017

COLÉGIO NOSSA SENHORA DAS DORES

Colégio Nossa Senhora das Dores


As Irmãs Dominicanas, que chegaram a Uberaba em 1885, vieram dispostas, pois a doce missão, abraçada ainda na França, não permitia fragilidades. Sem perda de tempo, montaram o Colégio Nossa Senhora das Dores e acolheram, em salas de uma das alas do prédio da Santa Casa, as primeiras alunas.
Apenas dez anos depois dessa chegada, o primeiro prédio da escola foi inaugurado e o empenho das religiosas em ensinar o refinamento, os valores cristãos, as artes, a música, os trabalhos manuais e as prendas domésticas transformaram a escola e seu corpo docente numa sólida referência de educação feminina, em nosso país tropical.
Desde o início, as determinadas dominicanas não se desviaram de seus propósitos e, a partir da primeira parede erguida, o CNSD, não mais cessou os trabalhos educacionais, nem os de melhorias do espaço pedagógico. São Domingos de Gusmão, vez em quando, espia do alto da torre da majestosa Capela (construída por volta de 1930, em gracioso estilo românico), agradece a acolhida e se alegra com tanta dedicação.

Texto: Iara Fernandes

Fotógrafo: não identificado
Data da fotografia: década de 1940
Local: atual Colégio Nossa Senhora das Dores

Acervo do Arquivo Público de Uberaba

História do hino do Uberaba Sport Clube

O hino do Uberaba Sport Club, famoso pela composição e melodia, foi criado, originalmente, para ser a marcha da cidade de Uberaba. Em pesquisa realizada pelo Professor Carlos Pedroso, este apresenta um histórico sobre os autores o hino do USC. Composto por Lourival Balduíno do Carmo, o hino tem melodia de Rigoleto de Martino. Conforme o pesquisador o autor da letra era barbeiro de luxo e trabalhava no início da Rua Artur Machado. Músico e poeta, ele tinha por costume se vestir muito bem, daí surgiu o apelido de Barão. Era poeta e músico autodidata. Após cinco anos de casamento, este nobre cidadão acabou enveredando para o alcoolismo. Perdeu tudo que tinha. Na pesquisa, Pedroso conta um diálogo entre De Martino e Barão. Lourival Balduíno certa vez afirmou ao maestro: "Eu ainda vou pôr letra de futebol nessa sua marcha de Uberaba". De Martino respondeu: "Eu não acredito. Conheço a sua capacidade de fazer versos livres, quase como trovas. Mas letra de marcha hinária você nunca terá capacidade de compor". Certa manhã, o Barão levou a De Martino a letra e profetizou: "Sua marcha de Uberaba, daqui por diante, vai ser mais conhecida como o hino do USC".Jornal da Manhã, de Uberaba-MG, em 15/07/1999.

Composto por Lourival Balduíno do Carmo(Barão) e melodia de Rigoleto de Martino

 Tenho fulgente história.
Até os deuses já cantam minha glória!
Sou o valente campeão
Que de Uberaba possuo o coração.
Sempre leal e forte,
Sou o denodado Uberaba Sport,
O astro rei, brilhante sol,
A potestade mor do futebol.
Meus jogadores lutam sempre com afeição
Em prol do belo alvi-rubro pavilhão
Nada os retém em seu fervor
Acometendo com ardil e valor.
Em campo altivos, briosos, viris,
Sempre triunfam nas pugnas febris.
Seus peitos tremem de santo ardor
E a glória os beija num lance de amor…
Nobre e liberal,
Meu time não tem rival!
É vencer a sua divisa ideal.
Tem vitórias mil:
É a glória do Brasil!
Ah! Valente Sport
Tão alvejado e sempre forte!
Aleguá!…guá!…guá…Urrah!…Urrah!
Salve! Ó campeão
Da Princesa do Sertão!

