quinta-feira, 16 de novembro de 2017

LEMBRANDO O ÓBVIO

Recentemente César Vannucci,um dos maiores nomes do jornalismo mineiro, uberabense de cepa, esteve na terrinha proferindo palestras na ADESG e na ALTM. Como sempre, sucesso absoluto.Mas, não são as “falas” do César que quero lembrar.Madrugada a dentro, lembrando e relembrando “coisas da terrinha”, enveredamos pela lembrança de nomes da saudosa e outrora sempre combativa imprensa uberabense.

Começamos pelo Raul Jardim, um dos donos do falecido “Lavoura e Comércio”, mais de 100 anos de circulação na cidade e região.A saudade foi relembrando nomes, Rui Miranda, Maurilio Cunha Campos, Jorge Zaidan, Joel Lóes, Rui Mesquita, Rui Novaes, José Veloso Guimarães, Santino Gomes de Matos, José Mendonça, Ramon Rodrigues, Farah Zaidan, Geraldo Barbosa, entre outros brilhantes jornalistas que descansam na Paz Celestial.

O “papo”girou sobre o Raul, de fulgurante e fulminante raciocínio de profissional brilhante.Mesmo doente, ( a doença atropela, a doença aniquila, mata !)Amigo dos amigos , lealdade ímpar,Raul sempre foi um jornalista independente, sem cabresto, fiel aos seus ideais.Teve inimigos? Não sei. Adversários ? Claro ! Raul transcendeu em amor ao próximo, servo da Justiça, paladino da liberdade! Raul, poderia ter sido um homem rico de posses materiais,avarento, vendilhão, apegado ao dinheiro,prostituto de ambições desmedidas.Não ! Preferia a singeleza das palavras ,atitudes dignas, honestidade de propósitos e princípios.Despido de bens pessoais,acendrado amor a sua Uberaba. Merecia maior respeito. Uberaba muito lhe deve.

No “outro” jornal, o “Correio Católico”, (chegou a ter 12 mil assinantes na cidade e região !), “sepultado” de forma impiedosa, por razões até hoje desconhecidas, um profissional se pontificava com méritos inatingíveis:Jorge Zaidan, mestre dos mestres! Modelo de homem que veio à Terra ( e Deus perdeu a fôrma...) para servir e nunca ser servido. Nasceu com o estigma de bom, humano, decente,correto, líder , servidor emérito, olhava o próximo como a si mesmo.Só fazia o bem. Suas mãos só atiravam flores.Jorge, morreu muito novo, embora os bons não morrem...moram no plano espiritual, espargindo amor, alegria, justiça, bem querer, onde, à direita do Pai, tem assento permanente.

A”leva” dos bons jornalistas no Céu,é grande e nos deixou exemplares lições.Os artigos de Juvenal Arduini, a coragem do Padre Fialho, ..quem ousava contestar as aulas literárias de Santino Gomes de Matos ?Quem se atrevia duvidar das reportagens-bomba do intrépido Rui Mesquita,que morreu no Rio de Janeiro,chefiando a redação do “Repórter Esso”,da Rádio Nacional ?Quem não se contemplava com as verdadeiras homilias de D.Alexandre, no “roda pé”, do “Correio Católico?”. Quem não se “abastecia” lendo as noticias esportivas de Ramon Rodrigues,no”Lavoura”?e a lidíssima coluna social,”Observatório”, de “Galileu”, pseudônimo do imortal Ataliba Guaritá Neto ?Os sensatos e ponderados comentários esportivos de Farah Zaidan, no “Correio Católico”? Joel Lóes, deixou o “Correio” e foi brilhar como editor-chefe deTurismo, do tradicional e centenário” Estadão”?.

Reputações ilibadas e credibilidade junto a milhares de leitores, esses jornalistas uberabenses, conquistaram a confiança dos leitores, sem recorrer a empregos oficiais (Prefeitura,Câmara,Autarquias, Fundações,Arquivos e etc...)

O “papo-saudade”entre César e eu,varou a noite.Geraldo Barbosa,acamado e Padre Prata,em viagem,foram,gostosamente, lembrados.Nós dois, da “velha guarda”,ainda na ativa profissional, acobertados pela Lei 972, da revolução. Jornalismo, além da devoção e vocação, é um ato de doação “...Hoje...bem...hoje...


Luiz Gonzaga de Oliveira