sábado, 25 de julho de 2020

O sábado e eu.

Hoje mais um sábado pandêmico me olha atento, desesperado, observando cada movimento meu.
Procuro em cada canto o encanto que por enquanto se perdeu.

E o sábado me invade com seu olhar que agora é de Morfeu e me apavora oferecendo o silêncio de quem já morreu.


E o sábado continua a me devorar, amputando-me a condição de quem já correu com as próprias pernas e passeou no relento, bebendo vento e desafiando o firmamento.
E o sábado está, com ar de cumplicidade com a doença, me aprisionando.


E ele segue me acuando, em tocaia, como que se me convocasse a provocá-lo ou o convidasse ao diálogo.

Mas o que dizer a este sábado modorrento? Será que o convenço? Parece que ele já sabe o que penso. Me conhece há tanto tempo.

Mas de qualquer forma ele anda diferente, amanhece diferente, anoitece insolente sem se despedir quando o domingo vem vindo


E eu que neste momento o habito sem poder desembarcar do calendário, percebo, saindo do meu imaginário, a entrada do aroma de outro sábado com cheiro de rua, de gente, de bares, de cantares e de luares de prata.

É, mas o sábado parece não me querer nostálgico. Me chama novamente à realidade e decreta em proclamas nossa difícil união. Estamos irremediavelmente inseparáveis. Ele, o sábado, não me reinventa e eu sei que ele não aguenta se recordar de como ele era.


Aí ele chora, porém se recompõe e me devora, de novo, com seu olhar fulminante, inerte, sem sair da toca.

E o sábado daqui um pouco vai embora e vai levar consigo, na sua memória, a nossa história, vai me fazer vazio madrugada afora. E o domingo, coitado, ao entrar, vai pagar o pato que o sábado deixou do lado de fora.

Um novo sábado haverá de ser o babado. Eu assim espero, mesmo que os astros não apontem. Aguardemos, ele virá.


Lu C R Campos - Julho 2020

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