Títulos
Campeonato Mineiro da Segunda Divisão:2003 - Campeão.
Campeonato Mineiro da Segunda Divisão: 2007- Vice-campeão.
Taça Minas Gerais: 1980 - Campeão.
Torneio de Acesso ao Campeonato Brasileiro: 1986 - Campeão.
Torneio Santos Dumont: 1974 - Campeão.
Taça Minas Gerais: 2006 - Vice Campeão.
Competições Oficiais
Taça Minas Gerais: 2009 - Campeão.
O uberaba no campeonato mineiro
Hino

sábado, 4 de março de 2017

SAUDADE EU TENHO...

Ao correr dos muitos anos que falei e comentei sobre o carnaval da terrinha, era sempre a mesma história: os bailes de gala do Jockey Clube, “ o Municipal uberabense”, na ótica do meu inesquecível amigo-irmão, Ataliba Guaritá Neto (Netinho)nas páginas do falecido “Lavoura e Comércio”, retratando a beleza das fantasias individuais e o bom gosto dos blocos das mocinha jockeanas, o carnaval do Sirio-Libanês, “arrebentando” de alegria e as “meninas da colônia”, ricamente fantasiadas de odaliscas , com o Michel Abud, comandando a festa; o Uberaba Tenis, com foliões esfusiantes e alegria em alta escala e a “batuta” do Ennio Bruno, Olimpio Capucci, Maurinho Bartonelli. Na Associação Esportiva Cultural, o Romeu Meneghello e o Edmundo Nogueira , comandavam a onda carnavalesca, enquanto que o Elite Clube, mostrava a beleza e a exuberância da raça negra e a liderança sempre gentil do saudoso e eterno presidente, Oliveiro Neri. O Lange, na Associação Musical, embora mais simples, bem popular, realizava bailes super animados. Quem tinha dinheiro, entrava e dançava; quem não tinha... pulava também !

Nas ruas e avenidas da sagrada terrinha, as escolas de samba ditavam o ritmo frenético da mais autêntica festa popular brasileira. Osvaldo Leal, Geraldo “Miquete”, dirigiam o Grêmio Recreativo; Marambaia e Marlene, “mestre-sala” e “porta-bandeira”,Romeu, o “capitão”, Marilda e Mariza, as “irmãs Marinho” uberabense, dançavam, leves e soltas, como escreviam e descreviam Jorge Zaidan e Joel Lóes, na Difusora e Correio Católico”.O “Bando da Lua”, era grupo pequeno, escola modesta, mas, o “batuque” do Geraldo Brecha , era insuperável conforme eu narrava na rádio Difusora. O”Unidos da Vila”, nunca faltava com um casal deslumbrante, Pereira e Alzira. Nos “Bambas do Fabricio”,antes até das escolas aparecerem, o “cordão” estava nas ruas, aberto pelos “balisas”Jairo Santana e “Capitão Galdino”e duas passistas fenomenais, Cleia e Yone Santana. Depois,anos depois, a alegria de Nelson Garcia, Nenê “Chaparral”, Fátima “Gelatina”, “Nego Léo” e firmeza dos fundadores “ Bambas”, a família Spiridião, fabriciana de quatro costados...E o passista “Chita”? Lembram-se ? “Águias”, do aeroporto, durou pouco. Louve-se os esforços dos sargentos Eustáquio Rocha, Pinheiro e Reis. Valeu ! Assim como o esforço da filha do eterno ídolo do Uberaba, Juca Pato, com a sua escola do alto d”Abadia. Lutou até a morte,pela sobrevivência do samba no bairro.

Na alegria descompromissada do carnaval, lembrei-lhes outro dia do “Zé Pereira” e a “entrada dos roceiros”. Mas, o momento de delírio das ruas da terrinha, era o “desfile” da “Maria Giriza”.Essa sim, era ansiosamente aguardada com mais de mil foliões mascarados,levando alegria pelas ruas da cidade. Desde os tempos do “maestro Submarino”, depois, durante anos, pelo Dico e, mais recentemente, com o Gomes “Macaco”, só não veio às ruas, este ano, com o som inconfundível do bumbo, “marcando”a algazarra dos foliões...

