Pista de julgamentos e o palanque com suas escadarias mostram bem como tudo era original no Parque Fernando Costa. Foto: Renato Peixoto Júnior.Trago uma foto de Peixotinho, lá da década de 1970, pra gente viajar no tempo. A cerca de madeira, a pista de julgamentos e o palanque com suas escadarias mostram bem como tudo era original no Parque Fernando Costa.
Era tempo de multidão, com grandes cantores à noite e rodeios durante o dia. Na arena, o locutor animava tudo, sempre com uma sátira sobre o montador, arrancando risadas e levantando o público.
Logo na entrada e pelo parque, chamava atenção a bandeira do Brasil erguida, rodeada pelas bandeiras dos estados, tremulando ao vento e dando aquele ar de grandiosidade. Espalhadas por todo lado, muitas propagandas de fazendas, tratores e equipamentos agrícolas reforçavam a força do campo e o peso do agronegócio na exposição.
Os pavilhões de cavalos e zebus eram um espetáculo à parte. Tratadores conviviam com os animais, alguns até dormindo em redes armadas no alto. A abertura oficial reunia a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu, autoridades, governadores, gente do Brasil e do mundo, e até presidentes da República marcavam presença.
Entre as figuras conhecidas, estava Badú Rocha, com seus cabritos e porcos de raça, sempre caprichoso no chiqueiro e no capril.
O parque era um verdadeiro mosaico cultural, com baianas fazendo acarajé, gaúchos, nordestinos e gente de toda parte. As mulheres desfilavam com botas e chapéus, cheias de charme.
Tinha de tudo um pouco: barraca do vinho, parque infantil com o grande tobogã, quebra-queixo, maçã do amor e pipoca no saquinho de papel. E no meio da festa, muita bexiga colorida, de vários formatos, enfeitando o parque e alegrando a criançada. E o restaurante Chopim, parada obrigatória pra boa comida e prosa.
Do lado de fora, a movimentação continuava. A avenida Marcos Cherém tinha a boate Vira Copos e o tradicional Bar do Nakayama, ponto certo de encontro, sempre cheio, com conversa animada, cerveja gelada e tira-gosto no balcão, naquele clima simples e acolhedor que só quem viveu sabe. Na avenida Fernando Costa, o Bar do Dica era referência. A antiga boate que virou o Espelhão reunia gente de todo tipo, e a Rua São Lourenço completava o cenário da época.
Estacionar era fácil, o dia rendia, e os táxis, Corcel, Simca e Opala, cruzavam a cidade. E ali estavam os choferes Zé de Castro e Baía, figuras conhecidas, sempre bem apresentados, com carros grandes e de respeito, levando autoridades e sendo parte viva daquele tempo.
Era uma Uberaba viva, intensa, cheia de encontros, sons e histórias. Um tempo que passou, mas nunca saiu da memória.
Antônio Carlos Prata