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quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

ZÉ PEREIRA

Semana do carnaval,não é isso? Vou lembrar alguns lances de carnavais passados aqui na terrinha. Não vivi os áureos tempos dos grandes corsos, das “baratinhas” carregando as moçoilas lindas da pequena cidade, profusão de lança-perfumes, confetes e serpentinas à rodo, colorindo as principais ruas e avenidas da provinciana e sempre acolhedora Uberaba, de alegria, canto, euforia e a natural confraternização que só uma festa popular como carnaval, pode atrair. Uberaba era pólo de tudo.Do comércio, da indústria, da pecuária, das escolas, da saúde, do progresso e o principal, a liderança regional !Tudo tinha aqui na Santa terrinha...

Os carnavais do inicio da década de 60, século passado, a “Banda da Maria Giriza”,atração do nosso carnaval de rua, a “entrada dos roceiros” e do “Zé Pereira”, antecedendo os festejos momescos, era a “pulsação” certa de como iriam transcorrer os folguedos carnavalescos...

Roil Cussi, “Perigoso”, Caio “Guarda”, Reynildo Chaves Mendes que nos deixou outro dia, Joel Lóes, lideravam ,preparavam e organizavam com carinho incomum, a entrada do “Zé Pereira”, com aquelas máscaras satíricas, “pierrots”, “arlequins” e “colombinas”, os palhaços, homens vestidos com roupas de mulher e no melhor estilo, antecediam os bailes nos clubes sociais...

A banda do Langerton, enxertada com músicos do Batalhão, os caminhões alugados, a relação dos foliões entregue ao “Dr.Delegado” para aprovação, a casa do “Caio Guarda”, quartel-general preparada para receber a moçada, o “ponche-amigo”( mistura de cachaça, rum, guaraná e um pouco de groselha para dar cor), a turma chegando, bebericando, o vestir de roupas espalhafatosas, aguardando apenas a ordem do Bolão e do Reynildo, para subir na carroceria dos dois caminhões de foliões e o outro com a boa banda, tocando, com alegria esfusiante, as marchinhas carnavalescas. Da rua Santo Antônio, que fazia fundos para a rua São Miguel ( o puteiro da cidade...)a “mulherada” ficava de olho naquele bando de homens casados ou quase, a esconder o rosto com feias máscaras, esbaldando a alegria reprimida. Chegando à rua Vigário Silva, a primeira parada ,infalível, era à frente do “Lavoura e Comércio”.Dalí, à pé, sambando de qualquer jeito, para a praça Rui Barbosa, era questão de segundos...A “choferama” da praça, entrava na farra. Na esquina da Artur Machado, Farah Zaidan, dono do “Indubrasil”, sabia para quem vender a primeira cervejinha.A descida na Artur Machado, era apoteótica !Segunda parada era no “Marabá”, do Renatinho Frateschi, que sabia, de antemão, quem se ocultava debaixo daquelas horrendas máscaras, vestidos na canela cabeluda, suvaco que era pêlo só e seios enormes recheados de pano, algodão e tudo mais que tivesse pela frente à ornar aqueles sutiãs desajeitados...A “marcha” não parava. Próxima parada:”Bar da Viúva”...Gilberto e Felipinho Vasques, sabiam prá quem vender...Semana de animação e alegria sadia. Um “código de ética” era, rigidamente, obedecido pelos foliões: delatar nomes de companheiro era expulsão da “roda”. Sem lamento.

Dias maravilhosos antecipavam os carnavais dos clubes,Tenis,Jockey,Sirio,Associação, Grêmio. Ponte Preta e Lange. Eram quatro as “saídas”:sexta e sábado da semana pré-carnaval e sexta e sábado de carnaval. Começava às 4 da tarde e só terminava quando algum companheiro , gostando da brincadeira, resolvia ficar na “São Miguel”, mostrando às inquilinas das casas, os seus “dotes femininos”... Saudações carnavalescas do ex-folião “Marquez do Cassú”...

P.S. – Segundo soube, este ano, o Carnaval na terrinha amada, começa na Quarta-feira de Cinzas...


Luiz Gonzaga de Oliveira