Sinto falta dessa turma. De clubes e das ruas. Acabou tudo. Desculpe o mau jeito pela lembrança. Faltam os Osvaldo Leal, Pereira, Nelson Garcia, Nenê”Chaparral”,Yone Santana,Luzia,Lindor,”Beth Furacão”,Zé Brevez,Barranco,Cidinha,”Gelatina”,Zinego, a família Spiridião,homens e mulheres que fizeram o nosso carnaval de rua. Sem esquecer o Zito Sabino,Laerte Borges,Rossetti,Geraldo Glostora, Docinho, Salim e Maurinho Abud, Aniz Abdalla,Jayme Moisés, Abrãozinho Árabe,Edmundo Nogueira, Brasil Miziara,Lico Marquez,Saldanha Marinho, que, nos seus clubes, sabiam “fazer “ carnaval...

Saudade eu tenho das quilométricas filas que se formavam na Vigário Silva, “virando” a Segismundo Mendes, na ânsia de ver as “amostras” das fotos do Prieto,durante o carnaval dos clubes e das ruas...
Xi, turma, essas lembranças tem mais de 40 anos, desculpe-me...
Hoje, as cinzas da quarta-feira, cimentam as vias públicas da santa terrinha, cujos dirigentes, sepultaram o nosso carnaval...


Luiz Gonzaga de Oliveira

O ANIVERSÁRIO (?) DE UBERABA

2 de maio, durante muitos anos, professoras e professores municipais ensinaram que era o dia de aniversário de fundação de Uberaba. Dia em que o pequeno povoado da “Farinha Podre” foi elevado à categoria de cidade. Aliás, os professores(as) das escolas primárias da terrinha jamais ousaram contestar nenhum dos nossos eminentes historiadores a repensar que a data não fosse verdadeira. Era 2 de maio e estamos conversados...

Em 1956, a cidade promoveu grandes festejos que duraram, exatamente, 7 dias para e comemorar o “centenário de Uberaba”, na administração do então prefeito Artur de Melo Teixeira. Formou-se uma íntegra comissão de figuras probas da sociedade uberabense para de forma pomposa, pudesse realizar uma série de programações com o fito, único e exclusivo, de comemorar “tão grata efeméride”, segundo os jornais da época...

O saudoso professor e poeta, Lúcio Mendonça de Azevedo,encarregado de escrever a letra do hino do centenário da cidade, maestro João Vilaça Júnior, incumbido de dar-lhe a corporificação musical; o professor Ervin Puhler , ficou responsável pela criação do “Museu de Uberaba”, entre tantas e tantas solenidades programadas.

Preocuparam-se os promotores do grandioso evento, encontrar alguma fotografia do major Eustáquio da Silva e Oliveira, fundador da cidade para que um busto fosse erguido na principal praça da terrinha, a Rui Barbosa e perpetuar, desta forma, a memória do bravo fundador da terrinha, Uberaba que, em tupi-guarani, quer dizer “águas claras e límpidas”.

Procura-se daqui, procura-se dalí, procura-se acolá e nada de encontrar uma foto do major. Recorreu-se a comissão de festas em vasculhar as igrejas da cidade e região e... nada!Cartórios foram acionados, pesquisados e... nada! Arquivos públicos? Que nada! Nem leve vestígio...Dia 2 de maio de 1956 chegando e como fazer o busto sem nenhum indicativo de como era a “figura do pai d a cidade”?

Malando, boêmio, “bom-vivant”, inteligente que era, uberabense nato, aconteceu o famoso “jeitinho”brasileiro. Dizem os historiadores, pesquisadores, curiosos e até os de “má língua”, que o artista plástico, Ovídio Fernandes, encarregado e contratado para a confecção do busto, teve a “genial idéia”... já que ninguém conhecia nem a foto do major, pediu ao seu amigo, colega de madrugadas, bom pintor de paredes e, nas horas vagas, árbitro de futebol, João de Melo, posasse para ele,de “chapéu bico comprido” e uma farda arranjada a última hora, ficasse estático uma tarde inteira para que pudesse pintá-lo. Ovídio, começou bem cedinho a sua tarefa. Encerrada a”Ave Maria”, o retrato estava “pronto e acabado”. Daí para a forma do busto o tempo foi recorde. No dia 2 de maio de 1956, era inaugurado o “busto de Major Eustáquio”, na praça Rui Barbosa, com todas autoridades municipais presentes, a banda do 4º.Batalhão executando marchas, dobrados e os estudantes as escolas municipais, cantando o hino da cidade! O busto de major Eustáquio, era a”cara” do João de Melo!

