O ponto de encontro de gerações de
Parei em frente à bandeira do Brasil e bati essa foto para lembrar com vocês e compartilhar.
Bateu aquela lembrança de um tempo pré-histórico antes do celular existir.
Naquela época, perder alguém em festa não era acidente, era praticamente tradição familiar. No meio da multidão, de repente vinha a voz do locutor pelo Parque Fernando Costa:
“Eita, meninada perdida essa de Uberaba!!!"
E não era pouca gente, não. Principalmente os pestinhas, esses tinham carteirinha VIP no alto-falante. Era só soltar a mão por 10 segundos que pronto, já viravam atração oficial do evento.
E não pense que a culpa caía só nos pais. Nada disso. Entrava todo mundo no pacote: pai, mãe, avó, avô, bisavô, papagaio, periquito, parecia chamada de reunião de condomínio. O locutor não economizava, anunciava a árvore genealógica completa. Só faltava puxar o CPF e o histórico escolar da criança.
E ainda soltava com naturalidade: “Tá aqui no palanque e não tá nem chorando mais não, viu!”
Virava quase um programa de auditório. E o “perdido”? Perdido nada, já estava enturmado, tranquilo, às vezes até com cara de quem queria pegar o microfone e ajudar nos próximos anúncios.
Geralmente ficavam ali perto das bandeiras dos estados ou do mastro da bandeira do Brasil, como quem diz: “Se precisar, tô disponível.”
Hoje reparei: no tempo que estive com meu filho, só uns gatos pingados se perderam. Evoluímos ou talvez não.
Porque observei, bem disfarçado, que tinha gente estrategicamente parada perto do mastro. Vai que, né, uma nostalgia bate, uma fama repentina aparece.
Hoje o povo se perde e se acha no celular. Antes se perdia e ainda saía famoso no Parque Fernando Costa.
Antônio Carlos Prata
