Voltei e chamo vocês para mais uma carona na década de 1970.
Encontrei outra foto pertencente ao acervo do Uberaba em Fotos, de autoria desconhecida, registrada na década de 1970. Mais um registro precioso daquele tempo.
Eu vi e vivi a Avenida Leopoldino de Oliveira quando o Córrego das Lajes corria a céu aberto, com balaustradas nas laterais. No trecho entre a Rua Segismundo Mendes e a Rua Artur Machado ficava uma das partes mais bonitas da avenida. Havia árvores dos dois lados, fazendo sombra, e uma passarela em frente ao hotel ligando um lado ao outro. Era um ponto de encontro, onde o movimento existia, mas sem a correria de hoje.
Nesta foto já se nota que algumas árvores tinham sido retiradas. Ali começava a mudança no centro de Uberaba.
Na avenida passavam Gordini, Variante, Fusca, Kombi, Rural Willys, TL, Aero Willys, Corcel e até Romiseta. Era outro ritmo, menos pressa e mais conversa.
Na imagem aparece o prédio da ACIU — a Associação Comercial, Industrial e de Serviços de Uberaba. No painel via-se o escritório da Varig. Ao lado ficava o restaurante Tip-Top, de Joaquim Oliveira Maia, o Quinzino.
Logo adiante estava o imponente Grande Hotel. A parte arredondada da fachada e o detalhe vertical que imitava a Torre de Pisa marcavam o prédio. A entrada principal ficava ali, voltada para o córrego. Depois isolaram esse lado e mudaram a porta para o outro lado.
O Bar e Restaurante Galo de Ouro funcionava na parte de cima, onde se vê a sacada com grades, logo acima da Kombi que aparece na foto. O bar ficava na frente, olhando a água, e o restaurante ao fundo. Depois vinham o Bar Buraco da Onça, o bar do Romelzinho e, mais adiante, o Cine Metrópole.
Vi artistas passando por ali. Vi os Harlem Globetrotters em 1975. Eles ficaram hospedados no hotel e jogaram na inauguração do Ginásio do Jóquei Clube de Uberaba. Foi um grande acontecimento para a cidade.
Na época da ExpoZebu, a cidade enchia. Muita gente vinha também conhecer Chico Xavier. Os cantores iam até a Center Discos, de Almir Miranzi, para dar autógrafos.
Depois vieram as mudanças. As árvores foram cortadas. A passarela retirada. Sufocaram o Córrego das Lajes e jogaram asfalto por cima. E hoje, na área central, dividiram a extensão da avenida com grades, separando os lados e proibindo a travessia livre como antigamente.
Mas para quem viu e viveu, a antiga Leopoldino continua viva na lembrança.
Porque a memória ninguém asfalta.
Antônio Carlos Prata