Passados quase meio século, vem um “engraçadinho” (que de engraçado não tem nada ), afirmando que a data de aniversário de Uberaba, não era 2 de maio e sim, 2 de março...mudou-se tudo em nome da Exposição de Zebu...


Luiz Gonzaga de Oliveira

O ANIVERSÁRIO (?) DE UBERABA - II

Sérgio Porto, o extraordinário “Stanislau Ponte Preta”, carioca da gema, foi, sem dúvida, o mais irreverente dos cronistas mundanos do Brasil. Escrevendo suas crônicas nos mais importantes jornais do País ( revistas, também..)era o “ malandro” dos cariocas praianos...Gozador emérito, fino e esculachado humor, tudo de esdrúxulo que acontecia no diário guanabarino, ele inseria nas gloriosas páginas dos jornais onde era contratado. Aliás, diáriamente, em qualquer parte do mundo, sempre acontecem as “mancadas”, situações incômodas que até Deus duvida. Tenho comigo que Sérgio Porto, melhor dizendo, Stanislau Ponte Preta, bem que poderia ter nascido em Uberaba, a nossa querida e amada terrinha.Os”causos” que se conhecem na terrinha, são dignas de figurar em qualquer “guinness-book” do mundo! As disparidades incontáveis o cidadão custa a acreditar, acontece.

Toda semana a cidade é pródiga em noticias sensacionais, algumas “cabeludas” até, a começar pelo aniversário de fundação, isto é, dia que o povoado foi guinado a condição de CIDADE ! Desde os tempos saudosos da escola da dona Henriqueta do Rosário, no Cassú,depois a escolinha “Santo Antônio”, grupo “Minas Gerais”,da dona Esmeralda Bunazar, comemorava-se ,no dia 2 de maio, o aniversário de fundação de Uberaba. Sempre li e ouvi e a história conta que o major Eustáquio, ao “baixar” sua barraca nos rincões e férteis terras da “Farinha Podre”, o fizera no comecinho de maio e escolhera o dia 2, como marco de fundação do lugarejo. No Colégio Marista Diocesano, depois na Escola de Comércio”José Bonifácio” e já na Faculdade de Direito do Mário Palmério, continuei sabendo e comemorando o 2 de maio como a data de aniversário da terrinha.. Em 1956, escrevi ontem, a “festança” foi geral. Artur Teixeira ,prefeito, Lúcio Mendonça, escrevendo o hino do centenário, Vilaça Jr,colocando música nele, Erwin Puhler, criando o “Museu de Uberaba” que, até hoje, não sei onde está instalado, banda de música do Batalhão, coro vocal, comandado pela prof.Arahilda Gomes, colégios e escolas municipais desfilando, o povão na praça e a alegria geral! De repente, não mais que de repente, começa a “bagunça”:-“olha, está errada a data de fundação da cidade”. –“Num brinca?” Pois ´, “acharam” nos velhos alfarrábios, escondidos não se sabe onde, que a data, em verdade, é 13 de fevereiro de 1911,quando o Agente Executivo (o Prefeito daquela época),Felipe Achê, “achou” de comemorar a nova data de “criação do distrito”.Depois veio o 22 de fevereiro de 1836.Não parou aí. “Historiadores” mais jovens, “descobriram” outra data:2 de março de 1820, quando a currutela foi elevada à Prelazia, satisfazendo a Igreja Católica...

2 de maio”durou” até 1995.A “caciquelândia” que dominava a cidade à época , não perdeu tempo. A Câmara municipal sempre de joelhos ao Executivo, aprovou a mudança. Afinal, se já era feriado o 1º.de maio e dia 3 começa a Exposição de Zebu, normalmente com a presença das maiores autoridades do país, praquê, feriado dia 2? O “cacique” pediu e a plebe rude,aceitou! Poucos, como eu, gritaram pela tamanha maldade com a cidade...Não adiantou

Como no “Samba do Crioulo Doido”, do Stanislau Ponte Preta, onde a Princesa Isabel cortejou Tiradentes e a Leopoldina virou estação de trem”, em Uberaba, major Eustáquio desposou a Madre Superiora, o capitão Domingos namorou a Maria Carrapato, Borges Sampaio ficou de “olho” na Madre Tereza de Calcutá, a Mogiana passou a ser nome de praça, Frei Eugênio foi ser comandante do Batalhão ,Antenógenes Silva virou regente da orquestra municipal e Joubert de Carvalho, “entrou” no Seminário São José. Daí, nem Freud explica....


Luiz Gonzaga de Oliveira

RAZÕES DO ANIVERSÁRIO (?) DE UBERABA

Continuo a comentar a história do aniversário (?) de Uberaba. Se nem Sérgio Porto, o Stanislau Ponte Preta, conseguiria explicar, imagine se essa confusão de data do aniversário da sagrada terrinha caísse nas mãos de Freud...

Tenho certeza que Freud, na sua mordaz e irônica inteligência, riria de orelha a orelha das trapalhadas e das grandes besteiras cometidas em nome de uma cidade, em outros e saudosos tempos, a principal do Triângulo Mineiro que os ufanistas costumavam catalogar e até escrever, “Mesopotâmia brasileira”. Uberaba, a bem da verdade e atirem a primeira pedra aqueles que não acreditam, era a cidade mais importante no longo caminho percorrido por Bartolomeu Bueno de Gusmão, que os índios na metade do século XIX, chamavam de “Anhanguera”, empunhando com sua comitiva, suas bandeiras saídas dos rincões paulistas à busca do ouro nos sertões inexplorados de Goiás. Uberaba, nessa faixa extensa de terra que começara nas barrancas do Tietê, iria encontrar às margens do Xingú, apesar de todos os percalços a obstacular o caminhos dos “bandeirantes” à procura do ouro, esmeraldas e outras pedras preciosas, aqui no sertão da “Farinha Podre”, fincaram as primeiras raízes de uma civilização que surgiria próspera e altamente bem sucedida...

Verdade histórica seja dita, ninguém em sã consciência, pode precisar a verdadeira data de instalação da primeira Prelazia nessas bandas, com índios, mamelucos, padres e “bandeirantes”. O que se supõe, era uma imprecisão de datas a que todos estavam acostumados. Nada mais que isso..O que causa espanto é querer, respeitando, galhardamente, os historiadores ( do passado e do presente),precisar datas históricas ao bel-prazer dos acontecimentos que o tempo registra.

A vila do “Desemboque”, cantada e decantada em verso e prosa, foi fonte inesgotável do marco da nossa civilização.Citar a primeira sede do Julgado, isto é, da autoridade política e religiosa da época da “Farinha Podre” é público e notório. Todos os historiadores, velhos e jovens, se ocuparam em contar as sagas e versões e não se cansaram em afirmar que o “Desemboque” exerceu forte influência como centro irradiador e expansão populacional. Dalí, floresceram vários povoados em seu derredor: Araxá, Patrocinio, Prata, Uberaba, Sacramento entre outros...

O que me deixa encasquetado como uberabense nato, é essa estúpida série de mudanças de datas de fundação da cidade. Dependendo de” interesses de grupos”, cada um ao seu bel prazer, mostram datas que favoreçam às suas peculiaridades nem sempre honestas. 2 de março, uma (interesses particulares), 2 de maio (descrito como criação de CIDADE), 2 de fevereiro ( porque... sei lá...)22 de fevereiro ( por causa da igreja católica...)A “briga” continua..

O duro é ter que mostrar ( se é que eles tem interesse...)aos “meninos do grupo escolar”, que a santa terrinha, mui amada por todos nós, teve 3 ou 4 datas para se comemorar...Tenho certeza que vai “fundir a cuca” da meninada.´´E muita lenha para o meu velho fogãozinho...

Luiz Gonzaga de Oliveira